Segunda-feira, 27.02.12
Sugestões low-cost para entreter crianças em dias de sol  Ler mais: http://aeiou.expresso.pt/sugestoes-ilow-costi-para-entreter-criancas-em-dias-de-sol=f706764#ixzz1nWX0y4AN

Tal como indicava o anúncio a uma conhecida bebida gaseificada, em Portugal por cada dia que chove há não sei quantos outros em que faz sol. Diria que neste inverno em particular esta estatística não poderia estar mais certa. Se já não me recordo do último dia em que choveu (alguém me dizia há dias a brincar que deve ter sido em 1991) e se tudo isto me parece altamente prejudicial para a agricultura, para a pecuária e afins, já não me parece tão prejudicial para quem, como eu, odeia dias cinzentos.

 

Sim, oficialmente odeio dias cinzentos. O argumento "é tão bom estar em casa enrolada na mantinha enquanto chove lá fora" para mim não cola. Se eu tivesse de fugir para um país qualquer seria certamente para um onde houvesse mais sol que em Lisboa (e sim, eu sei que Londres é espetacular mas é ainda melhor quando faz sol).

 

Mas acalmem-se almas desassossegadas que a crónica desta semana não é sobre o Sol mas sim sobre uma panóplia de ofertas que temos na capital para aproveitar dias frios e cheios de sol onde, não dando para ir à praia, dá pelo menos para sair de casa. E a situação torna-se particularmente sensível para quem tem crianças e precisa de urgentemente as retirar da frente do iPad, do televisor ou da cozinha cheia de bolos.

 

As desculpas como "temos pouco dinheiro" ou "eu nem sequer vivo em Lisboa" terão de ficar em casa. Algumas das sugestões são grátis ou a custo reduzido e Lisboa fica no máximo a 300 quilómetros de distância de onde está (uma viagem de comboio pode saber a férias numa temática "Viagens pela minha terra"), em alternativa, poderá sempre encontrar programas semelhantes perto da sua casa. Inspire-se e saia com as crianças para aproveitar o sol de inverno português.

 

Alerta: crianças para entreter!

Planetário de Lisboa - Tenho-o no coração e planeio regressar lá em breve (mesmo sem crianças). Aos domingos de manhã há sessões infantis até aos 12 anos. Entrada grátis.

 

Monumentos - O que não falta são monumentos em Lisboa para explorar com as suas crianças. Reveja as aulas de História com eles, faça pequenos passatempos e adivinhas para estimular a aprendizagem. Se acabou de sair do Planetário tem ali mesmo ao lado o Mosteiro dos Jerónimos. Num dia de sol, suba ao Padrão dos Descobrimentos (grátis para crianças até aos 12 anos) ou leve-os ao Cristo-Rei (2 euros por criança até aos 8 anos).

 

Jardins - Há uma infinidade de jardins em Lisboa onde se pode divertir com eles. Corram, dancem, cantem, façam jogos. Os jardins urbanos são um grande recreio para eles no meio do betão. Dependendo de onde mora, até poderá fazer o caminho a pé ou de transportes públicos: O da Gulbenkian (um mundo inteiro para descobrir com pequenos recantos, lagos e animais como patos, rãs e peixes),o Jardim da Estrela (com um relvado muito agradável e uma aranha que os vai fazer sentir autênticos super-heróis e queimar a energia), o do Campo Pequeno (um clássico renovado com espaço e instrumentos para mil brincadeiras), o Parque das Conchas (no Lumiar, para correrem à vontade)... A verdade é que são tantos que seria impossível nomeá-los todos aqui. Procure e descubra!

Para a família toda


Castelo de São Jorge: Visitas em Família: Trata-se de uma visita de exploração do castelo e do núcleo arqueológico, para maiores de 5 anos. Uma descoberta completa da História, das personagens e do património português. Próxima visita: amanhã, domingo, dia 26 de fevereiro às 11 horas. Valor: 3,5 euros. Para mais informações: castelodesaojorge@egeac.pt 

 

 

Centro Cultural de Belém: Mercadinho dos Talentos. A realizar-se no próximo 17 de março entre as 11h e as 17h no Jardim das Oliveiras. É um palco onde qualquer criança pode mostrar o seu talento! Podem apresentar projetos de dança, música, poesia, teatro... a imaginação é o limite! A entrada é livre! Para mais informações: www.ccb.pt 

 

Espaço Monsanto - Tesouros da Floresta: Para crianças entre os 3 e os 5 anos. Várias atividades que incluem a exploração do ambiente natural e recolha de material. Uma ótima forma de estimular a imaginação na natureza, respirar ar puro e ainda terminar o dia com (porque não?) um piquenique. A realizar-se sábados e domingos. Para mais informações: lisboaverde.cm-lisboa.pt/

Teatro, cinema e cultura: torne o programa inesquecível

As Aventuras de João Sem Medo: Para maiores de 6 anos, até 29 de fevereiro no Teatro Nacional D. Maria II . Um imaginário de gigantes, princesas, príncipes e fadas que não os vai deixar indiferentes. Mais informações em www.teatro-dmaria.pt

 

Cinemateca Júnior: Aqui poderá assistir a um sem número de filmes infantis, especialmente de animação, que eles irão adorar. Sugiro "Alice no País das Fadas", mas poderá encontrar muitos e muitos outros, para os gostos de qualquer criança. Os bilhetes variam entre os 3,2€ (adultos ) e os 1,10€ (até 16 anos). Para mais informações visite a Cinemateca Júnior no Palácio Foz nos Restauradores.

 

Marioneta Chinesas - Convento das Bernardas: aqui esconde-se um museu que vai fazer as delícias dos seus pequenos. O Museu das Marionetas. Assista a uma pequena peça de teatro de sombras chinesas com marionetas. Explique-lhes que as sombras chinesas são provavelmente uma das tradições de marionetas mais antigas do mundo e a sua origem deverá remontar o século III D.C.

 

Aproveito para lhe lembrar outro artigo que publicámos aqui, no blogue A Vida de Saltos Altos, com uma lista de sugestões para brincadeiras com crianças, também com a poupança como prioridade: Como entreter os filhos de borla? Digo-vos aqui e agora .


Agora diga lá: se até eu, que não tenho crianças, consegui encontrar todas estas atividades, quantas você (que é a especialista) consegue encontrar? Garanto-lhe que muitas mais. Aproveite o fim de semana, o sol e divirta-se com eles. Olhe que crescem num instantinho!

 

Via A Vida de Saltos Altos



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Quarta-feira, 29.12.10

Sexo, os homens gostam das mandonas?

 

Tudo bem, a gente assume. Adora dar aquela controladinha básica na relação.

 

Mas, e quando são eles que gostam de obedecer, o que a gente pode fazer? Nada, a não ser aproveitar, claro. Brincadeiras a parte, existe todo um mistério envolvendo os homensque adoram as mandonas. Elas dão ordem, bronca, impõe limites. E eles se deliciam com tanta imposição. 

Segundo a psicóloga Mara Lúcia Madureira, existem mais homens que gostam de mulheres que exercem domínio na relação, as chamadas fêmeas alfas, do que os que assumem. "Essas mulheres são aquelas que encaram os desafios, seguram as pontas, ditam as regras e lideram o relacionamento", define. "Apesar de não assumirem, muitos homens não se incomodam quando a mulher decide sobre aspectos do relacionamento, como aonde ir, o que comprar ou que assumem obrigações com a casa, os filhos, as roupas que serão compradas para o marido", completa a psicoterapeuta Sabrina dos Santos Patto.

 

Mara explica que os motivos para que esses homens busquem esse tipo de relação é bem variável. Há aqueles com perfil de liderança, que podem escolher mulheres dominantes por afinidades, identificação ou admiração. Mas existem outros que procuram mulheres com tais características para assumir as responsabilidades que eles próprios evitam. "Esses não querem assumir grandes encargos e preferem delegá-los a uma mulher disposta a cumprir o papel de provedora na relação", diz. Há ainda os que adotam o papel de vítima, se fazem de mártir, num modelo de relacionamento no qual não conseguem exercer seus próprios direitos. Complexo, né?

O ambiente, os modelos familiares e as relações estabelecidas ao longo da vida contribuem para a formação de comportamentos passivos, mas não são determinantes exclusivos do padrão de personalidade. "Se o homem tem uma educação muito rígida, tem uma figura materna muito forte, que comanda a casa, pode se tornar um homem que terá dificuldades em se posicionar, em dizer o que pensa ou suas preferências, abrindo caminho para mulheres que gostam de assumir o controle", diz Sabrina. "Mas existem outros fatores, como a acomodação e a vontade de permanecer num nível de funcionamento que não exige demasiados esforços e comprometimento", ressalta Mara Lucia.

No caso de homens muito inseguros, gostar de mulher que ‘manda’ pode significar submissão. Mas, como lembrou a Maria Lúcia, pode significar comodismo ou ainda isenção de responsabilidade. "A submissão acontece quando o homem não concorda com o que está sendo decidido, mas não consegue dizer", explica Sabrina. "Quando ele ‘aproveita’ para se ver livre de tomar decisões e não há conflito, não é submissão".

Para ganhar voz numa relação onde só a mulher manda, por exemplo, é preciso, primeiro de tudo, querer. Uma vez atingido níveis insuportáveis na relação é preciso buscar a origem do problema e reverter tal situação. Uma saída é estabelecer novos limites e regras para o convívio. "Isso pode e deve ser feito de forma respeitosa, através de diálogos francos e objetivos, sem o homem assumir o papel de vítima. O homem deve dizer com clareza que está cansado do modo como o relacionamento foi conduzido até o momento, quais mudanças espera alcançar e a importância de tais modificações para tornar a relação suportável e sustentável", sugere Mara Lúcia.

 

Se a mulher muito mandona quer dar mais espaço ao amado passivo (e até estimulá-lo) precisa, antes de tudo, se conscientizar da importância do respeito aos direitos do dele. Uma ideia é sempre perguntar sua opinião na hora de tomar uma decisão ou delegar alguma atividade para ele fazer e não ficar perguntando se já foi feita ou como foi feita. "É preciso compreender que um casamento é a união de duas vidas com objetivos comuns, na qual se busca reunir esforços para alcançá-los, não um regime ditatorial ou tirania, em que um manda e o outro obedece".

 

Via Vila dois



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Quarta-feira, 24.11.10

População portuguesa cresce graças aos imigrantes

 

O número de nascimentos diminuiu em Portugal em 2009 e o de óbitos aumentou, mas verificou-se um acréscimo populacional de cerca de 10 500 pessoas, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) relativos ao ano passado.

De acordo com as estatísticas demográficas de 2009, a população residente em Portugal a 31 de dezembro era de 10 677 713 pessoas, "valor que traduz um acréscimo populacional de 10 463 indivíduos".

Para este acréscimo contribuíram um saldo migratório positivo de 15 408 pessoas e um saldo natural negativo de 4 945.

Em 2009 nasceram 99 491 filhos de mães residentes em Portugal, menos 5 103 do que em 2008. No ano passado, registaram-se 104 434 óbitos de residentes em Portugal, mais 154 do que no ano anterior.

"A evolução da população residente em Portugal tem vindo a denotar um continuado envelhecimento demográfico, como resultado das tendências de aumento da longevidade e de declínio da fecundidade", refere o INE.

A 31 de dezembro do ano passado, a população residente em Portugal era constituída por 15,2 por cento de jovens, com menos de 15 anos, 17,9 por cento de idosos, pessoas com 65 e mais anos, e 66,9 por cento de população em idade ativa, entre os 15 e os 64 anos.

Em Portugal há 118 idosos para cada cem jovens.

Em 2009 realizaram-se 40 391 casamentos, menos 2837 do que no ano anterior, e foram decretados 26 464 divórcios, número até junho, mais 70 do que em 2008.

A idade média dos noivos continua a aumentar, situando-se em 2009 nos 33,4 anos para os homens e nos 30,8 anos para as mulheres. Em 2008 era de 32,6 anos e 30,1 anos, respetivamente.

 

Via Ionline



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Segunda-feira, 27.09.10

Saiba como poupar

 

Olhar mais para os preços e comprar apenas o que é necessário foi a solução encontrada por Sílvia Reis para fazer face ao aumento dos preços e a um orçamento familiar cada vez mais apertado. "Comecei a reparar que sempre que ia ao supermercado deixava centenas de euros, mas, analisando bem os produtos que comprava, facilmente verificava que grande parte deles eram dispensáveis e eram esses que encareciam a factura", revela ao i

A verdade é que este não é um caso isolado. Muitas famílias portuguesas têm de lidar com um orçamento cada vez mais asfixiante e foram obrigadas a mudar de hábitos e a tomar decisões de forma mais equilibrada para tornarem o seu dia-a-dia mais fácil. Alguns truques já são usados pelos consumidores há algum tempo, mas há pequenas soluções pelas quais pode optar e que às vezes são esquecidas [ver caixas]. 

Determinados pequenos gastos diários podem parecer insignificantes, mas ao fim do mês fazem toda a diferença. É o caso do pequeno-almoço fora. Mas vamos a números: gastar 2,5 euros por dia numa pastelaria parece pouco, mas ao final do mês - tendo em conta apenas 22 dias úteis - traduz-se num gasto de 55 euros.

"Uma das primeiras despesas que cortei depois de ter tomado a decisão de ir morar sozinho foi o pequeno-almoço na pastelaria da rua", conta Rui Pereira. "Comecei a fazer contas e vi que era insuportável manter todos os ''luxos'' a que estava habituado. Acabar com este foi um dos cortes mais fáceis e fez toda a diferença para equilibrar o orçamento diário", salienta. 

A verdade é que seria desejável que esses cortes fossem aplicados de forma mais geral. Por exemplo, tentar pôr de lado o preconceito e começar a levar almoço para o trabalho, reduzindo ao mesmo tempo os jantares fora. Vai ver que, ao fim do mês, esses valores que conseguiu poupar vão fazer toda a diferença. 

Outro truque usado por muitos consumidores passa por aproveitar as épocas de saldos para comprar os produtos e peças de vestuário desejados. Há lojas que chegam a oferecer reduções que podem chegar aos 70%. Por outro lado, evite comprar a roupa toda de uma vez e sempre que possível divida as compras e os gastos com o vestuário por meses e por cada pessoa do agregado familiar. Ou seja, se este mês comprou roupa para si, só no próximo mês é que deve comprar para os restantes elementos do agregado familiar. 

Férias Não é só no dia-a-dia que as despesas têm de ser vistas à lupa. O planeamento das férias não pode ficar para segundo plano. Organizar a viagem com antecedência pode traduzir-se numa poupança significativa. Quem não consegue planear a sua vida "a tempo e a horas" pode optar por viajar em companhias de baixo custo (low cost) ou pelas ofertas de última hora. Neste último caso, deve ter flexibilidade nas datas. Pode também optar por comprar as viagens pela internet - por vezes consegue--se boas promoções.

 

Algumas soluções para poupar no dia-a-dia

1. Casa Há sempre pequenos truques para poupar nas contas da água, da luz e do gás. Utilize lâmpadas fluorescentes e economizadoras, desligue sempre os aparelhos – em modo standby gastam energia. Faça uma simulação no site da EDP para verificar que tarifário mais se adequa ao seu caso. Deve também mudar alguns hábitos – duches rápidos, por exemplo –  e optar por instalar dispositivos mais eficientes em torneiras, chuveiros e autoclismos, pois permitem poupar, por família, até 300 mil litros de água por ano.


2. Alimentação Uma ida ao supermercado pode representar um verdadeiro problema quando se cede às tentações. Para que isso não aconteça, pode seguir algumas regras de ouro. Leve sempre uma lista dos produtos de que precisa, evite ir às compras quando tem fome e opte sempre que possível por marcas brancas. Tente não levar crianças e não se esqueça de olhar para as prateleiras de cima para baixo. Vai ver que, no momento de pagar, estas pequenas diferenças podem representar uma poupança significativa. Tenha também em conta o local. A Deco analisou 549 lojas em todo o país e chegou à conclusão de que é possível poupar cerca de 800 euros por ano consoante o local e comparando os vários produtos.

 

3. Banca e Seguros O crédito à habitação representa, para a maioria dos portugueses, uma despesa pesada e é sempre desejável baixar a prestação. Para isso, pode renegociar o spread com o banco ou pedir um alargamento do prazo. Esta última opção implica sempre pagar mais juros. Se tiver algum dinheiro extra pode sempre optar por amortizar o crédito. No caso de ter vários empréstimos, pode consolidá-los num só. Cuidado com os cartões de crédito: representam uma tentação perigosa. Já em termos de seguros, contrate apenas as coberturas de que precisa e analise muito bem a oferta. Pode também optar por um mediador, pois regra geral oferecem descontos de 20% a 25% num pacote.

4. Ginásios Gaste apenas se tirar proveito. Se é daquelas pessoas que pagam para não ir, então é melhor cancelar a inscrição. Cerca de 50 euros ao final do mês podem fazer muita diferença. Pode sempre optar por fazer exercício em locais públicos, onde não paga nada.

 

5. Telecomunicações Comece por verificar se o tarifário do telemóvel se adequa às suas necessidades. As operadoras têm vindo a apostar em tarifas que permitem chamadas de graça para clientes da mesma rede, mediante o pagamento de uma mensalidade. Pode recorrer ao simulador disponível no site da Anacom para verificar qual é o melhor tarifário. Há também soluções alternativas, como o Skype e o VoIP. Em termos de televisão por subscrição, analise muito bem a oferta e tente aproveitar as promoções. Subscreva apenas os canais que sabe que vai ver. 

6. Transportes Opte por utilizar os transportes públicos. Vai ver que, ao final do mês, além de poupar alguns trocos, consegue evitar verdadeiros ataques  de nervos. Os que não passam sem carro podem optar por partilhá-lo. Dividir custos pode ser uma alternativa. Modere a utilização do ar condicionado e adopte uma condução que permita reduzir o consumo.


7. Poupança Os que são menos adeptos da poupança podem tentar juntar um euro por dia – no final do ano terão 365 euros. Aqueles para quem esta tarefa não parece uma missão impossível podem recorrer a vários produtos de poupança. A oferta é variada. É só escolher o nível de risco pretendido e seleccionar o que mais se adequa às necessidades de cada um. Não se esqueça da sua reforma. Há várias soluções para aplicar as poupanças de forma a assegurar um melhor rendimento depois de abandonar a vida activa.

 

8. Cartões de desconto Utilize os cartões e os talões de desconto. Pode parecer pouco significativo, mas sempre são uns trocos que consegue poupar.

 

 

Via ionline



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Quarta-feira, 30.06.10

Eles passaram pela Sé de Lisboa para as fotografias

 

Fernando Correia, 54 anos, travesti de profissão, sempre sonhou casar vestido de noiva. Hoje concretizou parte da fantasia ao chegar à Sé de Lisboa num vestido branco marfim, mas casamento só na próxima semana e no civil.

“O meu sonho sempre foi casar vestida de noiva e até à data não tinha encontrado a pessoa certa”, confessou à chegada ao largo da Sé, onde reuniu 20 amigos para as fotografias e a festa que se seguiu num restaurante.

Apesar de não ter conseguido formalizar hoje a união, fez questão de reunir os amigos naquele local por fazer um ano que conheceu o companheiro e se tratar do lugar onde casaram as noivas de Santo António, explicou.

Fernando Correia conheceu Fernando Fonseca, 32 anos, em Santa Apolónia. Trocaram olhares, tomaram um café e combinaram um jantar, que os juntou até hoje.

“Foi um jantar maravilhoso e vivemos juntos desde esse dia”, conta 'a noiva', garantindo ter encontrado o homem da sua vida.

“É um homem a sério, não fuma, não bebe, é trabalhador”, diz.

Neste 'enlace', a 'noiva' chegou primeiro, de táxi, e acompanhada pela madrinha, que apresentou como fadista.

Habituado ao mundo do espetáculo, não se esquivou às objetivas e às perguntas dos jornalistas, com quem partilhou pormenores da relação com aquele a que já chama “marido”.

“Tive o prazer de trabalhar sempre como travesti profissional. Tenho um guarda-roupa que é a inveja de todas as bichas de Lisboa”, afirma, enquanto mostra, orgulhoso, o vestido cai-cai e se equilibra nas sandálias douradas de salto alto no irregular piso de paralelepípedos às portas da catedral de Lisboa.

Fernando aguarda ainda pela confirmação do dia em que poderá casar com Fernando no 7.º Cartório: “Espero que seja esta semana. Tenho muitos espetáculos marcados para o estrangeiro”.

Embora mais reservado, o companheiro também não hesita em dizer que este é o seu dia. “Conheci bem a pessoa. Gosto muito de estar com ela”, afirma, lamentando que os pais não aceitem a relação.

“Eu vivo para ela e ela vive para mim”, afiança Fernando, empregado numa empresa de limpezas.

Entre os convidados, apenas os amigos aceitaram partilhar com eles este dia, que quiseram registar em fotografias também no Parque Eduardo VII.

Antes, a 'noiva' foi ainda à Igreja de Santo António, por entre os olhares de quem passava e a curiosidade dos turistas, que levaram para casa mais uma inesperada recordação da visita à velha capital.

 

Via Ionline



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Quinta-feira, 10.06.10

Filhos de lésbicas são melhores alunos

 

Que a adolescência é difícil é um facto. Foi com esta premissa, associada à ideia de que o desenvolvimento é tão problemático para as crianças criadas por pais homossexuais como para as que vivem com casais heterossexuais, que Nanette Gartrell, investigadora da Universidade da Califórnia, embarcou há 24 anos num estudo inédito sobre filhos de mães lésbicas. As conclusões foram publicadas esta semana na revista "Pediatrics", da Academia Americana de Pediatria, e são uma surpresa para os investigadores. Estes adolescentes, hoje jovens adultos, não só não apresentaram grandes diferenças ao longo do seu desenvolvimento em relação aos filhos de famílias tradicionais, como os superaram pela positiva em indicadores psicológicos, sociais e académicos.

A equipa dirigida por Gartrell e Henny Bos, da Universidade de Amesterdão, conseguiu a participação de 154 lésbicas e futuras mães, e submeteu-as a questionários de avaliação psicológica sobre o crescimento dos seus filhos. Aos 10 e aos 17 anos, os jovens também foram convidados a participar, e responderam de viva voz às questões. Hoje permanecem no estudo 77 famílias, com 78 filhos (dois gémeos) - e as suas respostas foram comparadas com uma avaliação semelhante de 93 crianças/jovens da mesma geração, mas filhas de pais tradicionais. 

Foi usado o método "Child Behavior Checklist" (CBCL), um questionário que avalia competências e problemas comportamentais e emotivos das crianças. "Quando comparámos os adolescentes com o padrão, descobrimos que os filhos de mães lésbicas estão a sair-se melhor", disse Gartrell, uma forma simples de resumir uma tabela que confronta resultados para parâmetros como escola, ansiedade ou problemas sociais. Em 14 itens de análise, os filhos de lésbicas vencem em 12, sendo, por exemplo, menos agressivos e desobedientes. Quanto ao estigma de terem pais do mesmo sexo - sentido por 41% -, concluiu-se que o pouco efeito que tinha no desenvolvimento psicológico e social das crianças aos 10 anos dissipa-se pelos 17 anos.

Para explicar os resultados, há para já poucos argumentos. A ideia de que estas mães terão antecipado o estigma social com uma maternidade mais empenhada é uma das leituras avançadas. "As nossas conclusões demonstram que não há qualquer justificação para restringir o acesso a tecnologias reprodutivas ou custódia parental com base na orientação sexual dos pais", sustentam ainda os investigadores. 

Há, contudo, algumas lacunas: a amostra não é aleatória - em 1986 a homossexualidade era menos assumida, pelo que o recrutamento das participantes foi muito localizado - e não estão representados pais homossexuais. Nada que invalide os resultados do trabalho, defendem, mas que obriga a mais estudos. "Apesar de três décadas de investigação a demonstrarem que o desenvolvimento das crianças não está relacionado com a orientação sexual dos pais, a legitimidade da paternidade biológica ou por adopção continua sob escrutínio", escrevem no artigo. E para Gartnell, não restam dúvidas: "estes pais são um sucesso", disse à imprensa.

 

Via ionline



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Domingo, 07.03.10

Mãe, o meu namorado pode dormir cá em casa

 

 O tempo dos pais não é igual ao tempo dos filhos. Há três gerações, o namoro era fiscalizado no sofá da sala; há menos tempo ainda, o amor acontecia dentro de um carro, às escondidas dos adultos. Hoje os miúdos pedem aos papás para os namorados dormirem em casa. Perante o dilema, há dois grupos de pais. Os que estão preparados. E os que não estão. Ana Maria, mãe divorciada de 44 anos, sabia que esse momento iria chegar: "E chegou até mais tarde do eu esperava." Muito antes de o namorado de Sofia "fazer parte da família", mãe e filha conversaram muitas vezes sobre os assuntos do coração. 


Comunicar com os filhos é a primeira regra para os pais não serem apanhados desprevenidos, avisam os especialistas. "Falar desde cedo sobre as questões da sexualidade, afectos e cuidados a ter é uma preparação básica para esse momento", diz Maria João Moura, psicóloga da adolescência. A pergunta de Sofia chegou aos 18 anos, portanto, como mais uma etapa na vida da adolescente. E conhecer o rapaz foi um trunfo para a publicitária. O namorado aparecia para almoçar e jantar e, um dia, ficou até mais tarde: "Foi aí que surgiu o pedido, mas a minha filha já sabia que eu iria aceitar." Desde essa noite, na casa de Ana Maria, há lugar para mais uma escova de dentes e no frigorífico há também os iogurtes preferidos do namorado da filha. 

Houve fases em que Sérgio passou demasiado tempo em casa da namorada e fases em que o lugar da mãe no sofá da sala esteve seriamente ameaçado. As fronteiras foram redefinidas e agora há tempo para tudo: fins-de-semana para a filha passar com o namorado; fins-de-semana para a mãe passar com a filha e até saídas a três - a mãe, a filha e o namorado da filha.

Catarina, 18 anos, não fez nenhum pedido. Aos poucos foi mostrando à mãe que a mudança estava prestes a acontecer. Rute abriu a porta da sua casa aos amigos da filha. Catarina pedia para o namorado passar a noite quando ficava tarde: "O rapaz ficava no quarto dela e a minha filha comigo", conta a mãe de 53 anos. Uma noite, Rute acordou e a filha não dormia ao lado dela. Foi ao quarto ao lado e os dois dormiam juntos: "Foi o choque da minha vida!"A zanga saltou cá para fora no mesmo segundo: "Catarina!", gritou a mãe. Os adolescentes acordaram em sobressalto: "Nem sequer pediste a minha permissão", ralhou Rute. 

Catarina desfez-se em desculpas e, na manhã seguinte, foi a vez de a mãe também se desculpar: "Deveria ter esperado pelo dia seguinte para termos uma conversa." Mas, o arrependimento esconde mais razões. A mamã confrontou-se com uma imagem sua que desconhecia: "Eu, que sempre fui liberal, tive uma reacção intempestiva", confidencia Rute, assegurando que hoje "lida melhor" com o hóspede e as dormidas acontecem sempre com a sua autorização.

À distância de cinco anos, Rosarinho Correia, funcionária de um ginásio em Lisboa, nem se lembra "muito bem" do dia em que Carlota pediu para o namorado dormir "lá em casa". O namoro da filha durava há três anos e esse momento surgiu quando a adolescente completou 19 anos. "Muito antes disso, já o rapaz era da família", conta a mãe de 43 anos. Conhecer quem é que vai partilhar o mesmo tecto é condição para deixar qualquer mamã tranquila, mas não resolve todos os problemas: "Há sempre um desconforto, que tem a ver com a invasão do nosso espaço." A "estranheza" de encontrar o namorado da filha a tomar o pequeno-almoço na cozinha é um sentimento que nunca desapareceu: "O único pedido que fiz à minha filha foi que o convidasse nas noites em que estava a trabalhar." 

Gabriela Paiva, empresária de 56 anos, não teve de abrir a porta aos namorados das filhas. "Vou dormir em casa dele, mas não digas nada ao pai", pediram Mariana e Inês quando completaram 18 anos. A mãe não fez perguntas: "Senti-me privilegiada por me contarem." Gabriela é mãe de quatro filhos, logo passou quatro vezes pela mesma situação. 

Com os rapazes, foi diferente: "Nunca me disseram nada, mas sabia que dormiam em casa das namoradas. A única recomendação que fiz foi para terem os cuidados necessários." No caso das raparigas, as conversas sobre sexualidade começaram mais cedo: "Antes de tomarem a decisão, já tínhamos tido muitas conversas." Foi o suficiente para as filhas saberem que a mãe não iria julgá-las. E bastou para a mãe perceber que as filhas "sabiam o que estavam a fazer".

 

Via Ionline



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Terça-feira, 23.02.10

Apesar de não ser meu costume falar da minha vida, quero deixar as coisas claras. Sou de uma família que nada tem a ver com aquela que vi durante a minha infância retratada na televisão, na publicidade e nas homilias. Uma família reconstruída muitas vezes. Com padrastos, ex-padrastos, madrastas, ex-madrastas, meios-irmãos, namoradas e namorados, “avodrastos”, pais dos irmãos e irmãos dos irmãos que não são meus irmãos. Com quase todos os filhos nascidos sem casamentos. Com casamentos quase todos pelo civil. Com uniões de facto muito antes delas sequer terem nome no debate público. E sou de uma família. Unida como poucas. Quase um clã. Onde o afecto ultrapassa a obrigação do parentesco definido na lei. Dou-lhe um valor central em todos os aspectos da minha vida. É a minha segurança, a rede que ampara todos os riscos que corro. Não me imagino sem ela. Não só por o que me deu. Mas por o que me dá. Eu sou, em grande parte, a minha família.

Por isso, para que não restem dúvidas, não aceito que as pessoas que se manifestaram no último fim-de-semana se auto-intitulem representantes da “família”. Representam apenas e só a família que acham legítima. A deles e mais nenhuma. E que, diga-se em abono da verdade, é cada vez menos hegemónica na sociedade portuguesa. Já são mais os que se casam pelo civil do que pelo religioso, um terço dos casais não se casa nem no civil nem no religioso, mais de um terço das crianças nasce fora do casamento, quase um quarto dos casamentos são segundos ou terceiros casamentos…

Quando era criança o modelo de família que eu conhecia pela minha experiência era ultra-minoritário. Mas era o meu. E eu era feliz nele. Tão feliz que, como provavelmente os que se manifestaram no sábado, o reproduzi na minha vida. Solteiro, em união de facto, com filhos sem casamento. Meios-irmãos da minha filha. Tudo. É assim mesmo: sentimo-nos bem no mundo que conhecemos. Serei nisto, provavelmente, um conservador: segui a tradição que me era familiar.

Dou (ou nem sequer tenho de dar), por isso, todo o direito a quem só se sente bem com o modelo de família a que chamamos tradicional a gostar dele e de só nele se sentir confortável. Olho para eles provavelmente com a mesma estranheza que eles olham para mim. Tudo normal. Não preciso que gostem do meu modo de vida e eles não precisam que eu goste do seu modo de vida.

Apenas uma diferença: eu não me quero meter na vida deles. Aceito o modo de vida que escolheram ou que lhes foi dado a escolher. Não é da minha conta. Apenas lhes exijo a mesma coisa. Que me respeitem. E que respeitem também aqueles que, sendo homossexuais, querem ver a sua situação oficializada. Resumindo: que não façam da sua estranheza e do seu incómodo, que é tão natural como o meu em relação ao seu modo de vida, lei do Estado.

Por isso, não estamos no mesmo plano. Eu aceito os modelos de família dos outros, porque é dos outros e não afecta o meu. Eles não aceitam o modelos de família dos outros, porque acham que têm o direito de desqualificar, através das leis do Estado, a liberdade de escolha dos que os rodeiam. Eles, e apenas eles, são os radicais. E a manifestação que fizeram não foi apenas contra os casamentos entre pessoas do mesmo sexo. Sendo em defesa de um modelo oficial de família (o deles), foi também contra a minha liberdade. Foi também contra a minha família. E isso eu levo a mal.

 

Daniel Oliveira


Via Arrastão



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Domingo, 14.02.10

As crianças não comem... a culpa é dos pais!

 

 Ao longo dos últimos três dias, Rafael, Miguel e Martim estiveram debaixo de olho dos nutricionistas. O que tomaram ao pequeno-almoço, o que comeram a meio da manhã e o que almoçaram nos refeitórios foi examinado à lupa por três especialistas, nas páginas do i, que descobriram refeições equilibradas na escola e pequenos erros em casa. Cereais açucarados, chocolate misturado no leite ou fritos a meio da manhã são algumas das tentações dos mais novos a que estes pais devem estar atentos.


O principal problema, portanto, não está na escola, mas em casa. "Tem existido um esforço por parte dos estabelecimentos de ensino em proporcionar aos alunos uma alimentação saudável, mas essa estratégia esbarra muitas vezes na dificuldade que é convencer as crianças a não rejeitarem a sopa, os legumes ou outros alimentos essenciais para o seu crescimento", explica Rodrigo Marrecas de Abreu, autor de "O Grande Livro da Alimentação Infantil".

As boas práticas começam em casa e se o objectivo é ter filhos bem comportados à mesa, os pais têm de dar o exemplo, avisam os especialistas. Adultos têm de comer a sopa até ao fim e não esquecer de incluir as saladas e os legumes nas suas refeições. De nada vale ralhar com as crianças se os crescidos cometerem os mesmos erros - é uma regra básica na educação. "Os hábitos alimentares dos filhos são reflexos daquilo que os pais comem", esclarece Nuno Nunes, nutricionista do Hospital São Bernardo, em Setúbal. O comodismo é um pecado tão grave como a gula: as refeições rápidas e ultracongeladas podem ser soluções fáceis, mas só servem para perpetuar os maus vícios. "Usar a comida como prémio ou punição é tudo o que não se deve fazer em qualquer circunstância", alerta o médico. Quem quer crianças saudáveis precisa de corrigir as rotinas: "Jantar em casa é sempre com todos à mesa e a televisão desligada." 

Birras para não comer são o pesadelo de uma boa parte dos pais, mas a principal estratégia passa por não entrar em guerras com os miúdos. "Muitas vezes, as crianças comem tudo na escola e é em casa que surgem as dificuldades", diz Rodrigo Marrecas de Abreu. É preciso então perceber quando é que os filhos estão a usar a comida como tentativa para se afirmarem perante os pais. Nestes casos, o importante é encontrar alternativas: "Se os espinafres são o problema, os agriões podem ser a solução; se a pescada é o que eles não gostam, a corvina ou outro peixe com características semelhantes pode substituir essa falha." 

E se a birra persistir, o último recurso é usar a firmeza e a autoridade dos adultos: "Pode custar a princípio, sobretudo porque ao fim de um dia de trabalho, os pais têm pouca resistência para contrariar os filhos." E é por isso que planear as refeições com alguma antecedência é o melhor caminho para não cair em tentação: "Estamos habituados a pensar na alimentação a curto prazo. Comemos o que é prático e rápido e esquecemos que as crianças são mais exigentes."

Ter refeições equilibradas na escola poderá ser um descanso para os pais, mas isso não implica que o trabalho de docentes, autarquias ou do Estado esteja concluído: "O ideal é criar uma estratégia alimentar de educação transversal a todas as disciplinas, tal como se quer fazer, por exemplo, com a educação sexual", defende Rodrigo Marrecas de Abreu. 

O Ministério da Educação introduziu novas regras em 2007, proibindo alimentos como os doces ou os fritos, mas isso, por si só, é insuficiente, diz o nutricionista: "Não basta proibir é preciso ensinar as crianças a fazer as suas escolhas e, por enquanto, as escolas não ensinam as crianças a comer."

Promover campanhas de educação dirigidas aos professores e a toda comunidade escolar teria de ser o "primeiro passo" para sensibilizar os educadores para a importância da alimentação no combate à obesidade infantil, diz Nuno Nunes: O apoio de nutricionistas nas escolas para apoiar a elaboração das ementas é outra sugestão do médico do Hospital de São Bernardo, que defende a articulação entre os estabelecimentos de ensino e centros de saúde: "Por vezes, bastam soluções simples e com poucos recursos para ser possível mudar as rotinas de forma radical."



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Segunda-feira, 09.11.09

 Corria o ano de muita graça de 1989 e todas as reportagens de Carlos Fino começavam da mesma maneira: "E mais uma vez, o impossível acontece." Fino andava a Leste, a ver cair os muros e a testemunhar o colapso da União Soviética e dos seus associados minoritários. Mesmo através dos buracos na Cortina de Ferro, não havia aragem que chegasse à América: Ronald Reagan dava lugar a George Bush (o pai de W.), como se de um problema na continuidade se tratasse. Na televisão, um anúncio dava sem bandeja um curioso retrato do povo nativo (que é como quem diz, o consumidor): três sexagenários, produtores de cerveja, vão à grande cidade saber a opinião do cidadão comum sobre a qualidade do seu produto. Perante a 'fauna e flora' com que dão de caras, vêem-se forçados a adiar o anúncio dos resultados da 'sondagem': é que não conseguem encontrar um 'cidadão comum'. É como se os norte-americanos dessa frívola e sobranceira década de 80 fossem todos disfuncionais, como aquelas personagens que habitam apenas os desenhos animados. Para um homem chamado Matt Groening, acabado de inventar uma família chamada Simpson, poder ganhar a vida a gerir a confusão entre gente de carne e osso e essa outra pintada a feltro só podia ser a melhor das notícias.

Vinte anos de Simpson, uma família explosiva
 
 

O mundo que ainda reconhece na 'moral' de Homer, Marge e criançada um resquício de bom senso e a América 'deles' que raras vezes esteve tão dividida como agora, dificilmente celebrarão juntos o 20º aniversário da mais afamada série de animação da saga da televisão. Os puristas (que o rol e timbre de 'simpsonistas' é de calibre maçónico) dirão que os Simpson deviam soprar 22 velas, já que se estrearam como tirada cómica em 1987 no The Tracey Ullman Show, uma série que servia para apresentar aos 'States' a histriónica comediante inglesa e que hoje é lembrada à conta da família de Springfield. Mesmo assim, são muitas as razões para fazer a festa.

Uma cidade chamada Springfield

Diferentes cidades norte-americanas se chamam Springfield. A dos Simpson é inventada e usa o nome como contraponto. Este 'campo primaveril' é encimado pela fumarada de uma central nuclear. Homer é o inspector responsável pela segurança, mas é raro vê-lo fora da confortável cadeira durante as horas de serviço. O melhor lugar sentado é no bar do amigo Moe a emborcar umas cervejas ou no sofá lá de casa a fazer mais do mesmo. Três anos depois do desastre de Chernobyl, o Sr. Simpson bem podia ser visto como a pior contratação da temporada. Marge, a que se vê e deseja para fazer de mais-que-tudo aos olhos do marido, é a torre cimeira do castelo familiar, a começar pela dimensão do seu penteado, azul e vertical à exaustão. Estica como pode o salário de Homer e guarda para si, como migalhas, os sonhos de uma felicidade alternativa. A mais se atreveu este ano, posando nua para a capa da revista "Playboy", sob a sombra balofa e espreitadora do mais-que-tudo. Ama os filhos sem condições, mesmo quando eles são uma colecção de desapontamentos.

O influente Bart

O desalento maior, o menino Bart, ainda hoje passa por ser a mais popular das personagens da série. Tem bom fundo, só que é quase impossível trazê-lo à superfície. Tem muitas máximas, a começar por fazer sempre o mínimo e um lema único com formato de pergunta: "Se faço maldades e ninguém está lá para ver, isso não fará de mim um bom rapaz?" É um traquinas amador à beira da mais profissional das malfeitorias e fez-se dotar de uma energia tão nuclear quanto a central onde o pai trabalha e que tolda os ares de Springfield e a sobrevivência da sua massa assalariada. Para ele, ser solidário é acertar com algo sólido na cabeça de alguém e sair a rir da contenda. A revista "Time" colocou-o em 1999 na lista das 100 personalidades mais influentes do século XX...

Lisa, a pura

Lisa, a irmã, é o seu papel químico do avesso. Ingénua até mais não, simboliza o consenso universal de que a pureza tem uma cor, que a dita é verde e que o verde significa falta de experiência, o que na América passa pelo oitavo pecado capital sempre que é confundido com inocência. Defende o ambiente, os mais desfavorecidos, os menos reconhecidos e até os que acham que a vida é 'assim-assim'. Passados 20 anos, ainda não foi mais longe do que ver em Springfield um planeta. Há-de fazer-se à vida, quando a mesada chegar para alugar um 'híbrido'. Maggie ainda não largou a chupeta e falou uma vez para dizer 'paizinho'. Distraído, Homer não deu por isso. Começa a suspeitar estar rodeada de doidos, mas terá de esperar pela pré-primária para confirmar se há alternativas credíveis.

Uma energia inesgotável

Duas décadas de vida em programa com nome próprio não foram suficientes para encontrar uma linha comum (nem mesmo uma intersecção) face ao significado dos Simpson. Sabemos quem são, mas o que são e ao que vêm? A controvérsia (que o passar dos anos não só não deu por terminada como fez questão de mudar de polemistas) abarca todas as áreas que dividem a América, da religião à forma ideal de governo, das bodas ainda por desfazer entre oportunidade e oportunismo à sonhadora e enlevada crença no optimismo enquanto sistema político em si mesmo.

Os Simpson têm a energia suficiente para cair nas malhas do seu próprio anedotário só para não terem de se retirar. Na verdade, essa é uma ideia que passa pela cabeça de poucos. Está tudo nos conformes, desde que essa Springfield que se vai fazendo do tamanho do mundo acredite que aquela família tem um apego peculiar à verdade. Matt Groening, o seu criador, dá o tom: "São precisos dois para mentir... um para mentir e outro para ouvir."

Vinte anos de Simpson, uma família explosiva
 
 

É claro que há verdades que de tão aberrantes só funcionam de pernas para o ar e enquanto mimos grotescos, como aquela que diz: "Meninos, vocês tentaram e falharam miseravelmente. A lição a aprender é esta: nunca tentem." Ou o famoso "nunca digas alguma coisa a não ser que toda a gente pense o mesmo". Até sobre a própria condição de empacotado produto televisivo, há sempre um dito de Groening que mesmo na boca de Homer soa bem: "A TV respeita-me. Ela ri-se comigo e não se ri de mim."

Mas num país onde a fé religiosa tornada questiúncula atinge proporções avassaladoras, cabem ao 'patriarca' da prole as tiradas de 'abrir ouvidos'. Algumas pérolas? "Não estaremos a esquecer o verdadeiro significado do Natal? Sabem, o nascimento do Pai Natal?", ou "porque é que devo gastar metade do meu domingo na missa a ouvir sermões sobre o modo como vou acabar no Inferno?", e já agora "eu nunca fui um homem de rezar muito, mas se me estás a ouvir aí em cima, por favor salva-me, Super-Homem". E esta ainda, emocionado ao olhar uma estrela cadente: "Gostava que Deus estivesse vivo para ver isto"...

Família às esquerdas

No ano 2000, a "National Review" julgava ter acertado em cheio e impresso na pedra o verdadeiro toque dos Simpson: "Eles personificam alguns dos melhores princípios conservadores, como o primado da família ou o cepticismo em relação à autoridade política. E em Springfield, os cidadãos vão à missa todos os domingos." Só que os membros da prole são tão diferentes entre si que os democratas bem podiam ter uma revista 'sua' a dizer o mesmo, mas ao contrário. Há quem veja os Simpson como uma família às esquerdas, que acredite que não haveria Homer sem Archie Bunker, que faz falta um terceiro animal numa nação que ostenta como símbolos das propostas de governo um burro e um elefante. O perigo, já se adivinha, é que se sobrevalorizem os ditos dos Simpson como se de um ideário se tratasse. E não há nada como um aniversário para encontrar argumentos para tanto. Como Groening avisou na série: "Os factos não têm significado. Até podemos usar factos para provar seja o que for que seja remotamente verdade..."

Matt sopra as velas com a energia de quem se diverte a disparatar para todos os lados, ao ponto de, inevitavelmente, acertar em cheio no alvo. Enquanto vai gerindo o multimilionário negócio de merchandise, não pára de desenhar e escrever. Os famosos deste mundo e do outro fazem fila para dar as suas próprias vozes ao programa, vendo na série a versão norte-americana dos baixos-relevos egípcios, com a vantagem de poderem escolher o seu melhor perfil, e Groening goza, pondo na boca da família que inventou o elogio maior ao meio que lhe fez a fortuna: "Televisão! A minha professora, mãe e amante secreta." E, na verdade, não tem de que se queixar. Passados 20 anos, só descansa para trabalhar em "Futurama", o seu 'filho mais novo'.

Ter razão é bom

"Vou dizê-lo de forma curta e de uma só vez. Família, religião e amizade: estes são os três demónios que temos de matar se queremos ser bem sucedidos nos negócios." Matt escreveu a piada mas nunca teve de matar fosse o que fosse. Celebra as duas décadas de vida da mais influente das famílias de animação com a convicção de que o que há de palavroso, absurdo, tonto e impulsivo em cada um de nós é a mesma energia que vem dos Simpson: ter razão é bom, mas há coisas na vida que têm muito mais graça.



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Quarta-feira, 21.10.09

Os pais e o sexo

 

 Vários amigos de ambos os sexos, portanto neste caso tanto pais como mães, dizem-me que os filhos também de ambos os sexos lhes contaram quando perderam a virgindade.

Embora cá em casa o sexo esteja longe de ser pecado ou tabu, nunca imaginei essa cena da/o filha/o a vir ter connosco para celebrar a primeira queca...
Eu própria nunca fiz a participação aos meus pais da minha estreia sexual, pois por muita intimidade e abertura que haja, os pais são sempre pais e não propriamente camaradas de café.
Embora falar de sexo com os filhos seja saudável, também não lhes quero violar a privacidade. Há uma linha divisória entre a familiaridade e a privacidade que não deve ser forçada, acho eu. É um direito dos próprios filhos e uma questão de respeito da parte dos pais.
Portanto, fiquei parva com essa onda de confidências em que os pitos e pitas contam logo numa nice aos pais que estiveram no truca-truca, sem recear o habitual questionário pedagógico que compete aos pais sobre se foram responsáveis, se foi sexo seguro, se não se precipitaram, se agora vai ser sempre a bombar.
Agora esclareçam-me se vocês foram a correr contar aos vossos pais a 1ª vez que tiveram sexo e se os vossos filhos, sobrinhos ou filhos dos amigos acham assim tão cool partilhar com os pais as suas cenas de marmelada!

 

Via Intervalo para café



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Sábado, 26.09.09

A morte do sexo

 

Parecem um casal normal. Quem vê Maria e André (nomes fictícios) na rua - cúmplices e de mãos dadas - não imagina que, desde que se casaram, em 2007, quase não têm sexo. Ela recorda que, quando namoravam, o sexo existia. "E era óptimo." Ele diz que não consegue "arranjar explicação". Ela admite que não sente vontade. "E das poucas vezes que ele tenta, tento desviar-me de forma subtil", confessa. Ele defende-se e prefere acreditar que é "uma fase". "Uma fase que dura dois anos?", pergunta ela. E silêncio. Desde o início do ano, Maria e André só tiveram sexo duas vezes. No mês passado, resolveram procurar a ajuda de um sexólogo. 

O argumento desta história é familiar a muitos casais. Ao final do dia, depois do trabalho, a luz do quarto é perfeita, a cama confortável, os protagonistas estão a postos e conhecem o guião. Mas, na hora do filme, há qualquer coisa que não funciona. Sucedem-se as desculpas habituais. "Talvez amanhã", "Deixamos para depois", "Estou cansado". Um quer, o outro não. O que quer fica ofendido. O que não quer sente-se pressionado. O que quer sempre deixa de tentar. "E quando voltam a ter sexo a pressão é grande, é rápido e fica longe de ser bom", explica a sexóloga Marta Craw-ford - que recebe pedidos de ajuda de casais que já não têm sexo há muitos meses e até anos. "A dada altura, nenhum dos dois está para fretes e cada um trata de si. Desaprende-se de começar a fazer amor e as pessoas tornam-se estranhas", conta. 

Porque morre o sexo? O cansaço, o stresse e as preocupações profissionais estão no topo da lista de queixas dos casais que perderam o desejo sexual. E são os piores inimigos de uma relação. "A prioridade das pessoas, hoje, é o trabalho. O sexo e o tempo a dois vem em último lugar", explica a sexóloga. Por isso, a esmagadora maioria dos casais só tem sexo aos fins-de-semana. "Dizem--me frequentemente que depois de um dia de trabalho, só lhes apetece ver as séries da Fox e comer bolachas", conta. 

Os filhos também podem acabar com a vida sexual. "Especialmente quando os pais caem no erro de os deixar dormir com eles até serem crescidos, o que mata os momentos de intimidade a dois", refere o psicólogo Fernando Mesquita. "O casal esquece-se que antes de serem pais são um casal", acrescenta Marta. Quadros clínicos depressivos e factores orgânicos e hormonais - como a falta de testosterona - são outras razões que acabam com o desejo sexual. Nestes casos, o acompanhamento médico é imprescindível e pode ser necessária medicação. 

A lista não acaba aqui. A gravidez também mexe com a intimidade. "Muitos casais ainda acreditam que ter sexo durante a gravidez é nocivo", garante Marta Crawford. Mas, a menos que exista indicação médica em contrário, o sexo pode e deve continuar até ao parto. "Embora haja posições, como a de missionário, que se tornam mais desconfortáveis", reconhece a sexóloga. Na gravidez, é frequente que as mulheres façam infecções urinárias depois do sexo. "E isso torna--se desconfortável para a mulher."

Sexo não é só coito A penetração, explica Marta Crawford, é só uma das muitas versões do sexo. "Para um casal ter a sua intimidade não tem de recorrer, necessariamente, ao coito." A sexóloga recomenda o sexo oral e a masturbação a dois. "E a maior parte das mulheres até prefere a estimulação clitoridiana à penetração", acrescenta. Fernando Mesquita sublinha que a sexualidade de um casal "tem muitas vertentes e a descoberta deve ser feita a dois". 

O problema da abstinência sexual só é, realmente, um problema se um dos parceiros não se sentir bem com a situação. Marta Crawford exemplifica: "Se um homem ejacular rápido, mas encontrar uma mulher que também atinja o orgasmo depressa, corre tudo bem. Há casais que não têm sexo, mas que vivem bem com isso e encontram o seu equilíbrio." Dito de outra forma, a ausência de sexo só se torna, verdadeiramente, num problema quando existe um contraste entre os parceiros - quando um quer e o outro não. 

Reacender o desejo "Na terapia digo aos casais que têm de arranjar tempo. Aconselho-os a estarem juntos três a quatro vezes por semana, mas quando voltam ao consultório, 15 dias depois, a maioria conta que só conseguiu estar uma vez e que mais é impossível", explica a sexóloga. Só que o tempo a dois é importante. E a comunicação também. "Falar sobre o assunto é fundamental, a falta de desejo pode facilmente tornar-se um hábito", alerta Júlio Machado Vaz. "Deve falar-se sobre o que não está bem, sem ter medo da reacção do outro. A ideia de que o amor adivinha tudo é um mito", acrescenta Marta Crawford. Há que perceber o que se pode melhorar para que o parceiro se sinta melhor. "Mais beijos ou mais carícias, em vez de se partir logo para o coito. Há muitos homens, por exemplo, que não percebem que a mulher precisa de ser tocada", refere a sexóloga. 

Procurar ajuda Há casais que procuram ajuda um mês depois de identificarem o problema. Outros só recorrem à ajuda especializada 20 anos depois. Marta Crawford adianta que são precisas "pelo menos seis sessões, de quinze em quinze dias" para que o problema possa ser solucionado. Fernando Mesquita adianta que a intervenção é feita em três níveis: comunicação, auto-estima e intimidade. "Começa-se por desmitificar preconceitos, identificar as origens do desinteresse sexual e muitas vezes o casal só precisa de receber informação clara", explica a Marta Crawford. No consultório, os casais experimentam terapias sensoriais, vencem vergonhas e medos. Levam trabalhos de casa e prescrições que devem ser cumpridas à risca. "Reencontram-se através de carícias, sessões de massagens a dois e por vezes recomenda-se-lhes que evitem tocar-se nos sítios mais sexuais", explica a sexóloga. "O fim do sexo não significa o fim da relação porque o casal não deixa de existir enquanto tal e não é por isso que deixam de ser amar", explica Fernando Mesquita. Até porque, como refere Júlio Machado Vaz, "a intimidade do casal vai muito além da intimidade física".

 

Via ionline



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Quinta-feira, 24.09.09

Pense bem antes de escolher o nome do seu filho

 

 Tem 22 anos e chama-se Zoé. A culpa é dos pais. E, na verdade, até teve sorte. O plano inicial era outro. Zoé esteve para se chamar Tamagnini, mas a mãe não deixou. Vítor Silva, o pai, descobriu a segunda opção num prontuário e não esteve com meias medidas: foi sozinho ao cartório e registou o nome sem a mulher saber. Na família Silva, Zoé não é o único que tem um nome diferente. 


A irmã, de 25 anos, chama-se Andresa. Agora, a diferença até passa despercebida, mas na escola primária Zoé não conseguiu evitar as piadas das outras crianças. "O maior problema eram as rimas que dava para fazer com o meu nome, como chulé e outras coisas desagradáveis", recorda. Um dia, fartou-se. Chegou a casa e disse ao pai que era gozado. "Ele disse-me para não ligar, mas eu só pensava que a culpa era dele e que era fácil falar... afinal de contas não era o meu pai que tinha de lidar com os miúdos todos os dias", conta. Por isso, Zoé teve de encontrar as suas próprias tácticas para resolver o problema. "Todos os nomes, mesmo os mais convencionais, davam para fazer rimas ainda piores, como João. E se não me lembrasse de nada na hora, ia para casa pensar e no dia seguinte lançava a bomba. Quando não encontrava rimas, tinha de me calar e esperar que a piada caísse no esquecimento."

A importância do nome Na infância, o nome próprio assume um papel extremamente importante no crescimento. É o primeiro bilhete de identidade da criança e uma característica que a acompanhará para o resto da vida. "Os nomes não condicionam", sublinha o psiquiatra Daniel Sampaio. "Mas influenciam as crianças e disso não há dúvida." Numa altura em que a criança está a construir a sua identidade, o nome "é determinante na maneira como estabelece a primeira ligação ao mundo social", refere o psiquiatra. Por isso, quando o nome é demasiado invulgar, é frequentemente alvo de críticas "dos colegas e até dos professores". Ao invés, quando o nome transporta a referência a um antepassado da família de quem a criança tem uma imagem feliz, "estabelece-se uma influência positiva". 

E agora? Bato-lhes? O pediatra Gomes Pedro diz que é nesta guerrilha que a criança "constrói a sua afirmação e a sua auto-estima". Apesar disso, Rita Jonet, psicóloga infantil, acredita que os nomes, por si só, não são factores de exclusão social. "Tudo depende do clima da escola. Se a troça e a ridicularização forem comuns então tudo é pretexto para se gozar o próximo, até os nomes", explica. 

Mas há outros factores que interferem na socialização na infância como "a maneira de vestir, de falar ou de brincar". Os adultos, sublinha a especialista, têm um papel fundamental neste processo, "porque são modelos essenciais na aceitação das diferenças". Assim sendo, os pais têm mesmo de saber lidar com o problema. Gomes Pedro refere que a maior parte das crianças tenta esconder, em casa, que é ridicularizada e "quando conta aos pais é porque está realmente fragilizada". A eles cabe "prepará-la para que possa construir, a partir destes percalços, a sua auto-estima". Se as investidas dos colegas forem muito frequentes, então é hora de contactar a direcção da escola, "que deve pôr termo à situação". Até porque, como refere Daniel Sampaio, "a escola por vezes é violenta, tal como a sociedade o é". A criança nunca deve mostrar que fica afectada ou melindrada com as piadas dos colegas. Daniel Sampaio sugere várias técnicas que os pais podem transmitir aos filhos: "Deve contra-atacar e responder aos insultos com humor, um grande sorriso e até com orgulho por ser diferente." 

Cristiano Ronaldo? Esqueça Se está a pensar chamar o seu filho de Cristiano Ronaldo ou Alexandre, o Grande, esqueça. Daniel Sampaio avisa que não é boa ideia atribuir nomes de figuras demasiado conhecidas às crianças - que vão ter sempre de conviver com a sua sombra. 

"Traz-lhes grandes expectativas e uma pressão constante. Se um miúdo se chamar Cristiano Ronaldo e jogar mal à bola na escola será, certamente, ridicularizado", exemplifica. Pressões assim podem acarretar insegurança, ansiedade ou agressividade. O ideal é optar por nomes que "não se distingam muito dos da moda, mas que, obviamente, sejam do gosto dos pais". Deixando, então, de parte nomes mais espalhafatosos ou excêntricos.

Escolher o nome do filho é uma tarefa que requer muita ponderação. Alguns estudos demonstram que crianças com nomes estranhos têm notas piores e são menos populares do que os seus colegas na escola primária. No ensino superior têm mais hipóteses de chumbarem e de virem a sofrer de neuroses. Mas estas conclusões nunca reuniram o consenso dos investigadores. Os economistas Roland Fryer e Stephen Levitt defendem que estas consequências derivam não só do nome, mas de muitas variáveis socioeconómicas. 

"Os nomes só têm influência significativa quando são a única coisa que se sabe sobre a pessoa", escreveu Martin Ford, psicólogo do desenvolvimento da Universidade George Mason. Contudo, a brasileira Regina Obata, que escreveu "O Livro dos Nomes" defende que os pais devem mesmo ter atenção aos nomes que escolhem. "É um atributo involuntário imposto pelos pais aos filhos e que pode abrir e fechar portas durante a sua caminhada. Deve sempre pensar-se se o nome não poderá submeter o filho a futuros problemas - quer por ser foneticamente desagradável, quer por ter um significado extravagante ou excêntrico." 

Regras Em Portugal, o nome deve ter, no máximo, seis vocábulos em que os dois primeiros podem corresponder ao chamado nome próprio (ex. António Manuel) e os restantes ao chamado apelido ou sobrenome (ex. Soares Costa Fonseca Rocha). Os nomes próprios devem ser portugueses e admitidos pela onomástica portuguesa (catálogo de nomes próprios) ou adaptados fonética e graficamente à língua portuguesa e não devem suscitar dúvidas acerca do sexo. Os apelidos são escolhidos entre aqueles que os pais usem (os que pertençam a ambos ou a só um dos pais) ou outros a que os mesmos tenham direito, como por exemplo o apelido do avô que não conste do nome do pai.

 

Via ionline



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Segunda-feira, 27.07.09

  Miguel não sabe distinguir as cores nem agarrar num lápis. Tem cinco anos e parece que acabou de nascer. Nada lhe foi ensinado. Foi assim que entrou para uma instituição de acolhimento, depois de ser retirado à família biológica por negligência, em 2006. Diagnóstico: perturbação do espectro do autismo. A Segurança Social dizia que não havia pais candidatos ao Miguel. Mal conheceram a história, Mara e Carlos, que queriam uma criança até aos cinco anos, não se importaram que Miguel tivesse mais três. Nem precisaram de ver uma fotografia para saber que não queriam outra criança, só aquela. "Já não olhámos para a idade dele, nem para os relatórios clínicos. Pensámos: 'Ele está aqui e é nosso'"


Yannick, nove anos, negro, maçãs do rosto levantadas, óculos de massa azuis, gargalhada aguda e estridente que fica no ouvido. Estava há dois anos numa instituição à espera de ser adoptado até que João, 33 anos, solteiro, depois de passar com ele os Natais e alguns fins-de-semana decidiu que Yannick iria ser o filho que nunca tinha pensado ter. 

Filipe esperava há cinco anos por um pai e uma mãe. Vários problemas de saúde - complicações cardíacas, fenda palatina, alergia ao glúten, hiperactividade, défice de atenção, ligeiro défice cognitivo - condenavam-no à lista imensa dos menos procurados para adopção. Ana sempre desejou adoptar, ouviu um apelo para a adopção do Filipe e no primeiro dia em que ela e o marido o levaram para almoçar, ele conquistou-os. "Foi ele que nos adoptou primeiro. Lembro-me dele, muito pequenino e franzino, eu até dizia que ele não podia ter a idade que realmente tinha, a sair a correr para contar aos amigos: ?Aquele é o meu pai!?" Os primeiros tempos foram uma correria, entre terapias e operações. 

Pedro foi abandonado no hospital. Tinha três anos e a sentença de um futuro passado em instituições - como acontece à maioria das crianças seropositivas em Portugal. Até os papéis do processo andavam perdidos. Paulo não lhe viu o rosto, nem sequer sabia o nome. Passou meses "a acordar a pensar naquela criança e a atirar para canto". Mas estava rendido. Oito meses depois, decorou um quarto para o Pedro na casa do Porto e deu entrada dos papéis para adopção. "Perguntavam-me: ?Não tens medo? E se ele morre??, como se todos não pudessem morrer. Tinha sempre de lembrar que ser seropositivo é ter uma doença crónica e que há doenças crónicas bem piores." 

Só o Yannick A boca cor-de-rosa de Yannick abre-se num sorriso alegre. "Tira a mão da boca", avisa João, e logo Yannick responde: "Mas o pai também rói!" Está sentado no sofá e finge-se distraído em jogos de computador, mas está suficientemente atento para se intrometer nas respostas do pai. "Há quanto tempo está com o Yannick?" "Há quatro anos", antecipa-se Yannick, que logo põe os joelhos junto ao queixo e balança-se. 

João era voluntário da Ajuda de Berço, onde conheceu o Yannick com dois anos. Começou a levá-lo para casa em ocasiões especiais. A certa altura, adoptar o Yannick era inevitável. "Tudo foi acontecendo, não apareceu do nada. Nem sequer houve um período de adaptação porque ele já era aqui da casa", conta. Por isso, quando se virou para Yannick e lhe disse "O Caca [o nome que Yannick chamava a João] vai ser o teu pai", Yannick nem ligou. Só perguntou se podia ir brincar e desatou a correr com os calcanhares a baterem nas pernas. Exactamente nove meses depois de João ter dito à Ajuda de Berço que queria adoptar Yannick, ele entrou definitivamente naquela casa perto de Santa Apolónia, em Lisboa.

"O meu caso é diferente dos outros. Não quis adoptar uma criança, quis adoptar o Yannick. É uma história de sucesso. Pode servir de exemplo aos que esperam anos porque querem as crianças que dizem ser perfeitas ", diz João. 

"Simpático, bom, trabalhador, gordo, sem jeito para jogar futebol e asneirento", assim o descreve entre risinhos e cócegas o filho Yannick. Nunca se importou de ter um filho negro: "Era-me indiferente ser amarelo, roxo, às bolinhas." Continuam a fazer visitas à Ajuda de Berço e Yannick pede um irmão. E quando perguntou pela primeira vez "como os bebés vão parar às barrigas das mães", João explicou-lhe exactamente como era. Yannick respondeu, de boca torcida: "Ai, que nojo. Assim não quero. Vou buscar os meus filhos à Ajuda de Berço." 

Autismo Mara e Carlos já tinham a filha Nicole, mas Mara, que desde miúda sonhava adoptar uma criança e tentava convencer a mãe a fazê-lo, mostrou a Carlos que aquele era o momento perfeito: "Já não tinha necessidade de ter um bebé. Se era para ir buscar uma criança, só fazia sentido ser mais crescida, se não era mais rápido passar por outra gravidez." Mara e Carlos candidataram-se à adopção de um rapaz até aos cinco anos. Tinham três anos de espera pela frente, disseram-lhes. Alteraram para os sete: "Não esticámos mais a corda porque queríamos que a Nicole e ele crescessem juntos." Num encontro sobre adopção falaram-lhes de "um rapaz de oito anos que ninguém queria adoptar". Assim, com estas palavras. Depois do primeiro encontro, Mara e Carlos ponderaram a sós e decidiram: "Não importa se tem mais um ano, é ele que vai ser o nosso filho." Vieram dois meses de visitas, três a quatro vezes por semana, sempre com choros nas despedidas. E o Miguel a reclamar: "Ó mãe, não me podes chamar Miguel. É filho e não Miguel."

Mara não sabia bem o que era o autismo. "No início, nem reparei nas pequenas coisas. Como não o acompanhei desde bebé, não sabia o que era normal. Não sabia o que ele sabia ou não fazer." Miguel tem nove anos, mas age como uma criança de cinco. Tem, sobretudo, dificuldades temporais. "Se eu disser que vai acontecer alguma coisa amanhã ele pergunta: ?Isso é quando acordares, não é??", conta a mãe. Esquece-se facilmente do que fez e fala sobre os presentes que lhe deram em conversas sem contexto. "De resto, tudo é igual. Toma medicação, mas vai ao médico uma ou duas vezes por ano, como outra criança."

Miguel tem um rosto em V e é tão parecido com o pai adoptivo, Carlos, como Nicole é parecida com a mãe biológica, Mara. "Ninguém diria que não veio da minha barriga", brincam. Miguel usa o lápis para fazer girar a tampa de um espremedor, agarra-se ao pescoço da mãe e enche-a de beijos. Na cara, nos braços, outra vez nas bochechas e mais um apertão. Seis meses depois de o Miguel - que desmonta tudo o que tem parafusos e diz que quer ser "arranjador de máquinas de lavar" - ter entrado lá em casa, Mara e Carlos sentem que tudo mudou para melhor. "Veio completar a nossa casa. Está muito mais irrequieta. E depois fomos pais, realizámos o nosso sonho pela segunda vez." Nicole reclama o colo da mãe com Miguel, que se despede a fazer bolinhas com as migalhas dos bolos. 

 

Via Ionline



publicado por olhar para o mundo às 08:08 | link do post | comentar

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