Terça-feira, 18.01.11

A bíblia é um livro chato

 

A liberdade de expressão há-de ter sempre um limite: a religião. É assim quando alguém diz umas verdades sobre o Corão e é assim quando alguém diz umas verdades sobre a Bíblia. Claro que Saramago não foi alvo de uma fatwa e, em princípio, não precisará de um batalhão de guarda-costas, como Rushdie. Mas a História prova-nos que a Igreja Católica evoluiu à força. Não deixou de queimar gente na fogueira por vontade própria ou por ser moralmente superior ao Islão, mas sim porque foi posta no seu lugar, quando perdeu poder com o (re)nascimento dos Estados laicos - coisa que ainda não aconteceu no mundo muçulmano. Não, não me convencem. Se a Igreja ainda tivesse uma fracção do poder que tinha há 200 anos, Saramago não se safava apenas com umas bocas imbecis a sugerirem que entregue o passaporte português.

(Sabiam que a inquisição espanhola durou até 1834? Já rolavam comboios em Inglaterra e nos EUA nessa altura...)

Vamos então à Bíblia: Saramago disse que estava cheio de episódios cruéis e cenas de carnificina. Factualmente, não mentiu e só quem não leu pode dizer o contrário. Eu li.

(Aliás, ter lido a Bíblia foi um dos mais importantes passos que dei na direcção do meu ateísmo. E estou convencido de que muitos dos que se intitulam orgulhosamente católicos só o fazem porque nunca se deram ao trabalho de a ler. Os inquéritos mostram que nove em cada dez portugueses nunca o fizeram, o que para um país com - supostamente - mais de 90% de católicos me parece pouco.)

O Velho Testamento apresenta-nos um deus odioso, macabro, que exige sacrifícios de animais a torto e a direito, que chacina multidões e primogénitos com um estalar de dedos, que se impõe pelo medo e pelo terror. E não me venham com a eterna desculpa das parábolas e das metáforas. Tretas. Com argumentos desses, é possível ver bondade até nos discursos do Hitler.

A Bíblia não é sagrada, é mundana. Uma boa parte (precisamente a parte de que os padres evitam falar) não passa de um chatíssimo manual de costumes, com descrições detalhadas sobre o modo de degolar cabras no altar e de como verter o sangue em ânforas. E não há mal nenhum nisso. Tudo foi escrito com propósitos políticos e sociais fundamentais para a época, com a religião em pano de fundo. Nada de estranhar, num tempo anterior à eclosão da ciência. De estranhar é gente inteligente e do século XXI continuar a socorrer-se desses textos para nortear a sua vida.

Mais interessante é a fé cega de tanta gente em algo escrito por homens comuns. Sim, a Bíblia foi escrita por homens como os outros, com a diferença de espalharem aos quatro ventos que deus falava com eles.

Mas alguém me explica, por favor, porque é que os que acreditam de olhos fechados nesses tipos são os mesmos que gozam com a Alexandra Solnado, quando a mulher publica um livro a relatar os seus diálogos com Jesus? Que justificação há para crer que uns falam com deus e que outros são esquizofrénicos?

A fé não é motivo para orgulhos. Ter fé no que está na Bíblia e chamar malucos aos que hoje dizem ouvir a voz de deus é ter dois pesos e duas medidas sobre assuntos exactamente iguais. E, se querem que vos diga, até preferia que acreditassem mais nas palavras da Alexandra Solnado. Pelo menos o deus dela não faz mal a ninguém.

 

Via Visão



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Segunda-feira, 05.07.10

A igreja não vive só de avé marias

 

Gianluigi Nuzzi era jornalista na revista italiana "Panorama" quando lhe foram parar às mãos duas malas com cinco mil documentos sobre as actividades "nada santas" do Instituto para Obras Religiosas (IOR), mais conhecido como banco do Vaticano, entre as décadas de 1970 e 90. O amontoado de papéis incluía extractos bancários, cartas secretas, relatórios confidenciais, balanços sigilosos e, durante 20 anos, foi cuidadosamente compilado por monsenhor Renato Dardozzi, conselheiro do IOR desde 1974 até ao final de 1990. Antes de morrer, Dardozzi deixou uma exigência no testamento: o arquivo que construíra em segredo deveria ser tornado público. "Para que todos saibam o que aconteceu", garante Gianluigi Nuzzi. 

Os documentos deram origem ao livro "Vaticano SA" (Editorial Presença). Uma primeira advertência para os mais cépticos e pouco dados a teorias da conspiração: "Não é um livro contra o Vaticano, mas relata actos de homens que gozaram de uma confiança mal depositada", explica Gianluigi, que até admite ser baptizado, apesar de não ser católico praticante. "Tenho o problema que aflige todos os filósofos. Se o ser humano é um relógio, quem é o relojoeiro? Estou numa fase em que me interrogo sobre a fé", confessa. O investigador, que interrompe a entrevista como i para ir buscar uma cerveja, fica desconfortável quando tem de falar de si próprio, mas entusiasma-se quando se lhe pede para explicar os complexos esquemas que o Vaticano escondeu durante mais de 30 anos.

Uma Igreja nada santa Não é uma história. São vários enredos, que incluem mortes misteriosas, silêncios, suspense, muitos pecados e demasiadas omissões. "No Vaticano a verdade nunca é uma só. Muito menos quando se trata de números", garante. 

O arquivo de Dardozzi permite reconstituir a existência, no IOR, de contas da máfia - por exemplo de Vito Ciancimino, condenado por ligações à Cosa Nostra e à máfia siciliana. O Vaticano terá tentado, também, financiar a criação de um novo partido político. Até os donativos dos fiéis para serem rezadas missas pelos defuntos seriam usados para outros fins. Tudo com base num sistema de contas encriptadas. 

"Eram abertas em nome de fundações que não existiam, como 'fundo para a leucemia' ou 'fundo para as crianças pobres'", recorda Gianluigi Nuzzi. Essas contas eram identificadas apenas por códigos numéricos, que conduziam aos pseudónimos dos seus titulares, como "Roma", "Ancona" ou "Omissis" - este último remeteria para Giulio Andreotti, primeiro-ministro de Itália por sete vezes, pelo partido democrata-cristão. "Ainda hoje não se sabe ao certo quanto dinheiro terá passado por estas contas, mas no mínimo entre 276 a 300 milhões de euros." 

Em Fevereiro de 1992 arranca, em Itália, a operação "Mãos Limpas", que tem como alvo os políticos da primeira república, depois do escândalo do megassuborno Enimont. E é aqui que os magistrados percebem "que boa parte do dinheiro tinha passado pelo banco do Vaticano e era depois depositado em contas no estrangeiro". O esquema era possível graças ao estatuto e aos acordos com o Estado italiano que ainda hoje permitem ao IOR "um modo de operação bancária offshore". O banco também goza de uma administração autónoma na Santa Sé; os seus dirigentes não podem ser interrogados, processados ou presos em Itália. O Vaticano pode até nem responder às rogatórias da justiça, se assim o entender. "Apesar de já ter sido assinada uma convenção monetária entre o Vaticano e a União Europeia que obrigará a Santa Sé, a partir de Janeiro de 2011, a adequar as suas normas às do espaço comunitário no que diz respeito à lavagem de dinheiro", adianta o jornalista. 

O arquivo de Dardozzi permite também perceber que João Paulo II "foi informado das irregularidades em 1992 e nada fez". E que o Papa tem direito a um fundo pessoal e confidencial que escapa aos balanços oficiais que a Santa Sé apresenta todos os anos. Só em 1993, João Paulo II terá arrecadado 121,3 milhões de euros. Até agora, o Vaticano não se pronunciou sobre este livro polémico que já está traduzido em oito países.

 

Via ionline



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Sexta-feira, 02.07.10

A posição da Igreja em relação à homossexualidade e ao casamento entre pessoas do mesmo sexo deve ser alvo de reflexão tanto por parte da instituição católica como por parte da sociedade, defende Clarisse Canha.

 

A discriminação, o preconceito e a homofobia podem derivar de uma ideia mal formada, isto é, os homossexuais e as lésbicas são pessoas como todas as outras...
Posso falar a partir da minha experiência e da UMAR-Açores, principalmente dos contactos que estabelecemos nas acções de formação junto de jovens e mulheres. Há, por exemplo, jovens que questionam até que ponto a aparência de uma pessoa pode revelar se é ou não heterossexual. O que nós transmitimos é que não se pode definir nem julgar uma pessoa pela aparência. O facto de ser ou não heterossexual tem a ver com a escolha, a orientação, o gosto, a atracção e não com melhores ou piores qualidades. Com os/as jovens tem sido mais fácil desconstruir preconceitos. Lembro, num debate que promovemos com mulheres, que uma delas colocou a questão num outro campo, que passa por uma homo- fobia mais atroz, e que se prende com o facto de um homossexual ter arranjado um compa- nheiro do mesmo sexo sendo que o mesmo foi penalizado pela censura social. Essa mulher disse que iria compreender esta situação e esta declaração teve um eco positivo no grupo. Experiências desse género levam-me a crer que estamos perante uma evolução, mas ainda no patamar do conhecer directo e isso às vezes é traiçoeiro.

 

As pessoas podem até reconhecer o direito à identidade e orientação sexual, mas num contacto directo a reacção poderá não ser a mesma...
Lembro-me por exemplo de outras situações concretas de jovens, há 20 anos atrás, que assumiram uma relação homossexual e cujos pais os colocaram de parte. Passado algum tempo, o pai e a mãe vieram a compreender, mas sofreram muito e penso que esta é também uma questão de fundo. A homofobia é algo que deve ser combatido porque, para além de tudo, faz sofrer as pessoas. A primeira pessoa a sofrer é a própria vítima da homofobia. Sei que, por exemplo, em determinados países há experiências de trabalho social no sentido de conhecer o impacto da homofobia na saúde das pessoas. E às vezes esse impacto leva a que muitos recalquem sentimentos. E pode até não se tratar apenas da homossexualidade, mas também a forma de vestir ou de andar. Parece-me, por isso, que a desconstrução do preconceito é muito importante.

 

Numa outra perspectiva, há pessoas que se deslocam à UMAR-Açores para pedir algum tipo de aconselhamento?
Já aconteceram alguns casos, nomeadamente duas pessoas do mesmo sexo que queriam fazer uma vida comum e que esbarram em problemas legais. Neste aspecto, a alteração da lei foi um grande avanço. O facto de ter sido legalizado o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo tem, a meu ver, dois efeitos: o efeito legal de direito e o efeito de discussão pública. Este último esbarra com muito preconceito e muita homofobia, mas faz parte do processo e por muito que possa desagradar a quem gosta ou a quem não gosta de discutir, faz parte desta caminhada. Aquando da visita do Santo Padre a Portugal, ficou a mensagem de que a Igreja é contra duas questões: a despenalização do aborto e o casamento entre as pessoas do mesmo sexo, duas conquistas recentes de Portugal. E sobre isso também deve haver debate público porque as pessoas, no campo da sua religião, continuam a ser pessoas que lidam com a vida, com a realidade, a sua própria realidade. É importante que a sociedade discuta essa atitude ou orientação da Igreja, confrontando-a com a vida e com a realidade. A experiência diz-nos que a Igreja não tem, muitas vezes, ido à frente dos avanços da sociedade. Tem ido atrás e é pena porque isso tem prejudicado a sociedade. Espero que em relação a esta área dos direitos e identidade que a Igreja venha a reflectir em breve.


ISABEL ALVES COELHO
isabelcoelho77@hotmail.com

 

Via Expresso da Nove




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Quarta-feira, 30.06.10

Eles passaram pela Sé de Lisboa para as fotografias

 

Fernando Correia, 54 anos, travesti de profissão, sempre sonhou casar vestido de noiva. Hoje concretizou parte da fantasia ao chegar à Sé de Lisboa num vestido branco marfim, mas casamento só na próxima semana e no civil.

“O meu sonho sempre foi casar vestida de noiva e até à data não tinha encontrado a pessoa certa”, confessou à chegada ao largo da Sé, onde reuniu 20 amigos para as fotografias e a festa que se seguiu num restaurante.

Apesar de não ter conseguido formalizar hoje a união, fez questão de reunir os amigos naquele local por fazer um ano que conheceu o companheiro e se tratar do lugar onde casaram as noivas de Santo António, explicou.

Fernando Correia conheceu Fernando Fonseca, 32 anos, em Santa Apolónia. Trocaram olhares, tomaram um café e combinaram um jantar, que os juntou até hoje.

“Foi um jantar maravilhoso e vivemos juntos desde esse dia”, conta 'a noiva', garantindo ter encontrado o homem da sua vida.

“É um homem a sério, não fuma, não bebe, é trabalhador”, diz.

Neste 'enlace', a 'noiva' chegou primeiro, de táxi, e acompanhada pela madrinha, que apresentou como fadista.

Habituado ao mundo do espetáculo, não se esquivou às objetivas e às perguntas dos jornalistas, com quem partilhou pormenores da relação com aquele a que já chama “marido”.

“Tive o prazer de trabalhar sempre como travesti profissional. Tenho um guarda-roupa que é a inveja de todas as bichas de Lisboa”, afirma, enquanto mostra, orgulhoso, o vestido cai-cai e se equilibra nas sandálias douradas de salto alto no irregular piso de paralelepípedos às portas da catedral de Lisboa.

Fernando aguarda ainda pela confirmação do dia em que poderá casar com Fernando no 7.º Cartório: “Espero que seja esta semana. Tenho muitos espetáculos marcados para o estrangeiro”.

Embora mais reservado, o companheiro também não hesita em dizer que este é o seu dia. “Conheci bem a pessoa. Gosto muito de estar com ela”, afirma, lamentando que os pais não aceitem a relação.

“Eu vivo para ela e ela vive para mim”, afiança Fernando, empregado numa empresa de limpezas.

Entre os convidados, apenas os amigos aceitaram partilhar com eles este dia, que quiseram registar em fotografias também no Parque Eduardo VII.

Antes, a 'noiva' foi ainda à Igreja de Santo António, por entre os olhares de quem passava e a curiosidade dos turistas, que levaram para casa mais uma inesperada recordação da visita à velha capital.

 

Via Ionline



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Segunda-feira, 28.06.10

Azul. Profundamente azul. Daquele que voa. Rosa. Femininamente rosa. Daquele que choca. Negro. Lusitanamente negro. Daquele que oculta. Creme. Serenamente creme. Daquele que ora. São as cores dos véus das portuguesas que se tapam pelo Islão.

Convertidas ou já nascidas no seio desta religião, elas decidiram a certa altura que só mostrariam os seus corpos a quem quisessem. Acusadas pela sociedade ocidental de se terem convertido em símbolos da submissão, batalham diariamente para professar a sua fé. Escondem-se nos quartos, enfiam os lenços para o fundo das malas. Ousam-se nos transportes públicos. Sem um fio de cabelo à mostra. Mas dando a cara pela fé que abraçaram.

Karimah, a generosa

 

Se olhar pela janela, vejo o cemitério do Alto de São João. Mas se olhar para dentro daquela casa em Lisboa, descubro o sol de Marrocos. As paredes estão pintadas com cores quentes, o chão coberto com pequenos tapetes também coloridos. Lá reina a suave Karimah, que atende por Vera Soares quando quem chama são não-islâmicos.

O véu de Karimah é azul, fino e transparente. Por baixo, tem uma fita que disciplina qualquer fio de cabelo mais impertinente. No quarto, ao lado da cama e em baixo do espelho, tem um cesto de vime, cheio de véus e lenços, de várias cores. Compra-os em lojas de pronto-a-vestir, são feitos por uma amiga da mãe, são comprados às "irmãs" ou oferecidos e, neste caso, vieram de Marrocos, do Dubai e da Tunísia.

Varia tons e texturas. Só não prescinde daquilo que já não é um adereço, é parte dela. "O lenço é a minha roupa. Sem ele, sinto-me despida! Em relação à minha personalidade, fico mais confiante e, em relação ao meu comportamento, com maior responsabilidade. Porque, ao sair de lenço, não estou a dar a cara só por mim, mas por uma comunidade. Sei que tudo o que faço é controlado e, à pequena falha, as pessoas aproveitam logo. Não vão apontar o dedo e dizer 'aquela mulher, isso ou aquilo', mas sim 'aquela gente, assim ou assado'...", afirma.

Artista plástica, é ela que decora os cantinhos daquele ninho. Aos 30 anos, as mãos redondinhas afagam repetidamente a barriga de cinco meses de gravidez. Quando o bebé nascer, Karimah descobrirá o sexo da criança. Não tem pressa nem curiosidade. Deus já sabe, e é quanto basta. Mais importante será soprar-lhe a oração corânica, ainda na sala de partos. Assim manda a tradição de uma religião que permite o aborto até que a gravidez complete 120 dias. Depois não, que a alma já foi soprada para aquele novo corpo. Mas esta questão não se coloca para Karimah. O bebé é desejado por ela e pelo marido, um músico marroquino.

Naquele dia, em que conta baixinho a sua história, temperada pela timidez de quem se abre, Karimah explica que nasceu numa família católica não praticante. Foi baptizada e fez a primeira comunhão. Mas foi perdendo o gosto pelas idas à igreja, porque se cansou de ouvir "as conversas maledicentes" dos crentes da Foz do Arelho, onde vivia na altura. A sua ligação à transcendência passava por outros caminhos. "Tinha muito preconceito em usar a palavra Deus", explica. Gostava de olhar o céu, ouvir os pássaros. Não precisava de um templo.

Passou por uma adolescência difícil, desintegrada. Preferia ficar em casa. "Sempre achei muito bonito o papel da mulher como alicerce da família", sussurra, enquanto lembra um tempo em que era "completamente ignorante do Islão". Veio para Lisboa com a ideia de abrir uma loja de artesanato. Não era fácil e, para juntar dinheiro, começou a trabalhar numa cooperativa cultural. Lavava a loiça, apanhava os copos sobre a mesa.

O lugar era frequentado por alguns muçulmanos que tocavam num grupo musical marroquino. Fez um amigo que lhe foi explicando os nós que compõem o tecido da fé islâmica. Dali foi um passo até começar a ter aulas de árabe na mesquita central de Lisboa. Deram-lhe um Alcorão em português. Foi-se deixando fascinar e começou a estudar: "Percebi que aquela religião ia ao encontro do que eu sou. Lia o Livro Sagrado e chorava, sem saber porquê."

Este amigo disse-lhe, e ela nunca esqueceu: "Segue o Islão, não os muçulmanos." Assim tem sido e há-de ser. Tanto que, depois de convertida, se casou com um dos músicos marroquinos. Não aquele que a apresentou ao Islão. "Sempre tive muita vontade de ir a Marrocos. Nunca fui até lá, mas Marrocos veio até mim, mas de maneira nenhuma me converti por causa dele!", garante.

A conversão de Karimah aconteceu em Julho de 2008. O casamento veio mais tarde. "Pedi ao xeque: quero ser muçulmana! Arrepia-me ver a fé daquelas pessoas. Que força as move a rezar?", pergunta, como quem ainda constrói a sua própria identidade religiosa. "Dias antes da conversão, já saía de véu e ia toda feliz pela rua", diz Karimah, ainda a sorrir. Mas não foi fácil. Como no dia em que um homem entra no metro e, ao vê-la toda coberta, beija ostensivamente uma medalha de Fátima, a mãe do Deus cristão, que tem o mesmo nome da filha do Profeta. Ou como no dia em que, também no metro, uma mulher, já com alguma idade, lhe pergunta: "É católica?" Perante a resposta afirmativa de Karimah, explode em resposta: "Então, há-de morrer católica!"

"As mulheres não-muçulmanas são piores para as convertidas que se cobrem com o véu. Nós fazemos-lhes muita comichão. Acham que somos submissas, não conseguem compreender que optámos", ri-se Karimah, com o à-vontade de quem já não se deixa magoar.

Hanifa, a monoteísta mais jovem

 

Não pode usar o seu nome cristão porque ainda não se assumiu perante a família. Aqui será apenas Hanifa Ruqayya, a monoteísta, filha do Profeta. Uma talibã para o xeque Munir, imã da mesquita central de Lisboa, que assim a trata num encontro de corredor. Perante o frisson que causa a palavra maldita entre os presentes, o xeque explica e tranquiliza: "Talibã é apenas estudante." E ela é uma estudiosa.

Converteu-se em Dezembro de 2009. Cresceu Testemunha de Jeová, mas aos 18 anos começou a ser assaltada por dúvidas. "Sentia que havia incoerência entre as normas e os comportamentos dos crentes", explica. A insatisfação cresceu: "Sentia que não podia pensar pela minha cabeça." Foi o início de um processo solitário. Hanifa deixou de acreditar em religiões, embora "sempre tenha acreditado em Deus". Começou a estudar todas as crenças. Foram três anos de duro questionamento. E então chegou ao Islão.

A certa altura, saiu de Portugal para se aperfeiçoar profissionalmente e, num país europeu que pede para não identificar, para que não a possam reconhecer, encontra uma vasta comunidade muçulmana. "Fui bem acolhida e fiquei muito impressionada com a modéstia das mulheres e com a religiosidade dos homens. Senti paz, nunca submissão, e aquela era uma imagem desejável para mim", explica.

O YouTube abriu-lhe a porta do Islão. Entrou para um fórum da comunidade islâmica na Internet, contou a sua história e recebeu um convite para assistir às aulas do xeque Zabir. Um fórum de discussão do Islão, aberto a quem quiser participar, aos sábados à tarde, na mesquita central da capital.

Hanifa não se assume porque diz que, se o fizesse, "sofreria represálias". Mas nada a impede de orar, à porta fechada, no quarto da casa dos pais, onde ainda vive aos 22 anos. O véu traz-lhe "segurança". Sem ele, sente "falta de poder, vergonha". "Sou eu que quero decidir que exposição dou à minha imagem", explica. Afinal, a falta do véu é "um incómodo", conclui. Na mesquita, sente-se em casa. Usa o véu. E questiona: "Uma freira usa o véu por opção religiosa, porque é que com as muçulmanas não pode ser o mesmo?"

"Ao usar o véu tenho descoberto que sou muito mais forte do que pensava ser. O conceito de hijab é mais do que um lenço na cabeça, é uma atitude. É um lembrete físico e uma grande ajuda para cultivar a modéstia e a paciência", afirma. Os seus véus são escolhidos "de acordo com necessidades práticas de cada estação, de tecidos respiráveis, confortáveis". Prefere as cores neutras, "como creme, preto ou branco, conjugados com toucas e fitas de cores diferentes".

E Hanifa levanta a ponta da tradição que abraçou: "O hijab esconde a awrah feminina, sendo este termo o conceito islâmico de áreas privadas a serem protegidas dos olhares dos homens que não são da família e que compreendem todo o corpo, excepto mãos, cara e porventura pés." Esta regra deve ser seguida - "sem imposição, porque na fé islâmica não há compulsão" - a partir da puberdade. "Ao não mostrar os seus atributos físicos em público e deixar à mostra apenas o necessário para actividades práticas, a mulher evidencia a sua recusa em obter reconhecimento através do seu sex-appeal, deixa mais explicitamente à vista os seus tributos pessoais, ideias e capacidades, porque o véu tapa o cabelo, mas não o cérebro", defende.

Quando pensa no futuro, explica que gostava de ir viver para Inglaterra, país onde, afirma, não se sentem os olhares "de pena, gozo, curiosidade, raiva, medo ou crítica", que, diz, ainda se sentem em Portugal. "O meu maior desejo é ter liberdade para praticar a minha religião", afirma, convicta.

Maryam, apenas Maria

 

 

Maryam assume que a utilização permanente do véu em público é a sua jihab pessoal (luta interna)
Maryam assume que a utilização permanente do véu em público é a sua jihab pessoal (luta interna)

Nasceu em Vila Real, mas foi em Lisboa que se fez muçulmana. Aos 26 anos, a Maria ex-cristã, ex-surfista, licenciada em Engenharia do Ambiente, com os pés tatuados com algo que não me revela, escolheu seguir o Alcorão e tapar-se por ele. Abandonou o mar, adoptou o jejum de alimentos sólidos e líquidos durante o Ramadão. Estudou e vai partir em Agosto, por sete ou oito meses, para a Indonésia, onde pretende estudar a religião que abraçou e o idioma do país. Uma mulher de fé.

 

Foi há quatro anos que contactou com o Islão, através de um amigo que a apresentou à religião "de forma inspiradora". Cozinhou aquela fé durante dois anos. Depois foi para Inglaterra e lá os horizontes abriram-se de forma irreversível. "Conheci uma comunidade com práticas estabelecidas, e o Islão surgiu-me como uma resposta", explica. Não desembarcou em Lisboa usando o hijab, mas, antes do Ramadão de 2007, já o usava. "Quando se aceita uma religião, aceita-se as suas práticas", prostra-se. Mas a adaptação vai sendo gradual. Todos os dias, são mais uns minutos que se vai cobrindo: "É um processo contínuo, que não acaba."

A mãe era catequista. Custou-lhe ver a filha partir para outra doutrina. Mas soube aceitar. "Tenho a sorte de ter bons pais, nunca tive de esconder a minha fé da família", afirma Maria, tranquila, como só ela parece conseguir ser. Já saiu de véu, acompanhada pelos pais. Diz que não se sente nem discriminada nem objecto de atenção especial. No início, os olhares incomodavam-na mais. O certo é que "cada vez faz mais sentido usar o véu". Diz ainda que "as pessoas têm de ser educadas. Esta nunca será uma situação normal, porque não somos tantas, mas há que banalizar o uso do hijab".

Para Maryam, o véu é sinónimo de modéstia e da necessidade de dizer: "Sou muçulmana e este é o sinal." Diz que sempre lhe fez confusão "como alguém se sente na liberdade de invadir a liberdade dos outros com o olhar." Rejeita qualquer sugestão de que o uso do lenço implique alguma submissão da sua parte: "Vejo a religião de forma libertadora e, se a mulher é obrigada e não se sente bem, mais vale não usar." Sabe que essa é uma "jihad pessoal", a sua luta interna: "Está sempre presente."

Não se maquilha, não usa verniz - cria uma capa sobre as unhas, o que impediria a sua limpeza total, obrigatória para as orações diárias e para poder tocar no Livro Sagrado -, procura a modéstia e a discrição. Só tem três ou quatro véus. Não os muda todos os dias, trouxe-os todos de Inglaterra. "Para quem crê, o véu é a nossa casa. Somos o Islão", resume. E não aceita proibições: "Estamos a falar de liberdade religiosa, algo tão básico como os direitos humanos."

Aminah, a confiável e segura

 

Magra e muito alta, inquieta, será apenas Aminah, mais uma das que não se sente ainda confortável para assumir a sua conversão perante a família. Foi sozinha à mesquita pela primeira vez há três anos. Ninguém a levou. Nenhum marido impositor, nenhum familiar opressor. Foi em busca da libertação de uma fé protestante que não a preenchia.

"Queria algo que realmente me levasse à salvação", afirma, com as mãos inquietas no colo. Toda coberta de negro, com o véu muito bem atado sob o queixo. Diz que sempre foi recatada, não se revia nos comportamentos dos jovens com a sua idade, 23 anos. Começou por fazer amizade com muçulmanos na Internet, através das redes sociais: "Sempre achei que havia algo de especial no Islão."

Os conceitos de decência e modéstia atraíam-na, porque, acredita, "para adorar Deus, a pessoa deve estar despojada de vaidade". E o véu foi a "parte fácil" da conversão. Mais difícil foi separar-se dos amigos da sua crença anterior: "Éramos como uma família."

Aminah só usa o hijab na mesquita. "Não estou preparada para ter mais conflitos", afirma. Afectuosa, abraça e beija as "irmãs" carinhosamente quando as encontra. E diz que, quando se cobre, sente-se "protegida, em paz". Porque, garante, "ama o Islão de todo o coração".

Gostava de casar com um convertido e sonha ir viver para Inglaterra. É que, embora saiba que "não é por usar o véu que uma pessoa deixa de ser ocidental", gostaria de viver num país que não se assustasse tanto com a comunidade muçulmana. "A Europa é tão democrática que devia aceitar o Islão como uma religião - e não como uma cultura invasora", defende. Talvez por isso seja contra o uso da burqua ou do niqab nos países ocidentais: "Tem de haver equilíbrio, e o isolamento excessivo dá má imagem da religião. Não posso falar à sociedade de dentro de uma caixa."

Hanifa, a monoteísta mais velha

 

 

Hanifa. É com a cabeça e o colo cobertos que se sente mais confortável
Hanifa. É com a cabeça e o colo cobertos que se sente mais confortável

Não acredita no acaso. Para tudo haverá uma razão de ser, mesmo que incompreensível à partida. Tem 43 anos e sente que descobriu o seu caminho. Esta Hanifa é Cristina Almeida de baptismo. Solteira, mãe de uma rapariga de 21 anos que, uma vez por outra, já a acompanha à mesquita. Nasceu católica e foi Testemunha de Jeová. Hoje abraçou a fé islâmica e diz que já não muda.

 

As viagens a Marrocos e ao Egipto fazem parte deste percurso de revelação. A chamada para a oração marcou-a. "Mudou algo quando ouvi aquele som", afirma. Sente o véu como uma escolha íntima da mulher. Explica que "ser muçulmano significa submeter-se à vontade de Deus, aceitar o Bem e o Mal que Ele determina e saber que Ele quer o Bem, mesmo que na altura pareça ser o Mal". Começou a estudar o Islão durante o Ramadão de 2009. Achou o Alcorão "complicado" e começou a estudar a língua árabe. A 30 de Outubro do ano passado tinha-se convertido. "Fiz a minha escolha", afirma.

Só usa o véu para ir à mesquita: "Na nossa cultura, é complicado." Está desempregada. É técnica de cartografia e sabe que "usar o hijab era meio caminho para um despedimento". Por isso, aguarda. Mas diz que tem "muita vontade de usar o lenço na rua". A família sabe da sua conversão, mas tem a "certeza de que, se usasse o véu com eles, eles se ririam". E conclui de forma simples: "Não tenho estofo para usar o véu a tempo inteiro."

Reconhece que a sua vontade acaba por resultar numa contradição. Quer usar o véu para ser discreta, mas ao fazê-lo num país ocidental sabe que chama ainda mais atenção sobre si. Nunca se sentiu feia com o hijab, mas diz que os homens ocidentais não olham para uma mulher coberta. Isso, garante, não a incomoda. Dividida entre a sua vontade e a sua circunstância, Hanifa chora quando confrontada com a possibilidade de um dia ver o uso do véu proibido. "Se tal acontecesse, sairia de Portugal. Estariam a privar-me da minha liberdade." Isto porque diz ter chegado ao seu "porto de abrigo". "E daqui já não saio", conclui.

Bibi Fátima, a que se abstém do mal

 

 

Bibi Fátima será a primeira licenciada em Portugal a usar o véu a tempo inteirio
Bibi Fátima será a primeira licenciada em Portugal a usar o véu a tempo inteirio

Serena e determinada, não fala à toa. Tem os seus limites. Evita os excessos de linguagem e de revelações. É especial: foi a única muçulmana de nascença que aceitou falar sobre o uso do hijab. Especial será também, em breve, a primeira licenciada portuguesa que usa o véu em permanência. Não abre mão do que a identifica, mas recusa a exposição excessiva. É Bibi, nome que sinaliza a sua origem indiana, mas é, sobretudo, Fátima, a que leva o nome da filha de Maomé.

 

Nasceu em Moçambique há 27 anos e foi há dez que decidiu cobrir os cabelos. A mãe, também muçulmana, não o faz como ela. Cumpre apenas a tradição nas cerimónias, nos locais sagrados e durante as orações. Mas não usa o véu diariamente. Este é o caminho de Bibi Fátima.

"Comecei a sentir que fazia sentido. Comecei a usá-lo no Ramadão e, depois, já não o consegui tirar", recorda. Diz que esta decisão faz parte da liberdade individual. E afirma, olhar certeiro no interlocutor: "Sou a prova de que não somos oprimidas." Quer ser conhecida pelas suas "capacidades intelectuais, pela moralidade e não pelo aspecto físico". Ela que provavelmente não teria qualquer problema em ser aceite pela parte estética de uma mulher. Tem olhos tão especiais quanto a sua história, que vai contando de forma parcimoniosa. Há pormenores que prefere deixar para trás.

Gosta de cores escuras, véus opacos. Prefere os negros, azuis-escuros, castanhos ou grenás. Com uma fita grossa por baixo. Esconde os cabelos longos. Quem já viu diz que são bonitos os cabelos de Bibi Fátima. Estuda no Instituto Superior de Educação e Ciências, onde diz que nunca foi discriminada. Nem por colegas nem por professores. Nem pelas crianças do primeiro ano no estágio, que frequenta actualmente no Colégio Paula Frassinetti. Também já estagiou, com crianças dos 6 aos 10 anos, no ensino público e, garante, nunca foi molestada. E, avisa, não irá trabalhar para um local onde não possa usar o seu lenço: "Vai contra os meus princípios."

"Sou muçulmana e sou portuguesa e estou apenas a exteriorizar a minha devoção", afirma. Bibi Fátima não acredita na separação entre vida pessoal e profissional. É por isso que se realiza a dar aulas, mas não abre mão de querer constituir a sua família, seguindo os preceitos do Islão. Às sete da manhã, quando esta futura professora do Ensino Básico sai de casa, cobre os cabelos e só voltará a soltá-los à noite, quando voltar.

São as mulheres do Islão que falam português e vivem em Portugal. São jovens, estudam, trabalham. São devotas e fizeram a sua opção. Tapam-se e é assim que gostam de viver, garantem. Antes de se deitarem, rezam: "Deus! Não há mais divindade além d'Ele, Vivente, Subsistente, a Quem jamais alcança a inactividade ou o sono; d'Ele é quanto existe nos céus e na terra. Quem poderá interceder junto d'Ele, sem a Sua anuência? Ele conhece tanto o passado como o futuro. E eles (humanos) nada conhecem da Sua ciência senão o que Ele permite. O seu trono abrange os céus e a terra, cuja preservação não O abate, porque é o Ingente, o Altíssimo" (Alcorão, 2:255).

 

Via Expresso



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Segunda-feira, 24.05.10

Pela primeira vez em Itália, uma mulher foi hoje ordenada numa igreja do centro histórico de Roma, apenas a centenas de metros do Vaticano que, apesar de afetado por uma crise de vocações, nega o acesso das mulheres ao sacerdócio.  

Ordenada primeira sacerdotisa em Itália

A nova sacerdotisa, Maria Vittoria Longhitano, uma italiana de 35 anos, casada e mãe de duas crianças, pertence à Igreja Vetero Católica Italiana, uma pequena congregação que abandonou o catolicismo romano no século XIX e se juntou à União de Utreque, estreitamente ligada à Igreja Anglicana.

"Sem as mulheres, o catolicismo, que é sinónimo de universalidade, fica como que estropiado, porque metade da humanidade não participa na missão de Cristo", explicou à imprensa Vittoria Longhitano, que celebrará domingo em Milão a sua primeira missa.  

O bispo Fritz-Rene Muller, da União de Utreque (Holanda), ordenou-a
perante uma centena de pessoas, durante um ofício religioso de duas horas realizado na igreja anglicana de Todos os Santos (All Saints' Church), situada perto da célebre Praça de Espanha.  

Vittoria Longhitano não foi ordenada segundo o rito anglicano, mas segundo o da sua Igreja, o vetero católico.

 

Igreja Católica só aceita homens para padres e bispos

 

Para ela, o interesse do grande público e dos media pela sua ordenação demonstra que "as Igrejas cristãs e a Igreja Católica Romana em Itália dispõem de apoio popular para aceitar o sacerdócio das mulheres".  

A Igreja Católica só aceita homens para seus padres e bispos, justificando que foi essa a prática instaurada por Cristo, que escolheu como seus apóstolos 12 homens.  

Em 1984, a decisão da Igreja Anglicana de abrir o sacerdócio às mulheres constituiu um motivo de fricção entre as duas Igrejas e em julho de 2008, o Vaticano criticou a adoção pela Igreja de Inglaterra do princípio da ordenação de mulheres bispos.  

O Vaticano classificou-a como um "contratempo para a tradição apostólica mantida por todas as Igrejas do primeiro milénio" e um "obstáculo à reconciliação" entre as duas Igrejas.

 

Via Expresso



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Sábado, 15.05.10

 

75 milhões de euros foi o que custou o circo todo... mas não há problema, agora aumenta-se o IVA e o IRS...e o pagode paga.... que falta de vergonha....

 



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Sexta-feira, 14.05.10

Em Fátima pequei por ti

 

A casa fica perdida numa das estradas secundárias de acesso a Fátima. Por estes dias, a terra afamada pelas aparições está a rebentar pelas costuras. E aqui, no lugar onde nos encontramos, a meia dúzia de quilómetros do centro da cidade, os espaços para estacionar também se esgotaram. Enquanto o Papa Bento XVI celebra a missa para centenas de milhares de fiéis, há quem esteja de peregrinação a outro "santuário". Homens para quem a fé veste saia curta com botas altas, usa pestanas falsas e fala com sotaque. 

É um dos bares mais antigos e bem conhecido dos habitantes de Fátima. Quem o visita diz ser "um sítio como outro qualquer". "Bebe-se um copo e fala-se com uma miúda. O resto depende da tua sorte", avança a custo o proprietário. Explicamos que estamos a fazer um roteiro de Fátima alternativo. Primeiro ao homem que está na porta, depois ao dono. Nem um nem outro quer falar. Os jornalistas não são bem-vindos aqui. "A maior parte dos clientes gosta de ter a sua privacidade", emenda o dono. Ainda assim, convida-nos a ver o espaço. 

Lá dentro, num ambiente escuro, oito mulheres estão sentadas nas mesas da entrada. Há um pequeno palco com um varão de striptease e umas cortinas escuras que dão para uma sala discreta ao fundo da pista. "Para tomar um copo mais íntimo", explica o dono. As mulheres, quase todas de nacionalidade estrangeira, observam os homens de cima a baixo e fazem permanentes investidas de sedução, antes de avançarem com conversa. 

"O negócio não anda bem para estes lados, a clientela escasseia", queixa-se uma delas, brasileira, depois da nega de um cliente para lhe oferecer um copo. Hoje, porém, é um dia excepcional: com tantos forasteiros na cidade, há novos clientes encostados ao balcão. Uma raridade, garante o dono. "A maior parte costumam ser pessoas conhecidas", diz enquanto faz contas às caras familiares. "Hoje não conheço praticamente ninguém." Apesar dos motivos da peregrinação não se compadecerem com visitas a casas de alterne, há quem procure este tipo de diversão nos intervalos da fé. "Olhe que até padres nos visitam." 

Copos e campismo Os caminhos da fé, já se sabe, não são linhas rectas. Pertencem ao homem, com todas as imperfeições inerentes à condição humana. Uma premissa que não conhece excepções. "Fátima é uma terra como outra qualquer", atira um comerciante em plena rua. Neste caso, o "outra qualquer" surge para justificar os passos de quem visita a terra santa de carteira recheada e fé enviesada. Entre visitas ao santuário e à nova igreja, há quem goste de se sentar num bar para beber copos e embalar a crença. O sacrifício fica reservado para a noite, no desconforto das tendas.

Sentados numa esplanada do centro da cidade, um grupo de dez homens recupera o fôlego de uma caminhada desde Viseu até à terra santa. Os helicópteros militares que sobrevoam a cidade anunciam a chegada do Papa, mas aqui a discussão é outra: futebol. O dono do restaurante personifica bem a alma dividida destes homens de fé: tal como eles, usa um lenço verde celestial ao pescoço alusivo à visita de Bento XVI, e no peito uma camisola Jesus, o treinador do Benfica, elevado a santo pelas magias do photoshop aplicadas numa t-shirt.

"Ver o Papa?", pergunta ao telefone um dos peregrinos. "Ainda tenho meio metro de cerveja para beber." Pode até soar a exagero, mas, aqui, as cervejas - chamadas imperial à Benfica - são servidas em copos altos, com mais de 40 centímetros de altura. E se as rodadas sucessivas que vêm para a mesa não forem suficientes, na carrinha destes peregrinos há álcool de sobra para os próximos dias: "Cada um trouxe dois garrafões de vinho", garante. A noite adivinha-se longa. 

Há qualquer coisa de festival de Verão na visita do Papa a Fátima. Um metro quadrado de terreno é suficiente para montar a tenda e assegurar dormida para os próximos dias. Filipe Sousa, 20 anos, veio desde Espinho numa excursão. Uma viagem que ele e os amigos repetem todos anos por altura do 13 de Maio. Fomos encontrá-lo à tarde, enquanto decorria a primeira missa do Papa no santuário, numa tenda do parque 12. Chegou esta madrugada e aproveita agora para descansar. "Para a procissão das velas?", perguntamos. A resposta veio em tom de vacilo: "Também, mas principalmente para a festa de logo à noite, no parque", confessa. 

Apesar de não se ouvirem djambés ou cânticos tribais - aqui apenas se escuta música religiosa - é frequente os grupos mais jovens se juntarem à noite para confraternizar. Com todos os excessos que confraternizar implica: "O Papa perdoa", brinca outro jovem do grupo, desculpando-se com uma "fuga ao dia-a-dia" e uma forma de se divertir. "Essencialmente, queremos curtir", atalha o amigo Filipe. Será que Deus o perdoa?

 

Via ionline



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Quinta-feira, 13.05.10

Maria beija a mão do demo.. o paspalvo olha

 

Eu sei.
Sei da menina de Olinda, de nove anos e trinta quilos, reiteradamente violada pelo padrasto, grávida de gémeos.
Sei do empenho posto pela Igreja para tentar impedir o aborto, apesar de a criança correr grave perigo de vida. Os médicos e a mãe foram excomungados. O violador foi apenas censurado.
Eu sei.
Sei dos 498 padres espanhóis que beatificaste, e sei que ao fazê-lo passavas enternecidamente as mãos pelo lombo do franquismo e emprestavas oxigénio à direita, que agora se prepara para crucificar Baltazar Garzón.
Eu sei.
Sei do levantamento da excomunhão a Williamson, bispo negacionista, branqueador do nazismo, "compagnon" de todos os que, todos dias, tentam embargar, vilipendiar, encapotar, uma das páginas mais vergonhosas da História da humanidade.
Eu sei.
Sei dos discursos homofóbicos e da condenação do divórcio, como se o céu só se ganhasse se se frequentasse o Inferno na terra; como se a graça só se alcançasse através da dor e sofrimento, prescindindo-se da vida.
Eu sei.
Sei do silêncio, da ocultação, da cumplicidade, da indiferença e, sobretudo, da crueldade de todos os crimes perpetrados por múltiplos e variados membros da Igreja.
Sei do encobrimento das denúncias das perversidades, pressinto a gritaria calada de todas as vítimas a estourar de aflição em noites de insónias, intuo o peso das memórias fantasmas que insistem em colar-se à pele.
Eu sei. Sabemos todos.
Mesmo aqueles e aquelas que se passeiam no glamour das recepções papais, e antes se passearam no glamour das recepções oficiais a abarrotar de cultura laica.
Todos sabemos de tudo, sendo que o tudo é demasiado grave para que tudo se esqueça. Principalmente nestes dias em que a crise parece adiada e os católicos parecem anjos imaculados.
Alice Brito



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Batota

 

Via Portal ateu



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Sexta-feira, 16.04.10

Será um vibradorSerá um vibrador?.. uma santinha.. um obséquio para o papa?

 

Por uns módicos 178 Euros...   hummmm aposto que não adivinham o que isto é?

 

Se tem dúvidas confira aqui:http://www.atlantis.pt/detail.aspx/Ndot;Sdot;%20Fátima/6528/



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Segunda-feira, 12.04.10

Ele quer prender o papa

 

Richard Dawkins, o militante ateu, está a planear uma emboscada legal para que o Papa Bento XVI seja detido por “crimes contra a Humanidade” durante a sua visita ao Reino Unido.
Para o efeito, o autor já consultou uma série de advogados de direitos humanos para que seja aberto um processo contra Ratzinger sobre o alegado encobrimento de centenas de crimes sexuais dentro da Igreja Católica. 
O escritor acredita que o Papa não poderá invocar imunidade diplomática contra um eventual mandato de detenção, na medida em que ele não é um chefe de estado reconhecido pelas Nações Unidas.
Dawkins, autor de “A Desilusão de Deis”, acusa o Santo Padre de encobrir de forma descarada o abuso sexual de menores dentro da comunidade católica: “Quando os seus sacerdotes são apanhados decalcas na mão, o instinto deste homem é encobri-los e evitar escândalos. E depois que se lixem as vítimas”.

 

Via ionline



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Quinta-feira, 08.04.10

Bispo Norueguês confessa ter abusado de criança há 20 anos

 

Georg Mueller, bispo de Trondheim, que se demitiu no ano passado do cargo, admitiu ter abusado sexualmente de um menor, há 20 anos, anunciou hoje a Igreja Católica da Noruega. Georg Mueller, de origem alemã, tinha abandonado o posto em junho passado, alegadamente devido a problemas de cooperação com a comunidade.

Este é o primeiro caso confirmado de abuso sexual cometido por um responsável da Igreja católica da Noruega, país de maioria protestante.

"A Igreja católica norueguesa está em estado de choque depois de o bispo (Georg) Mueller de Trondheim (sul) se ter confessado culpado de abuso sexual contra um menor e ter admitido ter sido essa a razão do afastamento das suas funções, no ano passado", refere um comunicado.

"Em primeiro lugar, quero expressar a minha compaixão para com a vítima e a vergonha, por parte da Igreja, frisando, contudo, que Mueller atuou contra todas as orientações e juramentos que proferiu", afirma, no mesmo comunicado, o atual bispo de bispo de Trondheim e Oslo, Bernt Eidsvig.

Vaticano sabia deste caso

 

Segundo o diário norueguês "Adresseavisen", que denunciou este caso, o episódio de abuso sexual ocorreu há 20 anos. A vítima tem hoje 30 anos.

O Vaticano conhecia os factos desde janeiro de 2009, mas os pormenores não foram revelados "a pedido da vítima", acrescentou a Igreja aatólica norueguesa.

Georg Mueller, ordenado padre em 1978 e bispo de Trondheim entre 1997 e 2009, admitiu ter abusado sexualmente da criança, mas garantiu que não houve mais vítimas, segundo a Igreja.

 

Via Expresso



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Segunda-feira, 29.03.10

Quando era arcebispo de Munique, Joseph Ratzinger acompanhou o caso do padre pedófilo na Alemanha mais de perto do que se pensava, diz o “New York Times. Ratzinger recebeu um duplicado de um memorando dizendo que o padre, que acabaria por ser condenado por molestar menores numa outra paróquia e que tinha sido submetido a psicoterapia para ultrapassar o seu problema de pedofilia, voltaria ao trabalho pastoral dias depois de ter iniciado o tratamento.

 

Via Arrastão



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Sexta-feira, 12.03.10

 Três padres de um mosteiro no Norte da Áustria foram demitidos após terem sido acusados de abusos sexuais a alunos na década de 80, tendo o diário Der Standard indicado que as vítimas integravam o coro dos Pequenos Cantores de Viena.

O caso surge após outras demissões e suspensões de vários religiosos, na sequência de uma série de revelações sobre abusos sexuais, desde 09 de março na Áustria.

Os três religiosos, um dos quais reconheceu os factos, foram afastados das suas funções após acusações de abusos físicos e sexuais sobre cinco crianças, declarou hoje à imprensa o abade Ambros Ebhart, do mosteiro de Kremsmünster.

Além disso, o diário Der Standard traz, na sua edição de sexta feira, os testemunhos de dois antigos membros do coro, um cirurgião de Berlim de 33 anos e um psicólogo de Munique de 51 anos, que afirmam ter sido abusados, um por um educador nos anos 80 e o outro por um responsável do coro entre 1966 e 1970.

Terça-feira, um austríaco de 53 anos tinha declarado à rádio ter sido abusado por três religiosos quando era criança e apontou um dos abusadores, entretanto chefe do mosteiro de Salzburgo, levando-o a demitir-se.

Um dia depois, um padre de 74 anos foi suspenso devido a abusos sobre alunos num internato católico de Vorarlberg entre 1970 e 1982.

De acordo com o atual diretor da escola, o assunto foi silenciado na altura, tendo o padre sido enviado para outro estabelecimento e forçado a seguir uma terapia.

Entretanto, outro eclesiástico, que teria abusado de cerca de 20 crianças em Styrie, nos anos 70 e 80, demitiu-se na quarta feira.

As diferentes dioceses austríacas indicaram hoje ter havido um salto no número de situações denunciadas desde a semana passada, embora nem todos os casos incluam necessariamente abusos sexuais e tenham de ser confirmados.

Revelaram ainda temer o afastamento de mais católicos da Igreja, pois o número de praticantes já é baixo.

As autoridades religiosas austríacas pediram hoje desculpa às vítimas, afirmando-se chocadas com o número de casos divulgados em tão pouco tempo.

Na quarta feira, o cardeal-arcebispo de Viena, Christoph Schönborn, apelou ao exame das causas que podem levar a atos pedófilos por parte dos religiosos.

Via Ionline



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Sábado, 06.03.10

Há sexo no vaticano

 

 

É depois é olhar para eles a encher o peito de ar e a clamar contra o casamento homossexual.... tanta hipocricia disfarçada de religião

 

Vejam a seguinte noticia do  ionline

 

Um dos assessores de elite do Vaticano foi afastado do cargo nesta semana devido ao alegado envolvimento num escândalo sexual. A polícia gravou um telefonema de Angelo Balducci no qual este requisitava serviços de prostituição homossexual a um dos elementos do coro do Vaticano, Thomas Ehiem, que também foi suspenso.

A situação foi descoberta por acaso, uma vez que o telefone de Balducci estava a ser escutado a propósito de uma investigação de corrupção que nada tinha a ver com o Vaticano. O caso teve forte eco na imprensa italiana, que afirma que o Papa Bento XVI já tem conhecimento da situação.

 

Balducci tinha um cargo de responsabilidade no Vaticano. Era ele que acompanhava, por exemplo, os chefes de Estado.




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Domingo, 28.02.10

Padre cobrava 50 Euros por 15 minutos de sexo

Toledo está em choque com a notícia de um padre de 27 anos que confessou ter roubado a sua paróquia em 17 mil euros para gastar em linhas eróticas e páginas de Internet de conteúdo pornográfico. Além disso, oferecia serviços sexuais na Internet e frequentava bordéis.

De acordo com o site ’20 Minutos’, o pároco de Noez e Totanés foi suspenso na sequência do escândalo sexual, um ano depois de ter entrado em funções.

Segundo as autoridades, o sacerdote oferecia o corpo na web e prestava-se a tudo, menos ao sadomasoquismo, cobrando 50 euros por 15 minutos de sexo. No seu anúncio referia ser “bem dotado” e dava nota de que o seu órgão sexual media 15 centímetros.

A vizinhança não esconde o desconforto com o sucedido, até porque há dinheiro em falta na paróquia, algum do qual doado pelos fiéis para ajudar as vítimas do terramoto do Haiti.

Segundo testemunhas, o padre aparecia todos os sábados na missa e mostrava simpatia nos seus discursos. Os seus familiares encontram-se “muito mal” desde que a notícia foi revelada.

 

Via Correio da manhã



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Domingo, 21.02.10

Elton John:Jesus Cristo era Gay

 

O cantor Elton John afirmou, em entrevista à revista “Parade",  que Jesus Cristo era “gay” e “super inteligente”.

“Penso que Jesus era um gay compassivo e super inteligente, que percebia os problemas da humanidade”, disse o cantor homossexual de 62 anos.  
O autor de "Nikita" também comenta a atitude do fundador da igreja católica perante a vida e a posição de outras religiões em relação à homossexualidade: ”Na cruz, ele (Jesus) perdoou aqueles que o crucificaram. Jesus queria que nos amássemos e nos perdoássemos. Não sei o que torna as pessoas tão cruéis. Tente ser uma lésbica no Médio Oriente… é morta”.  
O cantor britânico explicou ainda por que é que acha que a fama perdeu o brilho: “A Princesa Diana, Versace, John  Lennon, Michael Jacson, todos morreram. Dois deles foram baleados fora de suas casas”

 

Via Ionline



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Quarta-feira, 13.01.10

os pecados da carne 

 

Via Boulevard of broken dreams



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Sábado, 26.12.09

Susana Maiolo, a mulher que empurrou o papa

Um clube de fãs da jovem que agrediu o Papa Bento XVI ao início da missa da meia-noite, no Vaticano, constitui-se hoje no site de socialização Facebook, provocando a indignação de políticos italianos.

O site "Susana Maiolo Fans Club" com o nome da ítalo-suíça de 25 anos aparentemente desequilibrada que rompeu quinta-feira à noite as barreiras de segurança para se aproximar do Papa e tombá-lo, juntou mais de 150 pessoas até esta tarde.

Os comentários são geralmente irónicos: um consagra-a "medalha de ouro nos Jogos Olímpicos por salto de obstáculos". Outro afirma que ela "tinha na mão uma estátua de São Pedro", referindo-se ao ataque de que foi vítima o chefe do Governo, Sílvio Berlusconi, a 13 de Dezembro, em Milão, com uma reprodução da catedral da cidade.

A iniciativa foi fortemente criticada por responsáveis políticos. Gianfranco Rotondi, ministro para a Actualização do programa do Governo, falou de "estupidez" que deve ser combatida e parada.

Um senador do partido de Berlusconi, Antonio Gentile, declarou que a constituição deste grupo "confirma a necessidade de uma intervenção legislativa". "Uma rede social não pode ser um lugar onde se celebra a violência", acrescentou.

Em Outubro, a justiça italiana abriu um inquérito após muitos apelos à morte do "Cavaliere" na Internet.

Via Ionline



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Quarta-feira, 23.12.09

Sugestão de padre:Os pobres devem roubar

 

 Um padre anglicano aconselhou os fiéis a roubar em lojas caso estejam a passar necessidades.

O padre britânico Tim Jones disse no seu sermão de domingo que as pessoas deviam roubar em grandes cadeias de lojas e não em pequenos estabelecimentos.
Para ele, a sociedade “deixa algumas pessoas sem outra opção a não ser o crime.”
"Eu não faço esta recomendação porque acho que furtar é uma coisa boa, ou porque acho que não faz mal, pois faz”, explicou, acrescentando que deixar as pessoas sem trabalho e com um apoio social inadequado “é uma insensatez monumental, catastrófica.”
Entretanto, o Arquidiácono de York esclareceu a situação: "A Igreja da Inglaterra (anglicana) não recomenda que ninguém furte”, acusando o padre Tim Jones de irresponsabilidade.
Mais tarde, em entrevista à rádio da BBC em York, Jones afirmou que sua intenção não era encorajar as pessoas ao furto, mas a “doar mais para a caridade para impedir que os necessitados fiquem desesperados.”
"Se uma pessoa esgotou todas as oportunidades dentro da lei para obter dinheiro e ainda está numa situação desesperada, a melhor coisa a fazer será tirar o que precisar e só pelo tempo que precisar", concluiu.

 

Via Ionline



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Segunda-feira, 30.11.09

 Bruno: Olá, Deus. Esta é a nossa primeira entrevista para um jornal. Estás nervoso?

Deus: Um bocadinho. Queria começar por agradecer o convite. Gosto muito de estar aqui. Eu estou em todo o lado, mas se fosse a escolher um lugar para assentar e constituir família era aqui - nas páginas da "Única". E parabéns pela colecção de DVD da Pantera Cor-de-Rosa, gosto muito. Eu, de certa maneira, sou o avô da Pantera, uma vez que sou o pai de toda a Humanidade, e isso inclui o já falecido Vasco Granja.

Bruno: Desculpa, mas deves estar a fazer confusão. Quem oferece os DVD da Pantera é o jornal "Público".
Deus: Eh, lá. Fiz confusão. Não ando nada bem da cabeça. Só para veres como isto anda, no outro dia pedi ao senhor Fernando Guerra de Boticas para me guardar umas caçadeiras, porque achei que ia bem com o nome dele. Depois é que me lembrei que era padre.

Bruno: Tu estás com que idade?
Deus: Faz tu as contas, que eu hoje já estive a fazer um terramoto na Ásia...

Bruno: Ora, o Big Bang foi há 13,7 mil milhões de anos...
Deus: Por acaso foi há mais.

Bruno: O Big Bang não foi há 13 mil milhões de anos?
Deus: Não. O Big Bang está é muito bem conservado. Ninguém lhe dá mais de 13 mil milhões de anos, mas na realidade ele já fez 28 mil milhões. O Big Bang foi há 28 mil milhões de anos, lembro-me como se fosse hoje: era Dezembro, e estava um calor anormal para a altura; eu tinha 7 anos, e os meus pais tinham ido viajar, e como éramos muitos irmãos esqueceram-se de mim e fiquei uma semana sozinho em casa.

Bruno Nogueira entrevista Deus
 
 

Bruno: Acho que já fizeram um filme sobre isso que dá todos os anos à mesma hora na televisão. Vendo bem, se calhar não é um filme, é uma religião...
Deus: Não vi. Não vejo filmes desde a estreia da "Saída dos Operários da Fábrica" em 3D. Retomando. Fiquei sozinho em casa e, claro, como qualquer criança, quis logo ir imitar o que o meu pai fazia. Tinha duas hipóteses: usar o estojo de química que estava no laboratório ou vestir-me com as roupas da minha mãe. Optei pela primeira, porque a minha mãe tinha levado o estojo de pinturas. E foi assim que nasceu o Universo.

Bruno: Portanto, a criação do Universo foi uma brincadeira de crianças.
Deus: Podemos dizer que a Criação se deveu à minha má criação. E, ao sétimo dia, eu não descansei - os meus pais é que chegaram a casa e acabaram com a brincadeira. E, quando viram que eu tinha feito um Universo, mandaram-me para o colégio interno. Pagavam uma fortuna em propinas, porque, entretanto, desenvolvi a capacidade de estar em todo o lado e estava em 78 colégios internos ao mesmo tempo.

Bruno: Resumindo, estás com a idade do Big Bang mais sete. Ou seja, 28 mil milhões de anos e picos. Isso leva-me à próxima questão: o Charles Chaplin foi pai aos oitenta e poucos, mas tu abusaste e tiveste o teu primeiro filho já com uma idade muito avançada. Como é que foi isso? Apaixonaste-te?
Deus: Olha, Bruno, eu já tinha comprado o Porsche descapotável, mas não me sentia mais novo e atraente. Achei que talvez um filho de uma mulher muito mais nova resolvesse a questão.

Bruno: Mas a mulher era casada...
Deus: Isso é irrelevante. Eu não acredito no casamento entre pessoas de sexo diferente. As pessoas do mesmo sexo entendem-se muito melhor, e isso é essencial para se ser feliz. A felicidade total nunca é mista.

Bruno: Não me digas que o Paraíso não é misto, que me dá uma coisinha má. Ando eu a trabalhar para evitar o bronze do Inferno e, afinal, o Paraíso é um colégio militar com nuvens à volta.
Deus: Bruno, vê lá se começas a apontar o que eu te digo, porque um dia destes eu revelo-te os números do Euromilhões e o sentido da vida e esqueces-te.

Bruno: Troco o sentido da vida por ser o único totalista dessa semana em que vou ganhar o Euromilhões. Não me digas já os números, porque há leitores da "Única" que também jogam.
Deus: Eu já te disse uma vez que o Paraíso não existe. Já houve, mas já acabou. O Paraíso não tem nada a ver com o Universo e com o Homem. O Paraíso foi uma coisa que eu fiz nas traseiras lá de casa. A ideia era ser uma coisa pequena, com pouca gente, que fosse uma alternativa ao Algarve. Daí o nome - "Paraíso Lagoa Beach". Depois tive de expulsar os caseiros, porque tinham uma cobra e andavam com tochas e a cuspir fogo... Eram saltimbancos, nómadas, e estavam a dar cabo daquilo. Acabei por desistir da ideia e fiz um jacuzi.

Bruno: Mas existe o julgamento final e essas coisas tenebrosas?
Deus: O Apocalipse é um mito. Eu explico. Tens um "Magalhães"?

Bruno: Não. Já tive, mas troquei-o por uma máquina para batidos de caça.
Deus: Adiante. Como tu sabes, eu controlo o tempo...

Bruno: Sim. E...?
Deus: Não deste por nada, pois não? Já passaram dois dias desde que fizeste a pergunta: "Mas existe o julgamento final e essas coisas tenebrosas?"

Bruno: Não acredito?!
Deus: Olha lá para a tua barba...

Bruno: Elá. Espectacular. Pareceram uns segundos. Muito bom. Também sabes fazer truques com cartas?
Deus: Bruno, o Apocalipse é um mito porque eu controlo o tempo. Controlar o tempo é uma boa sensação, especialmente quando deixo cair um prato ou um copo no chão da cozinha. Sabes aquele momento em que uma pessoa normal franze os olhos, porque já não consegue agarrar o prato e ele vai partir-se em pedaços? Eu, nesse momento, ponho o tempo a andar para trás e vejo os cacos a juntarem-se e o prato volta à minha mão... Percebeste a imagem?

Bruno: Mas Deus não tem vassouras?
Deus: Tenho uma da loja do chinês que se carregarmos no on também é uma iogurteira. Mas dizia-te: eu nunca deixarei que o Apocalipse aconteça. Ponho a andar para trás e faço de novo. Vocês são os meus Legos preferidos, nunca vos deixaria arder... muito.

Bruno: Então, aquela parte da Bíblia, Apocalipse 21 ou 22, confundo-os sempre, que diz, e passo a citar: "Quanto aos tímidos, e aos incrédulos, e aos abomináveis, e aos homicidas, e aos fornicadores, e aos feiticeiros, e aos idólatras e a todos os mentirosos, a sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre; o que é a segunda morte."
Deus: Isso é tudo inventado. O João tinha uma imaginação espectacular. Foi o primeiro a aventurar-se na escrita de ficção científica.

Bruno: Óptimo. Não era nada justo meter no mesmo saco os homicidas e os tímidos - corar não é o mesmo que esfaquear.
Deus: A lista é parva e dá a sensação que foi sendo inventada à medida que foram escrevendo. Se tivessem mais tempo, a seguir era: "Os limpa-chaminés e os profissionais de seguros."

Bruno: Mas... isto é a Bíblia.
Deus: A Bíblia lê-se bem, mas é pouco abrangente. Prefiro o Mahabharata, e passo a citar: "O que for encontrado aqui, pode ser encontrado em qualquer outro lugar. Mas o que não for encontrado aqui, jamais será encontrado em outro lugar." É ou não é bom?

Bruno: Não é muito, não.
Deus: Hum... Então vou andando, porque deixei Lanzarote ao lume.

Bruno: Antes de terminarmos, foste tu que escolheste os leitores desta entrevista?
Deus: Fui. Para depois não dizerem que não tenho sentido de humor.

Bruno: Pronto, está feito. Depois deixa um recibo verde onde entenderes. Deus: Posso, antes de ir temperar planetas, anunciar o segundo livro de crónicas do "Tubo de Ensaio", que sai no Natal?

Bruno: É melhor não. Parece publicidade descarada que entra um bocadinho a martelo.
Deus: Tens razão.

Bruno: Um abraço.
Deus: Adeus. Adeus.

Bruno: Porque é que disseste "adeus" duas vezes, uma em cada ponta da página?
Deus: É um adeus especial para leitores estrábicos...

Bruno: Não vou comentar, vou só deixar duas perguntas em branco para mostrar algum desconforto.

Bruno:

Bruno:

(Texto publicado na Revista Única da edição do Expresso de 28 de Novembro de 2009)

Via Expresso



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Segunda-feira, 09.11.09

A biblia está cheia de elementos eróticos

 

 

O biblista frisou que o Cântico "é o maior exemplo dessa linguagem que, ainda assim, é transversal às escrituras",mas avisou que, "longe de ser condenável e muito menos desprezível, a dimensão erótica assume-se fundamental para revelar e definir o Homem e a relação com Deus". 

Estas foram algumas das conclusões retiradas da comunicação do especialista no II Congresso Internacional de Pedagogia sobre "Sexualidade e educação para a felicidade" que encerra hoje na Faculdade de Filosofia de Braga, da Universidade Católica. 

Tolentino Mendonça, que abordou o tema "Elementos bíblicos para uma erótica cristã", começou por referir que a estranheza que a abordagem desta temática ainda causa é algo com "raízes profundas no interior e exterior do espaço eclesial, é um problema cultural". 

Erotismo é da natureza humana

Em sua opinião, "o mais normal é que o homem como animal erótico seja desprezado pelos discursos. Mas isso é o mesmo que negar a própria humanidade do homem". 

O orador chamou a atenção dos presentes para o facto da Bíblia descrever, desde o Génesis, um homem sexuado sem que isso esteja ligado à condição do pecado: "A sexualidade bíblica não é contra a erótica nem se resume a enumerar o proibido, registando um elogio ao amor, aos corpos e ao relacionamento", referiu. 

Não sendo o Deus do Antigo Testamento uma entidade representável corporeamente - em antítese aos deuses (ídolos) dos povos vizinhos dos hebreus -, o perito acentua que "Deus também se pode dizer pela dimensão erótica". 

É que, - sublinhou - "o carnal é, antes de uma avaliação moral, condição identitária do vivente". 

Para o sacerdore, a erótica é "o reconhecimento do que sou e do que o outro é", já que "tudo tem uma conotação sexual porque tudo tem uma conotação humana". 

Recomendando a leitura do "Cântico dos Cânticos", Tolentino Mendonça sustentou que "a erótica define-nos por dentro e não pela nossa função" e que aquele livro bíblico "não nomeando Deus consegue fazê-lo depreender" com claridade. 

 

Via Sic

 



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Quinta-feira, 05.11.09

Jesus transexual no teatro 

 

Uma peça de teatro com Jesus transexual está a gerar polémica. Cerca de 300 manifestantes protestaram, esta terça-feira, com velas junto ao teatro, em Glasgow.

 

A peça "Jesus Queen of Heaven" - encenada por Jo Clifford - está em cartaz, no âmbito do festival de artes Glasgay, que celebra a cultura gay, bissexual e transexual, revela a BBC.

Os organizadores do festival já vieram afirmar que não têm a intenção de incitar reacções ou ofender ninguém.

Os manifestantes cantaram hinos religiosos e levantaram cartazes. Um deles dizia: “Jesus, Rei dos Reis, Não Rainha do Paraíso”, outros "Deus: meu filho não é um pervertido".

 

Via ionline

 



publicado por olhar para o mundo às 23:52 | link do post | comentar

Sábado, 31.10.09

 A igreja do sexo

Com certeza esta é uma seita que passou despercebida pela nossa lista com as 10 seitas mais malucas do mundo. A Igreja Madonna do Orgasmo, que tem centenas de seguidores, deu um importante passo em direção ao reconhecimento oficial na Suécia, quando uma corte disse que ela tinha o direito de registrar-se como uma comunidade de fé.

Inicialmente um órgão público da Suécia recusou o registro alegando que o nome da igreja poderia ofender os cristãos. Mas o fundador da igreja, Carlos Bebeacua, ganhou a apelação na corte administrativa local.

O órgão público ainda pode apelar contra a decisão, do contrário será obrigada a registrar a igreja que foi fundada no início dos anos 90 e tem Carlos como Cardeal auto-proclamado.

Carlos teve a idéia de criar a igreja depois que a sua pintura “A Madonna do Orgasmo” levou a protestos na Feira Mundia de Sevilha, na Espanha, em 1992.

Para Carlos “O orgasmo é Deus, o orgasmo deve ser adorado”. “O orgasmo é o principal sentimento de luxúria e não deve ser limitado à ejaculação. Você pode alcançá-lo através da arte ou ao olhar uma paisagem enquanto pensa ‘Uau!’”

A igreja tem apenas sacerdotes mulheres e suas escrituras são chamadas de Catequismo do Orgasmo. O livro pregado é o do sexo.

Durante as cerimônias as sacerdotes lêem versos, comem frutas e bebem suco. Sexo não é o foco, mas também não é proibido. “Nunca aconteceu e eu não seu como nós reagiríamos que acontecesse.”

Ele diz que as alegações de que sai igreja só se interessa por orgias e sexo alegando que o propósito é ajudar as pessoas a ver orgasmos como uma metáfora de amor pela vida.

“Não há nada perigoso sobre o que dizemos, somos inofensivos. Nós apenas temos as nossas dúvidas com relação às religiões estabelecidas”, ele disse.

Em uma nota pessoal, fiquei curiosa para saber o que a igreja prega sobre orgasmos múltiplos.

Via Hscience

 



publicado por olhar para o mundo às 21:33 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Igreja substitui Halloween por Holywins

 

 

 Para o Vaticano o Halloween é uma festa anticristã. Mas, por cá a Igreja não vai tão longe e prefere manter-se fora da polémica em relação a esta festa importada dos EUA. "É uma celebração profana que não tem nada a ver com a Igreja", defende o secretário da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), Manuel Morujão.

Um artigo publicado no L'Osservatore Romano, jornal oficial do Vaticano, descreve o Dia das Bruxas, como uma festa que "tem um pano de fundo de ocultismo e é absolutamente anticristã". No entanto, também apresenta alternativas: as Holywins - que brinca com as palavras "Santo" e "Vencer" - lançadas pela diocese de Paris para juntar os jovens e crianças na noite de 31 de Outubro.

Estas reuniões da comunidade católica são já comuns em França, Espanha e no Chile. Por cá ainda desconhecidas e até Manuel Morujão revela que não sabia da sua existência.

O Vaticano aponta as Holywins como celebrações que "permitem à comunidade católica dispor de uma alternativa para testemunhar a fé e a esperança cristã diante da morte", segundo pode ler-se no artigo do diário católico. Aqui os jovens são alvo de uma campanha de sensibilização para evitar que se juntem à celebração do Dia das Bruxas.

Apesar da oposição oficial do Vaticano, Manuel Morujão conta que os padres americanos que conheceu sempre se referiram a esta festa como um "um divertimento sem conotação anti-religiosa". E acrescenta que em Portugal é um pouco isso que se passa.

"Por cá parece-me que o Halloween está ligado a brincadeiras inocentes das crianças que se divertem com o misterioso e o lado oculto das bruxas. Tudo sem conotações negativas", avalia o secretário da CEP.

O religioso entende até que por ser uma festa em que o principal objectivo é o divertimento inocente, não há motivos para condenações. Até porque "o divertimento é um valor cristão".

O padre também considera normal a importação destes festejos que têm um maior significado nos Estados Unidos, e chegaram a Portugal muito por culpa do cinema. "Vivemos num mundo da globalização e a cultura um dos elementos que acabam por ser copiados. É uma situação natural", diz Manuel Morujão.

Por cá, a noite de hoje vai ser dominada por bruxas, caveiras, abóboras e festas alusivas à Noite das Bruxas, que antecede o Dia de Todos os Santos.

 

Via DN



publicado por olhar para o mundo às 14:30 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Domingo, 18.10.09

Saramago, Biblia é manual de maus costumes

 

José Saramago afirmou que “a Bíblia é um manual de maus costumes, um catálogo de crueldade e do pior da natureza humana”. Sobre o livro Caim, que é apresentado hoje a nível mundial, o escritor defendeu que “na Igreja Católica não vai causar problemas porque os católicos não lêem a Bíblia". Mas admitiu que poderá gerar reacções entre os judeus.

“A Bíblia passou mil anos, dezenas de gerações, a ser escrita, mas sempre sob a dominante de um Deus cruel, invejoso e insuportável. É uma loucura!”, criticou, em Penafiel, numa entrevista à agência Lusa, o Nobel da Literatura de 1998, para quem não existe nada de divino na Bíblia, nem no Corão.

“O Corão, que foi escrito só em 30 anos, é a mesma coisa. Imaginar que o Corão e a Bíblia são de inspiração divina? Francamente! Como? Que canal de comunicação tinham Maomé ou os redactores da Bíblia com Deus, que lhes dizia ao ouvido o que deviam escrever? É absurdo. Nós somos manipulados e enganados desde que nascemos!” afirmou.

Saramago sublinhou que “as guerras de religião estão na História, sabemos a tragédia que foram”. E considerou que as Cruzadas são um crime do Cristianismo, porque morreram milhares e milhares de pessoas, culpados e inocentes, ao abrigo da palavra de ordem "Deus o quer", tal como acontece hoje com a Jihad (Guerra Santa). Saramago lamenta que todo esse “horror” tenha feito em nome de “um Deus que não existe, nunca ninguém o viu”.

“O teólogo Hans Kung disse sobre isto uma frase que considero definitiva, que as religiões nunca serviram para aproximar os seres humanos uns dos outros. Só isto basta para acabar com isso de Deus”, afirmou.

O escritor criticou também o conceito de inferno: "No Catolicismo os pecados são castigados com o inferno eterno. Isto é completamente idiota!”.

“Nós, os humanos somos muito mais misericordiosos. Quando alguém comete um delito vai cinco, dez ou 15 anos para a prisão e depois é reintegrado na sociedade, se quer”, disse.

“Mas há coisas muito mais idiotas, por exemplo: antes, na criação do Universo, Deus não fez nada. Depois, decidiu criar o Universo, não se sabe porquê, nem para quê. Fê-lo em seis dias, apenas seis dias. Descansou ao sétimo. Até hoje! Nunca mais fez nada! Isto tem algum sentido?”, perguntou.

“Deus só existe na nossa cabeça, é o único lugar em que nós podemos confrontar-nos com a ideia de Deus. É isso que tenho feito, na parte que me toca”.

 

Via Público

 



publicado por olhar para o mundo às 21:33 | link do post | comentar

Quinta-feira, 15.10.09

Saramago acusa Papa de cinismo

 

 O escritor José Saramago acusou hoje o papa Bento XVI de “cinismo” e defendeu que à “insolência reaccionária” da Igreja há que responder com a “insolência da inteligência viva”.


“Que Ratzinger tenha a coragem de invocar Deus para reforçar o seu neo-medievalismo universal, um Deus que jamais viu, com o qual nunca se sentou a tomar um café, demonstra apenas o absoluto cinismo intelectual da personagem”, disse Saramago em Roma, durante um colóquio com o filósofo italiano Paolo Flores D’Arcais, noticiou hoje o jornal italiano Il Fatto Quotidiano. 

O Prémio Nobel da Literatura 1998 encontra-se hoje na capital italiana para apresentar o livro “O Caderno”, em que estão compilados textos que escreveu entre Setembro de 2008 e Março deste ano no seu blogue, e reunir-se com amigos italianos, como a Prémio Nobel da Medicina 1986, Rita Levi Montalcini. 

Na conversa que manteve com Flores D’Arcais, Saramago assegurou que é um “ateu tranquilo”, mas que agora está a mudar de ideias. 

“Às insolências reaccionárias da Igreja Católica há que responder com a insolência da inteligência viva, no bom sentido, da palavra responsável. Não podemos permitir que a verdade seja ofendida todos os dias pelos presumíveis representantes de Deus na terra, a quem na realidade só interessa o poder”, afirmou. 

Segundo Saramago, interessa pouco à Igreja o destino das almas e o que sempre procurou é o controlo dos seus corpos. 

“A razão - acrescentou - pode ser uma moral. Usemo-la”. 

Inquirido sobre se a ausência de empenhamento de escritores e intelectuais pode ser uma das causas da crise da democracia, o escritor disse que sim, mas que não só, já que toda a sociedade está nessas condições e isso leva a uma crise de autoridade, da família, dos costumes, uma crise moral em geral. 

Saramago advertiu para o crescimento do "fascismo” na Europa e mostrou-se convencido de que nos próximos anos “atacará com força”. 

Por isso - sublinhou -, “temos de preparar-nos para enfrentar o ódio e a sede de vingança que os fascistas estão a alimentar”. 

“Apesar de ser claro que se apresentarão com máscaras pseudo-democráticas, algumas das quais circulam já entre nós, não devemos deixar-nos enganar”, frisou. 

Antes de Roma, Saramago esteve em Milão, Turim, Alba e Pontedera, onde se encontrou com os seus leitores e criticou o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi. 

Em declarações ao diário ex-comunista L’Unità, o escritor disse que Berlusconi é a “doença do país” e hoje, na conversa com Flores D’Arcais afirmou que o que mais caracteriza a esquerda, no plano internacional, é a “falta de ideias”. 

A direita, de acordo com Saramago, não precisa de ideias para governar e isso vê-se em Berlusconi, “que não tem nenhuma”, mas a esquerda, “se não tem ideias, não tem nada que oferecer aos cidadãos”. 

A visita de Saramago a Roma ocorre dias antes do lançamento do seu mais recente romance, “Caim”, em que o escritor se ocupa novamente da religião e que será simultaneamente editado em português (de Portugal e do Brasil), espanhol e catalão. 

 

Via Público



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Terça-feira, 04.08.09

Sexo no altar, arte ou blasfémia?

 

Mulheres jovens seminuas em poses provocantes não causariam espanto, não fosse o facto de terem como cenário igrejas e símbolos do Cristianismo como bíblias, crucifixos e altares. Embora este género de trabalho seja a imagem de marca de Andy Craddock há cinco anos, o fotográfo britânico acaba de ser processado pela primeira vez por responsáveis religiosos anglicanos da paróquia de St. Michael Penkivel, em Cornualha (sul de Inglaterra).

O porta-voz da diocese - o padre Andrew Yates -  acusa Craddock de blasfémia e de ferir a sensiblidade de "pessoas que tinham ligações com a igreja, por terem casado aqui ou por ter entes queridos enterrados nos jardins à volta". Além disso, acrescenta no comunicado divulgado pelo seu advogado, não pediu autorização para fotografar na igreja da paróquia, que data do século XIII. "A Igreja lamenta o uso de elementos sagrados para estes fins", conclui o padre.

O fotográfo de 43 anos, que garantiu à BBC não ter intenção de ofender ninguém, está agora a braços com um processo judicial por blasfémia e violação de propriedade privada. "Esse trabalho foi feito como arte e mostra a beleza das mulheres", defendeu-se Craddock.

 

Via ionline



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Terça-feira, 02.06.09

 

 

IURD fecha sexshop

 

20 de Fevereiro de 2009, Coimbra. Os fiscais da ASAE entraram numa loja do centro comercial Gira.Solum, descobriram vibradores, bonecas insufláveis, objectos fálicos, algemas e preservativos. Coisas de sexo, portanto. Ou, na linguagem da ASAE, "brinquedos atinentes à exploração da sexualidade ou destinados a serem utilizados como apoio ao acto sexual". Em resumo, bens "vendidos em sex shops, que carecem, legalmente, de licenciamento específico".


A loja situa-se um andar abaixo dos antigos cinemas do centro comercial, onde, desde Dezembro, funciona um templo da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD). A ASAE também deu conta. Por isso, fez incluir no relatório o estipulado no Decreto-Lei 647/76: "Os estabelecimentos de comércio de objectos ou meios de conteúdo pornográfico ou obsceno não poderão funcionar a menos de 300 metros de locais onde se pratique o culto de qualquer religião." O resultado foi um auto de contra-ordenação, acompanhado da decisão de suspensão imediata de actividade. A sex shop estava aberta há 15 meses.

Marta Ferreira, dona da erotikshop Playground-Wanna Play, reagiu mal. "A minha intenção nunca foi abrir uma sex shop, muito menos vender pornografia." Além disso, garante que nunca ninguém, nas Finanças e na Câmara de Coimbra, lhe falou em licenciamento específico. 

Quanto à IURD, Marta Ferreira começa por lembrar que o centro de convenções - assim se chama o dito espaço de reunião de fiéis - entrou em funcionamento já a sua loja tinha mais de um ano de funcionamento. Mais, o templo não tem licença camarária para utilizar o espaço como local de culto, mas apenas - e ainda - como cinema.

Por tudo isto, Marta Ferreira intentou uma acção judicial contra a ASAE. E ganhou. A decisão do 3º Juízo Criminal de Coimbra foi ontem lida e deixa claro que a sanção da ASAE não tem suporte legal e configura um "manifesto abuso de poder". Isto porque o regime legal em vigor só prevê o encerramento de estabelecimentos não licenciados depois de o processo estar concluído - e nunca com esta espécie de natureza "preventiva". Agora Marta admite tudo, incluindo, claro, processar a ASAE e pedir o ressarcimento dos prejuízos.

Lei defende quem chega primeiro. É tudo uma questão de datas e de quem chega primeiro. Nesta história, como nas corridas, os primeiros são os que vencem - ou os que deveriam vencer. Se o centro de convenções da Igreja Universal do Reino de Deus já existisse no Centro Comercial Gira.Solum em 2007, a Playground-Wanna Play nunca poderia fixar-se naquele centro comercial. O decreto-lei de 1976 (revisto em 2006, apenas para fazer a actualização da coima e passar os valores de escudos para euros) não deixa margem para dúvidas: "Uma sex-shop deve distar 300 metros de locais onde se pratique o culto de qualquer religião, estabelecimentos de ensino, parques ou jardins infantis." 

No entanto, neste caso, o último a chegar foi mesmo o templo da IURD - em Dezembro de 2008. Segundo explicaram ao vários especialistas em direito administrativo, a decisão ontem tomada pelo tribunal foi a correcta. "Quem licencia estes estabelecimentos é que tem de avaliar se o local onde a loja se vai instalar cumpre ou não os requisitos. A partir do momento em que o estabelecimento obtém a licença, esses requisitos já não se aplicam daí para a frente." O problema é que a legislação não prevê uma ressalva para os estabelecimentos já existentes. "Então agora os donos de uma sex shop vão ter de mudar de lugar de cada vez que alguém resolver abrir uma igreja, escola ou parque infantil a poucos metros?", questiona o advogado.

 

Ver o resto da noticia aqui

 

Via ionline



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