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Um olhar sobre o Mundo

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Um olhar sobre o Mundo

21
Set10

Não sei o que é o orgasmo!

olhar para o mundo

Não sei o que é o orgasmo

 

Foi bom para você? Cerca de 30% das brasileiras, se forem sinceras, irão responder: "não". Elas sofrem de uma disfunção marcada pela ausência do orgasmo. O Eva foi em busca de informações sobre o problema, responsável pelo fim de relacionamentos e também pela queda da autoestima de muitas mulheres.

 

Um prazer fingido que acelera os batimentos cardíacos, deixa a respiração ofegante, corta o fôlego e tira a razão por alguns segundos. As sensações corporais são tão intensas que provocam gritos, gemidos e outras reações que não podem ser aqui descritas. É o clímax de uma breve história sexual que termina, geralmente, com final conhecido: o sono.

 

O orgasmo é uma ambição que faz parte do imaginário do sexo. Há quem duvide de sua existência e acredite ser uma lenda. Porém, a ciência comprova: o orgasmo feminino existe! Contudo, nem todas as mulheres com vida sexual ativa são afortunadas com essa resposta.

 

Tanto que o Projeto de Sexualidade do Hospital das Clínicas de São Paulo (Prosex) concluiu, em 2003, depois de pesquisa realizada com mulheres de todo o Brasil, que aproximadamente 30% delas nunca tiveram uma experiência orgástica.

 

Isso não significa que os 70% restantes dessa população feminina esteja completamente satisfeita. Ao contrário, nesse universo, encontram-se mulheres que já tiveram orgasmos, e deixaram de ter, e outras que só sentem prazer por meio do sexo oral ou pela masturbação.

 

A pedagoga Luana (nome fictício), de 34 anos, encaixa-se no perfil da maioria de mulheres que busca esse prazer máximo, mas, dificilmente consegue alcançá-lo. A frase que dá título a esta matéria foi pronunciada por ela, durante uma conversa entre amigas.

 

"A primeira vez que conversei sobre orgasmo tinha 30 anos e achei muito estranho porque não sentia metade do que ouvia minhas amigas contarem", revela. As reações físicas, o torpor momentâneo não fazem parte de seu repertório de vivências sexuais.

 

Essa realidade é a mesma enfrentada por um grande número de mulheres, o que faz da anorgasmia (ausência do orgasmo), ao lado da diminuição da libido, o principal problema que leva mulheres de diferentes idades aos consultórios de psicólogos e sexólogos.

 

Segundo Luana, ela só teve prazer intensamente - o que acredita ser o orgasmo - uma vez, aos 23 anos. E como a experiência não se repetiu, tornou-se uma vaga lembrança em sua trajetória sexual.

 

"Sinto prazer mais com o toque do que com o ato, acho que a falta de sensibilidade do parceiro é a causa. Quando o sexo foi bom para mim, acabo me sentindo mais bonita, porém não é sempre", explica.

 

Homens

 

Entre todos os relacionamentos que teve, a pedagoga apenas encontrou dois homens dispostos a ajudá-la. "Por serem mais velhos, demonstraram interesse. Um tinha 49 anos, e o outro, 57. Os demais se sentiram diminuídos". A sexóloga cearense Margareth Fichera explica que muitos homens passam anos tendo relações sexuais com uma mulher sem saber que ela não sente orgasmo.

 

Quando descobrem, avalia a sexóloga, sentem-se culpados, frustrados e responsáveis, mas há aqueles que não se incomodam (veja depoimento no box à direita de uma cearense de 46 anos). Para esses, o problema pertence unicamente à mulher, pois, em relações anteriores, nunca vivenciaram situações dessa natureza.

 

Tal comportamento acaba por confundir a parceira que, muitas vezes, não sabe os motivos que desencadeiam o problema e a falta de apoio do companheiro a deixa fragilizada e mais culpada, daí porque muitas fingem sentir orgasmos.

 

Luana garante que não finge. "Meu olhar, a expressão do meu rosto passam se eu gostei ou não. Concentrada na procura pelo homem certo, ela não foi atrás de aconselhamento profissional. "Até já comentei com a ginecologista, e ela me indicou uma sexóloga, contudo não fui. Minhas amigas dizem que tenho que me tocar para descobrir os pontos que me dão prazer", conta.

 

Até sentir o orgasmo dos seus sonhos, a pedagoga vai tentando. As expectativas são boas. "A pessoa com quem estou no momento me faz sentir nas nuvens só com toques e beijo na nuca. Fico paralisada, em êxtase", ela revela.

 

Anorgasmia

 

ESTÁGIO PRIMÁRIO: Quando a mulher nunca experimentou orgasmo, seja com o ato sexual ou a masturbação. Causas: crenças religiosas, pode ter crescido num ambiente repressor em relação ao sexo; não conhece sua sensibilidade porque nunca se masturbou; tem imagem ruim do homem por conta de relação negativa com o pai, o que a faz não confiar nos homens, ou pode ter tido mãe autoritária

 

FASE SecundáriA: Quando a mulher já experimentou o orgasmo com normalidade e, por certos motivos, deixou de tê-los de modo sistemático. Causas: Desemprego, situação financeira ruim, conflitos conjugais e familiares

 

Situacional: Quando a mulher sente orgasmos apenas em determinadas situações, como a masturbação e sexo oral, ou com um determinado parceiro ou parceira. Causas: Pode ser uma pessoa tensa, desconfiada, que não confia no homem ou em outra mulher, não se entrega, não tem um passado positivo em relação aos homens (imagem negativa do pai) ou mulheres (mãe controladora)

 

As causas fisiológicas da disfunção orgástica são mais raras, contudo, existem. Lesões cirúrgicas da medula ou do sistema nervoso periférico podem inibir o orgasmo feminino, assim como o uso excessivo de álcool e drogas

 

Fonte: Sexóloga Carla Cecarello e Prosex

 

DEPOIMENTO

"Meu marido não me entendeu"

 

" Sou casada há 22 anos. Minha primeira relação sexual somente aconteceu após o casamento, mas tive algumas intimidades durante o namoro. Numa dessas intimidades, cheguei, pela primeira vez, ao orgasmo. Foi maravilhoso! A partir desse momento, imaginei, então, que após o casamento, minha vida sexual seria perfeita. Não havia razão para pensar o contrário. E, assim, idealizei que viveria "feliz para sempre" com o homem que amava.

 

No entanto, as coisas não aconteceram dessa maneira. O sexo sempre era rápido. Quase que por obrigação. As preliminares não demoravam tanto quanto as carícias da época em que namorávamos e, mesmo gostando de estar com ele, não conseguia mais chegar ao orgasmo. Embora me esforçasse muito para isso acontecer.

 

Aguentei por algum tempo a situação. Até que um dia resolvi falar para o meu marido sobre a minha dificuldade sexual, mas ele não me entendeu. Pelo contrário, desconversou.

 

Esse seu comportamento me desanimou e não falei mais no assunto. Minha atitude teve efeito contrário do que imaginava. Nosso relacionamento deixou, definitivamente, de ser caloroso. As carícias diminuiram muito e o sexo tornou-se ainda mais frio.

 

Há dois anos, conheci um homem bem mais velho, porém muito gentil e carinhoso. Saímos de vez em quando e nos falamos por telefone quase todo dia. Apesar disso, continuo casada. Com o outro, no entanto, voltei a sentir o entusiasmo do tempo do namoro.

 

Com esse novo relacionamento, sinto-me novamente jovem. O desejo sexual hoje faz parte da minha vida. Tenho sonhos eróticos. Mas, mesmo assim, ainda não cheguei ao orgasmo. Porém, tenho uma certeza dentro de mim: acredito que isso não venha a acontecer com meu marido, mas com o outro, sim!

 

Clara (nome fictício), 46 anos

 

NAIANA RODRIGUES

 

Via Alagoas 24

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