Quarta-feira, 26 de Agosto de 2009

 

Lisboa Gay até de madrugada

 

 

Hotéis, bares, discotecas, praias e agências de viagens para homossexuais. É um turismo em crescimento na cidade. O i visitou os locais onde um gay se sente em casa. De manhã à noite

 

 Le suite- requinte e descrição 


Quem chega de malas na mão é recebido por David Gonzalez, um espanhol que há três anos trocou Paris por Lisboa. Tem 36 anos, uma carreira em Marketing que deixou para trás e dá-nos as boas vindas ao balcão do bistrôt Les Mauvais Garçons, no nº 35 da Rua da Rosa. 

O café parisiense serve de recepção aos quatro apartamentos que David criou a pensar numa comunidade LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais) "com bom gosto e uma exigência cultural mais elevada". O prédio, de 1923, foi totalmente remodelado e tem 4 andares, cada um com um apartamento. São três T2 e um T0, mobilados e preparados para que "todos se sintam em casa, ou melhor, se possível". São elegantes, modernos e não lhes falta nada: écran de televisão LCD, leitor de DVD, ar condicionado, internet wireless, máquina de café e até uma torradeira. Se ficar hospedado no T0, no último andar do prédio, pode desfrutar de um terraço com vista para o Bairro Alto e para o Castelo de São Jorge. Mas não pense que é preciso ser gay para ficar hospedado no Le Suite. Nada disso. Toda a gente é bem-vinda, porque afinal a ideia "é integrar, não é separar". "O objectivo é que todos se sintam bem, à vontade, livres de preconceitos." Tudo é feito com descrição e qualquer hóspede pode levar quem quiser, a qualquer hora - até porque a entrada para os apartamentos é independente e cada cliente tem uma chave da porta principal. 

Apesar da obrigatoriedade de ficar pelo menos duas noites e dos 125 euros diários (90 na época baixa), "desde de Março que a ocupação tem estado a 85%, o que é óptimo". Quanto à publicidade, a melhor é a que é feita "boca-a-boca." "Já cá tive muita gente que veio recomendada por amigos e conhecidos, pessoas dos cinco continentes, que às vezes regressam uma e duas vezes ao Le Suite." Saiba mais em www.suitesbairroalto.com

Anjo azul- sem pudores 

"Num hotel gay é normal um homem sair nu do quarto." Quem garante é Luís Miguel, dono do Hotel Anjo azul, no Bairro Alto. "Este não é um hotel gay friendly, é um hotel gay." E ponto final. O aviso é dado para que não haja confusão ou queixas por parte de quem procura um lugar para passar a noite.

Os quartos, ricos em fotografias artísticas masculinas, foram decorados a pensar na intimidade, com pormenores tão subtis como almofadas em forma de coração. É que aqui, nunca se sabe quando se pode ter companhia. "Os hóspedes sentam-se na recepção a ver quem entra e se alguém lhes agradar, eles perguntam o número do quarto e deixam recados debaixo da porta." É assim que se engata no Hotel Anjo Azul.

Este é um dos três hotéis de Luís Miguel. O Hotel Luar, ainda que não o seja assumidamente, é virado para a comunidade lésbica. A Pensão Globo, que brevemente passará a chamar-se Anjo Azul II, segundo Luís Miguel, "já não é tão gay como os outros, tem mais clientela heterossexual".

No Anjo Azul qualquer pessoa pode entrar, desde que aceite as condições do hotel. Mas nem sempre foi assim. Em 1998, era interdita a entrada a mulheres o que "originou muitas confusões com os clientes que queriam trazer amigas lésbicas para cá". Luís Miguel acabou por ceder e hoje elas também podem frequentar o hotel. No entanto, a maioria da ocupação dos quartos é feita por homens. O dono do hotel explica a baixa taxa de ocupação feminina: "É a loucura do sexo, é disso que eles vêm à procura, as mulheres são diferentes." Saiba mais em www.anjoazul.com

Aqui vou eu para costa 

Depois de instalado no Anjo Azul ou no Le Suite, nada como passar um dia a torrar ao sol. A Praia 19, na Costa da Caparica, uns metros depois da Praia do Rei, é discreta, longe de tudo e com pouca confusão. Não há enchentes de famílias inteiras de lancheira às costas, nem crianças aos berros e a jogar à bola. É frequentada por todo o tipo de pessoas, mas os gays estão em maioria. Não se admire se no meio das dunas ou da vegetação encontrar uns casais em confraternizações pouco púdicas. O sexo livre faz parte do ADN da praia. Mas falemos da oferta de restauração: se quiser comer ou beber terá de ir à praia da Bela Vista (antes da 19) ou à Terminus (a seguir), porque aqui... não há bares nem cafés.

Está na hora de comer

Tem duas opções, para bolsos diferentes, ambos no Bairro Alto. O restaurante Pap'Açôrda, que oferece o melhor da gastronomia portuguesa, com especialidades capazes de o fazer chorar de contentamento: filetes de sardinha panados; bife de atum à portuguesa; pastel de perdiz; açorda de lagosta e gambas, entre muitas outras iguarias. Tudo por 50 euros (preço médio por pessoa). Para uma refeição mais em conta, mas igualmente saborosa, vá ao Põe-te na Bicha (sim, o nome é mesmo este), na Travessa da Água-Flor, 36. Por 20 euros (preço médio) pode comer uma massinha de cherne ou cabrito com castanhas. E se lá for a uma quinta-feira, experimente um "bife à bicha" ao som de um piano gingão.

Ao serão

Antes de ir a correr para uma discoteca, convém andar um bocadinho a pé, beber um digestivo e socializar. Pode aproveitar as subidas e descidas do Bairro Alto para fazer a digestão e conhecer todo o tipo de bares que esta zona tem para oferecer. Pelo sim pelo não, aqui fica uma sugestão: o Maria Caxuxa, na Rua da Barroca, nº 6-12, é acolhedor e ao mesmo tempo espaçoso, o que não é para todos.

Para dançar até cair 

São duas da manhã, o Bairro Alto começa a fechar as portas mas a noite ainda agora começou. Pegue nela, leve-a até à discoteca Trumps (Rua da Imprensa Nacional, 104B) e dance até ser dia.

Como viajar

Com dois anos de existência, esta agência de viagens é especializada em turismo LGBT (www.colourtravel.com.pt). Segundo Nuno Moreira, director da agência, "o objectivo é proporcionar um atendimento diferente, já que a comunidade LGBT é mais exigente do que a heterossexual". "Para além dos serviços normais que qualquer agência tem, damos acompanhamento personalizado e temos pacotes de viagens que incluem as festas e celebrações LGBT em todo o mundo."

Exemplo disso é a White Latin Party, no México, que se realiza de 17 a 20 de Setembro, e para a qual a Colour Travel já tem 23 marcações. "Muitas pessoas aproveitam as festas e as Pride para fazer férias, pelo que temos pacotes que incluem não só alojamento, mas também um roteiro LGBT de restaurantes, praias, actividades culturais e de lazer." 

A agência tem parcerias com vários hotéis, quer no estrangeiro, quer em Portugal. Cá, a Colour Travel trabalha com hotéis gay friendly, como a York House, o Bairro Alto Hotel, o Fontana Park, entre outros. E se não sabe, fique a saber que já existem companhias aéreas com este conceito: dar à comunidade LGBT um tipo de atendimento diferente, mais personalizado, como a Air France ou a Continental, nos EUA, que chega mesmo a ter um check in e salas de espera diferentes para gays, bem como preços mais atractivos. Mas não é a única empresa a fazer promoções para este mercado: a Disney World e a Euro Disney têm pacotes de férias de uma semana pensados especialmente para a comunidade GLBT. 

Discriminação? Talvez, mas Nuno Moreira explica: "A própria existência de uma agência de viagens especializada em LGBT é discriminatório, mas a verdade é que as outras agências não estão sensibilizadas para o tipo de lazer que esta comunidade procura, para as festas que existem por todo o mundo, por exemplo." Em Espanha existem cerca de 30 agências de viagem especializadas em turismo LGBT. 

Mas a oferta não fica por aqui. A nível internacional existem várias opções. Se sonha com um cruzeiro gay para qualquer parte do mundo, não se preocupe, a Atlantis (www.atlantisevents.com) trata de tudo.

 

Via ionline



publicado por olhar para o mundo às 15:43 | link do post

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