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Um olhar sobre o Mundo

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11
Jul09

O caso de amor da formiga Argentina

olhar para o mundo

O caso de amor da formiga Argentina

 

Uma formiga americana, uma japonesa e uma europeia encontram-se e esfregam as antenas umas nas outras. O encontro não é casual. Um grupo de cientistas japoneses juntou-as na mesma sala para confirmar uma suspeita. Todas descendem da formiga argentina que um dia saiu do seu país e invadiu o mundo. Esse laço mantém-se e, mesmo com origens geográficas tão distintas, quando se encontram reconhecem as colegas graças _ao cheiro semelhante que todas elas _exalam. A experiência foi realizada por investigadores da Universidade de Tóquio e o resultado do trabalho foi publicado a semana passada na revista científica “Insectes sociaux”. 

Ao contrário do que se pensava, os milhões de Linepithema humile – conhecida como formiga argentina – espalhados pelos três continentes pertencem a uma mesma família. Juntas, formam a maior supercolónia alguma vez registada entre todos os tipos de insectos. “A enorme extensão desta população de formigas só encontra paralelo na sociedade humana”, escrevem os investigadores no artigo.
A história desta invasão começou no século 19. Foi no final de 1800 que um grupo de navegadores espanhóis partiu da terra do tango com alguns tripulantes clandestinos nos navios. O professor José Carlos Franco, do Instituto Superior de Agronomia (ISA), conta que “não são precisas muitas formigas, desde que acompanhadas por uma rainha, para dar início a uma nova colónia”. 

Segundo o mesmo professor, “a primeira paragem destas formigas fora da América do Sul  foi o arquipélago da Madeira”. Atravessado o oceano, as formigas adaptaram-se com muita facilidade ao clima europeu e depressa se espalharam por todos os continentes à excepção da Antárctida. “Tornaram-se uma espécie invasora.” Os motivos deste sucesso não são segredo.

“Há várias características que justificam o sucesso da espécie”, explica José Carlos Franco. “Uma das respostas é que, ao contrário de outras espécies, estas formigas podem ter várias rainhas. Isso aumenta muito a sua capacidade de reprodução. Outra justificação é a ausência de competição intra-específica.” Traduzindo: “Quando existe um recurso alimentar extenso, estas formigas toleram o recrutamento de indivíduos de outras colónias para o explorar sem qualquer agressividade.” Trabalhadoras incansáveis, as formigas argentinas conseguem transportar até 14 vezes o seu peso. 

Praga A conquista do palco mundial  por estes seres minúsculos (2,5 mm) não é uma questão pacífica. A formiga argentina é considerada uma praga no campo e nas cidades. Os formigueiros que escavam em volta das plantas isolam as raízes e provocam a sua morte. Além disso, “as relações mutualistas que estabelecem com outras espécies, como as cochonilhas e os pulgões, facilitam a luta destas espécies com os seus concorrentes naturais e possibilita a sua propagação”, explica o professor do ISA. Destroem plantações, atacam borboletas, besouros e reduzem a quantidade de pólen das flores de árvores de fruto ao passear sobre as suas pétalas.

Nas cidades, é o facto de serem omnívoras que as transforma numa praga urbana. “Alimentam-se de qualquer tipo de matéria orgânica. Quem tem um ninho destas formigas em casa não pode ter comida desprotegida porque elas contaminam tudo.” Não são, contudo, os seres humanos que mais as devem temer. Esta espécie dominante já causou a extinção de outras espécies de formigas no Havai, na África do Sul e até na ilha da Páscoa.

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