Sexta-feira, 02.07.10

A posição da Igreja em relação à homossexualidade e ao casamento entre pessoas do mesmo sexo deve ser alvo de reflexão tanto por parte da instituição católica como por parte da sociedade, defende Clarisse Canha.

 

A discriminação, o preconceito e a homofobia podem derivar de uma ideia mal formada, isto é, os homossexuais e as lésbicas são pessoas como todas as outras...
Posso falar a partir da minha experiência e da UMAR-Açores, principalmente dos contactos que estabelecemos nas acções de formação junto de jovens e mulheres. Há, por exemplo, jovens que questionam até que ponto a aparência de uma pessoa pode revelar se é ou não heterossexual. O que nós transmitimos é que não se pode definir nem julgar uma pessoa pela aparência. O facto de ser ou não heterossexual tem a ver com a escolha, a orientação, o gosto, a atracção e não com melhores ou piores qualidades. Com os/as jovens tem sido mais fácil desconstruir preconceitos. Lembro, num debate que promovemos com mulheres, que uma delas colocou a questão num outro campo, que passa por uma homo- fobia mais atroz, e que se prende com o facto de um homossexual ter arranjado um compa- nheiro do mesmo sexo sendo que o mesmo foi penalizado pela censura social. Essa mulher disse que iria compreender esta situação e esta declaração teve um eco positivo no grupo. Experiências desse género levam-me a crer que estamos perante uma evolução, mas ainda no patamar do conhecer directo e isso às vezes é traiçoeiro.

 

As pessoas podem até reconhecer o direito à identidade e orientação sexual, mas num contacto directo a reacção poderá não ser a mesma...
Lembro-me por exemplo de outras situações concretas de jovens, há 20 anos atrás, que assumiram uma relação homossexual e cujos pais os colocaram de parte. Passado algum tempo, o pai e a mãe vieram a compreender, mas sofreram muito e penso que esta é também uma questão de fundo. A homofobia é algo que deve ser combatido porque, para além de tudo, faz sofrer as pessoas. A primeira pessoa a sofrer é a própria vítima da homofobia. Sei que, por exemplo, em determinados países há experiências de trabalho social no sentido de conhecer o impacto da homofobia na saúde das pessoas. E às vezes esse impacto leva a que muitos recalquem sentimentos. E pode até não se tratar apenas da homossexualidade, mas também a forma de vestir ou de andar. Parece-me, por isso, que a desconstrução do preconceito é muito importante.

 

Numa outra perspectiva, há pessoas que se deslocam à UMAR-Açores para pedir algum tipo de aconselhamento?
Já aconteceram alguns casos, nomeadamente duas pessoas do mesmo sexo que queriam fazer uma vida comum e que esbarram em problemas legais. Neste aspecto, a alteração da lei foi um grande avanço. O facto de ter sido legalizado o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo tem, a meu ver, dois efeitos: o efeito legal de direito e o efeito de discussão pública. Este último esbarra com muito preconceito e muita homofobia, mas faz parte do processo e por muito que possa desagradar a quem gosta ou a quem não gosta de discutir, faz parte desta caminhada. Aquando da visita do Santo Padre a Portugal, ficou a mensagem de que a Igreja é contra duas questões: a despenalização do aborto e o casamento entre as pessoas do mesmo sexo, duas conquistas recentes de Portugal. E sobre isso também deve haver debate público porque as pessoas, no campo da sua religião, continuam a ser pessoas que lidam com a vida, com a realidade, a sua própria realidade. É importante que a sociedade discuta essa atitude ou orientação da Igreja, confrontando-a com a vida e com a realidade. A experiência diz-nos que a Igreja não tem, muitas vezes, ido à frente dos avanços da sociedade. Tem ido atrás e é pena porque isso tem prejudicado a sociedade. Espero que em relação a esta área dos direitos e identidade que a Igreja venha a reflectir em breve.


ISABEL ALVES COELHO
isabelcoelho77@hotmail.com

 

Via Expresso da Nove




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Segunda-feira, 01.06.09

Casamentos gay.

 

Vêm das artes, ensino, justiça, política. A lista do Movimento Pela Igualdade (MPI), que defende a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo, tem figuras de praticamente todos os quadrantes. Entre elas estão José Saramago, Daniel Sampaio, António Costa, Ricardo Araújo Pereira ou Miguel Sousa Tavares. 


O número de subscritores já quase ultrapassou o milhar e alguns estarão presentes amanhã, pelas 16h00, no Cinema São Jorge, onde decorrerá a apresentação oficial do MPI.

"É um assunto que interessa a toda a sociedade civil", justifica Paulo Vieira, activista da Não Te Prives, uma associação de defesa dos direitos dos homossexuais, sedeada em Coimbra. O MPI "nasceu da vontade das 11 associações que organizam as marchas gay de Lisboa e Porto, sem uma estrutura muito concreta". E se, nos finais de Abril, reunia sobretudo pessoas ligadas à causa, um mês depois inclui centenas de figuras públicas e anónimos. 

"Começámos por contactar pessoas que foram recolhendo assinaturas. É um trabalho com uma dinâmica de rede não hierarquizada, que vai muito além dos activistas LGBT", explica Vieira, para quem "o tipo de pessoas que aderiu" demonstra a urgência do debate. "A abrangência na defesa da igualdade mostra que a sociedade portuguesa quer esta mudança". 

O MPI assume-se como um movimento de pressão da sociedade civil sobre o poder político, também ele representado na lista através de Ana Drago, Edite Estrela, Ana Gomes, entre muitos outros. 

Questionado sobre a inexistência de políticos com uma orientação sexual gay - pelo menos de forma assumida -, Paulo Vieira refere que tal se deve "ao facto de a homofobia ainda ser um elemento muito importante na cultura portuguesa". "Ser homossexual ainda é mal visto e as estruturas partidárias não estão isentas dessa discriminação. São um reflexo da sociedade", lamenta o activista.

Portugal é um dos 14 países que ponderam regular o casamento entre pessoas do mesmo sexo (ver caixa). Em Janeiro, perante os militantes socialistas, José Sócrates deixou claro que chegou a altura de promover a discussão sobre os casamentos homossexuais. Trata-se, disse, de "eliminar uma discriminação histórica que não honra nenhuma sociedade aberta". 

 

Via ionline



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