Quinta-feira, 18.03.10

 Entre lantejoulas, perucas e batons berrantes, vi-me dentro dos bastidores de um espectáculo travesti ao fazer a reportagem "Transformismo: Quando eles são elas". À minha frente dois homens que percebiam mais dos truques femininos do que eu: Realçavam majestosamente o peito (que não possuem), adelgaçavam a cintura, escondiam pêlos, aumentavam as maçãs do rosto, pintavam-se com uma destreza que nunca eu serei capaz de ter. Conhecem de trás para a frente as cores da moda e sabem imitar os jeitos mais sensuais das divas da música.

 

Eu, que sempre me tinha achado uma mulher 97% feminina (gosto de rir alto, dizer palavrões de vez em quando e beber umas belas imperiais no verão... lá se vão 3%), revi em fracções de segundos a minha falta de jeito para muitas destas coisas. Afinal, qual de nós seria mais mulher se fossemos a um concurso de perguntas sobre moda e beleza? Seria eu o elo mais fraco, estou certa.

"Gosto muito do que Deus me deu"

 

Ricardo e Miguel, que em palco são Luna e Sylvie Kass
Ricardo e Miguel, que em palco são Luna e Sylvie Kass
 

Contudo, e talvez para minha surpresa, nenhum deles ansiava ser mulher. "Gosto muito do que Deus me deu... ser mulher era uma carga de trabalhos", dizem-me entre risos. Fora do palco são irreconhecíveis. Homens da cabeça aos pés... só as unhas compridas deixam os mais atentos ficar na dúvida.

Falam-me do preconceito, dos altos e baixos de uma profissão que nem sempre os compensa economicamente. Mas a "satisfação" e "libertação" sentidas em palco parecem compensar. São transformistas de profissão... mas também de coração.

Pedem-me para sair na hora de vestir. Há truques para ocultar a sua masculinidade que exigem privacidade... e devem permanecer como segredos bem guardados. Vejo-os novamente em cima do palco, agora na pele de "Sylvie Kass" e "Luna". Na plateia estão homens, mulheres, casais hetero, casais homossexuais, grupos de despedidas de solteiros, fãs habituais. O ambiente é divertido e não há ninguém que não bata palmas. Já eu, aplaudo de pé o profissionalismo com que se transformam em mulheres e a dgnidade com que remam contra a maré da discriminação.

Via A vida de saltos altos

 



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