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Um olhar sobre o Mundo

Porque há muito para ver... e claro, muito para contar

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Um olhar sobre o Mundo

22
Mai09

A ginástica que está a mudar a vida íntima das portuguesas

olhar para o mundo

Ginástica e brinquedos sexuais

 Comecemos pelos exemplos: depois de muito treino, uma aluna de 31 anos conseguiu levar o parceiro ao clímax apenas com contracções genitais; outra, de 35 anos, casada há 17, sentiu um orgasmo pela primeira vez. São dois motivos de orgulho para Rita Craveiro, de 29 anos, uma professora de Pilates que se especializou numa técnica chamada pompoarismo. 


Rita organiza, desde Maio, o curso Segredos de Sedução, no Photus Erotic Club, em Lisboa, e, entre conselhos para aumentar a auto-estima e pistas sobre massagens sensuais, ensina a controlar os músculos pélvicos. O pompoarismo vem do Oriente - Índia, Tailândia e Japão são origens defendidas - e terá mais de mil anos. Consiste em vários exercícios de contracção e descontracção. O resultado, assegura a formadora, são orgasmos mais intensos para a mulher e maior satisfação para o parceiro. "Quando trabalhamos a musculatura vaginal, estamos a torná-la mais sensível", confirma a sexóloga Vânia Beliz. "O facto de a mulher conseguir contrair os músculos e apertar o pénis dá mais prazer ao homem."

Ora bolas As bolas Ben-Wa, ou chinesas, servem para intensificar os exercícios. Estas duas esferas de plástico ou metal, pouco maiores que um berlinde grande, estão unidas por um fio. Funcionam, diz Rita Craveiro, como uma espécie de haltere: "Temos de ajudar a primeira bola a entrar. Depois, vamos contraindo e descontraindo e o fio vai subindo."

A professora recomenda dez repetições, a sós, duas ou três vezes por semana. O objectivo não é fazer acrobacias - "contrair durante o acto sexual já é difícil" - mas ajudar as mulheres a conhecerem o seu corpo.

O primeiro passo, aliás, é tentar travar o fluxo de urina quando se vai à casa de banho, como defendeu nos anos 50 o médico californiano Arnold Kegel. "Para perceber como e onde funciona o músculo", adianta Vânia Beliz, que refere outras vantagens do pompoar: prevenir a incontinência e preparar o parto.

Apesar de não o associarmos à gravidez, o vibrador, a par das ben-wa, é o material didáctico dos cursos de preparação e recuperação pós-parto dados por Catarina Pardal, no Barrigas e Bebés, na Amadora. "Usa-se desligado. É só um exercício: contrai e relaxa, contrai e relaxa." No ano passado, Catarina juntou o pompoar aos exercícios recomendados às grávidas: "Trabalha todos os músculos perivaginais - que vão ser utilizados durante do parto", defende. "Depois [de dar à luz] a mãe tem menor probabilidade de sofrer de incontinência, não sente tantas dores e volta mais rápido a ter vida sexual."

Chinesices Os exercícios de recuperação tornam-se importantes sobretudo quando as mães foram submetidas a uma episiotomia (corte na região do períneo para ampliar o canal de parto), se ocorreu laceração (rasgamento da pele) ou foram utilizados fórceps. Há mulheres que não voltam a ter prazer sexual ou que ficam incontinentes. "Recomendo que usem as bolas 15 minutos, duas vezes por dia", diz Catarina Pardal.

O segredo está na vibração criada pela esfera que existe dentro das ben-wa, desmistifica a fisioterapeuta Carla Oliveira, de 36 anos, "dá um estímulo inicial e o músculo contrai". Ainda assim, adverte, nos casos de incontinência, a técnica serve apenas como complemento de tratamentos terapêuticos. "Em casos muito graves, o períneo nem sequer contrai", reforça. Quando vê doentes receptivas, fala-lhes das bolas chinesas. O problema é que só se vendem nas sex-shops. "Nem todas aderem", diz. 

Por outro lado, o ginecologista Strecht Monteiro revela que nunca obteve resultados quando aconselhou a ginástica vaginal aos doentes com incontinência. Vantagens, só psicológicas. "As pessoas não sabem que podem dar ordens aos músculos pélvicos. Com estes exercícios sentem-se melhor com o corpo."

Muito treino Com cursos de pompoar há ano e meio, o Gine-Espaço, em Lisboa, já recebeu 122 alunas, entre os 20 e os 66 anos. E a procura não pára de aumentar, conta Maria Rua, a professora. Umas vão por curiosidade, outras dizem ao marido que estão na fisioterapia e aparecem para revitalizar a vida sexual. Mimi, uma engenheira química de 48 anos, não contou ao namorado que tinha feito o curso. "Sou divorciada e estava no início de uma relação. Queria que ele pensasse que era uma mais-valia minha", conta. "Quem notou diferença fui eu. Andava a sentir menos prazer, menor sensibilidade. Melhorou." Nos últimos tempos tem é treinado pouco, tal como a psicóloga Patrícia Alcântara, de 31 anos. Depois de frequentar o workshop, em 2007, Patrícia praticava 40 minutos por semana. "A fazer o jantar, em frente à televisão. Ninguém percebe." O esforço compensou: passou a ter orgasmos muito mais intensos. Agora é uma espécie de evangelizadora. "Ainda há pouco levei lá uma prima e uma amiga e comentei que tinha de voltar a fazer os exercícios", diz.

"Para a mulher portuguesa isto é como se fosse uma dieta: faz uma semana; na segunda, já não faz", lamenta Maria Rua. O curso tem a duração de quatro horas. Usa-se, não as ben-wa, mas o colar tailandês, com cinco bolas de pedra muito mais pequenas. 

Bastam 40 minutos de prática, três vezes por semana, durante um mês, para ficar em forma. "Depois, é como o ginásio: há quem desenvolva muito - os profissionais - e quem só queira uma vida saudável." Nunca lhe apareceu uma aluna que quisesse fazer espectáculos eróticos, mas parece que o treino não é assim tão difícil. "Com oito ou nove meses de prática consecutiva", revela, "uma mulher consegue, por exemplo, sugar uma banana descascada, expeli-la e cortá-la às rodelas". Com Vanda Marques

 

Via Ionline

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