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Um olhar sobre o Mundo

11
Mar10

Cyber-bullying: Google e Facebook debaixo de fogo

olhar para o mundo

 Um vídeo no YouTube de uma criança deficiente a ser espancada pelos colegas e as página de tributo a duas crianças mortas invadidas por comentários obscenos e imagens pornográficas no Facebook. Aconteceu em Itália e na Austrália.

Se o primeiro caso resultou na condenação por um tribunal de Milão, a 24 de Fevereiro, de três executivos da Google a uma pena suspensa de seis meses de prisão, o segundo suscitou a ira dos pais das crianças que em carta dirigida ao fundador da popular rede social, Mark Zuckerberg, lamentaram que uma iniciativa que poderia atenuar a sua dor lhe tenha provocado tamanho sofrimento.

Mais não será preciso para relançar o debate em torno da liberdade de expressão na Internet. Até que ponto estes sites deverão (ou poderão) controlar os vídeos, fotografias e comentários publicados por milhões de utilizadores?

Em Maio de 2009, segundo o blogue oficial do YouTube , eram submetidas neste site 20 horas de vídeo por minuto. O Facebook, por seu lado, garante que já terá ultrapassado os 400 milhões de utilizadoresregistados.

Internet ferida de morte


Para o jornalista Jeff Jarvis, autor do influente blogue BuzzMachine , o que o tribunal italiano pretende é que os sites validem antecipadamente tudo o que publicam. O resultado prático, argumenta, é que "nenhum sitepermitirá a publicação porque o risco é muito grande". "Isso mata a Internet", remata.

Também o vice-presidente da Google, Matt Sucherman, num artigo publicado no blogue oficial da empresa norte-americana defendeu que a sentença do tribunal de Milão "ataca o princípio da liberdade sobre o qual a Internet foi construída".

A ideia de que a Internet deve ser policiada não é nova mas está a ganhar terreno nos Estados Unidos e na Europa.

No velho continente, a necessidade de proteger os direitos de autor combatendo a pirataria, já motivou iniciativas legislativas em França e no Reino Unido que na prática atribuem aos os fornecedores de acesso à Net o ingrato papel de polícia (ou censor) da rede. Uma tendência que está a deixar alguns observadores muito preocupados como John Morris, do Centro para a Democracia e Tecnologia em Washington.

Responsabilidade partilhada


Em resposta à carta que os pais das crianças australianas enviaram para o fundador do Facebook, a porta-voz da popular rede social, Debbie Frost, respondeu nos seguintes termos: "O Facebook é intensamente auto-regulado e os utilizadores podem e devem reportar conteúdos que considerem questionáveis ou ofensivos".

Uma resposta que pouco terá servido de consolo aos pais e que coloca os sites que vivem do conteúdo submetido pelos seus utilizadores na mira da opinião pública. À medida que o tempo passa e os episódios de abusos de liberdade de expressão acontecem, sites como o YouTube (propriedade da Google) e o Facebook estão a perder a imagem de paladinos da liberdade.

"Vivemos numa sociedade onde se espera que as empresas assumam as suas responsabilidades", afirma Karen North da Universidade do Sul da Califórnia. Acontece que, acrescenta a especialista em comunidades online, "os internautas são convidados a publicar conteúdos, mas também a partilhar as responsabilidades".

"Na Internet todos somos responsáveis por monitorizar os conteúdos que nos surgem no ecrã, para que os valores da sociedade se mantenham intactos", defendeu Karen North.

 

Via Expresso

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