Quinta-feira, 25.02.10

 Deixo aqui um texto escrito por Cecílio Gomes da Silva no “Diário de Notícias” da Madeira. Engenheiro silvicultor. Madeirense. Não foi escrita agora esta premonição. Foi escrita a 13 de Janeiro de 1985, já lá vão 25 anos. Não resulta de nenhuma revelação, mas do conhecimento técnico de quem o escreve.

 

Daniel Oliveira 

 

“Eu tive um sonho”
Cecílio Gomes da Silva

“Traumatizado pelo estado de desertificação das serras do interior da Ilha da
Madeira, muito especialmente da região a Norte do Funchal e que constitui as
bacias hidrográficas das três ribeiras que confluem para o Funchal,
dando-lhe aquela fisiografia de perfeito anfiteatro, aliado a recordações da
infância passada junto à margem de uma das mais torrenciais dessas ribeiras
- a de Santa Luzia – o mundo dos meus sonhos é frequentemente tomado por
pesadelos sempre ligados às enxurradas invernais e infernais dessa ribeira.
Tive um sonho.

Continuar a ler no link em baixo


Adormecendo ao som do vento e da chuva fustigando o arvoredo do exemplar
Bairro dos Olivais Sul onde resido, subia a escadaria do Pico das Pedras,
sobranceiro ao Funchal. Nuvens negras apareceram a Sudoeste da cidade,
fazendo desaparecer o largo e profundo horizonte, ligando o mar ao céu.
Acompanhavam-me dois dos meus irmãos – memórias do tempo da Juventude – em
que nós, depois do almoço, íamos a pé, subindo a Ribeira de Santa Luzia e
trepando até à Alegria por alturas da Fundoa, até ao Pico das Pedras,
Esteias e Pico Escalvado. Mas no sonho, a meio da escadaria de lascas de
pedra, o vento fez-nos parar, obrigando-nos a agarrarmo-nos a uns pinheiros
que ladeavam a pequena levada que corria ao lado da escadaria. Lembro-me que
corria água em supetões, devido ao grande declive, como nesses velhos
tempos. De repente, tudo escureceu. Cordas de água desabaram sobre toda a
paisagem que desaparecia rapidamente à nossa volta. O tempo passava e um
ruído ensurdecedor, semelhante a uma trovoada, enchia todo o espaço. Quanto
durou, é difícil calcular em sonhos. Repentinamente, como começou, tudo
parou; as nuvens dissiparam-se, o vento amainou e a luz voltou. Só o ruído
continuava cada vez mais cavo e assustador. Olhei para o Sul e qualquer
coisa de terrível, dantesco e caótico se me deparou. A Ribeira de Santa
Luzia, a Ribeira de S. João e a Ribeira de João Gomes eram três grandes
rios, monstruosamente caudalosos e arrasadores. De onde me encontrava via-os
transformarem-se numa só torrente de lama, pedras e detritos de toda a
ordem. A Ribeira de Santa Luzia, bloqueada por alturas da Ponte Nova – um
elevado monturo de pedras, plantas, arames e toda a ordem de entulho fez de
tampão ao reduzido canal formado pelas muralhas da Rua 31 de Janeiro e da
Rua 5 de Outubro – galgou para um e outro lado em ondas alterosas vermelho
acastanhadas, arrasando todos os quarteirões entre a Rua dos Ferreiros na
margem direita e a Rua das Hortas na margem esquerda. As águas
efervescentes, engrossando cada vez mais em montanhas de vagas espessas,
tudo cobriram até à Sé – único edifício de pé. Toda a velha baixa tinha
desaparecido debaixo de um fervedouro de água e lama. A Ribeira de João
Gomes quase não saiu do seu leito até alturas do Campo da Barca; aí, porém,
chocando com as águas vindas da Ribeira de Santa Luzia, soltou pela margem
esquerda formando um vasto leito que ia desaguar no Campo Almirante Reis
junto ao Forte de S. Tiago. A Ribeira de S. João, interrompida por alturas
da Cabouqueira fez da Rua da Carreira o seu novo leito que, transbordando,
tudo arrasou até à Avenida Arriaga. Um tumultuoso lençol espumante de lama
ia dos pés do Infante D. Henrique à muralha do Forte de S. Tiago. O mar em
fúria disputava a terra com as ribeiras. Recordo-me de ver três ilhas no
meio daquele turbilhão imenso: o Palácio de S. Lourenço, A torre da Sé e a
fortaleza de S. Tiago. Tudo o mais tinha desaparecido – só água lamacenta em
turbilhões devastadores.

Acordei encharcado. Não era água, mas suor. Não consegui voltar a adormecer.
Acordado o resto da noite por tremenda insónia, resolvi arborizar toda a
serra que forma as bacias dessas ribeiras. Continuei a sonhar, desta vez
acordado. Quase materializei a imaginação; via-me por aquelas chapas nuas e
erosionadas, com batalhões de homens, mulheres e máquinas, semeando urze e
louro, plantando castanheiros, nogueiras, pau-branco e vinháticos;
corrigindo as barrocas com pequenas barragens de correcção torrencial,
canalizando talvegues, desobstruindo canais. E vi a serra verdejante; a água
cristalina deslizar lentamente pelos relvados, saltitando pelos córregos
enchendo levadas. Voltei a ouvir os cantares dolentes dos regantes pelos
socalcos ubérrimos das vertentes. Foram dois sonhos. Nenhum deles era real;
felizmente para o primeiro; infelizmente para o segundo.

Oxalá que nunca se diga que sou profeta. Mas as condições para a
concretização do pesadelo existem em grau mais do que suficiente.

Os grandes aluviões são cíclicos na Madeira. Basta lembrar o da Ribeira da
Madalena e mais recentemente o da Ribeira de Machico. Aqui, porém, já não é
uma ribeira, mas três, qualquer delas com bacias hidrográficas mais amplas e
totalmente desarborizadas. Os canais de dejecção praticamente não existem
nestas ribeiras e os cones de dejecção etão a níveis mais elevados do que a
baixa da cidade. As margens estão obstruídas por vegetação e nalguns troços
estão cobertas por arames e trepadeiras. Agradável à vista mas preocupante
se as águas as atingirem. Estão criadas todas as condições, a montante e a
jusante para uma tragédia de dimensões imprevisíveis (só em sonhos).

Não sei como me classificaria Freud se ouvisse este sonho. Apenas posso
afirmar sem necessidade de demonstrações matemáticas que 1 mais 1 são 2, com
ou sem computador. O que me deprime, porém, é pensar que o segundo sonho é
menos provável de acontecer do que o primeiro.”
Dei o alarme – pensem nele”

Via Arrastão

 



publicado por olhar para o mundo às 07:52 | link do post | comentar

Quarta-feira, 24.02.10

Os ressurreições na Madeira 

Via Radar SAPO



publicado por olhar para o mundo às 14:38 | link do post | comentar

Sexta-feira, 15.01.10

Haiti, a tragédia é imensa

 

As organizações de ajuda humanitária lançaram um apelo mundial de ajuda para os esforços de salvamento e recuperação no Haiti, mas alertam para a necessidade de direccionar essas ajudas correctamente.

 

 Eis algumas pistas da InterAction, coligação internacional de organizações de assistência humanitária:


- Não recolha água, alimentos nem roupas para o Haiti porque o país não dispõe das infra-estruturas necessárias para os distribuir;

- Opte por doar dinheiro a organizações de ajuda humanitária reconhecidas, permitindo aos profissionais obterem exactamente aquilo que é preciso sem sobrecarregar os recursos já escassos para os transportes e armazenamento;

- Quem quiser voluntariar-se para ajudar no terreno tem que ter experiência anterior em cenários de calamidade ou em países estrangeiros, ou possuir capacidades técnicas em carência no momento, e deve fazê-lo através de uma organização reconhecida de assistência humanitária. Mais informação disponível no Centro de Informações sobre Desastres Internacionais, agência ligada ao gabinete de Assistência em Calamidades das Nações Unidas, em www.cidi.org.

Organizações portuguesas que estão a aceitar donativos para o Haiti:

Cáritas Portuguesa – pode fazer donativos na conta "Cáritas Ajuda Haiti", com o NIB 003506970063000753053 da Caixa Geral de Depósitos

Cruz Vermelha Portuguesa – pode fazer donativos para o Fundo de Emergência da organização em vários bancos, indicados no site http://www.cruzvermelha.pt/cvp_t/, ou por telefone para o número 760 20 22 22 de atendimento automático (custo da chamada é de 0,60€ + IVA)

Ajude a Missão de emergência da AMI no Haiti – contribua para esta missão através do NIB: 0007 001 500 400 000 00672 Multibanco: Entidade 20909 Referência 909 909 909 em Pagamento de Serviços

Associação Amurt – contribua para esta organização através da conta na CGD. NIB: 0035 2168 00020393630 21 ou cheque à ordem de Amurt - Associação de Apoio Social e Humanitário, enviados para Rua Visconde de Santarém, nº 71 3º andar, Sala 1 1000 - 286 Lisboa. Mais informações em http://www.amurt.pt/donativos 

Angariação de Fundos "Emergência no Haiti" da Oikos – contribua para esta campanha com transferências bancárias para o NIB: 0035 0355 00029529630 85, em conta da Caixa Geral de Depósitos.

Associação para a Cooperação, Intercâmbio e Cultura – os donativos poderão ser feitos através do número bancário 0033.0000 45207093568 05 e os bens alimentares não perecíveis e medicamentos devem ser entregues na sede da associação, na Avenida Columbano Bordalo Pinheiro, em Lisboa.

Associação Adventista para o Desenvolvimento, Recursos e Assistência – foi aberta uma conta destinada a recolher donativos para respostas de emergência (0046 0017 00600031123 74).

Rede Miqueias (de igrejas evangélicas) – campanha SOS Haiti – donativos para a conta 0697 6358 596 30, da Caixa Geral de Depósitos (NIB - 0035 0697 0063 5859 63074)



publicado por olhar para o mundo às 08:00 | link do post | comentar

Quinta-feira, 14.01.10

Ajude a Ami a ajudar o Haiti

 

 CAMPANHA DE EMERGÊNCIA HAITI


A AMI partiu no dia 14 de Janeiro para o Haiti com uma  equipa exploratória de dois elementos, na sequência do terramoto que atingiu aquele país no dia 12 de Janeiro de 2010.

Os sobreviventes desta tragédia precisam da AMI e a AMI precisa de si.

Colabore nesta missão de emergência e ajude a AMI a reconstruir as vidas que ficaram destruídas.

Contribua para esta missão através do NIB: 0007 001 500 400 000 00672
Multibanco: Entidade 20909 Referência 909 909 909 em Pagamento de Serviços

Saiba mais sobre a missão da AMI no Haiti.
 
Retirado do Site da AMI



publicado por olhar para o mundo às 15:59 | link do post | comentar

Quinta-feira, 04.06.09

 A morte passou ao lado

Acho que ninguém que estava naquele voo vai esquecer a cara do piloto", diz Maria Stuart (nome fictício), com os olhos a nublarem-se de lágrimas. "Sei que sem querer driblei a morte num combate desigual. Não canto vitória porque é uma alegria triste. Duzentas e tal pessoas morreram num voo que podia ter sido o meu", diz António Barroso, entre o peso e o alívio de quem escapou à morte.


António Barroso, jornalista, 39 anos, e Maria Stuart, advogada de São Francisco, com 55, não se conheciam até anteontem. Encontraram-se numa mercearia do Bairro Alto e descobriram a mais inesperada coincidência: são ambos sobreviventes de desastres de avião. Estão unidos por duas datas de calendário: 31 de Maio de 2009 e 15 de Janeiro de 2009. Ela estava no voo da U.S. Airways que amarou nas águas gélidas do rio Hudson, ao largo de Manhattan. Ele entrou no voo da Air France que fazia a ligação entre o Rio de Janeiro e Paris às 16h20, hora do Rio. Duas horas e quarenta minutos separaram-no do fatídico voo 447 que desapareceu no Atlântico.

Quando chegou ao aeroporto Charles de Gaulle, António Barroso tomou o pequeno-almoço e leu o "L'Équipe" para saber quem tinha vencido a Taça de Portugal. Pouco depois, recebeu o telefonema: "Estás bem, estás vivo?" Franziu as sobrancelhas. Estava bem e à sua volta tudo parecia normal. "Estão aqui a dizer na televisão que o avião da Air France desapareceu dos radares", explicaram do outro lado da linha. António, que fala sem parar, ficou sem fala. "Então eu fiz a carreira da morte, no autocarro anterior? Porra! Podia ter sido eu?" 

Só então começou a perceber os sinais. Os assistentes da Air France não largavam os walkie-talkies, os sorrisos tinham desaparecido. Horas antes, no aeroporto António Carlos Jobim, olhara para o ecrã com as informações de embarque e concluíra que podia ter desfrutado de mais duas horas de praia em Ipanema: havia outro voo duas horas mais tarde. Depois do telefonema, arrependeu-se do que pensara. 

SILÊNCIO Maria Stuart soube logo que um dos motores tinha deixado de funcionar. "Houve um estrondo. E depois silêncio. Esmagador..." Lembra-se de olhar para o relógio por cinco longos minutos. Depois vieram as palavras do piloto, que ainda consegue reproduzir de cor. "Preparem-se, vamos despenhar-nos. Descalcem-se, vistam os coletes e mantenham a calma que vou tentar salvar a vida de todos nós." O avião começou a descer aos solavancos, "como se houvesse poços de ar muito fortes" e "as coisas começaram a cair. Depois, um bum e um splash enorme."

Maria Stuart conseguiu nacionalidade americana por serviços prestados à justiça e naquele voo usava passaporte americano. Por isso não se soube que havia uma portuguesa a bordo do A320. Meses depois, afirma com frieza: "Passei a acreditar que quando chega a nossa hora não importa onde estamos." 

Ainda se corresponde com passageiros daquele avião. "Criou--se uma relação muito forte, apesar de ter sido um encontro breve." Tal como Maria, António vai guardar religiosamente o bilhete do lugar 16-A, junto à janela, junto a outras relíquias - fotos com entrevistados, autógrafos dos seus heróis. E não é tudo o que guarda daquele dia: "O som dos 20 sms quando ligo o telemóvel, em Portugal, vai comigo para o túmulo."

OS ÚLTIMOS MINUTOS Segundo informações avançadas ontem pela imprensa brasileira, nos minutos que antecederam a queda no Atlântico, o avião da Air France terá emitido vários sinais de alerta de problemas técnicos. As mensagens terão sido enviadas durante quatro minutos e apontam para que o avião tenha entrado em queda livre até ao mar. Mas a confirmação desta teoria só poderá ser feita quando forem descobertas as duas caixas negras do Airbus. A operação de resgate está, no entanto, a ser encarada pelas autoridades brasileiras como bastante complicada, devido à pro- fundidade a que deverão estar. 

 

Via Ionline



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