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Um olhar sobre o Mundo

Porque há muito para ver... e claro, muito para contar

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Um olhar sobre o Mundo

09
Jan10

As Fotos dos Orgasmos genuínos de Clara Pinto Correia...

olhar para o mundo

 

Orgasmos genuinos de Clara Pinto Correia

 

Em Cascais, há dez fotos com expressões de Clara Pinto Correia, retratada pelo marido, Pedro Palma.

 

O fascínio habitava a cabeça de Pedro Palma, jornalista e cartoonista, há muitos anos. "Queria perceber a evolução das expressões da mulher durante o orgasmo até à do sofrimento final, em que parece estar a ser torturada", diz. Pelo caminho atravessou-se-lhe Clara Pinto Correia, com quem se casou. E surgiu a exposição Sexpressions, inaugurada ontem em Cascais: três câmaras, três tentativas, seis mil fotos e os orgasmos no rosto de Clara estão em exibição. A ideia é mais ambiciosa: internacionalizar a mostra.

Ainda que Pedro Palma se mantenha na penumbra do conhecimento sobre a matéria em causa ("não estou totalmente iluminado"), a exposição, diz o autor, "está lindíssima". "Já andam muitos comentários horrorosos na internet, mas nunca foi para expor a Clara. Este foi um projecto para uma exposição, as fotos nem sequer estão à venda", acaba por se defender.

As dez fotografias são o resultado final das cerca de seis mil obtidas em três fases diferentes (uma primeira "desastrosa", uma segunda mais animadora e, uma terceira que "foi de vez"). E a plataforma (exposição), a possível. "A ideia original era fazer um livro muito cuidado e caro. O Paulo Teixeira Pinto [Babel] mostrou interesse, mas não chegámos a um acordo a tempo", explica Pedro. O que não lhes restringiu a ambição: "Estamos à procura de um patrocinador para internacionalizarmos a exposição. Talvez para Madrid, por exemplo", prossegue. Mas, nesse caso, já seguindo a ideia original de uma mostra com 20 fotos (o Centro Cultural de Cascais, que acolhe a exibição até 7 de Fevereiro, não tem espaço). Para já, deu para fazer um catálogo de cem exemplares numerados e assinados.

No trabalho de Pedro Palma e Clara Pinto Correia, garante o jornalista, não há encenações. Foram mesmo cenas de sexo do casal, com três câmaras fixas e muito planeamento para que o corpo de Pedro não travasse a trajectória das câmaras a caminho da cara de Clara. "Por isso é que só poderia ser feito por um casal", justifica. Só a intimidade, defende, poderia garantir a genuinidade que assegura estar retratada em Cascais.

O tema (sexo) é prenhe de mitos. Serão todos os orgasmos genuínos "Fingidos? De jeito nenhum". Existe, então, o ponto G? "Não acredito nisso. O único que conheço é o da aeronáutica [força G]. Mas talvez a foto final, com a Clara a fumar relaxada, seja afinal o ponto G..."

 

Via DN

 

07
Jan10

O êxtase sexual de Clara Pinto Correia - fotos

olhar para o mundo

 O êxtase sexual de Clara Pinto Correia

 

"Sexpressions" mostra uma viagem ao mundo do amor e do sexo através de fotografias íntimas de Clara Pinto Correia, pelas mãos do fotógrafo Pedro Palma

 

GLÓRIA

 

Tenho cinquenta anos. Devagarinho, quase sem eu dar por isso, os meus seis filhos foram seguindo as suas vidas, até estarem longe, longe. Já há muito tempo que vivo sozinha com a Bolota, numa casa pequenina no alto da montanha, na orla do bosque que não tem fim e de frente para as ondas do Atlântico que nunca acaba. Passam por aqui muitos amigos, mas a companhia íntima dos homens já me desiludiu que chegue e a das mulheres não me interessa absolutamente nada. Estou em paz.

À noite, gosto de me deitar no escuro com a Bolota, a beber um copo e a fumar em silêncio absoluto. Através da janela aberta, ouço o pio dos mochos e o coaxar das rãs, o cair da chuva e as patas dos cavalos. É bom. Enche-me de energia e faz-me sentir disposta a tudo.

Esta noite, não sei porquê, não conseguia tirar os olhos da janela aberta.

Estava a pensar numa outra noite registada na história, há já três séculos, quando John Adams, que viria a ser o segundo presidente dos Estados Unidos, e Benjamim Franklin, o mais visionário dos Founding Fathers, andavam a fazer campanha pela Revolução Americana e tiveram que partilhar a mesma cama numa hospedaria do caminho.

Olho outra vez para a janela aberta. Há qualquer coisa em mim que se revolve, inquieta, como se, de repente, fosse entrar por ali um mistério enorme. Foi esse mistério que os dois homens sábios discutiram toda a noite no século XVIII, no tal quarto que só tinha uma cama. Exactamente por causa da janela.

John Adams, calvinista devoto, insistia que a janela tinha que ficar fechada, senão morreriam os dois de pneumonia. Benjamin Franklin, deísta entusiasta para quem a Natureza não podia deixar de ser a mais gentil das damas, não parava de bradar que a janela tinha que ficar aberta, para que os zéfiros nocturnos pudessem entrar e encher-lhes o corpo e a mente de energia limpa e renovada.

A janela não parou de abrir e de fechar até ao romper da aurora.

Calvinistas! A sério, eu, que gosto de respeitar todas as fés, não consigo entendê-los. Claro que a Natureza só pode ser a mais gentil das damas, mesmo nas suas manifestações mais portentosas e destrutivas. Compete-lhe esculpir o planeta e continuar a fazer girar a grande roda. E enviar-nos todas as noites os zéfiros que nos renovam, como estes que entram agora pelo meu quarto, e que, e de repente, me arrepiam.

Passou-me pela cara um vento morno, carregado de aromas agrestes da floresta, que me brincou nos cabelos, se enroscou neles como uma cobra, e não se foi embora.

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