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Um olhar sobre o Mundo

Porque há muito para ver... e claro, muito para contar

Porque há muito para ver... e claro, muito para contar

Um olhar sobre o Mundo

28
Abr10

Mulheres que não se depilam: espíritos livres ou apenas desmazelo?

olhar para o mundo

Mulheres que não se depilam

 

Há escolhas que nem os famosos são capazes de tornar apetecíveis. Vejam-se os pelos das pernas. Pouco importa que a celebridade ostente a penugem mais pálida e discreta que se possa imaginar, como aconteceu uma vez a Alicia Silverstone na inauguração de uma loja ou a Celine Dion num concerto em Tóquio. As câmaras fazem zoom e a internet imortaliza o momento.

Na passadeira vermelha, se uma mulher tem pelos nas pernas ou nos sovacos, assume-se que é um passo em falso, uma falha na gestão do tempo. Ora ultimamente não deixou de ser assim. Em Janeiro, nos Globos de Ouro, Mo'Nique, que venceu com o seu retrato de uma mãe pavorosa em "Precious", levantou o vestido comprido e mostrou as pernas com pelos abundantes.

A coisa não se ficou por ali. O "New York Daily News" coroou-a "actriz menos superficial de sempre". Em sites como o TMZ.com, as pessoas publicaram comentários como "tenho de ir VOMITAR [...] Nojento é dizer pouco". Parecia que uma exclamação de repulsa se espalhara pelo país, destinada a chamar a avisar todas as adolescentes de que ter pelos nas pernas não é mesmo permitido.

A confusão aumentou quando ficou claro que Mo'Nique não se esquecera de depilar as pernas. Não: ela nunca as depila. Tentou fazê-lo uma vez, fartou-se de sangrar e decidiu que os pensos rápidos não eram para ela.

Mo'Nique não foi a única a andar com pelos na passadeira vermelha nesta temporada de prémios. Amanda Palmer, que antes cantava no duo de punk-cabaret Dresden Dolls, esteve presente nos Globos de Ouro com o noivo, Neil Gaiman, cujo romance "Coraline" foi transformado em filme de animação. Palmer, com um vestido transparente à anos 20, ergueu um braço e mostrou ao mundo os pelos que tinha por baixo. Mais tarde escreveu uma mensagem no Twitter: "Espero que, entre mim e Mo'Nique, possamos mudar o padrão cultural de beleza e depilação deste ano."

Numa entrevista telefónica, Palmer, que também não depila as pernas, diz: "As pessoas imaginam que estamos a tomar uma posição na matéria, mas eu não estou."

Sim, admite, gosta de lembrar às suas fãs mais jovens que são livres de escolher. Segundo Palmer, as mulheres por vezes falam com ela acerca do tema dos pelos corporais e dizem-lhe que não são particularmente adeptas da depilação. Porém, "não querem lidar com os olhares de censura e optam pelo caminho da não resistência", acrescenta.

Alguns grupos de mulheres têm deliberadamente remado contra a corrente. Mo'Nique chamou às suas pernas au naturel "uma cena de mulher negra", referindo-se a algumas mulheres americanas de origem africana que não se depilavam. Danielle C. Belton, criadora do blacksnob.com, um blogue de política e cultura, afirma que, em miúda, os seus pais, nascidos no Sul, não a deixavam depilar as pernas. A resposta deles, por volta de 1992: "Isso é coisa de brancos."

Belton, que tem 32 anos, argumenta que Mo'Nique - que nunca se depilou durante todos os anos que tem sido comediante, apresentadora de talk shows e de um reality show - tem sido alvo de mais críticas agora que a sua base de fãs aumentou. "Há coisas que só passam a ser uma questão popular quando saem da esfera doméstica", diz Belton.

A fotografia de Lee Friedlander, de 1979, de Madonna com as pernas abertas, que apareceu na "Playboy" em 1985 - e não havia sinal de que tivesse usado lâminas ultimamente fosse onde fosse - atraiu aplausos, e não apupos, dos leitores. E para que não pensemos que os pelos corporais não andam a vender bem, uma cópia do referido nu foi vendida o ano passado por 28 mil euros.

Por vezes uma mulher desiste de se depilar apenas temporariamente. Na estreia do filme de 1999 "Notting Hill", Julia Roberts fez virar as cabeças - ou melhor, os seus sovacos, com meses de liberdade, fizeram--no. Por vezes um amante acha isso atraente. Mo'Nique disse que o marido gosta das suas pernas.

Para Palmer, a cantora, o que há a fazer é não nos importarmos com o que os outros pensam (mais fácil de dizer que de fazer). Ainda assim, diz às fãs mais jovens que confundem não se depilarem com autenticidade: "Sabem o que é mesmo fixe? Levantarem-se todas as manhãs, decidirem o que vos apetece e fazerem-no."

 

Via ionline

27
Abr10

O telemóvel dos orgasmos múltiplos

olhar para o mundo

Há quedas que podem ser perigosas. A britânica Randy Amanda Flowers não voltou a ser a mesma depois de ter caído da Wii Fit. De acordo com o «Daily Star», a jovem de 24 anos ficou tarada sexual depois do tombo.

 

Dez sessões de sexo por dia é o mínimo para Randy, para quem basta a vibração do telemóvel para a excitar ao ponto de ter orgasmos múltiplos. Foi diagnosticada com o Síndrome da Excitação Sexual Permanente, que provoca um grande afluxo sanguíneo aos órgãos sexuais.

 

A causa poderá ser uma inflamação na zona pélvica que estimula os nervos do clítoris. Esta doença não tem cura e a maneira que Randy encontrou para entar controlar a permanente excitação é, simplesmente... respirar fundo.

 

Via TVI 24

27
Abr10

Música Portuguesa do dia: Clandestino - Deolinda

olhar para o mundo

Letra
A noite vinha fria
negras sombras a rondavam
era meia-noite
e o meu amor tardava

a nossa casa
a nossa vida 
foi de novo revirada
à meia noite
o meu amor não estava

ai eu não sei onde ele está
se à nossa casa voltará
foi esse o nosso compromisso

e acaso nos tocar o azar
o combinado é não esperar
que o nosso amor é clandestino

com um bebe escondida
quis la eu saber esperei
era meia-noite
e o meu amor tardava
e arranhada pelas silvas
sei lá eu que desejei
não voltar nunca
a mais outra casa
e quando ele por fim chegou,
trazia as flores que apanhou,
e um brinquedo pró menino

e quando a guarda apontou
fui eu quem o abraçou,
que o nosso amor é clandestino

27
Abr10

Stephen Hawking e os extraterrestres

olhar para o mundo

Os extraterrestres existem.. segundo Stephen Hawking

 

A existência de vida fora da Terra já é uma hipótese tão consensual que nem o Vaticano a põe em causa. Há dois anos, o director do observatório astronómico da Santa Sé, o padre José Gabriel Funes, falou dos irmãos e irmãs extraterrestres, por não fazer sentido impor limites à liberdade criadora de Deus. Agora que tipo de vida será essa, e qual a melhor abordagem para a contactar, é um debate cada vez mais aceso. O mais recente interveniente é o físico britânico Stephen Hawking. Numa nova série de documentários pronta a estrear em Maio no canal Discovery, o cientista dá a conhecer uma visão catastrofista: "Se os extraterrestres nos visitassem, o resultado seria semelhante ao que aconteceu quando Colombo desembarcou na América - não correu muito bem para o lado dos nativos", diz Hawking. Mais ainda: "Basta olhar para nós próprios para ver como a vida inteligente se pode transformar em algo que não gostaríamos de encontrar. Imagino que possam viver em naves enormes, depois de terem esgotado os recursos dos seus planetas. Extraterrestres avançados ter-se-iam tornado nómadas, à procura de conquistar e colonizar todos os planetas com que se deparem."

As afirmações fazem parte do guião de "Stephen Hawking's Universe" e foram avançadas ontem pela imprensa britânica. Hawking, 68 anos, tem uma carreira reconhecida, além de ser um investigador acarinhado pela forma como tem lutado contra uma esclerose lateral amiotrófica que o deixou praticamente paralisado. Apesar da violência do cenário mais pessimista, a típica forma de vida extraterrestre, segundo Hawking, não deve constituir qualquer ameaça: será semelhante aos micróbios ou organismos simples que habitaram a Terra no início.

Debate aceso A discussão está longe de ser um fait-divers científico. Prova disso é que esta semana, em League City, no Texas, uma conferência internacional de astrobiologia vai discutir novos protocolos para a procura activa de sinais extraterrestres ou para elaborar mensagens que os alienígenas sejam capazes de compreender. Para Douglas Vakoch, um dos organizadores e director do projecto Composição de Mensagens Interestelares, do instituto SETI (Search for Extra-Terrestrial Intelligence), as conjecturas de Hawking são despropositadas.

"É difícil imaginar que uma civilização queira resolver os seus problemas de falta de recursos atravessando uma galáxia. A energia necessária é enorme. Se uma civilização tiver a paciência de atravessar o cosmos à procura de uma nova casa, terá certamente o tempo e a capacidade para utilizar um planeta no seu próprio sistema planetário ou estrela vizinha, a que chegará de forma mais rápida, fácil e barata", diz ao i o investigador. 

A comparação com Cristóvão Colombo também é questionável, acrescenta. "Vejo mais uma analogia com a transmissão de conhecimento dos antigos gregos através dos pensadores islâmicos, até chegar à Europa. O impacto deste contacto entre culturas na Terra foi poderoso, mas as civilizações tiveram tempo para assimilar o seu significado." Ainda assim, Vakoch sublinha que "as preocupações de Hawking são importantes o suficiente para que haja discussões alargadas antes de enviar mensagens para fora da Terra."

Neste momento, os projectos do SETI em parceria com instituições como NASA dedicam-se apenas à procura de sinais enviados do exterior (até hoje sem sucesso). Mas até aqui existe um problema: se algum dia chegar uma mensagem do espaço, não há há autorização para lhe responder.

 

Via Ionline

26
Abr10

Sexo, mentiras e violência na História de Portugal

olhar para o mundo

sexo,mentiras e violência na história de Portugal

 

Como escreve Ferreira Fernandes no prefácio de "Histórias Rocambolescas da História de Portugal", o autor João Ferreira "tem formação de historiador e prática de jornalista". No livro que é hoje lançado no mercado contam-se e desmistificam-se "histórias misteriosas e fantásticas de Portugal", como a do filho que afinal não bateu na mãe - ou seja, D. Afonso Henriques. Mas também a vida de Viriato, o pastor salteador e general que não nasceu na serra da Estrela, mas algures entre o Alentejo, a Extremadura espanhola e a Andaluzia. E muito mais: sexo, mentiras e violência, de Afonso Henriques à actualidade, incluindo Salazar, o 25 de Abril e o PREC. O i escolheu sete episódios dos muitos que pode ler nesta obra publicada pela Esfera dos Livros

Viriato Pastor, salteador, general, quem foi afinal o chefe dos lusitanos que desafiou o poder de Roma?

Viriato não nasceu nos montes Hermínios (serra da Estrela) nem era um humilde pastor. Na verdade, vivia bem mais para sul, entre os actuais Alentejo, Extremadura espanhola e Andaluzia. Seria filho de um chefe tribal (Comínio) e casou com a bela Tongina (ou Tangina), filha de um rico proprietário da Bética (Andaluzia) chamado Astolpas - cujas ofertas, por altura do casamento, recusou. O nome Viriatus é de origem celta e significa aquele que usa viria (pulseiras ou braçadeiras de metal) nos braços. Como não era o primogénito, não herdou os bens do pai: optou por ser salteador como modo de vida, o que lhe permitiu ganhar experiência guerreira. Foi por isso que os historiadores greco-romanos - Apiano de Alexandria, Floro, Possidónio, Dião Cássio - lhe chamaram dux latronorum (chefe de ladrões), sempre elogiando, no entanto, a sua bravura, lealdade e capacidade de liderança: de pastor a guerrilheiro e a general. Em 139 a.C. o senado romano rompeu as tréguas e enviou à Hispânia Ulterior o general Quinto Servílio Cipião, que após uma ofensiva vitoriosa obrigou Viriato a negociar a paz. O chefe lusitano enviou três emissários - Audaz, Ditalco e Minuro -, que foram aliciados por Cipião e acabaram por assassiná-lo. Os três amigos desleais pediram a Cipião a recompensa prometida, mas terão ouvido a resposta: "Roma não paga a traidores."

D. Afonso Henriques Afinal o filho não bateu na mãe

Um dos mais conhecidos episódios da História de Portugal relaciona-se com o facto de D. Afonso Henriques ter batido na mãe, D. Teresa. Contudo ficou provado que a origem de tal mito deverá ser atribuída à historiografia portuguesa, através da IV Crónica Breve de Santa Cruz de Coimbra. Estaria tudo certo - se a "maldição" não tivesse sido posta na boca de D. Teresa muitos anos depois da batalha de S. Mamede e do desastre de Badajoz. Na verdade, a derrota da mãe saldou-se por uma retirada com toda a segurança para as terras dos Trava, em Límia, na Galiza, onde D. Teresa acabou por morrer em 1130. Nem o filho bateu na mãe nem ficou zangado com o padrasto galego.

D. Sancho II Frouxo no trono e na cama

Se o pai, D. Afonso II, passou à história como "gafo" (leproso), as mazelas de Sanchoteriam sido do corpo e da alma. Embora ninguém pudesse contestar a sua valentia como chefe militar - aumentou o território nacional através da conquista de um número significativo de castelos e cidades aos mouros -, ganhou a triste fama de mau rei, governante incapaz, marido impotente e enganado pela mulher. (...) O mal-estar geral aumentou quando o rei se casou, já na década de 1240, com uma nobre espanhola, D. Mécia Lopes de Haro (1210-1270 ou 1271), de quem ainda era primo. A nova rainha era filha do poderoso senhor da Biscaia, Lopo Dias de Haro, por alcunha "o Cabeça Brava", e de D. Urraca, filha bastarda do rei Afonso IX de Leão e meia-irmã de Fernando III de Castela. D. Mécia já tinha sido casada, mas ficara viúva muito jovem. D. Sancho, encantado com a beleza da sua rainha, encheu-a de riquezas, fazendo-a senhora de Torres Vedras, Sintra, Ourém, Abrantes, Penela, Lanhoso, Aguiar de Sousa, Celorico de Basto, Linhares, Vila Nova de Cerveira e Vermoim. O povo, que vivia na miséria, passou a odiar a rainha - estrangeira, bela e rica. O casamento entre parentes próximos era frequente nas cortes ibéricas da Reconquista: bastava obter do Papa a "dispensa de consanguinidade". Mas os nobres e bispos aproveitaram para dar novo fôlego à conspiração contra o rei. Escreveram ao Papa a denunciar a situação e em Fevereiro de 1245 Inocêncio IV declarou nulo o casamento e ordenou que o casal "empeçado" (ilegítimo) se separasse. Mal soube que D. Mécia fora levada para o castelo de Ourém, D. Sancho reuniu um pequeno exército para ir libertá-la. A vila foi cercada e o rei preparava-se para recuperar a mulher - quando ela se recusou a voltar para ele, assumindo a adesão ao partido de D. Afonso. O escândalo foi tremendo. D. Mécia foi acusada de ter anuído ao rapto, em conluio com o cunhado D. Afonso. Pior: a recusa em voltar para o marido, associada ao facto de não haver filhos do casamento, deu origem ao rumor de que D. Sancho era impotente. 

D. Afonso V Matou o sogro e tio D. Pedro

O exército real pôs-se a caminho de Coimbra e parou em Santarém. D. Pedro juntou as suas tropas e, a 5 de Maio, partiu de Coimbra. Apesar de saber que o rei estava em Santarém, dirigiu-se a Lisboa. Informado da marcha do tio e sogro, D. Afonso V também se encaminhou para a capital. Os dois exércitos encontraram-se junto à ribeira de Alfarrobeira, nas cercanias de Alverca, no dia 20 de Maio. As tropas do rei, muito superiores, esmagaram os partidários de D. Pedro, que morreu em combate, aos 56 anos. Com ele tombou o seu amigo D. Álvaro Vaz de Almada, conde de Avranches, que, perante o ataque inimigo, teve um desabafo que passou à história: "Fartar, vilanagem!" A crueldade adolescente de D. Afonso V, à data com 17 anos, foi ao ponto de recusar sepultura ao corpo do tio e sogro. Os familiares e partidários de D. Pedro foram perseguidos e espoliados. Só devido à pressão do duque de Borgonha, casado com D. Isabel de Portugal (irmã de D. Pedro e tia do rei) é que os filhos do ex-regente puderam sair do país em segurança. Um viria a ser cardeal (D. Jaime), outro conde de Barcelona (D. Pedro) e outro ainda rei de Chipre (D. João).

D. João V Um rei viciado em sexo no convento

Obcecado por freiras e viciado em afrodisíacos, D. João V reconheceu ser o pai dos "Meninos de Palhavã". Entre as suas inúmeras amantes, uma ficou especialmente conhecida nos anais da nossa História: madre Paula, uma freira do convento de Odivelas que viu a sua simples cela ser transformada nos aposentos dignos de uma rainha. "D. João V perdia a cabeça por todas as mulheres", escreveu o historiador Oliveira Martins, "mas a sua verdadeira paixão estava em Odivelas, no ninho da madre Paula". D. João V, que ficou para a história como "o Magnânimo", teve o cuidado de sublinhar naquela declaração que os seus filhos eram de "mulheres limpas de todo o sangue infecto" - isto é, as amantes reais não eram judias nem mouras nem negras. O mais velho era filho de D. Luísa Inês Antónia Machado Monteiro, o do meio de Madalena Máxima de Miranda e o mais novo de Paula Teresa da Silva, a célebre madre Paula do convento de Odivelas. Os dois últimos foram resultado de uma moda espalhada pela Europa ocidental nos séculos XVII e XVIII: os amores ilícitos entre nobres e freiras. O rei ia a Odivelas quase todas as noites - mas não era para rezar. D. Francisco de Mascarenhas, conde de Cucolim, teve um desabafo perante essa fraqueza do monarca: "Ali perde a vergonha."

D. Maria I Rainha louca para um país de doidos

Maria I (1734-1816), a primeira mulher que governou Portugal, ficou conhecida como a rainha louca. Se D. Maria, que tinha 42 anos quando subiu ao trono, não era propriamente uma mulher bela, o rei consorte, esse então era considerado ainda mais feio do que Carlos III de Espanha - e este era conhecido como um dos homens mais feios da Europa do seu tempo. À falta de atractivos físicos aliava D. Pedro III a pouca inteligência. Na corte puseram- -lhe a alcunha do "capacidónio": era uma das suas palavras preferidas e com ela se referia às pessoas a quem tencionava atribuir um cargo, depois de ter apanhado de ouvido que alguém era "capaz e idóneo" para determinado emprego... As notícias da revolução francesa foram encontrar D. Maria I num estado de grande fragilidade. Acabou por perder completamente o juízo. No princípio de 1792, a rainha foi sangrada e levada a banhos mas, no dia 10 de Fevereiro, os mais prestigiados médicos do reino assinaram um boletim confirmando que "a saúde de Sua Majestade no estado em que se acha" não lhe permitia ocupar-se dos assuntos de Estado. Tinha 57 anos e estava oficialmente louca.

Oliveira Salazar O ditador que caiu da cadeira

Passava das quatro da madrugada de 7 de Setembro de 1968 quando a equipa médica chefiada pelo neurocirurgião Vasconcelos Marques começou a trepanar o crânio do presidente do Conselho Oliveira Salazar, o doente do quarto n.º 68 da Casa de Saúde da Cruz Vermelha, em Lisboa. "Aberta a meninge, logo jorrou sangue: tratava-se em verdade de um hematoma intracraniano subdural crónico, situado no hemisfério esquerdo", conta o biógrafo de Salazar, Franco Nogueira, ao tempo ministro dos Negócios Estrangeiros. A operação correu bem. Drenado o hematoma, o doente iniciou uma lenta recuperação, perante a expectativa do país. Só nesse dia os portugueses souberam que o homem que os governara com mão de ferro nos últimos 40 anos (Salazar tinha tomado posse como ministro das Finanças em 1928) estava doente. Um mês antes, a 3 de Agosto, Salazar, então com 79 anos, dera uma queda no Forte de Santo António do Estoril, onde passava o Verão. Distraído a ler o "Diário de Notícias", deixou-se cair pesadamente numa cadeira de lona, que se desconjuntou. A cabeça do chefe do governo bateu, desamparada, no chão de pedra. Levantou-se quase de imediato, ajudado pelo calista Augusto Hilário, perante a surpresa da governanta Maria de Jesus Freire. A célebre D. Maria quis chamar logo o médico, mas Salazar proibiu-a e ordenou a Hilário que não contasse a ninguém o que acontecera.

 

Via Ionline

26
Abr10

Música Portuguesa do dia: Um contra o outro - Deolinda

olhar para o mundo

 

Letra
Anda, desliga o cabo, 
que liga a vida, a esse jogo,
joga comigo, um jogo novo,
com duas vidas, um contra o outro.

Já não basta,
esta luta contra o tempo,
este tempo que perdemos,
a tentar vencer alguém.

Ao fim ao cabo,
o que é dado como um ganho,
vai-se a ver desperdiçamos, 
sem nada dar a ninguém.

Anda, faz uma pausa,
encosta o carro, 
sai da corrida,
larga essa guerra, 
que a tua meta,
está deste lado,
da tua vida. 

Muda de nível,
sai do estado invisível,
põe o modo compatível,
com a minha condição,
que a tua vida,
é real e repetida,
dá-te mais que o impossível,
se me deres a tua mão.

Sai de casa e vem comigo para a rua,
vem, q'essa vida que tens,
por mais vidas que tu ganhes,
é a tua que,
mais perde se não vens.

Sai de casa e vem comigo para a rua,
vem, q'essa vida que tens,
por mais vidas que tu ganhes,
é a tua que,
mais perde se não vens.

Anda, mostra o que vales,
tu nesse jogo, 
vales tão pouco,
troca de vício,
por outro novo, 
que o desafio,
é corpo a corpo.

Escolhe a arma, 
a estratégia que não falhe, 
o lado forte da batalha, 
põe no máximo o poder. 

Dou-te a vantagem, tu com tudo, eu sem nada,
que mesmo assim, desarmada, vou-te ensinar a perder.

Sai de casa e vem comigo para a rua,
vem, q'essa vida que tens,
por mais vidas que tu ganhes,
é a tua que,
mais perde se não vens.

Sai de casa e vem comigo para a rua,
vem, q'essa vida que tens,
por mais vidas que tu ganhes,
é a tua que,
mais perde se não vens.

Sai de casa e vem comigo para a rua,
vem, q'essa vida que tens,
por mais vidas que tu ganhes,
é a tua que,
mais perde se não vens.

Sai de casa e vem comigo para a rua,
vem, q'essa vida que tens,
por mais vidas que tu ganhes,
é a tua que,
mais perde se não vens.

Sai de casa e vem comigo para a rua,
vem, q'essa vida que tens,
por mais vidas que tu ganhes,
é a tua que,
mais perde se não vens.

 

26
Abr10

Foi seduzido por uma mulher que se fez passar por uma rapariga

olhar para o mundo

Chamam-lhe “SS”. Chamam-lhe “SS” ou “Sempre Só” ou “Serralheiro Solitário” e riem-se. Riem-se como se o isolamento não doesse. Quando o souberam desaparecido, alguns colegas da cooperativa de ensino que frequenta em Riba de Ave julgaram que se atirara ao rio. Não imaginaram que tivesse caído numa suposta rede de tráfico humano.

Fora “referenciado” na escola. Quão difícil seria chegar ao coração de um solitário rapaz de 15 anos, oriundo de uma família numerosa, carenciada, com um pai ausente, a trabalhar em Barcelona, e uma mãe um tanto alienada por algum consumo de bebidas alcoólicas? Uma mulher ter-se-á feito passar por uma miúda da sua idade. Paulo (nome fictício) “encontrava-se” com ela na Net. Primeiro, no seu INSYS, oferta do e.escola, programa pensado para facilitar o acesso dos alunos do 5.º ao 12.º ano à sociedade de informação. Depois, num dos dois computadores do Café Triângulo, a uns 50 metros de casa, mesmo à entrada da zona urbana de Vizela.

Algo não batia certo. Amiúde, livrava-se das irmãs que com ele vivem – uma mais nova e outra mais velha – antes de descer o asfalto até ao café. Não gostava de usar o computador na presença se outros. Se alguém estivesse a usar um, abstinha-se de usar o outro. As más-línguas já se acotovelavam frente ao rapaz baixo, moreno. Pelos gestos delicados, julgavam-no a falar com alguém do mesmo sexo.

Naquela segunda-feira, 12 de Abril, saiu de casa cedo, como é seu costume em dias de aulas. Está a tirar um curso de educação e formação, que lhe dará equivalência ao 9.º ano e que poderá fazer dele um serralheiro mecânico. Não seguiu até à Didáxis, cooperativa de ensino. Em vez de ir às aulas, apanhou o comboio para o Porto, na ânsia de ver a amada. Na estação de comboios, olhou para um lado, olhou para outro: ninguém com um rosto igual ao que aparecia nas fotografias que ele tantas vezes contemplara. De repente, aproximam-se uma mulher e três homens. Conduziram-no, sob ameaça, a Santa Mariña do Monte, na zona rural de Orense, já do outro lado da fronteira.

Isto mesmo contou, primeiro, à Polícia Nacional (Espanha), depois, à Polícia Judiciária (PJ) e, entretanto, a alguns vizinhos baralhados com as versões contraditórias que circulavam de boca em boca. Parte do jogo de sedução há-de estar no telemóvel e no portátil que esta quarta-feira, na GNR, mostrou à PJ.

Sai das aulas às 17h30 ou às 18h30 e apanha o autocarro perto das 19h. Naquela segunda-feira, a noite caiu e não entrou na casa de pedra caiada e pintada de amarelo. Preocupada, a mãe cruzou o portão verde e virou à direita, em busca de um rapaz que também frequenta a Didáxis. O vizinho já chegara. Passavam uns minutos das 20h. O tio do rapaz, dono de um armazém situado na rua atrás, aconselhou-a a esperar mais um pouco. Por volta das 22h, levou-a à GNR. Escaldados com histórias de adolescentes que se atrasam ou escapam, os militares mandaram esperar. À meia-noite, a mãe e o vizinho tornaram ao posto – a tentar forçar diligências.

No dia seguinte, a notícia correu veloz. Um tanto conscientes da crueldade que reservam a Paulo, alguns colegas emudeceram. Teria posto fim à vida, como o miúdo de 12 anos que se atirara ao Tua? Naquele mesmo dia, telefonou à mãe a dizer que estava bem, que estava no Porto, que estava a trabalhar. A mãe tentou saber mais. A chamada foi cortada de forma abrupta.

Alguns vizinhos encontraram sentido: a família era apoiada, tivera sete filhos e perdera um; os três mais novos estariam ou já teriam estado debaixo de olho da protecção de menores. A PJ do Norte, porém, não se fiou na teoria da partida por vontade própria em busca de ganha-pão. A chamada ter-lhe-á, de resto, permitido perceber que estava em Orense. Impunha-se pedir colaboração a Espanha.

Os espanhóis resgataram-no na quinta-feira, 15 de Abril. Dormia num colchão esfarrapado, fechado numa cave, rodeado de sujidade, de desperdícios, de sucata. Terá sido forçado a trabalho árduo. Quem vivia perto nem desconfiava e tê-lo-á visto embrenhado em tarefas diversas.

Aquela era a casa de um casal metido consigo próprio. Empenhado na recolha de sucata, faria algum trabalho no campo, em Monterrei, outro município da província. E, numa quinta, ali mesmo, em Santa Mariña do Monte, teriam coelhos, galinhas e outros animais domésticos.

Naquele dia, as autoridades detiveram o casal e um homem que terá colaborado no alegado sequestro – os três aguardam, agora, julgamento no Estabelecimento Prisional de Pereiro de Aguiar, em Orense. Volvidos três dias, detiveram um irmão de um deles, em Madrid. A PJ e a PN investigam eventuais ligações entre este caso e casos de tráfico de pessoas para exploração laboral ou mesmo escravatura protagonizados por indivíduos que se movem entre Portugal e Espanha e que tanto usam documentação portuguesa como espanhola.

À entrada de Vizela, já não há pachorra para jornalistas. Familiares e pessoas próximas – como a vizinha que faz as vezes de encarregada de educação de Paulo e auxilia a família conforme pode – têm indicações da PJ para não falar. E acusam desgaste com o tratamento que o caso mereceu. Na escola, continuam a chamar-lhe “SS” ou “Sempre Só” ou “Serralheiro Solitário”. Às vezes, no recreio, as raparigas rodeiam-no, agarram-no, acompanham-no. Só para rir.

Ana Cristina Pereira

Público

24 de Abril de 2010

 

Via Meninos de ninguém

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