Terça-feira, 29.03.11
 
Guerra colonial tende a ser descrita como uma guerrilha sem propósito
 
Os manuais de História do 3º ciclo do ensino básico continuam a perpetuar "muitos dos discursos do Estado Novo". São apresentados de um modo "mais subtil e suavizado", mas constituem "um corpo ideológico" que continua a condicionar o modo como se fala do racismo, do nacionalismo e da "história dos outros". As constatações são da investigadora do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra Marta Araújo e têm como base uma análise dos cinco manuais de História mais vendidos, em 2008/2009, no 7º, 8º e 9º anos de escolaridade.
 

Esta análise constituiu o ponto de partida para a investigação Raça e África em Portugal, que Marta Araújo lidera no CES. No âmbito deste projecto, que ficará concluído em Agosto, estão a ser realizadas também entrevistas a historiadores, estudantes universitários, professores e alunos do 3º ciclo.

"Tentámos ir mais além da identificação das representações dominantes. Sabemos que são estereotipadas, existem imensos estudos que o mostram. Em vez de fazermos mais um, assumimo-los como ponto de partida e fomos antes tentar explorar a ideologia que lhes subjaz e o modo como através desta se naturalizam as relações de poder", explica a investigadora.

Como se conta o mundo então? "Garantindo a presença da Europa no seu centro." "Este eurocentrismo exprime uma pretensão universalizante, através da qual o modelo de desenvolvimento europeu ocidental é adoptado como padrão para avaliar todas as outras sociedades", explica Marta Araújo.

Clara Serrano, investigadora dos Centros de Estudos Interdisciplinares do Século XX da Universidade de Coimbra, também tem andado à volta dos manuais de História do ensino básico e à semelhança de Marta Araújo constatou que nestes livros " a história universal é estruturada e apresentada a partir de uma perspectiva marcadamente eurocentrista". "A história dos outros continentes é muito pouco leccionada - e, quando é, é-o como efeito secundário do conhecimento de actividades de descobrimento e colonização protagonizadas por povos europeus", explicita. Não é um exclusivo: "É curioso verificar que os próprios manuais dos países não europeus não conseguiram escapar a esta linha europeísta."

Para Marta Araújo, o eurocentrismo como ideologia ganha eficácia "através da despolitização". Por exemplo, a guerra colonial tende a ser descrita "não como uma guerra de libertação, mas sim como uma guerra de guerrilha sem um propósito". Há livros em que as únicas imagens reproduzidas são a de soldados portugueses mortos, uma forma, segundo a investigadora, de reforçar uma narrativa recorrente. "Também a encontramos, por exemplo, nos capítulos da Reconquista da Península Ibérica. E a imagem que se faz passar é que nós, portugueses, fomos forçados a sermos violentos, enquanto eles, sejam angolanos ou mouros, são naturalmente violentos e bárbaros."

É o que está patente nestes trechos apresentados em manuais do 7º e 9º ano e que são reproduzidos pela investigadora num artigo publicado na revista Estudos de Sociologia.

Sobre a Reconquista: "No século VIII, os Cristãos viram a sua vida quotidiana - em si bastante instável - ameaçada pela chegada dos Muçulmanos. Em consequência os Cristãos estabeleceram contacto com os Cruzados de outros reinos Cristãos Europeus com os quais reuniram esforços para recuperaram os territórios perdidos(...)."

Sobre a guerra colonial: "Um sentimento generalizado de medo entre os colonos levou-os a matar muitos indígenas enquanto outros fugiram, indo juntar-se aos guerrilheiros. Posteriormente, tribos do Norte de Angola assassinaram centenas de colonos."

"Há sempre um jogo que naturaliza a nossa violência e que esvazia o lado político da luta deles", frisa Marta Araújo.

"Ranking dos colonialismos"

Num manual do 8º ano explica-se que os portugueses foram para África, porque queriam fazer comércio. O modo como se narra o que aconteceu então e depois acaba por dar corpo a uma espécie de "ranking dos colonialismos". "O racismo é sempre tido como um fenómeno circunscrito e associado aos impérios francês e britânico." As atrocidades ficam sobretudo por conta dos espanhóis. E a nós atribuem-nos uma espécie de "colonialismo suave", uma leitura que, segundo Marta Araújo, voltou a ganhar força nos últimos dez anos.

Com a ênfase europeia no multiculturalismo, Portugal volta a apresentar-se como tendo um papel pioneiro, ressuscitando "o discurso lusotropicalista que foi apropriado pelo Estado Novo" - essa ideia de que os portugueses sempre tiveram melhor capacidade de adaptação a outros povos e culturas. "Nunca se discute o fenómeno do racismo. Ou é tido como um fenómeno circunscrito a outros, ou como uma atitude individual, ou como ligado a situações extremas, como o nazismo", frisa.Não por acaso, acrescenta, na maioria dos manuais não existe uma única referência aos ciganos: "É uma parte da população que desapareceu." Os manuais escolares, sendo um dos principais recursos utilizados nas salas de aulas, "dizem bastante sobre o modo como se ensina a História nas escolas", afirma Clara Serrano.

Existe uma "simplificação" que é potenciada pela extensão dos programas em vigor e a carga horária reduzida atribuída à disciplina. E esta simplificação contribui para o êxito de um propósito, adverte: "Não nos podemos esquecer que os manuais são transmissores de valores que a instituição escolar e, em última análise, o poder instituído pretendem transmitir. Por isso, a escolha da linguagem, do estilo, a selecção dos assuntos e dos textos, a organização e hierarquização dos conteúdos não será de todo inocente."

 

Via Público

 



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Segunda-feira, 28.03.11

 

História dos vibradores

 

Você conhece ou já usou um vibrador? Não! Muita curiosidade e pudor giram em torno do seu uso. Mas você sabia que eles foram idealizados com fins médicos? O invento surgiu em meados do século XIX, a partir de um massageador a vapor, para tratar da histeria, distúrbio feminino causado pela ansiedade e irritabilidade.

 

Percebendo que esses estímulos também poderiam ser reproduzidos com impulsos elétricos, em 1969 surgem os primeiros vibradores elétricos. Com o tempo, passaram a funcionar com baterias, tornando-se aparelhos mais portáteis. Relacionados à saúde e bem-estar, esses aparelhos foram elevados a uma categoria bem importante para a época.

Em 1920, passam a aparecer em filmes pornôs e o uso dos vibradores com função sexual passa a ser publicamente reconhecido. Com isso, alguns tabus surgem e esses objetos começam a ser recriminados pela sociedade e seus usuários tidos como doentes e depravados.

Com a revolução sexual, em 1960 as mulheres se viram mais livres para usar esses brinquedinhos, conquistando assim, mais autonomia na sua vida sexual. Em 1998, eles começam a ocupar um espaço tão expressivo na vida das mulheres que, até a mídia passa a dar lugar de destaque ao acessório, como na série Sex and the City, quando suas protagonistas adquirem algum desses produtos.

Hoje, apesar do termo vibrador constranger muita gente, podemos encontrar inúmeros modelos, tamanho e funções para esses aparelhos. Eles podem ser a reprodução fiel de um pênis, ter o formato de bolinhas coloridas que você pode carregar na bolsa ou o formato de um batom. Há até modelos com dispositivos interativos, como os que são ativados com mensagens enviadas pelo celular ou conectados ao ipod, que reproduzem vibrações de acordo com a música que está sendo reproduzida.


Dica:
Sempre aplique um gel ou uma pomada lubrificante para usar o aparelho. Isso facilitará a penetração do vibrador, prevenindo possíveis irritações.

 

Via Vila Mulher



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Sexta-feira, 04.03.11
O hóquei no gelo surgiu a partir do shinny - uma forma primitiva do desporto, sem regras
 
 
 
O hóquei no gelo surgiu a partir do shinny - uma forma primitiva do desporto, sem regras
O Madison Square Garden (Nova Iorque) e o Staples Center (Los Angeles) são duas das maiores arenas desportivas dos Estados Unidos. Como é natural, estão prontas para receber vários desportos - do basquetebol ao hóquei no gelo, passando pelo boxe ou pelo lacrosse. A polivalência tem um preço - elevado, por sinal -, mas permite rentabilizar o investimento. Por isso não é surpresa para ninguém que as equipas especializadas demorem apenas duas ou três horas a trocar o gelo pelo piso de madeira.

Mas que tem isto a ver com o primeiro jogo de hóquei no gelo?, deve estar a perguntar nesta altura. Bom, tem tudo a ver. Até 1875 era frequente ver pessoas nas ruas do Canadá, de stick na mão, entretidas com uma forma primitiva de hóquei no gelo. Chamavam-lhe shinny: não tinha regras nem posições e demorou até passar para os ringues (cobertos). Esses espaços estavam reservados a outras actividades - sobretudo a patinagem (artística ou de lazer). No entanto, a resistência à realização de um jogo de hóquei acabou nesse ano, pela mão de James Creighton. Engenheiro, jornalista, advogado (e atleta, é claro), este canadiano foi o responsável pela mudança. Creighton era membro do Victoria Skating Club, em Montreal, onde marcava presença com frequência como jurado de provas de patinagem. E fez valer a sua influência.

As sessões informais de shinny no Victoria Skating Rink tinham começado dois anos antes, em 1873, mas eram restritas - para membros do clube e pouco mais. Havia receios de que os jogos prejudicassem a qualidade do gelo, além de roubarem horas de actividades aos membros que não alinhavam no shinny. A 3 de Março de 1875 foi dado o passo decisivo, num jogo de hóquei no gelo - deixou logo de ser shinny porque passou a ter regras - entre membros do clube. 

Eram nove contra nove (na rua, como não havia limites, chegavam a ser 20 jogadores de cada lado) e a equipa capitaneada por James Creighton ganhou por 2-1. Em vez de uma bola, como era hábito até então, foi utilizado um disco de madeira - "para evitar acidentes com os espectadores", explicou o "Montreal Gazette" na altura. A ideia era evitar que a bola (neste caso o disco) saísse do ringue e fosse atingir o público. Ora quem viu jogos de hóquei no gelo nos últimos anos sabe perfeitamente que o disco também pode acabar nas bancadas (daí as paredes de acrílico).

No final ainda houve tempo para cenas de pancadaria entre jogadores e adeptos. E tudo começou com alguns membros do clube, os tais que não queriam jogos de hóquei no ringue.
 


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Quarta-feira, 02.02.11

A história do Coelho

 

Durante grande parte da sua história, o coelho-europeu, ou coelho-comum, viveu apenas na Península Ibérica e no Sul de França. Hoje está espalhado por quase todos os cantos da Terra, tanto a sua forma selvagem como a doméstica. Mas onde e quando começou a domesticação do coelho? Duas hipóteses têm sido avançadas: tudo terá começado com os romanos na Península Ibérica, há cerca de dois mil anos, ou então terá sido há 1400 anos numa região que actualmente integra o Sul de França e os monges tiveram um papel principal. A equipa de Nuno Ferrand de Almeida, coordenador do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (Cibio) da Universidade do Porto, acaba de dar a resposta: foi nos mosteiros da Provença.

O coelho-europeu, ou Oryctolagus cuniculus, o nome científico da espécie, surgiu na Península Ibérica há cerca de dois milhões de anos e é caçado pelos humanos como alimento há milhares de anos. Tem duas subespécies, que no pico da última glaciação, há 20 mil anos, ficaram confinadas a dois refúgios: enquanto a Oryctolagus cuniculus cuniculushabitava em França e no Nordeste da Península Ibérica, a Oryctolagus cuniculus algirus vivia no Sudoeste da Península Ibérica, incluindo o Sul de Portugal. 

O primeiro registo que nos chegou da abundância do coelho no Sul da Península Ibérica é dos fenícios, quando vieram até às suas costas há três mil anos, para trocas comerciais. "Viram milhares de coelhos, que confundiram com o damão-do-cabo, que era abundante nas costas das cidades fenícias", conta Nuno Ferrand de Almeida. "Esse registo poderá estar na origem do nome Espanha, que quererá dizer "terra de coelhos": a designação de "i-shephan-im", ou terra de damões-do-cabo, que na verdade eram os coelhos, seria depois latinizada para dar Hispânia, e mais tarde Espanha."

Quando voltavam para sua terra, no Médio Oriente, os fenícios levavam com eles o coelho e espalharam-no pela bacia do Mediterrâneo, por exemplo pelas ilhas Baleares e pelo Norte de África. 

Mais tarde vieram os romanos, que se instalaram durante séculos na Península Ibérica, e também levaram o coelho para outras paragens na Europa. "A primeira tentativa de controlar a reprodução do coelho terá ocorrido na Península Ibérica, um século antes de Cristo", conta o biólogo Miguel Carneiro, também do Cibio, e autor principal do artigo com esta descoberta, publicado este mês na edição online da revista britânica Molecular Biology and Evolution

A partir da ocupação romana passa a haver múltiplas referências aos coelhos. "Uma das mais célebres é a de Plínio, o Velho, na sua História Natural, no primeiro século da nossa era, onde já se refere o hábito de consumir fetos dos coelhos, bem como o facto de produzirem imensos prejuízos na agricultura. Também durante Adriano, um dos mais célebres imperadores romanos - imortalizado por Marguerite Yourcenar em Memórias de Adriano -, circulavam na península moedas com coelhos cunhados na sua face", acrescenta Ferrand de Almeida. "A partir dessa altura há referências permanentes a estruturas belíssimas chamadas "leporaria", que eram cercados feitos de pedras onde os coelhos eram mantidos para serem usados na caça e na alimentação. Há muitos vestígios arqueológicos dessas estruturas. Esta seria uma das hipóteses para a domesticação do coelho ter ocorrido na Península Ibérica."

 

Carne que não é carne

No entanto, outros registos históricos sugeriam que a domesticação tinha ocorrido mais tarde, por volta do ano 600, nos mosteiros da Provença. A fundamentar esta suposição encontra-se uma decisão do papa Gregório I, que tinha sido monge beneditino, em que considera que os fetos e as crias recém-nascidas de coelho não eram carne, pelo que podiam comer-se durante o jejum da Quaresma. E assim a criação de coelhos difundiu-se nos mosteiros da Provença. "Há muitíssimos documentos históricos que atestam a frequente troca de coelhos entre abadias, e mesmo com países como a Inglaterra. Este processo poderia ter levado à domesticação do coelho e seria uma hipótese de domesticação realizada fora da península, proveniente das populações selvagens do Sul de França", refere Ferrand de Almeida. Tenham sido os romanos ou os monges da Provença, os sinais claros da domesticação do coelho só surgiram muito mais tarde, a partir de meados do século XV. Em iluminuras e pinturas, começaram a aparecer os primeiros coelhos com cores diferentes, desde brancos a avermelhados, em vez da cor parda dos selvagens. 

Um dos quadros mais célebres que representa um coelho branco é de Ticiano, Madona e Menino com Santa Catarina, também conhecido como A Virgem do Coelho, de cerca de 1530, que está no Museu do Louvre. "Esses mutantes de cor poderão corresponder a um processo de domesticação já terminado. E a partir daí o coelho doméstico difundiu-se por todo o mundo e teve um sucesso enorme", explica Ferrand de Almeida. 

No século XVI, há registos de coelhos de vários tamanhos e cores em França, Itália, Flandres ou Inglaterra, o que sugere que a sua domesticação estava já concluída nessa altura.

 

Ler o resto do artigo no Público



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Sexta-feira, 19.11.10

Francesinha, a verdadeira história

 

Há uma história da francesinha que ninguém conhece, mas que esta sexta feira vai ser revelada no primeiro percurso pedonal de reconstituição do percurso do prato, no Porto: a sua relação próxima com a figura feminina.

O percurso, orientado por Graça Lacerda, irá conduzir os curiosos pela história deste petisco portuense, porque “Comer uma francesinha” é mais do que saborear um prato, é “um convívio à moda do Porto”.

A guia do original roteiro contou hoje à Lusa quais são as origens da francesinha.

De acordo com mentora do percurso, o criador do prato, Daniel David Silva, era “bastante mulherengo”. Depois de um périplo internacional, aterrou no Porto e descobriu que as mulheres eram demasiado discretas para o que estava habituado, andando muito tapadas e sendo muito reservadas.

A desilusão com as mulheres portuenses levou-o, segundo Graça Lacerda, a querer criar um prato “apurado”.

“Ele dizia que a mulher mais picante que conhecia era a francesa. Quis dar um toque picante ao prato e chamou-lhe francesinha”, disse.

O petisco, que nos anos 50 era uma comida fora de horas - um lanche reforçado ou uma merenda depois de uma sessão de cinema tardia - estava conotado com o universo masculino.

“Ainda sou do tempo em que a francesinha era vista como um prato para rapazes solteiros. As raparigas que comiam francesinha eram mal vistas”, recordou.

Os tempos mudaram e com ele os preconceitos relativos à francesinha e até a sua própria “fisionomia”: um petisco que era pouco mais do que uma tosta mista com molho tornou-se num parto mais do que sustentado, para responder à evolução da sociedade.

“Hoje em dia, já não temos tempo para o lanche e as sessões de cinema proliferam. A francesinha passou a ser um prato de almoço ou jantar, ao qual se juntou a batata frita”, explicou Graça Lacerda, que se tornou especialista na matéria depois de longas pesquisas.

Documentação, imagem, cartazes, livros de receitas, entrevistas a pessoas, entre as quais o atual dono do restaurante “A Regaleira” - que conheceu pessoalmente o inventor do prato que é o rosto do Porto - tudo serviu para reconstruir os passos da francesinha.

“Não temos bibliografia, mas temos testemunhos vivos”, disse, reconhecendo que há vantagens e desvantagens derivadas da subjetividade dos relatos e das opiniões diferentes.

Esta sexta feira, 60 pessoas vão percorrer um percurso que tem seis etapas: “Receita típica do Porto no Século XX”, “E tudo começou na Rua do Bonjardim…”, “Onde comer as melhores francesinhas?”, “Pão, queijo, recheio e molho”, “Para si, uma boa francesinha é…” e “Qual será o segredo da francesinha?”.

O passeio gastronómico tem início perto das 15:00 na Biblioteca de Assuntos Portuenses e termina no Restaurante “Jardim da Irene” e no Café “Universidade”, cerca das 17:00.

 

Via Ionline



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Quarta-feira, 03.11.10

Pedroto e Pinto da Costa... o inicio da História de sucesso

 

É normal que associemos o ano de 1982 ao Mundial de Espanha. Ao espantoso Brasil de Telé Santana. À inacreditável Itália de Rossi. À crueldade do alemão Schumacher numa entrada duríssima sobre o francês Battiston. À estreia do já veterano camaronês Roger Milla. Mas 1982 é também o início de uma era do FC Porto, com o primeiro mandato de Pinto da Costa como presidente. E o primeiro campeonato realizado nestas circunstâncias é marcado pelas polémicas. Que, verdade seja dita, sempre existiram. O problema agora é que a contestação sobe de tom, o FC Porto intromete-se contra o poder da capital exercido por Benfica e Sporting e a RTP começa a transmitir os resumos todos, com golos, penáltis e lances duvidosos.

Em tempo recorde, a dupla Pinto da Costa-Pedroto alimenta ódios ou paixões. E divide o país ao meio. A bronca estala definitivamente num FC Porto-Benfica, a sete jornadas do fim. Na semana anterior, o FC Porto empatara no Estoril (1-1). A 12'' do fim, penálti contra o Estoril e expulsão de Vítor Madeira. Durante 11 minutos, protestos contra o árbitro Graça Oliva e empurrões para lá e para cá. Com os ânimos mais serenos, Gomes atira... e Manuel Abrantes defende. Só que Vítor Madeira ainda estava em campo. O FC Porto pede repetição do penálti, o árbitro resolve com uma bola ao solo! Pedroto está irado. E lamenta: "Este Estoril correu mais que sei lá o quê. Não compreendo como não houve controlo anti-doping. Na Amora (1-2) e em Setúbal (1-3) foi a mesma coisa."

É neste clima de suspeição que se chega ao clássico decisivo para o título. A 27 de Março de 1983, FC Porto e Benfica estão separados por quatro pontos. E assim continuam depois de 90 minutos sem golos, apesar de Gomes falhar (novamente) um penálti. Fora do relvado, a bronca do costume com algumas nuances. Eriksson, primeiro, manteve a sua pose de gentleman. "Tivemos sorte, sobretudo no penálti, mas lutámos pelo 0-0." Depois o sueco foi aos arames quando Pedroto voltou a destapar o assunto doping. "Sem querer insinuar o que quer que seja, fomos descriminados mais uma vez. Houve controlo na Luz [3-1 para o Benfica]. Aqui já não houve. Nós pedimos, mas alguém recusou..." Sven-Goran reagiu. Com diplomacia mas ligeiramente incomodado. "Doping no Benfica só por cima do meu cadáver. Se alguma vez um jogador for dopado, aqui, no Benfica, ou sairá ele ou sairei eu." 

Também sem perder a pose, Pedroto contra-atacou. "O Benfica vai ser campeão? Sim, já o era antes de começar o campeonato. Na semana em que perdia pontos, os árbitros erravam contra nós. Num sábado, empataram no Bessa [2-2]. No dia seguinte, o Sporting-FC Porto acabou cirurgicamente 3-3, com dois penáltis para o Sporting. Sem esquecer que o Benfica veio jogar aqui às Antas como o Alcobaça [último classificado da liga]." Fim. Antes fosse. A confusão continua. Próximo capítulo: hoje, amanhã, depois, sábado, domingo...

 

Via Ionline



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Domingo, 10.10.10

 

 

 

Praça Luís de Camões. Este foi o ponto de partida para uma conversa com Nysse Arruda, jornalista brasileira a viver em Portugal há 19 anos, a propósito do lançamento do seu livro "Eléctrico 28 - Uma Viagem na História".

Em co-autoria com o prestigiado designer português Henrique Cayatte, que produziu a capa, e a fotógrafa Clara Azevedo, o livro narra a história de Lisboa, as suas praças e monumentos, mas também revela muitos segredos das suas ruelas estreitas e íngremes através de um percurso peculiar no "28".

O Expresso subiu a bordo desta máquina do tempo, de pintura amarela inconfundível, janelas abertas e interior forrado a madeira e napa, que parece ter saído de um filme.

O trajeto dura 37 minutos e estende-se entre Campo de Ourique (Prazeres) atravessando a Estrela, São Bento, Calçada do Combro, Praça Luís de Camões, Chiado, Baixa, Sé, Graça até chegar ao Martim Moniz, o seu destino final (ou ponto de partida dependendo de onde se decide embarcar).

Trata-se de "uma singela homenagem a Lisboa, esta maravilhosa cidade de luz e cor, de colinas e miradouros (...) mas também "um elogio a um dos ícones desta cidade", escreve Nysse Arruda. "É no balouçar sobre os centenários carris que os grandes vultos de Portugal ganham vida outra vez" e "as mais variadas gentes se encontram, recuperando a secular vocação multicultural de Lisboa".

"Eléctrico 28 - Uma Viagem na História" custa €27. Conta ainda com uma edição bilingue (inglês), sendo o primeiro registo de uma coleção da Imprensa Nacional-Casa da Moeda sobre as belezas de Lisboa.

É possível explorar a alma da capital, os seus cheiros e sabores, subindo e descendo do "28" quantas vezes quiser, durante todo o dia. O preço do bilhete é de €3,75. Para mais informações: http://www.carris.pt .

 

Via Expresso



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Domingo, 13.06.10

Young Mandela, a história por trás do homem

 

"Como pode um homem que cometeu adultério e abandonou a mulher e os filhos ser Cristo? O mundo inteiro gosta demasiado do Nelson. Ele é apenas um homem." Quando a libertação do símbolo da luta anti-apartheid na África do Sul foi descrita como a segunda descida de Cristo à Terra, em 1990, a indignação de Evelyn Mase, a enfermeira que levou Nelson Mandela ao altar pela primeira vez, passou despercebida. Ao procurar o verdadeiro Mandela, David James Smith, jornalista do "Sunday Times", percebeu que parte da história - contada na sua autobiografia "Long Walk to Freedom", publicada no ano em que se tornou o primeiro presidente negro da África do Sul (1994) - tinha sido voluntariamente omitida. Atrás do mito, havia um homem mulherengo, infiel, distante dos filhos, autoritário e para quem a violência doméstica não era um tabu. 

"Young Mandela" chegou ontem às livrarias britânicas e conta a vida imoral de um dos mais carismáticos estadistas da história. "Nelson Mandela foi um revolucionário em muitos sentidos, mas não como marido nem como pai", escreve David Smith em dois excertos da obra pré-publicados no "Times". "O meu ponto de partida foi: aqui está o estadista mais velho do mundo, talvez o mais amado e admirado da história recente, mas cuja vida de jovem guerreiro, que lutou contra o racismo, foi esquecida. Mal cheguei a Joanesburgo [em Agosto 2008], encontrei pessoas próximas de Mandela que me disseram: ele não é um santo e não se considera santo, tem falhas e fraquezas como toda a gente, e é sobre o ser humano que deves escrever", conta ao i o escritor. Em três meses, Smith procurou falar com todos os que conheceram o Mandela "real" , o que não consta em nenhuma biografia.

filho secreto Na terra de Madiba, como é conhecido entre os sul-africanos, corriam rumores que teria tido um filho secreto com uma activista do Congresso Nacional Africano (CNA). Ruth Mompati era professora e decidiu reformar-se e juntar-se a Mandela quando o regime do apartheid considerou que os "nativos" não mereciam educação adequada. Com o gravador em off, Mandela "não negou o caso mas disse claramente que não existiu nenhum filho", conta Smith. Porém, o jornalista ouviu outros testemunhos credíveis e, quando os dois filhos de Ruth morreram, num espaço de apenas quatro meses, só a morte de um deles apareceu num comunicado do CNA: Neo Matsoane, o filho mais velho, nascido a 25 de Abril de 1955 e falecido a 7 de Janeiro de 1998, morreu asfixiado com a própria língua. Para Smith, era filho de Mandela. "Aparentemente era parecido com o pai."

santo infiel Mompati Neo Matsoane não seria o único rebento oculto de Mandela, que oficialmente teve seis filhos (quatro da primeira mulher e dois da segunda, Winnie). Amigos de longa data do estadista asseguram que gostava de mulheres bonitas e teve várias "namoradas". A cantora e actriz Dolly Raethebe - dez anos mais nova - terá sido mais uma das suas conquistas, revela Smith.

O verniz estalou quando a primeira mulher começou a desconfiar das infidelidades do marido. Quando exigiu que Ruth não voltasse a entrar na sua casa, "Mandela ficou furioso. Mudou a cama para o salão. Tornou-se cada vez mais frio e distante", confidenciou Evelyn Mase à autora da sua biografia, Fatima Meer.

Mandela nunca o negou: sabia que não era santo. "Isso foi uma das coisas que me preocuparam - ter ascendido à posição de semideus - pois daí para a frente a pessoa não é mais um ser humano", afirmou Nelson Mandela num dos célebres discursos. Na autobiografia, Mandela atribui o fim do casamento à devoção religiosa de Evelyn, testemunha de Jeová, que queria que Mandela fosse mais comprometido com Deus do que com a causa política anti-racista. 

Homem violento? É aqui que aparece a faceta mais inesperada do mito em "Young Mandela": a de agressor. No processo de divórcio a que David Smith teve acesso, Evelyn acusa Mandela de a ter abandonado em Fevereiro 1955 e, desde então, a ter "maltratado cruelmente e agredido repetidas vezes", inclusive com uma tentativa de homicídio por estrangulamento, o que a levou a procurar refúgio junto dos vizinhos. Reclamava a custódia das crianças, pensão e bens do casal. Mandela negou as agressões: tinha sido Evelyn a abandoná-lo quando foi detido após o histórico congresso em que divulgou os princípios da "Carta da Liberdade". Em Novembro 1956, Evelyn retirou--se do processo. Sem explicações. Ao i, Smith explica que "foi um arranjo de conveniência, com Mandela a tentar não tirar as crianças à mulher". "Estas alegações podiam ter sido politicamente inábeis no momento em que ganhava proeminência como líder da CNA." Verdade ou mentira, nas páginas da imprensa, seria certamente um escândalo.

Smith não confirma qual é a versão mais próxima da verdade, mas defende Mandela: "Muitos dos piores momentos ocorreram nos tempos de maior stresse, quando lutava contra a pobreza para sustentar a família e contra os educadores racistas que achavam que um homem negro não era apto para ser advogado de renome. Foi quando se envolveu profundamente na luta contra o apartheid, com prisão e perseguição policial à mistura. Nestas circunstâncias, a sua sobrevivência é um testemunho de grande coragem e dignidade."

O livro revela ainda relações muito tensas entre a primeira e a segunda família de Mandela, que é descrito como autoritário pela segunda mulher, Winnie. Condenava todas as acções do segundo filho Makgatho. "Era gélido [com os filhos]. Não é pessoa de dizer 'amo-te'. É um africano e mostrar sentimentos seria uma fraqueza que não pode demonstrar", conta no livro Ndileka, filha do primeiro herdeiro de Mandela - Thembi. Makgatho acabaria por morrer de sida. "Às vezes, é mais fácil mostrar-se para estranhos do que para os mais próximos. Pode ser um líder mundial, mas não pode segurar a mão do filho quando está a morrer ou abraçar a neta", diz Smith.

E mesmo que não tenha dado sinais de remorsos, o autor defende-o: a luta pela liberdade exigiu grandes sacrifícios a Mandela e a família pagou um preço elevado. Mandela fará 92 anos em Julho e, no Outono da vida, "incentiva os netos a explorar a história da família. Espero que o livro possa juntar as duas famílias e há sinais de isto estar a acontecer".

 

Via Ionline



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Segunda-feira, 26.04.10

sexo,mentiras e violência na história de Portugal

 

Como escreve Ferreira Fernandes no prefácio de "Histórias Rocambolescas da História de Portugal", o autor João Ferreira "tem formação de historiador e prática de jornalista". No livro que é hoje lançado no mercado contam-se e desmistificam-se "histórias misteriosas e fantásticas de Portugal", como a do filho que afinal não bateu na mãe - ou seja, D. Afonso Henriques. Mas também a vida de Viriato, o pastor salteador e general que não nasceu na serra da Estrela, mas algures entre o Alentejo, a Extremadura espanhola e a Andaluzia. E muito mais: sexo, mentiras e violência, de Afonso Henriques à actualidade, incluindo Salazar, o 25 de Abril e o PREC. O i escolheu sete episódios dos muitos que pode ler nesta obra publicada pela Esfera dos Livros

Viriato Pastor, salteador, general, quem foi afinal o chefe dos lusitanos que desafiou o poder de Roma?

Viriato não nasceu nos montes Hermínios (serra da Estrela) nem era um humilde pastor. Na verdade, vivia bem mais para sul, entre os actuais Alentejo, Extremadura espanhola e Andaluzia. Seria filho de um chefe tribal (Comínio) e casou com a bela Tongina (ou Tangina), filha de um rico proprietário da Bética (Andaluzia) chamado Astolpas - cujas ofertas, por altura do casamento, recusou. O nome Viriatus é de origem celta e significa aquele que usa viria (pulseiras ou braçadeiras de metal) nos braços. Como não era o primogénito, não herdou os bens do pai: optou por ser salteador como modo de vida, o que lhe permitiu ganhar experiência guerreira. Foi por isso que os historiadores greco-romanos - Apiano de Alexandria, Floro, Possidónio, Dião Cássio - lhe chamaram dux latronorum (chefe de ladrões), sempre elogiando, no entanto, a sua bravura, lealdade e capacidade de liderança: de pastor a guerrilheiro e a general. Em 139 a.C. o senado romano rompeu as tréguas e enviou à Hispânia Ulterior o general Quinto Servílio Cipião, que após uma ofensiva vitoriosa obrigou Viriato a negociar a paz. O chefe lusitano enviou três emissários - Audaz, Ditalco e Minuro -, que foram aliciados por Cipião e acabaram por assassiná-lo. Os três amigos desleais pediram a Cipião a recompensa prometida, mas terão ouvido a resposta: "Roma não paga a traidores."

D. Afonso Henriques Afinal o filho não bateu na mãe

Um dos mais conhecidos episódios da História de Portugal relaciona-se com o facto de D. Afonso Henriques ter batido na mãe, D. Teresa. Contudo ficou provado que a origem de tal mito deverá ser atribuída à historiografia portuguesa, através da IV Crónica Breve de Santa Cruz de Coimbra. Estaria tudo certo - se a "maldição" não tivesse sido posta na boca de D. Teresa muitos anos depois da batalha de S. Mamede e do desastre de Badajoz. Na verdade, a derrota da mãe saldou-se por uma retirada com toda a segurança para as terras dos Trava, em Límia, na Galiza, onde D. Teresa acabou por morrer em 1130. Nem o filho bateu na mãe nem ficou zangado com o padrasto galego.

D. Sancho II Frouxo no trono e na cama

Se o pai, D. Afonso II, passou à história como "gafo" (leproso), as mazelas de Sanchoteriam sido do corpo e da alma. Embora ninguém pudesse contestar a sua valentia como chefe militar - aumentou o território nacional através da conquista de um número significativo de castelos e cidades aos mouros -, ganhou a triste fama de mau rei, governante incapaz, marido impotente e enganado pela mulher. (...) O mal-estar geral aumentou quando o rei se casou, já na década de 1240, com uma nobre espanhola, D. Mécia Lopes de Haro (1210-1270 ou 1271), de quem ainda era primo. A nova rainha era filha do poderoso senhor da Biscaia, Lopo Dias de Haro, por alcunha "o Cabeça Brava", e de D. Urraca, filha bastarda do rei Afonso IX de Leão e meia-irmã de Fernando III de Castela. D. Mécia já tinha sido casada, mas ficara viúva muito jovem. D. Sancho, encantado com a beleza da sua rainha, encheu-a de riquezas, fazendo-a senhora de Torres Vedras, Sintra, Ourém, Abrantes, Penela, Lanhoso, Aguiar de Sousa, Celorico de Basto, Linhares, Vila Nova de Cerveira e Vermoim. O povo, que vivia na miséria, passou a odiar a rainha - estrangeira, bela e rica. O casamento entre parentes próximos era frequente nas cortes ibéricas da Reconquista: bastava obter do Papa a "dispensa de consanguinidade". Mas os nobres e bispos aproveitaram para dar novo fôlego à conspiração contra o rei. Escreveram ao Papa a denunciar a situação e em Fevereiro de 1245 Inocêncio IV declarou nulo o casamento e ordenou que o casal "empeçado" (ilegítimo) se separasse. Mal soube que D. Mécia fora levada para o castelo de Ourém, D. Sancho reuniu um pequeno exército para ir libertá-la. A vila foi cercada e o rei preparava-se para recuperar a mulher - quando ela se recusou a voltar para ele, assumindo a adesão ao partido de D. Afonso. O escândalo foi tremendo. D. Mécia foi acusada de ter anuído ao rapto, em conluio com o cunhado D. Afonso. Pior: a recusa em voltar para o marido, associada ao facto de não haver filhos do casamento, deu origem ao rumor de que D. Sancho era impotente. 

D. Afonso V Matou o sogro e tio D. Pedro

O exército real pôs-se a caminho de Coimbra e parou em Santarém. D. Pedro juntou as suas tropas e, a 5 de Maio, partiu de Coimbra. Apesar de saber que o rei estava em Santarém, dirigiu-se a Lisboa. Informado da marcha do tio e sogro, D. Afonso V também se encaminhou para a capital. Os dois exércitos encontraram-se junto à ribeira de Alfarrobeira, nas cercanias de Alverca, no dia 20 de Maio. As tropas do rei, muito superiores, esmagaram os partidários de D. Pedro, que morreu em combate, aos 56 anos. Com ele tombou o seu amigo D. Álvaro Vaz de Almada, conde de Avranches, que, perante o ataque inimigo, teve um desabafo que passou à história: "Fartar, vilanagem!" A crueldade adolescente de D. Afonso V, à data com 17 anos, foi ao ponto de recusar sepultura ao corpo do tio e sogro. Os familiares e partidários de D. Pedro foram perseguidos e espoliados. Só devido à pressão do duque de Borgonha, casado com D. Isabel de Portugal (irmã de D. Pedro e tia do rei) é que os filhos do ex-regente puderam sair do país em segurança. Um viria a ser cardeal (D. Jaime), outro conde de Barcelona (D. Pedro) e outro ainda rei de Chipre (D. João).

D. João V Um rei viciado em sexo no convento

Obcecado por freiras e viciado em afrodisíacos, D. João V reconheceu ser o pai dos "Meninos de Palhavã". Entre as suas inúmeras amantes, uma ficou especialmente conhecida nos anais da nossa História: madre Paula, uma freira do convento de Odivelas que viu a sua simples cela ser transformada nos aposentos dignos de uma rainha. "D. João V perdia a cabeça por todas as mulheres", escreveu o historiador Oliveira Martins, "mas a sua verdadeira paixão estava em Odivelas, no ninho da madre Paula". D. João V, que ficou para a história como "o Magnânimo", teve o cuidado de sublinhar naquela declaração que os seus filhos eram de "mulheres limpas de todo o sangue infecto" - isto é, as amantes reais não eram judias nem mouras nem negras. O mais velho era filho de D. Luísa Inês Antónia Machado Monteiro, o do meio de Madalena Máxima de Miranda e o mais novo de Paula Teresa da Silva, a célebre madre Paula do convento de Odivelas. Os dois últimos foram resultado de uma moda espalhada pela Europa ocidental nos séculos XVII e XVIII: os amores ilícitos entre nobres e freiras. O rei ia a Odivelas quase todas as noites - mas não era para rezar. D. Francisco de Mascarenhas, conde de Cucolim, teve um desabafo perante essa fraqueza do monarca: "Ali perde a vergonha."

D. Maria I Rainha louca para um país de doidos

Maria I (1734-1816), a primeira mulher que governou Portugal, ficou conhecida como a rainha louca. Se D. Maria, que tinha 42 anos quando subiu ao trono, não era propriamente uma mulher bela, o rei consorte, esse então era considerado ainda mais feio do que Carlos III de Espanha - e este era conhecido como um dos homens mais feios da Europa do seu tempo. À falta de atractivos físicos aliava D. Pedro III a pouca inteligência. Na corte puseram- -lhe a alcunha do "capacidónio": era uma das suas palavras preferidas e com ela se referia às pessoas a quem tencionava atribuir um cargo, depois de ter apanhado de ouvido que alguém era "capaz e idóneo" para determinado emprego... As notícias da revolução francesa foram encontrar D. Maria I num estado de grande fragilidade. Acabou por perder completamente o juízo. No princípio de 1792, a rainha foi sangrada e levada a banhos mas, no dia 10 de Fevereiro, os mais prestigiados médicos do reino assinaram um boletim confirmando que "a saúde de Sua Majestade no estado em que se acha" não lhe permitia ocupar-se dos assuntos de Estado. Tinha 57 anos e estava oficialmente louca.

Oliveira Salazar O ditador que caiu da cadeira

Passava das quatro da madrugada de 7 de Setembro de 1968 quando a equipa médica chefiada pelo neurocirurgião Vasconcelos Marques começou a trepanar o crânio do presidente do Conselho Oliveira Salazar, o doente do quarto n.º 68 da Casa de Saúde da Cruz Vermelha, em Lisboa. "Aberta a meninge, logo jorrou sangue: tratava-se em verdade de um hematoma intracraniano subdural crónico, situado no hemisfério esquerdo", conta o biógrafo de Salazar, Franco Nogueira, ao tempo ministro dos Negócios Estrangeiros. A operação correu bem. Drenado o hematoma, o doente iniciou uma lenta recuperação, perante a expectativa do país. Só nesse dia os portugueses souberam que o homem que os governara com mão de ferro nos últimos 40 anos (Salazar tinha tomado posse como ministro das Finanças em 1928) estava doente. Um mês antes, a 3 de Agosto, Salazar, então com 79 anos, dera uma queda no Forte de Santo António do Estoril, onde passava o Verão. Distraído a ler o "Diário de Notícias", deixou-se cair pesadamente numa cadeira de lona, que se desconjuntou. A cabeça do chefe do governo bateu, desamparada, no chão de pedra. Levantou-se quase de imediato, ajudado pelo calista Augusto Hilário, perante a surpresa da governanta Maria de Jesus Freire. A célebre D. Maria quis chamar logo o médico, mas Salazar proibiu-a e ordenou a Hilário que não contasse a ninguém o que acontecera.

 

Via Ionline



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Quinta-feira, 10.12.09

A vida sexual na grécia

 

"Os gregos eram tudo menos hipócritas", a frase é de Nikolaos Stampolidis, director do Museu de Arte Cicládica, na Grécia, e foi dita ao "The Guardian" durante a inauguração de uma exposição que reúne perto de 300 objectos de arte clássica que têm em comum apenas um tema: o sexo na Grécia antiga.

“ [Os gregos] tinham uma sociedade de grande tolerância e ausência de culpa", explica o  responsável pela exposição. "Tinham aquilo que eu chamo de equilíbrio." 
A exposição monumental junta 272 objectos de mais de 50 museus internacionais que datam desde o século sexto antes de Cristo, até ao século quarto depois de Cristo.
"O conceito de Eros - o amor - era muito amplo nos tempos antigos", disse o arqueólogo ao jornal britânico. "O desejo sexual, naturalmente, fazia parte, mas Eros era mais do que isso, era uma força unificadora que englobava o desejo de alguém, ou mesmo de nada."
A exposição surge, assim, como uma tentativa de definir a evolução do conceito de Eros. Dividida em nove partes, a exposição percorre a época em que Eros era visto como um Deus poderoso, até à época do Império Romano, quando, "menos poderoso, e sob o nome de Cupido, se tornou uma mera companhia de Venus", escreve o "The Guardian".

 

Via ionline



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Terça-feira, 24.11.09

 

Padre foge com miuda de 18 anos

 

 É uma história de amor digna de um filme e aconteceu em Portugal.

A população de Celorico de Basto está dividida depois de o padre Rui, ordenado em Julho do ano passado, ter fugido com Fátima no dia em que a rapariga fez 18 anos.

Os dois desapareceram no final da semana passada, no que muitos acreditam ser uma escapadela de amor: o jovem terá pedido permissão à família afectiva de Fátima para se casarem, mas o pedido foi recusado. Em desespero de causa, Rui e Fátima fugiram para Espanha.

Rui, de 26 anos, deixou uma carta de despedida ao arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga.

O paradeiro do casal continua desconhecido.

Via Ionline



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