Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Um olhar sobre o Mundo

Porque há muito para ver... e claro, muito para contar

Porque há muito para ver... e claro, muito para contar

Um olhar sobre o Mundo

26
Fev11

Google lança funcionalidade de buscas para receitas de culinária

olhar para o mundo
 
 
 
A Google lançou uma nova funcionalidade no motor de pesquisa que permite ajudar os cibernautas a encontrarem receitas de culinária. Veja o vídeo

Denominado Recipe View o motor de busca encontra-se por enquanto apenas disponível nas versões japonesa e norte-americana do Google.

Para acederem às receitas os utilizadores têm de escolher o termo que pretendem pesquisar na caixa de pesquisa do motor de busca e clicar na funcionalidade recipes , que surge na barra lateral.

A lógica é semelhante à dos vários serviços de pesquisa dedicados que surgem nessa mesma barra, onde é possível pesquisar por imagens, notícias ou vídeos sobre um determinado assunto.

Para os adeptos da culinária que pretendam reduzir ainda mais os resultados das buscas, nessa área é ainda possível definir termos como o tempo que demora um determinado prato a cozinhar ou a quantidade de calorias.

 

 

Via Sol

 

26
Fev11

Disparo de taser pode ter morto recluso em Pinheiro da Cruz

olhar para o mundo

Teaser poderá ter morto prisioneiro em Pinheiro da cruz

 

Na cadeia de Pinheiro da Cruz foi utilizada uma arma taser, que terá atingido um recluso na cabeça

 

Direcção-Geral dos Serviços Prisionais (DGSP) continua a garantir que o episódio, em Setembro do ano passado na cadeia de Paços de Ferreira, em que um recluso foi imobilizado com recurso a uma arma taser, foi a primeira vez que uma pistola com essas características foi usada nas prisões portuguesas. 

No entanto, António Pedro Dores, da Associação contra a Exclusão pelo Desenvolvimento (ACED), garante que a acção dos Grupos de Intervenção dos Serviços Prisionais (GISP) que recorrem àquelas armas não é caso único. Em Outubro, exemplifica, já depois do incidente em Paços de Ferreira, na cadeia de Pinheiro da Cruz "foi utilizada uma arma semelhante, que atingiu um recluso na cabeça" . O detido acabou por morrer e, segundo o sociólogo, "as pessoas que testemunharam a intervenção acreditam que a morte pode estar relacionada com o disparo da taser". O incidente - um motim - acabou ainda com três pessoas em coma e dezenas de feridos, "apesar de a DGSP sempre ter desmentido e garantido que não houve quaisquer feridos". Ao i, a Direcção-Geral garantiu ontem que "todas as intervenções são objecto de relatório escrito" e que no relatório da intervenção, em Outubro do ano passado, no Estabelecimento Prisional de Pinheiro da Cruz, "não consta nenhuma referência" à utilização de armas taser.

Entretanto, a intervenção do GISP de Lisboa na cadeia de Paços de Ferreira, em Setembro, está a ser investigada pela Directoria do Norte da Polícia Judiciária desde "sexta-feira da semana passada", garantiu ao i fonte da PJ. Ou seja, a investigação arrancou antes de as imagens da operação do GISP terem sido tornado públicas. A Procuradoria-Geral da República (PGR) admitiu ontem que, "oportunamente", foi instaurado um inquérito à acção do GISP, pelo Ministério Público de Paços de Ferreira, isto depois de a DGSP ter concluído o inquérito à utilização de meios coercivos por parte do Grupo de Intervenção na cadeia de Paços de Ferreira e determinado o prosseguimento do inquérito "para apuramento de responsabilidade disciplinar" para o Ministério Público, de modo que este apure a "eventual relevância criminal dos factos".

26
Fev11

Los sueños eróticos

olhar para o mundo

 

Los sueños eróticos

Desde simples romances a las escenas más calientes, todo el mundo tiene sueños eróticos, pero muy pocos lo reconocen. Y sin embargo, dicen mucho de nosotros y de nuestra sexualidad. 

 

El sueño se divide en ciclos de aproximadamente 90 minutos, y cada uno comporta uno una fase de sueño lento y paradójico. Es en el transcurso de la última donde aparecen los sueños. Los sueños eróticos forman parte de nuestra intimidad, desde la edad más joven y sobre todo a la adolescencia. La pubertad, propicia a los sueños más picantes, también está relacionada con las primeras emociones amorosas... Se trata, por lo tanto, de un aprendizaje de la sexualidad que se perpetuará a largo de la vida adulta.


¿Para qué sirven? ¿De dónde vienen?


En cuanto al origen de los sueños eróticos, los psicoanalistas son formales: lossueños eróticos no aparecen por casualidad y serían el fruto de deseos vividos durante el día. Por ejemplo, si un hombre te ha impactado durante día, es muy posible que sueñes con abrazos ardientes con él.

Hacer el amor en un sueño muestra que la imaginación de la soñadora está estimulada o, tal como lo analizó Freud, que es capaz de formarse una historia deseada o incluso de satisfacer pulsiones inconscientes. Objeto verdadero de liberación, el sueño erótico permite al individuo cumplir necesidades sexuales pasadas y, por lo tanto, moverse mejor en la vida diaria. 
Lejos de las presiones morales, la soñadora puede mostrar su energía de la líbido y expresar todos sus deseos sexuales, hasta los más extravagantes. ¿Sueñas con ser una comehombres mientras que en realidad mantienes tu honor siendo fiel? ¿O incluso te revuelcas en la fotocopiadora con tu compañero, pero te intimida muchísimo? ¿Y qué? En los sueños, los tabúes, la represión y otros bloqueos no tienen cabida. 
Mejor todavía, los sueños eróticos permiten detectar ciertos bloqueos, e incluso ayudan a liberarlos. Por ejemplo, una joven frígida que sueña a menudo conrelaciones sexuales con orgasmos, podría darse cuenta de su problema y decidir consultar a un especialista para solucionarlo.

 

¿Hay que tener miedo?

 

 

25
Fev11

Striptease e brincadeiras sexuais. Tudo isto no novo jogo da Wii (Vídeo)

olhar para o mundo
 

Striptease e brincadeiras sexuais. Tudo isto no novo jogo da Wii

 

Longe dos clássicos do Super Mário ou das corridas de carros, o novo jogo da Nintendo Wii propõebrincadeiras sexuais entre casais.
Chama-se "We dare" e é descrito como um "jogo sexy que oferece uma grande variedade de desafios divertidos, inovadores e, por vezes, excêntricos".

Para jogar o utilizador dispõe dos comandos da consola para pequenos jogos que podem envolver striptease ou a simulação do jogo de trincar a maçã.
Apesar de o jogo ser lançado apenas dia 11 de Março, o vídeo promocional já teve mais de 150 mil visualizações no Youtube.
O jogo está indicado para maiores de 12 anos, para muitos considerada uma idade precoce para o tipo de conteúdo. A CBS questiona se o jogo não será "demasiado sexy" para o público alvo.

 

 

 

Via Ionline

 

 

24
Fev11

Como colocar em prática as suas fantasias sexuais?

olhar para o mundo

Tenho fantasias sexuais e me excito quando penso nelas. Também já sonhei que estava transando com meu namorado e cheguei ao orgasmo. No entanto, quando estamos na cama de verdade, não fico excitada, nem tenho um orgasmo. O que pode estar acontecendo comigo? - Carla Aghengui, São Paulo

 

Nosso estímulo ao sexo passa basicamente por três fases: a do desejo que vem quando pensamos na possibilidade de uma relação sexual, a do o preparo do ambiente e/ou dos acessórios que serão usados, e a de imaginar as fantasias sexuais sobre o ato que será vivenciado.

 

Fantasias sexuais

 

 

 

Geralmente, aprendemos que as fantasias sexuais são secretas e servem apenas para estimular a atividade sexual, sem necessariamente ser essa atividade em si. Falar sobre elas ainda é um tabu social. O que devemos entender é que ela pode, sim, ser utilizada na hora do sexo, ajudando mais facilmente na manutenção do desejo e na chegada ao orgasmo.

 

Uma explicação possível para seu caso seria a de que você não acredita que suas fantasias possam ser vivenciadas junto de seu parceiro. Você já tentou levar para a cama suas fantasias? Existe alguma possibilidade de conversar com seu parceiro sobre suas necessidades? Muitas vezes basta este pedido para que a fantasia passe a fazer parte da vida sexual de vocês, sendo um facilitador do seu orgasmo.

 

Há um livro muito bom sobre isso chamado “No Jardim do Desejo”, dos autores americanos Wendy Maltz e Suzie Boss. A história fala sobre as diversas possibilidades de pensarmos e fantasiarmos sobre nossos desejos sexuais, com o objetivo de buscar e obter o máximo de prazer possível na hora da relação. É uma boa leitura sobre o assunto.

 

Diferentemente do que a sociedade, em geral, nos leva a pensar, a fantasia sexual não é uma espécie de traição a seu parceiro, mas sim uma maneira de nos reconhecermos enquanto mulheres e aprendermos sobre nossas necessidades. Cuide das suas e traga para sua relação a dois. Se acreditar que seu parceiro pode ouvir, conte a ele. Se achar que ele não pode ou não deve ouvir, guarde para você. O que passa e acontece dentro da sua cabeça ninguém poderá controlar, é um mundo apenas seu. Lembre-se que vale a pena ser feliz sexualmente e buscar qualidade de vida sexual junto do seu parceiro.

 

Via Marie Claire

23
Fev11

Ilha Deserta em Faro com praia naturista

olhar para o mundo

Naturismo nas ilhas da Ria Formosa em Faro

 

Ilha Deserta, ponto mais a sul de Portugal Continental e localizado no concelho de Faro, pode ter este verão um espaço destinado à prática de naturismo caso a proposta passe na próxima Assembleia Municipal de Faro.

A proposta para criação de um "espaço destinado à prática de naturismo no concelho de Faro" consta na ordem de trabalhos da Assembleia Municipal (AM) de Faro, marcada para segunda-feira.

A Ilha Deserta, também conhecida por Barreta, é um vasto areal, que tem recebido a Bandeira Azul e apenas acessível de barco, estando cercada pelas águas da Ria Formosa e pelo oceano, sendo a única ilha completamente desabitada do Parque Natural da Ria Formosa.

Em abril do ano passado, os autarcas do Algarve revelaram-se favoráveis ao projeto de lei do partido Os Verdes, que visava aumentar o número de praias de nudismo, dando aos municípios o poder de decisão sobre a criação de espaços para a prática do naturismo.

O Algarve foi a primeira região de Portugal a ganhar uma praia naturista delimitada nos termos da lei, a praia do Barril, na Ilha de Tavira.

Em 2010, Portugal tinha seis praias legalizadas para a prática de naturismo, todas a Sul do Tejo, e um parque de campismo.

 

Via Ionline

23
Fev11

Armando Vara alvo de queixa por passar à frente em centro de saúde

olhar para o mundo

Armando Vara passa à frente no centro de saúde

 

Armando Vara lançou o caos num centro de saúde de Lisboa nesta quinta-feira. O ex-ministro socialista entrou no centro, passou à frente de todos os outros utentes e exigiu a uma médica que lhe passasse um atestado rapidamente porque tinha de apanhar um avião, avança a TVI.

Perante a indignação dos que assistiam a toda a situação, um dos doentes apresentou mesmo uma reclamação no centro. A directora do centro de saúde disse à TVI que o centro não tem culpa do«abuso» de Armando Vara e que a responsabilidade é toda do próprio que irrompeu pelo consultório da médica sem respeitar os restantes doentes.

«O senhor Armando Vara entrou aí como qualquer utente e passou à frente de toda a gente. Entrou no gabinete da médica sem avisar e sem que a médica percebesse que não estava na sua vez. Foi uma situação de abuso absolutamente inconfundível», respondeu à TVI a directora, Manuela Peleteiro.

 

Via Sol

22
Fev11

Swing, um excitante segredo partilhado por cada vez mais casais

olhar para o mundo

Swing, um excitante segredo partilhado por cada vez mais casais

 

Leonor e Francisco têm um segredo que os «uniu ainda mais»: trocam de casal em festas organizadas pela comunidade swinger, nas quais se faz (muito) sexo, mas também «grandes amizades».

Ela tem 24 anos e ele 28. A viverem juntos há dois anos, chegaram a esta prática «por curiosidade». Começaram por ir ver as festas, onde encontraram «gente bem disposta a divertir-se» e «sem tabus».

Os locais são secretos e só os membros da comunidade os conhecem. Em Lisboa, Porto e Coimbra há meia dúzia de discotecas que só funcionam para a comunidade swinger e apenas abrem as portas para estes encontros, normalmente temáticos.

Estas festas, garantem, têm em comum com todas as outras da noite portuguesa a música, o bar, as luzes. Mas distinguem-se pela existência de um privado onde se pode trocar de parceiro sexual.

A troca não é, contudo, fácil. Todos - os quatro - têm de estar de acordo. Se o homem vê uma mulher que lhe agrada, mas não à sua parceira, nada feito. E é este acordo implícito que, diz quem pratica, garante a «fidelidade» aos princípios do swing.

Se o espaço é semelhante ao das outras discotecas, as pessoas são substancialmente diferentes: «Elas vão mais despidas, os homens com roupas mais explícitas», disse Francisco.

Muito corpo e roupa interior provocante à vista e uma atitude descontraída e «muito sensual» marcam a diferença. Postura que obriga a um cuidado permanente com o corpo e não permite desleixos.

Como explica Leonor, as mulheres normalmente cuidam-se para o Verão: «Nós estamos sempre bem tratadas».

Os homens também têm atitudes proibidas: «É normal ao fim de uns anos de casados, os homens ganharem barriga e desleixarem-se. Aqui não há espaço para isso».

Francisco enumera ainda outra diferença: «Nas outras festas [nãoswingestá toda a gente com vontade de partir a louça, mas não o faz. Nós fazemos o que queremos, porque o queremos».

Os mais novos fazem mais o que querem e com quem querem, pois têm mais opção. «Uma pessoa com 50 anos não tem tanta escolha», adiantou.

E são cada vez mais novos os swingers portugueses: a maior parte dos 3.000 casais registados no site que se apresenta como «o mais activo e em mais rápido crescimento da Península Ibérica»tem entre 22 e 35 anos.

A internet é, aliás, a principal porta de acesso a este mundo e é através dela que, segundo um dos administradores do site, os casais são «certificados».

O objectivo desta «certificação» é garantir, nomeadamente, que os casais são quem dizem que são, o que «é possível, graças ao recurso a webcams e outros instrumentos».

Tudo isto para garantir a «privacidade» por que anseiam osswingers portugueses, que se destacam dos de outras nacionalidades pela discrição.

«Portugal é o país mais interessante para o swing», disse o administrador, que solicitou anonimato.

Este responsável sublinha que os swingers portugueses buscam o bom das festas, mas essencialmente o equilíbrio numa vida stressante.

«Estamos enfiados um dia inteiro no escritório, com grandes responsabilidades, mas durante o tempo que estamos nas festas de swing não pensamos em mais nada».

Leonor e Francisco garantem que não é só o sexo o motor que busca estes casais, mas reconhecem que a maioria troca de parceiro nas festas e é sobre esse tema que comunica na internet:«Fazem-se grandes amigos».

 

Via Sol

 

21
Fev11

Filhas de Safo

olhar para o mundo

 

historiador refere a relação entre a rainha D. Amélia e a condessa de Figueiró

Mulheres que amaram mulheres em Portugal ao longo dos séculos. "Filhas de Safo" é um trabalho do historiador Paulo Drumond Braga que sistematiza a memoria do lesbianismo em Portugal até ao início do século XX.As mulheres que amaram mulheres em Portugal, ao longo dos séculos. Filhas de Safo é um trabalho do historiador Paulo Drumond Braga que sistematiza a memória do lesbianismo no país até ao início do século XX. Uma viagem pelos arquivos e pela literatura portuguesa.

 

 

A abordagem é historiográfica e resulta de anos de investigações. Filhas de Safo Uma História da Homossexualidade Feminina em Portugal, de Paulo Drumond Braga, é isso mesmo: um ensaio sobre a história de relações sexuais e afectivas entre mulheres, em Portugal, desde a Idade Média até ao início do século XX.

Editado pela Texto Editores, este livro sistematiza com rigor histórico as referências, que permaneceram até hoje, sobre mulheres que amaram e desejaram mulheres ao longo da História de Portugal. E cuja memória ficou na literatura ou nos arquivos, da Inquisição e das autoridades civis, quer sejam policiais ou médicas.

O cuidado académico que Drumond Braga põe neste ensaio não o densifica nem o torna chato. Pelo contrário, o livro lê-se com facilidade e está apresentado de forma atraente, embora sem facilitismos. Simplificações apenas uma e logo de início explicada pelo autor. Decidiu fugir a polémicas "pura e simplesmente estéreis, como o de saber se se incorre ou não em anacronismo ao utilizar termos como homossexualidade ou lesbianismo, uma vez que este só surgiu no século XVI e aquele em Oitocentos". E não esconde que o faz para chegar mais directamente ao leitor comum, ou seja, "por comodidade de linguagem" (p. 12).

Punir a homossexualidade

Escrito ao longo do último ano, o livro beneficia de um largo espólio de documentos com os quais Drumond Braga se foi deparando ao longo de outras investigações que fez até hoje. Os primeiros documentos encontrou-os a propósito da sua tese de doutoramento sobre a Inquisição nos Açores, explicou ao P2.

É esse importante acervo que este investigador divulga. A começar pelos mais antigos registos sobre relatos de lesbianismo em Portugal, nas medievais cantigas de "escarnho e maldizer". Nesse contexto, lembra Afonso Eanes de Cotom, que escreveu sobre Maria Mateus: "Mari" Mateu, Mari" Mateu,// tan desejosa ch" és de cono com" eu!" (p. 23). 

Ou já no século XV no Cancioneiro Geral de Garcia de Resende, em que um poema fala sobre uma dama de honor acusada de beijar D. Guiomar de Castro, filha do primeiro conde de Monsanto (p. 27).

Mas o livro de Drumond Braga não é um inventário de mulheres que tiveram relações com mulheres, é sim uma obra historicamente contextualizada que lembra passos fulcrais na história da sexualidade europeia. Assim, o autor frisa que "nos finais do Império Romano, sob o impacto do cristianismo triunfante, tudo mudou em matéria sexual. A finalidade única da actividade sexual passou a ser a perpetuação da espécie. Para além disso, terminou a dicotomia activo-passivo, introduzindo-se uma outra, masculino-feminino" (p. 19). E prossegue: "Em 342 foram proibidos os casamentos entre pessoas do mesmo sexo e em 533 a pena de morte foi pela primeira vez prescrita no Ocidente, pelo imperador cristão Justiniano, para contactos homossexuais masculinos. No século VII, penas de grande severidade foram igualmente impostas na Península Ibérica visigótica." (pp. 19/20)

 

Via Público

21
Fev11

Bissexualidade: gosto dela, gosto dele

olhar para o mundo

Já passaram alguns anos. Mas há um momento específico que ficará para sempre gravado na memória de Diana Cruz. Num certo verão, quando chegou à praia onde toda a vida passara férias, à medida que caminhava em direção ao mar, ouviu à sua passagem: "Olha, agora esta é fufa!"

Hoje, ao lembrar-se desse sussurro sem a violência que foi ouvir aquilo, dito daquela maneira, no momento em que acabara de se apaixonar, pode até recordar a cena e dizer a frase como se nada fosse. Mas quando as palavras lhe saem da boca passa-lhe subitamente um brilho cortante pelos olhos claros.

"O que me custou mais", diz Diana enquanto vai dando pequeninos golos no chá de jasmim, "foi perceber como era difícil eu própria aceitar. O confronto com os outros foi terrível." Faz uma pausa e enumera: os amigos que deixaram de a convidar, os comentários de uns, a comiseração de outros que a olhavam como se estivesse doente, a irmã que deixou de lhe falar...

"Mas o confronto mais duro foi comigo própria. Estava convencida de que era uma pessoa absolutamente liberal. De repente, percebi que tinha imensos preconceitos e dava muita importância ao olhar dos outros. Não me julgava tão fraca. E isso entristeceu-me."

Paixão avassaladora

 

O que aconteceu a Diana, quase à beira dos 40, foi isto: "Reparava nela quando nos cruzávamos no corredor. Nessa altura, ainda estava casada. Lembro-me de a ver no supermercado e de ter ficado a pensar. Talvez fosse o ar, uma certa androginia que me atraía inexplicavelmente. Um dia aconteceu. Ao princípio, achei que seria uma experiência, só por curiosidade. Na minha cabeça, uma relação com uma mulher não era uma equação, estava totalmente fora do meu universo. Mas depois apaixonei-me. E foi tão avassalador que não tive hipótese de fugir."

Poderíamos dizer que o mundo desabou, mas não foi exatamente esse o caso. Porque o mundo não desaba assim, apenas recomeça de um modo diferente: "As pessoas perguntavam-me: 'O que é que te aconteceu? Sempre gostaste de mulheres e tinhas medo de assumir?' Exigiam-me definições, ninguém gosta da ambiguidade. E eu também me interrogava: 'Será que andei estes anos todos a fugir?' Depois percebi que não. Os homens não deixaram de me interessar. Tenho a nostalgia da masculinidade, ainda hoje quando chego a um sítio a minha atenção vai para os homens. Mas também passei a ter mais consciência da presença das mulheres. Não sei se voltarei a ter uma relação assim com outra mulher, mas também não sei se conseguirei voltar a estar com um homem com a displicência e a naturalidade com que estava. Nesta relação fui a sítios emocionais a que nunca tinha ido e se passarmos ao plano físico posso dizer, sem vacilar, que foi a minha relação mais libertadora e mais plena. Não me arrependo um segundo."

Ainda é cedo, Diana acabou de largar os filhos na escola, os seus gémeos de 7 anos. Daqui a pouco terá de ir trabalhar. É publicitária, anda atordoada de trabalho e, esta manhã, ao sentar-se à mesa com uma estranha para lhe contar uma parte da sua vida, tão íntima, dá-se conta da dimensão do desabafo: "O que me custa mais é pensar que a minha felicidade pode custar o sofrimento dos meus filhos. Ainda são pequenos, não percebem, pensam que é uma amiga como tantas outras, mas e depois? Gostava de pensar que um dia terei a coragem de ter uma vida em família com esta mulher. Mas ainda há um longo caminho a percorrer..."

Ser ou não ser, eis a questão

 

Luís Antunes diz ao telefone que o seu testemunho talvez possa interessar: "Toda a vida me senti homossexual. Mas há dois anos apaixonei-me por uma mulher e casei", explicou. Aparece ao encontro depois de ter passado a noite inteira no hospital. É enfermeiro, tem 26 anos. "Eu próprio fique muito surpreendido quando percebi que era bissexual." Porquê a surpresa? "Desde pequeno, toda a aproximação amorosa foi com rapazes: os jogos, os contactos, os primeiros beijos..." Aos 16 anos, o primeiro namoro. E um dia, à hora do jantar, com a família toda reunida, disse: "Tenho uma coisa para vos contar." Pensou que seria simples, que iriam aceitar, "fui muito ingénuo", recorda. "O meu pai negou, as minhas irmãs reagiram mal, a minha mãe não disse nada, mas acabou por fazer um grande esforço para aceitar. Sempre pensou que tinha sido uma falha na educação."

Quando o namoro acabou, já na Faculdade, Luís percebeu que começava a sentir-se atraído por uma das suas amigas do curso. Parecia-lhe que ela sentia o mesmo, e aquilo perturbou-o. "Não sabia se conseguiria relacionar-me a nível sexual." Contou-lhe: "Não me sentia bem em avançar sem dizer nada. Durante umas semanas, isso baralhou tudo. Depois confessei-lhe que estava apaixonado e começámos a sair juntos." Ao princípio foi difícil. A dúvida se seria ou não capaz de corresponder como homem na intimidade com uma mulher mantinha-se. Depois foi acontecendo e acabou por não ser tão linear. "Eu já tinha feito um percurso com um homem e construído toda a minha identidade sexual nesse percurso e na idade adulta fui confrontado com a heterossexualidade. O corpo feminino era-me estranho e tive de redescobrir a minha sexualidade como se fosse a primeira vez."

Também estranhou a visibilidade que agora este namoro podia ter. Sem segredos nem proibições: "Ao princípio, até andar na rua de mão dada me fazia confusão. Não estava habituado a poder ter demonstrações de afeto no espaço público e a namorar às claras sem constrangimentos. Ao comparar as duas situações, percebi quão injusto é para um casal homossexual não poder relacionar-se do mesmo modo. Achei chocante. Se tivesse continuado com aquele namoro, ter-me-ia casado com ele, agora é permitido." E, antes de se ir embora, diz sem hesitar: "Não procurei a normalidade. Aconteceu normalmente. Não passei de homo a hetero. Simplesmente encontrei o meu lugar da bissexualidade."

"Só há poucos anos é que a bissexualidade começou a ser encarada como uma orientação sexual e não como uma zona de transição", explica Joana Almeida, psicóloga na ILGA. "Por isso mesmo, sofria de dupla discriminação entre homo e heterossexuais, por ser considerada uma forma de não se conseguir assumir o lado homossexual. O mais difícil de aceitar é a indefinição. Ninguém gosta da ambiguidade." Também Pedro Frazão, psicólogo clínico, especializado em questões de género, concorda que, entre todas as orientações sexuais, a bissexualidade é a mais difícil de definir. "Na comunidade académica e científica era entendida como uma imaturidade. A partir do Relatório Kinsey publicados entre 1948 e 1953, a nossa sexualidade começou a ser observada como um mapa que se vai construindo e delineando ao logo da vida, sobretudo no percurso das mulheres", afirma o psicólogo. "É um dado que a sexualidade feminina é mais complexa, e nas mulheres a orientação sexual decorre com maior fluidez do que nos homens."

É in ser 'bi'?

 

Podemos interrogar se a bissexualidade está na moda como tendência entre a população mais jovem, por exemplo, que, livre de preconceitos, é seduzida pela ideia da experiência? "Penso que não", diz Pedro Frazão. "O que acontece é que, em Portugal, a discussão sobre as questões de género têm vindo a conquistar cada vez mais espaço na discussão política. Neste sentido, todas as questões relacionadas com a orientação sexual ganharam visibilidade, o que permite às pessoas sentirem-se mais livres para assumirem as suas escolhas. Não é uma questão de moda."

"A androgenia é uma tendência. A bissexualidade está na moda e vende", diz Alexandra Santos, 24 anos, voluntária na rede ex aequo, a associação de jovens lésbicas, gays, bissexuais e transgéneros (LGBT). Ela trabalha no Projeto Educação da rede e percorre as escolas do país a debater identidade de género: "A orientação sexual é um tema que se discute muito durante a adolescência, e a bissexualidade tem o apelo de ser interessante: sugere mente aberta, capacidade de experimentar... Mas, para além deste aspeto mais superficial, muita gente tem dúvidas sobre a sua identidade, e a bissexualidade é a caixinha da confusão. Mas não basta ter uma experiência homossexual para se ser 'bi'."

Apesar da tendência e da confusão, Alexandra Santos, assistente social, sabe o que sente. Afirma sem vacilar: "Não traio, não sou promíscua, tenho relações duradouras. Gosto de homens e de mulheres em igual percentagem." Soube que a atraíam ambos os sexos quando entrou na Faculdade e começou a perceber "que aqueles sentimentos giros que sentia pelas minhas amigas não eram só amizade". Aí, sim, a confusão instalou-se. Nada tinha ainda acontecido e já ela desesperava. "Ai, ai, o que vai ser da minha vida? Porque todos desejamos a normalidade. Assusta muito perceber que nem sempre é assim", conta Alexandra, agora descontraidamente sentada num café do Chiado. "Depois de me questionar se não seria só uma fase, fiz uma viagem à Bélgica para participar num programa entre jovens europeus, conheci uma rapariga e percebemos que tínhamos muita coisa em comum. Principalmente a nossa fé. Quando voltei, continuámos a falar no Messenger e combinámos encontrarmo-nos. Namorámos alguns meses entre cá e lá e depois terminou."

Foi nessa altura que se aproximou da rede ex aequo. Queria encontrar outras pessoas que sentissem coisas semelhantes e perceber que identidade era aquela. A questão do pecado preocupava-a. Um dia ouviu esta frase de uma crente: "Deus manifesta-se em cada um de nós quando estamos bem e fazemos bem aos outros." Sentiu que poderia ter essa força e arriscou clarificar. Em casa, começou a espalhar discretamente as revistas distribuídas pela rede LGBT até a mãe perguntar: "Aquelas revistas que trazes cá para casa são o quê?" Alexandra falou na ex aequo e explicou o projeto: "E o teu pai sabe disso?" Nessa noite, ao jantar, com as três irmãs e o pai já sentados à mesa, a mãe voltou à carga: "Tu és alguma dessas coisas?" Ela disse: "Tanto poderia casar com um homem como com uma mulher." A mãe ainda tentou dar um ar de normalidade: "Se fosses homossexual, eu aceitava." O pai disse logo que não aceitava e uma das irmãs perguntou-lhe: "O que é que te deu para dizeres uma coisa dessas aos pais?" Alexandra encolheu os ombros: "Porque é verdade."

Hoje acredita que para a sua família seria menos complicado se ela fosse homossexual. Pelo menos, seria uma coisa só. Agora aquilo assim... "Como é que se consegue gostar de homens e de mulheres ao mesmo tempo? Lá está, a questão da promiscuidade. Mas eu sou monogâmica e não tenho namorados e namoradas em simultâneo." Tenta explicar que cada sexo tem as suas diferenças, e ela gosta dessas diferenças. "Sinto-me atraída por pessoas e não por géneros", diz Alexandra. Depois dá conta da frase e desata a rir: "Este é o verdadeiro cliché dos 'cotonetes', não é?"

Pedro Frazão, o psicólogo, esclarece: "Esse é precisamente o discurso da bissexualidade. Interessa é o que se sente por determinada pessoa, independentemente do sexo. Como há uma maior abertura em relação à homossexualidade, essa abertura reflete-se, naturalmente, nos jovens, e observo que cada vez os discursos são menos estanques em relação aos rótulos identitários. Nestas faixas etárias tem-se, naturalmente, menor dificuldade em definir atrações e experiências e há uma noção cada vez mais clara de que todos os percursos são diferentes."

Os pomossexuais. "Já ouviu falar em pomossexualidade?", pergunta Ruben. Espreitamos a Wikipédia: "Pomossexual é um neologismo que descreve pessoas que evitam rótulos restritos como hetero, homo ou bissexual."

Ruben Santos, Raquel Bravo, Marta Cardoso: 19, 17 e 20 anos, respetivamente. São estudantes associativos e muito empenhados em causas cívicas. Ruben e Marta conheceram-se na Associação do Liceu Padre António Vieira. Raquel é animadora de teatro comunitário e amiga de Marta. Os três afirmam perentoriamente que não gostam de definições: "Os rótulos são muito limitadores. Acredito que, ao longo da vida, qualquer pessoa pode sentir emoções pelo sexo de que é suposto gostar e pelo que é suposto não gostar. Não conheço ninguém da minha idade que não sinta essa atração", conta Marta, referindo o seu interesse por raparigas e a maneira como gosta de viver cada uma das suas relações. Por agora está menos interessada no género masculino. Mas, aos 18 anos, ainda nada precisa de ser definitivo.

Também Raquel Bravo tem dificuldade em usar claramente uma palavra que a classifique: "Sei o que não sou", diz, tentando clarificar. "Não sou hetero, nem homo. Durante cinco anos tive um namoro fortíssimo com um rapaz que morreu e depois a minha relação com os homens mudou. Era como se estivesse a traí-lo. Quando entrei no meio artístico, tive as minhas primeiras relações lésbicas", conta Raquel descontraidamente: "Não quero casos. Quero definitivamente estar com alguém que seja minha e eu dela. Não sei se será um homem ou uma mulher, também não me preocupa. Gostar é simplesmente gostar."

Ruben Santos, o rapaz que também não sabe se é ou não homossexual, tem a teoria de que todas as pessoas, se pudessem, seriam 'bi' e acredita que só não são por uma questão de educação. "Como é que uma pessoa pode dizer sim ou sopas se não experimentou?", interroga. "Se temos várias opções, porquê aceitar uma só?" Excluir, logo à partida, a possibilidade de atração por pessoas do mesmo sexo pode ser uma construção. "Para um rapaz, custa muito aceitar. Cheguei a ter nojo de mim. Fazia-me confusão a ideia de uma relação estável ou de envelhecer ao lado de um homem. Agora, embora ainda sinta algum medo desse quotidiano, já não penso tanto nisso."

Marta, que em breve irá para a universidade e tem ideias muito próprias sobre o amor, conta que nunca se sentiu excluída ou posta de lado quando está com uma rapariga. Os amigos todos sabem e aceitam. Afirma que na sua geração é normal nos liceus os casais homo andarem abraçados: "Ninguém liga. Nem os professores."

Ruben, apesar das dúvidas, por agora não lhe interessa pensar em escolhas. Neste momento, namora com um rapaz. Mas sabe que quer ter filhos seus. E não é só isso: "Gosto do masculino e do feminino. De proteger e de me sentir protegido quando me deito num abraço", reflete.

"A bissexualidade é a zona invisível", diz Joana, a terapeuta. "A ânsia de sabermos o que somos, de nos definirmos, tem a ver com a eterna necessidade de tentarmos perceber porque nos apaixonamos por A ou por B. Nunca sabemos porque nos apaixonamos, e mesmo para a ciência continua a ser um grande mistério."

(Nota - Diana Cruz, Luís Antunes e Marta Cardoso são nomes fictícios.)

Publicado na Revista Única de 29 de Janeiro de 2011

 

Via Expresso

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2015
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2014
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2013
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2012
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2011
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2010
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2009
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D