Domingo, 25.07.10

Por vezes há pessoas más.. porque sim!

 

"Não sei o que fizemos de errado", disse-me a doente no meu gabinete de psiquiatria. Era uma mulher inteligente e que sabia expressar-se, com pouco mais de 40 anos, que me procurou com queixas de depressão e ansiedade. Ao discutir as pressões que enfrentava tornou-se claro que o filho adolescente era, há muitos anos, a mais importante.

Em miúdo, explicou, lutava muitas vezes com outras crianças, tinha poucos amigos íntimos e a reputação de mau. Ela esperara sempre que ele mudasse, mas na altura ele estava quase com 17 anos e ela sentia-se cada vez mais abatida. 

Perguntei-lhe o que queria dizer com "mau". "Detesto admiti-lo, mas ele é cruel e não tem compaixão pelos outros", respondeu. Em casa era provocador e mal-educado, muitas vezes insultava os familiares. 

Entretanto mandara avaliá-lo por vários pedopsiquiatras, que o submeteram a testes neuropsicológicos exaustivos. Os resultados eram sempre os mesmos: estava no escalão superior da inteligência, sem vestígios de dificuldades de aprendizagem ou doença mental. A mãe perguntava a si mesma se ela ou o pai teriam sido de alguma forma negligentes. 

Nem um nem o outro, ao que parecia, se tinham saído tão bem nas avaliações psiquiátricas como o jovem. Um terapeuta notara que não eram inteiramente coerentes no que dizia respeito ao filho, especialmente em termos de disciplina: ela era mais permissiva que o marido. Outro terapeuta sugeriu que o pai não estava suficientemente presente e insinuou que não era um modelo forte para o filho. 

Porém, havia um inconveniente com as explicações: este casal em teoria com dificuldades conseguira educar dois outros rapazes bons e adaptados. Como teriam conseguido, se eram tão maus pais?

A verdade é que tinham uma relação diferente com o filho difícil. A minha doente foi a primeira a admitir que se zangava muitas vezes com ele, algo que quase nunca acontecia com os irmãos. 

Havia outra questão fundamental em aberto: se o rapaz não sofria de nenhuma problema psiquiátrico demonstrável, o que se passava? 

heresia? A minha resposta pode parecer herética, vinda de um psiquiatra. Afinal tendemos a ver o mau comportamento como uma psicopatologia a exigir tratamento: não existem pessoas más, apenas doentes. Mas talvez este jovem não passasse de uma pessoa má. 

Durante anos, os profissionais de saúde mental foram treinados para ver as crianças como meros produtos do seu ambiente, intrinsecamente boas até serem influenciadas no sentido contrário. Por trás de um mau comportamento crónico estava um pai ou uma mãe. 

Contudo, embora não pretenda deixar os maus pais fora do assunto - infelizmente são demasiados, dos malignos aos apáticos -, permanece o facto de pais decentes poderem criar filhos malvados. 

Quando digo "malvados" não quero dizer psicopatas. A literatura científica é abundante em escritos sobre psicopatas, incluindo as histórias de abuso na infância, a tendência precoce para violar as regras e a crueldade com colegas e animais. Alguns estudos sugerem que este comportamento anti-social pode ser modificado com ajuda dos pais. 

No entanto, não se tem escrito muito acerca de pais bons com filhos doentios. 

resistir aos filhos Outro doente falou--me do filho, então com 35 anos, que, apesar dos muitos privilégios, tinha mau génio e era mal-educado com os pais - recusava-se a devolver telefonemas e emails, mesmo quando a mãe esteve muito doente. "Temos dado voltas à cabeça para perceber por que razão o nosso filho nos trata assim", contou-me. "Não sabemos o que fizemos para merecer isto." Aparentemente, muito pouco. 

Admiramos a criança resistente que sobrevive aos pais mais doentios e ao pior ambiente em casa e consegue ter êxito na vida. Contudo, o contrário - a noção de que algumas crianças podem ser as sementes más de pais decentes - é difícil de aceitar.

Vai contra a ordem normal, não apenas por parecer uma avaliação triste e pessimista, mas por violar a crença social de que as pessoas têm um potencial praticamente ilimitado para a mudança e para o auto-aperfeiçoamento. 

Nem toda a gente se revela brilhante - tal como nem todos se revelam simpáticos e amorosos. E isso não será necessariamente devido ao fracasso dos pais ou ao mau ambiente doméstico. Acontece porque os traços de carácter que revelamos no dia-a-dia, como todo o comportamento humano, têm componentes genéticas, que não podem ser inteiramente modeladas pelo melhor dos ambientes, e menos ainda pelos melhores psiquiatras.

"Os pedopsiquiatras, hoje, acreditam que a doença está muitas vezes na criança e que as reacções da família podem agravar o cenário, mas não criá-lo por completo", diz o meu colega Theodore Shapiro, pedopsiquiatra do Weill Cornell Medical College. "A era do 'não há crianças más, apenas pais maus', passou." 

Lembro-me de uma doente me confessar ter desistido de manter um relacionamento com a filha de 24 anos. Já não suportava as críticas contínuas. "Ainda a amo e tenho saudades dela", disse, com tristeza. "Mas na verdade não gosto dela." Para o melhor ou para o pior, os pais têm pouco poder para influenciar os seus filhos. Por isso não devem precipitar-se a assumir todas as culpas - ou créditos - por tudo aquilo em que os filhos se transformam.



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Sexta-feira, 21.05.10

Porque são irrequietas as crianças na escola?

 

Em qualquer escola há sempre aqueles alunos que nunca estão quietos. Levantam-se da cadeira, empurram os colegas, respondem aos professores, rabiscam os cadernos em vez de estarem atentos. Será que perderam o interesse pela escola? Será que gostariam de estar a brincar no recreio em vez de ficarem encafuados numa sala? Será que não gostam da matemática nem gostam de aprender a ler? Não é nada disso. "Boa parte das crianças mostra esse tipo de comportamentos porque é a sua forma de reagir ao medo que sente perante o fracasso", conta Paula Espada, professora da Escola Básica nº 3, em Sacavém, no concelho de Loures.

Paula Espada quis perceber os motivos que levam os miúdos da sua escola a serem irrequietos. E tão teimosa foi essa dúvida que acabou em tese de mestrado sob o título "Diferentes modos de sentir e de agir em contextos divergentes: (re)acções das crianças perante o fracasso". Durante um ano lectivo inteiro, a professora primária andou de sala em sala de aula a observar de perto 16 alunos do 1º ano e ainda outros 20 do 4º ano. Conversou com eles, ouviu as suas confissões e esteve atenta a todos os comportamentos que tiveram nas aulas

No final do ano, descobriu que quando os miúdos estão desatentos, isso quer dizer, na maioria das vezes, que não perceberam a matéria e não conseguiram executar o exercício que a professora pediu. "Perante o medo de falhar, os alunos procuraram várias estratégias para evitar enfrentar aquilo que mais lhes custa: o fracasso." Nem todos reagiram da mesma maneira, diz a professora

Os alunos de seis e sete anos, por exemplo, fingem ter dores de barriga ou dores de cabeça, riscam as carteiras, rabiscam os livros ou rasgam as folhas dos cadernos só para adiar fazer a tarefa pedida na aula. Tanta irrequietude só porque não sabem como fazer a tarefa escolar nem conseguem pedir ajuda. Do outro lado estão os alunos do 4º ano que, em vez de danificar o material escolar para esconder o medo, recorrem aos colegas do lado para fugir aos trabalhos ou aos exercícios complicados: "Levantarem-se do seu lugar sem autorização do professor, implicar com o colega de lado, causar distúrbios ou fazer tudo para ser o centro das atenções foram os comportamentos mais frequentes nas turmas do 4º ano."

Motivados Um dos objectivos iniciais de Paula Espada passava por tentar perceber se a reacção ao medo de errar é diferente nas raparigas e nos rapazes e ainda avaliar se esse receio diverge consoante a etnia ou cultura familiar, uma vez que a esmagadora maioria da população da Escola Básica nº 3 deSacavém é filha da primeira ou segunda geração de imigrantes oriundos dos países de língua oficial portuguesa: "Não encontrei qualquer diferença. Qualquer um deles quando começa a frequentar a escola está bastante motivado."

O primeiro dia de aulas foi o momento mais marcante para os 36 alunos entrevistados. "Chegaram à escola cheios de expectativas e sentiram-se importantes por iniciar uma nova fase nas suas vidas", conta a professora. Ao longo dos anos, a motivação não desaparece, apenas se transforma, conta a professora: "Se no primeiro ano, a principal motivação passa por fazer bem todas as tarefas e agradar ao professor, no 4º, os alunos concentram todas as energias em passar de ano e transitar para o segundo ciclo. O medo de ficar para trás é o que prevalece entre os mais velhos."

Os truques E o medo de falhar entre as crianças do primeiro ciclo pode surgir todas as maneiras. Paula Espada dá aulas há 14 anos e já sabia que quando os alunos não estão atentos é porque não conseguem acompanhar a matéria. Só não desconfiava que os miúdos tinham tantos subterfúgios para evitar o fracasso. Ao longo do ano foi anotando todos os comportamentos e no fim contabilizou 43 truques que os alunos usaram para esconder a vergonha que sentem por não saberem executar um exercício: "Por vezes, as atitudes são tão imperceptíveis que perante uma turma de 19 ou 20 alunos é difícil conseguir detectar que a criança precisa de ajuda."

Esses episódios isolados não chegam para explicar o insucesso escolar, avisa a professora, mas "é da soma dos pequenos fracassos que deriva o insucesso escolar". Daí a razão para Paula Espada afastar do seu estudo o "insucesso quantitativo". A professora da escola básica de Sacavém não se interessou pelas notas dos alunos nos testes ou nas pautas do final de ano: "Optei por estudar aquilo que não se vê, que é silencioso e, por isso, pode escapar à nossa atenção."

 

Via Ionline



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Quarta-feira, 14.10.09

 Mãe má

 

MÃE MÁ


O texto abaixo foi entregue pelo professor de Ética e Cidadania da escola Objectivo/Americana, Sr. Roberto Candelori, a todos os alunos da sala de aula, para que entregassem a seus pais.A única condição solicitada pelo mesmo foi de que cada aluno ficasse ao lado dos pais até que terminassem a leitura.

“Um dia quando os meus filhos forem crescidos o suficiente para entender a lógica que motiva os pais e mães, eu hei de dizer-lhes:
- Eu amei-vos o suficiente para ter perguntado aonde vão, com quem vão e a que horas regressarão.
- Eu amei-vos o suficiente para não ter ficado em silêncio e fazer com que vocês soubessem que aquele novo amigo não era boa companhia.
- Eu amei-vos o suficiente para vos fazer pagar os rebuçados que tiraram do supermercado ou revistas do jornaleiro, e vos fazer dizer ao dono: “Nós tirámos isto ontem e queríamos pagar”.
- Eu amei-vos o suficiente para vos deixar ver além do amor que eu sentia por vocês, o desapontamento e também as lágrimas nos meus olhos.
- Eu amei-vos o suficiente para ter ficado em pé, junto de vocês, duas horas, enquanto limpavam o vosso quarto, tarefa que eu teria feito em 15 minutos.
- Eu amei-vos o suficiente para vos deixar assumir a responsabilidade das vossas acções, mesmo quando as penalidades eram tão duras que me partiam o coração.
Mais do que tudo, eu amei-vos o suficiente para vos dizer NÃO, quando eu sabia que vocês poderiam me odiar por isso (e em alguns momentos até odiaram).
Estas eram as mais difíceis batalhas de todas. Estou contente, venci... Porque no final vocês venceram também! 
E qualquer dia, quando os meus netos forem crescidos o suficiente para entender a lógica que motiva os pais e mães; quando eles lhes perguntarem se a sua mãe era má, os meus filhos vão lhes dizer:“Sim, a nossa mãe era má. Era a mãe mais má do mundo...
As outras crianças comiam doces no café e nós só tinhamos que comer cereais, ovos, torradas. 
As outras crianças bebiam refrigerante e comiam batatas fritas e sorvetes ao almoço e nós tinhamos que comer arroz, feijão, carne, legumes e frutas. 
Tinha que saber quem eram os nossos amigos e o que nós fazíamos com eles.Insistia que lhe disséssemos com quem iamos sair, mesmo que demorássemos apenas uma hora ou menos.
 Ela insistia sempre connosco para que lhe disséssemos sempre a verdade e apenas a verdade.E quando éramos adolescentes, ela conseguia até ler os nossos pensamentos. 
A nossa vida era mesmo chata!Ela não deixava os nossos amigos tocarem a buzina para que saíssemos; tinham que subir, bater à porta, para ela os conhecer.
Enquanto todos podiam voltar tarde tarde da noite com 12 anos, tivemos que esperar pelos menos 16 para chegar um pouco mais tarde, e aquela chata levantava para saber se a festa foi boa (só para ver como estávamos ao voltar).
Por causa da nossa mãe, nós perdemos imensas experiências na adolescência.- Nenhum de nós esteve envolvido com drogas, em roubo, em actos de vandalismo, em violação de propriedade, nem fomos presos por nenhum crime.
FOI TUDO POR CAUSA DELA!”Agora que já somos adultos, honestos e educados, estamos a fazer o melhor para sermos “PAIS MAUS”, como a minha mãe foi.

EU ACHO QUE ESTE É UM DOS MALES DO MUNDO DE HOJE: NÃO HÁ SUFICIENTES MÃES MÁS!

 

Recebido por mail



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Domingo, 20.09.09

Porque roubam as crianças?

 

 A tarde de compras acabou. Artur (nome fictício), de quatro anos, e os pais metem--se no carro e regressam a casa. Durante a viagem rebenta a discussão conjugal. O pai irrita-se com a mãe, depois de olhar pelo retrovisor. No banco de trás, Artur delicia-se, inocentemente, com uma tablete gigante de chocolate. "Estraga-lo com mimos, depois queixas-te que ele não janta." Pressionado, Artur confessa o crime. Ninguém lhe comprou a guloseima: trouxe-a directamente da prateleira do supermercado.


Embaraçado, o casal dá meia volta e obriga o filho a devolver o que roubou. "E podes ter a certeza que te vou descontar um euro e meio no próximo presente que te der", garante-lhe o pai. Situações assim são comuns na infância. Mais do que se pode pensar. E quem tem filhos sabe-o bem. Os pequenos furtos inocentes transformam-se em grandes problemas para os pais - vergonhas no supermercado, chamadas à escola, pedidos de desculpa constrangedores. E, acima de tudo, o medo de que volte a acontecer. 

Como lidar com o problema? Quando os pais percebem que a criança tirou alguma coisa, o primeiro passo deve ser explicar-lhe "muito concretamente e explicitamente que roubar é errado", recomenda o pediatra Mário Cordeiro. E não basta obrigá-la a devolver o objecto furtado. Deve ser sempre a criança a fazê-lo, "mas os pais devem ajudar, porque se trata de um processo que a envergonha e humilha". O ideal é que os pais falem previamente com a pessoa lesada, de maneira a negociar uma boa dose de compreensão e uma reprimenda à altura. Mas o mais importante de tudo é que a criança não beneficie, em nenhuma circunstância, do objecto roubado, de forma a perceber que "o crime não compensa". 

A repreensão dos pais tem de ser sempre firme, independentemente de se tratar de um objecto valioso ou de uma ninharia. "Porque a gravidade é a mesma e a escala de valores é muito pessoal e falível", justifica Mário Cordeiro. Um pequeno brinquedo tirado a outra criança pode ser considerado uma ninharia pelos pais, mas o seu desaparecimento pode criar grande angústia a quem ficou sem ele. 

Convencer um filho a devolver um objecto roubado pode revelar-se uma tarefa árdua. "Muitas vezes, o objecto torna-se o mais importante de todos para a criança e é difícil convencê-la a abdicar dele sem que ela se sinta, também, roubada", adverte o pediatra. Ainda assim, é preciso fazer com que entenda que "roubar não é aceitável, segundo os valores da sociedade, da tradição e da família em causa". Pode acrescentar-se que, quando alguém se apropria de uma coisa de outra pessoa, o lesado "fica sem o objecto e vai sofrer por causa disso". 

Exemplos práticos A noção de propriedade pode ser transmitida de várias formas, com exemplos práticos, utilizando utensílios, bonecos, brinquedos e outras coisas que sejam da criança. Deve-se interrogá-la: "Como te sentirias se alguém viesse e roubasse as tuas coisas?" Mais do que assustar e repreender, interessa pô-la perante dilemas morais e levá-la a assumir a responsabilidade dos seus actos. "Principalmente demonstrar-lhe que tudo na vida tem consequências para o próprio e para os outros", resume Mário Cordeiro. Igualmente importante é que os pais não centrem a situação neles e "não vejam como o maior problema a vergonha de ser pais de um ladrão. Deverão antes interrogar-se sobre as razões pelas quais o filho terá cometido esse erro", recomenda Mário Cordeiro.

E se voltar a acontecer? Depois de o assunto estar resolvido, não é boa política voltar a trazê-lo à tona. Deve assumir-se que a lição foi aprendida. "Contar a história repetidamente, especialmente em público, pode ser con- traproducente e, diria mesmo, desleal", alerta o pediatra.

Mas se os roubos continuarem impõem--se outras medidas, até porque poderá ser sinónimo de que existe uma disfunção emocional. "Actos assim traduzem tristeza, insatisfação, ansiedade elevada, desadaptação e dificuldade em ser aceite socialmente", acredita a psicóloga infantil Rita Jonet. "São acções compensatórias", resume. Por norma, as crianças que roubam têm dificuldade em fazer amizades e construir relações, centrando-se na desconfiança. "Em vez de se sentirem culpadas, começam a culpar os outros porque consideram que eles é que não lhes deram o que lhes seria devido e vitimizam-se com frequência", acrescenta Mário Cordeiro. Os casos de roubo frequentes devem ser participados pelos pais ao médico assistente para que sejam discutidas as razões que poderão estar por trás desse comportamento. Mas nunca à frente da criança. Rita Jonet garante que a melhor forma de ajudar "é perceber a causa do furto e quanto mais cedo se intervier, mais probabilidade existe de a intervenção ser eficaz e de não descambar em cleptomania".

Porque roubam as crianças? Nas primeiras vezes, as justificações dos mais pequenos são descomplicadas: "Trouxe para casa porque encontrei no pátio da escola" ou "foi um colega que me deu, porque já não queria". Mas quando acontece com frequência é inevitável: os pais ficam angustiados. "A inquietação principal reside no facto de não saberem o que levou a criança a praticar o acto, qual a sua dimensão, há quanto tempo isso acontece e o seu significado", reconhece Mário Cordeiro. A dúvida principal é sempre a mesma. A criança está a passar apenas por uma situação transitória dentro dos parâmetros da normalidade do desenvolvimento infantil ou o acto é o prenúncio de uma vida de delinquência?

Os especialistas são unânimes e garantem que é "normal" que a criança se aproprie de uma coisa pela qual se interessa. "E isso não pode ser considerado propriamente um roubo, pelo menos até que ela tenha idade suficiente para perceber que o objecto de que se apropriou é de outra pessoa", explica Rita Jonet. Esta noção de sentimento de posse e de transição de posse surge entre os três e os cinco anos. Rita Jonet defende que só se pode falar verdadeiramente em cleptomania a partir dos sete ou oito anos "porque aí já há maior consciência do acto". 

Mas o que leva as crianças a roubar? "Podem querer o mesmo que um irmão ou uma irmã, perante os quais se sentem desfavorecidos", sugere Mário Cordeiro. Mas há outras razões: "Para se fazerem valer perante os colegas, já que roubar pode ser entendido como uma atitude de liderança ou coragem", "para poderem ter um presente para dar e assim conseguirem fazer amigos ou tornar-se populares" ou por causa de "predisposições genéticas e alguns factores sociais e económicos", como enumera o pediatra Paulo Oom.

Mas não há uma explicação concreta para o aparecimento da cleptomania. A maior parte dos especialistas concorda que se trata de um problema que tem a ver com carência afectiva da criança - que rouba na tentativa de compensar o amor e a atenção que não encontra em casa. A psicóloga brasileira Nancy Earlach, que se tem dedicado ao estudo desta perturbação de personalidade, sugere mesmo que os furtos acontecem "em crianças frustradas". E Rita Jonet concorda: "A criança autocompensa-se com coisas, num descontrolo perfeito e numa ansiedade desenfreada, num apelo de atenção, porque prefere ser castigada a ser ignorada." Por isso, os pais devem reflectir e perceber se lhe têm dado a atenção e o carinho devidos. E se, apesar de uma atitude consertada dos pais e educadores, os furtos continuarem, então está na altura de procurar apoio especializado.

 

Via ionline



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