Terça-feira, 14.12.10

Os alunos com 'literatura clássica' em casa tiveram em média mais 19 pontos nos testes PISA do que os que disseram ter Internet em casa, que já chegam aos 90%

 

O desempenho de alunos com literatura em casa nos testes PISA foi cerca de 19 pontos superior aos que disseram ter ligação à Internet. A diferença é visível na leitura, matemática e ciência. Em ambos os casos a média portuguesa é superior à dos 65 países que participaram no estudo da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico: temos mais alunos com literatura e Internet em casa. E em ambos os casos, "ter" tem um impacto positivo nos resultados dos alunos. Mas ter livros tem um impacto maior.

"É curioso porque tem havido um desinvestimento no livro e um redireccionamento para a internet. E nota-se que a leitura tem mais influência no desempenho", diz Paulo Guinote, que lançou o debate sobre estes dados no blogue A Educação do Meu Umbigo.

O professor salienta dois dados que considera interessantes: por um lado, a percentagem de alunos que diz ter internet em casa é bastante superior à dos que dizem ter literatura clássica - 91% contra 59%; por outro, os segundos tiveram resultados cerca de 20 pontos acima dos outros, numa escala de 0 a 800.

Além disso, 16% dos alunos dizem ter menos de 11 livros em casa, 20% menos de 26 e outros 33% entre 26 e 100. A existência de mais livros equivale a resultados melhores nos testes - há um ganho de pelo menos 20 pontos que vai aumentando conforme o tamanho da biblioteca. Só os que disseram ter mais de 500 livros em casa pontuaram ligeiramente abaixo dos que disseram ter entre 201 e 500.

Estas comparações só são possíveis porque a base de dados do PISA 2009 está disponível online e permite aos especialistas explorar a informação recolhida no estudo, cruzando as muitas variáveis apuradas com os resultado de meio milhão de alunos, de 64 países, nos testes de leitura, matemática e ciências.

O psicólogo educacional José Morgado considera que a diferença é um dado interessante, mas que não é possível estabelecer uma relação causa/efeito. "A presença de literatura clássica em casa é um indicador de um nível socio-cultural mais elevado, de famílias mais escolarizadas. E sabemos que a origem das crianças influencia o sucesso escolar. Logo, os alunos vindos de famílias com melhores níveis socio-culturais têm melhores resultado escolares."

Assim, considera que este dado reflecte sobretudo o estatuto das famílias e menos os hábitos de leitura dos jovens. "Mesmo sabendo que têm livros em casa, não temos a certeza que os lêem", lembra.

No entanto, ressalva que a língua - o português - é uma ferramenta fundamental para o sucesso, tanto na leitura, como na matemática e nas ciências. E também para usar o computador e internet da melhor forma. "O computador é uma ferramenta de acesso à informação e fazer com que todos os miúdos tenham acesso promove a equidade. Mas é fundamental que seja bem utilizado, porque senão é apenas um lápis mais sofisticado. Os professores e os pais têm aqui um papel essencial", conclui.

O especialista não deixa de alertar que parte da nossa escola "é inimiga da literatura", porque preocupa-se mais em ocupar o tempo livre da criança do que em estimular a leitura. "Há uma intoxicação e não podemos esperar que estes jovens cheguem a casa com vontade de ir pegar num livro."

Para Paulo Guinote, a diferença de 20 pontos entre os alunos que têm literatura clássica e Internet em casa ajuda a desconstruir a ideia de que os meios tecnológicos devem ser o foco do sistema. "Eu, e sei que outros colegas também, voltei a pedir aos meus alunos para entregarem os trabalhos escritos à mão. Porque quando escrevem, mesmo que estejam a copiar, estão a digerir a informação, em vez de se limitarem a cortar e colar a informação de forma automática", explica o professor.

 

Via DN



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Sexta-feira, 22.10.10

Totalmente nuas, de pernas cruzadas e em ambiente burlesco. É assim que o atrevido grupo literário Naked Girls Reading tem conquistado fãs entre os EUA e o Canadá, provando que aleitura não tem de ser uma coisa chata.

 

 

Quantas vezes entre o mundo dos saltos rasos que me rodeia ouvi a frase: "Não tenho paciência para ler. Odeio livros!". Para quem, como eu, ler é atividade sagrada nos tempos livres, esta falta de apreço pela leitura é um verdadeiro sacrilégio. Contudo, meus queridos amigos que acham os livros chatos, deixo-vos uma pergunta: e se uma mulher, totalmente nua, vos lesse um livro, continuavam a achar a leitura algo aborrecido?

 

Michele L'Amour é a autora da iniciativa literária sem roupa
Michele L'Amour é a autora da iniciativa literária sem roupa
Naked Girls Reading

Nos Estados Unidos e Canadá a ideia provocante ganhou forma (eu diria mesmo "formas") com o grupo literário Naked Girls Reading (Mulheres Nuas a Ler). Muito resumidamente, estas senhoras despem-se de preconceitos e sentam-se em frente à plateia - de pernas cruzadas! - para ler, desde os grandes clássicos a livros de terror e suspense. Para terem noção da variedade literária destas senhoras, pelas suas sessões já passaram trechos de obras tão distintas como o célebre "Diário de Anne Frank", "Lolita", de Vladimir Nabokov, e até mesmo "Onze Minutos", de Paulo Coelho.

E assim se criam novos hábitos de leitura

 

Criadas em parceria pela showgirl Michelle L'Amour e o pelo escritor e fotógrafo Frank Vivid, as Naked Girls Reading apresentam-se sempre num cenário burlesco, envoltas em glamour e boa disposição. Desenganem-se as mentes mais rebuscadas: a pornografia, essa ali não tem lugar.

Procuradas tanto por público masculino como também por feminino, as meninas da leitura sem roupa já passaram por mais de dez cidades entre os Estados Unidos e o Canadá. Numa altura em que a Internet ganha terreno e os hábitos de leitura estão cada vez mais baixos, este estímulo é de louvar. Contudo, fica-me uma pergunta na cabeça: será que nestas sessões alguém consegue realmente prestar atenção à história?

 

Ver os vídeos aqui

 

Via A Vida de saltos Altos



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Sábado, 20.03.10

Os melhores sítios para ler fora de casa

 

01 Quintal Bioshop 


Num quintal normal, e para quem tem a sorte de o ter, pode haver uma pequena horta, flores e, quem sabe, um espaço para churrascos. No quintal mais famoso do Porto, o Quintal Bioshop, há uma mercearia biológica, uma loja de produtos ecológicos e de cosméticos naturais, workshops e encontros, uma cafetaria bio e ainda uma esplanada com wi-fi. Procure um lugar no meio das árvores e peça uma fatia de bolo de chocolate e romã antes de abrir um livro. 

Rua do Rosário, 177, Porto, 222 010 008. Segunda a sexta das 10h30 às 20h00, sábado das 15h00 às 20h00

02 Espaço Fábulas

O livro a levar bem podia ser "Ali Babá e os Quarenta Ladrões" ou "As Mil e Uma Noites", porque o Fábulas, em Lisboa, tem qualquer coisa de caverna encantada (e até tem uma tosta chamada Sheherezada, com queijo brie e espinafres, uma delícia). Entra-se e o chão é de pedra, as paredes são de pedra, e em cada recanto há uma mesa, uma poltrona ou até uma velha máquina de costura a convidar à conversa ou à leitura. Dirija-se à sala para não fumadores e escolha o sofá por baixo das fotografias da Beatriz Costa - provavelmente o recanto mais confortável de Lisboa. Se quiser até pode ir sem material de leitura, porque livros e imprensa do dia são coisa que não falta por aqui.

Cç. Nova de São Francisco, 14, Lisboa, 213 476 323. Segunda a quarta das 10h00 às 24h00, quinta a sábado das 10h00 à 01h00 e domingo das 11h00 às 19h00.

03 Esplanada do Farol Design Hotel 

Mais perto do mar é impossível. E mais confortável que num dos sofás brancos de Gandia Blasco também. Na On the Rocks, a esplanada do Farol Design Hotel, os livros têm dois sérios concorrentes: a vista e o sol. Mas experimente levar qualquer coisa de acordo com a atmosfera e a bossa nova que passa baixinho ou as caipirinhas que saem do bar: um dos romances de Chico Buarque, por exemplo, ou um Rubem Fonseca. 

Farol Design Hotel, Av. Rei Humberto II de Itália, 7, Cascais, 214 823 490. Das 10h30 à 01h30

04 Maria Vai com as Outras 

Não se podia falar dos melhores sítios para ler sem falar de uma livraria, mas a Maria Vai com as Outras, no Porto, não é uma livraria qualquer. Tem alguns livros para venda, sim, mas também é café, bar, casa de chá, loja de artesanato, galeria e sala de concertos. Entre as suas paredes coloridas a regra é conviver ou aproveitar o ambiente calmo e amigo dos livros, do cinema e da arte (todos os espaços amigos dos livros têm um gato, e a Maria Vai com as Outras tem). 

R. do Almada, 443, Porto, 220 167 379. Todos os dias das 16h30 às 20h30 e das 22h30 às 24h00

05 Jardins do Museu do Traje e da Moda

Há momentos em que parece Sintra, com árvores centenárias impossíveis de abraçar e estátuas e escadarias de pedra que vão dar a lagos com nenúfares. Há momentos em que se estendem pomares e prados e não se percebe se o jardim tem um fim. E há alturas em que parece que estamos dentro da série "Perdidos", com ervas e mato de todos os lados. Os jardins do Museu Nacional do Traje e da Moda, no Lumiar, são uma espécie de segredo de Lisboa, onde não falta sequer uma cascata. Situado na Quinta do Monteiro-Mor e partilhado com o Museu do Teatro, o parque conta com vários bancos à sombra ou ao sol, de madeira ou de pedra, perfeitos para ler um romance histórico ou um clássico como "Os Maias" ou "O Monte dos Vendavais". 

Largo Júlio de Castilho, Lisboa, 217 590 318. Terça das 14h00 às 18h00, quarta a domingo das 10h00 às 18h00 (última entrada às 17h30). €2 só o jardim, grátis aos domingos até às 14h00

06 Esplanada do Museu Nacional de Arte Antiga 

A esplanada do Museu Nacional de Arte Antiga é uma das candidatas ao título de esplanada mais tranquila de Lisboa, e a sua atmosfera é perfeita não só para ler mas até para escrever. Com o rio de um lado e obras-primas como "As Tentações de Santo Antão" de J. Bosch do outro, o sossego da atmosfera é o ideal para conseguirmos desligar-nos da cidade e perder- -nos num livro. O restaurante funciona em self-service e fora das horas de refeições - as ideais para ler - serve também saladas, crepes e quiches. 

Rua das Janelas Verdes, Lisboa, 213 912 800. Terça das 14h00 às 18h00, quarta a domingo das 10h00 às 18h00
 
Via Ionline



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