Segunda-feira, 21 de Dezembro de 2009

O futuro da música

 

 Este mês, a compra pela Apple do Lala, um serviço de música na web, pode ser o prenúncio do futuro da música. 


Nesse futuro, os ficheiros digitais de música existentes nos computadores das pessoas podem acabar por ir fazer companhia aos discos de vinil, às cassetes de música e aos CD nas caves poeirentas dos formatos obsoletos de música. 

Em vez disso, os adeptos de música irão servir-se dos seus computadores, permanentemente em rede, e dos telemóveis de última geração, para visitarem uma vasta jukebox na internet onde canto gregoriano, faixas de Lady Gaga e os vários séculos de música entre ambos estarão imediatamente acessíveis. 

A ideia de uma jukebox sem limites no horizonte - ou, em linguajar técnico, "in the cloud" (nas nuvens) - já anda por aí há algum tempo, mas tem vindo a consumir os executivos do mundo musical que agora associam a palavra "funk" a algo mais do que um mero género musical. O sector musical, que costumava ter 40 mil milhões de dólares de vendas anuais há uma década, atinge actualmente metade desse valor. Mais assustador ainda é o facto de o crescimento da receita com as transferências de música digital - ainda só um quinto do total das vendas - estar a abrandar. 

O negócio com o pouco conhecido Lala foi pequeno do ponto de vista da Apple. O preço foi acima de 80 milhões de dólares, como disse uma pessoa abordada a propósito das condições do negócio. Contudo, a transacção está a gerar muito interesse pelo que poderá significar relativamente aos planos da Apple quanto à música em transmissão contínua (streaming). 

Tendo cerca de 2 mil milhões de dólares de receitas com o iTunes, a Apple está em boa posição para orientar os consumidores ao longo do processo de armazenamento das respectivas colecções de música nos servidores web e de a ouvirem de novas maneiras. Também pode incorporar totalmente um serviço musical desse tipo no iPhone, no iPod Touch e em todos os outros dispositivos existentes ou futuros da Apple que tenham ligação à internet. 

Outros desenvolvimentos recentes nos sectores da música e da tecnologia também apontam para uma mudança iminente na abordagem centenária à música, segundo a qual as pessoas consideravam que era qualquer coisa que possuíam, nos diferentes formatos físicos ou em formato digital nos seus computadores. Os consumidores importam -se menos com o modo como a música é disponibilizada do que com as novas maneiras de partilharem e descobrirem música com os amigos. 

As jovens empresas tecnológicas esperam há anos que a existência de uma ampla selecção e a comodidade proporcionada pela oferta de música baseada na web venham a aliciar as pessoas a gastarem algum dinheiro numa assinatura mensal. O negócio, para empresas como a Rhapsody, propriedade conjunta da RealNetworks e da MTV, e a Napster, uma subsidiária da Best Buy, ainda não revelou todo o seu verdadeiro potencial. 

Contudo, com o atractivo adicional de tais serviços poderem agora ser acessíveis nos telemóveis, muitos empresários estão a reconsiderar esse modelo. "Não há nada de sexy num MP3 no nosso computador", diz David Hyman, executivo- -chefe da Mog, que este mês lançou um serviço de assinatura chamado Mog All Access. "Penso que os consumidores não se importam com o lugar onde a música está armazenada desde que possam aceder-lhe quando quiserem." 

Nem todos concordam em que a música nas nuvens irá ser uma boa oportunidade para a indústria musical. Os críticos dizem que as ligações sem fios ainda não têm fiabilidade suficiente para fornecerem um fluxo constante de música para dispositivos móveis. Também os preocupa o facto de as empresas de tecnologia sem fios poderem aumentar as tarifas de transferência de dados à medida que os fluxos de música e de vídeo se tornarem mais populares. 

Parece provável que a ideia de possuir música nunca venha a desaparecer e que novos métodos de lhe aceder coexistam com os antigos. "Gosto de ter discos rígidos externos que são um manancial de música", diz. "Se os coleccionarmos, ficamos com uma musicoteca. Descobrimos novos géneros todos os anos, percorremos a colecção e vemos o que temos. É agradável." 

Bob Lefsetz, que escreve num influente boletim da indústria discográfica, a Lefsetz Letter, reconhece que algumas pessoas se irritam com a ideia de não possuírem música, mas comparou essa reacção à de quem dantes dizia que nunca alugaria uma cassete de vídeo. 

"Se perguntar hoje a alguém, vão dizer--lhe 'tem de ser minha'. Mas, logo que exista esse serviço, o discurso passará a ser: 'porque haveria de possuir música se tenho acesso a tudo?"' 

Exclusivo i

The New York Times



publicado por olhar para o mundo às 09:00 | link do post | comentar

mais sobre mim
posts recentes

DEOLINDA - Novo disco ac...

Orq. Gulbenkian & Orq. Ge...

UHF no Cineteatro Munici...

Bar ACERT - Café-Concerto...

Tsunamiz - I Don't Buy It

Biruta - DATAS em JULHO -...

Itinerário do Sal - ópera...

Junho traz concerto de Pe...

Sarah Nery edita EP homón...

Candeio apresentam novo s...

arquivos

Fevereiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Setembro 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Julho 2014

Junho 2014

Março 2014

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

tags

todas as tags

blogs SAPO
subscrever feeds
comentários recentes
Moro no Porto gosta de saber se há este tipo de cu...
Olá Boa tarde eu ultimamente não sinto prazer sexu...
Gente me ajudem nao sei oq fazer eu tenho meu mari...
joga na minha conta entaomano
Eu es tou dwsssssssssvzjxjshavsvvdvdvsvwhsjdjdkddd...
Quero fazer uma pergunta referente ao tema e é pro...
fala comigo
Essa papelaria em Queijas da muito jeito chamasse ...
ai mano to nessa como faz???
Gostaria de saber oque fazer quando a criança nega...
Posts mais comentados