Domingo, 21.11.10

Bares de Lisboa com assinatura

 

Luís Pinto Coelho criou e decorou quatro espaços emblemáticos da capital. Só ficou com o Pavilhão Chinês, mas quer abrir mais um

 

 

Luís Pinto Coelho, de 77 anos, ainda costuma trazer peças para decorar o Pavilhão Chinês, bar que abriu no lugar de uma mercearia com esse nome em 1986. "Tem alguma coisa velha em casa que lhe possa comprar?", pergunta ao i num tom irónico, depois de pendurar uma caneca no tecto, perto do balcão, talvez o único sítio disponível no bar cheio de tralha. Foi assim, a perguntar a amigos e conhecidos, que conseguiu muitas das peças que lá estão. Outras, como a colecção de figuras de Zé Povinho e de Action Men, chapéus militares, aviões e até um guarda do Palácio de Buckingham em tamanho quase real, arranjou-as em antiquários e feiras de velharias. O antigo decorador e gestor hoteleiro não gosta de dar entrevistas. "Não sou daqueles que gostam de se promover", responde sem muita paciência. Nem precisa. 

Os quatro bares que inaugurou e decorou em Lisboa - Procópio, A Paródia, Fox Trot e Pavilhão Chinês - continuam cheios sem que nunca tenha sido preciso fazer publicidade. "O segredo é o bom serviço", diz António Pinto, de 56 anos, um dos actuais sócios do Pavilhão Chinês e funcionário do bar desde a inauguração. "Noutras casas é tudo à balda."

Há um ano e meio, Luís Pinto Coelho ainda era visto com frequência no Pavilhão Chinês, o último bar que criou em Lisboa e o único que não vendeu. Foi nessa altura que, nas palavras de António, "cedeu uma posição" a três funcionários agora encarregues do negócio. Embora ainda seja proprietário do bar, só lá vai de vez em quando e passa a maior parte do tempo na sua casa em Sintra.

"Trabalho com ele há 34 anos", continua António. "Comecei a ajudá-lo [no bar A Paródia] quando morava em Campo de Ourique e depois fui para o Fox Trot [o terceiro a ser inaugurado, em 1978]." Segundo António, criar e decorar outros bares sempre "foi uma coisa dele"."Havia uma altura em que achava que era bom vender e partia para outra."

O Procópio foi o primeiro espaço em Lisboa fundado por Pinto Coelho, em 1972, e depressa começou a ser frequentado por figuras como Mário Soares, Sá Carneiro ou Raul Solnado. "Durante os tempos escaldantes da revolução, era por aquelas noites que no Procópio tudo acontecia", lê-se no livro lançado em 2007 para comemorar 35 anos do bar. "Jornalistas infiltrados faziam fila à espera de chegarem ao telefone para informarem o director de tudo o que ali se cochichava." Alice Pinto Coelho, ex-mulher de Luís e mãe dos seus três filhos (duas raparigas e um rapaz), gosta de recordar esses tempos ao balcão do bar perto do Jardim das Amoreiras. Quando se separaram, pouco depois de abrirem o bar, foi ela quem ficou com o espaço, enquanto o ex-marido já tinha a cabeça n''A Paródia.

Inaugurada em Campo de Ourique a 27 de Abril de 1974, começou como loja de antiguidades onde Pinto Coelho recebia os amigos. Um ano depois, era transformada no bar "A Paródia" - com nome e decoração inspirados pela revista de sátira de Rafael Bordalo Pinheiro. Além dos quadros com ilustrações, as paredes do bar estão cheias de caixas de fósforos. "Era aí que os clientes costumavam deixar moedas para usarem quando cá voltassem e não tivessem dinheiro", explica Filipa Carlos, de 34 anos, a actual proprietária. "Quando arrastamos os móveis e descobrimos moedas de escudos ainda costumamos pô-las dentro das caixas."

Ao i, Pinto Coelho disse estar a "pensar abrir outro bar em Lisboa com o António [Pinto, seu sócio no Pavilhão Chinês] no próximo ano". A julgar pelos seus bares anteriores podemos adivinhar alguns pormenores: é preciso tocar à campainha para entrar, estará cheio de antiguidades e a cerveja nunca custa menos de 3 euros.

 

Procópio

Foi o primeiro bar criado por Luís Pinto Coelho, em 1972. Poucos anos depois de o  inaugurar, deixava-o nas mãos da ex-mulher, Alice Pinto Coelho (em destaque na foto), que ainda hoje é proprietária e costuma estar ao balcão de uísque na mão, como se estivesse em casa.

Onde: Alto de S. Francisco, 21- A (Jardim das Amoreiras). Quando: de 2.ª a 6.ª das 18h às 3h; sáb. das 21h às 3h

Fox Trot

Abriu em 1978, mas só os móveis e os empregados são dessa altura. A clientela é cada vez mais jovem e todas as noites há uma bebida em saldo, a 4 euros, geralmente acabada em “oska”. Tem um jardim interior, wireless e salas onde se pode fumar. A melhor nesta altura é a da lareira. Onde: Tv. de Sta. Teresa, 28. Quando: Todos os dias, das 18h às 3h; 6.ª e sáb. até às 4h

A Paródia

De todos os bares fundados por Luís Pinto Coelho é o único onde os empregados não estão fardados. Os actuais proprietários são simpáticos e dão boas sugestões de cocktails – aliás, além das bebidas clássicas, a lista está sempre a ser renovada. Numa das salas apertadas, onde outrora existia uma tela onde eram exibidos filmes de Charlie Chaplin, existe um piano, onde quem sabe tocar se pode exibir. Foi inaugurado dois dias depois da Revolução de 1974 como loja de antiguidades. Muitas delas ainda sobrevivem nas paredes.

Onde: Rua do Patrocínio, 26-B; Quando: Todos os dias, das 22h às 2h

Pavilhão Chinês

Vale mais como museu do que como bar. Apesar das mesas de snooker e da lista de mais de cem cocktails e chás, o que chama mesmo a atenção é a quantidade de tralha nas paredes. Há brinquedos, chapéus, canecas, uma colecção de Action Men e toda a parafernália que se possa imaginar. O bar abriu em 1986 no espaço de uma antiga mercearia. É o único que ainda pertence a Luís Pinto Coelho, embora já tenha cedido parte do negócio a três funcionários. Não espere simpatia no atendimento.

Onde: Rua Dom Pedro V, 89. Quando: 2.ª a sáb. das 18h às 2h; domingo  das 21h às 2h

 

Via Ionline



publicado por olhar para o mundo às 14:51 | link do post | comentar

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