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Um olhar sobre o Mundo

Porque há muito para ver... e claro, muito para contar

Porque há muito para ver... e claro, muito para contar

Um olhar sobre o Mundo

16
Mai10

Sexo na vertical?

olhar para o mundo

Alguma vez se sentiram coladas ao chão, sem saberem o que fazer, quando chegam a uma pista de dança e alguém vos estende a mão em forma de convite? Eu já. Admito que sou aquilo a que muitos chamariam um "pezinho de chumbo". Como superar isto? Aqui vai a lição simples... dada por um homem:

"Paula, imagina que isto é sexo", diz ele. "Isto só podia vir da cabeça de um homem", penso eu, com desdém. Aperta-me contra ele. Sinto-lhe a barba a roçar na minha cara suada. Fecho os olhos... Não vou dar parte fraca: "Sexo na vertical, não é o que lhe chama? Vamos a isso".

 

 

Dirty Dancing... o eterno filme do imaginário do mundo dos saltos altos
Dirty Dancing... o eterno filme do imaginário do mundo dos saltos altos

Não há constrangimento físico. Estou nas mãos de um amigo. Ele lidera, eu deixo-me ir. O ritmo seduz-me. A música parece que me beija arrebatadoramente. Quando dou conta - e sem saber muito bem como - percebo que estou num género de kamasutra... sem sequer ter tirado a roupa.

Oiço alguém dizer: "Não fazia ideia que ela sabia dançar isto". "Nem eu", penso sem abrir a boca. Ali estou eu, tal qual tímida Jennifer Grey nos braços de um Patrick Swayze à portuguesa.

 

Percebo, finalmente, o verdadeiro significado do conselho inicial do meu amigo: como em tudo na vida, também na dança a entrega é necessária. Sem receio de arriscar ou de sermos ousados. Sem nos preocuparmos no que os outros vão a pensar. Sem medo de falhar. Porque quando menos esperamos, superamo-nos a nós próprios.

 

 

 

22
Abr10

Sou gay. E então?

olhar para o mundo

Duas adolescentes de dezoito anos, loirinhas tal qual princesas da Disney, estudantes promissoras, de "boas famílias"... matam, com a ajuda de um amigo de 19 anos, um homem ao pontapé em pleno Trafalgar Square, em Londres. Porquê? Porque o homem, de 62 anos, era gay.

 

É difícil tirarem-me do sério. Mas há noticias que me deixam verdadeiramente mal-disposta. A violência é algo que, por mais que tente, não consigo perceber. Vinda de um grupo de adolescentes - não são supostamente eles que têm uma mente mais aberta? - com motivações discriminatórias, ainda pior.

Há comportamentos que deviam ir para ao caixote do lixo
Há comportamentos que deviam ir para ao caixote do lixo

Tenho vários amigos e amigas homossexuais. Muitos deles já foram alvo de comentários menos felizes na rua. Muitos deles tinham bom tamanho para dar três pares de estalos a quem opta pelo insulto barato. Muitos deles, arriscaria a dizer todos, prefere não partir para violência. Mais facilmente me vêem a mim a exaltar-me com a idiotice alheia e a usar o meu dedo do meio em resposta, disso tenho a certeza.

Insultada por ser heterossexual?

 

Custa-me a entender que ainda se ache que um homem é menos homem ou uma mulher é menos mulher porque gosta de pessoas do mesmo sexo. Nas mil e uma noites que já passei em bares e discotecas gays nunca ninguém me apontou o dedo ou insultou por eu ser heterossexual.

Casos como o de Ian Baynham (sim, o homem tinha nome, família, toda uma vida deitada por terra por três meninos que beberam uns copos a mais e acharam por bem espancar um "paneleiro de merda", expressão usada pelos próprios), ou como o de Gisberta, o travesti do Porto também morto por um grupo de adolescentes, fazem-me pensar: Que raio de sociedade teremos daqui a uns anos? Que miúdos, futuros adultos, são estes? Será culpa da educação ou do preconceito eternamente enraizado? Se no tempo dos nossos pais histórias destas já eram reprováveis, nos ditos "tempos modernos" perdem totalmente o sentido. Não há justificação. Ponto final.

 

Via A vida de saltos altos

04
Abr10

O mundo voyeur do Facebook

olhar para o mundo

Ela: Já reparaste naquele giraço que ultimamente tem aparecido por cá?
Eu:
Sim, já tinha visto. Simpático?
Ela:
Se é simpático não sei. Mas chama-se Vasco, tem 37 anos, trabalha como consultor, gosta de equitação e vê lá bem: também esteve no Peru o ano passado como eu. Tem fotos fabulosas!
Eu:
Mas já saíste com ele?
Ela:
Não. Mas já lhe cusquei o Facebook todo, é claro!

É oficial: as mulheres que me rodeiam (e pelos seus relatos, também as que as rodeiam a elas) andam armadas em Sherlock Holmes da Internet. Antes de qualquer encontro, usam o Google como arma de pesquisa. Basta um nome... et voila! Chega-se ao perfil no Facebook, à página do Twitter, ao currículo no Linked In, ao blogue das confissões pessoais, a documentos profissionais em formato PDF que acabam invariavelmente escarrapachados na Internet.

 

Guerra emocional online
Guerra emocional online

Instala-se a paranóia e vejo mulheres que sempre tive como inteligentes e maduras a caírem nas malhas das redes sociais, numa busca fria e calculista por informações. Profissões, idades, grupos de amigos, signos astrológicos (obviamente!): Um mar infindável de informação à distância de um clique... e das curiosidades mais aguçadas. Para quê um primeiro encontro de descoberta, quando se pode não correr riscos, sabendo tudo por antecipação em frente a um computador? "Ridículo", diria eu. "Também o fazes", diriam os que me conhecem.

 

Tudo se descobre... mesmo o que preferiamos não saber

 

Muito se critica o voyeurismo... mas a palavra privacidade parece estar a perder o sentido rapidamente. Nem mesmo os que protegem os seus perfis com as opções de anonimato escapam ilesos. Enfim, no mundo virtual tudo se acaba por descobrir... mesmo aquilo que preferíamos não saber.

Na "guerra emocional online" deixam-se comentários com duplo sentido. Músicas com recadinhos escondidos. Fotografias que, propositadamente, poderão provocar ciúmes. Há, claro, também a solidariedade entre amigas: "descobri com quem é que ele anda a sair... fizeram-lhe um tag numa foto em que ele estava com ela", já ouvi eu umas quantas vezes. Ou melhor ainda: "Ele mentiu-te! Não viste que o amigo comentou que afinal tinham estado a ver a bola em casa do não sei quantos naquela noite?".

Será um sinal da profunda insegurança das mulheres? Simplesmente curiosidade? Ou quem sabe... pura futilidade? Perguntei a um homem o que achava disto e resposta apanhou-me desprevenida: "Não te preocupes... Nós fazemos exactamente o mesmo". E esta, hein?

 

Via A Vida de saltos altos

18
Mar10

Uma noite com travestis

olhar para o mundo

 Entre lantejoulas, perucas e batons berrantes, vi-me dentro dos bastidores de um espectáculo travesti ao fazer a reportagem "Transformismo: Quando eles são elas". À minha frente dois homens que percebiam mais dos truques femininos do que eu: Realçavam majestosamente o peito (que não possuem), adelgaçavam a cintura, escondiam pêlos, aumentavam as maçãs do rosto, pintavam-se com uma destreza que nunca eu serei capaz de ter. Conhecem de trás para a frente as cores da moda e sabem imitar os jeitos mais sensuais das divas da música.

 

Eu, que sempre me tinha achado uma mulher 97% feminina (gosto de rir alto, dizer palavrões de vez em quando e beber umas belas imperiais no verão... lá se vão 3%), revi em fracções de segundos a minha falta de jeito para muitas destas coisas. Afinal, qual de nós seria mais mulher se fossemos a um concurso de perguntas sobre moda e beleza? Seria eu o elo mais fraco, estou certa.

"Gosto muito do que Deus me deu"

 

Ricardo e Miguel, que em palco são Luna e Sylvie Kass
Ricardo e Miguel, que em palco são Luna e Sylvie Kass
 

Contudo, e talvez para minha surpresa, nenhum deles ansiava ser mulher. "Gosto muito do que Deus me deu... ser mulher era uma carga de trabalhos", dizem-me entre risos. Fora do palco são irreconhecíveis. Homens da cabeça aos pés... só as unhas compridas deixam os mais atentos ficar na dúvida.

Falam-me do preconceito, dos altos e baixos de uma profissão que nem sempre os compensa economicamente. Mas a "satisfação" e "libertação" sentidas em palco parecem compensar. São transformistas de profissão... mas também de coração.

Pedem-me para sair na hora de vestir. Há truques para ocultar a sua masculinidade que exigem privacidade... e devem permanecer como segredos bem guardados. Vejo-os novamente em cima do palco, agora na pele de "Sylvie Kass" e "Luna". Na plateia estão homens, mulheres, casais hetero, casais homossexuais, grupos de despedidas de solteiros, fãs habituais. O ambiente é divertido e não há ninguém que não bata palmas. Já eu, aplaudo de pé o profissionalismo com que se transformam em mulheres e a dgnidade com que remam contra a maré da discriminação.

 

05
Mar10

Fantasiar com um padre é pecado?

olhar para o mundo

 Calendário de padres, vaticano

 

Confesso: Na terra dos reis do flirt, dou por mim a ter pensamentos libidinosos no Vaticano. Serei uma Maria Madalena?

 

r a Itália é uma massagem ao ego de qualquer mulher... mesmo para aquelas com um feitio mais torcido no que toca a tentativas de engate. Eles são os reis do flirt e não brincam em serviço: desde o condutor do eléctrico que pisca o olho em pleno andamento, ao guia do museu que, embora com idade para ser nosso pai, nos chama de "bella portuguesa" repetidamente, vale tudo.

Eles param no meio da rua para gritar "ciao preciosa" em tom meloso, abordam-nos em filas para a casa-de-banho e acabam a dar-nos beijos na mão sem sequer percebermos como, travam a fundo para nos deixar atravessar a estrada e convidam-nos a sair com eles ao mesmo tempo... tudo com uma lata glamourosa que só nos faz corar e rir, em vez de alçar a mão para o habitual par de estalos.

O pecado mora no Vaticano


Contudo, foi o Vaticano que despertou o lado mais libidinoso que há em mim. Rodeada de morenos extra-perfumados, com óculos Ray Ban, a minha atenção recaiu sobre o homem da batina. Lamento ser tão pouco católica no que toca a isto das atracções, mas ali estava ele: cabelo curto, com aquele sotaque italiano de bradar aos céus, vestido de preto até aos pés, com uma cruz ao peito, sorriso aberto, olhar misterioso e penetrante... mas, para bem dos meus pecados, tudo menos engatatão. Caso para dizer: graças a Deus!

Enquanto o Papa falava na janela, os meus pensamentos eram tudo menos religiosos. Qualquer entrada num confessionário naquela fase teria sido uma versão luso-italiana do "Crime do Padre Amaro". Nem com mil "Pai Nossos" de enfiada eu conseguiria voltar a ter lugar no céu. Faço o meu ar mais imaculado enquanto penso no eterno desejo pelo fruto proibido: Afinal, porque será que queremos sempre aquilo que não podemos ter?

Via A Vida de saltos altos

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