Sexta-feira, 18 de Setembro de 2009

 

 


Há trabalhos tão duros que não deviam ser feitos por ninguém. Ou então proporcionariam tais regalias sociais e económicas que haveria sempre quem os fizesse de bom grado, desincentivando a compaixão dos restantes.
Mas o Mundo não é justo e a realidade não se compadece dos meus sonhos. Talvez por isso, quando vejo homens que podiam ser meus pais a fazer certos trabalhos, invadem-me as lágrimas, comprime-se-me o peito, e nessas alturas acho que sou demasiado mole para andar nas obras.
Não são os horários alargados que me quebram, não é a lama que me afunda, nem o frio que me gela ou o calor que me sufoca. São estas pessoas a quem a vida espancou em vez de pregar sermões, é esta miséria humana transformada em esforço físico. São estes farrapos de homens que transportam nos braços a força do dinheiro que nem é muito ao fim do mês. São estes corpos enlameados, estas caras cansadas onde o suor vai escorrendo na pele sulcada pelas rugas.
São trabalhos duros. Tão duros que me endurecem o coração.

Na maioria dos dias centro-me no meu trabalho, tenho tantas coisas em que reparar: aço, betão, equipamentos. Olho para eles mas não os vejo, ignoro os corpos amarrotados pela vida. Não interiorizo aqueles gestos, ignoro o peso das enxadas, finjo não ouvir o som dos martelos pneumáticos, transformo o pó em simples ar. 
Mas noutros dias deixo-me levar pela pessoa que sou fora daqui e páro uns minutos a olhar para cada gesto, para cada expressão. Para eles.
Eles, que ao fim do dia, de rostos desfeitos, são amontoados em carrinhas que os despejam em casa horas mais tarde, depois de pararem em todos os apiadeiros. Eles, que mesmo sabendo que mal têm tempo para dormir e descansar o corpo, se agarram à promessa de uma vida melhor ainda que não tenham a certeza de lá chegar com forças para a viverem.

Nos dias em que dou por mim a pensar em tudo isto, apetece-me chorar e enfiar-me no Mundo cor-de-rosa onde vivem as outras pessoas.
Não tenho o corpo dorido mas não imaginam como às vezes trago a minha alma.

Há quem diga que todos somos filhos de Deus. (Eu sei que) Quem o diz não sabe do que fala.
 
Inês

Via Assim me encontro
 



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