Sexta-feira, 17.12.10

Transplante de células estaminais curou a sida

 

Timothy Ray Brown submeteu-se a uma cirurgia de células estaminais em 2007 que, segundo um estudo científico publicado no jornal "Blood", curou-lhe a infeção do VIH, com um tratamento que lhe podia ter custado a vida.

 

 

Desde o início da semana que circula na Internet uma atualização do caso de Timothy Ray Brown, o norte-americano conhecido como o "Paciente de Berlim", que estava infetado com o Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH), o retrovírus responsável pelo vírus da sida.

Nos últimos anos, graças ao avanço da ciência e a custo de uma grande quantidade de medicamentos, quem sofre desta doença tem visto a sua qualidade de vida melhorar, apesar de não haver nenhuma cura conhecida. Até agora.

O norte-americano Timothy Ray Brown tomava um cocktail de comprimidos para combater o VIH desde 2003, apesar de sofrer desta doença desde 1995. Em 2006, descobriu que sofria de leucemia mieloide e, determinado a curar esta forma de leucemia, submeteu-se a um tratamento de alto risco.

Parou a sua medicação de antirretrovirais e, no Charité, o hospital da Universidade de Berlim, iniciou um tratamento de quimioterapia, que destruiu grande parte das suas células imunitárias, e ainda radiação em todo o corpo, antes de realizar um transplante de células estaminais, acto a que aproximadamente um em cada três pacientes não sobrevive.

Mas Timothy Ray Brown sobreviveu, livrou-se do seu tipo de leucemia e, como se não bastasse, as células estaminais parecem ter curado também a infeção do VIH.

Genes raros produziram novas defesas

 

Quando os médicos alemães procuraram um dador compatível com o norte-americano, viram que havia a hipótese de transplantarem uma particular mutação genética que afeta os linfócitos T (ou células T), as células responsáveis por travar o principal alvo do VIH, a proteína CCC5 (ou CXCR4). Esta mutação genética está presente numa ínfima percentagem da população mundial e torna essas pessoas quase imunes ao VIH.

Assim, as células estaminais necessárias à cirurgia de Timothy Ray Brown, foram recolhidas da medula óssea de uma destas pessoas que possuem o gene raro e recolocadas no norte-americano. A operação decorreu em fevereiro de 2007 e Timothy, com o seu organismo praticamente indefeso, graças aos tratamentos pré-cirúrgicos, "viu" as saudáveis (e resistentes ao VIH) células formarem o seu sistema imunitário.

O caso deste homem que procurou tratamento para leucemia, com resultados positivos, e acabou por se ver livre do VIH, tem sido acompanhado desde 2007, já que desde então os resultados pareciam prometedores e levou mesmo a um novo estudo, iniciado o ano passado .

Desde então, Timothy Ray Brown não voltou a tomar nenhum dos medicamentos antirretrovirais e no último fim de semana os médicos alemães publicaram no jornal "Blood " o seu estudo oficial. Este mostra que Timothy Ray Brown não exibe sinais de infeção do VIH e o seu sistema imunitário funciona de forma normal. Está curado.

Cura é, provavelmente, única

 

O processo de cura não é, no entanto, definitivo. É impossível pensar que os milhões em todo o mundo que sofrem de VIH possam, ou devam, enfrentar os procedimentos que Timothy Ray Brown teve de atravessar até à sua recuperação.

Esta foi uma técnica bastante arriscada, que dificilmente os médicos tornarão em atos normais, já que os atuais tratamentos, apesar de não curarem são capazes de prolongar a vida dos pacientes durante largos anos.

Mas este processo de cura é, assim, mais uma etapa para se chegar à solução deste mal.



publicado por olhar para o mundo às 08:03 | link do post | comentar

Terça-feira, 23.11.10

Um comprimido por dia para prevenir a Sida

 

Um comprimido que se toma uma vez por dia pode proteger da infecção por HIV homens que fazem sexo com outros homens. O primeiro estudo que demonstra a viabilidade desta estratégia foi publicado hoje online na revista “New England Journal of Medicine”.

 

O ensaio clínico verificou uma redução de 43,8 por cento de novas infecções pelo vírus da sida entre os homens que tomavam um comprimido que contém dois antirretrovirais no mercado (emtricitabina e tenofovir, vendidos sob o nome comercial Turvada). 

Quer isto dizer que, dos 1248 participantes que receberam um comprimido sem efeitos clínicos (um placebo), 64 ficaram infectados com HIV durante o estudo, enquanto apenas 36 dos que tomaram Truvada adquiriram a infecção. 

Mas a aderência ao regime médico é muito importante. As pessoas que tomaram o medicamento de forma regular e consistente (tomaram-no 90 por cento das vezes em que deviam fazê-lo) viram o risco de contrair a infecção reduzir-se em 72,8 por cento. 

O estudo forneceu “a primeira prova” de que os comprimidos usados para controlar o HIV nas pessoas infectadas podem também ajudar a evitar novas infecções, disse Robert Grant, da Universidade da Califórnia em São Francisco, o líder da equipa que publicou agora o trabalho.

A ideia por trás deste ensaio clínico é nova: até agora, só muito excepcionalmente se usam os medicamentos antirretrovirais antes de saber que se alguém é seropositivo. Se um profissional de saúde entra em contacto com seringas com sangue infectado, por exemplo. Ou, no caso dos bebés de mães seropositivas, os bebés são tratados logo após o parto, para evitar a transmissão do vírus. 

O que se pretende testar é a ideia de tomar um medicamento agora usado para controlar a doença de forma preventiva, para tentar evitar a transmissão do vírus, como mais uma barreira à entrada do vírus do organismo – juntando-se ao preservativo e a outros cuidados. Os Centros para o Controlo e Prevenção das Doenças dos Estados Unidos emitiram aconselharam a que a profilaxia de pré-exposição “nunca seja encarada como a primeira linha de defesa contra o HIV”. 

Participaram no estudo 2499 homens (e transexuais, que nasceram como homens mas hoje são mulheres) que fazem sexo com homens, provenientes do Peru, do Equador, do Brasil, dos Estados Unidos, da África do Sul e Tailândia. A todos foi aconselhado usar preservativos, reduzir o número de parceiros sexuais, fazer análises frequentemente e receber tratamento para outras doenças sexualmente transmissíveis que aumentam as possibilidades de contrair HIV:

Este ensaio, conhecido como iPrEx (Iniciativa de Profilaxia de Pré-Exposição) é apenas um de cinco grandes estudos que pretende apurar a eficácia do uso de medicamentos orais para limitar as infecções por HIV – que se estima serem 7000 em todo o mundo, todos os dias. 

Os activistas da luta contra a sida e da investigação de novas formas de tratar a sida e a infecção pelo HIV receberam a notícia destes resultados com entusiasmo – sugerindo mesmo que a demonstração de que esta abordagem da prevenção funciona pode vir a mudar a prevenção de novas infecções pelo vírus, pelo menos em alguns grupos de pessoas. 

Mas, como sublinha Nelson Michael, da Divisão de Retrovirulogia do Instituto de Investigação do Exército Walter Reed, que assina um comentário ao trabalho também divulgado online pela “New England Journal of Medicine”, estes resultados também nos colocam “verdadeiros desafios”. 

Antes de mais, resta saber se esta abordagem funcionará também noutros grupos de risco para a transmissão desta doença viral, como as mulheres da África subsariana, cujos maridos e parceiros sexuais não usam preservativos, e os utilizadores de drogas injectáveis – cuja via de infecção é diferente. Mas há outros estudos em curso para estas categorias.

 

Via Público



publicado por olhar para o mundo às 22:12 | link do post | comentar

Segunda-feira, 24.08.09

 

19:55 Terça-feira, 11 de Ago de 2009
 

Numa altura em que o vírus da sida está na ordem do dia, seja devido à descoberta de novos meios de prevenção ou à sua total descodificação, alguns parecem ainda acreditar em formas alternativas de cura.

- "Têm cá alguém infectado com o vírus da sida?"

O profeta anuiu.

- "Gladysa", chamou, "chega aqui!"

A rapariga surgiu do meio da multidão que nos observava e dirigiu-se até nós.

- "Está cá há 3 semanas e está curada".

- "Como é que sabem que está curada?" perguntei.

- "Eu sei que está", afirmou categoricamente, "mas vamos mandá-la ao hospital na próxima semana, para confirmar".

Numa altura em que o virus da sida está na ordem do dia, seja devido à descoberta de novos meios de prevenção ou à sua total descodificação , alguns parecem ainda acreditar em formas alternativas de cura.

São inúmeros os prayers camps que se espalham pelos arredores de Accra. Face ao elevado custo dos serviços de saúde, que os torna inacessíveis a grande parte da população, estas comunidades constituem a última alternativa de pessoas que padecem das mais variadas enfermidades.

Entregam-se a um auto-intitulado profeta e aos seus assistentes, acreditando piamente que a oração as curará dos seus males.

Se rezar basta, porque é que tantos cientistas dedicam as suas vidas a tentar descobrir a solução para aquele que é, talvez, o pior vírus que alguma vez atacou a humanidade?

Via Tou cá c'uma Gana



publicado por olhar para o mundo às 07:41 | link do post | comentar

Segunda-feira, 20.07.09

Pornografia, Com ou sem preservativo?

 

Na guerra dos preservativos, é agora o juiz quem tem a última palavra. Depois de mais uma actriz americana ter descoberto, no mês passado, estar infectada com o VIH, a indústria pornográfica e as autoridades sanitárias estão de novo em guerra. O motivo: usar ou não usar preservativo durante a rodagem de filmes pornográficos. 


Na sexta-feira, a AIDS Healthcare Foundation (AHF) apresentou queixa no Tribunal Superior de Los Angeles, na Califórnia, que terá agora de tomar uma decisão. A organização pede que seja tornado "obrigatório" o uso de preservativos durante a rodagem de cenas de "sexo duro". 

Em Porn Valley (em português Vale da Pornografia, alcunha do Vale de São Fernando devido à grande concentração de empresas XXX), as últimas semanas trazem à memória os acontecimentos de 2004. Nesse ano, o actor Darren James regressava da rodagem de um filme no Brasil e, imediatamente, entrava numa outra película, já nos EUA. Semanas depois, descobriu estar infectado. Pelo caminho, espalhou o vírus por quatro actrizes. A série de contágios forçou o encerramento da produção durante quatro semanas. O resultado foram milhões de dólares em prejuízos e o pânico semeado na indústria.

O terreno estava perfeito para a entrada em cena das associações religiosas e conservadoras. Estas organizações encheram os ecrãs das televisões e as páginas dos jornais a exigir o fim da indústria. Outras, menos radicais, reclamaram a imposição do uso do preservativo e lançaram a dúvida. É mesmo melhor ao natural? 

A resposta imediata das empresas foi: não. A maioria começou a produzir filmes em que os actores usavam preservativo. Mas, à medida que a memória dos acontecimentos se ia desvanecendo, os preservativos também iam desaparecendo dos cenários. Hoje, cinco anos depois, poucos filmes são feitos nestas condições em Porn Valley. 

A Wicked Pictures é actualmente a única casa que o faz. Fez a opção em 2004 e não se arrepende, apesar de reconhecer o impacto nas vendas. O presidente da empresa, Steve Orenstein, admitiu numa entrevista: "Quando fizemos a mudança, as vendas foram definitivamente afectadas, especialmente na Europa. Hoje, ainda tenho a certeza de que existe um efeito, mas já não é tão significativo."

Agora, a AHF argumenta dizendo que 3800 pessoas foram infectadas com gonorreia, herpes, clamídia e sífilis nos últimos cinco anos. Darren James, o actor que propagou o vírus, diz que 22 actores foram infectados nesse período de tempo. Apesar destes dados, o Departamento de Saúde de Los Angeles diz em comunicado que "continua a apoiar a legislação do estado". 

Na Califórnia, os actores são obrigados a fazer um teste ao VIH todos os meses. Durante esses 30 dias, as actrizes podem ter um parceiro por dia e os homens dois. Esta situação estimula a reclamação da AHF. "Estamos na capital do porno e não há qualquer intenção de tornar os sets de rodagem mais seguros", garante o presidente da organização, Michael Weinstein. "Não queremos censurar nada, apenas garantir que os trabalhadores estão seguros."

A indústria pornográfica tem agora de encontrar uma solução para estes problemas. Enquanto uns defendem testes mais regulares, outros apoiam a obrigatoriedade do preservativo. Esta última medida só têm de ultrapassar um obstáculo: o consumidor.

 

Via ionline



publicado por olhar para o mundo às 15:31 | link do post | comentar

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