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Um olhar sobre o Mundo

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07
Ago09

"Estamos a falar de coito vaginal"

olhar para o mundo

Falemos de coito vaginal

 

"Estamos a falar de coito vaginal", começa por dizer Rui Miguel Costa, 41 anos, investigador no departamento de Stuart Brody, um especialista britânico em estudos sexuais na Universidade de West of Scotland, em Paisley. "Sexo", o termo lato, deve por isso ficar fora da conversa sobre o estudo publicado na revista científica "Archives of Sexual Behavior".


O trabalho conclui que, na altura de pensar no bem que a vida sexual faz à mente, o melhor contributo é o "coito vaginal sem preservativo". 

A troca de secreções entre os dois sexos, por conterem agentes antidepressivos, e uma maior intimidade, são alguns dos argumentos apresentados. Já um dos potenciais da investigação pode ser ajudar a explicar a elevada incidência de problemas mentais entre homossexuais, como têm vindo a demonstrar estudos recentes.

"Tem havido alguma controvérsia, mas parece que as reacções negativas da sociedade não explicam inteiramente os problemas mentais que os homossexuais têm", diz Rui Miguel Costa. A polémica não fica por aqui. Afinal, proteger-se de doenças sexualmente transmissíveis (DTS) significa não desfrutar totalmente dos benefícios do sexo na saúde? Segundo este estudo, sim.

"É preciso perceber que o preservativo tem desvantagens, como qualquer medicamento ou tratamento, onde são explícitas as contra-indicações. Depois, são as pessoas que escolhem se é o método mais adequado. Em relação às DTS, o preservativo protege, mas é preciso ter noção de qual é o risco e não entrar em pânico", salienta o investigador. "As DTS transmitem-se pelo coito vaginal mas o VIH - que em rigor não é uma DST - tem uma probabilidade baixíssima de se transmitir por esta via em pessoas com tecido genital saudável: as vias do sexo anal e perfurações cutâneas com materiais infectados são as verdadeiramente perigosas para a transmissão do VIH", adianta. 

Dói-me a cabeça Em causa estão os chamados mecanismos de defesa "imaturos", que se traduzem numa maior vulnerabilidade à doença mental. Rui Miguel Costa explica que o uso preservativo é um dos factores associados à diminuição das protecções naturais. Já o orgasmo feminino, por exemplo, tem o efeito contrário. 

Na sexualidade, os handicaps acabam por isso por estar todos relacionados. "Resultam de uma maneira de lidar com o stress em que a realidade é distorcida", diz o investigador. 

"As pessoas com este tipo de problema mergulham numa fantasia para evitar a realidade, convertem o problema psicológico em problemas físicos como dores de estômago ou dores de cabeça. Muitas vezes deslocam os seus sentimentos para coisas menos conflituosas, como a comida", resume. O impacto é igual em homens e mulheres. "Provavelmente a prevalência é semelhante à das doenças mentais", explica o investigador. 
Para Rui Miguel Costa, a solução passa por menos ignorância e terapia ou educação sexual mais informada. "Se as pessoas não querem ter coito vaginal por motivos de consciência, não há nada a fazer. Mas devem ser encorajadas a ter o melhor coito vaginal possível".

Masturbação inimiga Se por enquanto são mais as perguntas do que as respostas, há alguns dados importantes a reter. De todos os comportamentos sexuais, apenas o coito vaginal está associado a bons indicadores de saúde física e mental. O tempo que se dedica aos preliminares merece outras considerações: se substituem a penetração vaginal (mesmo que incluam sexo anal e oral) diminuem a satisfação sexual. Já a masturbação pode ser prejudicial, explica Rui Miguel Costa. Um estudo com 2000 pessoas mostrou que quanto maior é a frequência, menor é a satisfação. Está melhor quem "mesmo tendo coito vaginal menos vezes, nunca se masturba", diz.

 

Comentário de Nuno Monteiro Pereira, urologista e professor de Sexologia

Parece-me um trabalho polémico. Este tipo de discurso tem de estar muito bem sustentado cientificamente, uma vez que contraria o que vem sendo admitido nesta área. Não significa que esteja errado, mas tem de ser analisado com cuidado. No caso do IVH, é verdade que o coito vaginal não é a principal via de transmissão, mas quem é que garante que as mucosas são saudáveis? A mucosa vaginal não é um epitélio impermeável, e desde que haja vírus, existe uma hipótese de contágio. Por mais benefícios que não usar preservativo possa ter - e é verdade que são conhecidas partículas benéficas como as anti-inflamatórias - os riscos parecem-me demasiado grandes para desaconselhar em algum caso o seu uso.

A espécie humana está construída para que o método de eleição da sexualidade seja o coito vaginal, é natural que esta via esteja naturalmente melhor estruturada. Mas a homossexualidade não é uma escolha.

Em relação à masturbação, cabe-me dizer que também são conhecidos efeitos benéficos. Para um homem ou mulher sem parceiro, pode aliviar a tensão sexual. E isso faz certamente bem à mente.

 

Via ionline

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