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Um olhar sobre o Mundo

Porque há muito para ver... e claro, muito para contar

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Um olhar sobre o Mundo

26
Abr10

Sexo, mentiras e violência na História de Portugal

olhar para o mundo

sexo,mentiras e violência na história de Portugal

 

Como escreve Ferreira Fernandes no prefácio de "Histórias Rocambolescas da História de Portugal", o autor João Ferreira "tem formação de historiador e prática de jornalista". No livro que é hoje lançado no mercado contam-se e desmistificam-se "histórias misteriosas e fantásticas de Portugal", como a do filho que afinal não bateu na mãe - ou seja, D. Afonso Henriques. Mas também a vida de Viriato, o pastor salteador e general que não nasceu na serra da Estrela, mas algures entre o Alentejo, a Extremadura espanhola e a Andaluzia. E muito mais: sexo, mentiras e violência, de Afonso Henriques à actualidade, incluindo Salazar, o 25 de Abril e o PREC. O i escolheu sete episódios dos muitos que pode ler nesta obra publicada pela Esfera dos Livros

Viriato Pastor, salteador, general, quem foi afinal o chefe dos lusitanos que desafiou o poder de Roma?

Viriato não nasceu nos montes Hermínios (serra da Estrela) nem era um humilde pastor. Na verdade, vivia bem mais para sul, entre os actuais Alentejo, Extremadura espanhola e Andaluzia. Seria filho de um chefe tribal (Comínio) e casou com a bela Tongina (ou Tangina), filha de um rico proprietário da Bética (Andaluzia) chamado Astolpas - cujas ofertas, por altura do casamento, recusou. O nome Viriatus é de origem celta e significa aquele que usa viria (pulseiras ou braçadeiras de metal) nos braços. Como não era o primogénito, não herdou os bens do pai: optou por ser salteador como modo de vida, o que lhe permitiu ganhar experiência guerreira. Foi por isso que os historiadores greco-romanos - Apiano de Alexandria, Floro, Possidónio, Dião Cássio - lhe chamaram dux latronorum (chefe de ladrões), sempre elogiando, no entanto, a sua bravura, lealdade e capacidade de liderança: de pastor a guerrilheiro e a general. Em 139 a.C. o senado romano rompeu as tréguas e enviou à Hispânia Ulterior o general Quinto Servílio Cipião, que após uma ofensiva vitoriosa obrigou Viriato a negociar a paz. O chefe lusitano enviou três emissários - Audaz, Ditalco e Minuro -, que foram aliciados por Cipião e acabaram por assassiná-lo. Os três amigos desleais pediram a Cipião a recompensa prometida, mas terão ouvido a resposta: "Roma não paga a traidores."

D. Afonso Henriques Afinal o filho não bateu na mãe

Um dos mais conhecidos episódios da História de Portugal relaciona-se com o facto de D. Afonso Henriques ter batido na mãe, D. Teresa. Contudo ficou provado que a origem de tal mito deverá ser atribuída à historiografia portuguesa, através da IV Crónica Breve de Santa Cruz de Coimbra. Estaria tudo certo - se a "maldição" não tivesse sido posta na boca de D. Teresa muitos anos depois da batalha de S. Mamede e do desastre de Badajoz. Na verdade, a derrota da mãe saldou-se por uma retirada com toda a segurança para as terras dos Trava, em Límia, na Galiza, onde D. Teresa acabou por morrer em 1130. Nem o filho bateu na mãe nem ficou zangado com o padrasto galego.

D. Sancho II Frouxo no trono e na cama

Se o pai, D. Afonso II, passou à história como "gafo" (leproso), as mazelas de Sanchoteriam sido do corpo e da alma. Embora ninguém pudesse contestar a sua valentia como chefe militar - aumentou o território nacional através da conquista de um número significativo de castelos e cidades aos mouros -, ganhou a triste fama de mau rei, governante incapaz, marido impotente e enganado pela mulher. (...) O mal-estar geral aumentou quando o rei se casou, já na década de 1240, com uma nobre espanhola, D. Mécia Lopes de Haro (1210-1270 ou 1271), de quem ainda era primo. A nova rainha era filha do poderoso senhor da Biscaia, Lopo Dias de Haro, por alcunha "o Cabeça Brava", e de D. Urraca, filha bastarda do rei Afonso IX de Leão e meia-irmã de Fernando III de Castela. D. Mécia já tinha sido casada, mas ficara viúva muito jovem. D. Sancho, encantado com a beleza da sua rainha, encheu-a de riquezas, fazendo-a senhora de Torres Vedras, Sintra, Ourém, Abrantes, Penela, Lanhoso, Aguiar de Sousa, Celorico de Basto, Linhares, Vila Nova de Cerveira e Vermoim. O povo, que vivia na miséria, passou a odiar a rainha - estrangeira, bela e rica. O casamento entre parentes próximos era frequente nas cortes ibéricas da Reconquista: bastava obter do Papa a "dispensa de consanguinidade". Mas os nobres e bispos aproveitaram para dar novo fôlego à conspiração contra o rei. Escreveram ao Papa a denunciar a situação e em Fevereiro de 1245 Inocêncio IV declarou nulo o casamento e ordenou que o casal "empeçado" (ilegítimo) se separasse. Mal soube que D. Mécia fora levada para o castelo de Ourém, D. Sancho reuniu um pequeno exército para ir libertá-la. A vila foi cercada e o rei preparava-se para recuperar a mulher - quando ela se recusou a voltar para ele, assumindo a adesão ao partido de D. Afonso. O escândalo foi tremendo. D. Mécia foi acusada de ter anuído ao rapto, em conluio com o cunhado D. Afonso. Pior: a recusa em voltar para o marido, associada ao facto de não haver filhos do casamento, deu origem ao rumor de que D. Sancho era impotente. 

D. Afonso V Matou o sogro e tio D. Pedro

O exército real pôs-se a caminho de Coimbra e parou em Santarém. D. Pedro juntou as suas tropas e, a 5 de Maio, partiu de Coimbra. Apesar de saber que o rei estava em Santarém, dirigiu-se a Lisboa. Informado da marcha do tio e sogro, D. Afonso V também se encaminhou para a capital. Os dois exércitos encontraram-se junto à ribeira de Alfarrobeira, nas cercanias de Alverca, no dia 20 de Maio. As tropas do rei, muito superiores, esmagaram os partidários de D. Pedro, que morreu em combate, aos 56 anos. Com ele tombou o seu amigo D. Álvaro Vaz de Almada, conde de Avranches, que, perante o ataque inimigo, teve um desabafo que passou à história: "Fartar, vilanagem!" A crueldade adolescente de D. Afonso V, à data com 17 anos, foi ao ponto de recusar sepultura ao corpo do tio e sogro. Os familiares e partidários de D. Pedro foram perseguidos e espoliados. Só devido à pressão do duque de Borgonha, casado com D. Isabel de Portugal (irmã de D. Pedro e tia do rei) é que os filhos do ex-regente puderam sair do país em segurança. Um viria a ser cardeal (D. Jaime), outro conde de Barcelona (D. Pedro) e outro ainda rei de Chipre (D. João).

D. João V Um rei viciado em sexo no convento

Obcecado por freiras e viciado em afrodisíacos, D. João V reconheceu ser o pai dos "Meninos de Palhavã". Entre as suas inúmeras amantes, uma ficou especialmente conhecida nos anais da nossa História: madre Paula, uma freira do convento de Odivelas que viu a sua simples cela ser transformada nos aposentos dignos de uma rainha. "D. João V perdia a cabeça por todas as mulheres", escreveu o historiador Oliveira Martins, "mas a sua verdadeira paixão estava em Odivelas, no ninho da madre Paula". D. João V, que ficou para a história como "o Magnânimo", teve o cuidado de sublinhar naquela declaração que os seus filhos eram de "mulheres limpas de todo o sangue infecto" - isto é, as amantes reais não eram judias nem mouras nem negras. O mais velho era filho de D. Luísa Inês Antónia Machado Monteiro, o do meio de Madalena Máxima de Miranda e o mais novo de Paula Teresa da Silva, a célebre madre Paula do convento de Odivelas. Os dois últimos foram resultado de uma moda espalhada pela Europa ocidental nos séculos XVII e XVIII: os amores ilícitos entre nobres e freiras. O rei ia a Odivelas quase todas as noites - mas não era para rezar. D. Francisco de Mascarenhas, conde de Cucolim, teve um desabafo perante essa fraqueza do monarca: "Ali perde a vergonha."

D. Maria I Rainha louca para um país de doidos

Maria I (1734-1816), a primeira mulher que governou Portugal, ficou conhecida como a rainha louca. Se D. Maria, que tinha 42 anos quando subiu ao trono, não era propriamente uma mulher bela, o rei consorte, esse então era considerado ainda mais feio do que Carlos III de Espanha - e este era conhecido como um dos homens mais feios da Europa do seu tempo. À falta de atractivos físicos aliava D. Pedro III a pouca inteligência. Na corte puseram- -lhe a alcunha do "capacidónio": era uma das suas palavras preferidas e com ela se referia às pessoas a quem tencionava atribuir um cargo, depois de ter apanhado de ouvido que alguém era "capaz e idóneo" para determinado emprego... As notícias da revolução francesa foram encontrar D. Maria I num estado de grande fragilidade. Acabou por perder completamente o juízo. No princípio de 1792, a rainha foi sangrada e levada a banhos mas, no dia 10 de Fevereiro, os mais prestigiados médicos do reino assinaram um boletim confirmando que "a saúde de Sua Majestade no estado em que se acha" não lhe permitia ocupar-se dos assuntos de Estado. Tinha 57 anos e estava oficialmente louca.

Oliveira Salazar O ditador que caiu da cadeira

Passava das quatro da madrugada de 7 de Setembro de 1968 quando a equipa médica chefiada pelo neurocirurgião Vasconcelos Marques começou a trepanar o crânio do presidente do Conselho Oliveira Salazar, o doente do quarto n.º 68 da Casa de Saúde da Cruz Vermelha, em Lisboa. "Aberta a meninge, logo jorrou sangue: tratava-se em verdade de um hematoma intracraniano subdural crónico, situado no hemisfério esquerdo", conta o biógrafo de Salazar, Franco Nogueira, ao tempo ministro dos Negócios Estrangeiros. A operação correu bem. Drenado o hematoma, o doente iniciou uma lenta recuperação, perante a expectativa do país. Só nesse dia os portugueses souberam que o homem que os governara com mão de ferro nos últimos 40 anos (Salazar tinha tomado posse como ministro das Finanças em 1928) estava doente. Um mês antes, a 3 de Agosto, Salazar, então com 79 anos, dera uma queda no Forte de Santo António do Estoril, onde passava o Verão. Distraído a ler o "Diário de Notícias", deixou-se cair pesadamente numa cadeira de lona, que se desconjuntou. A cabeça do chefe do governo bateu, desamparada, no chão de pedra. Levantou-se quase de imediato, ajudado pelo calista Augusto Hilário, perante a surpresa da governanta Maria de Jesus Freire. A célebre D. Maria quis chamar logo o médico, mas Salazar proibiu-a e ordenou a Hilário que não contasse a ninguém o que acontecera.

 

Via Ionline

23
Mar10

Mitos urbanos que tinham tudo para ser verdade, ou talvez não

olhar para o mundo

Mitos Urbanos

 

A noite vai avançada e o tema de conversa começa a faltar - os silêncios são constrangedores. Qual a melhor maneira de apimentar uma noite entre amigos? Sai um mito urbano para a mesa três! "Vocês já repararam que nunca se vê um funeral de um chinês? É muito estranho... Ouvi dizer que eles utilizam-nos para fazer chop-suey." Pode parecer conversa absurda mas assim nascem os boatos. 

A jornalista da SIC Susana André também ouviu muitas destas histórias e depois de fazer uma Grande Reportagem sobre o tema foi convidada a escrever um livro. Em "Mitos Urbanos e Boatos" vai encontrar desde histórias de infância às mais recentes. "Queria que o livro servisse para desmontar os boatos. Há mitos fantasiosos, que são um bocadinho como as histórias dos lobisomens. Mas outros servem para denegrir alguém, como a história da relação entre o cantor Melão e jogador Calado que foi terrível para as famílias e carreira dos próprios".

 

1 - Urina de rato nas latas mata
Os humanos têm um novo hábito desde 1998:_limpar as latas de refrigerante antes de beber. Tudo começou com um e-mail assustador:_“mulher bebe directamente de lata e morre”. Causa: a lata tinha urina de rato “tóxica e letal”. Mas calma. Como explica a jornalista Susana André essa tal mulher nunca existiu e a hipótese de isso acontecer é improvável. A urina de rato é perigosa para os humanos e pode causar leptospirose, mas nunca a podemos apanhar ao beber de uma lata. A bactéria que está na urina (leptospira), se for ingerida morre em contacto com o suco gástrico e para se manter “viva” tem de estar dentro de água.

 

2 - Chineses são imortais ou estão no meu chop-suey?

A história corre por toda a Europa: os chineses não morrem. Ou melhor, não há registo de óbitos de cidadãos chineses. Há até quem acrescente o pormenor: “Eles são desmembrados nas cozinhas dos restaurantes, cozinhados e servidos em chop-suey”. “É fácil comprovar que é tudo mentira. Quando os chineses começam a ficar doentes, regressam à China onde querem morrer. Mesmo quando morrem em Portugal, preferem ser enterrados no seu país. Entre 2000 e 2005, morreram 33, número normal para as comunidades de imigrantes.”

3 - Mamas explosivas

“Isso das mamas de silicone é um perigo. Não se pode andar de avião, se não explodem.” Conversa perfeita para um cabeleireiro, mas não passa de um mito. Existe de facto uma hospedeira cujos implantes explodiram a bordo de um avião, mas não há uma relação de causa-efeito entre silicone e despressurização. Como explicou Victor Garcia, presidente da Sociedade Espanhola de Medicina e Cirurgia Cosmética, “o mais normal é que se tenha tratado de um defeito de fabrico, que tanto se podia ter manifestado num avião como em casa.”

 

4 - “Ligue para o 112, acabamos de lhe tirar um rim”

A noite está a correr bem e a loira ao balcão não tira os olhos de si. Começam a conversar e acabam num quarto de hotel. Quando acorda está dentro de uma banheira, tem uma cicatriz nas costas e uma mensagem:_“Se queres viver, liga para o 112 e não saias da banheira”. “Os mitos urbanos têm como base preconceitos e os grandes medos da sociedade. Histórias de pessoas que acordam sem órgãos são universais”, diz Susana André. Há várias versões do mito: da mulher sedutora que o droga, à carrinha branca que andava pelas escolas, passando pela casa-de-banho do Kremlin. Parece que a Máfia Russa recrutava rins na discoteca lisboeta. A verdade é que a polícia nunca recebeu uma queixa. Como refere a jornalista, a Organs Watch explica que os traficantes de órgãos escolhem países pobres.

 

5 - Carlos Paião foi enterrado vivo 
Quem nunca ouviu o boato de que Carlos Paião foi encontrado virado no caixão depois de o ter arranhado não deve ter andado em Portugal nos últimos 20 anos. O mito de que o cantor de “Playback” tinha sido enterrado vivo era contado em cafés como um facto. “É uma história chocante e foi com relutância que contactei a viúva de Carlos Paião. Ela explicou-me que o corpo tinha sido autopsiado e que nunca ninguém abriu o caixão”, diz ao i Susana André.

 

6 - Os ratos gigantes de Mafra 
Os ratos têm o tamanho de um coelho, ocupam os quatro andares subterrâneos do Convento de Mafra e são alimentados por dois militares. Ah! E comeram um homem. Este mito é o equivalente aos crocodilos que vivem nos esgotos nova-iorquinos, numa versão menos exótica, sem tartarugas-ninja. A verdade é que é raro o visitante que vá a Mafra e não pergunte pelos ratos. Vamos desmontar o mito por fases: não há quatro andares subterrâneos, apenas um. Existem ratos nos esgotos, mas ainda há pouco tempo a responsável pelo palácio fez uma visita ao local e viu apenas um, como nos conta Susana André. Quanto ao homem devorado por um super-rato, a história tem uma origem verdadeira. O Capitão Álvaro Campeão, da Escola Prática de Infantaria, instalada no convento, conta que um soldado caiu no esgoto e morreu da queda. Como foi encontrado dias depois com sangue e uns ratitos por perto, a dedução lógica foi: os ratos atacaram-no. Mentira.

 

7 - McMinhoca Deluxe ou Big McMinhoca?
A fórmula secreta dos hambúrgueres do McDonald’s é quase tão falada como a da Coca-Cola. O sabor inalterado e a invasão planetária da cadeia de fast food deve ter enervado algumas pessoas, o que terá originado o mito de que eram feitos de minhocas. A jornalista Susana André esteve na fábrica da empresa, em Toledo, Espanha, e comprovou que não havia minhocas. “Vi a carne de vaca a ser triturada, prensada e a saírem os hambúrgueres.”

 

8 - Há sida nos telefones?
Ainda há quem tenha muito cuidadinho ao mexer em telefones públicos. Nos idos anos 90, a história de rapariga que se sentou numa cadeira de cinema e picou-se numa agulha com o papel: “Bem-vindo ao mundo real. Agora tens sida” correu o mundo. Seguiram-se as cabines telefónicas. Não vamos sequer responder à pergunta: “Por que raio é que alguém ia fazer isso?” A ciência vem em defesa da verdade: “o HIV é um vírus sensível ao meio externo e sobrevive apenas alguns minutos fora do corpo”.

 

9 - Ricky Martin no armário 
Reza a história que o programa “Sorpresa, Sorpresa” convidou Ricky Martin para surpreender uma fã. Puseram-no no armário da jovem e esconderam as câmaras. Ela chegou a casa e chamou o cão. Mas não era para lhe fazer apenas umas festinhas... O boato dizia que a jovem terá colocado foie gras nas partes íntimas e enquanto o cão a lambia, Ricky Martin via tudo do armário. Ela foi apanhada em flagrante pela produção e semanas depois do escândalo suicidou-se. O boato não se ficou por Espanha mas não passa disso mesmo. O realizador do programa prometeu cinco mil euros a quem lhe apresentasse uma imagem que fosse. Ninguém reclamou o prémio. Ricky Martin também desmentiu a história e disse que nem estava no país na altura.

 

10 - Tatuagens do He-Man têm LSD
As crianças dos anos 70 e 80 sofreram o mesmo trauma: a dupla vida das tatuagens de colar. Se por um lado eram a forma mais simples de ascender na hierarquia social do recreio, por outro, ter o He-Man colado no braço era um risco para a saúde. Os pais proibiram as tatuagens depois do comunicado do “17º Batalhão da Polícia Militar”. Assunto: “Tatuagens de heróis infantis estão a ser vendidas nas escolas e estão impregnadas em LSD.” Como Susana André descobriu, a existência de um grupo de traficantes interessado em tornar dependentes de uma droga tão cara clientes que “só têm orçamento para o vício dos chupa-chupas” nunca existiu. O boato regressou em 2002 e a polícia esclareceu que o tal batalhão militar nunca existiu e que não há registo de casos com essas tatuagens em Portugal nem no resto da Europa. Adultos frustrados, corram para os quiosques!

 

Via Ionline

08
Mar10

Sexo, afinal o que é que as mulheres querem?

olhar para o mundo

Sexo, afinal o que é que elas querem?

 

 Durante cerca de cinco anos de pesquisa sobre a sexualidade feminina e mais de mil entrevistas a mulheres de diferentes idades e orientações sexuais, Cindy Meston e David Buss tentaram chegar à resposta da eterna pergunta imortalizada por Sigmond Freud: "Afinal, o que é que as mulheres querem?". Entre relatos muito pouco românticos e números perurbantes sobre as motivações que levam as mulheres a partilhar o corpo com alguém, as conclusões dos investigadores da Universidade do Texas foram publicadas no livro "Porque é que as Mulheres têm Sexo? A Psicologia do Sexo Contada por Elas".

Ao todo, são mais de 300 páginas com histórias íntimas contadas na primeira pessoa. Embora fascinantes na sua diversidade, revelam também um lado cru e sincero das mulheres onde a sexualidade é relatada sem pudores. Por exemplo, há quem confesse: "Seduzi um homem e trai o meu namorado só para provar a mim mesma que, se ele me deixasse, eu teria facilidade em encontrar outro parceiro". Surpreendido? Não esteja: 31% das mulheres entrevistadas afirmam já ter tido sexo ocasional só para provocar ciúmes, 53% admitem ter seduzido o namorado de uma amiga por uma questão de competição e 84% optaram por ter relações sexuais sem vontade, apenas para evitar discussões com o parceiro.

"O estereótipo tende a ser que as mulheres fazem sexo por amor e os homens fazem-no por prazer", explicam Meston e Buss. "Na realidade, as motivações sexuais das mulheres são muito mais complexas". Esqueçam os eternos amores bem ao género do filme "Casablanca" e compreendam a mensagem do livro: "As mulheres nem sempre são emocionais. Muito menos puras, ou transparentes, no que diz respeito ao sexo".

Divididas entre as motivações emocionais, físicas ou materiais, o livro revela razões para todos gostos: as altruístas ("dormi com ele porque sentia pena"), as terapêuticas ("tirava-me as dores de cabeça"), as espirituais ("queria tentar chegar mais próximo de deus"), as ambiciosas ("precisava de um aumento no ordenado"). Há mulheres que têm relações para se sentirem mais poderosas ou sensuais. Outras pretendem apenas impressionar as amigas com a quantidade de parceiros que conseguem ter. A maioria fala de romance... embora sejam comuns os relatos de compensação emocional através do sexo.

Cada mulher é uma mulher


Pelo consultório de Vânia Beliz, psicóloga especializada na sexualidade feminina, já passaram inúmeras mulheres de todas as idades e percursos emocionais. Contudo, não tem dúvidas: nas mulheres portuguesas, as motivações emocionais são as mais comuns para partilharem a cama com alguém. "Por cá as mulheres procuram cada vez mais ter uma vida sexual satisfatória. Mas mais do que o prazer, procuram a intimidade no sexo, tentando aumentar assim a proximidade com o companheiro".

Vânia Beliz lembra ainda que "as mulheres foram reprimidas durante anos a poder desejar o sexo apenas pelo prazer", o que faz com que "não seja de estranhar que muitas não o dissociem do amor, ao contrário dos homens". Mas como "cada mulher é uma mulher", a sexóloga deixa claro: "As nossas motivações também dependem sempre do tipo de relacionamento que estabelecemos".

Talvez por isso não seja de estranhar que ao perguntarmos a sete mulheres portuguesas, dos 17 aos 63 anos, como definiriam o que procuram no sexo numa única palavra, as respostas tenham sido díspares: arrebatamento, partilha, gozo, avatar, amor, entrega, comunhão.

Sexo à portuguesa


Antónia Pires tem 54 anos e está "casada com o homem da sua vida" há mais de 30. "Amor" foi a palavra eleita para descrever o que procura no sexo. "Sempre foi e continua a ser. A qualidade mantém-se, a quantidade é que não. Nesta idade existe ainda atracção, falta muitas vezes é a disposição", explica a mãe de dois filhos adultos, que garante: "Nunca fui capaz de fazer nada sem gostar da pessoa. Acho que nesse aspecto as miúdas mais novas são diferentes, ligam poucos aos sentimentos".

Rita Martins, 17 anos, riposta: "Ainda não aconteceu, mas quando o fizer quero que seja feito com sentimento e não apenas porque já todas as minhas amigas fizeram". Ainda virgem, assume numa única palavra a sua visão do sexo: "entrega". Bem diferente, é a visão de Helena Benard, 27 anos, que escolhe o termo "avatar" para definir o que quer nesta fase da sua vida íntima. Sem papas na língua, assume que procura "sexo de qualidade, prazer físico e emocional, criatividade, algo transcendente... que me faça sair de mim mesma".

Vânia Beliz não se surpreende com a diferença das respostas. "Com o avançar da idade e das etapas da vida procuramos no sexo coisas diferentes. Independentemente disso, é muito comum as mulheres usarem o sexo como compensação emocional".

É o caso de Carla Gouveia que, aos 37 anos, quer acima de tudo "partilha". "Antes procurava a minha validação sexual, perder certas inibições até chegar ao patamar do sexo descomplexado. Com a idade a avançar, experiências com outros homens e alguns problemas conjugais pelo meio, neste actual companheiro procuro compensação afectiva no sexo, um momento grande de partilha a todos os níveis".

Já Joana Soares, 26 anos, quer "arrebatamento". Embora com uma postura calma e romântica no seu dia-a-dia, assume que no que toca ao sexo quer "conseguir perder o controlo", sentir-se "possuída, extravasar sem pensar". Com uma perspectiva de recém-mamã, Diana Cunha, 33 anos, confessa que sente mudanças grandes na sua vida sexual e que nesta fase o sexo "é importante, mas deixou de ser essencial". Por isso mesmo, escolhe a palavra "comunhão".

Mas engane-se quem acha que a idade torna as pessoas mais fechadas em relação ao sexo. Graça Guedes, 63 anos, define-o com apenas quatro letras: "gozo". Há cinco anos reencontrou um namorado dos tempos de adolescência e a antiga química fez-se logo sentir. Na mesma altura, descobriu que tinha cancro do endométrio. A operação e a radioterapia a que foi submetida fizeram-na querer pôr de lado a sexualidade... mas a chama da paixão, em conjunto com a compreensão e apoio do companheiro, falou mais alto. Casou-se pela segunda vez e, com a ajuda do parceiro, redescobriu como voltar a ter prazer. "Divertimo-nos muito juntos. Ele tem toda a paciência do mundo", conta Graça, que encontra nesta fase da vida a mais-valia do tempo. "Estamos reformados, portanto temos todo o tempo do mundo um para o outro. Não há crianças, nem horários, muito menos para o sexo". Praticamente recuperada do cancro, não tem dúvidas: "O amor foi parte da cura".

Mulher, a "criatura complexa"


As motivações femininas no amor, relacionamentos e sexo têm sido alvo de inúmeras teorias ao longo da história, sem que nenhum tenha conseguido chegar a uma conclusão suprema. Cindy Meston e David Buss são os primeiros a dizer que "elas são criaturas complicadas e complexas", sendo impossível ter uma noção da realidade mundial com apenas cerca de mil entrevistadas. Há dez anos mal se falava no tema, agora já se disserta sobre as nuances da sexualidade feminina, assumindo que não há um padrão definido, realçam os investigadores.

Embora o estudo conclua que a atracção física e o desejo continuam a ser as duas razões mais comuns que levam as mulheres a tirarem a roupa, o livro "Porque é que as Mulheres têm Sexo? A Psicologia do Sexo Contada por elas", deixa claro: "Sim, as mulheres têm sexo para conseguirem o que querem e nem sempre são tímidas ou sentimentais. Embora o possam fazer em busca de uma ligação emocional, matar o desejo é, cada vez mais, um motivo tão válido e comum como qualquer outro".

Via Expresso

17
Fev10

3º sexo

olhar para o mundo

Raquel Lito

 

 Helena Martins, única mulher a fazer stand-up comedy lésbico em Portugal, desmancha-se a chorar de cada vez que se lembra da namorada ruiva, de olhos azuis, que lhe deixava a camisa manchada de sangue e o corpo repleto de nódoas negras. O actor Vítor de Sousa não suportou um desgosto de amor: rasgou cartas e fotografias, engoliu uma dose de comprimidos e só voltou a acordar no Curry Cabral. À noite, nos dias de folga, João abre a bagageira do carro, retira um vibrador e gel lubrificante, põe uma peruca loira, um body rendado e umas botas de cano alto - durante o dia estende a roupa que a mulher lavou e ajuda a filha a fazer os trabalhos de casa. Fernando Dacosta, escritor e jornalista, foi assediado por um inspector da PIDE e envolveu-se com um cónego numa sauna - no final, o religioso acabou a autoflagelar-se com uma toalha. 


Estas são algumas das confissões que Raquel Lito, jornalista da "Sábado", arrancou a 12 homossexuais portugueses. No livro "3º Sexo", editado pela HFBooks, a ser lançado amanhã, anónimos e quatro figuras públicas estão a nu. Pela primeira vez, figuras como o actor Vítor de Sousa, o ex-piloto de Fórmula 1, Nicha Cabral, o jornalista e escritor Fernando Dacosta e o chefe de cozinha Fausto Airoldi, relatam como é ser gay em Portugal.

Depois de um ano e dois meses de investigação, Raquel Lito quase chegou a um 13º depoimento: conversou com um padre, através do email do dirigente da Opus Gay, António Serzedelo. O sacerdote impôs anonimato, recusou encontros e até conversas telefónicas. Seria o mais corajoso e polémico dos depoimentos. O padre queria falar mas, no último instante, a consciência não deixou. 

O tema já estava em cima da mesa quando Raquel Lito recebeu o convite da HFBooks. Pesquisou o que tinha saído na imprensa sobre homossexualidade no espaço de um ano e descobriu a lacuna: não havia, em Portugal, relatos confessionais de gays. A jornalista não queria um discurso militante nem frases politicamente correctas. "Queria relatos de pessoas com vidas cheias", conta. 

Começou por lançar um pedido no fórum da associação LGBT Rede Ex-Aequo e publicar um anúncio nos classificados do site "Portugal Gay". Só ao fórum da Associação LGBT chegaram respostas de 70 homossexuais. Raquel Lito lançou uma espécie de concurso, com seis perguntas, para poder seleccionar os melhores relatos - no final, restaram quatro. 

Naquele dia de Setembro, quando a autora viajou até uma vila perdida do Norte para a primeira entrevista, estava às escuras. "Não sabia que pessoa iria encontrar, nem sequer se valeria a pena contar a sua vida neste livro", lembra agora, enquanto se socorre de fotocópias do livro para contar a história de Daniel Ferreira com todos os pormenores. Na marcha de Carnaval de 2008, na tal vila, triste e melancólica, Daniel não se mascarou de palhaço nem de "pierrot": desfilou com um saco de papel a cobrir a cara, correntes a tapar a boca e uma T-shirt estampada com a palavra "gay" e o slogan "direito à diferença". No dia-a-dia era um inadaptado: fechado no quarto, automutilava-se e esboçava uma teoria bizarra sobre reencarnação para desculpar a vizinhança cruel. 

Perante a insistência de um homossexual casado, que queria desabafar pela primeira vez a sua vida dupla, Raquel Lito mudou o ângulo do livro, que inicialmente se centrava em gays assumidos. "Não é fácil ser homem, casado, e gostar de homens", escrevia João, num email antes da entrevista. Ninguém da família suspeitava que João era homossexual e tinha fetiches com lingerie feminina. João não conseguia contar. 

Depois dos anónimos, Raquel passou à segunda fase: as figuras públicas. Tinha uma lista de nomes, mas não sabia como fazer a abordagem. "Estou a escrever um livro assim assim e tive indicação de que me poderia dar um testemunho interessante", dizia, meio a medo, pelo telefone. Nunca ouviu um "está enganada, eu não sou gay", mas muitos recusaram. Só quatro figuras públicas nada temeram - de Vítor de Sousa a Nicha Cabral, ex-piloto de fórmula 1, que confessou adorar ter flirts com heterossexuais, passando por Fernando Dacosta ou o chefe de cozinha Fausto Airoldi, que namorou ao mesmo tempo com um rapaz e uma rapariga, antes de se assumir, aos 18 anos.

Raquel Lito descobriu um mundo em que "há sempre sofrimento, sobretudo nos meios pequenos ou quando as famílias não aceitam". Uns passaram por desgostos e tentaram o suicídio, outros frequentavam às escondidas os bares "bas-fond", João tinha uma vida dupla, Daniel auto-mutilava-se, Ana não era capaz de contar a verdade no meio militar em que trabalhava, Dacosta foi censurado e assediado pela polícia de Salazar. Foram 40 horas de entrevistas gravadas e outras tantas de conversas telefónicas e trocas de emails de que Raquel Lito perdeu a conta. Ainda hoje há quem lhe ligue a chorar desgostos de amor. Ou a "esbanjar felicidade, porque conseguiu, finalmente, satisfazer as suas fantasias."

 

Via Ionline

15
Jan10

Cinderela larga príncipe e Branca de Neve toma Prozac

olhar para o mundo

A cinderela miderna .. já não é o que era

 

 Quer saber o que está a fazer sucesso em Espanha? Um livro onde a Cinderela é rebelde, torna-se vegetariana, sai do baile de madrugada.... e sem o príncipe encantado. Já a Branca de Neve toma prozac para combater a depressão.

A obra "A cinderela que não queria comer perdizes" vendeu mais de 50 mil exemplares em Espanha nas primeiras semanas após o lançamento.

A história foi criada pela escritora Nunila López Salamero,  com desenhos de Myriam Cameros Sierra e começou por uma brincadeira.

cinderela do século XXI percebe que é uma mulher maltratada pela madrasta e pelas irmãs, abandonada pelo pai, obrigada a ser magra para "caber" em roupas número 38 e o príncipe, depois de se tornar seu marido,passa a ser mandão e um eterno insatisfeito.

Também nos contos, a Bela Adormecida explica como acordou sozinha, a Branca de Neve como deixou o Prozac e decidou bronzear-se até ficar morena.

 

Via ionline

27
Dez09

A Caçadora de orgasmos

olhar para o mundo

A caçadora de orgasmos

 

É sabido que grande parte das mulheres tem dificuldade em alcançar o orgasmo. Algumas vezes é culpa dos parceiros, outras tantas é um problema fisiológico e, muitas vezes, psicológico mesmo.

Uma jornalista americana chamada Mara Altman lançou este ano, nos EUA, o livro “Thanks for coming” (Obrigado por gozar).
 
O livro fala sobre a sua vida sexual e sua busca por diferentes tipos de tratamentos e saídas para se atingir um orgasmo. Mara perdeu a virgindade aos 17 anos, transou poucas vezes e teve dois namorados até se dar conta que aos 26 anos, nunca tinha gozado.
A partir daí, ela freqüentou templos do prazer, clubes de sadomasoquismo, gurus do sexo, congresso de sexualidade, acampamentos de masturbação coletiva e tudo mais até conseguir o seu objetivo.
Por que você demorou tanto tempo para ter um orgasmo? 
“
Mara Altman Perdi a virgindade na época da escola, na casa dos meus pais. No dia seguinte, fui correndo contar pra eles. Sabe o que eles fizeram? Me presentearam com um Kama Sutra! Para os meus pais, mais natural do que transar, só mesmo transar bem. Os dois são da geração paz e amor dos anos 60 e sempre falaram de sexo com tanta naturalidade que acho que me rebelei contra isso. Achava que um príncipe encantado me conduziria até o orgasmo. Só que, quando comecei a ter meus primeiros parceiros, percebi que não sabia como conseguir isso deles. Saquei que essa busca deveria ser minha. Senão, viveria na inércia orgástica e com uma vagina autista.”
Clique aqui e confira o restante da entrevista que ela deu para a revista Marie Claire
Uma prova de que qualquer pessoa pode ir em busca do seu autoconhecimento e de melhorar sua sexualidade.
 
23
Nov09

Aprendi com um actor porno!

olhar para o mundo

 A pornografia não se discute, não se fala, é coisa de 'pervertidos'. Lamenta-se em público e vê-se em privado. Solitariamente. Desde as cassetes de vídeo beta aos últimos streamings online que assim é - para mencionar apenas os últimos 25 anos. Ora, os factos são estes: o porno já não é o desvio da norma e representa hoje valoresmainstream da cultura popular. Exagero? Basta ver o que se passa ao nível da net. São criados 266 sites de adultos a cada segundo. Há dois milhões de pessoas a registarem-se em sites porno a cada minuto. A maioria é vista no horário diurno. Nos EUA, os maiores consumidores de pornografia têm entre 12 e 17 anos. A geração masculina entre os 20/30 anos admite consumir regularmente e mesmo as mulheres já têm um subgénero orientado para o seu gosto visual. A banalização da cultura porno já começou há algum tempo - teorias feministas dizem que é o último santuário onde o homem é dominante - mas terá reflexos comportamentais nem que seja... na coreografia de cama. Deixemos agora o moralismo na mesa-de-cabeceira para tentar ver outros aspectos da questão.

Li há dias um artigo em que a autora - atónita - tinha descoberto ao ver um dos seus primeiros filme porno que o namorado se comportava na cama como um actor de uma grande produção do Valley. Temos assim essa possibilidade em aberto. A de que alguns dos comportamentos masculinos (logo, femininos) na cama sejam hoje predeterminados por uma performance coreográfica absorvida pelo visionamento de centenas de produções cinematográficas, com tecnicalidades impostas pela realização fílmica e incorporadas na sexualidade quotidiana como 'normais' e agora já erotizadas. Há uma formatação planetária do acto sexual pela pornografia - sendo que a mesma não é ditada por uma sexualidade realística. Isso de abrir mais uma perna para dar campo visual à lente quando se está no escurinho do quarto é capaz de não fazer sentido sem ser para o realizador.

Tanto mais que se a vida copia a pornografia, a pornografia copia a vida. Hoje a indústria está moribunda devido à pandemia do chamado 'porno Gonzo' - os clips amadores ou amadorísticos, grátis ou falsamente free, que inundaram a net e que criaram uma multiplicidade hiper-imaginativa de géneros que muitas vezes ultrapassam e banalizam os graus mais extremos de violência e crueldade - sem se perceber o grau de encenação.

A suspeita de que estamos a actuar na cama como actores porno foi-me confirmada pela leitura do recentíssimo livro de um dos grandes deste género, Adam Glasser, conhecido por Seymore Butts, intitulado "Rock Her World". Deixem-me ser gabarolas: eu já li muito manual de sexo! E este é sem dúvida o melhor, bate qualquer kama sutra rebuscado e poético. O senhor Butts é efectivamente um poço de saber, um encanto de pessoa, um conselheiro sensato, um cavalheiro e o irmão mais velho que sabe tudo, mas tudo o que nunca tivemos coragem de perguntar - ou por não termos um actor porno à mão ou por não nos ter ocorrido fazer tal pergunta.

E o objectivo do senhor Butts não é fazer do leitor um aprendiz de actor porno, au contraire... O actor reformado alerta que entre a encenação sincopada e cortada das cenas e o que se passa fora de plateau não há comparação. O que interessa é a vida 'cá fora'. Ora é a combinação de saber das suas centenas de aventuras sexuais 'reais' com a sua experiência profissional polvilhadas com relatos de histórias e que não fazem uma apologia de uma promiscuidade gratuita que tornam este manual num must. Muitos homens portugueses acham que isto do sexo não se aprende em livro: basta a prática (depois de ver porno). Uns serão tolos. Outros acabarão cornos. Palavra de Butts.

Via  Expresso

21
Out09

Católicos dizem que Saramago é "ignorante"

olhar para o mundo

 Saramago volta a provocar a ira da Igreja. Católicos qualificam críticas do autor de Caim como "operação de publicidade". A controvérsia parece estar nos genes do escritor.

 

É uma espécie de sequela de um filme já visto no passado. O protagonista mantém-se: José Saramago. E o tema também: a religião. A diferença é que as palavras que reacenderam o rastilho da polémica surgiram a propósito do livroCaime não deO Evangelho segundo Jesus Cristo.

A partir de Penafiel, onde decorreu domingo o lançamento mundial do seu livro, o Nobel da Literatura de 1998 referiu-se à Bíblia como "um manual de maus costumes, um catálogo de crueldade e do pior da natureza humana". O Corão "é a mesma coisa", segundo o escritor: "Imaginar que Corão e a Bíblia são de inspiração divina? Francamente! Como? Que canal de comunicação tinham Maomé ou os redactores da Bíblia com Deus, que lhes dizia ao ouvido o que deviam escrever? É absurdo. Nós somos manipulados e enganados desde que nascemos."

Estas palavras abriram um caudal de críticas. Da comunidade judaica, o rabino Eliezer di Martino arrumou Saramago como mais um dos "milhões de autores que fazem um esforço enorme para falar mal da religião, sobretudo das religiões bíblicas". Assim, "o mundo judaico não se vai escandalizar pelo que escreve o senhor Saramago", garantiu Di Martino, para quem o escritor "não conhece a Bíblia nem a sua exegese", limitando-se a fazer "leituras superficiais" do livro.

Ao PÚBLICO, o secretário da Nunciatura Apostólica de Lisboa garantiu que não haverá uma reacção oficial do Vaticano. Já o porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa, Manuel Morujão, classificou as críticas de Saramago como "uma operação de publicidade" para aumentar as vendas do livro. "Um escritor da craveira de José Saramago deveria ir por um caminho mais sério. Poderá fazer as suas críticas, mas entrar num registo de ofensa não fica bem a ninguém, sobretudo a quem tem um estatuto de Prémio Nobel", admoestou.

"Seria espantoso que um escritor como José Saramago, ateu professo, encontrasse algo de divino na Bíblia ou no Corão. Mas esperar-se-ia que reconhecesse o valor de obras que estão entre os grandes textos do património literário da Humanidade", condenou, por seu turno, Peter Stilwell, director da Faculdade de Teologia da Universidade Católica.

O bispo do Porto, D. Manuel Clemente, também ouviu Saramago e concluiu que as incursões bíblicas do escritor revelam "uma ingenuidade confrangedora". "Bastava ler a introdução de qualquer Bíblia para lhe dar uma significação bem diferente da que lhe quis dar", reagiu.

D. Manuel Clemente protagonizou, em 1991, um debate com Saramago a propósito do lançamento do Evangelho segundo Jesus Cristo. Na altura, o Governo, presidido por Cavaco Silva, juntou-se ao descontentamento da Igreja Católica e vetou o nome de Saramago como candidato ao Prémio Literário Europeu. O escritor zangou-se com o país e auto-exilou-se na ilha de Lanzarote, onde ainda reside com a mulher, Pilar del Rio.

Esta foi apenas a primeira de uma longa sucessão de controvérsias, muitas delas sem relação directa com os seus livros, o que parece contrariar a tese dos que querem ver nas suas polémicas uma deliberada estratégia publicitária. Para referir apenas algumas das provocações mais recentes, Saramago enfureceu Israel ao comparar a situação na Palestina a Auschwitz, irritou Berlusconi com uma série de artigos em que lhe chamava "vírus" e outras coisas igualmente desagradáveis, aborreceu os seus camaradas de partido ao demarcar-se da liderança cubana - quando o regime condenou à morte três responsáveis pelo desvio de umferry- e indignou alguns portugueses com a sua previsão de que Portugal fará um dia parte de Espanha. Outras vezes são os próprios livros que geram discussões, nas quais o autor só participaa posteriori, e, diga-se, raramente para as tentar esvaziar. Saramago teve sempre uma costela de polemista e provocador. Quando a TVI censurou um anúncio à sua peça de teatroIn Nomine Dei,em 1993, reagiu com este voto: "QueDeus lhe dê uns bons açoites."

Via Público

16
Out09

Fez 15 abortos em 17 anos. Relato de uma viciada em abortos

olhar para o mundo

Irene vilar, 15 Abortos em 17 anos

 

 Para a norte-americana Irene Vilar tudo começou por ser uma revolta contra um marido que não queria ter filhos, levando-a a deixar de tomar a pílula. No entanto, aquilo que começou como um acto de rebeldia, acabou por levá-la a fazer 15 abortos entre os 16 e os 33 anos. Agora, aos 40, decidiu publicar as memórias de uma viciada em abortos. 


No livro intitulado "Maternidade Impossível: Testemunho de uma Viciada em Abortos", Irene Vilar, de origem porto- -riquenha, explica que este ritmo absurdo de interrupções de gravidez não se deveu a pobreza ou medo, tratando-se apenas da reacção, que se transformou num vício, a um marido controlador. "Quando vinha o período ficava triste. Se descobrisse que estava grávida ficava com medo, mas excitada", disse numa entrevista televisiva. "Não quer dizer que quisesse continuar a fazê-lo. Uma drogada também quer parar."

Agora uma editora de sucesso, Irene Vilar era um prodígio académico aos 15 anos, idade com que é aceite na Universidade de Nova Iorque. Um ano depois conhece e casa-se com Pedro Cuperman, um professor de literatura latino-americana de 50 anos. Irene não revelou se ele sabia dos abortos, mas afirmou que o marido considerava a gravidez prejudicial ao desejo sexual. Para o contrariar, Irene deixou de tomar a pílula até se tornar quase um hábito engravidar. E depois abortar.

A publicação do livro esta semana chocou a opinião pública dos Estados Unidos, um país bastante dividido neste tema. No entanto, ambos os lados receberam com preocupação esta história, com os movimentos pró-vida a tentar utilizar o caso como argumento político. "Isto sublinha tudo o que sempre dissemos no movimento pró-vida - o aborto faz parte de uma história muito triste para as mulheres", afirmou Charmaine Yoest, presidente do grupo "Unidos pela Vida". Irene já disse ter medo das reacções ao seu livro, tendo recebido ameaças escritas, além dos comentários incendiários na internet.

Apesar de não se sentir uma vítima, Irene conta no livro episódios de uma infância problemática. A avó esteve presa 25 anos por ter invadido o Capitólio armada e a mãe suicidou-se saltando de um carro em andamento enquanto Irene, com oito anos, a tentava agarrar. Dois dos seus irmãos tornaram-se toxicodependentes.

Duas filhas Depois de um primeiro casamento problemático, pontuado também por várias tentativas de suicídio, Irene Vilar voltou a casar-se. Da nova relação nasceram duas filhas com quem vive em Denver, no Colorado, com outras duas filhas do seu actual marido. "A maternidade tornou-me mais responsável", disse. "Não me tornou menos pró-escolha." Irene Vilar planeia escrever agora um livro sobre a maternidade. "Era uma viciada em abortos, mas isso não é desculpa [...] A história é a perversão de desejo maternal e aborto, enquadrados num procedimento legal de que abusei", escreve em "Maternidade Impossível".

Todos os anos são feitos cerca de 42 milhões de abortos em todo o mundo. O número tem descido nos últimos anos, apesar de muitas mulheres ainda o fazerem em condições pouco seguras, devido à proibição que ainda vigora em 32 países.

 

Via Ionline

28
Set09

Porque é que as mulheres têm sexo?

olhar para o mundo

Porque é que as mulheres tem sexo?

 

 Antonio Banderas, Brad Pitt e George Clooney dizem-lhe... alguma coisa? Se sim, saiba que a empatia encontra explicação na Biologia. Quando se trata de escolher um parceiro sexual, as qualidades genéticas têm um peso importante para as mulheres, que inconscientemente começam logo a imaginar uma prole cheia de saúde (daí também gostarem de homens com casas grandes). Mas esta é só uma das mais de duas centenas respostas encontradas pela psicóloga clínica Cindy Meston e pelo psicólogo evolucionário David Buss para a pergunta: "What Turns Women On?".

Para escrever o livro "Why Women Have Sex", os autores entrevistaram 1006 mulheres em todo o mundo e conseguiram isolar 237 motivações femininas para o sexo. "Para se promoverem, por dinheiro, por droga, para negociar, por vingança, para recuperar um parceiro que as enganou. Para se sentirem bem. Para fazerem os parceiros sentirem-se mal", explica Meston num artigo do The Guardian.

As razões vão das altruístas às realmente más, contam os autores, que, à volta do mundo, encontraram quem tivesse por motivação transmitir doenças contagiosas.

Já gostar muito de um homem tipo Clooney e acabar casada com um espécime diferente também pode ser considerado um "negócio". Segundo os autores, estes homens tendem a ser infiéis, uma vez que têm uma "agenda genética" diferente das mulheres - querem engravidar o máximo possível de mulheres saudáveis. Trocam-se assim as mais-valias genéticas por exclusividade.

A análise concluiu ainda que uma das motivações mais comuns para o sexo é o prazer físico. As mulheres utilizam depois as relações para expressar amor, conquistá-lo e tentar mantê-lo.

O sexo como moeda de troca é também bastante comum, atestam os autores. "O peso da economia nas motivações sexuais surpreendeu-me. Não só na prostituição. A economia no sexo entra até nas relações normais. As mulheres têm sexo para que o homem corte a relva ou vá meter o lixo à rua. Troca-se sexo pelo jantar", diz David Buss.

Sexo para curar dores de cabeça ou menstruação é também uma terapêutica habitual.

Meston resume: "As mulheres usam o sexo em todas as fases de uma relação".

Via ionline

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