Domingo, 13 de Junho de 2010

Young Mandela, a história por trás do homem

 

"Como pode um homem que cometeu adultério e abandonou a mulher e os filhos ser Cristo? O mundo inteiro gosta demasiado do Nelson. Ele é apenas um homem." Quando a libertação do símbolo da luta anti-apartheid na África do Sul foi descrita como a segunda descida de Cristo à Terra, em 1990, a indignação de Evelyn Mase, a enfermeira que levou Nelson Mandela ao altar pela primeira vez, passou despercebida. Ao procurar o verdadeiro Mandela, David James Smith, jornalista do "Sunday Times", percebeu que parte da história - contada na sua autobiografia "Long Walk to Freedom", publicada no ano em que se tornou o primeiro presidente negro da África do Sul (1994) - tinha sido voluntariamente omitida. Atrás do mito, havia um homem mulherengo, infiel, distante dos filhos, autoritário e para quem a violência doméstica não era um tabu. 

"Young Mandela" chegou ontem às livrarias britânicas e conta a vida imoral de um dos mais carismáticos estadistas da história. "Nelson Mandela foi um revolucionário em muitos sentidos, mas não como marido nem como pai", escreve David Smith em dois excertos da obra pré-publicados no "Times". "O meu ponto de partida foi: aqui está o estadista mais velho do mundo, talvez o mais amado e admirado da história recente, mas cuja vida de jovem guerreiro, que lutou contra o racismo, foi esquecida. Mal cheguei a Joanesburgo [em Agosto 2008], encontrei pessoas próximas de Mandela que me disseram: ele não é um santo e não se considera santo, tem falhas e fraquezas como toda a gente, e é sobre o ser humano que deves escrever", conta ao i o escritor. Em três meses, Smith procurou falar com todos os que conheceram o Mandela "real" , o que não consta em nenhuma biografia.

filho secreto Na terra de Madiba, como é conhecido entre os sul-africanos, corriam rumores que teria tido um filho secreto com uma activista do Congresso Nacional Africano (CNA). Ruth Mompati era professora e decidiu reformar-se e juntar-se a Mandela quando o regime do apartheid considerou que os "nativos" não mereciam educação adequada. Com o gravador em off, Mandela "não negou o caso mas disse claramente que não existiu nenhum filho", conta Smith. Porém, o jornalista ouviu outros testemunhos credíveis e, quando os dois filhos de Ruth morreram, num espaço de apenas quatro meses, só a morte de um deles apareceu num comunicado do CNA: Neo Matsoane, o filho mais velho, nascido a 25 de Abril de 1955 e falecido a 7 de Janeiro de 1998, morreu asfixiado com a própria língua. Para Smith, era filho de Mandela. "Aparentemente era parecido com o pai."

santo infiel Mompati Neo Matsoane não seria o único rebento oculto de Mandela, que oficialmente teve seis filhos (quatro da primeira mulher e dois da segunda, Winnie). Amigos de longa data do estadista asseguram que gostava de mulheres bonitas e teve várias "namoradas". A cantora e actriz Dolly Raethebe - dez anos mais nova - terá sido mais uma das suas conquistas, revela Smith.

O verniz estalou quando a primeira mulher começou a desconfiar das infidelidades do marido. Quando exigiu que Ruth não voltasse a entrar na sua casa, "Mandela ficou furioso. Mudou a cama para o salão. Tornou-se cada vez mais frio e distante", confidenciou Evelyn Mase à autora da sua biografia, Fatima Meer.

Mandela nunca o negou: sabia que não era santo. "Isso foi uma das coisas que me preocuparam - ter ascendido à posição de semideus - pois daí para a frente a pessoa não é mais um ser humano", afirmou Nelson Mandela num dos célebres discursos. Na autobiografia, Mandela atribui o fim do casamento à devoção religiosa de Evelyn, testemunha de Jeová, que queria que Mandela fosse mais comprometido com Deus do que com a causa política anti-racista. 

Homem violento? É aqui que aparece a faceta mais inesperada do mito em "Young Mandela": a de agressor. No processo de divórcio a que David Smith teve acesso, Evelyn acusa Mandela de a ter abandonado em Fevereiro 1955 e, desde então, a ter "maltratado cruelmente e agredido repetidas vezes", inclusive com uma tentativa de homicídio por estrangulamento, o que a levou a procurar refúgio junto dos vizinhos. Reclamava a custódia das crianças, pensão e bens do casal. Mandela negou as agressões: tinha sido Evelyn a abandoná-lo quando foi detido após o histórico congresso em que divulgou os princípios da "Carta da Liberdade". Em Novembro 1956, Evelyn retirou--se do processo. Sem explicações. Ao i, Smith explica que "foi um arranjo de conveniência, com Mandela a tentar não tirar as crianças à mulher". "Estas alegações podiam ter sido politicamente inábeis no momento em que ganhava proeminência como líder da CNA." Verdade ou mentira, nas páginas da imprensa, seria certamente um escândalo.

Smith não confirma qual é a versão mais próxima da verdade, mas defende Mandela: "Muitos dos piores momentos ocorreram nos tempos de maior stresse, quando lutava contra a pobreza para sustentar a família e contra os educadores racistas que achavam que um homem negro não era apto para ser advogado de renome. Foi quando se envolveu profundamente na luta contra o apartheid, com prisão e perseguição policial à mistura. Nestas circunstâncias, a sua sobrevivência é um testemunho de grande coragem e dignidade."

O livro revela ainda relações muito tensas entre a primeira e a segunda família de Mandela, que é descrito como autoritário pela segunda mulher, Winnie. Condenava todas as acções do segundo filho Makgatho. "Era gélido [com os filhos]. Não é pessoa de dizer 'amo-te'. É um africano e mostrar sentimentos seria uma fraqueza que não pode demonstrar", conta no livro Ndileka, filha do primeiro herdeiro de Mandela - Thembi. Makgatho acabaria por morrer de sida. "Às vezes, é mais fácil mostrar-se para estranhos do que para os mais próximos. Pode ser um líder mundial, mas não pode segurar a mão do filho quando está a morrer ou abraçar a neta", diz Smith.

E mesmo que não tenha dado sinais de remorsos, o autor defende-o: a luta pela liberdade exigiu grandes sacrifícios a Mandela e a família pagou um preço elevado. Mandela fará 92 anos em Julho e, no Outono da vida, "incentiva os netos a explorar a história da família. Espero que o livro possa juntar as duas famílias e há sinais de isto estar a acontecer".

 

Via Ionline



publicado por olhar para o mundo às 08:37 | link do post | comentar

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