Quarta-feira, 15.12.10

Vídeo corre na Web há apenas cinco dias mas já tem mais de 70 mil visitas. Dois ciganos "ainda por cima gays" tornaram-se piada nacional. Porquê?

 

Dois rapazes, ciganos, com trejeitos supostamente efeminados, revelam às câmaras da SIC a sua indignação por uma operação policial levada a cabo recentemente no Martim Moniz, em Lisboa. Isto podia ser uma simples peça jornalística de hora de jantar, mas transformou-se num verdadeiro circo cuja piada, confesso, ainda não consegui perceber lá muito bem.

 

"Afinal existem bichas ciganas", diz o título do vídeo, que se transformou num espaço de bate-boca no YouTube. "Além de ciganos, são bichas. Só qualidades", diz outro. E ser-se grosseiro, pergunto eu... será também uma qualidade?

Custa-me a entender esta excitaçãozinha toda por dois ciganos supostamente serem gays. Será a orientação sexual algo restrito? Eu diria que não. Seja branco, preto, amarelo, cigano, cada um é o que é.

Riso fácil para matar frustrações?

Troça-se dos gordos porque os distúrbios alimentares são hilariantes... Troça-se dos coxos porque também tem um piadão ver alguém a mancar pela rua fora. Troça-se dos pretos porque são escuros e deviam ser todos mandados de volta para África, mesmo que tenham nascido em Portugal. Troça-se dos ciganos porque serão sempre os "Lelos" que vendem nas feiras. Troça-se dos homossexuais porque, "coitados", não são homens a sério. Troça-se porque sim. Porque o riso fácil está ali mesmo à mão, enquanto a sensatez fica lá fora, escondida num qualquer recanto perdido da educação.

Não sou hipócrita ao ponto de dizer que nunca cedi ao riso fácil. Claro que sim. Mas, cada vez mais, paro para observar à minha volta e vejo que a frustração por vidas cinzentonas leva as pessoas a um azedume que desconhece a palavra limite. Lamento, mas perco a vontade de rir.  Preferia o tempo em que se ia à bola para poder gritar ofensas à mãe do árbitro e voltar para casa mais aliviado dos níveis de stresse.

Quanto ao vídeo, orientações sexuais à parte, para mim a verdadeira piada está no comentário final dos dois miúdos (que, desculpem lá, para "minores" me parecem bem grandinhos). Alguém informe estes rapazes que, a partir dos 10 anos, é obrigatório ser portador de um bilhete de identidade e que aqueles DVD que têm nas mãos (em plena entrevista televisiva!) talvez não abonem muito a favor deles se se cruzarem com os senhores da ASAE...

Via A vida de Saltos Altos



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Sexta-feira, 02.07.10

A posição da Igreja em relação à homossexualidade e ao casamento entre pessoas do mesmo sexo deve ser alvo de reflexão tanto por parte da instituição católica como por parte da sociedade, defende Clarisse Canha.

 

A discriminação, o preconceito e a homofobia podem derivar de uma ideia mal formada, isto é, os homossexuais e as lésbicas são pessoas como todas as outras...
Posso falar a partir da minha experiência e da UMAR-Açores, principalmente dos contactos que estabelecemos nas acções de formação junto de jovens e mulheres. Há, por exemplo, jovens que questionam até que ponto a aparência de uma pessoa pode revelar se é ou não heterossexual. O que nós transmitimos é que não se pode definir nem julgar uma pessoa pela aparência. O facto de ser ou não heterossexual tem a ver com a escolha, a orientação, o gosto, a atracção e não com melhores ou piores qualidades. Com os/as jovens tem sido mais fácil desconstruir preconceitos. Lembro, num debate que promovemos com mulheres, que uma delas colocou a questão num outro campo, que passa por uma homo- fobia mais atroz, e que se prende com o facto de um homossexual ter arranjado um compa- nheiro do mesmo sexo sendo que o mesmo foi penalizado pela censura social. Essa mulher disse que iria compreender esta situação e esta declaração teve um eco positivo no grupo. Experiências desse género levam-me a crer que estamos perante uma evolução, mas ainda no patamar do conhecer directo e isso às vezes é traiçoeiro.

 

As pessoas podem até reconhecer o direito à identidade e orientação sexual, mas num contacto directo a reacção poderá não ser a mesma...
Lembro-me por exemplo de outras situações concretas de jovens, há 20 anos atrás, que assumiram uma relação homossexual e cujos pais os colocaram de parte. Passado algum tempo, o pai e a mãe vieram a compreender, mas sofreram muito e penso que esta é também uma questão de fundo. A homofobia é algo que deve ser combatido porque, para além de tudo, faz sofrer as pessoas. A primeira pessoa a sofrer é a própria vítima da homofobia. Sei que, por exemplo, em determinados países há experiências de trabalho social no sentido de conhecer o impacto da homofobia na saúde das pessoas. E às vezes esse impacto leva a que muitos recalquem sentimentos. E pode até não se tratar apenas da homossexualidade, mas também a forma de vestir ou de andar. Parece-me, por isso, que a desconstrução do preconceito é muito importante.

 

Numa outra perspectiva, há pessoas que se deslocam à UMAR-Açores para pedir algum tipo de aconselhamento?
Já aconteceram alguns casos, nomeadamente duas pessoas do mesmo sexo que queriam fazer uma vida comum e que esbarram em problemas legais. Neste aspecto, a alteração da lei foi um grande avanço. O facto de ter sido legalizado o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo tem, a meu ver, dois efeitos: o efeito legal de direito e o efeito de discussão pública. Este último esbarra com muito preconceito e muita homofobia, mas faz parte do processo e por muito que possa desagradar a quem gosta ou a quem não gosta de discutir, faz parte desta caminhada. Aquando da visita do Santo Padre a Portugal, ficou a mensagem de que a Igreja é contra duas questões: a despenalização do aborto e o casamento entre as pessoas do mesmo sexo, duas conquistas recentes de Portugal. E sobre isso também deve haver debate público porque as pessoas, no campo da sua religião, continuam a ser pessoas que lidam com a vida, com a realidade, a sua própria realidade. É importante que a sociedade discuta essa atitude ou orientação da Igreja, confrontando-a com a vida e com a realidade. A experiência diz-nos que a Igreja não tem, muitas vezes, ido à frente dos avanços da sociedade. Tem ido atrás e é pena porque isso tem prejudicado a sociedade. Espero que em relação a esta área dos direitos e identidade que a Igreja venha a reflectir em breve.


ISABEL ALVES COELHO
isabelcoelho77@hotmail.com

 

Via Expresso da Nove




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Quarta-feira, 30.06.10

Eles passaram pela Sé de Lisboa para as fotografias

 

Fernando Correia, 54 anos, travesti de profissão, sempre sonhou casar vestido de noiva. Hoje concretizou parte da fantasia ao chegar à Sé de Lisboa num vestido branco marfim, mas casamento só na próxima semana e no civil.

“O meu sonho sempre foi casar vestida de noiva e até à data não tinha encontrado a pessoa certa”, confessou à chegada ao largo da Sé, onde reuniu 20 amigos para as fotografias e a festa que se seguiu num restaurante.

Apesar de não ter conseguido formalizar hoje a união, fez questão de reunir os amigos naquele local por fazer um ano que conheceu o companheiro e se tratar do lugar onde casaram as noivas de Santo António, explicou.

Fernando Correia conheceu Fernando Fonseca, 32 anos, em Santa Apolónia. Trocaram olhares, tomaram um café e combinaram um jantar, que os juntou até hoje.

“Foi um jantar maravilhoso e vivemos juntos desde esse dia”, conta 'a noiva', garantindo ter encontrado o homem da sua vida.

“É um homem a sério, não fuma, não bebe, é trabalhador”, diz.

Neste 'enlace', a 'noiva' chegou primeiro, de táxi, e acompanhada pela madrinha, que apresentou como fadista.

Habituado ao mundo do espetáculo, não se esquivou às objetivas e às perguntas dos jornalistas, com quem partilhou pormenores da relação com aquele a que já chama “marido”.

“Tive o prazer de trabalhar sempre como travesti profissional. Tenho um guarda-roupa que é a inveja de todas as bichas de Lisboa”, afirma, enquanto mostra, orgulhoso, o vestido cai-cai e se equilibra nas sandálias douradas de salto alto no irregular piso de paralelepípedos às portas da catedral de Lisboa.

Fernando aguarda ainda pela confirmação do dia em que poderá casar com Fernando no 7.º Cartório: “Espero que seja esta semana. Tenho muitos espetáculos marcados para o estrangeiro”.

Embora mais reservado, o companheiro também não hesita em dizer que este é o seu dia. “Conheci bem a pessoa. Gosto muito de estar com ela”, afirma, lamentando que os pais não aceitem a relação.

“Eu vivo para ela e ela vive para mim”, afiança Fernando, empregado numa empresa de limpezas.

Entre os convidados, apenas os amigos aceitaram partilhar com eles este dia, que quiseram registar em fotografias também no Parque Eduardo VII.

Antes, a 'noiva' foi ainda à Igreja de Santo António, por entre os olhares de quem passava e a curiosidade dos turistas, que levaram para casa mais uma inesperada recordação da visita à velha capital.

 

Via Ionline



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Domingo, 18.04.10

No Vaticano.. afinal há padres gays

 

Depois da polémica, o esclarecimento: o que o cardeal Tarcisio Bertone queria dizer na segunda-feira, quando ligou a pedofilia à homossexualidade, era que, "no seio da Igreja Católica" - e não entre a sociedade em geral -, a maioria dos casos de abusos sexuais são cometidos por padres gays. A prová-lo está um estudo interno feito pela Congregação para a Doutrina da Fé e ontem revelado pela Igreja Católica, que indica que "apenas cerca de 10% dos casos de abusos são actos de pedofilia; os restantes 90% revelam a atracção entre adultos e adolescentes". Desses, "60% envolvem indivíduos do mesmo sexo e 30% são de carácter heterossexual", informou o Vaticano numa nota divulgada pelo porta-voz Federico Lombardi. 

Bertone afirmara que a homossexualidade "é uma patologia que atinge pessoas de todas as categorias, e padres em grau menor - nestes casos, é um assunto muito sério e escandaloso". Ontem, em tom de desculpa, a Igreja esclareceu que "as autoridades eclesiásticas consideram que não são competentes sobre temas de carácter médico e psicológico e assinalam os estudos especializados e as investigações em curso sobre o tema". 

Segundo o número dois do Vaticano, "foi demonstrado por muitos psicólogos e psiquiatras que não há ligação entre celibato e pedofilia, mas muitos outros estudos põem em evidência uma ligação entre homossexualidade e pedofilia". "Isto é uma verdade e é o problema", declarou Lombardi. 

Gays reagem As conclusões da Igreja não são, porém, bem recebidas pelas associações de homossexuais. Ao i, Paulo Côrte-Real, presidente da Ilga Portugal, diz desconhecer os dados do estudo. No entanto, considera que a associação entre homossexualidade e pedofilia "é ridícula" e acrescenta que "o importante é que qualquer abuso seja denunciado". O presidente da Ilga vai mais longe e considera que fazer essa relação "é muito grave, além de ser um contributo para o preconceito", que mostra "desconhecimento e desinformação em relação ao problema dos abusos sexuais a menores".

As associações internacionais que defendem os direitos dos homossexuais não estiveram sozinhas nas críticas a Bertone. O governo francês foi o primeiro a reagir às declarações do cardeal, dizendo que se trata de "uma confusão inaceitável" e que a luta contra a discriminação e o "preconceito associado à orientação sexual e à identidade de género" é um "compromisso firme".

Mexicanos pedem perdão A conferência episcopal mexicana juntou-se ontem ao rol de padres católicos que vieram a público pedir perdão pelos abusos sexuais cometidos contra menores, comprometendo-se a levar os suspeitos a tribunal. "Queremos pedir perdão aos que foram vítimas de padres desonestos que, pelos seus actos horrendos, estragaram a vida de crianças inocentes, traíram a sua missão, prejudicaram a instituição e a imagem da Igreja", declararam os bispos mexicanos num comunicado divulgado durante a sua assembleia anual. No mesmo documento, os líderes da Igreja católica no México afirmaram ainda que estão dispostos a deixar que "as autoridades civis intervenham e façam respeitar a lei".

 

Via ionline



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Segunda-feira, 05.04.10

Gays e lésbicas invadem o o Algarve
Vai ser o maior  festival lésbico, gay, bissexual e transsexual (LGBT) de sempre, em Portugal. Essa é, pelo menos, a promessa da organização, apostada em fazer negócio, mas também em revitalizar o turismo na época baixa.

"A ideia surgiu porque entendemos que os festivais LGBT têm uma importância enorme e nós tentámos atrair esse sector vital do turismo para Portugal. Basta pensar no que acontece em Espanha, Itália, França e Grécia, que cada vez dão mais importância a este tipo de eventos", adianta ao Expresso Hugo Pereira, da organização.

E é assim que a 14 e 15 de Maio o recinto que habitualmente recebe a Fatacil, em Lagoa, vai receber o primeiro festival gay e lésbico do Algarve, com direito a red light - uma área com sex shopspiercings e tatuagens - , mas também stands de tarólogos, sexólogos, leitores de búzios e de mãos, para além de uma feira de stocks e uma área gourmet.

O Allove Festival (visitável em www.allovefestival.com ) terá um 'gayódromo', uma espécie de feira popular com direito a casa assombrada e touro mecânico e ainda um "pavilhão das artes" com cerca de mil metros quadrados com escultura, pintura e poesia, bem como uma zona onde cerca de 20 hotéis apresentam propostas gay-friendly, de turismo mais vocacionado para o mercado dos turistas gay.

Heterossexual? Não há problema!

 

Mas os heterossexuais também são benvindos, sugere Hugo Pereira: "Olhamos para isto como um negócio, mas é também uma celebração da diversidade sexual. Não é para ofender ninguém, não é reivindicativo e é totalmente aberto às camadas heterossexuais", garante.

Quanto à potencial polémica causada pelo evento, Hugo Pereira admite que o mais controverso poderá ser a realização de casamentos homossexuais durante o festival, por enquanto apenas simbólicos (caso a lei não o permita até lá) mas com direito a tudo: "Temos casamentos de luxo, com limousine, bolo de casamento e hotéis de cinco estrelas para a noite de núpcias", garante.

Bares de Lisboa também vão lá estar

 

O evento poderá juntar oito a 10 mil pessoas por dia, segundo as estimativas dos promotores. Conta com o apoio da Câmara Municipal de Lagoa, da Associação de Turismo do Algarve e a participação das associações Abraço e MAPS, e do Movimento de Apoio à Problemática da SIDA.

Entretanto, alguns dos bares mais famosos de Lisboa já confirmaram presença no Festival, caso do "As Primas", "Maria Lisboa" e o "Fiéis ao Bairro", que conta com um cartaz de animação onde se destaca o Supermartxé, um evento que mistura música com acrobatas, carregado de erotismo.

 

 

Via Expresso



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Quarta-feira, 31.03.10

pedofilia é apenas um lado da relação difícil entre católicossexo. O catolicismo é incapaz de dar uma resposta à sexualidade: só fala dela para criticar o aborto, o preservativo e osgays.

 

 

I. Dizer-se que a pedofilia resulta do celibato dos padres parece-me abusivo. Os pais, primos e irmãos que violam as filhas, primas ou irmãs não são celibatários . O problema, repito, não passa pelo celibato. Mas esta questão da pedofilia leva-nos para a questão mais funda: a dificuldade que os católicos têm em lidar com coisas simples da vida, como o sexo. Como diz António Marujo, neste texto corajoso, existe uma relação demasiado crispada entre o catolicismo e o sexualidade. E isso reflecte-se em alguns dos actos incompreensíveis da Igreja, a começar pela recusa da contracepção. Fazer cruzadas contra o "preservativo" e contra a "pílula" faz pouco sentido. A coisa faz ainda menos sentido quando se sabe que a Igreja é das instituições que mais luta contra a SIDA em África. De que forma? Distribuindo preservativos. Na Europa, o tal "planeamento familiar", que compreende o uso de anticoncepcionais, faz parte do dia-a-dia de milhões de crentes, como é óbvio. Crentes, esses, que sentem um certo desconforto em relação à cegueira da Igreja neste ponto.

II. Depois, além de não darem respostas "positivas" sobre estas questões, muitos católicos só aparecem para dar uma mensagem "negativa" sobre o aborto e o casamento gay. Como salienta António Marujo, é um pouco triste perceber que a vida, para muitos católicos, só parece ser importante quando se fala destes dois assuntos . A Igreja e os católicos em geral, atenção, fazem muito mais do que isto, vão muito além destes dois temas, e não merecem ser confundidos com uma minoria radical. Mas é essa minoria radical que, bem ou mal, acaba por "falar" pelo catolicismo junto da grande opinião pública.

IIINada do que aqui é dito justifica os ataques à fé das pessoas. É inacreditável o raciocínio que por aí anda: "há padres pedófilos, logo, Igreja é corrupta, logo, essa fé é uma idiotice". Uma coisa é criticar a Igreja. Outra coisa é negar a legitimidade ontológica da Igreja e da fé. Uma coisa é criticar os católicos. Outra coisa é desumanizar os católicos.

 

Via Expresso



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Quarta-feira, 17.02.10

Raquel Lito

 

 Helena Martins, única mulher a fazer stand-up comedy lésbico em Portugal, desmancha-se a chorar de cada vez que se lembra da namorada ruiva, de olhos azuis, que lhe deixava a camisa manchada de sangue e o corpo repleto de nódoas negras. O actor Vítor de Sousa não suportou um desgosto de amor: rasgou cartas e fotografias, engoliu uma dose de comprimidos e só voltou a acordar no Curry Cabral. À noite, nos dias de folga, João abre a bagageira do carro, retira um vibrador e gel lubrificante, põe uma peruca loira, um body rendado e umas botas de cano alto - durante o dia estende a roupa que a mulher lavou e ajuda a filha a fazer os trabalhos de casa. Fernando Dacosta, escritor e jornalista, foi assediado por um inspector da PIDE e envolveu-se com um cónego numa sauna - no final, o religioso acabou a autoflagelar-se com uma toalha. 


Estas são algumas das confissões que Raquel Lito, jornalista da "Sábado", arrancou a 12 homossexuais portugueses. No livro "3º Sexo", editado pela HFBooks, a ser lançado amanhã, anónimos e quatro figuras públicas estão a nu. Pela primeira vez, figuras como o actor Vítor de Sousa, o ex-piloto de Fórmula 1, Nicha Cabral, o jornalista e escritor Fernando Dacosta e o chefe de cozinha Fausto Airoldi, relatam como é ser gay em Portugal.

Depois de um ano e dois meses de investigação, Raquel Lito quase chegou a um 13º depoimento: conversou com um padre, através do email do dirigente da Opus Gay, António Serzedelo. O sacerdote impôs anonimato, recusou encontros e até conversas telefónicas. Seria o mais corajoso e polémico dos depoimentos. O padre queria falar mas, no último instante, a consciência não deixou. 

O tema já estava em cima da mesa quando Raquel Lito recebeu o convite da HFBooks. Pesquisou o que tinha saído na imprensa sobre homossexualidade no espaço de um ano e descobriu a lacuna: não havia, em Portugal, relatos confessionais de gays. A jornalista não queria um discurso militante nem frases politicamente correctas. "Queria relatos de pessoas com vidas cheias", conta. 

Começou por lançar um pedido no fórum da associação LGBT Rede Ex-Aequo e publicar um anúncio nos classificados do site "Portugal Gay". Só ao fórum da Associação LGBT chegaram respostas de 70 homossexuais. Raquel Lito lançou uma espécie de concurso, com seis perguntas, para poder seleccionar os melhores relatos - no final, restaram quatro. 

Naquele dia de Setembro, quando a autora viajou até uma vila perdida do Norte para a primeira entrevista, estava às escuras. "Não sabia que pessoa iria encontrar, nem sequer se valeria a pena contar a sua vida neste livro", lembra agora, enquanto se socorre de fotocópias do livro para contar a história de Daniel Ferreira com todos os pormenores. Na marcha de Carnaval de 2008, na tal vila, triste e melancólica, Daniel não se mascarou de palhaço nem de "pierrot": desfilou com um saco de papel a cobrir a cara, correntes a tapar a boca e uma T-shirt estampada com a palavra "gay" e o slogan "direito à diferença". No dia-a-dia era um inadaptado: fechado no quarto, automutilava-se e esboçava uma teoria bizarra sobre reencarnação para desculpar a vizinhança cruel. 

Perante a insistência de um homossexual casado, que queria desabafar pela primeira vez a sua vida dupla, Raquel Lito mudou o ângulo do livro, que inicialmente se centrava em gays assumidos. "Não é fácil ser homem, casado, e gostar de homens", escrevia João, num email antes da entrevista. Ninguém da família suspeitava que João era homossexual e tinha fetiches com lingerie feminina. João não conseguia contar. 

Depois dos anónimos, Raquel passou à segunda fase: as figuras públicas. Tinha uma lista de nomes, mas não sabia como fazer a abordagem. "Estou a escrever um livro assim assim e tive indicação de que me poderia dar um testemunho interessante", dizia, meio a medo, pelo telefone. Nunca ouviu um "está enganada, eu não sou gay", mas muitos recusaram. Só quatro figuras públicas nada temeram - de Vítor de Sousa a Nicha Cabral, ex-piloto de fórmula 1, que confessou adorar ter flirts com heterossexuais, passando por Fernando Dacosta ou o chefe de cozinha Fausto Airoldi, que namorou ao mesmo tempo com um rapaz e uma rapariga, antes de se assumir, aos 18 anos.

Raquel Lito descobriu um mundo em que "há sempre sofrimento, sobretudo nos meios pequenos ou quando as famílias não aceitam". Uns passaram por desgostos e tentaram o suicídio, outros frequentavam às escondidas os bares "bas-fond", João tinha uma vida dupla, Daniel auto-mutilava-se, Ana não era capaz de contar a verdade no meio militar em que trabalhava, Dacosta foi censurado e assediado pela polícia de Salazar. Foram 40 horas de entrevistas gravadas e outras tantas de conversas telefónicas e trocas de emails de que Raquel Lito perdeu a conta. Ainda hoje há quem lhe ligue a chorar desgostos de amor. Ou a "esbanjar felicidade, porque conseguiu, finalmente, satisfazer as suas fantasias."

 

Via Ionline



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Domingo, 22.11.09

O arcebispo que é a favor do casamento gay

 

 D. Manuel Monteiro de Castro poderá ser uma lufada de ar fresco na cúria romana. O arcebispo português foi notícia por ser o "enviado do Papa" que "quebra a fileira sobre os casais gay". Ontem viu reforçada a confiança de Bento XVI, que o nomeou consultor da Congregação para a Doutrina da Fé. Após 40 anos ao serviço da diplomacia do Vaticano, tem nova missão: promover e defender a doutrina da fé cristã e a moral no mundo católico.


Em 2004, numa conferência de bispos espanhóis, Monteiro de Castro falou de "novos desafios" nos tempos actuais e defendeu direitos civis para casais homossexuais, relatou o "The Guardian". "Embora a lei em Espanha, e noutros países, defina o casamento como união de um homem e de uma mulher, há outras formas de coabitação e é bom que sejam reconhecidas", notou o prelado, que em Outubro foi nomeado secretário do Colégio dos Cardeais. 

A posição da Congregação para a Doutrina da Fé, de 2003, é mais intransigente. Conclui que "a Igreja ensina que o respeito pelos homossexuais não pode levar, de modo algum, à aprovação do comportamento homossexual ou ao reconhecimento legal destas uniões". Para D. Eurico Dias Nogueira, bispo emérito da diocese de Braga - onde Monteiro de Castro é padre -, a postura aberta do português não vai influenciar a posição da doutrina cristã, e contrapõe que a Igreja aceita "pessoas com essa identidade" e "não condena uniões de facto". 

"Todo o respeito é devido aos casais homossexuais, mas não ao ponto de arranjar uma instituição equiparada ao casamento e à família", esclarece Manuel Morujão, porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa.

 

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Domingo, 28.06.09

Eles sairam do armário

 

Quando começou a perceber o interesse da assistente, Jorge, um professor universitário então com 27 anos, resolveu abrir o jogo: "Há um problema, sou homossexual", confessou-lhe. Talvez com a esperança de que o "problema" fosse tratável, a mulher insistiu. As cedências de parte a parte resultaram, após seis meses de namoro, numa gravidez não planeada e no casamento. Vinte anos depois, com três filhos e várias traições pelo meio, veio o irremediável divórcio. Mas Jorge não voltou a ter mulheres. Afinal, parece que o "problema" era o mesmo. E não tinha cura. 


No café, o professor agora com 51 anos espera por nós, incógnito. "Estou vestido de casaco castanho", avisa ao telefone. Embora assuma a sua homossexualidade, opta por não dar a cara na reportagem. Tem três filhos menores e não quer expô-los. O ponto de encontro é a Brasileira, café emblemático de Braga, cidade conhecida como a Roma portuguesa, conservadora e católica. Jorge atalha: "Pode ser conservadora, mas é também a cidade dos três P: dos padres, putas e paneleiros." Verdade ou mito, ele acaba a confessar os seus pecados: "Já namorei com três padres." 

Um homem a mais Antes, muito antes disso, o professor viveu no interior do país. Foi para lá dar aulas na universidade, numa altura em que mantinha dois relacionamentos homossexuais. Ser gay nunca foi um problema - jamais o escondeu, apenas não gosta de empunhar essa bandeira. 

"Foi um processo muito gradual, feito por etapas", explica. Aos 11 anos começou a perceber que as conversas sobre raparigas não lhe despertavam interesse. "Dava-me bem com elas e era até bastante popular, mas nunca passava disso, eram amigas", conta. 

A popularidade da adolescência prolongou-se pela idade adulta, a ponto de despertar interesse na assistente com quem trabalhava na universidade, "uma mulher bonita e inteligente". Depois de se envolverem, ela engravidou. "Não lhe escondia nada, mas achamos por bem casar. Acreditei que seria possível compatibilizar a minha orientação sexual", conta Jorge. Nenhum dos dois foi feliz. Ele não venceu a sua natureza e as infidelidades constantes desgastaram a relação até à ruptura inevitável. "Se o teu relacionamento fosse com outra mulher, saberia que armas usar. Com um homem não posso competir", dizia-lhe a mulher. De facto nunca o conseguiu, apesar de terem tido mais dois filhos de gravidezes não planeadas. 

Quase vinte anos volvidos sobre o casamento, e cinco após o divórcio, Jorge reconhece que hoje talvez não se tivesse casado. O que o levou a aguentar um casamento de 17 anos? A resposta é imediata: "Os filhos." 

Verdade escondida A filha foi o preço que João Mouta, de 48 anos, pagou pela sua liberdade. "Há sempre um preço a pagar e o meu foi esse", lamenta o director de marketing de uma empresa ligada ao ramo automóvel. A batalha jurídica pelo poder paternal, feita de lágrimas e violência, empurrou-o para o activismo: é um dos dirigentes da Pais Para Sempre, uma associação de defesa dos interesses do pai. Hoje, diz, é muito mais fácil falar sobre homossexualidade. Não só falar, como ser. "Se formos autênticos, as pessoas respeitam-nos", garante. 

Mas nem sempre foi assim. "Tive consciência disso aos cinco anos." No entanto, "a família, a sociedade e os valores estabelecidos levaram-me a reprimir a minha identidade". João Mouta namorou três anos e esteve casado durante oito. "A relação com a minha mulher foi--se deteriorando, e quando se consumou a separação fui viver com um homem." 

O processo de divórcio arrastou-se durante vários anos. "Uma separação é sempre complicada, diz-se que o sentimento é o que mais se aproxima da morte de um familiar. No meu caso foi ainda mais difícil", diz, embora nunca tenha assumido perante a mulher que iria viver com um homem. 

Mas o que o levou a embarcar num processo que sabia ser emocionalmente muito violento? "Há várias coisas: o desejo de ser autêntico e não ter de esconder mais, o desejo de ser feliz sem contingências, não lutar mais contra a sua própria natureza. Encontrar paz interior de alguma forma."

A estas razões, o psiquiatra Júlio Machado Vaz acrescenta o cansaço. "Já ouvi pessoas de 50 ou 60 anos confessarem--se exaustas, após uma vida de fingimento. Não dos afectos que as unem aos familiares, mas da verdade que (pres)sentem dentro de si", explica. 

Lésbica ou mãe? Não foi o caso de Teresa, que descobriu a sua homossexualidade já adulta. E depois de se divorciar do marido, com quem tem dois filhos. "Sou muito distraída. Ignorei completamente todos os sinais, a forma como me relacionava com os rapazes, as brincadeiras, o jogar à bola e ao berlinde", conta. E bonecas? "Destruía-as, riscava-as, cortava-as, coitadas." Teresa esteve casada durante dez anos, sem nunca ter questionado a sua orientação sexual. Hoje, consegue olhar para trás e admitir que o interesse pela professora de Francês na secundária era afinal uma paixão de adolescente. "Foi por causa dela que escolhi esta profissão [professora]."

O episódio ficou por ali, e Teresa diz ter seguido o percurso tido como normal: "Na faculdade relacionei-me com rapazes. Em termos amorosos nunca deu grande resultado, mas ficavam sempre grandes amizades." Fartava-se rapidamente quando passava a fase da paixão. Foi assim com quase todas os relacionamentos, incluindo com o ex-marido.

A verdade chegou muitos anos depois, aos 36, após o divórcio. "Comecei a perceber que as mulheres eram muito mais bonitas e bem mais interessantes", lembra. "Essa é a grande dificuldade, olhar ao espelho e assumir." Teresa ouviu conselhos em associações de lésbicas e procurou informação necessária para pôr um ponto final às "questões existenciais" que a atormentavam. Mas sentiu na pele as consequências. Um dia, a educadora de infância da filha perguntou às crianças da sala "se queriam ser lésbicas ou mães". A conversa deixou marcas até hoje. "A minha filha diz que preferia que a mãe tivesse um homem, quer ser igual às outras." Hoje, partilha a casa com a companheira e os dois filhos. 

Amor à primeira vista "Vi uma mulher e apaixonei-me por ela." Filipa, 55 anos, 30 dos quais casada, tem dois filhos adultos e viveu até há bem pouco tempo um romance com uma mulher. Garante que até há seis anos, altura em que conheceu a ex-companheira, nunca olhara para o sexo feminino com outro olhar que não fosse "amizade ou admiração". Tal como a maioria, não se deixa fotografar e recorre a um nome fictício. "Por respeito aos filhos", justifica. Quando conheceu - num consultório médico - a mulher com quem se viria a juntar, Filipa percebeu logo o que estava a acontecer. "Houve uma altura em que não pensava noutra coisa se não no dia em que teria a próxima consulta." Foram precisos 40 anos de vida para descobrir que afinal gostava de mulheres. Nunca teve o mínimo indício? "Não estou muito preocupada em encontrar respostas." Depois de se divorciar, Filipa juntou-se com a sua ex-companheira. Nunca disse à família que estava a viver um amor no feminino. Mas não se livrou da condenação de um dos filhos, que ainda hoje não lhe fala.

Para João Mouta, hoje estão criadas as condições para as pessoas "serem mais autênticas, sem pagarem um preço tão alto como antes". Por outro lado, há um paradigma geracional que ainda afecta muitos homens e mulheres escondidos no armário. É uma questão de coragem? "Não, é preciso ser  inconsequente.

 

Via Ionline



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Terça-feira, 16.06.09

 Só para lésbicas

 

Uma clínica de fertilidade espanhola em parceria com uma agência de viagens especializada em turismo para lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgéneros (LGBT) apresentaram, na sexta-feira, um pacote turístico completo para lésbicas. O pacote inclui hotel de cinco estrelas, um circuito de bem-estar e a possibilidade de regressar grávida. 


"Há cinco anos que notamos um crescimento de casais lésbicos a consultar-nos. Quisemos facilitar a estadia e as viagens e, por isso, procurámos esta agência especializada", diz Rafael Bernabeu, fundador do Instituto Bernabeu - que tem clínicas de fertilidade em Alicante, Elche, Cartagena e Benidorm (Espanha). O objectivo é "facilitar a informação e o conhecimento" dos tratamentos personalizados de fertilização que a clínica oferece, "sempre com um tratamento gays friendly" baseado na "qualidade" e no "anonimato".

Enquanto se procede ao tratamento de fertilidade, as pacientes podem desfrutar da estadia com vista para o mar Mediterrâneo. O hotel é de cinco estrelas, sempre à beira-mar, e incluí um circuito de beleza e relaxamento: sauna, massagem corporal, tratamento facial, tudo para acalmar os nervos antes da inseminação. 

María José Rico, sócia da Rainbow Tourism, revela que o pacote de turismo depende do tipo de tratamento: "O normal são sete dias de alojamento com pequeno-almoço incluído, em quarto duplo, num hotel de cinco estrelas. As pacientes passam um ou dois dias na clínica e o resto são férias. "Muitas pacientes vinham cá nas férias de Verão ou no Natal e, agora, já têm a logística facilitada", afirma Rafael Bernabeu. 

A estadia de uma semana no Hotel Sivi San Joan, em Alicante - unidade com que a agência iniciou o pacote de lançamento - custa 600 euros por pessoa. Os tratamentos de fertilidade variam entre mil e 7500 euros. O mais barato consiste na inseminação com sémen do doador. Os mais caros requerem doação de óvulos e inseminação in vitro

 

Resto do texto aqui

 

Via ionline

 

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publicado por olhar para o mundo às 19:26 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Sábado, 30.05.09

Mundo gay de Lisboa

 

 Há várias décadas que o Príncipe Real é a principal zona gay de Lisboa, por causa dos muitos bares, discotecas e engates. Mas, se ganha na quantidade, perde na qualidade. Não é aí que ficam os melhores ambientes nocturnos gay. É no Bairro Alto - que sempre atraiu certa franja das profissões criativas e liberais, cheias de homens e mulheres homossexuais.

Foi a assíduos do Bairro Alto que o i perguntou pelos dois melhores bares gay de Lisboa. E o prémio, sem grande hesitação, foi quase sempre para? Maria Caxuxa e Purex. Dois sítios colados um ao outro, embora em ruas diferentes, de ambiente bem definido, livre e sofisticado, onde as pessoas se divertem a sério.

O Caxuxa, como é conhecido, puxa mais os homens gay; o Purex, as lésbicas. Tanto um como outro recusam o rótulo de bar gay e, bem vistas as coisas, até têm razão. Há neles de tudo um pouco. Mas não poderia ser de outra maneira, numa cidade onde consta que o apartheid da orientação sexual não existe. Agora dizer que a sexualidade de quem lá vai não importa nada também soa a falso. São os clientes, com as suas características todas, e não só metade delas, que fazem as casas. Se nunca lá foi, experimente.

Para eles: Maria Caxuxa Três salas, um bar, aspecto rústico propositado, um não-sei-quê de seguro e libertino. Um cantor aqui, um bailarino ali, um actor acolá. Sempre muitos gays.

Os actuais donos do Maria Caxuxa trabalharam em tempos noutro bar do Bairro Alto, o Clube da Esquina - assumidamente gay. Há quatro anos, quando abriram o Caxuxa, trouxeram com eles muitos clientes. Além disso, esta antiga tasca e fábrica de bolos (o forno mantém-se, ao centro do bar) foi uma lufada de ar fresco na cidade. Pela atitude - discreta, mas sabida - e pelo ambiente - familiar e moderno. Tudo aquilo que muitos homens gay apreciam.

Situa-se na Rua da Barroca, a principal rua gay do Bairro. Nos concorridos fins-de-semana fica facilmente sobrelotado. Por dentro e por fora. Os lugares sentados são disputados ao centímetro. E à porta junta-se uma multidão compacta de copo na mão. A atracção é tal que há quem prefira comprar bebidas mais baratas nos bares ao lado e ir despachá-las à porta do Caxuxa.

Por não ser um gueto, longe disso, nem vestir a camisola de nenhuma causa, permite que toda a gente se sinta bem lá dentro. O som electrónico modernaço, as excelentes tostas servidas até à uma da manhã e a rapidez do serviço fazem o resto.

Para elas: Purex Em pouco anos tornou-se um dos melhores bares de Lisboa e, por via da clientela que lá vai, um dos melhores bares lésbicos. Há quem lhe chame "fufex". Costuma associar-se às iniciativas LGBT lisboetas, como o Arraial Pride (a maior festa gay anual) e o festival de cinema Queer Lisboa.

As suas responsáveis preferem falar em bar gay friendly, porque dizem receber bem toda a gente. É um facto que sim. Cruzar as grandes portas cor-de-laranja do Purex não é a mesma coisa que meter o pé noutros bares do Bairro. A maior parte deles, verdade seja dita, não são bares - são balcões de venda de bebidas, sem personalidade ou ambiente. Muitas vezes sem nome. No Purex isso não acontece. Há espírito e carácter, ambiente e boa música.

A casa demorou a fazer-se. Tinha uma clientela lésbica pouco dada ao consumo de bebidas, que fazia do espaço uma sala de estar para amigas e conhecidas. As responsáveis conseguiram dar a volta ao caso com uma selecção musical rígida, pouco comercial e atenta às novidades. O suficiente para afastar um público menos exigente e atrair as (e os) vanguardistas.

Via ionline

 



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