Terça-feira, 16.11.10

Nuas para combater o analfabetismo

 

"Estão mesmo nuas. Não estava nada à espera." A reacção é dos participantes de uma sessão de leitura de contos infantis, poesia e ficção científica quando se deparam com uma fila de mulheres sem roupa a declamar. É que quando pensamos numa sessão de leitura nunca a visualizamos tão arejada. O que nos vem à cabeça é uma biblioteca enorme, com um silêncio sepulcral e pessoas com óculos na ponta do nariz e voz de rádio. Nada mais longe da realidade. Quem vai assistir a uma sessão das Naked Girls Reading (Raparigas Nuas a Ler) encontra um grupo de raparigas de livros na mão, saltos altos e mais nada. Mesmo mais nada. Roupa? Nem vê-la. 

"Quem nos vem ver adora. Não sabem muito bem o que esperar, mas recebem um espectáculo à altura do que pagam [cerca de 20 euros], o que é gratificante. Eles ficam entusiasmados com a literatura e com mais vontade de ler", explica-nos por email a fundadora do grupo, Michelle L''Amour. Será este o melhor remédio para quem não tem paciência para ler?

Burlesco

O objectivo do clube era muito simples: "Criar um salão para estimular as pessoas em muitos níveis, com mulheres bonitas, literatura bonita e uma atmosfera bonita", diz Michelle ao i. A ideia da stripper do burlesco e do escritor e fotógrafo Frank Vivid tornou-se realidade há um ano e meio, em Chicago, nos EUA.

A primeira sessão foi no "Studio L''amour", de Michelle, mas o clube literário já chegou ao Canadá e está espalhado por várias cidades norte-americanas, como Los Angeles, Nova Iorque ou Dallas. "Estamos a tentar chegar ao Reino Unido, mas há alguns problemas legais." Provavelmente por estarem nuas num local público, acrescentamos nós.

No menu literário das cinco meninas - além de Michelle, fazem parte do clube veterinárias, designers e bibliotecárias - estão livros como "O Estranho Caso do Dr. Jekyll e Mr. Hyde", de Robert Louis Stevenson, "Diário de Anne Frank", "Lolita", de Vladimir Nabokov, "Onze Minutos", de Paulo Coelho e os livros de D. H. Lawrence e Anaïs Nin. As sessões são abertas ao público, mas têm o limite de 120 pessoas. Coisa pouca. Mas se por acaso está a pensar em inscrever-se para ser uma das jovens a ler sem roupa, não é fácil. "Nem toda a gente pode ler. Temos ensaios e muitas reuniões antes da sessão. Mas as mulheres adoram. Durante a sessão sentem-se livres e mágicas. É uma óptima experiência partilhar algo de que gostamos de forma apaixonada com uma audiência atenta", explica Michelle. 

Mas a dúvida persiste. Quem vai a uma sessão destas liga alguma coisa à literatura? "Acho que as pessoas estão atentas às duas coisas. A minha reacção preferida no público é quando as pessoas ficam espantadas por estarmos mesmo nuas. Rimo-nos imenso. É que está no título." O fenómeno já foi baptizado de genial e a "Time Out" nova-iorquina profetizou que a moda ia pegar. Michelle deixa o aviso: "Sabemos que os italianos gostam. Se calhar um dia destes ainda vamos a Portugal."

 

Via Ionline



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Domingo, 07.11.10

Quem tem medo de Lobo Antunes

 

Amado por uns, odiado por outros, reconhecido por todos. Lobo Antunes é dos escritores portugueses mais respeitado dentro e fora de portas. Já António, o homem, poucos o conhecerão. Reservado, profundo, visceral, não lhe faltam histórias polémicas, que acabam invariavelmente nos jornais. Talvez ele nem as leia: não lida bem com a crítica e não gosta de dar entrevistas porque as considera irrelevantes. Mas, mais do que tudo, porque uma história de jornal nunca passa disso, de uma história, com toda a ficção e realidade que pode conter: "Sou arrogante, mal-educado, rebelde, geralmente sou sempre o António Lobo Antunes somado a qualquer coisa desagradável. Não corresponde a nada do que sou, a nada", disse em entrevista ao Expresso o autor de "Sôbolos Rios que Vão", o seu novo livro que acaba de ser editado.

Quando o jornalista do "Diário de Notícias" (DN) João Céu e Silva contactou pela primeira vez António Lobo Antunes, o escritor acedeu sem grande reserva ao pedido de entrevista. Dois dias antes do encontro mudou de ideias e recusou. "Disse-lhe que íamos publicar quatro páginas em branco apenas com a justificação dele. Ele acabou por ceder", recorda ao i o jornalista e autor de uma compilação de entrevistas ao escritor. No dia marcado para a conversa, à porta de sua casa, nova investida do autor. "Foi mal-educado, disse-me que não sabia quem eu era, como se quisesse dizer que eu não era ninguém. Não me deixei ficar e tive uma reacção muito violenta. Acho que foi isso que me fez conquistar algum respeito. Em vez de uma entrevista tradicional de 40 minutos, falámos mais de duas horas."

Foi dessa longa conversa que nasceu a ideia do livro, editado em 2009, pela Porto Editora. "Uma Longa Viagem com Lobo Antunes" é o resultado de dois anos de conversas entre o jornalista e o escritor. "Todas as sextas-feiras falávamos cerca de duas horas", recorda Céu e Silva. E embora o escritor seja um homem cheio de reservas nas conversas com jornalistas, não foi o que aconteceu com o repórter do DN. "Ele acha que as entrevistas não acrescentam nada, não justificam a perda de tempo", explica. Talvez tenha sido isso que o levou a desejar - e a verbalizar - o fim de uma entrevista feita por Anabela Mota Ribeiro. Na conversa, o autor de "Memória de Elefante" diz à jornalista que "desde que começámos que desejo que isto acabe". E acabou na pergunta seguinte. 

É possível que a frontalidade suscite os adjectivos que o autor não gosta que lhe colem - "sou arrogante, mal-educado, rebelde". Ou talvez explique as suas raras aparições públicas. Mas revela acima de tudo o homem reservado que se esconde por trás das páginas dos livros. "Não se desvenda facilmente. Mas quem lê os seus livros consegue apanhar-lhe as manias, os mitos, no fundo, muito dele", explica Céu e Silva. Seja como for, Lobo Antunes é um homem de poucas palavras - faladas - fora do seu círculo de pessoas próximas. Na rua onde vive, na tabacaria onde compra cigarros ou no café onde toma a bica, ninguém conhece mais do que a sua silhueta. "Falar? Sim, fala bastante. Nunca vem sozinho", brinca um funcionário de um dos restaurantes que o escritor frequenta, na Rua Gomes Freire. 

Paradoxalmente, o homem solitário que não lida bem com a exposição pública - "como cidadão praticamente não existo. Não frequento eventos, não participo em nada. Tenho uma vida muito solitária, muito fechada. Não faço vida social" - raramente deixa de dizer o que pensa, sem usar paninhos quentes. Sobretudo no que diz respeito à literatura. Quando José Rodrigues dos Santos lançou "A Vida num Sopro", o vencedor do Prémio Camões classificou o livro de "uma grande merda", confessando ficar "assombrado com pessoas que escrevem livros de dois em dois meses", num país "onde todos são escritores". 

Lobo Antunes é um autor disciplinado, que vive para a escrita e dificilmente consegue pensar noutra coisa quando tem um livro em mãos. "Uma vez perguntou-me o que é que eu achava que os portugueses gostavam de ler. Irrita-se e interroga-se com o facto de as pessoas não conseguirem entender os seus livros. E porque vende menos do que alguns escritores sem o seu génio. Nos momentos em que não consegue escrever, e tudo isso lhe vem à cabeça", acredita João Céu e Silva. 

É provável que um sentimento semelhante lhe provoque alguma crispação, sempre que lê uma crítica. Não que Lobo Antunes não saiba viver com ela - "nunca disse nada [a um crítico], posso não gostar mas nunca digo nada" - mas a verdade é que já deixou escapar várias vezes o seu desagrado. Em 2007, depois de um texto de Pedro Mexia sobre o seu livro "O Meu Nome é Legião", Lobo Antunes reagiu mal: disse não o conhecer e que "o homem não percebeu nada daquilo". A resposta não tardou: numa réplica publicada no seu blogue, Lei Seca, Mexia recorda o seu encontro com o autor, na Feira do Livro, quando este o elogiava e assinava um livro seu - "Para Pedro Mexia, porque gostei do seu livro".

A rivalidade com Saramago Uma das maiores polémicas alimentada nos jornais foi a suposta rivalidade entre José Saramago e António Lobo Antunes. Numa reportagem feita para o jornal "Tal&Qual", Frederico Duarte Carvalho vestiu-se de Pai Natal decidiu oferecer prendas a famosos. Um dos escolhidos foi José Saramago, que recebeu das mãos do repórter o "Livro de Crónicas" de Lobo Antunes. Na altura, especulou-se que o Nobel da literatura teria atirado o livro para o chão. Mas as palavras foram: "Tome, não aceito e considero isto uma provocação." 

Também o humorista Jel quis alimentar a polémica, quando Lobo Antunes se encontrava a promover um livro nos EUA. "Fiz-lhe uma entrevista na biblioteca pública de Nova Iorque, fazendo-me passar por um brasileiro que pensava que ele era o prémio Nobel português, Levou tudo na desportiva." 

Polémicas à parte, a verdade é que Lobo Antunes esteve cotado na lista dos eleitos da uma das principais casas de apostas para o prémio Nobel da Literatura deste ano. E serão poucos os escritores vivos com o seu génio. Em tempos, terá vivido o desgosto do Nobel de forma intensa. Há quem diga mesmo que "morreu durante alguns anos" por não ter ganho o prémio. Mas, se dermos como certa a praga de Saramago - que acreditava que nenhum autor português ganharia o galardão enquanto ele estivesse vivo - talvez se renove a esperança de ver novamente um português em Estocolmo. Se assim for, Lobo Antunes é o grande candidato.

 

Via Ionline



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Sexta-feira, 22.10.10

Totalmente nuas, de pernas cruzadas e em ambiente burlesco. É assim que o atrevido grupo literário Naked Girls Reading tem conquistado fãs entre os EUA e o Canadá, provando que aleitura não tem de ser uma coisa chata.

 

 

Quantas vezes entre o mundo dos saltos rasos que me rodeia ouvi a frase: "Não tenho paciência para ler. Odeio livros!". Para quem, como eu, ler é atividade sagrada nos tempos livres, esta falta de apreço pela leitura é um verdadeiro sacrilégio. Contudo, meus queridos amigos que acham os livros chatos, deixo-vos uma pergunta: e se uma mulher, totalmente nua, vos lesse um livro, continuavam a achar a leitura algo aborrecido?

 

Michele L'Amour é a autora da iniciativa literária sem roupa
Michele L'Amour é a autora da iniciativa literária sem roupa
Naked Girls Reading

Nos Estados Unidos e Canadá a ideia provocante ganhou forma (eu diria mesmo "formas") com o grupo literário Naked Girls Reading (Mulheres Nuas a Ler). Muito resumidamente, estas senhoras despem-se de preconceitos e sentam-se em frente à plateia - de pernas cruzadas! - para ler, desde os grandes clássicos a livros de terror e suspense. Para terem noção da variedade literária destas senhoras, pelas suas sessões já passaram trechos de obras tão distintas como o célebre "Diário de Anne Frank", "Lolita", de Vladimir Nabokov, e até mesmo "Onze Minutos", de Paulo Coelho.

E assim se criam novos hábitos de leitura

 

Criadas em parceria pela showgirl Michelle L'Amour e o pelo escritor e fotógrafo Frank Vivid, as Naked Girls Reading apresentam-se sempre num cenário burlesco, envoltas em glamour e boa disposição. Desenganem-se as mentes mais rebuscadas: a pornografia, essa ali não tem lugar.

Procuradas tanto por público masculino como também por feminino, as meninas da leitura sem roupa já passaram por mais de dez cidades entre os Estados Unidos e o Canadá. Numa altura em que a Internet ganha terreno e os hábitos de leitura estão cada vez mais baixos, este estímulo é de louvar. Contudo, fica-me uma pergunta na cabeça: será que nestas sessões alguém consegue realmente prestar atenção à história?

 

Ver os vídeos aqui

 

Via A Vida de saltos Altos



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Quinta-feira, 30.09.10

Manuais escolares gratuitos

 

A partir do próximo ano lectivo, as escolas públicas vão poder distribuir gratuitamente os manuais escolares aos alunos do ensino básico e secundário através de bolsas de empréstimos. O i apurou que PS e PSD vão viabilizar amanhã os projectos de lei do Bloco de Esquerda e do CDS-PP que permitem aos estabelecimentos de ensino criar um sistema de empréstimos acessível a todas as famílias, independente da sua condição socioeconómica.

Paula Barros, deputada socialista, diz que o PS "não vai fechar a porta" ao regime proposto pelo PP e BE e que a bolsa de empréstimos deverá ser implementada "o mais rápido possível". Significa isto que o governo está disposto a introduzir o novo modelo no início do ano lectivo 2011/12 e após uma avaliação que terá de ser feita pelas escolas.

Acarretar com os custos dos manuais escolares é "uma situação insustentável" para muitas famílias portuguesas e é essa a razão que o PSD apresenta para viabilizar as propostas dos dois partidos. Só falta saber se os sociais-democratas vão optar pelo voto favorável ou pela abstenção, mas o deputado Pedro Duarte garante que não vai colocar impedimentos aos projectos de lei do BE e do CDS: "Viabilizaremos o documento na generalidade para podermos depois discutir as propostas na especialidade, onde iremos dar o nosso contributo."

Apesar do consenso da maioria dos deputados no Parlamento, a Confap - a principal confederação das associações de pais, está contra a bolsa de empréstimos de manuais escolares por "acarretaremdemasiados obstáculos", avisa o dirigente Albino Almeida. O facto de os manuais do 1.o ciclo e de línguas estrangeiras incorporarem os exercícios, inutilizando os livros é a primeira dificuldade apontada pela confederação de pais. 

Mas o certo é que o projecto dos bloquistas impõe uma cláusula que visa obrigar os editores a elaborar os manuais sem incluir o respectivo espaço para a resolução dos exercícios, permitindo que voltem a ser usados. A proposta, que não consta no projecto do CDS, terá o apoio socialista: "A verdade é que o aluno deveria poder manusear o livro escolar, mas a proposta do Bloco parece um bom princípio", defende a deputada do PS.

Só que este não é o único argumento para a Confap recusar a modalidade de empréstimos de livros escolares. "Apesar de os livros vigorarem durante três ou quatro anos, a maioria das escolas muda os manuais todos os anos", assegura Albino Almeida, que diz ser preferível as editoras fazerem os manuais destinados a mais do que um ano lectivo.

"Elaborar livros que incluam os currículos do 1.o e 2.o anos, por exemplo, permitiria reduzir o seu número", defende o presidente da confederação, propondo criar também conteúdos multimédia para complementar os manuais: "Esse é o melhor caminho, uma vez que permite a actualização permanente dos conteúdos, possibilidade que não existe nos manuais", esclarece Albino Almeida, adiantando que essa experiência já acontece em mais de 30 municípios com um custo médio de nove euros por cada disciplina.

Bolsas de empréstimos não é novidade entre alunos e professores e boa parte das escolas já pratica essa modalidade, conta Adalmiro Fonseca, presidente da Associação Nacional dos Directores de Escolas e Agrupamentos escolares. "Gerir um sistema de empréstimo de manuais não é difícil para as escolas, mas é preciso criar mecanismos e dar autonomia às escolas para estabelecerem as suas próprias regras", remata o dirigente.

 

Via Ionline



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Segunda-feira, 09.08.10

Isabel Allende e o Ponto G.

 

Pablo Neruda disse-lhe um dia que ela era péssima jornalista - mas, se não fosse ele, talvez a autora do best-seller Casa dos Espíritos não se tivesse dedicado à literatura

 

A literatura faz-se com pequenas mentiras umas atrás das outras e é por isso que a autora de A Casa dos Espíritos se tornou escritora e abandonou a carreira de jornalista. "Como jornalista não era muito boa", confessa a chilena Isabel Allende, que está no Brasil a lançar o romance histórico A Ilha sob o Mar, na 8.ª Festa Literária Internacional de Paraty, onde chegou de avião com o seu marido norte-americano, o advogado e escritor de policiais William C. Gordon. "Não conseguia ser objectiva, mentia todo o tempo, mas isso não são defeitos na literatura, esta faz-se de pequenas mentiras", diz Isabel Allende no palco da Tenda dos Autores, em Paraty, que está completamente a abarrotar.

Numa conversa conduzida pelo jornalista e escritor Humberto Werneck, que no ano passado conversou no mesmo palco com António Lobo Antunes, Isabel Allende conta que em 1973 vivia no Chile e em Agosto recebeu um telefonema do poeta Pablo Neruda. O Prémio Nobel da Literatura em 1971 pedia-lhe que fosse até à Isla Negra onde ele vivia. Nessa altura ele já estava doente e para Isabel era uma honra imensa que o Nobel a chamasse para o ir entrevistar. Dizia a si própria: "Sou a melhor jornalista do Chile por isso me escolheu a mim." Comprou um gravador novo, enfi ou-se no carro e foi vê-lo.

Tiveram um almoço chileno delicioso com vinho branco rodeados da sua colecção de garrafas e quadros. "Coleccionava quanta porcaria existia! Na altura aquilo no Chile era considerado lixo, hoje são peças de museu. Às três da tarde disse-lhe: ‘Pablo, começamos a entrevista? Tenho medo que fi que cansado.'" E o poeta respondeu-lhe: "Jamais aceitaria que me entrevistasses! És a pior jornalista deste país. Tu mentes o tempo todo. Passa a dedicar-te à literatura e todos os teus defeitos serão virtudes." 
Um mês depois, Pablo Neruda morreu. "Houve o golpe militar e 11 dias depois ele morreu. Dizem que morreu de pena, mas ele já estava muito doente. Depois disso fi quei pouco tempo no Chile e fui para o meu auto-exílio na Venezuela. Muitos anos mais tarde escrevi A Casa dos Espíritos como uma tentativa de recuperar esse mundo que havia perdido: a minha família, a memória do que tinha sido a minha infância, reunir todos aqueles que estavam espalhados pelo mundo e ressuscitar os mortos." 
"Somos muito fofoqueiras"

Se não tivesse saído do Chile, Isabel Allende talvez não se tivesse tornado escritora e continuasse a ser uma "péssima jornalista". Desde os 15 anos de idade que a escritora mantém uma correspondência quase diária com a sua mãe, que tem agora 90 anos. Em sua casa, nos Estados Unidos, existe um armário cheio de caixas de plástico, organizadas por anos e com toda a correspondência entre as duas. A mãe escreve-lhe todos os dias, à mão. "São cartas perfeitas, sem nenhuma correcção, num espanhol literário, perfeito. E por causa de toda a tecnologia moderna, eu respondolhe por e-mail e falamos por Skype. Mas dá-me pena, porque muitas das coisas se perdem." Foi com a ajuda destas cartas escritas ao longo de muitos anos que a escritora escreveu as suas memórias. Isabel tem um acordo com a mãe de que nunca ninguém vai ler essas cartas. "Ela não me escreveria o que me escreve, se pensasse que um dia outra pessoa iria ler. E eu tão-pouco. Somos muito fofoqueiras, dizemos mal de muita gente, contamos coisas muito privadas."

Sem querer ser indiscreto, o jornalista e escritor brasileiro Humberto Werneck, pergunta a Isabel Allende o que estava ela a fazer no dia 8 de Janeiro deste ano. E ela, com os seus olhos muito expressivos, pintados com eyeliner, respondeu-lhe: "Estava a escrever. A escrever um outro romance que está quase terminado e que será publicado no fi nal do próximo ano. Não me perguntes do que trata."

Desde 1981, ano em que escreveu A Casa dos Espíritos, a escritora chilena começa os seus livros no dia 8 de Janeiro com alguns rituais. E antigamente começava a escrevê-los na sua casa de Salsalito, que, como lembra Werneck, foi um bordel, uma igreja, uma fábrica de biscoitos e de chocolates e guardava todos os cheiros dessas actividades. Agora, Isabel Allende escreve numa casa pequena que existe no jardim de sua casa, a casa da piscina. Acende umas velas, faz meditação. "Dá-me sempre um pouco de medo começar um livro e é por isso que a cerimónia do início de um livro está cada vez mais longa, assim tenho mais tempo. Dá-me medo, porque parece-me que cada livro é uma aventura. Tenho que resgatar a história. Sinto que as personagens existem e que o meu trabalho é ouvi-las."

Para a autora, que já publicou 18 livros, as três primeiras semanas de um livro são terríveis: porque as personagens não estão definidas, a história não tem forma. Nessas primeiras semanas sente que não sabe nada, que não aprendeu nada, é como se estivesse a percorrer uma montanha e não conseguisse chegar ao topo.

Pernas que voam

Humberto Werneck lembra que num dos livros de Isabel Allende uma personagem perde uma perna, mas no livro seguinte a mesma personagem reaparece e já tem duas pernas. "Uma perna andou voando por aí", ri-se a chilena. "Um crítico literário espanhol escreveu que isto era realismo mágico." E as gargalhadas ecoam pela Tenda dos Autores. 
Quando escreve ficção, fá-lo sempre em espanhol, apesar de viver nos EUA e essa ligação à sua língua original é mantida não só através das cartas da mãe, mas também da leitura de poesia de Neruda. Na quinta-feira, ao final da tarde em Paraty, Isabel Allende contou também como conheceu o seu marido.

Estava a fazer uma tournée de apresentação do seu terceiro ou quarto livro nos Estados Unidos, quando conheceu William, "o último heterossexual solteiro da Califórnia, aquele senhor [aponta para o marido na sala]. Divorciado duas vezes, ele tinha lido o meu livro e convidou-me para jantar. E começou a contar-me a história da sua vida e eu apaixonei-me por essa história, é por isso que eu costumo dizer que o ponto G está na orelha." Ouvem-se mais risos por toda a sala.

"Eu tinha-me divorciado recentemente e estava a viver em castidade, mais ao menos há umas três semanas, pensei que poderia ter uma aventura de uma noite com aquele senhor e acabar de ouvir a história." Mas ele não terminou a história naquela noite. "Quando voltei à Venezuela, o meu fi lho de 20 anos esperava-me no aeroporto e disse-me: ‘Mamã, passa-se alguma coisa? Estás diferente.' Eu disse-lhe que estava apaixonada. Eu tinha 45 anos e ele perguntou: ‘Na tua idade?' Então voltei à Califórnia para passar uma semana com William, para ver se o tirava da cabeça, e assim estou há 23 anos a ver se ele acaba de contar a história." Quando se vêem os dois a passear por Paraty, percebe-se que ainda não acabou.

 

Via Público



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Domingo, 13.06.10

Young Mandela, a história por trás do homem

 

"Como pode um homem que cometeu adultério e abandonou a mulher e os filhos ser Cristo? O mundo inteiro gosta demasiado do Nelson. Ele é apenas um homem." Quando a libertação do símbolo da luta anti-apartheid na África do Sul foi descrita como a segunda descida de Cristo à Terra, em 1990, a indignação de Evelyn Mase, a enfermeira que levou Nelson Mandela ao altar pela primeira vez, passou despercebida. Ao procurar o verdadeiro Mandela, David James Smith, jornalista do "Sunday Times", percebeu que parte da história - contada na sua autobiografia "Long Walk to Freedom", publicada no ano em que se tornou o primeiro presidente negro da África do Sul (1994) - tinha sido voluntariamente omitida. Atrás do mito, havia um homem mulherengo, infiel, distante dos filhos, autoritário e para quem a violência doméstica não era um tabu. 

"Young Mandela" chegou ontem às livrarias britânicas e conta a vida imoral de um dos mais carismáticos estadistas da história. "Nelson Mandela foi um revolucionário em muitos sentidos, mas não como marido nem como pai", escreve David Smith em dois excertos da obra pré-publicados no "Times". "O meu ponto de partida foi: aqui está o estadista mais velho do mundo, talvez o mais amado e admirado da história recente, mas cuja vida de jovem guerreiro, que lutou contra o racismo, foi esquecida. Mal cheguei a Joanesburgo [em Agosto 2008], encontrei pessoas próximas de Mandela que me disseram: ele não é um santo e não se considera santo, tem falhas e fraquezas como toda a gente, e é sobre o ser humano que deves escrever", conta ao i o escritor. Em três meses, Smith procurou falar com todos os que conheceram o Mandela "real" , o que não consta em nenhuma biografia.

filho secreto Na terra de Madiba, como é conhecido entre os sul-africanos, corriam rumores que teria tido um filho secreto com uma activista do Congresso Nacional Africano (CNA). Ruth Mompati era professora e decidiu reformar-se e juntar-se a Mandela quando o regime do apartheid considerou que os "nativos" não mereciam educação adequada. Com o gravador em off, Mandela "não negou o caso mas disse claramente que não existiu nenhum filho", conta Smith. Porém, o jornalista ouviu outros testemunhos credíveis e, quando os dois filhos de Ruth morreram, num espaço de apenas quatro meses, só a morte de um deles apareceu num comunicado do CNA: Neo Matsoane, o filho mais velho, nascido a 25 de Abril de 1955 e falecido a 7 de Janeiro de 1998, morreu asfixiado com a própria língua. Para Smith, era filho de Mandela. "Aparentemente era parecido com o pai."

santo infiel Mompati Neo Matsoane não seria o único rebento oculto de Mandela, que oficialmente teve seis filhos (quatro da primeira mulher e dois da segunda, Winnie). Amigos de longa data do estadista asseguram que gostava de mulheres bonitas e teve várias "namoradas". A cantora e actriz Dolly Raethebe - dez anos mais nova - terá sido mais uma das suas conquistas, revela Smith.

O verniz estalou quando a primeira mulher começou a desconfiar das infidelidades do marido. Quando exigiu que Ruth não voltasse a entrar na sua casa, "Mandela ficou furioso. Mudou a cama para o salão. Tornou-se cada vez mais frio e distante", confidenciou Evelyn Mase à autora da sua biografia, Fatima Meer.

Mandela nunca o negou: sabia que não era santo. "Isso foi uma das coisas que me preocuparam - ter ascendido à posição de semideus - pois daí para a frente a pessoa não é mais um ser humano", afirmou Nelson Mandela num dos célebres discursos. Na autobiografia, Mandela atribui o fim do casamento à devoção religiosa de Evelyn, testemunha de Jeová, que queria que Mandela fosse mais comprometido com Deus do que com a causa política anti-racista. 

Homem violento? É aqui que aparece a faceta mais inesperada do mito em "Young Mandela": a de agressor. No processo de divórcio a que David Smith teve acesso, Evelyn acusa Mandela de a ter abandonado em Fevereiro 1955 e, desde então, a ter "maltratado cruelmente e agredido repetidas vezes", inclusive com uma tentativa de homicídio por estrangulamento, o que a levou a procurar refúgio junto dos vizinhos. Reclamava a custódia das crianças, pensão e bens do casal. Mandela negou as agressões: tinha sido Evelyn a abandoná-lo quando foi detido após o histórico congresso em que divulgou os princípios da "Carta da Liberdade". Em Novembro 1956, Evelyn retirou--se do processo. Sem explicações. Ao i, Smith explica que "foi um arranjo de conveniência, com Mandela a tentar não tirar as crianças à mulher". "Estas alegações podiam ter sido politicamente inábeis no momento em que ganhava proeminência como líder da CNA." Verdade ou mentira, nas páginas da imprensa, seria certamente um escândalo.

Smith não confirma qual é a versão mais próxima da verdade, mas defende Mandela: "Muitos dos piores momentos ocorreram nos tempos de maior stresse, quando lutava contra a pobreza para sustentar a família e contra os educadores racistas que achavam que um homem negro não era apto para ser advogado de renome. Foi quando se envolveu profundamente na luta contra o apartheid, com prisão e perseguição policial à mistura. Nestas circunstâncias, a sua sobrevivência é um testemunho de grande coragem e dignidade."

O livro revela ainda relações muito tensas entre a primeira e a segunda família de Mandela, que é descrito como autoritário pela segunda mulher, Winnie. Condenava todas as acções do segundo filho Makgatho. "Era gélido [com os filhos]. Não é pessoa de dizer 'amo-te'. É um africano e mostrar sentimentos seria uma fraqueza que não pode demonstrar", conta no livro Ndileka, filha do primeiro herdeiro de Mandela - Thembi. Makgatho acabaria por morrer de sida. "Às vezes, é mais fácil mostrar-se para estranhos do que para os mais próximos. Pode ser um líder mundial, mas não pode segurar a mão do filho quando está a morrer ou abraçar a neta", diz Smith.

E mesmo que não tenha dado sinais de remorsos, o autor defende-o: a luta pela liberdade exigiu grandes sacrifícios a Mandela e a família pagou um preço elevado. Mandela fará 92 anos em Julho e, no Outono da vida, "incentiva os netos a explorar a história da família. Espero que o livro possa juntar as duas famílias e há sinais de isto estar a acontecer".

 

Via Ionline



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Quinta-feira, 06.05.10

O striptease também se escreve

 

Bastet é apenas a mais recente stripper a aventurar-se no mercado editorial. Os livros deste novo género são úteis para quem tenha vergonha de ir a um clube de strip ou a um bar de alterne e queira saber como funcionam. Escolhemos aqueles que poderá encontrar mais facilmente nas livrarias. "Só Deus Me Julgará", de Bastet, e "Amanhã à Mesma Hora", de Leonor Sousa, falam do mundo dos clubes de strip. "Alugo o Meu Corpo", de Paula Lee, é um relato sobre prostituição num bar de alterne. 

São poucas as diferenças entre a Grécia e uma mulher em vias de entrar no mundo do striptease. O corpo é belo e admirado por todos, mas as dívidas são exorbitantes. A diferença é que, no caso das strippers, estar de tanga é parte da solução e não do problema. As garotas de programa vão mais longe. São uma espécie de Grécia que não só convida turistas mas também admite vender partes do território à Alemanha. Strippers e garotas também são um óptimo exemplo para a economia. Não basta reduzir a despesa, é preciso investir para depois ter retorno. Depilação, manicure, pedicure e roupas são investimentos avultados, mas as strippers têm de aparecer deslumbrantes perante os clientes ou fazem figura de Grécia perante os mercados: uma senhora com excesso de peso e buço, a quem é recomendado um plano rigoroso de emagrecimento. Depois de consertado o estado pessoal da economia, as senhoras tentam capitalizar o sucesso escrevendo testemunhos sobre os próprios casos. É uma receita idêntica à de João Rendeiro, só que o único sucesso deste foi um banco falido. Se continuarem a escrever a este ritmo, dentro de cinco anos a Feira do Livro estará a abarrotar de strippers, e clubes como o Champagne anunciarão espectáculos de Lídia Jorge e Gonçalo M. Tavares. No entretanto, surge um glossário muito particular desta área:

Arte Segundo Bastet, a arte do striptease não é devidamente apreciada pelos clientes. Depois de quatro whiskies ninguém fica em condições de ver, quanto mais de apreciar arte, a menos que os urinóis sejam inspirados em Duchamp. E por muito boa que seja uma obra de arte, expô-la ao som de Joe Cocker retira-lhe alguma dignidade.

Camarins Nos camarins o ambiente é de guerra fria. Há sempre uma heroína solitária contra uma cortina de ferro atrás da qual se escondem checas, russas e romenas. Quando Leila confidencia que, contra todas as regras, se envolveu sexualmente com um marine, nós percebemos. Ela não estava a ser ingénua, estava a pedir ajuda à NATO.

Clientes Bastet chama-os de "carneiros". Refere que o clube de strip onde trabalhava era frequentado por futebolistas, empresários e até um padre. São os maus da fita mas merecem a nossa simpatia. Se antigamente o maior risco que corriam era o de uma rusga policial que lhes estragasse a noite, agora podem acabar como personagens literárias. 

Crise Bastet fala do tempo em que as strippers podiam ganhar 75 euros por noite. E agora? Será que há clientes que levam champanhe em termos? Será que algumas raparigas, que nem sequer têm dinheiro para a roupa, são por esse motivo obrigadas a reduzir o espectáculo para metade?

Estreia O primeiro cliente de Paula Lee foi um homem de 90 anos. Ainda bem que há padres que frequentam estes ambientes porque nunca se sabe quando é que alguém vai precisar da extrema-unção.

Inícios Leila descobriu que queria ser stripper quando, por acaso, viu um show de strip num canal pornográfico e pensou que também podia fazer aquilo. No fundo é o que todos sentimos quando vemos o Hélder Postiga em campo. Na altura, Leila nem sabia o que era uma table dance. 

Bastet sempre quis ser bailarina e mostrar a alma, mas nem mesmo o elevado número de strippers russas transforma um clube de strip no Bolshoi. Um clube de strip em que as dançarinas mostrassem as respectivas almas não parece uma má ideia. O problema seria arranjar quem lhes fizesse a depilação.

A primeira experiência de Paula Lee no negócio do sexo foi no Sexphone, ainda no Brasil. Veio para a Europa, não só para um campeonato mais competitivo, mas também para um desporto diferente: alugar o corpo.

Nomes Num mundo de fantasia e erotismo estão proibidos nomes como Cesaltina ou Maria do Amparo. A stripper Bastet (pseudónimo) optou por Barbie Cinderela, um nome que só pode entusiasmar quem estiver à procura de uma boneca insuflável, de um travesti ou de ambos. Leonor Sousa, que no diário é Leila, escolheu como nome artístico Gabriela, de inspiração amadiana. Paula Lee (pseudónimo), transformou-se em Letícia. Quem pensa que a heteronímia pessoana é complexa, nunca leu estes livros.

Política A ideia de que as strippers não têm consciência política é errada. Bastet conta como não sentia qualquer remorso em sacar o que podia a políticos africanos. É verdade que também o fazia aos outros clientes, até aos que não sabiam soletrar a palavra "cleptocracia", mas sem a mesma carga de justiça poética. 

Show Lésbico Espectáculo através do qual as strippers contribuem para uma sociedade mais tolerante e menos preconceituosa, baseada no respeito pela orientação sexual de cada um. 

Títulos "Só Deus Me Julgará" é o equivalente ao futebolístico "o futuro só a Deus pertence". "Amanhã à Mesma Hora" também remete para o futuro, embora mais próximo, e com uma promessa de pontualidade que poderá confundir as mentes lusitanas. "Alugo o Meu Corpo" pode levar ao engano aqueles que esperam um ALD.

 

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Terça-feira, 23.03.10

Mitos Urbanos

 

A noite vai avançada e o tema de conversa começa a faltar - os silêncios são constrangedores. Qual a melhor maneira de apimentar uma noite entre amigos? Sai um mito urbano para a mesa três! "Vocês já repararam que nunca se vê um funeral de um chinês? É muito estranho... Ouvi dizer que eles utilizam-nos para fazer chop-suey." Pode parecer conversa absurda mas assim nascem os boatos. 

A jornalista da SIC Susana André também ouviu muitas destas histórias e depois de fazer uma Grande Reportagem sobre o tema foi convidada a escrever um livro. Em "Mitos Urbanos e Boatos" vai encontrar desde histórias de infância às mais recentes. "Queria que o livro servisse para desmontar os boatos. Há mitos fantasiosos, que são um bocadinho como as histórias dos lobisomens. Mas outros servem para denegrir alguém, como a história da relação entre o cantor Melão e jogador Calado que foi terrível para as famílias e carreira dos próprios".

 

1 - Urina de rato nas latas mata
Os humanos têm um novo hábito desde 1998:_limpar as latas de refrigerante antes de beber. Tudo começou com um e-mail assustador:_“mulher bebe directamente de lata e morre”. Causa: a lata tinha urina de rato “tóxica e letal”. Mas calma. Como explica a jornalista Susana André essa tal mulher nunca existiu e a hipótese de isso acontecer é improvável. A urina de rato é perigosa para os humanos e pode causar leptospirose, mas nunca a podemos apanhar ao beber de uma lata. A bactéria que está na urina (leptospira), se for ingerida morre em contacto com o suco gástrico e para se manter “viva” tem de estar dentro de água.

 

2 - Chineses são imortais ou estão no meu chop-suey?

A história corre por toda a Europa: os chineses não morrem. Ou melhor, não há registo de óbitos de cidadãos chineses. Há até quem acrescente o pormenor: “Eles são desmembrados nas cozinhas dos restaurantes, cozinhados e servidos em chop-suey”. “É fácil comprovar que é tudo mentira. Quando os chineses começam a ficar doentes, regressam à China onde querem morrer. Mesmo quando morrem em Portugal, preferem ser enterrados no seu país. Entre 2000 e 2005, morreram 33, número normal para as comunidades de imigrantes.”

3 - Mamas explosivas

“Isso das mamas de silicone é um perigo. Não se pode andar de avião, se não explodem.” Conversa perfeita para um cabeleireiro, mas não passa de um mito. Existe de facto uma hospedeira cujos implantes explodiram a bordo de um avião, mas não há uma relação de causa-efeito entre silicone e despressurização. Como explicou Victor Garcia, presidente da Sociedade Espanhola de Medicina e Cirurgia Cosmética, “o mais normal é que se tenha tratado de um defeito de fabrico, que tanto se podia ter manifestado num avião como em casa.”

 

4 - “Ligue para o 112, acabamos de lhe tirar um rim”

A noite está a correr bem e a loira ao balcão não tira os olhos de si. Começam a conversar e acabam num quarto de hotel. Quando acorda está dentro de uma banheira, tem uma cicatriz nas costas e uma mensagem:_“Se queres viver, liga para o 112 e não saias da banheira”. “Os mitos urbanos têm como base preconceitos e os grandes medos da sociedade. Histórias de pessoas que acordam sem órgãos são universais”, diz Susana André. Há várias versões do mito: da mulher sedutora que o droga, à carrinha branca que andava pelas escolas, passando pela casa-de-banho do Kremlin. Parece que a Máfia Russa recrutava rins na discoteca lisboeta. A verdade é que a polícia nunca recebeu uma queixa. Como refere a jornalista, a Organs Watch explica que os traficantes de órgãos escolhem países pobres.

 

5 - Carlos Paião foi enterrado vivo 
Quem nunca ouviu o boato de que Carlos Paião foi encontrado virado no caixão depois de o ter arranhado não deve ter andado em Portugal nos últimos 20 anos. O mito de que o cantor de “Playback” tinha sido enterrado vivo era contado em cafés como um facto. “É uma história chocante e foi com relutância que contactei a viúva de Carlos Paião. Ela explicou-me que o corpo tinha sido autopsiado e que nunca ninguém abriu o caixão”, diz ao i Susana André.

 

6 - Os ratos gigantes de Mafra 
Os ratos têm o tamanho de um coelho, ocupam os quatro andares subterrâneos do Convento de Mafra e são alimentados por dois militares. Ah! E comeram um homem. Este mito é o equivalente aos crocodilos que vivem nos esgotos nova-iorquinos, numa versão menos exótica, sem tartarugas-ninja. A verdade é que é raro o visitante que vá a Mafra e não pergunte pelos ratos. Vamos desmontar o mito por fases: não há quatro andares subterrâneos, apenas um. Existem ratos nos esgotos, mas ainda há pouco tempo a responsável pelo palácio fez uma visita ao local e viu apenas um, como nos conta Susana André. Quanto ao homem devorado por um super-rato, a história tem uma origem verdadeira. O Capitão Álvaro Campeão, da Escola Prática de Infantaria, instalada no convento, conta que um soldado caiu no esgoto e morreu da queda. Como foi encontrado dias depois com sangue e uns ratitos por perto, a dedução lógica foi: os ratos atacaram-no. Mentira.

 

7 - McMinhoca Deluxe ou Big McMinhoca?
A fórmula secreta dos hambúrgueres do McDonald’s é quase tão falada como a da Coca-Cola. O sabor inalterado e a invasão planetária da cadeia de fast food deve ter enervado algumas pessoas, o que terá originado o mito de que eram feitos de minhocas. A jornalista Susana André esteve na fábrica da empresa, em Toledo, Espanha, e comprovou que não havia minhocas. “Vi a carne de vaca a ser triturada, prensada e a saírem os hambúrgueres.”

 

8 - Há sida nos telefones?
Ainda há quem tenha muito cuidadinho ao mexer em telefones públicos. Nos idos anos 90, a história de rapariga que se sentou numa cadeira de cinema e picou-se numa agulha com o papel: “Bem-vindo ao mundo real. Agora tens sida” correu o mundo. Seguiram-se as cabines telefónicas. Não vamos sequer responder à pergunta: “Por que raio é que alguém ia fazer isso?” A ciência vem em defesa da verdade: “o HIV é um vírus sensível ao meio externo e sobrevive apenas alguns minutos fora do corpo”.

 

9 - Ricky Martin no armário 
Reza a história que o programa “Sorpresa, Sorpresa” convidou Ricky Martin para surpreender uma fã. Puseram-no no armário da jovem e esconderam as câmaras. Ela chegou a casa e chamou o cão. Mas não era para lhe fazer apenas umas festinhas... O boato dizia que a jovem terá colocado foie gras nas partes íntimas e enquanto o cão a lambia, Ricky Martin via tudo do armário. Ela foi apanhada em flagrante pela produção e semanas depois do escândalo suicidou-se. O boato não se ficou por Espanha mas não passa disso mesmo. O realizador do programa prometeu cinco mil euros a quem lhe apresentasse uma imagem que fosse. Ninguém reclamou o prémio. Ricky Martin também desmentiu a história e disse que nem estava no país na altura.

 

10 - Tatuagens do He-Man têm LSD
As crianças dos anos 70 e 80 sofreram o mesmo trauma: a dupla vida das tatuagens de colar. Se por um lado eram a forma mais simples de ascender na hierarquia social do recreio, por outro, ter o He-Man colado no braço era um risco para a saúde. Os pais proibiram as tatuagens depois do comunicado do “17º Batalhão da Polícia Militar”. Assunto: “Tatuagens de heróis infantis estão a ser vendidas nas escolas e estão impregnadas em LSD.” Como Susana André descobriu, a existência de um grupo de traficantes interessado em tornar dependentes de uma droga tão cara clientes que “só têm orçamento para o vício dos chupa-chupas” nunca existiu. O boato regressou em 2002 e a polícia esclareceu que o tal batalhão militar nunca existiu e que não há registo de casos com essas tatuagens em Portugal nem no resto da Europa. Adultos frustrados, corram para os quiosques!

 

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Sábado, 20.03.10

Os melhores sítios para ler fora de casa

 

01 Quintal Bioshop 


Num quintal normal, e para quem tem a sorte de o ter, pode haver uma pequena horta, flores e, quem sabe, um espaço para churrascos. No quintal mais famoso do Porto, o Quintal Bioshop, há uma mercearia biológica, uma loja de produtos ecológicos e de cosméticos naturais, workshops e encontros, uma cafetaria bio e ainda uma esplanada com wi-fi. Procure um lugar no meio das árvores e peça uma fatia de bolo de chocolate e romã antes de abrir um livro. 

Rua do Rosário, 177, Porto, 222 010 008. Segunda a sexta das 10h30 às 20h00, sábado das 15h00 às 20h00

02 Espaço Fábulas

O livro a levar bem podia ser "Ali Babá e os Quarenta Ladrões" ou "As Mil e Uma Noites", porque o Fábulas, em Lisboa, tem qualquer coisa de caverna encantada (e até tem uma tosta chamada Sheherezada, com queijo brie e espinafres, uma delícia). Entra-se e o chão é de pedra, as paredes são de pedra, e em cada recanto há uma mesa, uma poltrona ou até uma velha máquina de costura a convidar à conversa ou à leitura. Dirija-se à sala para não fumadores e escolha o sofá por baixo das fotografias da Beatriz Costa - provavelmente o recanto mais confortável de Lisboa. Se quiser até pode ir sem material de leitura, porque livros e imprensa do dia são coisa que não falta por aqui.

Cç. Nova de São Francisco, 14, Lisboa, 213 476 323. Segunda a quarta das 10h00 às 24h00, quinta a sábado das 10h00 à 01h00 e domingo das 11h00 às 19h00.

03 Esplanada do Farol Design Hotel 

Mais perto do mar é impossível. E mais confortável que num dos sofás brancos de Gandia Blasco também. Na On the Rocks, a esplanada do Farol Design Hotel, os livros têm dois sérios concorrentes: a vista e o sol. Mas experimente levar qualquer coisa de acordo com a atmosfera e a bossa nova que passa baixinho ou as caipirinhas que saem do bar: um dos romances de Chico Buarque, por exemplo, ou um Rubem Fonseca. 

Farol Design Hotel, Av. Rei Humberto II de Itália, 7, Cascais, 214 823 490. Das 10h30 à 01h30

04 Maria Vai com as Outras 

Não se podia falar dos melhores sítios para ler sem falar de uma livraria, mas a Maria Vai com as Outras, no Porto, não é uma livraria qualquer. Tem alguns livros para venda, sim, mas também é café, bar, casa de chá, loja de artesanato, galeria e sala de concertos. Entre as suas paredes coloridas a regra é conviver ou aproveitar o ambiente calmo e amigo dos livros, do cinema e da arte (todos os espaços amigos dos livros têm um gato, e a Maria Vai com as Outras tem). 

R. do Almada, 443, Porto, 220 167 379. Todos os dias das 16h30 às 20h30 e das 22h30 às 24h00

05 Jardins do Museu do Traje e da Moda

Há momentos em que parece Sintra, com árvores centenárias impossíveis de abraçar e estátuas e escadarias de pedra que vão dar a lagos com nenúfares. Há momentos em que se estendem pomares e prados e não se percebe se o jardim tem um fim. E há alturas em que parece que estamos dentro da série "Perdidos", com ervas e mato de todos os lados. Os jardins do Museu Nacional do Traje e da Moda, no Lumiar, são uma espécie de segredo de Lisboa, onde não falta sequer uma cascata. Situado na Quinta do Monteiro-Mor e partilhado com o Museu do Teatro, o parque conta com vários bancos à sombra ou ao sol, de madeira ou de pedra, perfeitos para ler um romance histórico ou um clássico como "Os Maias" ou "O Monte dos Vendavais". 

Largo Júlio de Castilho, Lisboa, 217 590 318. Terça das 14h00 às 18h00, quarta a domingo das 10h00 às 18h00 (última entrada às 17h30). €2 só o jardim, grátis aos domingos até às 14h00

06 Esplanada do Museu Nacional de Arte Antiga 

A esplanada do Museu Nacional de Arte Antiga é uma das candidatas ao título de esplanada mais tranquila de Lisboa, e a sua atmosfera é perfeita não só para ler mas até para escrever. Com o rio de um lado e obras-primas como "As Tentações de Santo Antão" de J. Bosch do outro, o sossego da atmosfera é o ideal para conseguirmos desligar-nos da cidade e perder- -nos num livro. O restaurante funciona em self-service e fora das horas de refeições - as ideais para ler - serve também saladas, crepes e quiches. 

Rua das Janelas Verdes, Lisboa, 213 912 800. Terça das 14h00 às 18h00, quarta a domingo das 10h00 às 18h00
 
Via Ionline



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Sexta-feira, 19.03.10

Roubar livros é fácil?.. pelos vistos sim

 

Renault Express não chegou. Foi preciso uma Ford Transit - com uma bagageira que consegue transportar quatro pessoas deitadas - para Antero Braga, ex-administrador da Bertrand, recuperar os livros que o professor disfarçado de cliente fiel lhe roubara durante vinte anos. Um mês depois de a livraria do Chiado ter instalado o sistema de alarmes, à passagem do insuspeito professor da Escola de Belas Artes, com conta corrente na loja, o alarme disparou. Mal sabia Antero Braga que acabaria por ganhar o dia: quando a carrinha estacionou à porta, carregada com mais de mil livros roubados, percebeu que tinha recuperado o dinheiro investido nos alarmes. 


Um milhar de livros roubados nem sequer chega a ser recorde. Nos anos 70, o mais famoso ladrão entre os livreiros do Chiado, conseguiu construir uma biblioteca ainda maior: 30 mil volumes. Só precisou de se disfarçar de padre e de uma batina com um forro falso. 

As carreiras dos livreiros estão recheadas de flagrantes improváveis: um disfarçado de padre, um padre a sério, um disfarçado de coxo, munido de muletas.

Antero Braga, actual proprietário da livraria Lello, adianta que por ano são roubados "uma centena de livros" na livraria portuense. José Pinho, da Ler Devagar, aponta para 20 livros roubados por mês. A Bertrand do Chiado só num fim-de-semana viu desaparecer 18 exemplares do mesmo livro. A Almedina suspeita que a taxa de furtos seja semelhante à dos EUA - onde os roubos representam "1,7% do volume de vendas". Jaime Bulhosa (Pó dos Livros) explica a quebra aos leigos dos números: "Por cada livro roubado, tem de se vender três livros iguais só para cobrir o prejuízo."

Há os ladrões profissionais - que roubam para vender -, os amadores - que roubam um livrinho por ano - e até os VIP. "É muito comum apanhar figuras públicas. E o mais vergonhoso ainda é o que roubam. Já vi de tudo, até as anedotas do Herman", conta Jaime Bulhosa. 

O volume dos livros nem intimida os ladrões. Pelo contrário: os calhamaços até são os preferidos: "2666", o mais roubado na Bertrand em 2009, tem mais de mil páginas. Na mesma loja, já roubaram o dicionário Houaiss - três volumes que pesam 11 quilos. A Bíblia - pecado dos pecados - é um dos mais roubados de sempre. José Pinho (Ler Devagar) perseguiu "um ladrão pela baixa de Lisboa durante uma hora", até dar com os cinco volumes das obras completas de Jorge Luís Borges no caixote do lixo. 

Os bestsellers lideram o top de roubos. Os livros mais caros também são apetecíveis e os livreiros optam por tê-los debaixo de olho - atrás ou à frente do balcão. Mas há quem roube os títulos mais improváveis. Jaime Bulhosa diverte-se a contar no blogue da Pó dos Livros a sua investigação a um misterioso ladrão culto. "Desconfiamos que seja a mesma pessoa, porque só rouba poesia e música erudita." E há ainda ladrões que quando escolhem os livros gostam de deixar a sua assinatura. "Sinto Muito" e "Código Penal" lideram as listas que imploram perdão. 

 

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Segunda-feira, 08.03.10

Sexo, afinal o que é que elas querem?

 

 Durante cerca de cinco anos de pesquisa sobre a sexualidade feminina e mais de mil entrevistas a mulheres de diferentes idades e orientações sexuais, Cindy Meston e David Buss tentaram chegar à resposta da eterna pergunta imortalizada por Sigmond Freud: "Afinal, o que é que as mulheres querem?". Entre relatos muito pouco românticos e números perurbantes sobre as motivações que levam as mulheres a partilhar o corpo com alguém, as conclusões dos investigadores da Universidade do Texas foram publicadas no livro "Porque é que as Mulheres têm Sexo? A Psicologia do Sexo Contada por Elas".

Ao todo, são mais de 300 páginas com histórias íntimas contadas na primeira pessoa. Embora fascinantes na sua diversidade, revelam também um lado cru e sincero das mulheres onde a sexualidade é relatada sem pudores. Por exemplo, há quem confesse: "Seduzi um homem e trai o meu namorado só para provar a mim mesma que, se ele me deixasse, eu teria facilidade em encontrar outro parceiro". Surpreendido? Não esteja: 31% das mulheres entrevistadas afirmam já ter tido sexo ocasional só para provocar ciúmes, 53% admitem ter seduzido o namorado de uma amiga por uma questão de competição e 84% optaram por ter relações sexuais sem vontade, apenas para evitar discussões com o parceiro.

"O estereótipo tende a ser que as mulheres fazem sexo por amor e os homens fazem-no por prazer", explicam Meston e Buss. "Na realidade, as motivações sexuais das mulheres são muito mais complexas". Esqueçam os eternos amores bem ao género do filme "Casablanca" e compreendam a mensagem do livro: "As mulheres nem sempre são emocionais. Muito menos puras, ou transparentes, no que diz respeito ao sexo".

Divididas entre as motivações emocionais, físicas ou materiais, o livro revela razões para todos gostos: as altruístas ("dormi com ele porque sentia pena"), as terapêuticas ("tirava-me as dores de cabeça"), as espirituais ("queria tentar chegar mais próximo de deus"), as ambiciosas ("precisava de um aumento no ordenado"). Há mulheres que têm relações para se sentirem mais poderosas ou sensuais. Outras pretendem apenas impressionar as amigas com a quantidade de parceiros que conseguem ter. A maioria fala de romance... embora sejam comuns os relatos de compensação emocional através do sexo.

Cada mulher é uma mulher


Pelo consultório de Vânia Beliz, psicóloga especializada na sexualidade feminina, já passaram inúmeras mulheres de todas as idades e percursos emocionais. Contudo, não tem dúvidas: nas mulheres portuguesas, as motivações emocionais são as mais comuns para partilharem a cama com alguém. "Por cá as mulheres procuram cada vez mais ter uma vida sexual satisfatória. Mas mais do que o prazer, procuram a intimidade no sexo, tentando aumentar assim a proximidade com o companheiro".

Vânia Beliz lembra ainda que "as mulheres foram reprimidas durante anos a poder desejar o sexo apenas pelo prazer", o que faz com que "não seja de estranhar que muitas não o dissociem do amor, ao contrário dos homens". Mas como "cada mulher é uma mulher", a sexóloga deixa claro: "As nossas motivações também dependem sempre do tipo de relacionamento que estabelecemos".

Talvez por isso não seja de estranhar que ao perguntarmos a sete mulheres portuguesas, dos 17 aos 63 anos, como definiriam o que procuram no sexo numa única palavra, as respostas tenham sido díspares: arrebatamento, partilha, gozo, avatar, amor, entrega, comunhão.

Sexo à portuguesa


Antónia Pires tem 54 anos e está "casada com o homem da sua vida" há mais de 30. "Amor" foi a palavra eleita para descrever o que procura no sexo. "Sempre foi e continua a ser. A qualidade mantém-se, a quantidade é que não. Nesta idade existe ainda atracção, falta muitas vezes é a disposição", explica a mãe de dois filhos adultos, que garante: "Nunca fui capaz de fazer nada sem gostar da pessoa. Acho que nesse aspecto as miúdas mais novas são diferentes, ligam poucos aos sentimentos".

Rita Martins, 17 anos, riposta: "Ainda não aconteceu, mas quando o fizer quero que seja feito com sentimento e não apenas porque já todas as minhas amigas fizeram". Ainda virgem, assume numa única palavra a sua visão do sexo: "entrega". Bem diferente, é a visão de Helena Benard, 27 anos, que escolhe o termo "avatar" para definir o que quer nesta fase da sua vida íntima. Sem papas na língua, assume que procura "sexo de qualidade, prazer físico e emocional, criatividade, algo transcendente... que me faça sair de mim mesma".

Vânia Beliz não se surpreende com a diferença das respostas. "Com o avançar da idade e das etapas da vida procuramos no sexo coisas diferentes. Independentemente disso, é muito comum as mulheres usarem o sexo como compensação emocional".

É o caso de Carla Gouveia que, aos 37 anos, quer acima de tudo "partilha". "Antes procurava a minha validação sexual, perder certas inibições até chegar ao patamar do sexo descomplexado. Com a idade a avançar, experiências com outros homens e alguns problemas conjugais pelo meio, neste actual companheiro procuro compensação afectiva no sexo, um momento grande de partilha a todos os níveis".

Já Joana Soares, 26 anos, quer "arrebatamento". Embora com uma postura calma e romântica no seu dia-a-dia, assume que no que toca ao sexo quer "conseguir perder o controlo", sentir-se "possuída, extravasar sem pensar". Com uma perspectiva de recém-mamã, Diana Cunha, 33 anos, confessa que sente mudanças grandes na sua vida sexual e que nesta fase o sexo "é importante, mas deixou de ser essencial". Por isso mesmo, escolhe a palavra "comunhão".

Mas engane-se quem acha que a idade torna as pessoas mais fechadas em relação ao sexo. Graça Guedes, 63 anos, define-o com apenas quatro letras: "gozo". Há cinco anos reencontrou um namorado dos tempos de adolescência e a antiga química fez-se logo sentir. Na mesma altura, descobriu que tinha cancro do endométrio. A operação e a radioterapia a que foi submetida fizeram-na querer pôr de lado a sexualidade... mas a chama da paixão, em conjunto com a compreensão e apoio do companheiro, falou mais alto. Casou-se pela segunda vez e, com a ajuda do parceiro, redescobriu como voltar a ter prazer. "Divertimo-nos muito juntos. Ele tem toda a paciência do mundo", conta Graça, que encontra nesta fase da vida a mais-valia do tempo. "Estamos reformados, portanto temos todo o tempo do mundo um para o outro. Não há crianças, nem horários, muito menos para o sexo". Praticamente recuperada do cancro, não tem dúvidas: "O amor foi parte da cura".

Mulher, a "criatura complexa"


As motivações femininas no amor, relacionamentos e sexo têm sido alvo de inúmeras teorias ao longo da história, sem que nenhum tenha conseguido chegar a uma conclusão suprema. Cindy Meston e David Buss são os primeiros a dizer que "elas são criaturas complicadas e complexas", sendo impossível ter uma noção da realidade mundial com apenas cerca de mil entrevistadas. Há dez anos mal se falava no tema, agora já se disserta sobre as nuances da sexualidade feminina, assumindo que não há um padrão definido, realçam os investigadores.

Embora o estudo conclua que a atracção física e o desejo continuam a ser as duas razões mais comuns que levam as mulheres a tirarem a roupa, o livro "Porque é que as Mulheres têm Sexo? A Psicologia do Sexo Contada por elas", deixa claro: "Sim, as mulheres têm sexo para conseguirem o que querem e nem sempre são tímidas ou sentimentais. Embora o possam fazer em busca de uma ligação emocional, matar o desejo é, cada vez mais, um motivo tão válido e comum como qualquer outro".

Via Expresso



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Quarta-feira, 17.02.10

Raquel Lito

 

 Helena Martins, única mulher a fazer stand-up comedy lésbico em Portugal, desmancha-se a chorar de cada vez que se lembra da namorada ruiva, de olhos azuis, que lhe deixava a camisa manchada de sangue e o corpo repleto de nódoas negras. O actor Vítor de Sousa não suportou um desgosto de amor: rasgou cartas e fotografias, engoliu uma dose de comprimidos e só voltou a acordar no Curry Cabral. À noite, nos dias de folga, João abre a bagageira do carro, retira um vibrador e gel lubrificante, põe uma peruca loira, um body rendado e umas botas de cano alto - durante o dia estende a roupa que a mulher lavou e ajuda a filha a fazer os trabalhos de casa. Fernando Dacosta, escritor e jornalista, foi assediado por um inspector da PIDE e envolveu-se com um cónego numa sauna - no final, o religioso acabou a autoflagelar-se com uma toalha. 


Estas são algumas das confissões que Raquel Lito, jornalista da "Sábado", arrancou a 12 homossexuais portugueses. No livro "3º Sexo", editado pela HFBooks, a ser lançado amanhã, anónimos e quatro figuras públicas estão a nu. Pela primeira vez, figuras como o actor Vítor de Sousa, o ex-piloto de Fórmula 1, Nicha Cabral, o jornalista e escritor Fernando Dacosta e o chefe de cozinha Fausto Airoldi, relatam como é ser gay em Portugal.

Depois de um ano e dois meses de investigação, Raquel Lito quase chegou a um 13º depoimento: conversou com um padre, através do email do dirigente da Opus Gay, António Serzedelo. O sacerdote impôs anonimato, recusou encontros e até conversas telefónicas. Seria o mais corajoso e polémico dos depoimentos. O padre queria falar mas, no último instante, a consciência não deixou. 

O tema já estava em cima da mesa quando Raquel Lito recebeu o convite da HFBooks. Pesquisou o que tinha saído na imprensa sobre homossexualidade no espaço de um ano e descobriu a lacuna: não havia, em Portugal, relatos confessionais de gays. A jornalista não queria um discurso militante nem frases politicamente correctas. "Queria relatos de pessoas com vidas cheias", conta. 

Começou por lançar um pedido no fórum da associação LGBT Rede Ex-Aequo e publicar um anúncio nos classificados do site "Portugal Gay". Só ao fórum da Associação LGBT chegaram respostas de 70 homossexuais. Raquel Lito lançou uma espécie de concurso, com seis perguntas, para poder seleccionar os melhores relatos - no final, restaram quatro. 

Naquele dia de Setembro, quando a autora viajou até uma vila perdida do Norte para a primeira entrevista, estava às escuras. "Não sabia que pessoa iria encontrar, nem sequer se valeria a pena contar a sua vida neste livro", lembra agora, enquanto se socorre de fotocópias do livro para contar a história de Daniel Ferreira com todos os pormenores. Na marcha de Carnaval de 2008, na tal vila, triste e melancólica, Daniel não se mascarou de palhaço nem de "pierrot": desfilou com um saco de papel a cobrir a cara, correntes a tapar a boca e uma T-shirt estampada com a palavra "gay" e o slogan "direito à diferença". No dia-a-dia era um inadaptado: fechado no quarto, automutilava-se e esboçava uma teoria bizarra sobre reencarnação para desculpar a vizinhança cruel. 

Perante a insistência de um homossexual casado, que queria desabafar pela primeira vez a sua vida dupla, Raquel Lito mudou o ângulo do livro, que inicialmente se centrava em gays assumidos. "Não é fácil ser homem, casado, e gostar de homens", escrevia João, num email antes da entrevista. Ninguém da família suspeitava que João era homossexual e tinha fetiches com lingerie feminina. João não conseguia contar. 

Depois dos anónimos, Raquel passou à segunda fase: as figuras públicas. Tinha uma lista de nomes, mas não sabia como fazer a abordagem. "Estou a escrever um livro assim assim e tive indicação de que me poderia dar um testemunho interessante", dizia, meio a medo, pelo telefone. Nunca ouviu um "está enganada, eu não sou gay", mas muitos recusaram. Só quatro figuras públicas nada temeram - de Vítor de Sousa a Nicha Cabral, ex-piloto de fórmula 1, que confessou adorar ter flirts com heterossexuais, passando por Fernando Dacosta ou o chefe de cozinha Fausto Airoldi, que namorou ao mesmo tempo com um rapaz e uma rapariga, antes de se assumir, aos 18 anos.

Raquel Lito descobriu um mundo em que "há sempre sofrimento, sobretudo nos meios pequenos ou quando as famílias não aceitam". Uns passaram por desgostos e tentaram o suicídio, outros frequentavam às escondidas os bares "bas-fond", João tinha uma vida dupla, Daniel auto-mutilava-se, Ana não era capaz de contar a verdade no meio militar em que trabalhava, Dacosta foi censurado e assediado pela polícia de Salazar. Foram 40 horas de entrevistas gravadas e outras tantas de conversas telefónicas e trocas de emails de que Raquel Lito perdeu a conta. Ainda hoje há quem lhe ligue a chorar desgostos de amor. Ou a "esbanjar felicidade, porque conseguiu, finalmente, satisfazer as suas fantasias."

 

Via Ionline



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Quinta-feira, 28.01.10

Livros grátis no Kindle

 

Eis uma adivinha: como se faz de um livro um best-seller no Kindle?


Resposta: Oferecem-se exemplares.

É isso mesmo. Mais de metade dos livros mais vendidos no Kindle, o leitor electrónicos da Amazon, estão disponíveis gratuitamente. Embora alguns dos títulos sejam versões digitais de livros do domínio público, como "Orgulho e Preconceito", de Jane Austen, muitos são de autores que ainda estão a tentar ganhar a vida com o que escrevem.

Esta semana, por exemplo, o primeiro e segundo lugar da lista dos best-sellers do Kindle foram ocupadas por "Cape Refuge" e "Southern Storm", ambos romances de Terri Blackstock, escritora de livros de suspense de temática cristã. O preço Kindle: €0. Até ao fim do mês, a editora de Blackstock, a Zondervan, uma divisão da HarperCollins Publishers, está a oferecer aos leitores a oportunidade de transferirem os livros para o Kindle de graça (ou para as aplicações Kindle do iPhone ou Windows).

Outras editoras, como a Harlequin, a Random House e a Scholastic estão oferecer versões gratuitas de livros digitais à Amazon, à Barnes & Noble e a outros retalhistas da internet, bem como a websites de autores, como forma de permitir que os leitores experimentem ler a obras que desconheçam. A justificação para esta iniciativa? A esperança de que os clientes gostem do que leram e comprem outro título, pagando-o.

"Dar ás pessoas uma amostra é uma óptima maneira de as prender e de as levar a comprar mais", diz Suzanne Murphy, editora de grupo da Scholastic Trade Publishing, que ofereceu downloads gratuitos de "Suite Scarlett", um romance para adultos da autoria de Maureen Johnson, durante três semanas, para criar expectativa quanto ao livro seguinte da série, "Scarlett Fever", que será lançado no dia 1 de Fevereiro. O livro atingiu o terceiro lugar da lista dos Kindle mais vendidos da Amazon.

As borlas digitais surgem numa altura em que as editoras estão em pânico com a pressão exercida sobre os livros electrónicos. A Amazon e outros retalhistas online estabeleceram em 9,99 dólares (€7) o preço-base dos e-books, para novos lançamentos e best-sellers. Às editoras preocupa que esse valor acabe por criar junto dos consumidores a impressão de que os livros novos já não valem, por exemplo, 25 dólares (cerca de €17, o preço médio de um livro novo de capa dura) ou mesmo 13 dólares (€9, padrão para livros de bolso de capa mole).

"Numa altura em que estamos a resistir ao preço de 9,99 dólares para os e-books", diz David Young, principal executivo do grupo livreiro Hachette, que edita James Patterson e Stephenie Meyer, "é ilógico oferecer livros". Na mesma linha, um porta-voz do Penguin Group USA, explica: "A Penguin não ofereceu nem vai oferecer livros. Achamos que o valor do livro é importante demais para que se faça isso."

Mas alguns editores encaram os livros digitais gratuitos como acções meramente promocionais, do mesmo modo que as provas que distribuem aos livreiros e revisores, para criar expectativa em redor de um novo autor.

"A maioria das pessoas compra livros porque alguém recomendou o título", diz Steve Sammons, vice-presidente executivo da Zondervan responsável pela interacção com os consumidores.

A Amazon e os outros retalhistas de e-books também não ganham dinheiro com essas ofertas. Mas é uma maneira de atrair clientes para os seus dispositivos de leitura electrónica.

Os e-books gratuitos também são uma maneira de promover um autor menos conhecido, que normalmente é abafado pelas brutais campanhas de marketing dos livros mais populares.

"É preciso mostrar coisas às pessoas porque há muita concorrência", diz Johnson, autor de "Suite Scarlett" e de outras sete obras. "Quem entrar numa livraria verá 4 mil livros com a cara de Robert Pattinson na capa", acrescentou ela, referindo-se aos movie-tie-ins (livros estreitamente ligado às respectivas versões cinematográficas) da série "Twilight" de Meyer. "E aí o meu livro ficará enterrado por baixo deles."

E se um e-book gratuito chegar ao topo da lista dos mais vendidos da Kindle - ou à lista de e-books gratuitos da Barnes & Noble - o autor ganha automaticamente mais visibilidade.

"Quando se chega à posição cimeira de qualquer lista de obras mais vendidas, o próprio facto parece atrair publicidade", diz Brandilyn Collins, que escreveu os romances "Exposure" e "Dark Pursuit", livros que estiveram no primeiro e segundo lugar da lista Kindle de Janeiro, continuando no Top 10 (e ainda disponível gratuitamente).

A maioria das ofertas diz respeito a títulos mais antigos de um autor, no pressuposto de que a sua leitura irá produzir novos adeptos, que vão comprar os livros lançados mais recentemente. Mesmo que só uma pequena percentagem das pessoas que transferem um livro gratuito acabe por comprar um novo, "trata-se de dinheiro em caixa", diz Steve Oates, vice-presidente de Marketing da Bethany House Publishers, uma divisão da Baker Publishing Group, cujas autoras Beverly Lewis e Tracie Peterson tiveram títulos gratuitos na lista de mais vendidos Kindle esta semana.

A Samhain Publishing, uma editora de romances cor-de-rosa e eróticos, tem disponibilizado gratuitamente um e-book de duas em duas semanas, há mais de um ano. Christina Brashear, a editora, diz que as ofertas têm provocado um visível aumento nas vendas.

Em Outubro, o mês mais recente para o qual ela tem estatísticas, Brashear diz que a Samhain ofereceu três versões digitais de "Giving Chase", um romance cor-de-rosa de Lauren Dane, o que deu origem a 26 897 downloads. Mas a venda de outros romances de Dane aumentou exponencialmente. O seu mais recente romance, "Chased", que vendeu 97 exemplares em Setembro, vendeu 2 666 exemplares digitais em Outubro; e outro livro anterior, "Taking Chase", que tinha vendido 119 exemplares em Setembro, vendeu 3 279 no mês em que foi disponibilizado um download gratuito.

Embora os e-books ainda só representem cerca de 5% do total dos livros comercializados, os dados relativos ao efeito das ofertas digitais ainda são inconclusivos. Brian O'Leary, responsável da Magellan Media Consulting Partners, que dá consultoria a editoras, diz que embora pareça que as transferências gratuitas conduzem a uma subida da real compra de livros, há o risco de que a leitura gratuita venha a "suplantar a leitura paga".

Com efeito, diz Brian Murray, principal executivo da HarperCollins, "a gratuidade não é um modelo comercial".

Os autores sentem-se divididos entre a vontade de experimentar novos formatos e quererem proteger os seus rendimentos. Charlie Huston, autor da trilogia de crime Henry Thompson e de uma série de livros sobre Joe Pitt, um detective vampiro, diz que "a minha faceta sindical - sou oriundo de uma família de sindicalizada - ainda se sente por vezes a fazer auto-sabotagem, ao sancionar as ofertas digitais da minha editora, a Random House". Mas, diz, "acho que a minha atitude neste momento pode ser uma de duas: ter medo do que está para vir ou de algum modo tentar abraçar esse futuro da maneira mais agressiva possível". Charlie concorda que, em certos casos, os e-books gratuitos funcionam. Pamela Deron, assistente administrativa de 29 anos, da Florida, diz que transferiu uma edição gratuita de "Already Dead", o primeiro título da série Joe Pitt, para o seu Kindle este mês.

"Há tantos autores por aí que caem no esquecimento", escreveu Deron numa mensagem de correio electrónico. "Ninguém os conhece, pura e simplesmente, e alguns leitores hesitam em comprar um autor de que nunca ouviram falar. Os livros gratuitos permitem-nos apreciar o autor no seu conjunto e não só através de uma pequena amostra."

E acrescenta: "Cinquenta dólares depois, eis-me proprietária de toda a série Joe Pitt."

 

Via ionline



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Quinta-feira, 17.12.09

Livros para oferecer no natal

 

Foi um ano em grande. O terrorismo islâmico chegou à literatura portuguesa e já provocou mais de 100 mil vítimas, maioritariamente civis. O livro de José Rodrigues dos Santos é o melhor do ano, na categoria "revisto por um ex-operacional da Al-Qaeda". José Saramago também quis despertar a fúria divina mas o melhor que conseguiu foi um debate com o padre Carreira das Neves. António Lobo Antunes publicou o seu centésimo nono romance. Aguarda-se a tradução para português. Se o ano correu bem aos vivos, os mortos também não têm razões de queixa. Stieg Larsson e Roberto Bolaño ocuparam os tops de vendas.

 

Editores e agentes literários gostam que os escritores recebam prémios, mas alguns desconfiam que é mais vantajoso matá-los. Lá fora, tudo na mesma. Philip Roth lançou mais um romance e não ganhou o Nobel. A academia sueca atribuiu o prémio a Hertha Müller, mantendo a tradição de contrariar as casas de apostas. Terminada a febre dos feiticeiros adolescentes chegou em força a febre dos vampiros adolescentes. Como se os adolescentes não fossem suficientemente estranhos. Que tal uma saga de adolescentes que estudam numa escola para adolescentes e que, em noites de lua cheia, se transformam em adolescentes mas com mais acne? Por fim, o ano ficou marcado pelo regresso de Dan Brown. O mundo sobreviveu.

1. História de Portugal €35,10 
De Rui Ramos, Bernardo Vasconcelos
e Sousa, Nuno Gonçalo Monteiro 
Bom presente porque: mais de duas dezenas de anos depois é a primeira síntese consistente da nossa história.
Vai fazer boa figura se oferecer este livro: à classe política. O conhecimento do passado é sempre um bom contributo para edificantes e proveitosos debates sobre o estado da nação. Sem inimputáveis palhaçadas.


2. Obra Poética, vol I e II €49,99

De Manuel Alegre 
Bom presente porque: Basílio Horta, Freitas do Amaral, Cavaco Silva – nenhum outro candidato derrotado nas presidenciais tem uma obra poética deste quilate.
Vai fazer boa figura se oferecer este livro: a Mário Soares. O Natal é a época ideal para reconciliações.


3. Escritos Secretos €16,11   
De Sebastian Barry 
Bom presente porque: é um labirinto narrativo baseado nas memórias de uma mulher isolada, turvadas por problemas de stress pós-traumático e circunstâncias dramáticas ligadas à história da Irlanda no século XX. 
Vai fazer boa figura se oferecer este livro: a Manuela Moura Guedes. Substitua-se Irlanda por TVI em Portugal no século XXI e tudo o que está acima descrito pode aplicar-se à situação da jornalista.


4. Barroco Tropical €16,65   
De José Eduardo Agualusa
Bom presente porque: Agualusa tem duas qualidades essenciais para o sucesso do escritor moderno: escreve bem e não é estrábico. A fotogenia faz do escritor uma figura de estilo.
Vai fazer boa figura se oferecer o livro: à filha de José Eduardo dos Santos.
 
5. Caim €13,70  
De José Saramago
Bom presente porque: os ateus também têm direito a celebrar o nascimento de Cristo. Se o puderem fazer cometendo um sacrilégio, juntam o útil ao agradável.
Vai fazer boa figura se oferecer este livro: a Deus. Como Ele está em todo o lado, poupa em portes de envio.


6. 2666 €23,45  
De Roberto Bolaño
Bom presente porque: Roberto Bolaño escreveu-o para assegurar o futuro financeiro dos filhos. Podia ter feito um seguro de vida, mas os latino-americanos têm estas manias.
Vai fazer boa figura se oferecer este livro: a uma empresa de reciclagem de papel (são mais de mil páginas).


7. A Segunda Guerra Mundial €27  

De Martin Gilbert
Bom presente porque: no ano em que se comemoram 70 anos sobre o início do conflito, esta obra permite perspectivar o passado e perceber que a História pode repetir-se. 
Vai fazer boa figura se oferecer este livro: a Barack Obama. Adequa-se ao homem que mencionou a palavra guerra mais de 40 vezes no discurso de recepção do Prémio Nobel da Paz.


8. Trilogia Millenium €59,50   
De Stieg Larsson 
Bom presente porque: Os três volumes destes romances policiais vertiginosos e atentos ao espírito dos tempos são verdadeiramente aditivos e constituem um inteligente divertimento. 
Você vai fazer boa figura se oferecer este livro: a Cavaco Silva. Em 2004, a hacker Lisbeth Salander violava com facilidade protocolos de segurança informática. Se o Presidente tivesse lido Millenium nunca teria lançado a dúvida: “Será possível alguém do exterior (...) ler os meus emails?”


9. O Tigre Branco €13,49 
De Aravind Adiga 
Bom presente porque: expõe as entranhas da Índia e destrói todos os mitos românticos em relação ao país.
Vai fazer boa figura se oferecer este livro: a todos os neo-hippies encartados seduzidos pela trilogia exotismo, sabedoria ancestral e espiritualidade. A desintoxicação é garantida.


10. O Símbolo Perdido €22,46  
De Dan Brown
Bom presente porque: é de um autor praticamente desconhecido, o que faz dele um candidato ao Nobel. Depois da Opus Dei e da Maçonaria, correm rumores que Dan Brown prepara um livro sobre a ERC.
Vai fazer boa figura se oferecer este livro: a José Rodrigues dos Santos.

E para as crianças...

Predadores 
de Lucio & Meera Santoro 
Os mais espectaculares e assustadores animais num livro com pop-up a tornarem o cenário mais emocionante. Também tem janelas e tiras com informação adicional, nomeadamente, quais estão em risco de extinção (alô Cimeira de Copenhaga!). 

Princesa Poppy – O Aniversário 
De Janey Louise Jones 
Poppy faz anos, mas ninguém parece lembrar-se, prestes a desesperar é surpreendida. Uma história simples a lembrar que as meninas são muito amadas. 

Anjos de Pijama 
De Matilde Rosa Araújo (poemas) e Maria Keil (desenhos)
Para reforçar o contacto dos mais novos com a poesia este livro, magnificamente ilustrado, é um bom companheiro . Leiam os poemas em conjunto e deliciem-se com a subtileza das palavras.

Princesas, Príncipes, Fadas e Piratas com Problemas 
Vários Autores 
Histórias em que os heróis também têm de resolver problemas variados. Pedro Sena-Lino coordenou diversos autores nacionais, alguns deles aqui num registo pouco habitual. As ilustrações são de peso pesados da área.

O Alfabeto dos Países 
De José Jorge Letria (texto) e Afonso Cruz (ilustrções) – Oficina do Livro
A partir das letras do alfabeto são explicados em verso os países correspondentes. Por exemplo, A de Austrália ou B de Brasil. A aprendizagem é múltipla - do abecedário e do Mundo – e seguramente divertida.

O Bebé Que Não Queria Ir Para a Cama 
De Helen Cooper
Um bebé teimoso resiste ao cansaço e vai desafiando os amigos para o acompanharem, mas no mundo da fantasia todos estão a cair de sono. Maravilhosamente próximo da realidade, com ilustrações belíssimas.

O Pequeno Livro do Ambiente 
De Christine Coirault 
De pequenino se instalam bons hábitos. Um livro que ensina a ter atenção ao meio ambiente através de bons conselhos como, por exemplo, fechar a torneira da água enquanto se escovam os dentes.

 



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Quarta-feira, 08.07.09

No teu deserto - Miguel Sousa Tavares 

 

Não escreve para bater recordes mas os seus livros atingem números de vendas que nenhum outro escritor português alcançou em vida. O novo livro de Miguel Sousa Tavares (MST), que chega hoje às estantes, não tem o peso de um romance histórico, mas pode considerar-se inédito: "No Teu Deserto" é uma peça autobiográfica que relata uma viagem pelo deserto do Sahara, acompanhado por Cláudia, a jovem com quem partilhou o jipe ao longo de cinco semanas, e que viria a morrer. Além disso, é a história que está por trás do famoso roubo do computador, há um ano, onde o escritor guardava a única versão do texto. O assunto virou caso de polícia, mas foi MST que o resolveu: pagou 500 euros a quem comprou o aparelho roubado.


"Precisei de dois ou três meses para recuperar o meu portátil. Apareceu uma pessoa que o tinha comprado e que ficou muito assustada ao ver que era o meu computador", recorda o jornalista. Depois, foram necessários três intermediários para que a transacção fosse feita, sem que MST chegasse a saber quem o tinha. "Fazia parte do acordo."

Em "No Teu Deserto" MST assume pela primeira vez a narração de duas vozes, a masculina e feminina, num registo mais poético e arriscado do que nas mais de 500 páginas de Equador ou Rio das Flores. A história da viagem pelo deserto não representa apenas o atravessar das dunas gigantescas do Sahara: é o cruzar de duas vidas em pouco mais do que um mês. Com toda a intensidade do deserto.

Mas porquê esse fascínio pelo deserto? "Não lhe sei dar essa resposta. Quando digo que é precisamente por não haver nada, as pessoas ficam baralhadas. Não faz sentido. Mas o deserto é um grande revelador de carácter, é o melhor sítio para conhecer alguém." "No Teu Deserto" - que tem como pós-título "Quase Romance" - pode ser lido como um romance de amor, um diário de bordo, mas a sua classificação é pouco definida. "É o resgate de uma dívida de gratidão", atalha o autor, que 20 anos depois da viagem encontrou uma fotografia perdida numa gaveta, que lhe fez começar uma carta. "Tu morres, eu escrevo. Ficamos de contas saldadas." Assim começava a carta, que deu origem ao décimo livro do autor. 

Outsider Em tempos, MST ia com frequência ao deserto. Há nove anos que não o faz: hoje, vai para o Alentejo, onde passa boa parte do seu tempo. "Não é bem um deserto, mas é o mais parecido com África. É o meu refúgio português."

 

Veja o resto da noticia no ionline



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Terça-feira, 24.03.09


Há sempre mais vida em tudo, nem todos conseguimos ver, mas há sempre alguém que vê um bocadinho mais além... .e do lixo, se faz vida...e arte. Na Argentina, os cartoneros fazem livros e fazem arte a partir do que para a maioria de nós não passa de lixo.


publicado por olhar para o mundo às 12:02 | link do post | comentar

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