Domingo, 3 de Outubro de 2010

Quando falar com os filhos sobre sexo?

 

O assunto sexo estranhamente ainda assusta pais e mães. Talvez reflexo de uma cultura não muito distante, quando levantar discussões em família sobre o tema implicaria constrangimentos. Pergunte a seus avós, ou mesmo àquela tia de idade mais avançada se na época em que eles tinham entre 20 e 30 anos era comum ouvir termos como ‘orgasmo’, ‘masturbação’; se na mídia em geral havia uma abordagem tão explícita como se vê, atualmente, em seriados, novelas, filmes e músicas. Certamente a negativa vai ser contundente.

A quebra desse tabu, hoje, é algo que soa com certa urgência. Psicólogos e sexólogos alertam que a falta de diálogo pode ser responsável por consequências que vão além da rebeldia ou de uma gravidez indesejada. O alerta fica principalmente para as crianças, cuja curiosidade insaciada pode levá-las a se tornar alvo de pedófilos.

 

A professora Ana Luzia Oliveira, mãe de quatro filhos – o mais velho com 24 anos, um de 20, outro de 18 e uma menina de 10 – revela que a criação recebida dos pais causou uma limitação no diálogo sobre a questão. “Quando me dei conta, já encontrei as camisinhas entre as roupas e mesmo assim não senti necessidade de falar sobre isso. Na minha criação sexo não existia, então acho que fiquei ‘bloqueada’. Na idade em que se encontram, eles acham que sabe de tudo”, diz.

Ana Luzia reconhece que o diálogo deveria partir dela, mas reconhece que falta coragem para orientá-los. “Não tenho arrependimento até porque nunca aconteceu nada que me fizesse repensar a atitude. Mas hoje só consigo focar no assunto prevenção, tanto com relação a uma gravidez indesejada ou até mesmo uma doença”, justifica. O desafio agora, para ela, é quebrar essa barreira com a filha de dez anos. “Não sei como vai ser [a conversa], porque ela já sabe muito mais do que eu quando tinha a mesma idade. Tudo é diferente hoje. Sexo não é mais uma ‘coisa de outro mundo’”, ressalta.

 

A vizinha da professora, a funcionária pública Carla Moraes Leal, que tem um casal de filhos com 20 e 16 anos, percebeu o momento de levantar o diálogo quando o filho, na época com 18 anos, estava sendo orientado pela turma de amigos. “Sabia que era saudável ele conversar com os amigos, mas isso estava ocorrendo de forma errada. Havia também a timidez dele, então tomei a iniciativa”, lembra.

A primeira conversa não foi fácil. Carla revela que ensaiou no espelho por diversas vezes como seria a abordagem. O resultado, hoje, é que a relação com ambos mudou para melhor. “Falamos sobre tudo agora. Somos mais abertos não só para falar sobre sexo, mas com qualquer outro assunto. A gente se trata de igual para a igual, com o respeito que deve existir entre mãe e filhos”, revela.

 

Responsabilidade dos pais

 

A funcionária pública reconhece que o diálogo veio tarde. No entanto, a psicóloga Edelvaisse Ferreira revela que não existe uma idade ideal para que haja a abordagem do assunto. A exposição diária das crianças à mídia, que apresenta uma enxurrada de imagens eróticas e sensuais, e o livre acesso à internet pode antecipar a curiosidade. “Os pais devem orientar os filhos na medida em que forem feitas as perguntas. Não há necessidade de adiantar nada porque a sexualidade se desenvolve naturalmente; não vai ser necessário nenhum empurrãozinho”, alerta.

O prejuízo nessas conversas iniciais pode vir com a maneira que elas vão decorrer.  Falar da ‘Cegonha’ ou inventar apelidos para os órgãos sexuais, por exemplo, também é algo fora de recomendação. A psicóloga explica que deve ser rejeitada a linguagem que não contemple a idade do filho.

“Para as crianças não existe o saber do ‘proibido’. Se a família preza pelo diálogo aberto, elas certamente colocarão as perguntas no momento em que sentirem curiosidade. Se não há o diálogo a criança pode ter receio em falar e os pais devem ficar atentos ao comportamento e à linguagem do filho para abordar o tema de maneira sincera e natural”, aconselha Edelvaisse.

 

Por Diógenes de Souza e Raquel Almeida



Via Infonet



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