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Um olhar sobre o Mundo

Porque há muito para ver... e claro, muito para contar

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Um olhar sobre o Mundo

14
Mar11

Protesto Geração à Rasca dá origem a fórum das gerações

olhar para o mundo

Protesto Geração à Rasca dá origem a fórum das gerações

 

A página na rede social Facebook sobre o protesto de ontem da "geração à rasca", que levou milhares às ruas em várias cidades do país, desapareceu para dar origem a uma outra designada Fórum das Gerações-12/3 e o Futuro.

 

Depois de cerca de 300 mil pessoas terem participado, só em Lisboa e no Porto, do protesto de ontem, os jovens que estiveram na origem da manifestação acharam que era hora de começar a debater ideias e apresentar propostas concretas, resume uma das organizadoras, Inês Gregório.

“Trezentas mil pessoas é muito potencial humano e interventivo”, sublinha. Aos emails dos organizadores chegaram muitas mensagens de pessoas que foram à manifestação e perguntam:“E agora?”. Inês Gregório, licenciada em História de Arte, nota que “demonstrar descontentamento é muito importante, mas tem que ser consequente”. 

Há quem reclame novas manifestações, mas os jovens que estiveram na origem do protesto propõem que a fase seguinte seja “criar fóruns de debate para apresentar propostas concretas”. Em tempo de rescaldo da manifestação estão marcadas duas reuniões na terça e quarta-feira, em Lisboa e no Porto, para passar a esta fase seguinte. O objectivo final é sabido: “Queremos melhores condições no trabalho, o reconhecimento da capacidade de quem trabalha”.

O debate vai começar, no início, nas redes sociais, mas a ideia é sair da Internet e englobar muitas das pessoas de todas as gerações que compareceram ao protesto e cujo “capital de ideias, experiências laborais e políticas não pode ser desperdiçado”.

Na página já havia vários tópicos de discussão abertos. Num deles, empreendedorismo, lia-se que se aceitam propostas para a criação de pequenas e médias empresas, com vista à criação de novos postos de trabalho; em reforma das instituições políticas, sugere-se a ideia de dar a possibilidade a movimentos cívicos de concorrer a actos eleitorais.

 

Via Público

09
Mar11

Quem fugir aos Censos arrisca multas de 250 a 3740 euros

olhar para o mundo

Censo 2011

 

De acordo com o que está fixado na lei, quem deixar de fornecer informações para os Censos no prazo devido, quem fornecer "informações inexactas, insuficientes ou susceptíveis de induzir em erro" ou se opuser "às diligências das pessoas envolvidas nos trabalhos de recolha de dados" incorre numa contra-ordenação, que é punível com coima de 250 a 3740,98 euros. Caso a infracção se deva a negligência, a multa é reduzida para metade. Além disso, se houver um pagamento voluntário da coima, apenas se tem de pagar o valor mínimo. De acordo com a lei, o dinheiro da multa reverte em 40 por cento para as autoridades estatísticas e em 60 por cento para o Estado.

Pior mesmo só a moldura penal para quem viole o segredo estatístico a que estão sujeitas todas as pessoas que trabalham para os Censos. Quem divulgar dados individuais do recenseamento pode ser punido civil e criminalmente, arriscando uma pena de prisão até um ano ou, no caso de ser funcionário do INE, até três anos.


De acordo com o instituto, nunca houve registos de violação do segredo estatístico e a actuação do INE quanto à falta de resposta aos inquéritos tem sido branda. "Até à data, apesar de ter enquadramento legal para o fazer, o INE nunca teve necessidade de aplicar coimas aos cidadãos, uma vez que sempre recebeu da população a colaboração indispensável", esclarece a responsável de comunicação, Manuela Martins. "Não antecipamos que seja numa operação com a importância dos Censos que essa colaboração vá falhar", conclui.

Campanha de três milhões

 

 

 

A partir de hoje, os recenseadores vão começar a bater à porta dos portugueses para entregar os questionários dos Censos 2011. O Instituto Nacional de Estatística (INE) está a investir três milhões de euros numa campanha de sensibilização para garantir o sucesso daquela que é a maior operação estatística nacional. Mas a resposta ao recenseamento geral da população e da habitação é obrigatória por lei e quem faltar a este dever ou prestar informações inexactas arrisca-se a uma multa até 3740 euros.

 

 

É para garantir uma taxa óptima de respostas que o INE está a investir três milhões de euros numa campanha multimédia de comunicação. Em relação a 2001, o investimento reduziu-se em 30 por cento, graças, em parte, à reutilização da campanha dos últimos Censos, que foi adaptada à nova operação. 

Em 2001, a taxa de cobertura líquida foi de 100,7 por cento, o que significa que foram recenseadas mais 0,7 por cento das pessoas residentes do que deviam ter sido. Isto decorre de ter havido pessoas que responderam aos inquéritos e não o deveriam ter feito, como, por exemplo, os proprietários de uma segunda habitação.

A distribuição dos questionários pelos 18 mil recenseadores envolvidos decorre até dia 20 de Março e todo o trabalho é realizado em estreita articulação com as câmaras municipais e as juntas de freguesia, bem como com as forças policiais (ver caixa).

As grandes novidades este ano são a possibilidade de resposta pela Internet e a georreferenciação dos edifícios. Pela primeira vez, o INE vai reunir as coordenadas geográficas de cada edifício que vai ser recenseado, o que permitirá ter informação a uma escala 20 vezes mais pormenorizada do que a actual.

Além disso, o recenseamento geral da população e da habitação vai ter dados novos, como a população sem-abrigo, o impacto das migrações na estrutura etária do país, se há mais crianças nascidas fora do casamento do que dentro, os casamentos e uniões de facto entre pessoas do mesmo sexo, se o edifício onde vive tem ar condicionado e que tipo de fonte energética é usada para o aquecimento.

 

Via Público

27
Fev11

Ericeira é Reserva Mundial de Surf

olhar para o mundo

 

Ericeira é reserva de Surf

 

World Surfing Reserves anunciou hoje que duas zonas de surf nomeadas - Santa Cruz, no norte da Califórnia e a Ericeira, em Portugal - foram formalmente aprovadas e serão dedicadas como World Surfing Reservas (WSRs). As duas regiões icónicas juntam-se a Malibu, Califórnia, que foi consagrado como a primeira Reserva Mundial de Surf em Outubro de 2010, e Manly Beach, Austrália, que também foi aprovado em 2010 e está agora a aguardar a sua "dedicação" que vai acontecer algures em 2011, como sendo os primeiros locais a receber a prestigiosa designação de Reserva Mundial de Surf (World Surfing Reserve).

A Ericeira é uma meca para o surf português e para surfistas de todas as nacionalidades. A área aprovada consiste em 4 km (2,5 milhas) da costa, quilómetros estes que contêm um grupo altamente concentrado de spots de surf de grande qualidade, vários deles de classe mundial, incluindo Ribeira d'Ilhas e outros.

"A Ericeira é uma costa de surf tão diversa, tem zonas para todos", disse o surfista profissional do WCT Tiago Pires, que cresceu surfando naquele bocado de costa "Há ondas grandes, ondas pequenas, ondas para profissionais e ondas de iniciantes. Eu amo esta área e eu estou contente de vê-la a começar a ter o reconhecimento que merece, bem como uma ferramenta para ajudar a melhor protegê-la."

A zona de Santa Cruz, de cerca de 11 km (7 milhas) da costa estende-se desde Natural Bridges no extremo oeste até Opal Cliffs, a leste de Pleasure Point e é composta por um denso aglomerado de ondas de sonho e está imersa numa enorme tradição de surf. A zona é conhecida pelos pontos icónicos em Steamer Lane e Pleasure Point, ambos pointbreaks para a direita de qualidade mundial.

"Eu não posso pensar num lugar mais digno do que Santa Cruz", disse um dos ícones mais notáveis da cidade, Jack O'Neill, que inventou os fatos de surf para que ele e os seus amigos pudessem navegar nas águas geladas da localidade nos anos 50 e 60. "Tem tantos spots de surf incríveis, uma comunidade de surf maravilhosa e é uma parte lindíssima da costa. A denominação de Reserva Mundial de Surf será uma óptima maneira de ajudar a preservar a área."

A World Surfing Reserves visa designar e proteger as áreas de surf mais importantes e queridas em todo o Mundo em parceria com as comunidades de surf local. Os sítios WSR são nomeados e seleccionados com base em quatro critérios principais: qualidade e consistência das ondas, a importância para a cultura do surf e da história, características ambientais, e apoio da comunidade. Até agora mais de cem sítios de 34 países diferentes foram submetidos à consideração do estatuto WSR.

O dez vezes campeão mundial de surf, Kelly Slater, que no ano passado já tinha apoiado o movimento, também expressou o seu forte apoio a Santa Cruz e Ericeira. "Toda vez que temos uma hipótese de preservar oficialmente uma praia ou um spot de surf específico, eu torço para ele", disse Kelly. " A World Surfing Reserves está a pôr a fasquia muito alta e com um grande alcance, procurando no Mundo o próximo grupo de praias a serem protegidas. Estou ansioso pela designação e protecção futura daquelas praias - tal como muitas outras pessoas".

Para além de seu significado cultural e estético, cada Reserva Mundial de Surf é um encontro de terra e mar seleccionados pela sua natureza única, pelas suas ondas e pelo seu cenário natural. A designação de cada WSR visa a protecção desta zona costeira de ondas e de habitat motivado pelo desenvolvimento inadequado, através de parcerias locais e internacionais que juntam a comunidade em torno da conservação, para melhorar e ditar a administração da área.

Sobre a World Surfing Reserves

World Surfing Reserves (WSR) identifica proactivamente, designa e preserva as ondas, zonas de surf e os seus ambientes circundantes em todo o mundo. WSR é uma iniciativa lançada pela organização Save the Waves Coalition em 2009, em conjunto com o National Surfing Reserves - Australia, e através de parcerias adicionais com a International Surfing Association (ISA) e com a Universidade de Stanford Center for Responsible Travel (CREST).

Para mais informações, consultem www.worldsurfingreserves.org

 

Via Surf Portugal

21
Fev11

Filhas de Safo

olhar para o mundo

 

historiador refere a relação entre a rainha D. Amélia e a condessa de Figueiró

Mulheres que amaram mulheres em Portugal ao longo dos séculos. "Filhas de Safo" é um trabalho do historiador Paulo Drumond Braga que sistematiza a memoria do lesbianismo em Portugal até ao início do século XX.As mulheres que amaram mulheres em Portugal, ao longo dos séculos. Filhas de Safo é um trabalho do historiador Paulo Drumond Braga que sistematiza a memória do lesbianismo no país até ao início do século XX. Uma viagem pelos arquivos e pela literatura portuguesa.

 

 

A abordagem é historiográfica e resulta de anos de investigações. Filhas de Safo Uma História da Homossexualidade Feminina em Portugal, de Paulo Drumond Braga, é isso mesmo: um ensaio sobre a história de relações sexuais e afectivas entre mulheres, em Portugal, desde a Idade Média até ao início do século XX.

Editado pela Texto Editores, este livro sistematiza com rigor histórico as referências, que permaneceram até hoje, sobre mulheres que amaram e desejaram mulheres ao longo da História de Portugal. E cuja memória ficou na literatura ou nos arquivos, da Inquisição e das autoridades civis, quer sejam policiais ou médicas.

O cuidado académico que Drumond Braga põe neste ensaio não o densifica nem o torna chato. Pelo contrário, o livro lê-se com facilidade e está apresentado de forma atraente, embora sem facilitismos. Simplificações apenas uma e logo de início explicada pelo autor. Decidiu fugir a polémicas "pura e simplesmente estéreis, como o de saber se se incorre ou não em anacronismo ao utilizar termos como homossexualidade ou lesbianismo, uma vez que este só surgiu no século XVI e aquele em Oitocentos". E não esconde que o faz para chegar mais directamente ao leitor comum, ou seja, "por comodidade de linguagem" (p. 12).

Punir a homossexualidade

Escrito ao longo do último ano, o livro beneficia de um largo espólio de documentos com os quais Drumond Braga se foi deparando ao longo de outras investigações que fez até hoje. Os primeiros documentos encontrou-os a propósito da sua tese de doutoramento sobre a Inquisição nos Açores, explicou ao P2.

É esse importante acervo que este investigador divulga. A começar pelos mais antigos registos sobre relatos de lesbianismo em Portugal, nas medievais cantigas de "escarnho e maldizer". Nesse contexto, lembra Afonso Eanes de Cotom, que escreveu sobre Maria Mateus: "Mari" Mateu, Mari" Mateu,// tan desejosa ch" és de cono com" eu!" (p. 23). 

Ou já no século XV no Cancioneiro Geral de Garcia de Resende, em que um poema fala sobre uma dama de honor acusada de beijar D. Guiomar de Castro, filha do primeiro conde de Monsanto (p. 27).

Mas o livro de Drumond Braga não é um inventário de mulheres que tiveram relações com mulheres, é sim uma obra historicamente contextualizada que lembra passos fulcrais na história da sexualidade europeia. Assim, o autor frisa que "nos finais do Império Romano, sob o impacto do cristianismo triunfante, tudo mudou em matéria sexual. A finalidade única da actividade sexual passou a ser a perpetuação da espécie. Para além disso, terminou a dicotomia activo-passivo, introduzindo-se uma outra, masculino-feminino" (p. 19). E prossegue: "Em 342 foram proibidos os casamentos entre pessoas do mesmo sexo e em 533 a pena de morte foi pela primeira vez prescrita no Ocidente, pelo imperador cristão Justiniano, para contactos homossexuais masculinos. No século VII, penas de grande severidade foram igualmente impostas na Península Ibérica visigótica." (pp. 19/20)

 

Via Público

04
Fev11

Música Portuguesa do dia : João Pedro Pais - Lembra-te de mim

olhar para o mundo

 

 

Letra

 

Entrei numa casa fria
De portadas entreabertas
Espretei a ver se te via
As ruas estavam desertas

 

Os amores já terminados
São ausência, fazem mal
Não me esqueço do recado
Nem de um gesto ocasional

 

Ao notares que estou mais velho
Passa por mim devagar
Quando / e se te olhares a um espelho
Também tu irás notar

 

Lembra-te de mim...

 

Os rostos p´ra quem os viu
Já não são como dantes
Percorro as margens de um rio
Há já séculos, há instantes

 

Vivo de vagas memórias
Onde te espero encontrar
São derrotas, são vitórias
Quero agora descansar... *

 

 

03
Fev11

Música Portuguesa do dia : Paulo Gonzo - leve beijo triste

olhar para o mundo

 

 

Letra
Teimoso subi 
Ao cimo de mim 
E no alto rasgei 
As voltas que dei 

Sombra de mil sóis em glória 
Cobrem todo o vale ao fundo 
Dorme meu pequeno mundo 

Como um barco vazio 
P'las margens do rio 
Desce o denso véu lilás 
Desce em silêncio e paz 
Manso e macio 

Deixa que te leve 
assim tão leve 
Leve e que te beije meu anjo triste 
Deixo-te o meu canto canção tão breve 
Brando como tu amor pediste 

Não fales calei 
Assim fiquei 
Sombra de mil sóis cansados 
Crescendo como dedos finos 
A embalar nossos destinos 

Deixa que te leve 
assim tão leve 
Leve e que te beije meu anjo triste 
Deixo-te o meu canto canção tão breve 
Brando como tu amor pediste 

(Solo) 

Deixa que te leve 
assim tão leve 
Leve e que te beije meu anjo triste 
Deixo-te o meu canto canção tão breve 
Brando como tu amor pediste

 

 

02
Fev11

Contra a iliteracia científica

olhar para o mundo

Contra a iliteracia cientifica

 

Consumidores em Portugal vão tomar uma “overdose” de “medicamentos” homeopáticos em público

"Ativistas de direitos do consumidor em Portugal anunciaram hoje a sua intenção de tomar uma “overdose” homeopática no próximo mês em parceria com um protesto global contra estes remédios alternativos.

Os manifestantes vão consumir dezenas de comprimidos homeopáticos na manhã de 5 de Fevereiro de 2011, às 10:23, no Jardim do Príncipe Real em Lisboa, com o objetivo de sensibilizar o público para a ineficácia dos “remédios” homeopáticos. Pretendemos também questionar a opção do Infarmed de permitir que estes produtos sejam classificados como medicamentos nas farmácias, o que os legitima aos olhos dos clientes."

 

 

Via Dias que voam

02
Fev11

Música Portuguesa do dia : Deolinda - Parva que eu sou

olhar para o mundo

 

 

 

 

Letra

 

Sou da geração sem remuneração
e não me incomoda esta condição.
Que parva que eu sou!
Porque isto está mal e vai continuar,
já é uma sorte eu poder estagiar.
Que parva que eu sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.

Sou da geração ‘casinha dos pais’,
se já tenho tudo, pra quê querer mais?
Que parva que eu sou
Filhos, maridos, estou sempre a adiar
e ainda me falta o carro pagar
Que parva que eu sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.

Sou da geração ‘vou queixar-me pra quê?
Há alguém bem pior do que eu na TV.
Que parva que eu sou!
Sou da geração ‘eu já não posso mais!’
que esta situação dura há tempo demais
E parva não sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.

 

31
Jan11

Este fenómeno que se chama Deolinda

olhar para o mundo

Deolinda

 

Comecemos assim: Tão longe chegou a Deolinda. Escrevemos “a” Deolinda, e não “os” Deolinda, porque é ela a ideia que originou o grupo, porque foi precisamente essa personagem indefinida entre os tempos de ontem e a vida de hoje, ela que não sabe se há-de ser cosmopolita ou bairrista de espírito, a que esteve a ser celebrada ontem e anteontem num quase esgotado Coliseu dos Recreios (e há uma semana em duas datas no Coliseu do Porto). E começámos por dizer “tão longe chegou a Deolinda” porque nos lembramos do início, quando do grupo existia apenas um par de vídeos no YouTube e a memória de pequenos concertos publicitados de boca em boca, qual segredo mal guardado prestes a tornar-se conhecido de todos. A Deolinda, portanto.

Chegou tão longe que hoje tem os dois álbuns que constam do seu currículo, “Canção ao Lado” e o mais recente “Dois Selos e um Carimbo”, nos topes. Tão longe que em três anos já viajou mundo fora e anda agora por Portugal a apresentar-se nesses locais de habitual consagração que são os Coliseus. E eles, os Deolinda (passemos para o plural, que agora é da banda que falamos), merecem essa consagração e essa euforia.

Na sala nas Portas de Santo Antão, em Lisboa, vimo-los em fatiotas catitas (a vocalista Ana Bacalhau surgiu qual versão “haute couture” de rainha de marcha popular), com um apoio cénico simples e eficiente (“animaram-se” as ilustrações que João Fazenda lhes desenhou) e com a colaboração esporádica de convidados como o baterista Sérgio Nascimento, a pianista Joana Sá ou um quarteto de cordas (acrescentaram novas texturas a canções como “Passou por mim e sorriu” ou a célebre “Fon fon fon”). Nada disso, porém, maculou o que lhes é essencial.

A banda que, no seu início, ensaiava na Damaia, no restaurante dos pais de Pedro da Silva Martins, guitarrista e compositor, e Luís da Silva Martins, guitarrista, é exacta e precisamente aquela que, às 21h45, vimos ontem entrar no palco do Coliseu lisboeta. A Deolinda são as canções que os Deolinda compuseram para ela e tocam através dela: Retratos, construídos de dorida melancolia e de sorrisos traquinas, de aquilo que somos hoje aqui, Portugal 2011, e do que nos fez aqui chegar. Por aí se explica que cheguem a toda a gente: um pai com a filha à nossa frente, trintões a toda a volta e um grupo de miúdos ali ao lado, bem próximos do casal sexagenário impecável no fato (o dele) e penteado armado (o dela).

A intensa rodagem em palco do último par de anos transformou-os num grupo que domina na perfeição os ritmos e a dinâmica das melodias – as duas guitarras trocando dedilhados com intuição e sabedoria, o contrabaixo de José Pedro Leitão a dar peso ao conjunto e Ana Bacalhau impecável na forma como “gere” as variações de intensidade -, mas são as canções, como antes e como agora, que fazem deles um caso especial: percebem as contradições deste sítio que habitamos e constroem a partir delas pedaços de música popular tão empolgante quanto transversal.

Tudo explicado no país temente a Deus que ganha santinha acossada em procissão por sentimentos profanos - “Contado ninguém acredita”, uma das primeiras da noite -, nos fanfarrões fiéis ao clássico “segurem-me que eu vou-me a ele” que se mostram latagões de coração mole - “Fado Toninho”, a meio de concerto -, na melancolia que espreita a cada passo – a impecável “Clandestino” é um bom exemplo – e na auto-ironia utilizada como arma poderosa – disparam-na em “A problemática colocação de um mastro”, antes do encore, e na canção resumo de toda a postura, “Movimento perpétuo associativo”, cujo mote comunal, “vão andado que eu vou lá ter”, finalizou o concerto enquanto caíam confetis e a banda atravessava a plateia, cantando com o público.

 

Ler resto do artigo no  Público

29
Jan11

MUSEU VIRTUAL ARISTIDES DE SOUSA MENDES

olhar para o mundo

“2 milhões de refugiados, provenientes das províncias de leste, chegam esgotados pelas estradas” (Alemanha)

“2 milhões de refugiados, provenientes das províncias de leste, chegam esgotados pelas estradas” (Alemanha)
Centro de Documentação e Informação – Diário de Notícias Dossier Mapas (1939-1945); pasta – campos de concentração

...) Permitam-me começar com uma citação de Elie Wiesel: "Não transmitir uma experiência é traí-la." Relembrar o passado e os milhões de pessoas que pereceram no Holocausto é o mínimo que podemos fazer para honrar a sua experiência. A memória é o que devemos às vítimas, aos sobreviventes, aos libertadores e a nós próprios.

 

Entre 17 de Junho e 8 de Julho de 1940, Aristides de Sousa Mendes , Cônsul de Portugal em Bordéus, emitiu vistos de entrada a 30.000 judeuse outros refugiados em fuga de uma França ocupada pelos nazis. Em menos de três semanas conseguiu salvar o equivalente a uma cidade inteira da destruição quase certa. (...) Não exagero ao dizer que milhões de pessoas que hoje estão vivas devem a sua existência, de forma directa ou indirecta, a este homem corajoso que morreu indigente e em desgraça, punido pelo governo de Salazar por ter desobedecido à ordem directa de suspender a emissão de vistos a judeus refugiados. (...)

 

Eis a definição de um verdadeiro herói: um homem que desobedece ao seu próprio governo e que paga um elevado preço pessoal para fazer o que está certo - salvar pessoas inocentes da morte e do sofrimento. Esta é, também, a definição de um verdadeiro diplomata: alguém que usou o seu cargo influente para ajudar as pessoas a atravessar as fronteiras para a segurança no meio de uma guerra terrível. (...)

É, indubitavelmente, uma história encorajadora. A maioria das histórias do Holocausto não o é.

 

(...) O Holocausto - como conceito e como sistema - teve origem na mente dos homens. Não foi uma catástrofe natural. Foi uma catástrofe provocada pelo homem. O preconceito está a aumentar nos nossos próprios países, mas também noutros lados, tanto na esfera pública como nos bastidores. É justamente a este nível que a luta tem de ser travada.

 

Genocídios e crimes contra a humanidade continuam a ocorrer em muitos lugares do mundo. O conhecimento sobre as origens, os motivos e o significado do Holocausto é imprescindível para sensibilizar a opinião pública e mobilizar forças para fazer recuar essas tendências. (...)

Temos de ter sempre bem presente na nossa memória a fragilidade da vida humana e a vulnerabilidade das nossas sociedades. Temos de preservar a memória do Holocausto para a posteridade como uma lição sobre a falta de moral da humanidade. Fazemo-lo com a esperança de que possamos, de facto, aprender com os acontecimentos do passado. (...)

 

Gostaria de citar uma parte do discurso do Professor Yehuda Bauer, Presidente Honorário do ITF , proferido há exactamente cinco anos, na Assembleia-Geral das Nações Unidas, no Dia Internacional da Memória do Holocausto : "Certamente, o Holocausto revela as profundezas da depravação humana, porém, nas suas margens, encontram-se os picos do sacrifício pessoal em prol dos outros. E isso mostra-nos que existe uma alternativa".

 

A nossa memória colectiva é o que define o nosso presente e futuro. Sem a memória do Holocausto, não conseguiremos construir sociedades democráticas e pluralistas nas quais a diversidade étnica, cultural e religiosa seja não só tolerada mas, também, respeitada e valorizada.

 

Devemo-lo ao sacrifício pessoal de Aristides de Sousa Mendes. (...) Devemo-lo á criança esquecida que foi morta e cujo nome não entrou na História. (...)"

Clique para visitar o museu
MUSEU VIRTUAL
ARISTIDES SOUSA MENDES

 

Via expresso

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