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Um olhar sobre o Mundo

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05
Set10

Pixelejo. Os azulejos de papel invadem as cidades

olhar para o mundo

Pixelejo

 

Ao longe, os azulejos de Tiago Tejo enganariam o mais astuto dos caçadores de relíquias de fachadas. Tendo em conta que cada azulejo arrancado de um prédio antigo chega a valer 60 euros, os painéis espalhados por Lisboa pelo estudante de 24 anos enriqueceriam até um ladrão de meia tigela. Isto, claro, se não fossem feitos de papel.

Na verdade, Tiago criou uma peça muito mais barata - o pixelejo -, que segundo o próprio, resulta do "cruzamento entre a antiga arte do azulejo e o pixel [a unidade da imagem digital]". Tiago tem dificuldade em precisar a altura em que decidiu desenhar uma réplica de um azulejo de Rafael Bordallo Pinheiro no seu computador. "Foi há coisa de um ano ou dois, quando desisti da minha primeira licenciatura, fiz o Interrail e tinha de me entreter com qualquer coisa." Do tédio de estar em casa sem fazer nada - na altura ainda não frequentava o curso de História de Arte, em Lisboa - nasceu o pixelejo, a nova forma de arte urbana "apreciada por miúdos e velhos". 

"Comecei a reunir informação sobre azulejos antigos e juntei isso à pixel art forma de arte digital], que já me interessava desde a infância, com os jogos de computador." Fazer um pixelejo chega a demorar dois dias, ou melhor, duas noites, porque é de madrugada que Tiago consegue trabalhar. "Pinto os quadradinhos no computador consoante o padrão de azulejo que quero fazer, imprimo-os, corto e colo onde quiser."

As colagens são sempre feitas durante a noite, porque, relembra Tiago "isto é ilegal". Mesmo assim, garante ter sempre a preocupação de "não estragar coisas já existentes e melhorar coisas feias, como por exemplo as caixas de electricidade". "Há prédios velhos em que falha o padrão de azulejo e muitas vezes ponho um diferente, só para chocar mais", conta. "Vale tudo desde que não estrague nada."

Em Lisboa, onde a maior parte dos seus pixelejos estão espalhados, é difícil acompanhá-lo numa missão diurna. "Só se for numa fábrica abandonada", diz. Depois de investigar a zona do Parque das Nações, Tiago convida-nos para uma colagem na antiga fábrica da Air Liquide, em Chelas. No edifício repleto de lixo e ocupado por toxicodependentes, um deles avisa a fotógrafa do i: "A senhora deve ser ou muito corajosa ou muito louca para estar aqui com essa máquina." Perigo à parte, a missão é rápida. Tiago imprimiu os desenhos na noite anterior e preparou o balde de cola em casa. Em menos de uma hora, ergue-se um painel de 54 pixelejos numa parede com alguns rabiscos. "Ponho cola na parede e depois em cima, como num cartaz político", explica. 

Muitos amigos de Tiago têm as casas decoradas com estes azulejos de papel. Mas só amigos, porque Tiago não vende. No Facebook, há cada vez mais interessados no Pixelejo e a página até tem uma base de dados de fotografias.

Segundo o site do projecto SOS Azulejo existem 102 casos de furto de azulejos em Portugal desde 1984. Esta pode ser uma maneira barata, embora efémera, de substituí-los.

 

Via ionline

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