Segunda-feira, 05.07.10

A igreja não vive só de avé marias

 

Gianluigi Nuzzi era jornalista na revista italiana "Panorama" quando lhe foram parar às mãos duas malas com cinco mil documentos sobre as actividades "nada santas" do Instituto para Obras Religiosas (IOR), mais conhecido como banco do Vaticano, entre as décadas de 1970 e 90. O amontoado de papéis incluía extractos bancários, cartas secretas, relatórios confidenciais, balanços sigilosos e, durante 20 anos, foi cuidadosamente compilado por monsenhor Renato Dardozzi, conselheiro do IOR desde 1974 até ao final de 1990. Antes de morrer, Dardozzi deixou uma exigência no testamento: o arquivo que construíra em segredo deveria ser tornado público. "Para que todos saibam o que aconteceu", garante Gianluigi Nuzzi. 

Os documentos deram origem ao livro "Vaticano SA" (Editorial Presença). Uma primeira advertência para os mais cépticos e pouco dados a teorias da conspiração: "Não é um livro contra o Vaticano, mas relata actos de homens que gozaram de uma confiança mal depositada", explica Gianluigi, que até admite ser baptizado, apesar de não ser católico praticante. "Tenho o problema que aflige todos os filósofos. Se o ser humano é um relógio, quem é o relojoeiro? Estou numa fase em que me interrogo sobre a fé", confessa. O investigador, que interrompe a entrevista como i para ir buscar uma cerveja, fica desconfortável quando tem de falar de si próprio, mas entusiasma-se quando se lhe pede para explicar os complexos esquemas que o Vaticano escondeu durante mais de 30 anos.

Uma Igreja nada santa Não é uma história. São vários enredos, que incluem mortes misteriosas, silêncios, suspense, muitos pecados e demasiadas omissões. "No Vaticano a verdade nunca é uma só. Muito menos quando se trata de números", garante. 

O arquivo de Dardozzi permite reconstituir a existência, no IOR, de contas da máfia - por exemplo de Vito Ciancimino, condenado por ligações à Cosa Nostra e à máfia siciliana. O Vaticano terá tentado, também, financiar a criação de um novo partido político. Até os donativos dos fiéis para serem rezadas missas pelos defuntos seriam usados para outros fins. Tudo com base num sistema de contas encriptadas. 

"Eram abertas em nome de fundações que não existiam, como 'fundo para a leucemia' ou 'fundo para as crianças pobres'", recorda Gianluigi Nuzzi. Essas contas eram identificadas apenas por códigos numéricos, que conduziam aos pseudónimos dos seus titulares, como "Roma", "Ancona" ou "Omissis" - este último remeteria para Giulio Andreotti, primeiro-ministro de Itália por sete vezes, pelo partido democrata-cristão. "Ainda hoje não se sabe ao certo quanto dinheiro terá passado por estas contas, mas no mínimo entre 276 a 300 milhões de euros." 

Em Fevereiro de 1992 arranca, em Itália, a operação "Mãos Limpas", que tem como alvo os políticos da primeira república, depois do escândalo do megassuborno Enimont. E é aqui que os magistrados percebem "que boa parte do dinheiro tinha passado pelo banco do Vaticano e era depois depositado em contas no estrangeiro". O esquema era possível graças ao estatuto e aos acordos com o Estado italiano que ainda hoje permitem ao IOR "um modo de operação bancária offshore". O banco também goza de uma administração autónoma na Santa Sé; os seus dirigentes não podem ser interrogados, processados ou presos em Itália. O Vaticano pode até nem responder às rogatórias da justiça, se assim o entender. "Apesar de já ter sido assinada uma convenção monetária entre o Vaticano e a União Europeia que obrigará a Santa Sé, a partir de Janeiro de 2011, a adequar as suas normas às do espaço comunitário no que diz respeito à lavagem de dinheiro", adianta o jornalista. 

O arquivo de Dardozzi permite também perceber que João Paulo II "foi informado das irregularidades em 1992 e nada fez". E que o Papa tem direito a um fundo pessoal e confidencial que escapa aos balanços oficiais que a Santa Sé apresenta todos os anos. Só em 1993, João Paulo II terá arrecadado 121,3 milhões de euros. Até agora, o Vaticano não se pronunciou sobre este livro polémico que já está traduzido em oito países.

 

Via ionline



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Segunda-feira, 22.02.10

Como ajudar a Madeira

 

 A tragédia na Madeira já levou diversas instituições a abrirem contas bancárias direccionadas para a ajuda às populações da ilha. Saiba aqui como pode ajudar:

Caritas Portuguesa: a instituição vai enviar para a sede, no Funchal, ajuda financeira de 25 mil euros para apoiar as vítimas da intempérie. Desde sábado que a equipa da Caritas do Funchal está no terreno, a ajudar as populações. Para ajudar, deposite o donativo na conta "Cáritas ajuda a Madeira", nos balcões do Montepio, ou através de transferência bancária. N.I.B. 0036 0000 9910 5878 2439 4

 

BES: lançou uma campanha de solidariedade para o apoio às vítimas da Madeira, criando uma conta para receber donativos e avançando meio milhão de euros, ao mesmo tempo que criou uma linha de crédito de 1,5 milhões a 'spread' zero.

N.I.B 0007 0000 0083 4282 9362 3

 

BBVA Portugal: foi a segunda instituição financeira a promover uma campanha de solidariedade a favor das vítimas da catástrofe da Madeira, depois de o Banif ter avançado no domingo com uma iniciativa semelhante. 

N.I.B 0019 0001 00200181 6891 5

 

Banif: abriu no domingo uma conta bancária "com o objetivo de apoiar as vítimas do mau tempo" na Madeira, tendo contribuído, para já, com 50 mil euros. 

N.I.B 0038 0040 5007 0070 7711 1

 

Banco Santader Totta: abriu a "Conta Santander Totta Solidariedade com a Madeira", para angariar fundos de apoio às vítimas das inundações do arquipélago, tendo efectuado um donativo inicial de 100 mil euros. A conta está disponível para todas as pessoas que queiram contribuir através de depósito ou transferência bancária.

Via Ionline

N.I.B 0018 0003 2271 3788 0202 1.

 



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