Domingo, 07.11.10

Quem tem medo de Lobo Antunes

 

Amado por uns, odiado por outros, reconhecido por todos. Lobo Antunes é dos escritores portugueses mais respeitado dentro e fora de portas. Já António, o homem, poucos o conhecerão. Reservado, profundo, visceral, não lhe faltam histórias polémicas, que acabam invariavelmente nos jornais. Talvez ele nem as leia: não lida bem com a crítica e não gosta de dar entrevistas porque as considera irrelevantes. Mas, mais do que tudo, porque uma história de jornal nunca passa disso, de uma história, com toda a ficção e realidade que pode conter: "Sou arrogante, mal-educado, rebelde, geralmente sou sempre o António Lobo Antunes somado a qualquer coisa desagradável. Não corresponde a nada do que sou, a nada", disse em entrevista ao Expresso o autor de "Sôbolos Rios que Vão", o seu novo livro que acaba de ser editado.

Quando o jornalista do "Diário de Notícias" (DN) João Céu e Silva contactou pela primeira vez António Lobo Antunes, o escritor acedeu sem grande reserva ao pedido de entrevista. Dois dias antes do encontro mudou de ideias e recusou. "Disse-lhe que íamos publicar quatro páginas em branco apenas com a justificação dele. Ele acabou por ceder", recorda ao i o jornalista e autor de uma compilação de entrevistas ao escritor. No dia marcado para a conversa, à porta de sua casa, nova investida do autor. "Foi mal-educado, disse-me que não sabia quem eu era, como se quisesse dizer que eu não era ninguém. Não me deixei ficar e tive uma reacção muito violenta. Acho que foi isso que me fez conquistar algum respeito. Em vez de uma entrevista tradicional de 40 minutos, falámos mais de duas horas."

Foi dessa longa conversa que nasceu a ideia do livro, editado em 2009, pela Porto Editora. "Uma Longa Viagem com Lobo Antunes" é o resultado de dois anos de conversas entre o jornalista e o escritor. "Todas as sextas-feiras falávamos cerca de duas horas", recorda Céu e Silva. E embora o escritor seja um homem cheio de reservas nas conversas com jornalistas, não foi o que aconteceu com o repórter do DN. "Ele acha que as entrevistas não acrescentam nada, não justificam a perda de tempo", explica. Talvez tenha sido isso que o levou a desejar - e a verbalizar - o fim de uma entrevista feita por Anabela Mota Ribeiro. Na conversa, o autor de "Memória de Elefante" diz à jornalista que "desde que começámos que desejo que isto acabe". E acabou na pergunta seguinte. 

É possível que a frontalidade suscite os adjectivos que o autor não gosta que lhe colem - "sou arrogante, mal-educado, rebelde". Ou talvez explique as suas raras aparições públicas. Mas revela acima de tudo o homem reservado que se esconde por trás das páginas dos livros. "Não se desvenda facilmente. Mas quem lê os seus livros consegue apanhar-lhe as manias, os mitos, no fundo, muito dele", explica Céu e Silva. Seja como for, Lobo Antunes é um homem de poucas palavras - faladas - fora do seu círculo de pessoas próximas. Na rua onde vive, na tabacaria onde compra cigarros ou no café onde toma a bica, ninguém conhece mais do que a sua silhueta. "Falar? Sim, fala bastante. Nunca vem sozinho", brinca um funcionário de um dos restaurantes que o escritor frequenta, na Rua Gomes Freire. 

Paradoxalmente, o homem solitário que não lida bem com a exposição pública - "como cidadão praticamente não existo. Não frequento eventos, não participo em nada. Tenho uma vida muito solitária, muito fechada. Não faço vida social" - raramente deixa de dizer o que pensa, sem usar paninhos quentes. Sobretudo no que diz respeito à literatura. Quando José Rodrigues dos Santos lançou "A Vida num Sopro", o vencedor do Prémio Camões classificou o livro de "uma grande merda", confessando ficar "assombrado com pessoas que escrevem livros de dois em dois meses", num país "onde todos são escritores". 

Lobo Antunes é um autor disciplinado, que vive para a escrita e dificilmente consegue pensar noutra coisa quando tem um livro em mãos. "Uma vez perguntou-me o que é que eu achava que os portugueses gostavam de ler. Irrita-se e interroga-se com o facto de as pessoas não conseguirem entender os seus livros. E porque vende menos do que alguns escritores sem o seu génio. Nos momentos em que não consegue escrever, e tudo isso lhe vem à cabeça", acredita João Céu e Silva. 

É provável que um sentimento semelhante lhe provoque alguma crispação, sempre que lê uma crítica. Não que Lobo Antunes não saiba viver com ela - "nunca disse nada [a um crítico], posso não gostar mas nunca digo nada" - mas a verdade é que já deixou escapar várias vezes o seu desagrado. Em 2007, depois de um texto de Pedro Mexia sobre o seu livro "O Meu Nome é Legião", Lobo Antunes reagiu mal: disse não o conhecer e que "o homem não percebeu nada daquilo". A resposta não tardou: numa réplica publicada no seu blogue, Lei Seca, Mexia recorda o seu encontro com o autor, na Feira do Livro, quando este o elogiava e assinava um livro seu - "Para Pedro Mexia, porque gostei do seu livro".

A rivalidade com Saramago Uma das maiores polémicas alimentada nos jornais foi a suposta rivalidade entre José Saramago e António Lobo Antunes. Numa reportagem feita para o jornal "Tal&Qual", Frederico Duarte Carvalho vestiu-se de Pai Natal decidiu oferecer prendas a famosos. Um dos escolhidos foi José Saramago, que recebeu das mãos do repórter o "Livro de Crónicas" de Lobo Antunes. Na altura, especulou-se que o Nobel da literatura teria atirado o livro para o chão. Mas as palavras foram: "Tome, não aceito e considero isto uma provocação." 

Também o humorista Jel quis alimentar a polémica, quando Lobo Antunes se encontrava a promover um livro nos EUA. "Fiz-lhe uma entrevista na biblioteca pública de Nova Iorque, fazendo-me passar por um brasileiro que pensava que ele era o prémio Nobel português, Levou tudo na desportiva." 

Polémicas à parte, a verdade é que Lobo Antunes esteve cotado na lista dos eleitos da uma das principais casas de apostas para o prémio Nobel da Literatura deste ano. E serão poucos os escritores vivos com o seu génio. Em tempos, terá vivido o desgosto do Nobel de forma intensa. Há quem diga mesmo que "morreu durante alguns anos" por não ter ganho o prémio. Mas, se dermos como certa a praga de Saramago - que acreditava que nenhum autor português ganharia o galardão enquanto ele estivesse vivo - talvez se renove a esperança de ver novamente um português em Estocolmo. Se assim for, Lobo Antunes é o grande candidato.

 

Via Ionline



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Sexta-feira, 22.10.10

Totalmente nuas, de pernas cruzadas e em ambiente burlesco. É assim que o atrevido grupo literário Naked Girls Reading tem conquistado fãs entre os EUA e o Canadá, provando que aleitura não tem de ser uma coisa chata.

 

 

Quantas vezes entre o mundo dos saltos rasos que me rodeia ouvi a frase: "Não tenho paciência para ler. Odeio livros!". Para quem, como eu, ler é atividade sagrada nos tempos livres, esta falta de apreço pela leitura é um verdadeiro sacrilégio. Contudo, meus queridos amigos que acham os livros chatos, deixo-vos uma pergunta: e se uma mulher, totalmente nua, vos lesse um livro, continuavam a achar a leitura algo aborrecido?

 

Michele L'Amour é a autora da iniciativa literária sem roupa
Michele L'Amour é a autora da iniciativa literária sem roupa
Naked Girls Reading

Nos Estados Unidos e Canadá a ideia provocante ganhou forma (eu diria mesmo "formas") com o grupo literário Naked Girls Reading (Mulheres Nuas a Ler). Muito resumidamente, estas senhoras despem-se de preconceitos e sentam-se em frente à plateia - de pernas cruzadas! - para ler, desde os grandes clássicos a livros de terror e suspense. Para terem noção da variedade literária destas senhoras, pelas suas sessões já passaram trechos de obras tão distintas como o célebre "Diário de Anne Frank", "Lolita", de Vladimir Nabokov, e até mesmo "Onze Minutos", de Paulo Coelho.

E assim se criam novos hábitos de leitura

 

Criadas em parceria pela showgirl Michelle L'Amour e o pelo escritor e fotógrafo Frank Vivid, as Naked Girls Reading apresentam-se sempre num cenário burlesco, envoltas em glamour e boa disposição. Desenganem-se as mentes mais rebuscadas: a pornografia, essa ali não tem lugar.

Procuradas tanto por público masculino como também por feminino, as meninas da leitura sem roupa já passaram por mais de dez cidades entre os Estados Unidos e o Canadá. Numa altura em que a Internet ganha terreno e os hábitos de leitura estão cada vez mais baixos, este estímulo é de louvar. Contudo, fica-me uma pergunta na cabeça: será que nestas sessões alguém consegue realmente prestar atenção à história?

 

Ver os vídeos aqui

 

Via A Vida de saltos Altos



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Quinta-feira, 07.10.10

Mario Vragas LLosa, prémio Nobel de literatura

 

O escritor peruano Mario Vargas Llosa é o Prémio Nobel da Literatura de 2010, foi anunciado hoje em Estocolmo pela Academia Sueca.

 

“Muito comovido e entusiasmado.” Assim se sentiu Vargas Llosa ao saber que era seu o Nobel da Literatura deste ano. Foram as primeiras declarações do escritor, feitas à agência de notícias peruana Andina e citadas pela Lusa.

Vargas Llosa está em Manhattan, onde se encontra durante o período em que está a leccionar na Universidade de Princeton, soube o PÚBLICO na Feira do Livro de Frankfurt. "Todos os anos ele sonhava com isto e sempre lhe dissémos que era este o ano", comentava a directora de marketing da Alfaguara (do grupo Santillana), Angeles Aguilera, ao PÚBLICO.

O peruano, de 74 anos, foi distinguido "pela sua cartografia das estruturas de poder e pelas suas imagens mordazes da resistência, revolta e derrota dos indivíduos", justifica a Academia em comunciado divulgado poucos minutos após o anúncio do Nobel. 

As Publicações Dom Quixote, editora da maior parte da obra do escritor em Portugal, congratularam-se pela distinção em comunicado. "Depois de vários anos em que o seu nome foi sucessivamente apontado como vencedor do Nobel", lê-se, "a Academia Sueca decidiu, finalmente, premiar a obra de Vargas Llosa, conhecida e admirada em todo o mundo."

Francisco José Viegas, director editorial da Quetzal, que publicará em 2011 o mais recente romance do escritor, considerou a escolha "absolutamente inesperada", isto, "tendo em conta a tradição dos últimos anos, pelo menos, ou das últimas décadas, do Nobel". Em declarações à Lusa desde Frankfurt, onde acompanha a feira do livro da cidade alemã, Francisco José Viegas definiu Mario Vargas Llosa como um autor que "estuda o poder, estuda as formas de poder, as formas de exercício do poder e também estuda um pouco aquilo que é a memória revolucionária da América Latina”. 

A atribuição do Prémio Nobel da Literatura a Mario Vargas Llosa é “um grande incentivo” a todos os que se preocupam com os países onde não há democracia ou a liberdade está ameaçada”, disse o filho do escritor. 

Entrevistado pelo canal de televisão argentino C5N, o escritor Alvaro Vargas Llosa afirmou que o seu pai pensava que era uma brincadeira quando soube que tinha sido distinguido pela Academia Sueca. Mario Vargas Llosa, de 74 anos, “ficou na dúvida até ao último momento, quando fizeram o anúncio oficial”, disse o filho. Álvaro Vargas Llosa recordou que “há muitos anos”, alguém se fez passar por um membro da academia e anunciou ao seu pai que tinha ganho o Nobel da Literatura. 

“Nunca mais teremos que responder à maldita pergunta porque é que não deram o Nobel da Literatura a Vargas Llosa”, comentou. De acordo com a agência de notícias France Press, Mario Vargas Llosa dará uma conferência de imprensa hoje à tarde no Instituto Cervantes de Nova Iorque.

No ano passado a distinção foi atribuída a Herta Müller. Em anos anteriores receberam também o Nobel da Literatura nomes como Jean-Marie Gustave Le Clézio (2008), Doris Lessing (2007), Orhan Pamuk (2006) ou Harold Pinter (2005). José Saramago, falecido em Junho deste ano, recebeu o Nobel em 1998, sendo o primeiro português a ser distinguido nesta categoria pela Academia Sueca.

Mario Vargas Llosa recebe o 103.º Prémio Nobel da Literatura, atribuído pela primeira vez em 1901. É o 11.º autor de língua espanhola a receber a distinção, depois de laureados como Camilo Jose Cela (1989), Gabriel Garcia Marquez (1982), Pablo Neruda (1971) ou Gabriela Mistral (1945). O autor de língua espanhola que mais recentemente venceu o Nobel literário foi o mexicano Octavio Paz, em 1990. 

Este é o quarto Nobel atribuído este ano, depois do de Medicina (Robert G. Edwards), Física (Andre Geim e Konstantin Novoselov) e Química (Richard Heck, Ei-ichi Negishi e Akira Suzuki) . O prémio literário tem um valor monetário de cerca de um milhão de euros.

 

Via Público



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Terça-feira, 13.07.10

Finalmente estiveram frente a frente. Deus e José Saramago olhos nos olhos depois de uma vida de conflitos, dúvidas e desencontros. Saiba como correu a conversa.

São Pedro entra esbaforido no gabinete do Criador: - Senhor! Vinde ver quem ali está no Hall. Não vai acreditar.

- Pedro, tu nem imaginas as coisas em que eu tenho de acreditar para continuar metido nisto. E não te esqueças que sou omnipresente. Sei perfeitamente quem ali está fora sentado a ler a revista `Hola´ de perna cruzada na terceira cadeira a contar da jarra chinesa de péssimo gosto. Mas vamos lá ver em que lhe podemos ser úteis.

- Olha quem aqui está, o José de Sousa Saramago. A que devemos a honra de o receber neste humilde estabelecimento. Vens-te purificar?

- Não. E não fiques com ideias que eu não vim para ficar. Venho só saber o preço do condomínio.

- Essa é boa. E quem te disse que tinhas o céu como garantido. Isto por enquanto ainda tem uma gerência. Temos o direito de admissão devidamente reservado.

- Sou um homem livre. Vivo onde e como quiser. E tu, não te passa essa mania de controlar tudo e todos? Já ia sendo altura...

- Isto aqui não é Lanzarote, José. E não me fales assim se faz favor. Achas mesmo que eu não controlo tudo o que criei? Então diz-me cá, quem te trouxe até aqui? Vivo não estás com toda a certeza. E aqui só entram dois tipos de pessoas: os que aqui trabalham ou os que mandei chamar. E não me lembro de te ter contratado.

- Deixa lá o tom paternalista que eu não sou teu filho apesar de ter o mesmo nome do verdadeiro pai dele. Vim pelas minhas próprias pernas. Não vim agarrado às asinhas de um anjo ou de táxi celestial. E achas mesmo que estou morto? Não aprendes.

- Não estás? Então? Não me digas que é mais uma jogada de marketing para venderes mais uma edição do último livro. E uma vez mais às minhas custas. E não te atrevas a insultar-me novamente ou segues já para junto do tio Lúcifer. Ia-te fazer bem sentires o quentinho da besta por um bocadito. Talvez mudasses de atitude.

- Fala o roto ao descosido. Ou não fosse a Bíblia o livro mais vendido da Historia da Humanidade. O marketing nasceu na Igreja Católica, meu caro. Mas não, não morri, fica descansado. Estarei eternamente vivo. Um pouco como tu, com a diferença que a mim toda a gente conheceu a cara.

- Muito bem. Os meus parabéns. Estamos portanto na presença de um milagre, acontecimento que continua a ser gerido por um dos nossos departamentos. Como vês tenho tudo controlado.

- Registo o cinismo habitual, mas não percebeste. Um escritor nunca morre enquanto alguém o continuar a ler. É um milagre sim. Chama-se milagre da literatura. Agora vou andando que se faz tarde. Passa bem. Adeus.

Via 100 Reféns



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Quinta-feira, 06.05.10

O striptease também se escreve

 

Bastet é apenas a mais recente stripper a aventurar-se no mercado editorial. Os livros deste novo género são úteis para quem tenha vergonha de ir a um clube de strip ou a um bar de alterne e queira saber como funcionam. Escolhemos aqueles que poderá encontrar mais facilmente nas livrarias. "Só Deus Me Julgará", de Bastet, e "Amanhã à Mesma Hora", de Leonor Sousa, falam do mundo dos clubes de strip. "Alugo o Meu Corpo", de Paula Lee, é um relato sobre prostituição num bar de alterne. 

São poucas as diferenças entre a Grécia e uma mulher em vias de entrar no mundo do striptease. O corpo é belo e admirado por todos, mas as dívidas são exorbitantes. A diferença é que, no caso das strippers, estar de tanga é parte da solução e não do problema. As garotas de programa vão mais longe. São uma espécie de Grécia que não só convida turistas mas também admite vender partes do território à Alemanha. Strippers e garotas também são um óptimo exemplo para a economia. Não basta reduzir a despesa, é preciso investir para depois ter retorno. Depilação, manicure, pedicure e roupas são investimentos avultados, mas as strippers têm de aparecer deslumbrantes perante os clientes ou fazem figura de Grécia perante os mercados: uma senhora com excesso de peso e buço, a quem é recomendado um plano rigoroso de emagrecimento. Depois de consertado o estado pessoal da economia, as senhoras tentam capitalizar o sucesso escrevendo testemunhos sobre os próprios casos. É uma receita idêntica à de João Rendeiro, só que o único sucesso deste foi um banco falido. Se continuarem a escrever a este ritmo, dentro de cinco anos a Feira do Livro estará a abarrotar de strippers, e clubes como o Champagne anunciarão espectáculos de Lídia Jorge e Gonçalo M. Tavares. No entretanto, surge um glossário muito particular desta área:

Arte Segundo Bastet, a arte do striptease não é devidamente apreciada pelos clientes. Depois de quatro whiskies ninguém fica em condições de ver, quanto mais de apreciar arte, a menos que os urinóis sejam inspirados em Duchamp. E por muito boa que seja uma obra de arte, expô-la ao som de Joe Cocker retira-lhe alguma dignidade.

Camarins Nos camarins o ambiente é de guerra fria. Há sempre uma heroína solitária contra uma cortina de ferro atrás da qual se escondem checas, russas e romenas. Quando Leila confidencia que, contra todas as regras, se envolveu sexualmente com um marine, nós percebemos. Ela não estava a ser ingénua, estava a pedir ajuda à NATO.

Clientes Bastet chama-os de "carneiros". Refere que o clube de strip onde trabalhava era frequentado por futebolistas, empresários e até um padre. São os maus da fita mas merecem a nossa simpatia. Se antigamente o maior risco que corriam era o de uma rusga policial que lhes estragasse a noite, agora podem acabar como personagens literárias. 

Crise Bastet fala do tempo em que as strippers podiam ganhar 75 euros por noite. E agora? Será que há clientes que levam champanhe em termos? Será que algumas raparigas, que nem sequer têm dinheiro para a roupa, são por esse motivo obrigadas a reduzir o espectáculo para metade?

Estreia O primeiro cliente de Paula Lee foi um homem de 90 anos. Ainda bem que há padres que frequentam estes ambientes porque nunca se sabe quando é que alguém vai precisar da extrema-unção.

Inícios Leila descobriu que queria ser stripper quando, por acaso, viu um show de strip num canal pornográfico e pensou que também podia fazer aquilo. No fundo é o que todos sentimos quando vemos o Hélder Postiga em campo. Na altura, Leila nem sabia o que era uma table dance. 

Bastet sempre quis ser bailarina e mostrar a alma, mas nem mesmo o elevado número de strippers russas transforma um clube de strip no Bolshoi. Um clube de strip em que as dançarinas mostrassem as respectivas almas não parece uma má ideia. O problema seria arranjar quem lhes fizesse a depilação.

A primeira experiência de Paula Lee no negócio do sexo foi no Sexphone, ainda no Brasil. Veio para a Europa, não só para um campeonato mais competitivo, mas também para um desporto diferente: alugar o corpo.

Nomes Num mundo de fantasia e erotismo estão proibidos nomes como Cesaltina ou Maria do Amparo. A stripper Bastet (pseudónimo) optou por Barbie Cinderela, um nome que só pode entusiasmar quem estiver à procura de uma boneca insuflável, de um travesti ou de ambos. Leonor Sousa, que no diário é Leila, escolheu como nome artístico Gabriela, de inspiração amadiana. Paula Lee (pseudónimo), transformou-se em Letícia. Quem pensa que a heteronímia pessoana é complexa, nunca leu estes livros.

Política A ideia de que as strippers não têm consciência política é errada. Bastet conta como não sentia qualquer remorso em sacar o que podia a políticos africanos. É verdade que também o fazia aos outros clientes, até aos que não sabiam soletrar a palavra "cleptocracia", mas sem a mesma carga de justiça poética. 

Show Lésbico Espectáculo através do qual as strippers contribuem para uma sociedade mais tolerante e menos preconceituosa, baseada no respeito pela orientação sexual de cada um. 

Títulos "Só Deus Me Julgará" é o equivalente ao futebolístico "o futuro só a Deus pertence". "Amanhã à Mesma Hora" também remete para o futuro, embora mais próximo, e com uma promessa de pontualidade que poderá confundir as mentes lusitanas. "Alugo o Meu Corpo" pode levar ao engano aqueles que esperam um ALD.

 

Via ionline



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Sexta-feira, 19.03.10

Roubar livros é fácil?.. pelos vistos sim

 

Renault Express não chegou. Foi preciso uma Ford Transit - com uma bagageira que consegue transportar quatro pessoas deitadas - para Antero Braga, ex-administrador da Bertrand, recuperar os livros que o professor disfarçado de cliente fiel lhe roubara durante vinte anos. Um mês depois de a livraria do Chiado ter instalado o sistema de alarmes, à passagem do insuspeito professor da Escola de Belas Artes, com conta corrente na loja, o alarme disparou. Mal sabia Antero Braga que acabaria por ganhar o dia: quando a carrinha estacionou à porta, carregada com mais de mil livros roubados, percebeu que tinha recuperado o dinheiro investido nos alarmes. 


Um milhar de livros roubados nem sequer chega a ser recorde. Nos anos 70, o mais famoso ladrão entre os livreiros do Chiado, conseguiu construir uma biblioteca ainda maior: 30 mil volumes. Só precisou de se disfarçar de padre e de uma batina com um forro falso. 

As carreiras dos livreiros estão recheadas de flagrantes improváveis: um disfarçado de padre, um padre a sério, um disfarçado de coxo, munido de muletas.

Antero Braga, actual proprietário da livraria Lello, adianta que por ano são roubados "uma centena de livros" na livraria portuense. José Pinho, da Ler Devagar, aponta para 20 livros roubados por mês. A Bertrand do Chiado só num fim-de-semana viu desaparecer 18 exemplares do mesmo livro. A Almedina suspeita que a taxa de furtos seja semelhante à dos EUA - onde os roubos representam "1,7% do volume de vendas". Jaime Bulhosa (Pó dos Livros) explica a quebra aos leigos dos números: "Por cada livro roubado, tem de se vender três livros iguais só para cobrir o prejuízo."

Há os ladrões profissionais - que roubam para vender -, os amadores - que roubam um livrinho por ano - e até os VIP. "É muito comum apanhar figuras públicas. E o mais vergonhoso ainda é o que roubam. Já vi de tudo, até as anedotas do Herman", conta Jaime Bulhosa. 

O volume dos livros nem intimida os ladrões. Pelo contrário: os calhamaços até são os preferidos: "2666", o mais roubado na Bertrand em 2009, tem mais de mil páginas. Na mesma loja, já roubaram o dicionário Houaiss - três volumes que pesam 11 quilos. A Bíblia - pecado dos pecados - é um dos mais roubados de sempre. José Pinho (Ler Devagar) perseguiu "um ladrão pela baixa de Lisboa durante uma hora", até dar com os cinco volumes das obras completas de Jorge Luís Borges no caixote do lixo. 

Os bestsellers lideram o top de roubos. Os livros mais caros também são apetecíveis e os livreiros optam por tê-los debaixo de olho - atrás ou à frente do balcão. Mas há quem roube os títulos mais improváveis. Jaime Bulhosa diverte-se a contar no blogue da Pó dos Livros a sua investigação a um misterioso ladrão culto. "Desconfiamos que seja a mesma pessoa, porque só rouba poesia e música erudita." E há ainda ladrões que quando escolhem os livros gostam de deixar a sua assinatura. "Sinto Muito" e "Código Penal" lideram as listas que imploram perdão. 

 

Via Ionline



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