Segunda-feira, 31.01.11

 

Sexo, as opções que não escolhemos

 

Muitas questões podem ser escolhidas e alteradas ao longo do tempo, das coisas mais simples, como a cor do cabelo, o estilo da roupa que vamos vestir, até questões mais complexas como escolher os amigos que nos acompanharão pela vida, o marido ou a esposa, se vamos querer ter filhos, a profissão que vamos seguir, a religião que mais nos agrada, se vamos ser honestos ou desonestos, se vamos ser mentirosos ou verdadeiros, se vamos ter bom caráter ou não e por aí vai.

 

 

A homossexualidade, assim como a bissexualidade, a transexualidade e a heterossexualidade não é algo que escolhemos desenvolver ao longo da vida. Trata-se de uma característica nata, isto é, nascemos com um tipo de orientação sexual e só a descobriremos durante o nosso crescimento, com a ajuda das experiências que tivermos. O que pode ser escolhido, neste caso, é se vamos aceitar ou não a nossa orientação sexual e que tipo de relações afetivas teremos.

 

As pessoas costumam generalizar e atribuir problemas psicológicos e sociais aos homossexuais e transexuais, pois muitos ainda acreditam ser algum tipo de desvio moral,  de personalidade, falta de uma boa educação, traumas de infância e outros absurdos, mas o que poucos conseguem perceber é que o maior causador de transtornos psicológicos e sociais entre os homossexuais é a discriminação.

 

O grande mal é deixar que as pessoas julguem o que é melhor para os outros, baseando-se em idéias e escritos antiquados, em religiões que cegam, em arrogância e fobias infundadas. São essas concepções que devem ser alteradas para uma aceitação maior, um respeito pela vida e sua diversidade cultural, racial, social, sexual, entre tantas outras.

 

Não estamos violando nada, não prejudicamos a ninguém, não estamos revolucionando coisa alguma, pois a diversidade sexual existe, sempre existiu e sempre existirá. Este é um fato que sociedade alguma tem como negar, então o que resta é aceitar e reparar um erro que tem se repetido por séculos, que é negar a igualdade de direitos  aos homossexuais e criminalizar a homofobia.

 

 

Criar um novo conceito dá trabalho e leva tempo, mas se não começarmos de algum modo, estaremos perpetuando crimes bárbaros como os de “estupro corretivo” que vem acontecendo na África do Sul, por exemplo. No Brasil ainda é comum ver gays e lésbicas apanhando nas ruas, fazendo com que um simples beijo em público ou andar de mãos dadas seja algo arriscadíssimo de se fazer.

 

 

A homossexualidade é tão natural e espontânea quanto a heterossexualidade, isto é, fomos concebidos assim e educação alguma altera a orientação sexual de uma pessoa. Heterossexuais que possuem segurança no que sentem, que tem a convicção de que nasceram assim e que não irão mudar sua orientação sexual, conseguem entender que o mesmo ocorre com os homossexuais e sabem respeitá-los mesmo não entendendo como ocorre essa diferença.

 

Quem acredita que é possível “curar” um homossexual, deve acreditar que é possível um heterossexual adquirir a homossexualidade um dia, isto é, não possuem segurança alguma quanto ao seu gosto pelo sexo oposto.

 

Ser homossexual, bissexual, transexual, heterossexual, branco, negro, oriental, homem ou mulher, não é uma questão de escolha, mas respeitar ou discriminar o outro, é. Saibamos sempre vigiar as nossas próprias escolhas, os nossos atos, pois é isso que determinará o quanto evoluímos no final das nossas jornadas.

 

Que todas as pessoas saibam, acima de tudo, respeitar sua própria natureza e fazer dessa experiência algo engrandecedor para si mesmo e para a sociedade que ainda tem muito o que aprender.

 

Via Parada Lsbica



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Sexta-feira, 02.07.10

A posição da Igreja em relação à homossexualidade e ao casamento entre pessoas do mesmo sexo deve ser alvo de reflexão tanto por parte da instituição católica como por parte da sociedade, defende Clarisse Canha.

 

A discriminação, o preconceito e a homofobia podem derivar de uma ideia mal formada, isto é, os homossexuais e as lésbicas são pessoas como todas as outras...
Posso falar a partir da minha experiência e da UMAR-Açores, principalmente dos contactos que estabelecemos nas acções de formação junto de jovens e mulheres. Há, por exemplo, jovens que questionam até que ponto a aparência de uma pessoa pode revelar se é ou não heterossexual. O que nós transmitimos é que não se pode definir nem julgar uma pessoa pela aparência. O facto de ser ou não heterossexual tem a ver com a escolha, a orientação, o gosto, a atracção e não com melhores ou piores qualidades. Com os/as jovens tem sido mais fácil desconstruir preconceitos. Lembro, num debate que promovemos com mulheres, que uma delas colocou a questão num outro campo, que passa por uma homo- fobia mais atroz, e que se prende com o facto de um homossexual ter arranjado um compa- nheiro do mesmo sexo sendo que o mesmo foi penalizado pela censura social. Essa mulher disse que iria compreender esta situação e esta declaração teve um eco positivo no grupo. Experiências desse género levam-me a crer que estamos perante uma evolução, mas ainda no patamar do conhecer directo e isso às vezes é traiçoeiro.

 

As pessoas podem até reconhecer o direito à identidade e orientação sexual, mas num contacto directo a reacção poderá não ser a mesma...
Lembro-me por exemplo de outras situações concretas de jovens, há 20 anos atrás, que assumiram uma relação homossexual e cujos pais os colocaram de parte. Passado algum tempo, o pai e a mãe vieram a compreender, mas sofreram muito e penso que esta é também uma questão de fundo. A homofobia é algo que deve ser combatido porque, para além de tudo, faz sofrer as pessoas. A primeira pessoa a sofrer é a própria vítima da homofobia. Sei que, por exemplo, em determinados países há experiências de trabalho social no sentido de conhecer o impacto da homofobia na saúde das pessoas. E às vezes esse impacto leva a que muitos recalquem sentimentos. E pode até não se tratar apenas da homossexualidade, mas também a forma de vestir ou de andar. Parece-me, por isso, que a desconstrução do preconceito é muito importante.

 

Numa outra perspectiva, há pessoas que se deslocam à UMAR-Açores para pedir algum tipo de aconselhamento?
Já aconteceram alguns casos, nomeadamente duas pessoas do mesmo sexo que queriam fazer uma vida comum e que esbarram em problemas legais. Neste aspecto, a alteração da lei foi um grande avanço. O facto de ter sido legalizado o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo tem, a meu ver, dois efeitos: o efeito legal de direito e o efeito de discussão pública. Este último esbarra com muito preconceito e muita homofobia, mas faz parte do processo e por muito que possa desagradar a quem gosta ou a quem não gosta de discutir, faz parte desta caminhada. Aquando da visita do Santo Padre a Portugal, ficou a mensagem de que a Igreja é contra duas questões: a despenalização do aborto e o casamento entre as pessoas do mesmo sexo, duas conquistas recentes de Portugal. E sobre isso também deve haver debate público porque as pessoas, no campo da sua religião, continuam a ser pessoas que lidam com a vida, com a realidade, a sua própria realidade. É importante que a sociedade discuta essa atitude ou orientação da Igreja, confrontando-a com a vida e com a realidade. A experiência diz-nos que a Igreja não tem, muitas vezes, ido à frente dos avanços da sociedade. Tem ido atrás e é pena porque isso tem prejudicado a sociedade. Espero que em relação a esta área dos direitos e identidade que a Igreja venha a reflectir em breve.


ISABEL ALVES COELHO
isabelcoelho77@hotmail.com

 

Via Expresso da Nove




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Quinta-feira, 01.07.10

Comecei aos 17 anos. Tinha um amigo que se prostituía no centro do Rio de Janeiro. Fiquei curioso, pedi-lhe que me levasse. Aquilo era um talho, um açougue, uma carniçaria. Numa rua, rapazes de pé, mostrando partes íntimas; clientes passando de carro, escolhendo.

Era muito perigoso ficar, de noite, naquela rua escura. Entrava nos carros e nem via quem vinha lá dentro. Por vezes, a polícia aparecia do nada e espancava quem lhe apetecia e levava o dinheiro. Os rapazes que trabalhavam ali também podiam espancar, roubar.

Não estava disposto a passar cinco anos a estudar para ter uma profissão e nem sequer a exercer, como via acontecer com familiares e amigos. Não estava disposto a trancar-me num escritório. E a verdade é que isto vira um vício.

As pessoas, às vezes, falam nos trabalhadores do sexo como uns coitados. Eu estou nesta vida porque quero. Não me sinto agredido com a profissão, não me sinto vítima. Conheci muitos países, aperfeiçoei o meu inglês, aprendi a falar espanhol e italiano; tudo graças à putaria.

Não digo que é fácil ser puta. Digo que aprendi a virar-me. Chego a uma cidade sem saber onde se apanha um autocarro e tenho de descobrir tudo. Se me soltarem no deserto do Sara, eu encontro uma torneira. Foi a vida que me ensinou. Não tive um cursinho, não.

A minha família não sabe. Até hoje, pensa que trabalho em restaurantes, cafés. Sempre lhe disse que trabalhava nisso. Seria muita confusão na cabeça da minha mãe. Não quero que arranque os cabelos. E ela também não pergunta de onde vem o dinheiro que eu lhe mando.

Já não tenho pai. O meu pai morreu quando eu tinha 17 anos. Ficámos com dificuldades. Eu não estava disposto a estudar e a procurar um trabalhozinho desses típicos, “o primeiro da vida”. E, como já tinha essa curiosidade, pedi ao meu amigo que me levasse para aquela rua.

Quando saí da rua, fui trabalhar para uma pessoa que tinha um apartamento: pagava-lhe metade do que ganhava. Ao fim de um ano e meio, aluguei o meu primeiro apartamento – era perto da praia. E, com isso, consegui a minha independência profissional – fazia os meus horários.

Há um processo. Depois de trabalhar num apartamento, ninguém quer voltar a trabalhar na rua. Não deixa de ser perigoso (recebe-se dentro de casa gente que nunca se viu), mas é bem mais confortável. Então, você quer comprar o seu apartamento. Viaja para a Europa para ganhar dinheiro.

A maior parte dos trabalhadores do sexo brasileiros que se anunciam na Internet e nos jornais, em Portugal, são assim. Vieram para trabalhar um tempo, para juntar um dinheiro para comprar um apartamento, montar um negócio. Muitos mandam dinheiro para ajudar as famílias.

Paguei oito mil dólares [cerca de 6500 euros] às pessoas que me trouxeram para a Europa. Há um sistema [de angariação de pessoas para trabalho sexual]. Eles vêm para a Europa, fazem contactos, voltam ao Brasil, trazem outros: “Pago a sua passagem, arranjo um lugar para você ficar, dou-lhe uma certa ajuda.”

Hoje, as pessoas vêm mais por conta própria. Em 2001, havia quem pagasse 12 mil dólares para vir; eu paguei oito mil por vir com um amigo. Quem está aqui não acredita, mas a Europa é o paraíso para quem sai do Brasil. Em seis meses, paguei os oito mil dólares e juntei 30 mil reais [actualmente, cerca de 13.600 euros].

Portugal, Espanha, Itália…

Fiz a minha estreia na Suíça. Nunca sentira tanto frio. A comida era horrível. Era um trabalhador clandestino. Mal me atrevia a sair. As pessoas que nos trazem botam medo na cabeça da gente para a gente não ganhar asas: “A polícia apanha-te; se te apanha, deporta-te.”

Trinta mil reais é muito dinheiro no Brasil. Achava que tinha direito de gastá-lo. Pobre nunca comeu melado; quando come, se lambuza. Passei seis meses andando de táxi, pegando praia. A minha mãe tinha a mesma mesa e o mesmo guarda-roupa desde o casamento e eu comprei-lhe mobílias novas. Quando a conta começou a ficar curta, pensei: está na hora de voltar.

Quem vem para cá trabalhar num instante aprende onde comprar um telemóvel, onde arrendar um apartamento, onde botar um anúncio. E acha que já sabe tudo, mas é preciso tempo para entrar nesse circuito. Tive de tactear, sem costas quentes, sem proxenetas de luxo. Só juntei seis mil reais em três meses.

Voltei para o meu apartamento no Rio. Mantivera-o por não saber no que esta aventura ia dar. Mas depois daquele segundo regresso, quis entregá-lo. A minha cabeça começava a mudar. Deixei as minhas coisas na minha mãe e voltei para a Europa, a pensar: “Agora, vivo no mundo.”

Nessa terceira vez, fiquei quatro anos seguidos. Dei-me a liberdade de conhecer. Andei por Portugal, Espanha, Itália, França, Inglaterra. Parei essa paranóia de só juntar dinheiro. Comecei a viver.

Estive em Espanha uns dois anos. Encontrei-me lá. É o meu país favorito. As pessoas falam alto. O clima é óptimo. Ao ver o bairro gay de Madrid, fiquei maravilhado. Aquilo para mim era a Disneylândia. E, mais uma vez, trabalho não faltava. Quando faltou, fui para Barcelona.

Tive uma experiência nova em Barcelona. Eu e outros 50 rapazes andávamos de toalha enrolada numa sauna. O cliente escolhia um e ia para uma cabine. Aos olhos do dono da sauna, aquilo não acontecia. Eu pagava a entrada como qualquer cliente. Entrava às horas que queria e saia às horas que queria.

Acabei por me estabelecer em Portugal, o país com que me identifico mais, em 2004. Apaixonei-me. Comecei a criar raízes. Quando dei conta, vivia aqui. Mas já se sabe como é esta vida. O dinheiro pára de entrar de uma hora para a outra. Às vezes, faço temporadas noutros países. Não vou com um prazo. As coisas estão bem, vou ficando. As coisas estão mal, saio.

Aqui, há uma espécie de comunidade. Todo o mundo se conhece. Sabe quem é quem, quem brigou com quem, quem foi preso, quem voltou para o Brasil. As pessoas trabalham juntas. Algumas ficam amigas. Depois, uma está num sítio e diz à outra: “Vem para cá trabalhar.” E a informação circula.

Sou mediador no Porto G, um projecto da Agência Piaget para o Desenvolvimento, que tem uma equipa que vai ao encontro de trabalhadores do sexo e dos seus clientes aos apartamentos, numa lógica de redução de riscos e minimização de danos.

Quero colaborar o máximo com essa equipa interdisciplinar, constituída por duas psicólogas, uma assistente social e dois enfermeiros. Não é só levar camisinha. Também é levar muita informação – sobre práticas sexuais de menor risco; sobre direitos civis. E encaminhar para serviços de comunidade.

Eu não sabia que imigrante irregular tinha direito a ir a hospitalzinho, a ter conta no banco. Tantas vezes fiquei doente e tive medo de ir ao hospital por estar irregular. Da terceira vez que vim para Portugal, tive sífilis e sofri imenso – isso não foi trabalhando; tenho muito cuidado, não apanho doenças no trabalho. Isso foi namorando.

Nunca deixei de cobrar

Tenho um namorado. No início, ele não lidava bem com a minha profissão. Ele pensava que prostituição era coisa de vagabundo. É assim que as pessoas pensam: prostituto é preguiçoso, burro, sujo. Eu não. Podia ter estudado qualquer coisa. Gostei de ser puta. Gosto de não ter um patrão, um horário, de viver a minha vida desse jeito. Não é uma vida tão sofrida como se pensa.

Distingo bem a minha vida pessoal da minha vida profissional. Nunca me apaixonei por um cliente. Nunca me iludi. Nunca deixei de cobrar. Não me venha dizer que está stressado com o trabalho, com a família. Não vejo uma pessoa. Vejo uma nota de 50 euros.

Cobro 50 euros pelo básico: 15 minutos a fazer anal e oral. As raparigas cobram menos porque há muita oferta. Basta abrir um jornal para ver: são quase uma praga! Comigo, máximo 20 minutos, mínimo 40 euros.

Há trabalhadores do sexo que viajam com o cliente, jantam com o cliente, dormem com o cliente – até no interesse de serem apadrinhados. Eu é só o acto. Mais do que isso agride-me. Prefiro fazer dez clientes desconhecidos do que estar com um fingindo que estou apaixonado. Não tenho estômago para isso. Mas há pessoas que gostam disso, que têm talento para isso, que dão graças a Deus quando encontram um velhote que as queira manter.

Tenho um apartamento no Porto – divido-o com amigos. Com esta crise não está dando para trabalhar aqui. Tenho ido para outras cidades “fazer praça”. Tenho estado em Aveiro. Pago uma diária de 15 euros num apartamento. Durmo lá a semana toda. Ao fim-de-semana, gosto de vir para a minha casa descansar. Já não estou nessa de ser escravo do telefone.

Já se ganhou muito mais dinheiro nesta profissão. O movimento tem caído de há quatro anos para cá. A putaria foi cortada, como as roupas caras, os perfumes. Hoje, um bom dia para mim é fazer cinco clientes. Isso era muito comum. Era quase o mínimo. Havia dias de fazer dez ou onze. Hoje, num dia, quando faço três já fico satisfeito. Com a crise que aí está!

Estou com 34 anos. Isto é como uma carreira de modelo. Não vou ficar cobrando com 40 anos! Quando tiver 40 anos, se calhar, tenho de pagar! Quero casar, estabilizar. Há uns anos comprei uma vila – um terreno com cinco casinhas – no Brasil. Penso vendê-la. Já não tenho vontade de ter investimentos nem de voltar para lá. Nem sei o que vou fazer. Faço show travesti. Talvez vá por aí. Posso fazer show travesti até ser uma bicha velha. Há muita bicha velha a fazer show travesti por aí.

Por Ana Cristina Pereira
A partir de várias conversas com um mediador do Porto G, um projecto da Agência Piaget para o Desenvolvimento

Público

 

Via Meninos de ninguém



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Quinta-feira, 27.05.10

Adopção, mas não só. Aliás, nem sequer será mais importante do que os outros itens que a Marcha do Orgulho Lésbico, Gay, Bissexual e Transgender do Porto quer ver discutidos na sociedade e que constam do "Manifesto" ontem apresentado em frente ao Tribunal de Menores. Um manifesto que está na Internet e que será levado pela cidade no dia 10 de Julho, a partir das 16 horas.

"Queremos uma sociedade que reconheça a diversidade de modelos familiares com iguais oportunidades perante a lei", lê-se no documento. Paula Antunes faz questão de explicar. "É todo o tipo de parentalidade" que está em causa, "não é só a adopção". E fala dela própria. Vive há sete anos com Sofia e a filha dela. Que nasceu de um anterior relacionamento heterossexual de Sofia. A miúda, 13 anos, decidiu assumir na escola que era enteada de Paula. Valeu-lhe a aprovação dos colegas e a escolha do tema da homossexualidade num debate entre escolas do Porto.

"Não se trata só de situações hipotéticas. Há milhares de crianças portuguesas que têm pais homossexuais, sejam fruto de relacionamentos anteriores, seja da inseminação artificial feita noutro país". É o caso dos filhos de Fabíola. Aqui não podia. Daí outro ponto do manifesto. "Queremos que os processos de procriação medicamente assistida possam ser uma possibilidade para todas as mulheres que a desejem, independentemente da sua orientação sexual e de viverem ou não uma relação de casal".

Ora, com a lei acabada de promulgar retirando o exclusivo do casamento aos heterossexuais, a constituição de família fica riscada. No limite, "primeiro temos de adoptar (como candidato individual) e só depois podemos casar", resume João Paulo, activista da PortugalGay. A parentalidade foi eleita como a questão central do manifesto deste ano. Mas não a única. "Continua a haver imensa coisa em jogo. A única conseguida até agora foi o casamento", explica Catarina Castanheira. A sexualidade na terceira idade, a luta pela identidade do género, até em documentos oficiais de pessoas que mudem de sexo, a defesa de uma educação sexual efectiva nas escolas e da aceitação de pedidos de asilo de pessoas perseguidas por homofobia são alguns dos temas em cima da mesa.

 

Via JN



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Quarta-feira, 17.02.10

Raquel Lito

 

 Helena Martins, única mulher a fazer stand-up comedy lésbico em Portugal, desmancha-se a chorar de cada vez que se lembra da namorada ruiva, de olhos azuis, que lhe deixava a camisa manchada de sangue e o corpo repleto de nódoas negras. O actor Vítor de Sousa não suportou um desgosto de amor: rasgou cartas e fotografias, engoliu uma dose de comprimidos e só voltou a acordar no Curry Cabral. À noite, nos dias de folga, João abre a bagageira do carro, retira um vibrador e gel lubrificante, põe uma peruca loira, um body rendado e umas botas de cano alto - durante o dia estende a roupa que a mulher lavou e ajuda a filha a fazer os trabalhos de casa. Fernando Dacosta, escritor e jornalista, foi assediado por um inspector da PIDE e envolveu-se com um cónego numa sauna - no final, o religioso acabou a autoflagelar-se com uma toalha. 


Estas são algumas das confissões que Raquel Lito, jornalista da "Sábado", arrancou a 12 homossexuais portugueses. No livro "3º Sexo", editado pela HFBooks, a ser lançado amanhã, anónimos e quatro figuras públicas estão a nu. Pela primeira vez, figuras como o actor Vítor de Sousa, o ex-piloto de Fórmula 1, Nicha Cabral, o jornalista e escritor Fernando Dacosta e o chefe de cozinha Fausto Airoldi, relatam como é ser gay em Portugal.

Depois de um ano e dois meses de investigação, Raquel Lito quase chegou a um 13º depoimento: conversou com um padre, através do email do dirigente da Opus Gay, António Serzedelo. O sacerdote impôs anonimato, recusou encontros e até conversas telefónicas. Seria o mais corajoso e polémico dos depoimentos. O padre queria falar mas, no último instante, a consciência não deixou. 

O tema já estava em cima da mesa quando Raquel Lito recebeu o convite da HFBooks. Pesquisou o que tinha saído na imprensa sobre homossexualidade no espaço de um ano e descobriu a lacuna: não havia, em Portugal, relatos confessionais de gays. A jornalista não queria um discurso militante nem frases politicamente correctas. "Queria relatos de pessoas com vidas cheias", conta. 

Começou por lançar um pedido no fórum da associação LGBT Rede Ex-Aequo e publicar um anúncio nos classificados do site "Portugal Gay". Só ao fórum da Associação LGBT chegaram respostas de 70 homossexuais. Raquel Lito lançou uma espécie de concurso, com seis perguntas, para poder seleccionar os melhores relatos - no final, restaram quatro. 

Naquele dia de Setembro, quando a autora viajou até uma vila perdida do Norte para a primeira entrevista, estava às escuras. "Não sabia que pessoa iria encontrar, nem sequer se valeria a pena contar a sua vida neste livro", lembra agora, enquanto se socorre de fotocópias do livro para contar a história de Daniel Ferreira com todos os pormenores. Na marcha de Carnaval de 2008, na tal vila, triste e melancólica, Daniel não se mascarou de palhaço nem de "pierrot": desfilou com um saco de papel a cobrir a cara, correntes a tapar a boca e uma T-shirt estampada com a palavra "gay" e o slogan "direito à diferença". No dia-a-dia era um inadaptado: fechado no quarto, automutilava-se e esboçava uma teoria bizarra sobre reencarnação para desculpar a vizinhança cruel. 

Perante a insistência de um homossexual casado, que queria desabafar pela primeira vez a sua vida dupla, Raquel Lito mudou o ângulo do livro, que inicialmente se centrava em gays assumidos. "Não é fácil ser homem, casado, e gostar de homens", escrevia João, num email antes da entrevista. Ninguém da família suspeitava que João era homossexual e tinha fetiches com lingerie feminina. João não conseguia contar. 

Depois dos anónimos, Raquel passou à segunda fase: as figuras públicas. Tinha uma lista de nomes, mas não sabia como fazer a abordagem. "Estou a escrever um livro assim assim e tive indicação de que me poderia dar um testemunho interessante", dizia, meio a medo, pelo telefone. Nunca ouviu um "está enganada, eu não sou gay", mas muitos recusaram. Só quatro figuras públicas nada temeram - de Vítor de Sousa a Nicha Cabral, ex-piloto de fórmula 1, que confessou adorar ter flirts com heterossexuais, passando por Fernando Dacosta ou o chefe de cozinha Fausto Airoldi, que namorou ao mesmo tempo com um rapaz e uma rapariga, antes de se assumir, aos 18 anos.

Raquel Lito descobriu um mundo em que "há sempre sofrimento, sobretudo nos meios pequenos ou quando as famílias não aceitam". Uns passaram por desgostos e tentaram o suicídio, outros frequentavam às escondidas os bares "bas-fond", João tinha uma vida dupla, Daniel auto-mutilava-se, Ana não era capaz de contar a verdade no meio militar em que trabalhava, Dacosta foi censurado e assediado pela polícia de Salazar. Foram 40 horas de entrevistas gravadas e outras tantas de conversas telefónicas e trocas de emails de que Raquel Lito perdeu a conta. Ainda hoje há quem lhe ligue a chorar desgostos de amor. Ou a "esbanjar felicidade, porque conseguiu, finalmente, satisfazer as suas fantasias."

 

Via Ionline



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Sexta-feira, 12.02.10

Jónatas Machado, professor de Direito Constitucional, foi à comissão de assuntos constitucionais da Assembleia da República para dar o seu douto parecer sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Promotores do referendo acharam que aquele era o homem certo no lugar certo. Ficámos a saber coisas extraordinárias.

 

Os promotores de um referendo contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo não são gente preconceituosa. Gostam de recorrer a especialistas. Para falar do assunto, nada como um professor de Direito Constitucional. E da Universidade de Coimbra. Apresento-vos então Jónatas Machado. Esteve ontem na comissão de assuntos constitucionais da Assembleia da República.

O que tinha então o especialista a dizer aos senhores deputados? Não falou de Direito, que é assunto menor. Antes de mais, contrariou algumas ideias feitas que podiam estar na cabeça de pessoas mais retrógradas ou apenas menos informadas: "É óbvio que se se legalizar o casamento ninguém morre, assim como ninguém morre quando começa a fumar ou a beber". Podem então os gays e as lésbicas juntar os trapinhos que não esticam o pernil ali mesmo no altar.

Mas, contrariado o alarmismo, ficou o aviso: "Ninguém morre nesse momento mas há certas coisas que podem fazer mal aos indivíduos e às sociedades." Estamos portanto perante a possibilidade de um cancro social. Esperemos apenas que, tal como avisam os maços de tabaco, o casamento não provoque impotência nem prejudique as mulheres grávidas.

Mas não acaba aqui. O senhor Jónatas, que como já vos disse é um especialista, explicou que isto das orientações sexuais é como as marcas de carros. Há para todos os gostos. Apesar de não ter feito uma categorização exaustiva, deu-nos um número aproximado: "Há mais de 20 orientações sexuais - a bissexualidade, a zoofilia, etc., também são orientações sexuais." O "etc." é a que mais me agrada, mas adiante que não estou aqui para falar das minhas taras. E acha estranho que a homossexualidade tenha um tratamento especial na lei. Eu também acho. Eu enquanto não der o nó com a buganvília que cá tenho em casa não serei um homem realizado.

E explicou que há estudos, que lamentavelmente não conseguiu levar ao Parlamento, que garantem que "as relações homossexuais tendem a ser mais promíscuas do que as heterossexuais, mais violentas e mais instáveis." E isso é uma coisa que temos de prevenir. Porque podia dar-se o caso de o casamento conhecer a infidelidade, a violência doméstica e o divórcio, o que, convenhamos, mudava a sua natureza tal e qual a conhecemos até hoje.

Por fim, Jónatas Machado descobriu um conflito que, graças à incúria que os deputados emprestam à elaboração das leis, passou ao lado de todos: "Há pessoas que têm restaurantes e etc. (lá está ele outra vez) e não querem servir casamentos homossexuais. Noutros países tem havido litígios".

Ouvido que foi o Professor de Coimbra, especialista em Direito Constitucional e em stand-up comedy, o próximo passo é evidente: chamar o director da ASAE. Tabaco e restauração é com ele. 

Daniel Oliveira, no Expresso



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Terça-feira, 05.01.10

A petição com mais de 90 mil assinaturas a exigir um referendo sobre o casamento homossexual, que será entregue na terça-feira no Parlamento, será chumbada pelos partidos da esquerda, enquanto PSD e CDS-PP deverão votar favoravelmente.

 

 A iniciativa popular foi promovida por um grupo de cidadãos reunido na Plataforma Cidadania e Casamento Homossexual, que recolheu 90.785 assinaturas, que propõe se faça aos portugueses a seguinte pergunta, em referendo: “Concorda que o casamento possa ser celebrado entre pessoas do mesmo sexo?”.


O movimento pretende que sejam debatidas as “implicações reais na história, na cultura e nas relações sociais do país” da consagração do casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Na prática, a petição só deverá ser discutida no Parlamento após a votação dos diplomas do Governo e do PSD, Bloco de Esquerda e Verdes sobre o casamento homossexual, agendada para esta sexta-feira.

Segundo a lei orgânica do Regime do Referendo, após a entrada da petição no Parlamento, o presidente da Assembleia da República deve, no prazo de dois dias, pedir um parecer à comissão parlamentar competente (neste caso, a primeira comissão, de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias) sobre a iniciativa de referendo.

Após o parecer, Jaime Gama deverá decidir se admite a iniciativa ou se manda notificar o movimento solicitando o aperfeiçoamento do texto, dentro de 20 dias.

A comissão deverá depois ouvir o representante do grupo de cidadãos e terá de elaborar, no prazo de 20 dias, um projecto de resolução que incorpore o texto da iniciativa de referendo, cabendo depois a Jaime Gama agendar a sua discussão para uma das dez sessões plenárias seguintes.

Pelos partidos da esquerda, o “chumbo” da proposta popular está garantido.

O líder da bancada socialista, Francisco Assis, afirmou à Lusa que a consagração do casamento entre pessoas do mesmo sexo é “um compromisso eleitoral do PS, de forma clara e sem equívoco”, pelo que levar esta questão a referendo seria “fugir a um compromisso”.

Pelo Bloco de Esquerda, a deputada Helena Pinto considera que esta é uma matéria que “não necessita de ser referendada” e que já foi “amplamente debatida na sociedade portuguesa”, defendendo que a Assembleia da República tem “toda a legitimidade para legislar sobre esta matéria”.

O mesmo argumento é indicado pelo deputado comunista António Filipe, que referiu também que o assunto não exige mais debate, alegando que “as posições dos vários partidos já eram conhecidas antes das eleições”.

Heloísa Apolónia (Partido Ecologista “Os Verdes”) sustenta que o alargamento do casamento aos homossexuais é uma questão constitucional, porque implica a “construção da igualdade” e, como tal, é matéria “não referendável”, assinalando ainda que esta iniciativa popular “só surge porque há uma clara maioria política que é a favor da eliminação da discriminação actualmente existente”.

PSD e CDS-PP já manifestaram posições opostas.

Segundo o presidente do grupo parlamentar social-democrata, Aguiar Branco, o PSD viabilizará a iniciativa popular, considerando que “não colide” com a proposta da sua bancada, que sugere em alternativa ao casamento uma união civil registada para as pessoas do mesmo sexo.

O grupo parlamentar do CDS-PP vai discutir nesta semana a iniciativa popular – que integra elementos do partido entre os mandatários. O deputado João Almeida disse que a sua bancada deverá concordar com a realização do referendo, destacando a “muita representatividade” da iniciativa.

 

Via Público



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Quarta-feira, 11.11.09

Flavia Penneta

 

"Sim, há homossexualidade no desporto, e daí? Também há doping e cocaína. Eu nunca tomei, mas conheço tenistas que snifam só por diversão", disse Flavia Pennetta, tenista italiana, que este domingo conquistou o título da Fed Cup (versão feminina da Taça Davis), com uma vitória frente à norte-americana Melanie Oudin pelos parciais de 7-5 e 6-2. 

As declarações caíram como pedras num charco já de si agitado. E a polémica instalou-se quando Francesca Piccinini, jogadora de voleibol, decidiu seguir o exemplo da primeira e, no mesmo talk-show da televisão italiana, o "Le Iene", apimentou ainda mais a situação. Já ninguém queria saber dos escândalos no desporto, apenas dos detalhes mais íntimos da vida sexual das duas atletas. "O voleibol está repleto de homossexuais e já fui assediada por outras mulheres. Aliás, já é um hábito olharmos para o corpo umas das outras nos balneários." E continuou com os pormenores sórdidos dando indicações de qual era a melhor maneira de fazer sexo num elevador ou dentro de um Smart. "Só não gosto de algemas. Nem de ver o meu namorado com o equipamento com que entro em campo. Já experimentamos e não achei muita piada." As restrições apareceram apenas no capítulo do doping. "Não há doping, não precisamos disso para nada", e rematou o assunto, como quem bate o pé. Se no exército espartano os soldados se podiam apaixonar uns pelos outros, porque assim fortaleciam o espírito de equipa e jamais um soldado deixaria o amante para trás, hoje em dia, não vê por que não pode ser da mesma forma.

Tânia Couto, ex-tenista e comentadora, contou ao i algumas situações que presenciou durante os anos de competição. "A homossexualidade era um tema bastante comum na-quela altura. Eram assuntos falados à porta fechada. Toda a gente sabia que eles existiam e quem não os queria, não os procurava", diz a antiga tenista. "Cheguei a ser alertada para não ir a determinadas festas. Havia sempre um grupinho de mulheres mais velhas que deitavam as mãos às miúdas mais novas. Por exemplo, disseram--me para não ir a festas da Jana Novotná. Ela era completamente assumida", ri Tânia Couto, explicando que a situação nunca se tornou desagradável. "Ninguém forçava ninguém. Era tudo muito simples, quem queria, aceitava." A tenista explicou ainda que antigamente os riscos eram maiores. "Nós viajávamos sozinhas, ficávamos mais vulneráveis, só recentemente é que as tenistas começaram a viajar com os pais e com os treinadores. Há toda uma comitiva que as acompanha." 

Mais uma vez o doping não parece ser um tema consensual. "Falava-se muito pouco de doping. Mas existia, claro. Havia muitas mulheres com traços bastante masculinos e o ritmo da competição, por vezes, é muito difícil de aguentar. Acredito que muitos tenham recorrido a substâncias ilícitas, como confessou o Agassi, por estes dias. É muito injusto, mas a verdade é que há 15 anos as coisas não eram tão controladas. Eu, por exemplo, nunca fui a um controlo antidoping."

 

Via ionline



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Quarta-feira, 02.09.09

Pelo direito ao casamento com quem lhe apetecer

 

Manifesto do movimento pela igualdade no acesso ao casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. Assinar aqui

 



publicado por olhar para o mundo às 15:55 | link do post | comentar

Sexta-feira, 05.06.09

Homosexxualidade não é doença

 

O debate faz lembrar um célebre sketch humorístico sobre o aborto. A homossexualidade não é doença. Mas pode ser tratada. Cientificamente, desde 1973 que não é considerada doença. Mas um indivíduo que sofra com a sua orientação sexual pode pedir ao médico que estabeleça "um plano terapêutico" para a alterar. 


Como o assunto é sério e originou uma petição assinada até agora por 871 técnicos de saúde mental, o bastonário da Ordem dos Médicos (OM) decidiu enviar aos signatários uma carta para esclarecer a sua posição. Que, salienta, "só o preconceito ou a má-fé poderiam interpretar como homofóbica".

Princípio da polémica: a 2 de Maio, num artigo de um jornal, o presidente do Colégio de Psiquiatria da OM, José Marques Teixeira, considerava que pode ser possível dar resposta a um homossexual que pede ajuda médica para mudar de orientação sexual. Várias organizações solicitaram ao bastonário que se pronunciasse, ao mesmo tempo que o psiquiatra Daniel Sampaio promoveu a petição exigindo também uma clarificação da Direcção da Ordem e "uma tomada de posição do Colégio da Especialidade de Psiquiatria". 

Do Colégio de Psiquiatria ainda não houve "tomada de posição técnica" - já que José Marques Teixeira falou "a título pessoal". O bastonário respondeu às organizações, por escrito, a 14 de Maio e considera que alterar a orientação sexual de "um doente não constitui uma violação ética". 

Pedro Nunes destaca que a sua posição é "puramente ética e não técnica". Que devem ser os psiquiatras a "dirimir as divergências técnicas". E que a posição não pode ser descontextualizada dos "se" que a antecedem.

Os pontos prévios são vários. Começam pela declaração de que a orientação sexual não prefigura "qualquer forma de doença". Mas "qualquer ser humano é livre de aceitar ou negar a sua orientação sexual e buscar ajuda médica quando dessa atitude lhe resulta sofrimento". Cabe ao médico "diagnosticar a situação" e "estabelecer um plano terapêutico" que, "respeitando o consentimento informado" do doente, pode ajudar a aceitar a sua orientação ou a "definir a orientação que pretende".

 

Ver toda a noticia aqui

 

Via ionline



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Sábado, 30.05.09

Mundo gay de Lisboa

 

 Há várias décadas que o Príncipe Real é a principal zona gay de Lisboa, por causa dos muitos bares, discotecas e engates. Mas, se ganha na quantidade, perde na qualidade. Não é aí que ficam os melhores ambientes nocturnos gay. É no Bairro Alto - que sempre atraiu certa franja das profissões criativas e liberais, cheias de homens e mulheres homossexuais.

Foi a assíduos do Bairro Alto que o i perguntou pelos dois melhores bares gay de Lisboa. E o prémio, sem grande hesitação, foi quase sempre para? Maria Caxuxa e Purex. Dois sítios colados um ao outro, embora em ruas diferentes, de ambiente bem definido, livre e sofisticado, onde as pessoas se divertem a sério.

O Caxuxa, como é conhecido, puxa mais os homens gay; o Purex, as lésbicas. Tanto um como outro recusam o rótulo de bar gay e, bem vistas as coisas, até têm razão. Há neles de tudo um pouco. Mas não poderia ser de outra maneira, numa cidade onde consta que o apartheid da orientação sexual não existe. Agora dizer que a sexualidade de quem lá vai não importa nada também soa a falso. São os clientes, com as suas características todas, e não só metade delas, que fazem as casas. Se nunca lá foi, experimente.

Para eles: Maria Caxuxa Três salas, um bar, aspecto rústico propositado, um não-sei-quê de seguro e libertino. Um cantor aqui, um bailarino ali, um actor acolá. Sempre muitos gays.

Os actuais donos do Maria Caxuxa trabalharam em tempos noutro bar do Bairro Alto, o Clube da Esquina - assumidamente gay. Há quatro anos, quando abriram o Caxuxa, trouxeram com eles muitos clientes. Além disso, esta antiga tasca e fábrica de bolos (o forno mantém-se, ao centro do bar) foi uma lufada de ar fresco na cidade. Pela atitude - discreta, mas sabida - e pelo ambiente - familiar e moderno. Tudo aquilo que muitos homens gay apreciam.

Situa-se na Rua da Barroca, a principal rua gay do Bairro. Nos concorridos fins-de-semana fica facilmente sobrelotado. Por dentro e por fora. Os lugares sentados são disputados ao centímetro. E à porta junta-se uma multidão compacta de copo na mão. A atracção é tal que há quem prefira comprar bebidas mais baratas nos bares ao lado e ir despachá-las à porta do Caxuxa.

Por não ser um gueto, longe disso, nem vestir a camisola de nenhuma causa, permite que toda a gente se sinta bem lá dentro. O som electrónico modernaço, as excelentes tostas servidas até à uma da manhã e a rapidez do serviço fazem o resto.

Para elas: Purex Em pouco anos tornou-se um dos melhores bares de Lisboa e, por via da clientela que lá vai, um dos melhores bares lésbicos. Há quem lhe chame "fufex". Costuma associar-se às iniciativas LGBT lisboetas, como o Arraial Pride (a maior festa gay anual) e o festival de cinema Queer Lisboa.

As suas responsáveis preferem falar em bar gay friendly, porque dizem receber bem toda a gente. É um facto que sim. Cruzar as grandes portas cor-de-laranja do Purex não é a mesma coisa que meter o pé noutros bares do Bairro. A maior parte deles, verdade seja dita, não são bares - são balcões de venda de bebidas, sem personalidade ou ambiente. Muitas vezes sem nome. No Purex isso não acontece. Há espírito e carácter, ambiente e boa música.

A casa demorou a fazer-se. Tinha uma clientela lésbica pouco dada ao consumo de bebidas, que fazia do espaço uma sala de estar para amigas e conhecidas. As responsáveis conseguiram dar a volta ao caso com uma selecção musical rígida, pouco comercial e atenta às novidades. O suficiente para afastar um público menos exigente e atrair as (e os) vanguardistas.

Via ionline

 



publicado por olhar para o mundo às 11:17 | link do post | comentar

Domingo, 17.05.09

 Filmes gay

 

"Se há um cinéfilo em cada um de nós, pode ser que também haja um cinéfilo dentro do armário em cada um de nós. Hoje arranca o 6.o Ciclo de Cinema LGBT, promovido pela Rede Ex Aequo - associação de jovens lésbicas, gays, bissexuais, transgéneros e simpatizantes - que propõe três dias (15, 16 e 17) de cinema à margem. Antes das projecções, ficam as sugestões de dez filmes gay obrigatórios para minorias informadas ou maiorias curiosas.


Fogo, de Deepa Mehta Duas mulheres indianas com casamentos infelizes tornam-se amigas - e dessa amizade nasce uma relação homossexual. Foi o primeiro filme indiano gay e gerou uma série de protestos. Bárbara Pires, presidente da Rede Ex Aequo, destaca em "Fogo" a "sexualidade numa cultura com regras sociais e religiosas muito severas".

A Minha mãe gosta de mulheres, de Inés París Três irmãs descobrem que a mãe voltou a apaixonar-se. Convidadas para conhecer o seu novo amor, ficam em choque ao saber que o namorado é afinal uma mulher mais nova. Bárbara escolheu o filme pelo tema: "Coming out após a meia-idade e reacção de amigos e familiares."

Assunto de Meninas, de Léa Pool Mary, Tori e Pauline partilham um dormitório num colégio interno. Juntas vão enfrentar dúvidas quanto à orientação sexual. "Amor na adolescência de duas raparigas vivido num ambiente repressivo, o que tem consequências trágicas", comenta a presidente da Ex Aequo.

Milk, de Gus Van Sant Biografia do activista dos direitos homossexuais Harvey Milk. Realizado por Gus Van Sant, valeu a Sean Penn o segundo Óscar da carreira. Retrato fiel de "um período de repressão e de tentativa de supressão de direitos gay", acrescenta Bárbara Pires. 

Tempestade de Verão, de Marco Kreuzpaintner Dois jovens num campo de férias preparam--se para uma prova de remo. Entre dúvidas sobre o seu grau da sua amizade, chega uma equipa de remo gay e a confusão instala-se na cabeça dos protagonistas. Escolhido pela "história de coming out na adolescência".

O segredo de Brockeback Mountain, de Ang Lee Polémico drama vencedor de três Óscares, conta a história de dois cowboys apaixonados. Bárbara Pires assinala "as consequências da homofobia e da repressão social que cria vidas duplas, não vividas na plenitude".

A minha vida em cor-de-rosa, de Alain Berliner Uma tragicomédia sobre Ludovic, uma criança do sexo masculino que acredita ter nascido no corpo errado. Destacada pela "reacção dos pais e pelo ambiente social".

Transamerica, de Duncan Tucker Um road movie de pai e filho, mas onde o pai é transsexual. Obrigatória pela forma como são mostradas "as discriminações e restrições vividas pelos transexuais no seu processo de reatribuição de sexo", aponta Bárbara Pires.

Os rapazes não choram, de Kimberly Peirce Filme que valeu um óscar a Hillary Swank e onde "a homofobia e a transfobia se confudem", assinala Bárbara.

But I'm a Cheerleader, de Jamie Babbit Comédia que satiriza estereótipos e indecisões de adolescência. "As reacções dos pais e as tentativas de cura ou conversão à heterossexualidade tornam este filme essencial", do ponto de vista da presidente da Ex Aequo."

 

Via ionline



publicado por olhar para o mundo às 22:05 | link do post | comentar

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