Sábado, 05.02.11

A partir de 1 de Janeiro de 2011  têm de pedir as facturas ou recibos para as despesas de saúde, educação, lares, etc, em nome e com
o numero de contribuinte da pessoa que faz a despesa ou utiliza o serviço, quer seja o sujeito passivo ou membro do agregado familiar, (descendentes ou ascendentes).

Assim, quem tem filhos, mesmo os recém-nascidos, deverá requerer o seu número de contribuinte para que possa deduzir as despesas, já que as facturas têm de vir em seu nome e com o respectivo NIF. Na declaração de rendimentos anual é também obrigatório o NIF de cada membro do agregado.

Rematando, não podemos continuar a ter facturas de farmácias, médicos, educação, etc., com o nome do destinatário e o NIF em branco, para posterior colocação destes dados. Tem que fazer parte do preenchimento correcto da factura ou recibo pela entidade que os emite, até porque serão objecto de controlo cruzado pelos serviços de fiscalização da DGCI.

 

Obrigado In-perfeita


tags: , ,

publicado por olhar para o mundo às 22:06 | link do post | comentar

Quinta-feira, 03.02.11

Já passaram alguns anos. Mas há um momento específico que ficará para sempre gravado na memória de Diana Cruz. Num certo verão, quando chegou à praia onde toda a vida passara férias, à medida que caminhava em direção ao mar, ouviu à sua passagem: "Olha, agora esta é fufa!"

Hoje, ao lembrar-se desse sussurro sem a violência que foi ouvir aquilo, dito daquela maneira, no momento em que acabara de se apaixonar, pode até recordar a cena e dizer a frase como se nada fosse. Mas quando as palavras lhe saem da boca passa-lhe subitamente um brilho cortante pelos olhos claros.

"O que me custou mais", diz Diana enquanto vai dando pequeninos golos no chá de jasmim, "foi perceber como era difícil eu própria aceitar. O confronto com os outros foi terrível." Faz uma pausa e enumera: os amigos que deixaram de a convidar, os comentários de uns, a comiseração de outros que a olhavam como se estivesse doente, a irmã que deixou de lhe falar...

"Mas o confronto mais duro foi comigo própria. Estava convencida de que era uma pessoa absolutamente liberal. De repente, percebi que tinha imensos preconceitos e dava muita importância ao olhar dos outros. Não me julgava tão fraca. E isso entristeceu-me."

Paixão avassaladora

 

O que aconteceu a Diana, quase à beira dos 40, foi isto: "Reparava nela quando nos cruzávamos no corredor. Nessa altura, ainda estava casada. Lembro-me de a ver no supermercado e de ter ficado a pensar. Talvez fosse o ar, uma certa androginia que me atraía inexplicavelmente. Um dia aconteceu. Ao princípio, achei que seria uma experiência, só por curiosidade. Na minha cabeça, uma relação com uma mulher não era uma equação, estava totalmente fora do meu universo. Mas depois apaixonei-me. E foi tão avassalador que não tive hipótese de fugir."

Poderíamos dizer que o mundo desabou, mas não foi exatamente esse o caso. Porque o mundo não desaba assim, apenas recomeça de um modo diferente: "As pessoas perguntavam-me: 'O que é que te aconteceu? Sempre gostaste de mulheres e tinhas medo de assumir?' Exigiam-me definições, ninguém gosta da ambiguidade. E eu também me interrogava: 'Será que andei estes anos todos a fugir?' Depois percebi que não. Os homens não deixaram de me interessar. Tenho a nostalgia da masculinidade, ainda hoje quando chego a um sítio a minha atenção vai para os homens. Mas também passei a ter mais consciência da presença das mulheres. Não sei se voltarei a ter uma relação assim com outra mulher, mas também não sei se conseguirei voltar a estar com um homem com a displicência e a naturalidade com que estava. Nesta relação fui a sítios emocionais a que nunca tinha ido e se passarmos ao plano físico posso dizer, sem vacilar, que foi a minha relação mais libertadora e mais plena. Não me arrependo um segundo."

Ainda é cedo, Diana acabou de largar os filhos na escola, os seus gémeos de 7 anos. Daqui a pouco terá de ir trabalhar. É publicitária, anda atordoada de trabalho e, esta manhã, ao sentar-se à mesa com uma estranha para lhe contar uma parte da sua vida, tão íntima, dá-se conta da dimensão do desabafo: "O que me custa mais é pensar que a minha felicidade pode custar o sofrimento dos meus filhos. Ainda são pequenos, não percebem, pensam que é uma amiga como tantas outras, mas e depois? Gostava de pensar que um dia terei a coragem de ter uma vida em família com esta mulher. Mas ainda há um longo caminho a percorrer..."

Ser ou não ser, eis a questão

 

Luís Antunes diz ao telefone que o seu testemunho talvez possa interessar: "Toda a vida me senti homossexual. Mas há dois anos apaixonei-me por uma mulher e casei", explicou. Aparece ao encontro depois de ter passado a noite inteira no hospital. É enfermeiro, tem 26 anos. "Eu próprio fique muito surpreendido quando percebi que era bissexual." Porquê a surpresa? "Desde pequeno, toda a aproximação amorosa foi com rapazes: os jogos, os contactos, os primeiros beijos..." Aos 16 anos, o primeiro namoro. E um dia, à hora do jantar, com a família toda reunida, disse: "Tenho uma coisa para vos contar." Pensou que seria simples, que iriam aceitar, "fui muito ingénuo", recorda. "O meu pai negou, as minhas irmãs reagiram mal, a minha mãe não disse nada, mas acabou por fazer um grande esforço para aceitar. Sempre pensou que tinha sido uma falha na educação."

Quando o namoro acabou, já na Faculdade, Luís percebeu que começava a sentir-se atraído por uma das suas amigas do curso. Parecia-lhe que ela sentia o mesmo, e aquilo perturbou-o. "Não sabia se conseguiria relacionar-me a nível sexual." Contou-lhe: "Não me sentia bem em avançar sem dizer nada. Durante umas semanas, isso baralhou tudo. Depois confessei-lhe que estava apaixonado e começámos a sair juntos." Ao princípio foi difícil. A dúvida se seria ou não capaz de corresponder como homem na intimidade com uma mulher mantinha-se. Depois foi acontecendo e acabou por não ser tão linear. "Eu já tinha feito um percurso com um homem e construído toda a minha identidade sexual nesse percurso e na idade adulta fui confrontado com a heterossexualidade. O corpo feminino era-me estranho e tive de redescobrir a minha sexualidade como se fosse a primeira vez."

Também estranhou a visibilidade que agora este namoro podia ter. Sem segredos nem proibições: "Ao princípio, até andar na rua de mão dada me fazia confusão. Não estava habituado a poder ter demonstrações de afeto no espaço público e a namorar às claras sem constrangimentos. Ao comparar as duas situações, percebi quão injusto é para um casal homossexual não poder relacionar-se do mesmo modo. Achei chocante. Se tivesse continuado com aquele namoro, ter-me-ia casado com ele, agora é permitido." E, antes de se ir embora, diz sem hesitar: "Não procurei a normalidade. Aconteceu normalmente. Não passei de homo a hetero. Simplesmente encontrei o meu lugar da bissexualidade."

"Só há poucos anos é que a bissexualidade começou a ser encarada como uma orientação sexual e não como uma zona de transição", explica Joana Almeida, psicóloga na ILGA. "Por isso mesmo, sofria de dupla discriminação entre homo e heterossexuais, por ser considerada uma forma de não se conseguir assumir o lado homossexual. O mais difícil de aceitar é a indefinição. Ninguém gosta da ambiguidade." Também Pedro Frazão, psicólogo clínico, especializado em questões de género, concorda que, entre todas as orientações sexuais, a bissexualidade é a mais difícil de definir. "Na comunidade académica e científica era entendida como uma imaturidade. A partir do Relatório Kinsey publicados entre 1948 e 1953, a nossa sexualidade começou a ser observada como um mapa que se vai construindo e delineando ao logo da vida, sobretudo no percurso das mulheres", afirma o psicólogo. "É um dado que a sexualidade feminina é mais complexa, e nas mulheres a orientação sexual decorre com maior fluidez do que nos homens."

É in ser 'bi'?

 

Podemos interrogar se a bissexualidade está na moda como tendência entre a população mais jovem, por exemplo, que, livre de preconceitos, é seduzida pela ideia da experiência? "Penso que não", diz Pedro Frazão. "O que acontece é que, em Portugal, a discussão sobre as questões de género têm vindo a conquistar cada vez mais espaço na discussão política. Neste sentido, todas as questões relacionadas com a orientação sexual ganharam visibilidade, o que permite às pessoas sentirem-se mais livres para assumirem as suas escolhas. Não é uma questão de moda."

"A androgenia é uma tendência. A bissexualidade está na moda e vende", diz Alexandra Santos, 24 anos, voluntária na rede ex aequo, a associação de jovens lésbicas, gays, bissexuais e transgéneros (LGBT). Ela trabalha no Projeto Educação da rede e percorre as escolas do país a debater identidade de género: "A orientação sexual é um tema que se discute muito durante a adolescência, e a bissexualidade tem o apelo de ser interessante: sugere mente aberta, capacidade de experimentar... Mas, para além deste aspeto mais superficial, muita gente tem dúvidas sobre a sua identidade, e a bissexualidade é a caixinha da confusão. Mas não basta ter uma experiência homossexual para se ser 'bi'."

Apesar da tendência e da confusão, Alexandra Santos, assistente social, sabe o que sente. Afirma sem vacilar: "Não traio, não sou promíscua, tenho relações duradouras. Gosto de homens e de mulheres em igual percentagem." Soube que a atraíam ambos os sexos quando entrou na Faculdade e começou a perceber "que aqueles sentimentos giros que sentia pelas minhas amigas não eram só amizade". Aí, sim, a confusão instalou-se. Nada tinha ainda acontecido e já ela desesperava. "Ai, ai, o que vai ser da minha vida? Porque todos desejamos a normalidade. Assusta muito perceber que nem sempre é assim", conta Alexandra, agora descontraidamente sentada num café do Chiado. "Depois de me questionar se não seria só uma fase, fiz uma viagem à Bélgica para participar num programa entre jovens europeus, conheci uma rapariga e percebemos que tínhamos muita coisa em comum. Principalmente a nossa fé. Quando voltei, continuámos a falar no Messenger e combinámos encontrarmo-nos. Namorámos alguns meses entre cá e lá e depois terminou."

Foi nessa altura que se aproximou da rede ex aequo. Queria encontrar outras pessoas que sentissem coisas semelhantes e perceber que identidade era aquela. A questão do pecado preocupava-a. Um dia ouviu esta frase de uma crente: "Deus manifesta-se em cada um de nós quando estamos bem e fazemos bem aos outros." Sentiu que poderia ter essa força e arriscou clarificar. Em casa, começou a espalhar discretamente as revistas distribuídas pela rede LGBT até a mãe perguntar: "Aquelas revistas que trazes cá para casa são o quê?" Alexandra falou na ex aequo e explicou o projeto: "E o teu pai sabe disso?" Nessa noite, ao jantar, com as três irmãs e o pai já sentados à mesa, a mãe voltou à carga: "Tu és alguma dessas coisas?" Ela disse: "Tanto poderia casar com um homem como com uma mulher." A mãe ainda tentou dar um ar de normalidade: "Se fosses homossexual, eu aceitava." O pai disse logo que não aceitava e uma das irmãs perguntou-lhe: "O que é que te deu para dizeres uma coisa dessas aos pais?" Alexandra encolheu os ombros: "Porque é verdade."

Hoje acredita que para a sua família seria menos complicado se ela fosse homossexual. Pelo menos, seria uma coisa só. Agora aquilo assim... "Como é que se consegue gostar de homens e de mulheres ao mesmo tempo? Lá está, a questão da promiscuidade. Mas eu sou monogâmica e não tenho namorados e namoradas em simultâneo." Tenta explicar que cada sexo tem as suas diferenças, e ela gosta dessas diferenças. "Sinto-me atraída por pessoas e não por géneros", diz Alexandra. Depois dá conta da frase e desata a rir: "Este é o verdadeiro cliché dos 'cotonetes', não é?"

Pedro Frazão, o psicólogo, esclarece: "Esse é precisamente o discurso da bissexualidade. Interessa é o que se sente por determinada pessoa, independentemente do sexo. Como há uma maior abertura em relação à homossexualidade, essa abertura reflete-se, naturalmente, nos jovens, e observo que cada vez os discursos são menos estanques em relação aos rótulos identitários. Nestas faixas etárias tem-se, naturalmente, menor dificuldade em definir atrações e experiências e há uma noção cada vez mais clara de que todos os percursos são diferentes."

Os pomossexuais. "Já ouviu falar em pomossexualidade?", pergunta Ruben. Espreitamos a Wikipédia: "Pomossexual é um neologismo que descreve pessoas que evitam rótulos restritos como hetero, homo ou bissexual."

Ruben Santos, Raquel Bravo, Marta Cardoso: 19, 17 e 20 anos, respetivamente. São estudantes associativos e muito empenhados em causas cívicas. Ruben e Marta conheceram-se na Associação do Liceu Padre António Vieira. Raquel é animadora de teatro comunitário e amiga de Marta. Os três afirmam perentoriamente que não gostam de definições: "Os rótulos são muito limitadores. Acredito que, ao longo da vida, qualquer pessoa pode sentir emoções pelo sexo de que é suposto gostar e pelo que é suposto não gostar. Não conheço ninguém da minha idade que não sinta essa atração", conta Marta, referindo o seu interesse por raparigas e a maneira como gosta de viver cada uma das suas relações. Por agora está menos interessada no género masculino. Mas, aos 18 anos, ainda nada precisa de ser definitivo.

Também Raquel Bravo tem dificuldade em usar claramente uma palavra que a classifique: "Sei o que não sou", diz, tentando clarificar. "Não sou hetero, nem homo. Durante cinco anos tive um namoro fortíssimo com um rapaz que morreu e depois a minha relação com os homens mudou. Era como se estivesse a traí-lo. Quando entrei no meio artístico, tive as minhas primeiras relações lésbicas", conta Raquel descontraidamente: "Não quero casos. Quero definitivamente estar com alguém que seja minha e eu dela. Não sei se será um homem ou uma mulher, também não me preocupa. Gostar é simplesmente gostar."

Ruben Santos, o rapaz que também não sabe se é ou não homossexual, tem a teoria de que todas as pessoas, se pudessem, seriam 'bi' e acredita que só não são por uma questão de educação. "Como é que uma pessoa pode dizer sim ou sopas se não experimentou?", interroga. "Se temos várias opções, porquê aceitar uma só?" Excluir, logo à partida, a possibilidade de atração por pessoas do mesmo sexo pode ser uma construção. "Para um rapaz, custa muito aceitar. Cheguei a ter nojo de mim. Fazia-me confusão a ideia de uma relação estável ou de envelhecer ao lado de um homem. Agora, embora ainda sinta algum medo desse quotidiano, já não penso tanto nisso."

Marta, que em breve irá para a universidade e tem ideias muito próprias sobre o amor, conta que nunca se sentiu excluída ou posta de lado quando está com uma rapariga. Os amigos todos sabem e aceitam. Afirma que na sua geração é normal nos liceus os casais homo andarem abraçados: "Ninguém liga. Nem os professores."

Ruben, apesar das dúvidas, por agora não lhe interessa pensar em escolhas. Neste momento, namora com um rapaz. Mas sabe que quer ter filhos seus. E não é só isso: "Gosto do masculino e do feminino. De proteger e de me sentir protegido quando me deito num abraço", reflete.

"A bissexualidade é a zona invisível", diz Joana, a terapeuta. "A ânsia de sabermos o que somos, de nos definirmos, tem a ver com a eterna necessidade de tentarmos perceber porque nos apaixonamos por A ou por B. Nunca sabemos porque nos apaixonamos, e mesmo para a ciência continua a ser um grande mistério."

(Nota - Diana Cruz, Luís Antunes e Marta Cardoso são nomes fictícios.)

Publicado na Revista Única de 29 de Janeiro de 2011

 

Via Expresso



publicado por olhar para o mundo às 21:03 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Viver em Cabo verde

 

A capacidade de fazer muito com pouco está bem personificada em Elias. Na lata rectangular vertical de azeite que transformou em panela, já negra de muitas idas ao lume, vai pondo pequeníssimas porções de batata inglesa, cebola, cenoura, pimentão, coentros, salsa.

Como se de mestre cozinheiro se tratasse, acrescenta peixe que lhe deram no mercado, cem escudos de azeite comprado, um pouco de calda de tomate, um dente de alho, sal e um pouco de água para refogar. Mais tarde há-de juntar-lhe arroz. No areal da baía do Mindelo, à sombra de uma espinheira, vista deslumbrante sobre a vizinha ilha de Santo Antão, paredes meias com o luxuoso complexo turístico Ponto d’Água, ganha forma o arroz malandro que há-de ser para Elias a única refeição certa do dia.

Ar de menino dócil, ninguém diria que este “badio”, como chamam aos naturais de Santiago, era na mais tenra infância, vivida na Cidade da Praia, conhecido pelo nominho de “Arnold”, de Arnold Schwarzneger, pelo seu carácter brigão. É pelo menos o que conta Elias. A briga é agora pelo sustento diário. “À noite posso tomar uma sandes ou se não tiver dinheiro, vou deitar assim.”

As quantidades mínimas de ingredientes do almoço foram-lhes oferecidas, a ele e ao amigo Hernâni, pelas vendedoras de verduras. “Para nós dão”, explica. Afinal, Elias, 17 anos, é para elas um parceiro: vende na rua sacos de repolho, tomate, pepino, abóbora, pimentão, batata doce, mandioca ou feijão verde. Cada um a cem escudos cabo-verdianos, 80 para elas, 20 para ele. É com esse dinheiro, e com os 200 escudos que recebe quando lava algum carro, que paga o azeite e o arroz. E come por vezes um prato de cachupa e uma caneca de café que lhe custam 150.

Reunidos os ingredientes, há que procurar lenha. Acaba por conseguir pedaços desperdiçados de barrotes das obras de distribuição de água e saneamento que uma empresa italiana está a fazer na cidade com financiamento da União Europeia. E avança com a preparação do almoço. Para ele e para Hernâni, 19 anos mas ainda mais ar de criança, filho do Monte Sossego, a trabalhar no mar “desde pequenotinho”, como explica Elias, traduzindo o falar crioulo do companheiro. 

Rede familiar

O espírito de iniciativa dos cabo-verdianos é igualmente bem visível no popular mercado de Sucupira, na Cidade da Praia. O caso de Isilda, que estava de novo ontem no grande mercado popular da capital, mostra-o bem. 

As couves e o repolho que tem à venda são daqui mesmo, de Santiago, e o sal que a 50 escudos o saco de litro mandou-o vir da ilha a que deu nome. O resto do que tem espalhado sobre a bancada metálica e as caixas de madeira - abóbora, batata doce e cebola terra – vem, tal como o carvão, que ontem não tinha para vender, de barco da mais fértil Ilha de Maio, onde nasceu há 49 anos e ano após ano volta. Foi-lhe mandado por familiares e amigos, que também ganham com este circuito informal de distribuição. 

Isilda Oliveira explica que o negócio da maior parte dos cabo-verdianos que vieram de outras ilhas e vendem no Sucupira “é mais roupa”. Produtos da terra, garante, só os de Santiago e ela. Essa foi a forma que arranjou de aproveitar o potencial agrícola que não tinha escoamento na sua ilha e de com ele abrir perspectivas para si e para os seis filhos que deu ao mundo. Foi por isso que se mudou em 1986, partindo, como há gerações os cabo-verdianos fazem, para outras ilhas ou para fora do país. “Lá é bom para agricultura, mas produtos não tem saída. Cá a vida é melhor. Aqui em Santiago dá mais.” Na capital viviam, segundo estimativas oficiais de 2008, quase um terço do meio milhão de pessoas que constituíam a população cabo-verdiana.

 

Via Publico



publicado por olhar para o mundo às 20:34 | link do post | comentar

Sexta-feira, 28.01.11

quase um terço da humanida de está online

 

Os números são avassaladores: mais de 2,8 mil milhões de pessoas em todo o mundo estão ligadas à Internet. Ou seja, quase um terço da Humanidade - um total de 6,8 mil milhões de pessoas - está online. Mas estes números parecem pequenos quando comparados com a taxa de penetração dos telemóveis: 70% em todo o mundo.

 

“No início de 2000 havia apenas 500 milhões de subscritores de serviços de telemóvel em todo o mundo e 250 milhões de utilizadores de Internet”, indicou aos media o secretário-geral da ITU (International Telecommunications Union), a agência da ONU responsável pelas telecomunicações, Hamadoun Toure. No início de 2011, estas cifras multiplicaram-se por dez no caso dos telemóveis, chegando aos 5000 milhões, e multiplicaram-se por oito no caso da Internet (2000 milhões). 

Em contrapartida, as linhas de telefone fixas diminuíram, pelo quarto ano consecutivo, estando agora abaixo dos 1,2 mil milhões.

A maioria dos internautas (57%) vive hoje em países emergentes, como a China e o Brasil, indica ainda a ONU. 

Sabe-se também que nos países árabes o número de utilizadores de Internet atingiu os 88 milhões, o que significa o dobro dos utilizadores no espaço de cinco anos.

Ainda segundo a ITU, em 82 países (dos 192 reconhecidos oficialmente pela ONU), há actualmente planos oficiais para o desenvolvimento da banda larga, que poderá vir a melhor os serviços de e-governo, nomeadamente nos sectores da saúde, da educação e da descentralização.

Em cerca de metade destes países o acesso à rede através de banda larga é considerado um serviço universal, como a electricidade, e noutros é mesmo considerado um direito legal dos cidadãos.

 

Via Público



publicado por olhar para o mundo às 08:03 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Terça-feira, 18.01.11

Canberra, Austrália - Um casal australiano, que tem três filhos meninos, está travando uma batalha judicial em seu país para obter o direito de escolher o sexo do próximo filho e dar à luz uma menina. Antes de recorrer à Justiça, eles já chegaram ao extremo de abortar uma gravidez de gêmeos, depois de descobrir que os fetos eram do sexo masculino.

O homem e mulher australianos, que não foram identificados pela imprensa e por autoridades locais, decidiram entrar na Justiça porque as leis do estado de Victoria, onde moram, proíbem a escolha do sexo da criança em inseminações artificiais.

Antes de recorrer ao Tribunal Civil e Administrativo de Victoria, eles tiveram pedido rejeitado em painel independente ligado ao Ministério da Saúde da Austrália, que decide sobre questões médicas.

LEI PROÍBE ESCOLHA DE SEXO

A exemplo do Brasil, a legislação local só permite a escolha do sexo do bebê em caso de riscos graves associados à transmissão de doenças genéticas que ocorrem num determinado sexo. A saída encontrada pelo casal, então, foi argumentar que a mãe, na faixa dos 30 anos, ficou obcecada com o desejo de ter uma menina, e que ter uma filha se tornou necessário para a manutenção de sua saúde psicológica.

Em entrevista ao jornal australiano ‘The Herald Sun’, o casal falou sobre a decisão de abortar os gêmeos: “Foi traumático, mas não podemos continuar tendo um número ilimitado de filhos até conseguir gerar uma menina”.

Menina morreu logo após parto 

O casal chegou a ter uma filha menina, mas ela morreu pouco depois do parto, o que fez a mãe ficar ainda mais desesperada para ter uma filha.

O diretor do instituto australiano Ética Genética, Bob Phelps, não se sensibilizou e criticou os pais, por acreditar que a decisão deles pode influenciar outros casais: “Sinto muito que eles perderam sua filha mas, no interesse da sociedade como um todo, acho que eles deveriam procurar assistência psicológica e procurar outro meio de trazer uma menina à sua família. Eles parecem bons pais e poderiam oferecer um lar a uma criança que precisa”.

 

Via O dia Online



publicado por olhar para o mundo às 19:27 | link do post | comentar

Segunda-feira, 29.11.10

 

Morreu Leslie nielsen

O ator canadiano Leslie Nielsen, protagonista da comédia Aeroplano, morreu domingo num hospital da Florida aos 84 anos, anunciou o seu sobrinho Doug Nielsen.

O estado de saúde de Leslie Nielsen, hospitalizado há 12 dias por problemas pulmonares, começou a agravar-se nas últimas 48 horas, indicou Doug Nielsen a uma rádio de Manitoba, CKNW.

Domingo à tarde, "com os seus amigos e a sua mulher Barbaree ao seu lado, ele adormeceu e morreu", disse.

Nielsen ficou conhecido pela sua participação em várias séries de televisão norte-americanas de sucesso como "Peyton Place", "Dr Kildare", "Le Fugitif", "Kojak" ou "M.A.S.H.".

 

Posteriormente tornou-se uma celebridade a nível mundial graças à sua participação em filmes de culto na área da comédia como Aeroplano (1980), Onde Pára a Polícia (1988), Onde Pára a Polícia 2 1/2: O Cheiro do Medo (1991) e Onde Pára a Polícia 33 1/3 (1994).

 

Via Ionline



publicado por olhar para o mundo às 21:51 | link do post | comentar

Terça-feira, 23.11.10

Um comprimido por dia para prevenir a Sida

 

Um comprimido que se toma uma vez por dia pode proteger da infecção por HIV homens que fazem sexo com outros homens. O primeiro estudo que demonstra a viabilidade desta estratégia foi publicado hoje online na revista “New England Journal of Medicine”.

 

O ensaio clínico verificou uma redução de 43,8 por cento de novas infecções pelo vírus da sida entre os homens que tomavam um comprimido que contém dois antirretrovirais no mercado (emtricitabina e tenofovir, vendidos sob o nome comercial Turvada). 

Quer isto dizer que, dos 1248 participantes que receberam um comprimido sem efeitos clínicos (um placebo), 64 ficaram infectados com HIV durante o estudo, enquanto apenas 36 dos que tomaram Truvada adquiriram a infecção. 

Mas a aderência ao regime médico é muito importante. As pessoas que tomaram o medicamento de forma regular e consistente (tomaram-no 90 por cento das vezes em que deviam fazê-lo) viram o risco de contrair a infecção reduzir-se em 72,8 por cento. 

O estudo forneceu “a primeira prova” de que os comprimidos usados para controlar o HIV nas pessoas infectadas podem também ajudar a evitar novas infecções, disse Robert Grant, da Universidade da Califórnia em São Francisco, o líder da equipa que publicou agora o trabalho.

A ideia por trás deste ensaio clínico é nova: até agora, só muito excepcionalmente se usam os medicamentos antirretrovirais antes de saber que se alguém é seropositivo. Se um profissional de saúde entra em contacto com seringas com sangue infectado, por exemplo. Ou, no caso dos bebés de mães seropositivas, os bebés são tratados logo após o parto, para evitar a transmissão do vírus. 

O que se pretende testar é a ideia de tomar um medicamento agora usado para controlar a doença de forma preventiva, para tentar evitar a transmissão do vírus, como mais uma barreira à entrada do vírus do organismo – juntando-se ao preservativo e a outros cuidados. Os Centros para o Controlo e Prevenção das Doenças dos Estados Unidos emitiram aconselharam a que a profilaxia de pré-exposição “nunca seja encarada como a primeira linha de defesa contra o HIV”. 

Participaram no estudo 2499 homens (e transexuais, que nasceram como homens mas hoje são mulheres) que fazem sexo com homens, provenientes do Peru, do Equador, do Brasil, dos Estados Unidos, da África do Sul e Tailândia. A todos foi aconselhado usar preservativos, reduzir o número de parceiros sexuais, fazer análises frequentemente e receber tratamento para outras doenças sexualmente transmissíveis que aumentam as possibilidades de contrair HIV:

Este ensaio, conhecido como iPrEx (Iniciativa de Profilaxia de Pré-Exposição) é apenas um de cinco grandes estudos que pretende apurar a eficácia do uso de medicamentos orais para limitar as infecções por HIV – que se estima serem 7000 em todo o mundo, todos os dias. 

Os activistas da luta contra a sida e da investigação de novas formas de tratar a sida e a infecção pelo HIV receberam a notícia destes resultados com entusiasmo – sugerindo mesmo que a demonstração de que esta abordagem da prevenção funciona pode vir a mudar a prevenção de novas infecções pelo vírus, pelo menos em alguns grupos de pessoas. 

Mas, como sublinha Nelson Michael, da Divisão de Retrovirulogia do Instituto de Investigação do Exército Walter Reed, que assina um comentário ao trabalho também divulgado online pela “New England Journal of Medicine”, estes resultados também nos colocam “verdadeiros desafios”. 

Antes de mais, resta saber se esta abordagem funcionará também noutros grupos de risco para a transmissão desta doença viral, como as mulheres da África subsariana, cujos maridos e parceiros sexuais não usam preservativos, e os utilizadores de drogas injectáveis – cuja via de infecção é diferente. Mas há outros estudos em curso para estas categorias.

 

Via Público



publicado por olhar para o mundo às 22:12 | link do post | comentar

Segunda-feira, 18.10.10

Nuno dá voltas à cabeça para aguentar o mês inteiro com os 271 euros da bolsa atribuída pelo Governo de Cabo Verde. “Nem dá para comer na cantina.” Paga 150 euros pelo quarto – uns 20 de água, luz, gás. “Se almoçasse e jantasse na cantina, cinco dias por semana, gastava 94. Ficava com 56. E os materiais escolares? E os produtos de higiene? E a roupa? E o calçado?”

A embaixada de Cabo Verde em Lisboa não diz quantos bolseiros do país residem em Portugal. No ano passado, eram à volta de 300 a frequentar, sobretudo, cursos de “engenharia, economia, direito, administração, comunicação”. Conforme as vagas atribuídas “pelo Governo português no âmbito do acordo de cooperação no domínio do ensino superior”.

Nuno, a frequentar a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, come em casa. Comer na cantina, por 2,15 euros, é um luxo a que só em ocasiões especiais se pode dar. A mãe morreu-lhe aos 12 anos. E o pai trabalha a terra, em São Domingos, interior de Santiago. “Ou não ia para a universidade, ou ia com essas condições.”

Há um grupo a mobilizar-se para engendrar formas de luta – de Cabo Verde e de outros países lusófonos a viver em condições idênticas. Mas Nuno não deposita grande fé nisso. Julga que os estudantes estão demasiado ocupados com a sobrevivência. “É como se te deitassem ao mar. Tens de nadar. Não vais discutir por que te atiraram à água.”

Chega João ao corredor do edifício onde alguns se juntam, sob nome fictício por temerem que o desabafo resulte em algum corte. Foi ao Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) renovar a autorização de residência para estudo. Pediram-lhe o extracto bancário. “Só?”, exclamou a inspectora, perante um saldo de 175 euros no dia 15. “Minha senhora, isso está muito bem!” Teve de assinar um documento a garantir que é capaz de subsistir.

Já foi pior. Agora, todos os bolseiros recebem 271 euros. Antes, havia três níveis e alguns, como Antónia, recebiam 181 euros. Para se aguentar, a estudante tinha de recorrer aos irmãos. Houve quem não aguentasse. Nuno tem um amigo que não aguentou. Regressou a Cabo Verde.

Afinam-se estratégias. Ser bolseiro do Governo de Cabo Verde é “ser miserável”, torna Nuno. “É comer mal”, detalha Osório, que anda às voltas no supermercado, em busca do mais barato, a adivinhar doenças de estômago. “É pouco ou nada sair à noite”, achega Antónia. Nuno aponta consequências na integração na academia, na cidade. Quem gere um orçamento tão reduzido não pode participar em actividades como a praxe ou os jantares de curso. “Aquela capa custa quanto? 150 euros ou quê!”, interrompe Osório.

As notas também acusam as dificuldades. Habituados a falar crioulo, falha-lhes o português. E não lhes sobra dinheiro para livros ou workshops. Ficam pelos cadernos, algumas fotocópias. “Todos os livros necessrários existem na biblioteca, mas não posso ficar com um mais do que uma semana, porque são milhares de alunos”, salienta Nuno.

Há quem tenha computadores obsoletos, oferecidos pela faculdade na hora de os trocar por novos. Como Osório, como Antónia. Paulo pediu 400 euros para comprar um portátil e pagou-os a prestações. Trabalhou nas férias de Verão. Num ano, pagou uma parte e guardou “um bocadinho”. Noutro ano, pagou a outra.

Osório sente-se encurralado: “Para trabalhar, tenho de ter licença do SEF. Se consigo trabalho nas férias, pedem prova de matrícula e horário, ao qual não se pode sobrepor o horário de trabalho. Se estou de férias, não tenho matrícula nem horário! Não se pode trabalhar legalmente.” No ano passado, arriscou trabalhar na clandestinidade: “Não me pagaram!”

Podiam tentar arranjar um contrato fora das férias, como fazem alguns. Mas isso desvia a atenção dos estudos. E perder mais de um ano lectivo é perder a bolsa de Cabo Verde e a propina paga por Portugal. Sentir-se-iam mais aliviados, se tivessem acesso a residência universitária – alguns tentaram anos a fio sem sucesso. À porta da pastoral católica universitária batem alguns aflitos. “Temos um fundo de solidariedade, tentamos que não seja uma esmola, mas uma ajuda em situação de emergência”, explica o padre António Bacelar. “Tentamos estabelecer metas, como concluir um semestre ou arranjar um emprego.” Acha que há muita “demagogia” nestas vindas de estudantes de países lusófonos. Vê muitos alunos a chegar com expectativas irrealistas.

Ana Cristina Pereira

Público

17/10/10

 

Via Meninos de Ninguém



publicado por olhar para o mundo às 10:00 | link do post | comentar

Segunda-feira, 30.08.10

Cheguei a casa, a minha esposa não estava nem o meu filho. Liguei-lhe, mas ela não me atendeu. Mandou-me uma mensagem a dizer que saíra de casa e que não voltaria. Não me queria ver mais. Apresentara queixa de mim por violência doméstica.

Conheci-a há 17 anos. Vivíamos perto. Tínhamos um amigo em comum. Ele namorava com uma amiga dela. Saímos todos juntos. Era de tarde. De noite, fomos a uma festa. O Sport Club de Rio Tinto comemorava a subida à terceira divisão. O José Malhoa dava um concerto. Ela cravou-me 50 escudos para pagar a entrada – não mos pagou até hoje [risos]. Conversámos muito. Quis acompanhá-la. Ela deu-me um beijo a uns 500 metros de casa. Telefonei-lhe no dia seguinte.

Passámos quase 16 anos juntos. Conhecemo-nos a 2 de Julho de 1993. Ela saiu de casa a 20 de Junho de 2009.

Havia muito pó no ar.

Os membros de trás do nosso cão tinham paralisado. Eu estava desempregado havia quatro anos. Tínhamos muitas contas para pagar. Discutíamos por tudo e por nada. Ela gritava e eu gritava ainda mais. Impossível os vizinhos não ouvirem. Eu já tinha vergonha de sair à rua. Naquela noite, ela não se controlou. E eu também não. Dei-lhe um par de estalos.

Ela apresentou queixa por violência doméstica. A polícia alertou a Comissão de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ). Agora, é assim: sempre que há uma queixa desta natureza, a CPCJ é avisada. A criança é sempre vítima – mesmo que indirecta – de violência.

Estava bastante arrependido. A técnica responsável pelo processo compreendeu-o. E falou-me no Gabinete de Estudos e Atendimento a Agressores e Vítimas – da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto – e do seu programa de intervenção psicológica em agressores.

A ansiedade tomara conta de mim. Até respirar me custava. A 23 de Julho entrei no Hospital de S. João, no Porto, com uma crise. Talvez por isso, de imediato marcaram-me uma consulta.

Há uma diferença entre quem aparece voluntariamente e quem é enviado pelo sistema de justiça [como medida alternativa à pena de prisão efectiva]. Muitos destes últimos não pensam que agiram mal. Isso nem lhes passa pela cabeça. Por isso, não sentem necessidade de mudar.

As consultas dão-me muito alívio. Naquela sala, digo coisas que não sou capaz de dizer em qualquer outro lugar. Admiro o trabalho dos psicólogos. Estão ali a apanhar com o lixo alheio. A gente cala-se, sai, e eles ainda ficam ali, a pensar naquilo que a gente lhes disse. Na psicoterapia, aprendo a colocar-me no lugar do outro. Aprendo a ver as coisas do lado de fora.

Ela andava deprimida. Uma depressão fora-lhe diagnosticada, mas uma amiga que ela muito preza aconselhara-a a não tomar os medicamentos: aquilo causaria dependência e ela não era maluca.

Ela trabalha com pessoas com paralisia cerebral – quatro de dez monitoras engravidaram na mesma altura. Andava com excesso de trabalho. Eu ajudava pouco em casa. E não faltava trabalho em casa. O nosso cão não controlava as funções fisiológicas – defecava e urinava pela casa toda. Coitada, caiu-lhe o mundo em cima. E eu não soube interpretar os sinais, corrigir os comportamentos a tempo. Perdi o meu sonho, a minha família.

Violência doméstica é muito mais do que violência física. Nas consultas, fiquei a saber como é que pequenos gestos podem ser interpretados pela vítima como actos de violência. Ela gritava e eu gritava e agarrava-a. Eu só queria que ela se calasse, mas intimidava-a.

No tratamento, tive de fazer um trabalho escrito sobre como apareciam as discussões, como é que se desenvolviam, como terminavam. Pedi ajuda à minha mulher. Confesso que, no início, pedir-lhe ajuda foi uma desculpa. Tinha saudades de ouvir a voz dela, aproveitei o trabalho para isso. Depois, percebi que ouvi-la era mesmo importante para perceber o que acontecera.

Fiquei surpreendido. Por exemplo, ela deitava-se cansada e eu fazia solicitações sexuais; ela cedia só para me fazer a vontade. Eu não estava a forçar, mas ela sentia-se forçada. Isso tem a ver com o desenvolvimento das coisas. Pelas coisas que eu dizia, pelas expressões que eu fazia, ela sentia-se pressionada, agredida. Ela ganhou-me medo. E eu estava cego de mais para ver isso.

Temos a casa à venda. Havia contas atrasadas de electricidade, água, televisão por cabo. Dividimos tudo. Fiquei com dois créditos. Já os paguei. Agora, estou a pagar o carro dela e ela está a pagar a nossa casa.

Como é que chegámos a isso? O subsídio de desemprego não é nada. Tínhamos despesas para dois salários. Quando fiquei desempregado, tínhamos uma poupança. Gastámos a poupança a tentar perceber o que é que o nosso cão tinha. E quando demos por ela estávamos a recorrer ao crédito.

Por mais pó que houvesse no ar, eu não tinha o direito de a agredir. Hoje, vejo isso de forma muito clara.

O que para mim era um simples par de estalos para ela era um gesto muito forte. Uma mulher que se dedicou 11 anos à vida de casada, que se esforçou para construir uma família, que passou pelas mesmas dificuldades que eu, deve ter pensado: “O que é isto?! Já passámos por tanta coisa juntos e agora estou aqui a levar um par de estalos!”

Infelizmente, não podemos mudar o passado. Se pudesse, de bom grado o faria. Cometi erros. Se calhar agora, se passasse pelos mesmos problemas, teria outras respostas. Sei que há outras formas de reagir à adversidade, que não é com brutalidade que se chega a algum lado. Percebi que se deve gastar mais tempo a pensar nos problemas do que a discuti-los e que se os deve discutir com calma. Se a pessoa está exaltada, o melhor é dar uma volta.

Fomos por ali fora. Um empolava, outro empolava. Ela também cometeu erros. Também levei estalos dela – mas o que são uns estalos dados por umas mãos pequeninas, levezinhas? Felizmente, não foi pior. De vez em quando vejo notícias de homens que matam mulheres. Nalguns casos, já houvera uma ou várias queixas por violência doméstica.

Pedi-lhe perdão muitas vezes. Escrevi-lhe a dizer que lamentava o que acontecera e que estava empenhado em melhorar. Disse-lhe que estava a ser acompanhado por uma psicóloga.

Apesar de me restar um bocadinho de esperança, sei que ela é casmurra: toma uma decisão e não volta atrás. A única coisa que posso fazer é rezar, mas já rezo há tanto tempo….

É doloroso tomar consciência de que posso mudar o meu comportamento, só que isso não terá efeito na relação com a mulher com quem planei passar a minha vida. Sei que pode ter [frutos] numa relação que eu possa vir a ter, mas eu ainda não consigo imaginar a minha vida com outra.

Deixei de viver na nossa casa. Chegava a casa e não tinha o meu filho a correr para mim, era aquele vazio.

Ela proibiu-me de ver o meu filho. Mandou-me uma mensagem a dizer para não me aproximar: se eu me aproximar, chama a polícia. Ele estava a bater num miúdo mais pequeno. Eu dei um berro, porque estava longe. Ele contou à mãe e ela proibiu-me de o ir buscar. O meu filho nem me atende o telefone. Se o meu filho fizer uma asneira, não o posso repreender?!

Dava uma ajuda e deixei de dar. Primeiro, ela não aceitava. Depois, exigia. Eu mandava pelo meu filho. Não vou lá meter à caixa de correio… Neste momento, nem tenho. Há dois meses, tornei a ficar desempregado.

Já pensei em ir ao tribunal de família, mas isso ia agravar a situação. Vou esperar que acabem as férias.

Custa-me imenso não poder falar com o meu filho. Nem sequer saber se está bem ou se está mal.

Há 15 dias, desisti de tentar falar com ele. Sempre que eu ligava e ele não me atendia, eu ficava muito ansioso. Durante uma hora, não conseguia pensar noutra coisa, não me conseguia concentrar no que quer que estivesse a fazer. Estou a fazer voluntariado, a dar formação de informática – para evitar o ócio, porque o ócio é prejudicial, mais ainda numa situação como a minha.

Já me sinto diferente. Estou atolado em problemas. Almoço e janto em casa dos meus pais, se não morro de fome. Procurar emprego é caríssimo. Muitas vezes, não dá para ir de metro ou de autocarro às entrevistas, é preciso ir de carro. Mas já sei que não vale a pena ficar agressivo, violento. Tenho de ter calma, de encontrar soluções. Tenho investido em formação para alargar o meu currículo. Faço voluntariado para me sentir útil.

Pedi ajuda para mim… Quem sabe se ao corrigir-me também ajudo outros a corrigirem-se?

Texto escrito a partir de entrevista com o agressor em tratamento no Gabinete de Estudos e Atendimento a Agressores e Vítimas da Universidade do Porto. Além deste, existem a Unidade de Consulta em Psicologia da Justiça da Universidade do Minho (Braga) e o Serviço de Atendimento e Avaliação Psicológicos da Universidade Lusófona (Lisboa). O Hospital Sobral Cid (Coimbra) e a Direcção-Geral de Reinserção Social também têm consulta especializada.

Ana Cristina Pereira
Público
17/08/10

 

Retirado de Meninos de ninguém



publicado por olhar para o mundo às 15:54 | link do post | comentar

Quarta-feira, 21.07.10

 os segredos dos gémeos

 

Todos temos um património genético único. Todos menos os gémeos verdadeiros, aqueles que são como uma gota de água, por partilharem o mesmo ADN. Diabolizados ou endeusados ao longo dos tempos, a similitude de dois seres humanos sempre intrigou o resto dos mortais.

"Quando eu vivia no Gabão, chamavam-me 'la maman des jumeaux'", conta-nos Paula Pimentel - mãe de Gastão e António, os adolescentes da nossa história -, explicando que, naquele país, uma mulher que gera dois filhos em simultâneo é considerada a mãe de todos os gémeos do mundo.

 

A gemealidade tem uma carga mágica tão grande que em certos países de África, até à primeira metade do século XX, o nascimento de gémeos era considerado um acontecimento diabólico e à nascença sacrificava-se o mais fraco.

 

Para Paula, que tem quatro filhos, a educação dos gémeos foi um processo consciente no sentido de contrariar a tendência de se poderem transformar na dupla Dupont&Dupond. "desde o início é fundamental saber distinguir as personalidades, e isso não é nada óbvio", diz, exemplificando: "O Martim, que nasceu a seguir, quando se zangava dizia: 'Os Antónios bateram-me!' Esta é uma boa metáfora do que é ter na família filhos fisicamente quase iguais".

Nos álbuns das fotografias de infância dos gémeos, nem eles nem os outros sabem distinguir quem é quem. Eis outra imagem que nos pode dar a dimensão do que poderá ser iniciar a vida em par.

 

Quando nasceram Helena e Anunciação - irmãs muito loiras e esguias que atravessaram meio século como duas figuras ao espelho - o estudo da psicologia e da pedagogia ainda dava os primeiros passos e o cuidado específico com a educação dos gémeos não era tido em conta. Nelas, as semelhanças foram alimentadas em detrimento das diferenças. Ainda hoje formam um núcleo tão cerrado que sentem nunca ter cortado o cordão umbilical.

 

Miguel e Madalena, "irmãos de útero", como dizem a brincar, são gémeos bivitelinos, formados a partir de dois óvulos. Olhando-os, vemos apenas dois irmãos com as suas diferenças físicas, a começar pelo sexo. No entanto, também eles cresceram como um núcleo uno e tiveram de aprender a libertar-se das amarras invisíveis da sua imensa complementaridade. Nas suas vidas de adultos, independentes e separados, nunca perderão a inexplicável sensação de estarem sempre em companhia.

 

Verdadeiros ou falsos, os gémeos continuam a ser um mistério. A circunstância natural da sua gestação ainda não é totalmente explicada pela ciência. Durante o século XX, inúmeros estudos sobre o tema alimentaram discussões apaixonadas sobre a natureza genética e psicológica dos gémeos e a ocorrência deste nascimento é celebrada em vários pontos do planeta, onde milhares de pares se juntam anualmente para falarem sobre a experiência desta cumplicidade intrigante.Gastão e António Pimentel Guerreiro, Madalena e Miguel Wallenstein, Helena Pilar e Anunciação Ricardo. Seis histórias singulares, contadas na primeira pessoa.

 

Ler o resto do artigo aqui

 

Via Expresso



publicado por olhar para o mundo às 08:00 | link do post | comentar

Domingo, 13.06.10

Algumas pessoas têm horror às palavras pénis e vagina. E assim nasceram o "pirilau" e a "pachachinha". Seria altura de uniformizar os nomes dos órgãos sexuais e não andarmos por aí a inventar.

 

Num hipermercado regressava de uma incursão ao corredor das bolachas quando me deparo com um pequeno ajuntamento à entrada da Parafarmácia. Dois casais novos, uma senhora de alguma idade, uma miúda de 4 ou 5 anos e uma bebé de colo.

No centro a mãe com a filha ao colo falava com a voz colocada de uma guia turística. E num tom como se tivesse por plateia um grupo de excursionistas japoneses. Mas o assunto estava longe de ser o Museu dos Coches ou o Mosteiro da Batalha, tratava-se sim do pipi da pequena que andava a dar problemas.

Falava a senhora da última ida ao pediatra com a bebé. Bebé que estou certo que se conseguisse perceber o que se estava a passar entrava no carrinho da Chico estacionado ali perto e só parava no Algarve.

Eu seguia já em direcção aos congelados quando ouvi a mãe sair-se com a sublime frase "está com uns problemazinhos nos mamilos e na pachachinha". Assim, sem mais nem menos, em alto e bom som junto aos Enos de laranja efervescentes, a vagina da pequenita transformou-se pela boca da própria mãe numa "pachachinha". Seja lá o que isso for.

Fiquei congelado e ainda estava longe das arcas onde jaziam em paz os Cornetos de chocolate à espera de serem ressuscitados pela gula alheia. Uma bebé de aproximadamente um ano e já lhe promoveram a vagina a "pachachinha". Medo.

A verdade é que muitas pessoas (onde me incluo como confirma a palavra "pipi" utilizada mais acima)  têm um problema grave quando se deparam com a necessidade de proferir as palavras pénis e vagina. Nestas ocasiões normalmente optam por um pipi, um pirilau, um bibi ou uma passarinha. Isto na versão meiguinha, porque já lhes ouvi chamar de quase tudo. E ainda há quem invente termos na altura, aumentando ainda mais a confusão.

Se entrarmos no calão profundo teremos de recorrer a uma cábula para anotar todo um rol de termos possíveis, ficam alguns exemplos - Senaita, Xereca, Crica, Amêijoa de Barba, Testa de Cabeça de Carneiro Charolês, Costas de um Sapo, Pão de Mafra Cortado ao Meio, Patareca ou Pechixa para o órgão feminino e pinto, piroca, pirolito, chouriço, mastro, carapau, sarda, cacete, membro, rolo, bilau e bráulio para o masculino.

Enfim, tudo parece servir para fugir ao pénis terrível e à vagina da vergonha.

 

Via 100 Reféns



publicado por olhar para o mundo às 21:00 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Terça-feira, 11.05.10

As melhores frases do Jorge Jesus na fase Benfica

 

17 Junho  - Apresentação
"Quero fazer parte da história do Benfica. Quero ganhar títulos no Benfica. Vim para o Benfica não por questões económicas. Vim com um projecto desportivo. Vim porque acredito no projecto desportivo. Vim para o Benfica com a certeza e a convicção de que vou ser campeão nesta casa."

"Sei que só três portugueses é que ganharam o título [no Benfica] mas também quero acrescentar que vou ser o 18.º. Só 17 é que ganharam o título."

"O Benfica, em termos individuais, tem grandes jogadores e como faço em todos os clubes onde tenho passado, os jogadores do Benfica para o ano vão jogar o dobro do que jogaram o ano passado. Só isso. E o dobro se calhar é pouco. "

1 Agosto - Torneio Cidade de Guimarães após 4-0 ao Portsmouth
"Não entramos em euforias. Os jogadores do campeonato português são evoluídos tacticamente e os jogos vão ser mais difíceis"

15 Agosto - Véspera da estreia na Liga frente ao Marítimo
"O Benfica cresceu mais neste curto espaço do que eu pensava. A  equipa já adquiriu processos que eu não pensava ser possível num período tão curto. E ainda vai melhorar. "

30 Agosto - antes do 8-1 ao V. Setúbal e numa altura que tinha apenas dois golos em dois jogos
"Vamos para a terceira jornada. Se tivermos um golo por jornada, no final das 30, será um 'score' que não é o ideal, mas rentabiliza. Agora, se daqui a 10 jogos só tivermos três golos, temos razões para nos preocuparmos e pensar em modificar alguma coisa"


2 Setembro - Insatisfeito com o golo sofrido no 8-1 ao V. Setúbal

"O objectivo é terminar com pouco golos sofridos. É assim que se ganham campeonatos: a marcar mais golos e a sofrer menos".


19 Setembro

"É subjectivo fazermos juízos de valor neste momento. Concordo com o Jesualdo quando diz que o Benfica está mais forte que no ano passado, e talvez também concorde quando ele diz que não estamos mais fortes que eles. Temos os mesmos pontos e estamos os dois atrás do [Sp.]Braga"


20 Setembro - Após vitória em Leiria por 2-1

"A equipa foi guerreira, pois quando não se pode de uma maneira, tem de ser de outra. O campo também não estava muito bom e isto prejudicou. Mas é com este espírito que se fazem os campeões"

25 Setembro - Questionado com as críticas do excesso de penáltis que o Benfica tem beneficiado
"Acho que não temos sido beneficiados. Têm sido decisões bem tomadas pelas equipas de arbitragem. Também já sofremos grandes penalidades e não as discutimos. Temos estado a aceitar todas as decisões."

26 Setembro - Em resposta a Aimar, que afirmou ter sentido a equipa nervosa contra o Leixões
"Não tenho esta opinião [discordando de Aimar]. O que houve é que um jogador que tem alguma influência no jogo da equipa, este sim estava um pouco ansioso, não a equipa. O Aimar tem outra qualidade de jogo, mas quis fazer as coisas muito depressa, de uma forma muito rápida e isto fez com que ele perdesse alguns passes."

3 Outubro - Elogios a Manuel Oliveira
"O futebol está sempre a evoluir, o Manuel de Oliveira nos anos que era meu treinador já era um criador da táctica, ensinou-me muito e algum do conhecimento que tenho hoje devo-o a ele"

17 Outubro - Quando apresentou várias alterações no jogo contra o Monsanto
"Não há suplentes no plantel. Há um treinador que escolhe os melhores e não há um onze padrão no Benfica."

22 Outubro - Após a euforia da goleada ao Everton
"Sentirei orgulho se ganhar títulos no final da época. Temos objectivos para atingir e só se os conseguir é que sentirei orgulho"


25 Outubro - Falando do jogo com o Nacional (6-1)

"Não vai ter muitos golos"


26 Outubro - Incomodado com as notícias da polémica com Manuel Machado, treinador do Nacional
"Não jogámos em túneis, jogámos no campo. O jogo teve noventa e poucos minutos e na segunda parte fizemos quatro golos. No campo é que ganhámos"


30 Outubro - Antes do encontro com o Sporting Braga, que viria a perder 0-2
"O Benfica é muito criativo tacticamente. No sistema que os outros (adversários) possam implementar nunca vão ter uma noção exacta dos posicionamentos do Benfica, que nunca são da mesma forma"

31 Outubro - Após a primeira derrota no campeonato, em Braga por 0-2
“Jogámos contra um bom adversário, que já tinha ganho aqui também a outro nosso concorrente ao título que era o Porto. Sabíamos que era um jogo extremamente difícil. O facto de o Braga marcar o primeiro golo teve alguma influência em termos práticos e também emocionais. A equipa do Braga é uma boa equipa mas o Benfica, depois de ter sofrido o primeiro golo, foi à procura do empate. Conseguiu com o Luisão, com um golo legal... Não foi legal porque o árbitro invalidou mas sei que foi porque já vi as imagens"


9 Novembro - Após vitória sofrida com a Naval, com um golo de Javi García no final
"Foi uma vitória de uma equipa campeã”


28 Novembro - Após empate a zero em Alvalade, falando da época
"Marcámos 31 golos e o resto são peanuts"

6 Dezembro - Após 4-0 à Académica
"Quem trabalha nesta casa só tem um objectivo. Já disse isto várias vezes e não vale a pena estar sempre a repetir. Todos os jogos são para ganhar. E se ganharmos mais vezes que os outros, nomeadamente o Sp. Braga e o FC Porto, podemos chegar ao título. Queremos estar no topo, mas ainda não estamos lá. É o Braga quem lidera porque nos derrotou"

19 Dezembro - Antes do Benfica-FC Porto
“Os nossos adeptos fazem a diferença. Não só na Luz como também nos jogos fora. Precisamos de um apoio condicional e apaixonado, como é característico deles."

20 Dezembro - Após 1-0 ao FC Porto
“Vencemos com raça de campeão. Os jogos ganham-se com atitude e enquanto houve jogo foi uma excelente partida”

23 Dezembro
"Devo confessar que já recebi a melhor prenda, aquela que mais desejava este ano. O que mais queria era a vitória sobre o FC Porto. Essa era a grande lembrança que ambicionava ter. Felizmente o Pai Natal, melhor dizendo, os meus jogadores, conseguiram oferecê-la"

27 Dezembro
"Conseguimos conquistar a confiança de todos à custa do bom futebol que temos praticado, e da grande qualidade de jogo."

"A equipa vai ficar mais forte na segunda volta porque vamos ter hábitos mais comuns e nos conhecemos melhor"

23 Janeiro
"A onda do Benfica está muito forte”

6 Fevereiro - Após empate a um golo em Setúbal
“Fizemos um autogolo e falhámos uma grande penalidade. Isto deixou-nos um pouco desiludidos, custa sempre"

22 Fevereiro
"Pela qualidade que temos demonstrado na temporada, exigem ao Benfica três factores: vitória, golear e nota artística, mas isso é na patinagem artística. Estamos cansados é de ganhar muitas vezes"

27 Fevereiro - Após goleada em Matosinhos (4-0) e antes do Sporting-FC Porto
"Se posso prometer o título? Desde que entrei nesta casa sempre acreditei que o Benfica podia ser campeão."

“Bem, para ser sincero, tenho de dizer que vou agora puxar pela vitória do Sporting”


7 Março - Após 3-1 ao Paços de Ferreira
“Nunca faço análises ao desempenho dos árbitros e este jogo acho que até foi fácil para o árbitro, porque não teve casos. Mas curiosamente os amarelos que mostrou, tirando o do Di María, foi a jogadores que ficaram ‘no risco'. Concordo com ele na jogada do Saviola, não há grande penalidade, mas houve contacto e por isso o jogador caiu. Mostrar um cartão amarelo porque houve contacto? Os árbitros têm de ser menos teóricos e mais práticos. Têm de ler menos livros e perceber mais de futebol!”

20 Março
"Só falo pelo Benfica. O meu grande objectivo é o campeonato. Tínhamos quatro provas para disputar no início da época; agora temos três possibilidades e queremos ganhá-las. Sou um treinador ambicioso, estou numa fase importante e quero ganhar mais”


21 Março - Após conquista da Taça da Liga
"Quero dedicar este título ao meu pai"


26 Março - Comentando a nomeação para o Benfica-Sp. Braga
“O Pedro Proença é um bom árbitro. Tecnicamente tem muita qualidade nas suas apreciações, disciplinarmente também, por isso creio que vai conjugar-se com as equipas em campo para proporcionar um bom jogo de futebol"


27 Março - Após triunfo sobre o Sp. Braga
"Só me sentirei mais perto do sonho quando as jornadas ditarem que o Benfica já é campeão nacional. Em duas jornadas tudo se pode alterar, por isso temos de trabalhar como até aqui"


18 Abril - Após vitória em Coimbra por 3-2

“O Benfica está a um pequeno passo do título, um passo decisivo e que é o mais difícil. Era importante não perder este jogo e continuamos com uma vantagem de 6 pontos sobre o Sp. Braga"


24 Abril - A duas semanas do título
"Ainda não fomos campeões e não podemos mandar os foguetes antes da festa"

 

 

Via Ionline



publicado por olhar para o mundo às 08:00 | link do post | comentar

Segunda-feira, 03.05.10

A palavra crise pouco dirá a quem vive em crise desde que vive? “Quem é muito pobre quer lá saber da crise!”, prega Esmeralda Mateus, presidente Associação de Moradores do Bairro de Aldoar, na zona ocidental do Porto. A reformada diz isto e logo o desdiz: “E se, com essa crise, acabam com o rendimento social de inserção [RSI]? De quê que esta gente vai viver?”

Há muito desocupado encostado às paredes limpas do bairro construído há 41 anos para alojar quem vivia nas barracas. “Não arranjam trabalho”, legenda Cecília Pinto, atrás do balcão do bar associativo, contas enegrecidas pelos fiados. A filha dela está com 20 anos e não vai além de umas horitas num infantário. “Tirou o 9.º ano. Fez um esforço, mas tirou-o, com a graça de Deus. Afinal, não sei para quê!”

Uma espécie de calvário é percorrido por quem não consegue entrar no mercado de trabalho ou dele sai e esgota subsídio de desemprego e subsídio social de desemprego sem conseguir reempregar-se. O RSI pode, então, surgir como única forma de atenuar a severidade da pobreza. Esmeralda Mateus não quer que se pense que a mais polémica prestação social é alguma fartuna: “Uma pessoa sozinha recebe 187 euros e isso para que dá? Onde estão as voltas de ouro que antes se viam ao pescoço? Foram vendidas ou estão no prego! Ainda bem que a canalha, agora, tem almocinho na escola! Todas as noites há gente a vasculhar os caixotes do lixo ao pé do supermercado!”

As notícias chegam pelo televisor incrustado na parede – sempre ligado na TVI: falam nas descidas do rating, nas turbulências na bolsa, nas pressões do Fundo Monetário Internacional e do Banco Central Europeu, das medidas do Plano de Estabilidade Económica. Já nem as ouvem – é como se ali estivesse a professora do Charlie Brown a pronunciar frases incompreensíveis. Apesar de trazerem cortes no subsídio de desemprego, fiscalizações nas prestações sociais.

O tema deste momento é o tema de qualquer momento: sobreviver. E isso, agora, pode ser abalado com o aumento das rendas decretado pela câmara. Cecília pagava 32 euros por um T3 e passou a pagar 54. A crise dela é essa. Está nervosa, muito nervosa. Tem de pagar contas correntes de renda, luz, água e contas atrasadas de renda, luz, água. E, como ela, muitos vizinhos do bairro – alvo de recuperação no exterior e nas zonas comuns. Alegra-a o marido ter arranjado trabalho nas obras, em Espanha: “Uma pensão de invalidez de 200 euros que eu tenho! Ou pagava contas ou comprava comida! Não pagava, que os meus filhos têm de comer.” Mas não se sente segura: “Aquilo em Espanha também não está bom. A qualquer altura o podem mandar embora.”

Talvez a sua grande inquietação não seja, afinal, muito diferente da da classe média que com ela se cruza na freguesia. Diana Peres, engenheira civil de 25 anos, está preocupada com “a falta de emprego” e convencida de que “a verdade ainda não foi toda revelada”. José Fernando – fogueiro que a crise no têxtil atirou para a reforma antecipada – mata o tempo num minúsculo café comprado pelo filho, empregado no sector automóvel: “Se ele ficar desempregado, vem para aqui.”

Ana Cristina Pereira
Público
30/04/10

 

Via Meninos de ninguém



publicado por olhar para o mundo às 08:00 | link do post | comentar

Domingo, 28.03.10

 

O presidente de uma consultora norte-americana andava à procura de um estagiário e decidiu consultar o Facebook para saber mais sobre um candidato que parecia promissor. Acabadinho de se licenciar pela Universidade do Illinois, o jovem descrevia os seus maiores interesses como sendo "fumar ganzas", "disparar sobre pessoas" e "sexo obsessivo". Tudo, é claro, no mais puro calão norte-americano. Resultado: o presidente da consultora deitou o currículo para o lixo. 

"As redes sociais transformaram-se num mercado de trabalho", garantiu ontem João Laborinho Lúcio, sócio da Pedro Raposo & Associados, durante o seminário "Do código de conduta à reputação das empresas", realizado em Lisboa. O advogado chamou a atenção para algo que a maioria dos utilizadores de sites como o Facebook e o Twitter parecem ainda não ter percebido: as empresas usam as redes para avaliar os candidatos e chegam mesmo a fazer recrutamento através da própria rede social. 

De acordo com os dados do mais recente estudo sobre esta questão, o "Online Reputation in a Connected World" da consultora Cross-Tab, 70% dos directores de recursos humanos norte-americanos e metade dos directores europeus admitem rejeitar candidatos com base nos perfis do Facebook. No entanto, apenas 7% dos utilizadores norte-americanos e 13% dos europeus disseram acreditar que as suas informações nas redes sociais poderiam ter impacto junto do empregador. 

Reputação O problema de mostrar fotos de bebedeiras a pessoas que conheceu apenas num ambiente profissional é a sua associação à empresa onde trabalha. Para Salvador da Cunha, director-geral da Lift Consulting, "as redes sociais não podem ser ignoradas". O director da agência citou dados da Sophos, segundo os quais 72% das empresas acreditam que o comportamento dos seus empregados nas redes sociais pode comprometer a evolução do negócio. A Coca-Cola, por exemplo, pede aos colaboradores que estejam atentos e denunciem casos de abuso. A Telstra, operadora australiana de telecomunicações, obrigou os 40 mil funcionários a ter formação em redes sociais, especialmente em Facebook. 

Parece um exagero? Os casos mais mediáticos de escândalos que começaram em redes sociais sugerem o contrário. Por ser um fenómeno tão recente, a explosão das redes sociais - há 1,7 milhões de portugueses no Facebook - não foi acompanhada de um ajustamento dos comportamentos. O resultado é que estes espaços são usados de forma displicente, por vezes até divulgando informações internas das empresas.

O que fazer O advogado João Laborinho Lúcio afirma que as redes sociais podem destruir a reputação de uma empresa em pouco tempo. E como é impossível estar de fora, a solução é criar um código de conduta que previna comportamentos bizarros e deixe bem claro quais serão as consequências (ver caixa). O código da tecnológica Intel, por exemplo, permite que se escreva negativamente mas sem recorrer ao insulto. E para aqueles que "acham" que não estão no Facebook, como alertou a directora da empresa WeFind, Milena Melo, o melhor é pensar duas vezes e olhar para o caso do chefe dos serviços secretos britânicos, John Sawers, que apareceu em calções de banho no perfil criado pela mulher.



publicado por olhar para o mundo às 11:23 | link do post | comentar

Terça-feira, 02.02.10

Deixem jogar o Mantorras!

 

Quem nunca percebeu o fenómeno Mantorras devia escolher uma de duas experiências. Ir aoEstádio da Luz num daqueles jogos em que o avançado entra nos últimos minutos; ou ir a Luandavê-lo jogar na selecção e depois perceber como (não) consegue andar na rua. Mas hoje em dia o melhor seria mesmo encontrar o Pedro Manuel no bairro onde nasceu, o Sambizanga, a fugir daqueles que aparecem e dizem ser primos ou amigos - é que Mantorras nunca jogou tão pouco, esta temporada só fez uma partida oficial no Benfica (e agora outra na selecção). Pior, aquele a quem chamaram "novo Eusébio" está cansado de lutar contra a lesão no joelho e pode abandonar a carreira. Deixou de fazer sentido dizer: "Deixem jogar o Mantorras."


"Vou conversar com a família e depois dar uma conferência de imprensa para divulgar o que decidi", disse o angolano, ainda em Luanda, onde participou na CAN. A dúvida está lançada mas uma coisa é certa, aos 27 anos o adeus à selecção está praticamente garantido. Resta saber se também põe fim num percurso que iniciou há sensivelmente dez anos e que o levou do Alverca - estreia em Outubro de 1999, lançado por José Romão num jogo contra o Vitória de Guimarães - ao Benfica. 

Foi na Luz que nasceu o fenómeno. Quem o viu chegar, em 2001, pensava estar perante o novo Eusébio. Luís Filipe Vieira disse logo: "Só sai por 18 milhões de contos" - 90 milhões de euros para afugentar o interesse do AC Milan. O africano franzino, que tinha sido dispensado do Barcelona e que o mesmo Vieira acolheu no Alverca, era então um atleta inspirado que só parava à falta, fosse contra quem fosse. Daí o célebre "deixem jogar o Mantorras". É claro que esses tempos já não seriam possíveis hoje, Mantorras deixou de poder ser o novo Eusébio quando, à segunda operação, os médicos perceberam que a cartilagem do joelho direito tinha desaparecido. Depois ainda lhe abriram a perna mais duas vezes e lá foi recuperado para ser uma espécie de arma secreta a termo certo - contam-se os minutos que pode entrar, para tentar resolver jogos. O Mantorras do último título (2004/05), com Trapattoni, foi isso mesmo, decisivo, com cinco golos que deram duas vitórias (Marítimo e Estoril) e um empate (Estoril), quase sempre em cima do último apito, para aumentar o drama na bancada.

O Benfica de Jorge Jesus, agora, está longe do sofrimento desse tempo (Cardozo e Saviola fazem alguma diferença quando comparados com Nuno Gomes e Karadas) e já não se pedem os mesmos milagres. Esta época Mantorras não fez qualquer minuto no campeonato e apenas foi chamado para um jogo da Taça de Portugal, contra o Monsanto (goleada 6-0, não foi preciso nenhum golo dos seus). Entretanto foi convocado para a Taça das Nações Africanas mas Manuel José deu-lhe apenas 29 minutos de utilização, com o Malawi. No jogo da eliminação, com o Gana, a perder por 1-0, o treinador português nem se lembrou de o colocar. Se a selecção angolana fosse o Benfica de 2004-05, estava-se mesmo a ver qual seria a substituição...

Sem influência no Benfica e na selecção, Mantorras passa os dias entre a fisioterapia e os treinos, mantendo a condição física mínima à espera de ser chamado. Aos 27 anos continua com tempo, ninguém corre atrás dele, nem sequer corre o risco da dispensa, normal para qualquer futebolista. Luís Filipe Vieira renovou-lhe o primeiro contrato feito no Benfica e na época 2008/09 até pagou, por 2 milhões de euros, os 50 por cento do passe que tinham ficado na posse do Alverca em 2001. 

Agora resta saber qual é a vontade de quem sofre. É a que conta porque o clube tem uma dívida de gratidão com o futebolista que lá destruiu o joelho. Na época passada, quando chegou ao Benfica, Quique Flores chegou a dizer que Mantorras deveria ser dispensado. Obviamente ainda não tinha percebido de quem estava a falar. O espanhol é que acabou por ir embora.

 

Via ionline



publicado por olhar para o mundo às 09:39 | link do post | comentar

Quarta-feira, 27.01.10

Chinesa tentou fazer sexo com o ladrão

 

Pensando ser seu marido, mulher se jogou sobre o bandido.
Mas ela notou que o cabelo estava diferente e acendeu as luzes.

 

Uma chinesa confundiu um ladrão com seu marido e tentou fazer sexo com o homem que havia invadido no dia 13 de janeiro sua casa em Changsha, na província de Hunan, segundo reportagem do jornal "China Daily". 


A mulher identificada apenas como Qiu disse que levou um susto, quando descobriu que o homem com quem quase manteve relações sexuais era um bandido, e não seu marido. 

Qiu disse à polícia que estava dormindo, quando ouviu alguém entrar no seu quarto. Pensando que o ladrão fosse seu marido, a mulher se jogou sobre o homem na tentativa de fazer sexo com ele. 

Nesse instante, o invasor a empurrou e começou a abraçá-la. No entanto Qiu percebeu que o cabelo estava muito grande para ser o do seu marido. Ela acendeu as luzes e descobriu que estava com um estranho em sua cama. 

Após ouvir os gritos da mulher, o marido de Qiu, que estava na casa de um vizinho, correu para dentro de sua casa e dominou o ladrão.

 

Via G1

 



publicado por olhar para o mundo às 21:21 | link do post | comentar

Domingo, 24.01.10

 



publicado por olhar para o mundo às 15:06 | link do post | comentar

Quinta-feira, 21.01.10

Amor e uma autocaravana

 

Carlos e Isilda Lopes têm uma vista diferente todos os dias. Às vezes preferem acordar e espreguiçar-se em frente ao Mediterrâneo. Outras gostam de estar perto da civilização e estacionam a autocaravana perto do mais concorrido centro comercial de Lisboa, o Colombo. Já Teófilo Ramos pode deixar o despertador tocar até dez minutos antes das aulas começarem. A sua carrinha está estacionada quase em frente à escola e, ao contrário dos colegas, não tem de gastar dinheiro todos os meses com o aluguer de uma casa.

Inês Sousa orgulhava-se de ter a melhor vista de Lisboa: estacionada em frente ao Tejo, ia para o trabalho de bicicleta até engravidar e comprar uma casa mais espaçosa no Porto.

Há quem prefira a liberdade da vida sobre rodas às paredes de um apartamento. Laurinda é um bom exemplo disso. Apesar de ter casa numa das zonas mais cobiçadas de Lisboa, a Avenida de Roma, não troca a sua autocaravana por nada. Na companhia do seu periquito Quicas, tem a mesma rotina que tinha em casa: cozinha, toma banho, lava a loiça e até fala com os amigos na internet.

A única preocupação constante de todos os que optam por este estilo de vida é encher semanalmente o depósito da água e despejar a casa-de-banho numa estação apropriada. "Infelizmente há poucos sítios em Portugal onde isso se possa fazer", diz Isilda Lopes que já percorreu a Europa na sua autocaravana. "França é o melhor país para viajar assim. Há condições excepcionais e áreas próprias de paragem."

Em Lisboa são poucos os sítios onde as carrinhas e autocaravanas são bem-vindas e cada vez mais são afixados sinais de proibição de estacionamento. "Costumava ficar ao pé da Torre de Belém e do Padrão dos Descobrimentos, mas depois proibiram", conta Maria, de 49 anos, que há dois anos vive numa autocaravana. A sua empresa vai abrir uma filial em Madrid e Maria terá de vender a autocaravana. "É uma cidade mais perigosa e por isso prefiro vendê-la aqui", diz. "Estou a pedir 30 mil euros por ela."

Uma autocaravana por estrear custa em média 60 mil euros, mas há quem opte por uma carrinha comercial a menos de metade do preço e a transforme numa casa. É o caso de João Lourenço, que só não tem uma casa-de-banho.

 

veja o resto da noticia no Ionline



publicado por olhar para o mundo às 15:20 | link do post | comentar

Domingo, 20.12.09

 Jogador de Rubgy assume a sua homossexualidade

 

Gareth Thomas é um dos jogadores de râguebi mais conhecidos do País de Gales. Ontem admitiu que era homossexual. A revelação provocou reacções positivas de activistas dos direitos dos homossexuais e especulação sobre outras estrelas do desporto que poderão seguir-se.

"Só quero agradecer a toda a gente pela fantástica resposta que recebi, em meu nome, da minha família e dos meus amigos", disse o jogador. "Espero que ao revelar isto, o meu exemplo possa fazer a diferença para outros na minha situação.

 

Via Ionline



publicado por olhar para o mundo às 23:01 | link do post | comentar

Terça-feira, 15.12.09

Aminetu 



publicado por olhar para o mundo às 13:18 | link do post | comentar

Quinta-feira, 12.11.09

as novas mamas da Amy WhinehouseA cantora britânica, que gastou 39 mil euros nos novos implantes, foi fotografada a exibir a sua nova silhueta.

 

Amy Whinehouse está feliz com os seus novos implantes mamários, e faz questão que todo o mundo saiba...e veja. A intérprete de Back to Black foi fotografada numa das zonas mais movimentadas de Londres com uma camisola muito decotada, que deixava o seu soutien cor-de-rosa totalmente exposto. A cantora, que recentemente aumentou o tamanho do peito de um singelo 32B para um generoso 32D, mostrou-se muito confiante e feliz com a sua nova silhueta e não exclui a hipótese de voltar a submeter-se a mais intervenções estéticas como, por exemplo, a colocação de implantes no rabo.

 

 

 

Via DN

 



publicado por olhar para o mundo às 15:22 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Domingo, 08.11.09

Está na profissão certa?

 

 Como saber o caminho? Os serviços de orientação vocacional ganham ,a cada dia que passa, uma força quase decisiva nas escolhas dos jovens. O pacote completo pode incluir avaliações psicológicas, estudo de carreiras, análise do mercado de trabalho, expectativas pessoais e dinâmicas de grupo. Um novo negócio em destaque na edição de revista Veja.

 

Faça o teste: Está na profissão certa? É melhor confirmar

Via Ionline



publicado por olhar para o mundo às 16:07 | link do post | comentar

Sexta-feira, 04.09.09

Encontrou 100000 euros e entregou-os ao dono

 

O gerente de uma loja nos arredores de Lille, no norte de França, encontrou uma caixa de metal com 100 mil euros no caixote de lixo da empresa.

Yvon Wonterghem conseguiu localizar os donos do dinheiro, um casal de idosos, e devolveu o dinheiro.

O gerente da loja afirmou que encontrou essa caixa quando inspeccionava o contentor do lixo, que muitas vezes é utilizado pelos moradores da rua.

"Os maços estavam minuciosamente organizados com pequenos bilhetes a indicar o total. Foi fácil contar, havia 100 mil euros", referiu o responsável, acrescentando ainda que, na mesma caixa estava um envelope com nome e endereço do casal de idosos.

 

Via ionline

 

É caso para dizer:Ainda há esperança para o mundo



publicado por olhar para o mundo às 19:28 | link do post | comentar

Terça-feira, 25.08.09

 Ela gosta de sexo na piscina

 

O actor norte-americano Brad Pitt declarou que a Angelina Jolie gosta de fazer amor na piscina, mas não em qualquer uma. O casal mais sexy de Hollywood confessou que gosta de fazer sexo numa gruta secreta na sua piscina privada. Brad Pitt e Agelina Jolie não só são ricos e famosos como também têm uma vida sexual bastante activa. “Procuramos sempre algum tempo livre. É muito importante para qualquer relação” afirmou o protagonista de Tróia ao jornal alemão “Bild”.

 

Via Ionline



publicado por olhar para o mundo às 20:15 | link do post | comentar

Segunda-feira, 27.07.09

 Miguel Vale de Almeida, gay assumido no parlamento português

 

O antropólogo  já pensava no coming out, mas foi o caso Candal o impulso decisivo que o levou a escrever no jornal "Público", onde era cronista: "Graças a esta homofobia salazarenga posso assumir em público que eu, lisboeta, cronista, gay, e nos antípodas políticos de Paulo Portas, decidi não votar no PS." Estávamos em 27 de Setembro de 1995, o dia em que o professor no ISCTE assumiu que era gay e que, três anos antes de fundar o Bloco de Esquerda, tencionava votar PS.


Agora Vale de Almeida protagoniza um facto histórico: candidato no 7.o lugar na lista de Lisboa do PS, tornar-se-á o primeiro homossexual assumido a entrar no Parlamento português - pela mão do PS e não do Bloco de Esquerda, apesar de o mesmo Miguel Vale de Almeida, fundador e antigo dirigente do Bloco, de onde saiu em 2006, ter pedido sempre para não ser posto em lugar elegível. Aliás, o Bloco nunca fez eleger, nem isso vai acontecer nas listas deste ano, nenhum deputado activista gay.

Integrado no mais moderado dos movimentos que fundaram o Bloco de Esquerda (Política XXI, de Miguel Portas), Vale de Almeida afastou-se em 2006 por se sentir "saturado de uma organização partidária". Agora confessa que "estava em afastamento ideológico". "Sempre tive uma grande dificuldade em lidar com aqueles aspectos da esquerda radical. E vivia num impasse: ou ficava a bater-me para fazer vingar as minhas ideias ou saía." 

Concorre como independente nas listas do PS - "não tenho nenhum interesse em juntar- -me a um partido e em fazer carreira política". "Continuo a achar que estas pessoas todas que estão entre o Bloco de Esquerda e o PS gostavam de ver um BE mais moderado e um PS mais à esquerda", diz.

Quando chegar ao Parlamento, a primeira das suas tarefas será protagonizar o combate pelo casamento entre homossexuais, caso o PS tenha maioria.

"É natural que o PS espere que eu tenha um papel nisso. É uma luta importantíssima, para arregaçar as mangas", diz Vale de Almeida, que, no entanto, não quer ser acantonado exclusivamente a essa questão. "Gostava de me dedicar às questões de direitos, liberdades e garantias, da discriminação em geral." 

Inês de Medeiros foi a outra surpresa das listas do PS, indicada para terceira em Lisboa, uma lista encabeçada por Jaime Gama e Vera Jardim.

Os nomes foram ontem aprovados pela comissão política, que só começou depois de fechada esta edição. Havia conflitos no Porto - onde Pedro Baptista, representante da minoria derrotada, ameaçava interpor uma providência cautelar contra a lista aprovada na distrital - e em Coimbra, onde a insistência de Sócrates em colocar Paulo Campos, secretário de Estado adjunto e das Obras Públicas, no terceiro lugar, estava a incendiar os ânimos. A distrital queixa-se de que, se Paulo Campos ficar com o terceiro lugar, os três primeiros candidatos não são de Coimbra, o que se torna aborrecido para combater o PSD liderado por um Paulo Mota Pinto nascido e criado na cidade. A número 1 da lista do PS de Coimbra é Ana Jorge e a número 2 é a actual deputada Antónia Almeida Santos.

No Porto ficou Alberto Martins, o líder parlamentar, em primeiro lugar, com Teixeira dos Santos, o ministro das Finanças, em segundo. Foi o caso mais polémico da feitura das listas, porque a distrital pretendia que Teixeira dos Santos fosse o número 1. A hipótese de o ministro liderar Aveiro também ficou afastada: será Maria de Belém Roseira a número 1 por Aveiro.

Em Setúbal, para um distrito mais obreirista, foi o ministro do Trabalho e da Solidariedade. Em Beja previa-se que repetisse Pita Ameixa, o líder distrital que já tinha sido cabeça em 2005. O mesmo em Bragança, onde Mota Andrade deverá ser novamente o número 1. Em Vila Real é Pedro Silva Pereira a liderar e em Santarém Jorge Lacão. Para Leiria foi enviado Luís Amado, o ministro dos Negócios Estrangeiros, que foi rejeitado pela anterior distrital pela qual se candidatou, Viana do Castelo. Em Viana, os dirigentes locais exigiram ser eles a indicar o número 1 - que será a actual deputada Rosalina Martins. 

António José Seguro deverá repetir a eleição pelo distrito de Braga. Na Guarda é o presidente da federação local, José Albano. Em Évora e Portalegre estava previsto que repetissem Carlos Zorrinho e Miranda Calha, assim como José Junqueiro em Viseu. Nos Açores lidera Ricardo Rodrigues e na Madeira Bernardo Trindade. Mas Sócrates ainda pode mudar de ideias.

 

Via Ionline



publicado por olhar para o mundo às 16:28 | link do post | comentar

mais sobre mim
posts recentes

Novas regras para as dedu...

Gosto dela e gosto dele

Cabo Verde, A arte de faz...

Quase um terço da Humanid...

Tudo para ter uma menina

Morreu o actor Leslie Nie...

Um comprimido por dia aju...

Universitários sobrevivem...

Por mais pó que houvesse,...

Os mistérios e segredos d...

arquivos

Fevereiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Setembro 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Julho 2014

Junho 2014

Março 2014

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

tags

todas as tags

Related Posts with Thumbnails
blogs SAPO
subscrever feeds
comentários recentes
Moro no Porto gosta de saber se há este tipo de cu...
Olá Boa tarde eu ultimamente não sinto prazer sexu...
Gente me ajudem nao sei oq fazer eu tenho meu mari...
joga na minha conta entaomano
Eu es tou dwsssssssssvzjxjshavsvvdvdvsvwhsjdjdkddd...
Quero fazer uma pergunta referente ao tema e é pro...
fala comigo
Essa papelaria em Queijas da muito jeito chamasse ...
ai mano to nessa como faz???
Gostaria de saber oque fazer quando a criança nega...
Posts mais comentados