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Um olhar sobre o Mundo

Porque há muito para ver... e claro, muito para contar

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Um olhar sobre o Mundo

10
Jul09

A Bolha:Há quem venda os carros para jogar

olhar para o mundo

A bolha, o jogo

 

"Fui sem saber no que ia dar, mas confiei e ganhei." Quando C. começou a jogar, em Fevereiro de 2008, a bolha tinha acabado de chegar ao Porto, importada de Lisboa. Um amigo - "um dos fundadores" do popular esquema no Norte - convenceu-a a entrar. Na altura havia poucos jogadores. "Era gente ligada à noite, mas também havia empresários e médicos. Dizia-se que havia gente do Futebol Clube do Porto envolvida", recorda. 


A perspectiva de obter dinheiro fácil "foi aliciante" e pouco tempo depois C. já estava numa das primeiras reuniões, que aconteciam sempre à terça-feira num hotel da Maia. "Eram encontros que não tinham mais de 30 pessoas." Mesmo assim, encontrou pessoas conhecidas: "No início foi estranho, porque dei de caras com pessoas que nunca imaginei." 
As regras eram simples: a sala de reuniões devia ser reservada e paga pelos jogadores da semana - aqueles que recebiam. No espaço havia sempre uma demonstração de produtos de emagrecimento. "Eram dispostos em mesas e à entrada distribuíam panfletos promocionais." No entanto, C. garante que "nunca se falava nesses produtos, era só para disfarçar". Nos encontros também não se falava no jogo da bolha: "Era o curso." Quando chegava a altura de receber o dinheiro, os jogadores eram convidados a dirigir-se ao centro da sala "para serem graduados" ou, no caso de irem investir, para "pagar as propinas". 

Passadas três semanas, as reuniões juntavam 300 pessoas e realizavam-se "numa discoteca desactivada na zona industrial do Porto". Eram frequentadas por todo o tipo de pessoas. "Desde a elite da cidade a gente que não tinha muito dinheiro." No início, conta, era "gente mais velha". Só mais tarde é que a bolha começou a chegar às camadas jovens.

C. investiu 250 euros e em menos de três semanas conseguiu dois mil. Voltou a investir em três bolhas, mas só ganhou em duas. Feitas as contas, o esquema (que durou meio ano) rendeu-lhe perto de cinco mil euros. Para conseguir reaver o investimento, C. introduziu quase 40 pessoas no esquema. "Nunca enganei ninguém, explicava logo que não podia garantir que desse certo." Entretanto, o jogo tornou-se demasiado popular." Era cada vez mais difícil arranjar novos jogadores e "começaram a aparecer reportagens na comunicação social que deixaram as pessoas em pânico". Por isso, C. deixou de jogar. Porque, conta, "é dinheiro fácil, mas não tão fácil como se pensa". Depois, usou o dinheiro que ganhou para estudar no estrangeiro. Saiu de Portugal em Agosto do ano passado. 

Alguém tem de perder Em menos de cinco meses, R., na altura com 20 anos, ganhou 31 mil euros. Primeiro quis assistir a uma reunião. Sem compromisso. "Nem levei dinheiro porque estava de pé atrás." Terminado o encontro, só se arrependeu de uma coisa: "Não ter ido prevenido." 

Jogou logo na semana seguinte. Entrou com dois mil euros e recrutou tanta gente que se tornou "numa referência na zona". Propuseram-lhe bolhas de 10 mil euros, mas não aceitou. "Quanto maior era o investimento inicial menos pessoas se conseguia recrutar, por isso desisti", conta. 

No entanto, foi aliciado de várias formas: "Disseram-me que nem precisava de meter as oito pessoas, que metiam quatro por mim, porque já havia bolhas paradas." As reuniões duravam "uma ou duas horas" e eram convocadas 30 minutos antes, por SMS. Nos hotéis, encontrava-se "gente de todo o tipo" unidas pelo mesmo objectivo: ganhar dinheiro fácil. "Sei de muitas histórias de pessoas que venderam carros e pediram empréstimos para poder jogar." Até, porque, admite, "no meio daquilo tudo, alguém tem de perder".

 

Via ionline

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