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Um olhar sobre o Mundo

Porque há muito para ver... e claro, muito para contar

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Um olhar sobre o Mundo

25
Jul10

Sexo: Quando tudo o que vem à rede é peixe...

olhar para o mundo

Desejo. Ânsia. Compulsão. Há quem tenha tido mais de cem parceiros sexuais num só ano. Mas poderá o sexo viciar? Venha daí conhecer casos em que o sexo falou mais alto... repetidamente.

 


"Por uma queca fazemos coisas inacreditáveis. Fica-se cego." Sérgio, 39 anos, sabe do que fala. Nos últimos três anos passaram pela sua cama mais de 200 mulheres. Altas, baixas, gordas, magras. No que toca ao sexo, não tem dúvidas quando fala da fase pós-divórcio: "É o vale tudo. Fica-se viciado na novidade. É o prazer momentâneo."

"Com o fim do casamento de dez anos, Sérgio viu-se "sozinho, afastado dos amigos, longe dos filhos, numa nova cidade e com necessidade de novos laços". A blogosfera foi a forma encontrada "para deitar tudo cá para fora". Inicialmente escrevia um blogue de desabafos sentimentais que acabou por "enveredar num cariz erótico e sexual". Começou a ser seguido por leitoras e daí ao primeiro encontro foi rápido: "Começas por manter o registo antigo e combinas um cafezinho. Mas quando te apercebes que a conversa no computador é 300 vezes mais rápida, vais direto ao assunto. Não há medo de rejeição. O flirt começa com umas simples reticências e termina na cama: Queres? Bora."

"Toda a gente já pagou para ter sexo"

 

Com o "ego recuperado", Sérgio foi encontrando mulheres com "a mesma compulsão sexual" e gosto pelo risco. "Estava com uma no Bairro Alto e ela atirou-me para cima de um carro. Enquanto outras pessoas passavam, começou a fazer-me sexo oral ali mesmo. Puxei de um cigarro e decidi desfrutar."

Entre o telemóvel e as redes sociais, todos os dias Sérgio organizava a agenda. Num só dia chegou a estar com três mulheres diferentes. "É sexo egoísta. Usas aquela pessoa como objeto do teu prazer." Embora garanta nunca ter pago a ninguém, tem uma visão prática: "Todos pagamos para ter sexo. Nem que seja os copos que lhes oferecemos."

Esta obsessão levou-o a falhar compromissos de família e a inventar reuniões para sair do escritório. "Percebi que estava a passar o limite quando já me fazia confusão passar um dia sem sexo. Nunca procurei ajuda mas tal como começou, a necessidade de novidade também se esgotou." Hoje vive um "namoro liberal", baseado no diálogo. Para trás ficam exageros, muitas vezes tidos sem meios contracetivos. "Acho que não voltarei a cair no mesmo".

Rita diz o mesmo. Depois de sete meses "a mascarar carências afetivas com vontade de sexo", a jovem de 26 anos garante que "prefere usar um vibrador" a repetir o comportamento de há dois anos.

"Nem sequer queria saber quem eles eram"

 

O "impulso" levava Rita a procurar situações de sedução. "Chegava a ter dois a três parceiros por semana. Por vezes repetia-os, mas não queria saber sequer quem eram ou como era a vida deles". Heterossexual, "mas com um pezinho na bissexualidade", a jovem envolveu-se com homens e mulheres, por vezes com várias pessoas ao mesmo tempo e invariavelmente levada pelo ímpeto: "Lembro-me de estar num bar com zona privada para quem quisesse ter sexo. Senti aquela vontade. Acabei a ter sexo oral com um homem que nunca tinha visto. A meio dei por mim a pensar que naquele momento tanto podia ser ele a estimular-me como um simples vibrador. Era tudo mecânico."

Rita conta que esta foi a forma encontrada para compensar a baixa auto-estima: "Sentia-me feia e mal-amada. Queria a envolvência, a conquista, mas quando chegava a 'hora H' nem sequer tinha vontade. Muitas vezes fingia os orgasmos."

Quando regressava a casa, "encontrava o mesmo silêncio e sensação de vazio". "Mais que desejo sexual, hoje sei que era desejo emocional. Masturbar-me não era solução."

Rogério diz o mesmo. "Podia masturbar-me, mas o verdadeiro desejo que sentia era pelo risco. Saber que estou a deixar-me levar sem pensar nas consequências." Homossexual assumido, agora com 30 anos, relembra a "longa fase de loucura compulsiva" que passou há oito anos. "Não queria saber o nome nem o número telefone. Queria apenas aquilo."

"Quanto mais sexo temos, mais queremos"

 

Desde engates de uma noite em discotecas, a "sexo combinado pela web com estranhos", Rogério fez de tudo. Tal como Sérgio, "muitas vezes faltou o preservativo". Conta que em Lisboa, além das míticas saunas gay e bares com o "quarto escuro", há ainda zonas onde se pode parar o carro e simplesmente "propor a quem está ao lado se quer dar uma queca". Rogério fê-lo. Por vezes "terminava, fumava um cigarro e agarrava no telemóvel para ligar a alguém com quem pudesse estar a seguir".

"É uma bola de neve. Quanto mais sexo temos, mais queremos." O álcool ajuda à "desinibição no momento", mas também pode potenciar sustos. "Estava muito bêbedo e fui a uma sauna. No dia seguinte um amigo contou-me que me ouviu a ter relações e que estava louco. Não me lembro de como fui para casa, nem muito menos de quem esteve comigo. Senti-me violado."

Este e outros sustos fizeram-no "repensar o comportamento", que se prolongava há mais de dois anos. Não procurou ajuda, mas admite que lhe custou "controlar a ânsia quando tinha horas livres e não estava na cama com ninguém". Hoje, assegura que está numa fase calma, em que "mais do que sexo quer partilha emocional". Não se arrepende, mas a verdade é que perdeu a conta a com quantos homens se envolveu até hoje.

Júlia diz o mesmo. Depois de um casamento de 16 anos terminado com uma traição, o sexo surgiu como "forma de vingança". "Comecei por dormir com um colega de trabalho e nunca mais parei."

"Desejo incontrolável" com sabor a vingança

 

A tristeza deu lugar a um "desejo incontrolável" e Júlia, na altura com 43 anos, deu por si com a vida de pernas para o ar. "Durante o dia trocava mensagens picantes com vários ao mesmo tempo. Dava-me prazer ver qual conseguia ser mais ousado." E se de dia o trabalho ia sendo posto de lado em prol do flirt, à noite a vida familiar também: "Cheguei a receber homens com os miúdos a dormirem e também a sair de casa de madrugada. Sabia que era inconsciência deixá-los sozinhos, mas não conseguia pôr travão."

As retomadas idas à discoteca "rendiam novas conquistas", principalmente homens "bem mais novos". Júlia, hoje com 46, ainda não voltou a "criar laços afetivos". "Tenho amigos coloridos, mas deixei de acreditar no amor. A independência ninguém ma tira."

Pedro Freitas, sexologista clínico, já ouviu o mesmo: "Há cada vez mais homens e mulheres que não estão dispostos a partilhar a vida com alguém. Têm vários amigos especiais com quem saem, com quem têm sexo, mas com quem dormem poucas vezes."

Adição sexual não é doença

 

Por mais que sejam os parceiros sexuais, o especialista garante que excesso de desejo não é uma patologia. "Já muito se falou de ninfomania e adição sexual, mas a realidade é que o desejo hiperativo não está designado em lado nenhum como doença." Contudo, esclarece: "A compulsão sexual é um sintoma de um problema, que tanto pode ser uma perturbação da personalidade ou doença psiquiátrica como uma lesão do lobo temporal."

Pedro Freitas salienta que "depois de uma rutura a extravasão é comum". De uma forma "mais ou menos saudável", em alturas de fragilidade emocional tenta-se "repor as perdas através dos ganhos" e o "sexo é uma forma substitutiva que faz parte deste ritual".

Assegurando que não existem estudos nem clínicas específicas para o vício do sexo, o sexologista não tem dúvidas quanto à mediatização de casos como Tiger Woods, que esteve em recuperação da compulsão sexual: "Os divórcios à americana doem. São milhões envolvidos. É mais fácil dizer que se está doente e acarretar a nomeação de uma doença simpática como as obsessivas compulsivas. Certamente deram-lhe um antidepressivo leve, ele está mais calmo e desejoso que a mulher não peça o divórcio."

Mas não menosprezando casos em que o sexo a mais pode ser um problema, avisa: "Devemos preocupar-nos quando não ter sexo diariamente se torna num fator de perturbação ao bem-estar. Quando se começa a falhar obrigações porque se está obsessivamente à procura de sexo, seja ele real ou em sites pornográficos, é altura de parar e pensar."

 

Via Expresso

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