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Um olhar sobre o Mundo

Porque há muito para ver... e claro, muito para contar

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Um olhar sobre o Mundo

10
Nov10

Benfica. ... Todos ralham e ninguém tem razão

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Benfica, Todos ralham e ninguém tem razão

 

O filme está desfocado para os lados de Jorge Jesus. A paixão dos adeptos definha a cada derrota e há quem o confronte cara a cara pelas suas opções: a lua-de-mel parece que afinal não é eterna e os primeiros arrufos do matrimónio começam a vir à tona. Na madrugada que se seguiu à humilhação no Dragão, dois adeptos criticaram o treinador pelas suas opções e a resposta dele foi esta: "Coragem tiveram os que foram ao Dragão!" Tudo bem. Só que esses sócios tinham ido ao estádio do FC Porto e mostraram-lhe o ingresso como comprovativo - Jesus engoliu em seco e pediu desculpa. Ontem, no aeroporto, o técnico foi interpelado pelos mesmos benfiquistas quando a equipa seguia para as portas de embarque: "Mister, os que foram ao Dragão estão aqui a dar a cara outra vez. E achamos vergonhoso ir a Angola durante a semana numa altura destas." Ao ouvir isto, Jesus encolheu os ombros, pediu calma por lá estarem "jornalistas" e acabou por ser um responsável do clube a encerrar o assunto, explicando-se ao par de sócios: "Há aqui jogadores que não sabem o que é o Benfica e quando se apercebem da dimensão não conseguem lidar com a pressão." De Luís Filipe Vieira, nem um palavra.

Não são só os adeptos a torcer o nariz ao raid encarnado a Angola por ocasião das comemorações do 35.º aniversário da independência do país - aos jogadores e equipa técnica também não caiu bem a decisão presidencial de forçar a equipa a um desgaste suplementar e desnecessário. A viagem relâmpago a África está contextualizada numa suposta despedida oficial de Mantorras (no jogo Angola-Benfica, hoje às 19h) aos relvados e num encaixe chorudo para os cofres da Luz - 1,4 milhões de euros, pouco menos do que duas vitórias na Liga dos Campeões. Que é o que se pede a Jesus neste momento crítico: ganhar ao Schalke 04 (na Luz) e ao Hapoel (em Telavive) garante a passagem aos oitavos-de-final da Champions, um dos objectivos mínimos para quem até falou em conquistar a competição em Wembley. Se a meta não for alcançada, a contestação interna aumentará e Jesus ficará em palpos de aranha, agarrado à cláusula de rescisão astronómica (5 milhões de euros, pelo menos) que acordou com o clube. E é por isto e pelo capital de confiança que (ainda) tem junto de Vieira, que o despedimento de Jesus é cenário distante. Mas caso o Benfica decida prescindir do treinador, a solução passa pela entrada em cena do agente Jorge Mendes que procurará colocar Jesus no estrangeiro, satisfazendo ambas as partes.

ENTRE MUROS Jesus tem um estilo e o estilo é este: aperta com os jogadores até mais não, grita com eles em alta voz e muitas vezes insulta-os. Os jogadores que treinou no passado já se queixaram das "orelhas a ferver no treino" mas sempre lhe elogiaram a capacidade táctica; os futebolistas que dirige no Benfica dizem o mesmo dele. Ou diziam. 

Este ano, já se viu Luisão, de braçadeira, a discutir com Jesus em pleno relvado; já se viu Cardozo desagradado por não sair de campo quando se encontra esgotado e o resultado construído ("O descanso só faz é mal", diz Jesus); e Saviola com ar de poucos amigos sempre que é substituído. No futebol, como na vida, quando se ganha, tudo se suporta mas o inverso também é verdade. Nesses momentos questionam-se as opções tácticas, os métodos, os tiques e a cabeça começa a pesar mais do que as pernas. O Benfica é a formação mais indisciplinada da Liga, com 37 amarelos e dois vermelhos directos - contas feitas, as águias não podem contar com Luisão, Maxi Pereira e Carlos Martins para o encontro com a Naval (domingo). 

MEDO DO LOBO MAU Na preparação para o jogo do FC Porto, ficou evidente a preocupação de Jesus em montar um esquema que anulasse Hulk, como se o Incrível fosse lobo mau. Em 2009/10, foi Peixoto quem o defendeu na vitória caseira com o golo de Saviola - nem um nem outro jogaram no passado domingo mas um e outro tinham sido titulares nos últimos encontros. Como escreve o "Record", a coisa não caiu bem a Peixoto, a Saviola e nem aos restantes elementos do balneário que viram um Jesus medroso em vésperas de clássico.

 

Via Ionline

02
Fev10

Deixem jogar o Mantorras ..... já não dá!

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Deixem jogar o Mantorras!

 

Quem nunca percebeu o fenómeno Mantorras devia escolher uma de duas experiências. Ir aoEstádio da Luz num daqueles jogos em que o avançado entra nos últimos minutos; ou ir a Luandavê-lo jogar na selecção e depois perceber como (não) consegue andar na rua. Mas hoje em dia o melhor seria mesmo encontrar o Pedro Manuel no bairro onde nasceu, o Sambizanga, a fugir daqueles que aparecem e dizem ser primos ou amigos - é que Mantorras nunca jogou tão pouco, esta temporada só fez uma partida oficial no Benfica (e agora outra na selecção). Pior, aquele a quem chamaram "novo Eusébio" está cansado de lutar contra a lesão no joelho e pode abandonar a carreira. Deixou de fazer sentido dizer: "Deixem jogar o Mantorras."


"Vou conversar com a família e depois dar uma conferência de imprensa para divulgar o que decidi", disse o angolano, ainda em Luanda, onde participou na CAN. A dúvida está lançada mas uma coisa é certa, aos 27 anos o adeus à selecção está praticamente garantido. Resta saber se também põe fim num percurso que iniciou há sensivelmente dez anos e que o levou do Alverca - estreia em Outubro de 1999, lançado por José Romão num jogo contra o Vitória de Guimarães - ao Benfica. 

Foi na Luz que nasceu o fenómeno. Quem o viu chegar, em 2001, pensava estar perante o novo Eusébio. Luís Filipe Vieira disse logo: "Só sai por 18 milhões de contos" - 90 milhões de euros para afugentar o interesse do AC Milan. O africano franzino, que tinha sido dispensado do Barcelona e que o mesmo Vieira acolheu no Alverca, era então um atleta inspirado que só parava à falta, fosse contra quem fosse. Daí o célebre "deixem jogar o Mantorras". É claro que esses tempos já não seriam possíveis hoje, Mantorras deixou de poder ser o novo Eusébio quando, à segunda operação, os médicos perceberam que a cartilagem do joelho direito tinha desaparecido. Depois ainda lhe abriram a perna mais duas vezes e lá foi recuperado para ser uma espécie de arma secreta a termo certo - contam-se os minutos que pode entrar, para tentar resolver jogos. O Mantorras do último título (2004/05), com Trapattoni, foi isso mesmo, decisivo, com cinco golos que deram duas vitórias (Marítimo e Estoril) e um empate (Estoril), quase sempre em cima do último apito, para aumentar o drama na bancada.

O Benfica de Jorge Jesus, agora, está longe do sofrimento desse tempo (Cardozo e Saviola fazem alguma diferença quando comparados com Nuno Gomes e Karadas) e já não se pedem os mesmos milagres. Esta época Mantorras não fez qualquer minuto no campeonato e apenas foi chamado para um jogo da Taça de Portugal, contra o Monsanto (goleada 6-0, não foi preciso nenhum golo dos seus). Entretanto foi convocado para a Taça das Nações Africanas mas Manuel José deu-lhe apenas 29 minutos de utilização, com o Malawi. No jogo da eliminação, com o Gana, a perder por 1-0, o treinador português nem se lembrou de o colocar. Se a selecção angolana fosse o Benfica de 2004-05, estava-se mesmo a ver qual seria a substituição...

Sem influência no Benfica e na selecção, Mantorras passa os dias entre a fisioterapia e os treinos, mantendo a condição física mínima à espera de ser chamado. Aos 27 anos continua com tempo, ninguém corre atrás dele, nem sequer corre o risco da dispensa, normal para qualquer futebolista. Luís Filipe Vieira renovou-lhe o primeiro contrato feito no Benfica e na época 2008/09 até pagou, por 2 milhões de euros, os 50 por cento do passe que tinham ficado na posse do Alverca em 2001. 

Agora resta saber qual é a vontade de quem sofre. É a que conta porque o clube tem uma dívida de gratidão com o futebolista que lá destruiu o joelho. Na época passada, quando chegou ao Benfica, Quique Flores chegou a dizer que Mantorras deveria ser dispensado. Obviamente ainda não tinha percebido de quem estava a falar. O espanhol é que acabou por ir embora.

 

Via ionline

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