Terça-feira, 07.12.10

 

 

 

Letra
Da próxima vez, vou estar atento à tua fisgada
Encruzilhar-me na tua bancada
Ficar num canto e não me mexer

Mais uma vez, vou seguir todos os teus caminhos
Fugir fingindo que me vês sorrindo
P'ra te fitar quando eu puder

Quero ser, personagem de banda desenhada
Onde me assumo numa cena errada
E em que todos me vão descobrir

Quero ficar um pouco mais dentro do teu casulo
Faço de conta, que sou teu e tu és meu assumo
Onde me entrego e tu te das a conhecer

Que ninguem vá, onde vou
Nunca estás, onde estou
Que ninguém fale, de quem falou
Nunca digas quem eu sou

Da próxima vez vou querer toda a tua atenção
Vou esperar que me estendas a mão
E que me deixes cair a seguir

Mais que uma vez puseste à prova o teu sexto sentido
Depois dás o dito por não dito
Como eu gostava de te compreender ...

Quero ser, a soluçãoo do teu problema
Participando nesse mesmo esquema
Que só tu sabes entender

Queria ter, só um pouco desse teu talento
Tiro as vogais e ponho os acentos
Estou preparado pro que der e vier

Que ninguem vá, onde vou
Nunca estás, onde estou
Que ninguém fale, de quem falou
Nunca digas quem eu sou

Que ninguem vá, onde vou
Nunca estás, onde estou
Que ninguém fale, de quem falou
Nunca digas quem eu sou

Que ninguem vá, onde vou
Nunca estás, onde estou
Que ninguém fale, de quem falou
Nunca digas quem eu sou

 

 



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Segunda-feira, 06.12.10

 

 

Letra

 

Há gente que espera de olhar vazio 
na chuva, no frio, encostada ao mundo 
a quem nada espanta 
nenhum gesto 
nem raiva ou protesto 
nem que o sol se vá perdendo lá ao 
fundo 

Há restos de amor e de solidão 
na pele, no chão, na rua inquieta 
os dias são iguais já sem saudade 
nem vontade 
aprendendo a não querer mais do que o 
que resta 

E a sonhar de olhos abertos 
na paragens, nos desertos 
a esperar de olhos fechados 
sem imagens de outros lados 
a sonhar de olhos abertos 
sem viagens e regressos 
a esperar de olhos fechados 
outro dia lado a lado 

Há gente nas ruas que adormece 
que se esquece enquanto a noite vem 
é gente que aprendeu que nada urge 
nada surge 
porque os dias são viagens de ninguém 

A sonhar de olhos abertos 
nas paragens, nos desertos 
a esperar de olhos fechados 
sem imagens de outros lados 
a sonhar de olhos abertos 
sem viagens e regressos 
a esperar de olhos fechados 
outro dia lado a lado 

Aprende-se a calar a dor 
a ternura, o rubor 
o que sobra de paixão 
aprende-se a conter o gesto 
a raiva, o protesto 
e há um dia em que a alma 
nos rebenta nas mãos

 



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