Terça-feira, 28.12.10

A ensitel e a sua forma de fazer negocios

 

A Ensitel, uma cadeia de lojas portuguesa que vende aparelhos de electrónica, intimou judicialmente uma ex-cliente a apagar textos do seu blogue pessoal, que criticavam a actuação da empresa. O resultado foi uma avalancha de críticas na blogosfera, no Twitter, Facebook, YouTube e outras redes sociais.

 

A explosão de críticas começou esta segunda-feira, quando Maria João Nogueira, autora do blogue jonasnuts.com e ex-cliente da Ensitel, escreveu que a empresa lhe tinha enviado uma providência cautelar para que retirasse uma série de seis textos relativos à empresa e escritos ao longo de 2009.

Nestes textos, Maria João Nogueira narra que a empresa se recusou a trocar um telemóvel defeituoso e que, após uma série de tentativas de troca e de devolução do dinheiro, o caso acabou em tribunal, onde o juiz deu razão à Ensitel.

Maria João Nogueira, que já tinha sido contactada pelos advogados da Ensitel, escreveu no texto desta segunda-feira: “Os senhores cumpriram a ameaça, e no dia 22 recebi a tal citação pessoal, que é um documento de 31 página[s] (sim, 31) em que sou intimada pelo tribunal a constituir um advogado, e é um procedimento cautelar”. A autora do blogue tem desde a recepção do documento dez úteis para constituir advogado e contestar a providência cautelar.

A sucessão viral de reacções que se seguiu à publicação no blogue deve-se em parte ao facto de Maria João Nogueira ser responsável pela gestão da comunidade de blogues do portal Sapo e uma presença frequente nos círculos da blogosfera e das redes sociais portuguesas.

"Não estou satisfeita com nada disto, a verdade é essa", observou ao PÚBLICO Maria João Nogueira. "Para mim o tema já estava morto e enterrado. No dia em que escrevi o post a descrever o último episódio não voltei a escrever sobre o assunto. Eu não queria colocar em causa a reputação de ninguém, eu queria partilhar a minha experiência enquanto consumidora daquela empresa. Fi-lo enquanto durou essa experiência, depois passou, abandonei o tema, nunca me ocorrendo que isto pudesse resultar na actual situação."

A autora, porém, diz estar "obviamente satisfeita com as inúmeras mensagens de apoio".

O advogado Manuel Lopes Rocha, da sociedade de advogados PLMJ, explicou ao PÚBLICO que os casos que se passam na blogosfera se desenrolam “como em qualquer outra situação” deste tipo. “O juiz avaliará se há ou não difamação. Se [os textos] forem factuais, não vejo por que hão-de ser apagados”.

O PÚBLICO contactou a empresa, que remeteu todas as explicações para um comunicado, que foi entretanto distribuído na tarde desta terça-feira e que está também disponível napágina da empresa no Facebook (onde se acumulam os comentários depreciativos, bem como várias queixas de que alguns comentários anteriores foram apagados pela empresa).

No comunicado, sucinto, lê-se: “A Ensitel não põe minimamente em causa qualquer tipo ou forma de liberdade de expressão, mas repudia, rejeita e não aceita ser alvo de uma autêntica campanha difamatória, assente em factos absolutamente falsos que têm como único intuito denegrir a imagem e boa reputação que a Ensitel construiu ao longo de 21 anos, apenas porque o cliente não se conformou com uma decisão judicial que lhe foi desfavorável.”

No Facebook há ainda uma página para criada para criticar a empresa. Já no YouTube foi publicado um vídeo que parodia o caso, sob o título EnSHITel. No FourSquare (um serviço que permite aos utilizadores assinalarem os locais onde estão), um utilizador escreveu: “Esta e uma empresa que processa os seus clientes para removerem opiniões negativas sobre a empresa, nos seus blogs pessoais!!! COMPRAR NA ENSITEL?! Nao obrigado!” [SIC].

O assunto tem sido amplamente abordado no Twitter e já chegou a alguns órgãos de comunicação portugueses. A entrada da Wikipedia relativa à Ensitel também já descreve o episódio.O fenómeno de que a Ensitel está a ser alvo é chamado efeito Streisand e dá-se quando alguém tenta retirar ou minimizar a publicação de algo na Internet, obtendo com essa acção o efeito contrário e acabando por contribuir para a divulgação do material em causa. O nome vem da tentativa levada a cabo pela artista Barbra Streisand de retirar uma fotografia da sua mansão de uma colecção de fotos públicas da costa da Califórnia.

 

Via Público



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Segunda-feira, 13.12.10

Bélgica proibe venda de tapetes-puzzle

 

A Bélgica decidiu proibir a venda dos tapetes-puzzle para crianças, devido à presença na sua constituição de partículas consideradas tóxicas, e a França deverá tomar uma decisão na segunda-feira, informaram fontes oficiais.

O debate sobre este tema começou na sexta-feira, quando as autoridades belgas decidiram retirar o produto dos locais de venda, devido a análises feitas ao produto que mostram a presença de partículas de formadima, uma substância química cancerígena.

O secretário de Estado francês do Consumo, Frédéric Lefebvre, citado hoje pela France Press, disse que deu indicações para se "proceder de imediato ao controlo de toxidade".

O governante francês disse que pediu também ao homólogo belga os resultados das análises feitas que sustentaram a decisão tomada por Bruxelas.

Está prevista para segunda-feira de manhã uma reunião para o Governo francês tomar uma decisão.

O presidente da Associação Francesa de Defesa dos Consumidores, Reine-Claude Mader, defendeu que é preciso "retirar de imediato os tapetes-puzzle de venda", recordando que já há uma decisão comunitária que vai proibir o uso da formadima a partir de 2013.

 

Via ionline



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Quarta-feira, 08.12.10

Primeiro Português a alojar o wikileaks

 

Em poucos dias meio milhar de servidores juntaram-se para uma causa justa: não deixar morrer o site que deu ao mundo informações que não devia dar. O medo preserva. A preserverança preserva também.

Todos ajudam. Por tudo o mundo existem pessoas, tal como eu, o primeiro a alojar o Wikileaks no meu domínio .pt.
Fi-lo porque acredito na força da expressão na Internet. Fi-lo porque acho que a Internet é livre. Fi-lo porque sou convicto do que me rodeia e acredito que a Wikileaks é uma fonte que deve ser preservada livre a todo o custo, pelo bem do jornalismo, da liberdade de imprensa, e dos new media.

Há quem argumente que a Wikileaks divulgou informação confidencial. Muito bem. Sendo essa informação parte dela contra a constituição dos USA e dos países envolvidos, eu argumento que deixa de ser confidencial e se coloca em mais alto nível as possíveis ilegalidades cometidas pelas partes intervenientes.
Há quem diga que o dono do Wikileaks devia ser “caçado” como o Bin Laden. Ainda bem, temo que tenhamos pelo menos mais 10 anos de verdades duras e cruas.

A situação não se fica por aqui. Em Portugal, o wikileaks.org.pt foi removido indevidamente pela FCCN por uma “desculpa esfarrapada” como podem ler no blog do mvalente.

Será o ruicruz.pt removido por também ter um sub domínio que “induz em erro ou confusão sobre a sua titularidade”?

Dei hoje uma entrevista a TSF, que pode ser ouvida logo aqui: wikileaks_entrevista.mp3

Nota: em alguns browsers/players é cortada a última frase em 5segs, também não digo muito mais. faz download caso queiras ouvir o resto. No BlackBerry funciona a 100%.

Vamos em força. Vamos com coragem. Pela liberdade de imprensa.

wikileaks.ruicruz.pt

Rui

 

Via Rui Cruz



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Segunda-feira, 06.12.10

Bendito Condón que quitas la sida al mundo

 

 

Imagem de uma campanha contra a Sida na Espanha



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A inocência adiada

Acredito que a sexualidade vivida demasiado cedo distorce a realidade e torna as crianças emadultos imaturos, decididamente mais infelizes e insatisfeitos por terem crescido depressa demais. Alguém concorda?

Confesso que já penso nisto há meses, para não dizer que o faço já há alguns anos. Mas hoje, talvez como resultado da leitura de algumas notícias que trazem a público o aumento do número de casamentos homossexuais em Portugal e a tenra idade em que a população portuguesa inicia a sua vida sexual, achei que estava na hora de desabafar este sentimento de uma certa confusão social.

Não quero com isto dizer que sou contra o casamento homossexual ou as relações entre indivíduos do mesmo sexo. Creio que cada um tem direito a ser feliz na sua sexualidade. A minha questão coloca-se é com a idade em que de facto um indivíduo tem consciência da sua sexualidade. Isto é, se gosta de indivíduos do mesmo sexo ou do sexo oposto e se tem de facto consciência da experiência sexual em si.

 

Século 21: Nova era ou confusão social

Creio que a nossa sociedade, não sei se por ter estado tão privada da liberdade de ação e pensamento durante tantos anos, criou uma ideia errada do que é realmente a sexualidade, a relação íntima e a identificação com pessoas do mesmo sexo ou do sexo oposto.

As meninas sempre foram habituadas a dormir com meninas e a não serem condenadas por andarem de mãos dadas ou brincarem com bonecas. Já no que diz respeito aos rapazes, a estes sempre lhes foi dito que o correto para eles era jogar à bola e brincar com carrinhos.

Na minha opinião esta é uma falha social, um preconceito. Mas, sinceramente, também acho estranho o contrário e, correndo o risco de ser mal interpretada, não acho mesmo normal que cada vez mais rapazes adolescentes conheçam tão bem com a sua sexualidade, ao ponto de quererem ser parecidos com elas, a nível de modos e comportamentos, e que sejam capazes de se afirmar homossexuais, quando mal ainda chegaram à adolescência ou pouco mais que isso.

Não sei se nos dias de hoje as grandes culpadas somos nós, as mulheres e mães, ou os homens, enquanto pais, que fazem dos filhos e filhas seres andróginos e apenas preocupados com aquilo que os outros pensam ou veem, passando de uma forma fútil, as formas corretas de ser e de estar, através de imagens manipuladas e conceitos politicamente corretos.

E se de um lado os meninos cada vez mais se parecem com meninas, também estas, cada vez mais, são autênticas predadoras sexuais com 14, 15 anos, verdadeiras "lolitas" maquilhadas e produzidas, e capazes de confundir a cabeça dos mais esclarecidos.

Assusta-me esta falta de identificação e maturidade sexual. É certo que com esta idade já tinha dado o meu primeiro beijo de fugida, mas preferia bem mais saltar ao elástico e dar grandes voltas de bicicleta pelo bairro com o maior número de amigos, e falar horas intermináveis nas noites quentes de Verão.

Viamos o "Dirty Dancing", o "Blue Lagoon" e o "Top Gun", mas daí a permitir pouco mais que um toque na cintura e uns beijinhos repenicados, ía muito mais que uma longa metragem.

Tenho saudade. Gostava que os miúdos não descobrissem tão cedo a sexualidade e fizessem dela uma distorcida imagem de afeto. Gostava que brincassem mais, andassem de mãos dadas e sentissem as primeiras borboletas no estômago sem que para isso tivessem de ter relações sexuais prematuras, que vão resultar muitas vezes em más experiências, das quais a gravidez pode nem sempre ser a pior das experiências mas, sem dúvida, uma das mais comuns actualmente

 

Via A Vida de Saltos Altos



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Nova Cara do Facebook

 

O site mais falado das redes sociais, o Facebook, pode acordar amanhã de manhã com uma cara nova. Depois de terem circulado rumores de que isso poderia acontecer, o site de tecnologia Mashable afirma que o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg irá revelar o novo perfil do site no programa 60 minutes da CBS News.

 

"O fundador e CEO do Facebook Mark Zuckerberg fala com Lesley Stahl sobre a sua vida, o seu negócio, que já vale 35 mil milhões de dólares. E mostra o novo design do site", anuncia a CBS News no site da estação.

Botão de mensagens mais visível, mais destaque para as fotografias, com mais informação disponível sobre os utilizadores são algumas das alterações que o Mashable arrisca avançar como possíveis. Mas reconhece que toda a informação sobre o assunto tem sido bem escondida, em dias marcados por fugas de informação. Aos utilizadores mais curiosos resta esperar para que pelas 19h00 locais, por volta da meia-noite em Portugal, para que as novidades sejam reveladas.

 

Via Público



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Segunda-feira, 29.11.10

 

Morreu Leslie nielsen

O ator canadiano Leslie Nielsen, protagonista da comédia Aeroplano, morreu domingo num hospital da Florida aos 84 anos, anunciou o seu sobrinho Doug Nielsen.

O estado de saúde de Leslie Nielsen, hospitalizado há 12 dias por problemas pulmonares, começou a agravar-se nas últimas 48 horas, indicou Doug Nielsen a uma rádio de Manitoba, CKNW.

Domingo à tarde, "com os seus amigos e a sua mulher Barbaree ao seu lado, ele adormeceu e morreu", disse.

Nielsen ficou conhecido pela sua participação em várias séries de televisão norte-americanas de sucesso como "Peyton Place", "Dr Kildare", "Le Fugitif", "Kojak" ou "M.A.S.H.".

 

Posteriormente tornou-se uma celebridade a nível mundial graças à sua participação em filmes de culto na área da comédia como Aeroplano (1980), Onde Pára a Polícia (1988), Onde Pára a Polícia 2 1/2: O Cheiro do Medo (1991) e Onde Pára a Polícia 33 1/3 (1994).

 

Via Ionline



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Sergio Godinho, Rascunhos

 

Aqui a lição é dada pelo mestre. Sérgio Godinho tem o génio de transformar palavras em canções e sobe amanhã ao palco da Culturgest, em Lisboa, para explicar como se faz. O cantautor apresenta "Final de Rascunho", uma série de concertos onde vai desvendar parte do seu universo criativo. As múltiplas facetas, como a poesia e a spoken word, estarão em evidência, num espectáculo que se quer intimista. E em boa companhia: a acompanhar a banda estará Bernardo Sassetti e o violoncelista António Serginho

O espectáculo surgiu de forma natural. Há muito que as datas dos concertos na Culturgest (sexta, sábado e domingo) estavam marcadas. "Mas ainda sem um programa definido", conta Sérgio Godinho ao i, a partir do estúdio onde está a preparar o concerto. Inicialmente previsto para o ano de 2010, o seu novo disco acabou por não sair. Mas foi dos seus preparativos que nasceu a ideia de levar para o palco "um espectáculo encenado e espontâneo, construído e imprevisível". Uma decisão inédita, quase uma introdução ao novo registo.

"Enquanto as canções foram surgindo, achei que seria interessante partilhá-las sem rede, com o público. No fundo é isso que este espectáculo representa: resulta de um work in progress e pretende ao mesmo tempo mostrar como se foram desenvolvendo as canções". Mas sempre "de modo muito informal", sem revelar grandes detalhes.

O autor é muito ciente desse trabalho solitário, dos primeiros esboços feitos em casa ou num "lugar qualquer", cuja natureza raramente se revela. "A primeira partilha é com nós mesmos e com interlocutores imaginários. Quando se compõe, projecta-se sempre para os outros. Pode ser muito romântico dizer que não, mas não faz sentido nenhum. Mesmo os que dizem furiosamente que escrevem para si, fazem-no sempre para alguém." 

Além de deambular por um conjunto de novas canções, "Final de Rascunho" inclui um alinhamento "mais vasto". "Vamos também tocar coisas mais antigas, todas elas cruzam esta mesma linguagem." Em palco, Sérgio Godinho promete ainda evidenciar uma das facetas mais apreciadas: a escrita. Serão lidos poemas do seu livro de poesia, "Sangue por Um Fio", em jeito de spoken word, acompanhados pela banda e pelos músicos convidados, que têm papel activo não só no concerto mas também no disco. 

"Sempre pensei que este próximo disco teria outras pessoas para além da nossa banda. Foi por isso que convidei o Bernardo Sassetti e o António Serginho. Entram na dupla condição de instrumentistas em palco, mas também para conceber arranjos." Sérgio Godinho confessa que há muito tempo queria trabalhar com Sassetti e o resultado desse desejo ganha agora forma num tema inédito. Chama-se "Dias Consecutivos" e é uma "espécie de valsa macabra."

 

Via Ionline



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Sábado, 27.11.10

O facebook e os virus

 

Bastaram três semanas para que a BitDefender, uma multinacional romena, tenha chegado à conclusão de que 20% dos utilizadores do Facebook, a maior rede social do mundo, partilham aplicações com conteúdo malicioso. A maioria das vezes sem o saberem. 

Desde o início do mês, foram passados a pente fino os perfis de 14 mil utilizadores e analisados mais de 20 milhões de objectos partilhados em murais - como links, imagens e vídeos. As conclusões mostram que o Facebook está longe de ser inofensivo, sobretudo porque os próprios utilizadores não estão atentos à segurança e, na maior parte dos casos, não sabem que estão a partilhar conteúdo malicioso com os seus amigos. 

Quase 60% desse conteúdo, revela a BitDefender, assume a forma de aplicações. As mais populares, identificadas em 21,5% dos casos, são as que encaminham para funcionalidades que o Facebook nem sequer permite - como a possibilidade de o utilizador saber quem visitou o seu perfil. Há as que oferecem falsos itens para jogos como o Farmville (15,4%) ou as que permitem alterar o fundo do perfil ou a colocação de botões como "não gosto", através de extensões (11,2%). Outras aplicações, aparentemente menos populares, fazem-se passar por novas versões de jogos famosos (7,1%), prometem prémios como telemóveis (5,4%) ou sugerem métodos idóneos para ver filmes, gratuitamente e online (1,3%).

Na maior parte dos casos, estas aplicações não são mais do que esquemas publicitários - em que são apresentados, por exemplo, questionários ao mesmo tempo em que são exibidos anúncios - etentam redireccionar para outros sites

Cinco por cento apanham vírus Além destes ataques, conseguidos através de falsas aplicações, a BitDefender diz que 16% do malware encontrado no Facebook atrai os utilizadores para a visualização de filmes considerados "chocantes". Além disso, concluiu a multinacional romena, 5% dos utilizadores do Facebook são infectados pelo vírus Koobface - um anagrama da palavra Facebook e um software malicioso que tenta detectar os nomes dos utilizadores e respectivas palavras-passe nos computadores que consegue infectar. 

"Muitos utilizadores não têm consciência de que os conteúdos que publicam no seu mural são muito perigosos para os seus contactos e para eles próprios, por estarem infectados", explicou ontem a directora de marketing da BitDefender para Portugal, Espanha e América Latina, Jocelyn Otero. 

A empresa recolheu, ao longo de três semanas, 20 milhões de itens partilhados por utilizadores de 20 países - uma amostra pequena para o universo de 500 milhões de utilizadores activos daquela que é a maior rede social do mundo. Os 14 mil utilizadores analisados usaram uma aplicação aplicação para o Facebook, a Safego - que permite analisar os níveis de segurança do utilizador e que consegue identificar a informação pessoal que é visível a estranhos.

 

Via Ionline



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Sexta-feira, 26.11.10

Não ao pagamento de extras na factura de electricidade

 

A proposta de aumento médio de 3,8% na factura da energia eléctrica resulta de custos impostos ao sector que ganham uma dimensão insustentável. Exigimos cortes em várias áreas.

 

Em 2011, o custo da electricidade vai pesar mais no orçamento dos consumidores. A Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos propôs, em Outubro, uma média de 3,8% de aumento na tarifa da electricidade.

 

Opções políticas e medidas legislativas condicionam a fixação das tarifas e levam a que a parcela dos “Custos de Interesse Geral” continue com um crescimento imparável. Em 2011, prevê-se um total de 2,5 mil milhões de euros de custos, um aumento superior a 30%, face a 2010. Por exemplo, na factura, por cada € 100 pagos, € 42 referem-se a “Custos de Interesse Geral”, que podem e devem ser reduzidos. Alguns não têm relação directa com a produção e distribuição de energia eléctrica.

 

É indispensável e urgente repensar a política de taxas e sobrecustos que recai nas nossas facturas. Para 2011, a diminuição de 10% nestes custos levaria a uma redução de 5% na factura.

 

Há muito que a DECO alerta para a situação no sector e exige uma redução dos custos de interesse geral, para que o preço a pagar pelos consumidores seja mais justo.

 

assine a petição



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Senhor, porque me abandonaste?

 

Via Henricartoon



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A instituição nacional do "piquete de greve" é das figuras mais autoritárias que o democratizante Abril criou. Chamar-lhe vandalismo é simpatia.

 

Como o leitor deverá ter notado, mais não seja por, provavelmente, não ter conseguido chegar a horas ao trabalho ou, quem sabe, por ter realmente faltado voluntariamente ao trabalho, ontem houve greve. Daquelas em grande, pretensamente históricas, que reúnem, à mesma mesa, os já bafientos e empoeirados líderes das centrais sindicais.

 

Pessoalmente, tenho sérias dúvidas quanto à legitimidade de um "direito" à greve. Do que não tenho dúvidas absolutamente nenhumas é da legitimidade do direito, sem aspas, a não aderir à greve. Se toleramos que um conjunto de pessoas incumpra as suas responsabilidades contratuais como forma de manifestação política, tudo bem - a Nação lá sabe para onde caminha. O que não podemos, de todo em todo, tolerar é que as pessoas que não querem aderir ao protesto sejam a isso forçadas por intimidatórios e muitas vezes bárbaros piquetes de greve.

 

Sejamos objectivos: o piquete de greve é uma figura anti-democrática. Intimidar as pessoas para que adiram a um protesto é precisamente o mesmo que intimidar as pessoas para que não adiram, apenas varia o sinal. Mais, vandalizar propriedade alheia, como lojas, bancos, escolas, o que for, por forma a impedir os acessos é, mais do que anti-democrático, criminoso. Os senhores Silva e Proença estão muito satisfeitos consigo próprios. Deviam, no entanto, ter vergonha por liderarem organizações que dão cobro a este tipo de comportamentos.

 

Tiago Moreira Ramalho

 

Via Aparelho de estado



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Terça-feira, 23.11.10

Livraria Lello do Porto

 

A Lello não é uma livraria qualquer. É "a" livraria do Porto. E do mundo. Tanto é, que foi considerada a terceira melhor do mundo pelo popular guia de viagens "Lonely Planet''s Best in Travel 2011". Quinze anos depois da mudança de gerência, a livraria continua a aproveitar a estrutura arquitectónica que atrai milhares de visitantes e reforça uma reputação que mantém há mais de cem anos.

Esta não é a primeira vez que a Lello é destacada por uma publicação internacional. Há dois anos, o jornal britânico "The Guardian" já a tinha homenageado com o terceiro lugar no ranking de melhores livrarias do mundo. 

Antero Braga, proprietário e actualmente o homem forte por detrás do nome Lello, explica que a receita para o sucesso passa por encontrar o equilíbrio interior entre o seu papel de amante de cultura e o outro, mais austero, o de gestor. 

Directo ao assunto, Antero Braga explica que esta não é a sua livraria ideal, uma vez que não abrange todas as áreas temáticas que desejava, mas o lado de gestor diz-lhe que só fazendo concessões é possível tornar a livraria num negócio viável. "Se não o fizeres estás condenado, quase como acontece com o país", confessa. 

Há 41 anos a trabalhar em livros, Antero não esconde o orgulho que sente com o seu espaço, a sua profissão e com a reputação de qualidade da sua livraria. Foi há 15 anos que assumiu a gerência da Lello, e quando a encontrou estava longe de ser o marco que é agora. "A Lello enquanto editora foi muito mais conhecida do que propriamente enquanto livraria", explica. 

Foi o seu percurso de gestor na Bertrand que o ajudou a recuperar o espaço. "Fui o gerente mais novo da Bertrand, o director comercial mais novo da Bertrand, o administrador mais novo da Bertrand e sou cá do Porto", contou.

A Lello é, aliás, um espaço tipicamente portuense, onde é cultivada e mostrada a essência da cidade. A máxima deste espaço passa por criar uma ligação "intensa de amizade"com os seus clientes. Antero Braga crê que é aqui que reside o espírito da Invicta. "No Porto é mais difícil por vezes penetrar no meio, mas depois tem-se amigos para a vida", diz.

O facto de ter preservado o ambiente íntimo e personalizado fez com que a livraria se tornasse um dos marcos de atracção da cidade, quer para o comum turista quer para figuras ilustres. Ao longo da sua vasta história, já por lá passaram nomes como Afonso Costa, Cavaco Silva (escolheu a Lello para lançar a sua autobiografia), Mário Vargas Llosa (ainda antes de receber o prémio Nobel), Alain Juppé, antigo primeiro-ministro francês, ou Marcelo Caetano, o último homem-forte do Estado Novo. 

"Cada um tem o seu feitio, e as pessoas gosta de ter um interlocutor, alguém que os aconselha", diz Antero Braga. Na Lello têm o tratamento personalizado que está a desaparecer do comércio contemporâneo. O gestor da livraria conta que várias personalidades, como Diogo Freitas do Amaral, usam o seu gabinete, onde guarda algumas raridades. 

Antero Braga orgulha-se das amizades que cultivou ao longo da sua carreira. Conta com carinho a o encontro que teve com José Saramago, em que lhe confessou que o seu livro preferido do autor era o "Levantado do Chão" e não o "Memorial do Convento". Ao que o Nobel português respondeu: "Também é o meu."

As distinções que a Lello vai acumulando fazem dela um ícone da cidade. Se cada visitante que se extasia com a sublime escadaria do espaço comprasse um livro, em termos comerciais era um êxito fenomenal. Assim, é uma livraria que resiste com o passar dos tempos e que o mundo reconhece. Mais do que os portugueses, diga-se.

Exclusivo i /Semanário Grande Porto

 

Via Ionline



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Terça-feira, 16.11.10

O Cavaco e a fraude do século

 

Cavaco Silva disse, na apresentação da sua recandidatura, que não vai haver um único cartaz/outdoor seu na próxima campanha.

Cartaz de Cavaco nas próximas eleições presidenciais:

Custou-nos 4 mil milhões....

 

Recebido por mail



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Quarta-feira, 10.11.10

Benfica, Todos ralham e ninguém tem razão

 

O filme está desfocado para os lados de Jorge Jesus. A paixão dos adeptos definha a cada derrota e há quem o confronte cara a cara pelas suas opções: a lua-de-mel parece que afinal não é eterna e os primeiros arrufos do matrimónio começam a vir à tona. Na madrugada que se seguiu à humilhação no Dragão, dois adeptos criticaram o treinador pelas suas opções e a resposta dele foi esta: "Coragem tiveram os que foram ao Dragão!" Tudo bem. Só que esses sócios tinham ido ao estádio do FC Porto e mostraram-lhe o ingresso como comprovativo - Jesus engoliu em seco e pediu desculpa. Ontem, no aeroporto, o técnico foi interpelado pelos mesmos benfiquistas quando a equipa seguia para as portas de embarque: "Mister, os que foram ao Dragão estão aqui a dar a cara outra vez. E achamos vergonhoso ir a Angola durante a semana numa altura destas." Ao ouvir isto, Jesus encolheu os ombros, pediu calma por lá estarem "jornalistas" e acabou por ser um responsável do clube a encerrar o assunto, explicando-se ao par de sócios: "Há aqui jogadores que não sabem o que é o Benfica e quando se apercebem da dimensão não conseguem lidar com a pressão." De Luís Filipe Vieira, nem um palavra.

Não são só os adeptos a torcer o nariz ao raid encarnado a Angola por ocasião das comemorações do 35.º aniversário da independência do país - aos jogadores e equipa técnica também não caiu bem a decisão presidencial de forçar a equipa a um desgaste suplementar e desnecessário. A viagem relâmpago a África está contextualizada numa suposta despedida oficial de Mantorras (no jogo Angola-Benfica, hoje às 19h) aos relvados e num encaixe chorudo para os cofres da Luz - 1,4 milhões de euros, pouco menos do que duas vitórias na Liga dos Campeões. Que é o que se pede a Jesus neste momento crítico: ganhar ao Schalke 04 (na Luz) e ao Hapoel (em Telavive) garante a passagem aos oitavos-de-final da Champions, um dos objectivos mínimos para quem até falou em conquistar a competição em Wembley. Se a meta não for alcançada, a contestação interna aumentará e Jesus ficará em palpos de aranha, agarrado à cláusula de rescisão astronómica (5 milhões de euros, pelo menos) que acordou com o clube. E é por isto e pelo capital de confiança que (ainda) tem junto de Vieira, que o despedimento de Jesus é cenário distante. Mas caso o Benfica decida prescindir do treinador, a solução passa pela entrada em cena do agente Jorge Mendes que procurará colocar Jesus no estrangeiro, satisfazendo ambas as partes.

ENTRE MUROS Jesus tem um estilo e o estilo é este: aperta com os jogadores até mais não, grita com eles em alta voz e muitas vezes insulta-os. Os jogadores que treinou no passado já se queixaram das "orelhas a ferver no treino" mas sempre lhe elogiaram a capacidade táctica; os futebolistas que dirige no Benfica dizem o mesmo dele. Ou diziam. 

Este ano, já se viu Luisão, de braçadeira, a discutir com Jesus em pleno relvado; já se viu Cardozo desagradado por não sair de campo quando se encontra esgotado e o resultado construído ("O descanso só faz é mal", diz Jesus); e Saviola com ar de poucos amigos sempre que é substituído. No futebol, como na vida, quando se ganha, tudo se suporta mas o inverso também é verdade. Nesses momentos questionam-se as opções tácticas, os métodos, os tiques e a cabeça começa a pesar mais do que as pernas. O Benfica é a formação mais indisciplinada da Liga, com 37 amarelos e dois vermelhos directos - contas feitas, as águias não podem contar com Luisão, Maxi Pereira e Carlos Martins para o encontro com a Naval (domingo). 

MEDO DO LOBO MAU Na preparação para o jogo do FC Porto, ficou evidente a preocupação de Jesus em montar um esquema que anulasse Hulk, como se o Incrível fosse lobo mau. Em 2009/10, foi Peixoto quem o defendeu na vitória caseira com o golo de Saviola - nem um nem outro jogaram no passado domingo mas um e outro tinham sido titulares nos últimos encontros. Como escreve o "Record", a coisa não caiu bem a Peixoto, a Saviola e nem aos restantes elementos do balneário que viram um Jesus medroso em vésperas de clássico.

 

Via Ionline



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Terça-feira, 09.11.10

Como comprar melhor

 

Em tempos de crise, não há como contornar a questão: quanto mais barato comprar, melhor. Por isso, é preciso estar bem atento a todas as opções. No supermercado, nas lojas e na internet, não faltam opções para adquirir aquilo de que necessita a preços mais baixos, e com a mesma qualidade. Na maioria dos casos, os truques são simples e o seu orçamento familiar agradece. Tome nota das dicas.

Compre com lista O segredo para não gastar mais do que deve no supermercado é garantir que só compra aquilo de que realmente precisa. Faça uma lista das necessidades da sua casa e discipline-se: compre só o que determinou, fuja aos produtos em promoção, vá espreitando os preços nos panfletos na caixa do correio, use cesto em vez de carrinho e marque dias específicos para ir às compras, de maneira a gastar tudo o que tem em casa antes de comprar mais. Desta forma também conseguirá poupar nas deslocações ao supermercado. Outra regra a seguir passa por não ir às compras quando estiver com fome: isso vai condicionar as suas compras e fazê-lo comprar produtos de que não necessita. Tenha atenção ao prazo de validade dos produtos.

"Nuestros hermanos" Se vive perto da fronteira com Espanha, não hesite. Comprar produtos em supermercados espanhóis vai ajudá-lo poupar, sobretudo a partir de Janeiro. A maioria dos produtos à venda em Espanha deduzem 18% do IVA: em Portugal, o Orçamento do Estado para 2011 prevê um aumento deste imposto para os 23%, o que se vai reflectir no preço final dos produtos.

Outra opção é comprar produtos de marca branca: em alguns casos podem custar metade do preço dos de marcas de referência (como os supermercados gastam menos em marketing, conseguem produtos a preços mais baratos sem prejuízo da qualidade). Além das marcas próprias, opte também por comprar em quantidade sempre que possível, sobretudo produtos com prazos de duração mais alargados, e compare preços com quantidades.

Cozinhe em casa Aproveite para apostar numa alimentação mais saudável e habitue-se a confeccionar as suas refeições em casa. Mesmo que leve comida para o trabalho, o facto de a confeccionar em casa vai poupar-lhe algum dinheiro: não se esqueça de que pode fazer comida para duas ou três refeições, e fazê-la render mais. 

Cozinhar pode ser uma excelente forma de relaxar e de rentabilizar as sobras de comida. Fazer o próprio café, em vez de ir bebê-lo à pastelaria da esquina, pode garantir a poupança de alguns euros por semana. Por exemplo, num agregado familiar de quatro pessoas em que cada uma beba dois cafés por dia fora de casa (oito cafés por dia a 0,50 cêntimos), em 365 dias pode poupar até 1460 euros.

Invista online "Comecei por comprar banda desenhada pela internet há dois anos e meio, porque faço colecção. Na internet há muita oferta, mas na altura era difícil convencer o meu pai, que achava estranho por causa do cartão de crédito", conta Daniel de Sousa Rodrigues, 22 anos, ao i. "Agora compro roupa, jogos, livros, de tudo um pouco, e cerca de uma vez por semana", acrescenta Daniel, que usa sobretudo o eBay. 

Para compor o armário, Nádia Torquato, 23 anos, começou há um ano a comprar roupa no ASOS.com. "Tive vontade de procurar coisas diferentes e apercebi-me de que as coisas eram mais baratas e a oferta muito maior. Assim passei a andar com coisas diferentes das das outras pessoas. Procuro sempre as pechinchas. Os produtos normalmente chegam na mesma semana em que se encomendam", conta ao i.

As opções são mais que muitas: o Plubee - online desde Junho - tem todos os dias promoções, entre produtos de beleza, bem-estar, restaurantes e lazer. A ideia do site é facilitar a compra de bens não-essenciais, mesmo em tempo de crise. Na mesma linha destaca-se o Groupon, que conta com campanhas de curta duração, principalmente ofertas em restaurantes a menos de 70% do preço. Em matéria de roupa e acessórios, o Club Fashion é a opção portuguesa mais conhecida. Com descontos entre 30% e 80%, é possível comprar roupa, sapatos e acessórios de marcas conhecidas a preços mais baixos.

 

Comprar online: o que se poupa em taxas e nas alfândegas

 

Um dos pontos essenciais a ter em atenção quando compra algum produto pela internet é a cotação da moeda do país onde está a fazer compras. No caso, por exemplo, de comprar um produto no Reino Unido, tenha em consideração que a libra vale mais do que o euro e, por isso, é necessário converter o preço em euros para saber se a compra compensa realmente. As compras a partir dos Estados Unidos serão, neste momento, mais protegidas, já que o valor do dólar é inferior ao da moeda única europeia.
No entanto, no caso de encomendas vindas de espaço norte-americano, há que ter em conta as despesas de transporte e os valor de desalfandegamento (IVA e direitos aduaneiros) – o que, a somar ao valor do produto, o pode tornar mais caro do que se fosse comprado em alguma loja em Portugal. 
O valor pago na alfândega – em produtos encomendados fora do espaço europeu há grande probabilidade de por lá passarem – depende da categoria do produto, determinado na pauta aduaneira. Por isso é essencial calcular todas as despesas decorrentes da compra online  antes de efectuar o pagamento do produto em questão: no site da Direcção-Geral das Alfândegas e dos Impostos Especiais sobre o Consumo (DGAIEC) pode consultar a pauta aduaneira, de maneira a saber a que classe pertence o produto que deseja encomendar e que taxa terá de pagar. 
No caso do IVA, a quantia é calculada sobre o valor total da encomenda mais os direitos aduaneiros. Estas despesas aplicam-se apenas a compras online fora do espaço europeu: normalmente as encomendas dentro da Europa não exigem este tipo de pagamento.

 

Via ionline



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Segunda-feira, 08.11.10

Scuts, há quem tenha encontrado estratégias para não pagar

 

O antigo ministro das Obras Públicas João Cravinho foi o primeiro a propor portagens nas Scut, que tinham sido pensadas para não ter custos para o utilizador, mas ficou-se por aí. O governo de Sócrates apadrinhou o modelo, conquistou terreno e foi feliz na finta à oposição. O modelo de pagamento nas primeiras três Scut (Costa da Prata, Grande Porto e Norte Litoral) arrancou a 15 de Outubro, mas nem todos os portugueses se resignaram.

O que mudou no dia-a-dia dos milhares de pessoas que usavam as Scut para chegar ao trabalho? A maioria dos utentes ouvidos pelo i não encontrou outra solução que não pagar. No entanto, há quem tenha descoberto uma maneira de não aumentar o orçamento das deslocações. 

Cristiana Vanzeler, de 32 anos, lembrou-se que as dez viagens de isenção para aqueles que residem nos concelhos a menos de dez quilómetros da Scut, poderiam duplicar e até triplicar. A professora vive com a família em Santa Maria da Feira, mas é obrigada a deslocar-se diariamente a uma escola em Aveiro. "Pela A29 são cerca de oito euros por dia, uma roubalheira! Pela estrada nacional demora quase duas horas, portanto arranjei uma estratégia." Cristiana não evitou a A29, mas fez o pedido e registo do DEM (dispositivo electrónico de matrícula) nos dois carros que tem em casa e está a usufruir das dez primeiras viagens a custo zero em ambos. "Na primeira semana levei o meu, depois o outro e na terceira semana vou levar o do meu pai, que não se importa de mo emprestar." Apenas na última semana de cada mês a professora terá de pagar pelas deslocações até Aveiro e mesmo assim irá usufruir dos 15% de desconto. 

Inês Nunes, de Vila do Conde, ainda não tem o DEM, mas não pensa pagar as portagens. "A maioria das pessoas paga, mas eu não", diz ao i a estudante de 19 anos da Faculdade de Arquitectura do Porto. A A28, que antes era a tábua de salvação dos moradores do Litoral Norte, é agora um bicho de pórticos. A N13, que seria a segunda opção, transformou-se num "monstro", relatam alguns moradores. Porém, os "pequenos desvios", no caso da Inês, foram benéficos. "Vou pela A28 até à saída de Mindelo, faço um desvio de cinco minutos pela aldeia e volto a entrar na Lavra", conta a estudante, que depois segue pela A28 até ao Porto sem encontrar mais pórticos. Inês Nunes garante que é a melhor estratégia e permite poupar 95 cêntimos por viagem. 

Para José António Viana, de 54 anos, não há muitas alternativas. "As auto-estradas são muito caras, a nacional é um trajecto cheio de desvios e semáforos e demora o dobro do tempo." Ainda assim, o residente em Esposende recorda a Avenida 25 de Abril, entre a Póvoa do Varzim e Vila do Conde, que permite evitar um pórtico. "É uma boa estrada, segura e plana - tem o problema das sete rotundas." 

Não um, mas três, é o número de pórticos que José Guilherme, de 36 anos, teria de pagar diariamente se optasse pela A17. O professor desloca-se de Mira para Aveiro, mas escolheu um percurso alternativo. "Entro na A17 cinco quilómetros depois de Mira, na aldeia de Santo André. Depois saio em Vagos e sigo pela estrada nacional." José assegura que os poucos quilómetros que acrescem ao trajecto são compensatórios no combustível. "Antigamente demorava 35 minutos, agora demoro 40 mas não pago 4,30 euros por dia."

 

Via Ionline



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Sábado, 06.11.10

Onde ver o Benfica Porto?

 

Esta lista só existe porque um dia alguém decidiu que era boa ideia ter um canal que só passasse bola - e que uma assinatura desse canal custaria quase o mesmo que os outros 40 todos juntos. Começou a ser difícil ver um jogo em casa, com uma cerveja na mão e a família a pedir para mudar de canal.

Assistir ao jogo na televisão deixou de ser uma coisa que qualquer pessoa com uma antena no telhado pode fazer. Os jogos estão agora ao nível do chão, em salas de luzes brancas decoradas com aquários cheios de sapateiras com tenazes presas por elásticos: as cervejarias. Elencámos dez, entre Lisboa e Porto, para ajudar o leitor a decidir o melhor lugar para ver o Benfica-Porto e para utilizar o verbo "elencar" na primeira pessoa do plural do pretérito perfeito. 

Uns mais caros que outros, mais confortáveis que outros. Apenas uma garantia: não vai faltar cerveja de pressão, tirada com aquela precisão de um samurai - dois dedos de espuma - e salgados para fintar a fome. Nenhum dos lugares é directamente conotado com nenhum clube, mas a distinção geográfica Lisboa-Porto deve ser suficiente para saber onde vão estar benfiquistas e portistas.

 

1. British Bar

As histórias deste bar no Cais do Sodré, Lisboa, são suficientes para encher esta página ? e o que fica de fora pode vir a dar um livro ou documentário. Um dos mais antigos e emblemáticos bares de Lisboa, o British Bar, tem a maior carta de cervejas da capital (loiras, pretas ou ruivas, sobretudo belgas) e uma televisão discreta sempre sintonizada nos canais que interessam. Há salgados e o mítico ovo cozido em cima de um monte de sal. Rua Bernardino Costa, 52, Cais do Sodré, Lisboa. Tel. 213 422 367

 

2. Grupo Excursionista "Vai Tu"

Na sala de convívio deste grupo excursionista a intensidade com que se vive o futebol é inversamente proporcional ao preço da cerveja. Tem uma televisão grande, área de fumadores (é mesmo uma área, expressa em metros quadrados, sem separação física) e um benfiquista lendário que, quando a sua equipa ganha e o árbitro faz ?bem? o seu trabalho, ofende o realizador da transmissão televisiva: ?Este plano é uma merda, não se vê nada.? Rua da Bica de Duarte Belo, 6 - 8, Lisboa. Tel. 213 460 848

 

3. Barraquinha da Praia da Granja

A Barraquinha da Praia da Granja, em Vila Nova de Gaia, tem uma vantagem óbvia. Como fica em cima do areal, o derrotado da noite pode sempre dar um passeio a pé junto ao mar para afogar (apenas) as mágoas. Dispõe de um ecrã gigante e serviço de snack bar. A paisagem é excelente, o estacionamento é abundante e fica longe dos tradicionais aglomerados de adeptos. Esplanada Fernando Ermida, Granja, Vila Nova de Gaia

 

4. Maracanã

Um clássico das cervejarias lisboetas, o Maracanã é célebre pelos mariscos, petiscos e uma esplanada à beira da Avenida Fontes Pereira de Melo na qual beber um café à tarde é quase um desporto radical. Lá dentro há uma televisão grande que, aos dias de semana, serve para passar as letras do menos concorrido karaoke da capital. Felizmente, a comida e bebida estão vários furos acima dos cantores amadores que insistem em guinchar o reportório de Céline Dion. Rua Pinheiro Chagas, 1, Saldanha, Lisboa. Tel. 213 526 934

 

5. República da Cerveja

Diz-se, e com toda a propriedade, que a melhor vista do Porto se tem a partir de Gaia. Daí que a República da Cerveja, no Cais de Gaia, seja um regalo para a vista. Não faltam televisores para dar uma espreitadela ao clássico. Para os mais nervosos é sempre possível vir cá fora fumar um cigarro e deliciar-se com o postal ao vivo que constitui o centro histórico do Porto. Bifes, francesinhas e muita cerveja são presença obrigatória em qualquer menu. Avenida Ramos Pinto Loja 170, Cais de Gaia, Vila Nova de Gaia Tel. 223 747 400

 

6. Tonga- Restaurante Tasca

Pode uma tasca ser moderna? À partida, não. Mas nos últimos anos o nome tornou-se cool e pode ir-se jantar a uma tasca, como o Tonga, sem pensar em salgados ensopados em óleo e o mata-mosca Cri-Cri a servir de iluminação estroboscópica de cada vez que cai um insecto. Situado em Benfica, o Tonga tem ecrãs de plasma grandes, comida tradicional portuguesa em versões modernizadas (petiscos chamam-se agora tapas) e uma considerável reserva de cerveja. Avenida do Uruguai, 26A, Benfica, Lisboa. Tel. 214 051 351

7. Lizarran

O ambiente é assim como que a atirar para o espanhol. Tapas, cañas ou cidra são algumas especialidades da casa, que tem como originalidade fazer a conta final pelo número de palitos deixados num recipiente na mesa. Para ver o clássico sem perder pitada, uma tela enorme não deixa escapar nenhuma incidência da partida. Ideal para os benfiquistas que esperam ver o espanhol Javi Garcia parar o meio-campo do FC Porto. Avenida dos Combatentes da Grande Guerra, 508, 4450 Leça da Palmeira Tel. 224 026 537

8. Shakesbeer

A Rua do Campo Alegre é a artéria por excelência das cervejarias no Porto. Às históricas Galiza e Capa Negra, junta-se agora a Shakesbeer, mesmo junto ao túnel de acesso à auto-estrada. Não falta a televisão de dimensões generosas (plasmas), assim como todo um arsenal gastronómico que não permite sair de lá com a barriga a dar horas. A cerveja é de excelente qualidade, como atestam as cubas mesmo à vista dos clientes. Rua do Campo Alegre 359/365, 4150-178 Porto Tel. 912 175 353

 

9. Cufra

É uma das mais antigas cervejarias do Porto. Em plena Avenida da Boavista, e com parque de estacionamento, dispõe de uma tela onde, religiosamente, são projectados os jogos que apenas podem ser vistos na SportTV. Por entre uma francesinha, um prego ou um prato de marisco, o clássico terá uma cor mais azul-e-branca, não sendo mesmo difícil  encontrar por lá alguns portistas famosos.Avenida da Boavista 2504, 4100 Porto
Tel. 226 172 715


10. Café Império

Ele está no meio de nós ? nós, os lisboetas. No centro geométrico de Lisboa, mais coisa menos coisa, paredes meias com o grande templo da Igreja Universal do Reino de Deus, o centro de outra coisa qualquer. A cozinha funciona até tarde e é de lá que sai o célebre bife à Império, um dos melhores da capital. No piso inferior há um projector e televisões grandes em vários ângulos, para que não se perca pitada do jogo quando se tem de virar para chamar o empregado. Avenida Almirante Reis, 205, Lisboa. Tel. 212 471 765

 

 

Via Ionline

 



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Sexta-feira, 05.11.10


 

«O André tem 6 anos e mora em Benavente. O André nasceu com paralisia cerebral e entrou para a primária este ano. Com a entrada para a escola vieram os primeiros problemas, a mobilidade do André.

 

Ele precisa de uma cadeira eléctrica mas infelizmente estamos em Portugal e essas coisas que não se deviam pagar, tem de ser pagas, para isso está a decorrer uma campanha com o apoio da Câmara Municipal de Benavente intitulada tampinha colorida. Tem como principal objectivo juntar 40 toneladas de tampinhas e plásticos para se conseguir comprar a referida cadeira e eléctrica e adaptada ás dificuldades do André.»

 

colaborem!

 

Via Twitt-tribu



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Quarta-feira, 03.11.10

Pedroto e Pinto da Costa... o inicio da História de sucesso

 

É normal que associemos o ano de 1982 ao Mundial de Espanha. Ao espantoso Brasil de Telé Santana. À inacreditável Itália de Rossi. À crueldade do alemão Schumacher numa entrada duríssima sobre o francês Battiston. À estreia do já veterano camaronês Roger Milla. Mas 1982 é também o início de uma era do FC Porto, com o primeiro mandato de Pinto da Costa como presidente. E o primeiro campeonato realizado nestas circunstâncias é marcado pelas polémicas. Que, verdade seja dita, sempre existiram. O problema agora é que a contestação sobe de tom, o FC Porto intromete-se contra o poder da capital exercido por Benfica e Sporting e a RTP começa a transmitir os resumos todos, com golos, penáltis e lances duvidosos.

Em tempo recorde, a dupla Pinto da Costa-Pedroto alimenta ódios ou paixões. E divide o país ao meio. A bronca estala definitivamente num FC Porto-Benfica, a sete jornadas do fim. Na semana anterior, o FC Porto empatara no Estoril (1-1). A 12'' do fim, penálti contra o Estoril e expulsão de Vítor Madeira. Durante 11 minutos, protestos contra o árbitro Graça Oliva e empurrões para lá e para cá. Com os ânimos mais serenos, Gomes atira... e Manuel Abrantes defende. Só que Vítor Madeira ainda estava em campo. O FC Porto pede repetição do penálti, o árbitro resolve com uma bola ao solo! Pedroto está irado. E lamenta: "Este Estoril correu mais que sei lá o quê. Não compreendo como não houve controlo anti-doping. Na Amora (1-2) e em Setúbal (1-3) foi a mesma coisa."

É neste clima de suspeição que se chega ao clássico decisivo para o título. A 27 de Março de 1983, FC Porto e Benfica estão separados por quatro pontos. E assim continuam depois de 90 minutos sem golos, apesar de Gomes falhar (novamente) um penálti. Fora do relvado, a bronca do costume com algumas nuances. Eriksson, primeiro, manteve a sua pose de gentleman. "Tivemos sorte, sobretudo no penálti, mas lutámos pelo 0-0." Depois o sueco foi aos arames quando Pedroto voltou a destapar o assunto doping. "Sem querer insinuar o que quer que seja, fomos descriminados mais uma vez. Houve controlo na Luz [3-1 para o Benfica]. Aqui já não houve. Nós pedimos, mas alguém recusou..." Sven-Goran reagiu. Com diplomacia mas ligeiramente incomodado. "Doping no Benfica só por cima do meu cadáver. Se alguma vez um jogador for dopado, aqui, no Benfica, ou sairá ele ou sairei eu." 

Também sem perder a pose, Pedroto contra-atacou. "O Benfica vai ser campeão? Sim, já o era antes de começar o campeonato. Na semana em que perdia pontos, os árbitros erravam contra nós. Num sábado, empataram no Bessa [2-2]. No dia seguinte, o Sporting-FC Porto acabou cirurgicamente 3-3, com dois penáltis para o Sporting. Sem esquecer que o Benfica veio jogar aqui às Antas como o Alcobaça [último classificado da liga]." Fim. Antes fosse. A confusão continua. Próximo capítulo: hoje, amanhã, depois, sábado, domingo...

 

Via Ionline



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Quinta-feira, 28.10.10

medicamentos com preço

 

Estas últimas semanas têm surgido uma série de medidas e de alterações a nível da saúde com intenção de diminuir a despesa com medicamentos. Para além das diminuições de comparticipação de alguns grupos terapêuticos, o preço total dos medicamentos vai sofrer uma descida de 6%. Ao mesmo tempo que vai haver esta descida, o governo decretou que os medicamentos comparticipados deixassem de ter o preço marcado. Ora, em todas as áreas de negócio, o preço marcado é uma obrigação legal para defesa dos consumidores. Qual será a razão obscura para que os medicamentos não tenham preço marcado?! Soa assim a pouca transparência na área dos medicamentos não é?! Para tentar contrariar esta legislação, promoveu-se uma petição a enviar à Assembleia da República.

Assine a petição - Medicamentos sem preço põem em causa o direito à informação dos consumidores

 

Via É possível ser feliz



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Quarta-feira, 27.10.10

Fora com os outdoors

 

Via HenriCartoon



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Segunda-feira, 25.10.10

o amigo Chavez e os  Magalhães

 

Via HenriCartoon



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Sábado, 23.10.10

Mineiros, do Underground para a ribalta

 

"O que aconteceu na mina, fica na mina", Foram estas as palavras de Dário Segovia, o 20º mineiro a chegar à superfície de óculos escuros e sorriso nos lábios. Mas, definitivamente, esta premissa não foi cumprida. A trágica derrocada da mina de San José, no deserto de Atacama, espalhou-se pelo mundo. De repente toda a gente queria saber tudo sobre os mineiros: se estavam a salvo, quando sairiam, o que faziam lá em baixo, o que comiam, em que pensavam, quem eram os seus familiares.

As luzes incidiram sobre o Chile, o seu presidente e os incríveis esforços para resgatar os mineiros. A identidade dos homens foi conhecida assim como as suas histórias pessoais. Um pôde ver pela primeira vez a filha por videoconferência outro pediu a namorada em casamento e outro, afinal, não queria sair da mina, porque tinha mulher e amante à espera. Sabe-se que o líder do grupo foi "Don Lucho" que manteve a ordem e estabeleceu a calma. Impunha regras para não deixar os companheiros irem abaixo: havia horas para levantar, racionamento de comida e água. Muitos rumores surgiram 700 metros debaixo de terra: que pairou um medo de canibalismo e até que houve confrontos físicos entres alguns mineiros. 

"A vida imita a arte" dizia o dramaturgo e escritor Oscar Wilde. O salvamento dos mineiros é um exemplo prático de como a vida pode ganhar contornos de guião. O episódio tem todos os ingredientes dignos de uma película de sucesso. Um acidente inesperado, uma situação insuportável, a luta pela sobrevivência, o final heróico e feliz. "Se as grandes personagens de ficção se revelam pelas suas escolhas, o drama e as opções vividas pelos mineiros da mina chilena teriam tudo para resultar num filme intenso" explica Nuno Duarte, escritor e argumentista. 

Já surgiram uma série de reacções ao salvamento dos mineiros chilenos. Apareceram em capas de jornais, abriram noticiários de todo o mundo, foram ouvidos nas rádios. O seu salvamento foi transmitido minuto a minuto por todo o globo. Foi criado um jogo inspirado na situação e até já se fala de um filme com Javier Bardem como protagonista. 

Apanhado por esta onda de mediatismo, o i ficou curioso por saber como seria ver a história dos 33 mineiros transformada num filme. Assim, desafiámos quatro argumentistas e um realizador a fazer a adaptação. Surgiram histórias diferentes: do irónico, passando pelo dramático até ao romanceado, muitas perspectivas foram abordadas. 

Pode ser que ache piada ou pode ser que não. Mas que esta história dava um filme, ai isso dava.

 

Alexandre Borges:

Versão blockbuster

“33 Homens e um destino”

Chile, 2010. O Presidente está em queda nas sondagens. De repente, uma tábua de salvação: 33 homens ficam soterrados numa mina. Poderiam ser retirados em poucos dias, mas o pérfido Presidente mantém-nos soterrados. Finge desdobrar-se em esforços enquanto os alimenta por uma palhinha. 69 dias depois, vai salvá-los pessoalmente. O povo ajoelha-se a seus pés. No último momento, o derradeiro mineiro topa as intenções do Presidente, traça-lhe a perna e manda-o lá para baixo. Urra. Vitória. O mineiro é eleito Presidente.

 

Versão romance

“A Vida, o amor e as minas”

Chile, 2010. 35 homens ficam soterrados numa mina. Enquanto estão lá em baixo, sem luz nem mantimentos, Ortega e Octávio descobrem o amor. Os outros 33 não suportam tanta pieguice e imploram para que alguém os tire de lá. Após 69 dias, são salvos. Octávio e Ortega optam por ficar porque acham que o mundo não compreenderá o seu amor. Pedem aos 33 que não contem a ninguém e estes respondem, antes de se meterem na cápsula, que não falariam sobre isso nem que lhes pagassem.

 

Versão intelectual

“A Mina”

Chile, 2010. 33 homens ficam soterrados numa mina. 69 dias depois, são resgatados. Cada um vai à sua vida. Todos pensam muito nos dias que passaram lá em baixo. Vão trabalhar e pensam nisso. Vão ao supermercado e pensam nisso. Fazem amor com a mulher e pensam nisso. Fazem amor com a amante e pensam nisso. Um dia, um deles repara que ontem não pensou nisso. No fim, há um plano muito bonito da antiga mina e dos hotéis e lojas de souvenirs que, entretanto, cresceram em volta.

 

Alexandre Borges é guionista, trabalhou na TV em projectos como“Equador” e “Grandes Livros”. É crítico de cinema do i.

 

Nuno Duarte:

“Paralelismos”

Se as grandes personagens de ficção se revelam pelas suas escolhas, o drama e as opções vividas pelos mineiros de cobre da mina Chilena de El Teniente teriam tudo para resultar num filme intenso. Todavia, o que seria destes homens se o soterramento não tivesse acontecido? Esta seria a premissa de um filme com duas linhas narrativas paralelas tendo pontos de partida divergentes. 
De um lado a dura realidade dos momentos vividos após o soterramento, com as discussões, o medo, a claustrofobia e a discussão por meras gotas de água e bolachas. Noutro mundo porém, 33 mineiros são informados atempadamente do fecho da mina e partem para um mundo solarengo, onde as famílias, a sociedade e a realidade de uma crise económica se apodera deles.
Se para os homens enterrados vivos a 700 metros de profundidade o contacto com as autoridades e a descoberta de meios para lhes fazer chegar mantimentos se revela como um facho de esperança, para os seus alter egos em liberdade, o desespero da falta de oportunidades e de um sentido para a vida começa a levar muitos para soluções de ruptura.
No fundo da mina surge uma luz e uma cápsula que a todos levará para um mundo mais atento aos seus problemas, enquanto que na corriqueira vida de uma realidade alternativa um grupo de homens cai vítima de alcoolismo, crime e falta de esperança.
Branco e negro, yin e yang, dois mundos, duas formas de perceber que, se calhar, bater literalmente no fundo pode nem ser assim tão mau.

Nuno Duarte é argumentista associado das Produções Fictícias, tendo trabalhado em séries como “Liberdade 21”, “República” ou “Conta-me como foi”, encontrando-se este fim de semana a promover a sua novela gráfica “A Fórmula da Felicidade” no Festival Amadora BD 2010.

Nuno Duarte é argumentista associado das Produções Fictícias, tendo trabalhado em séries como “Liberdade 21”, “República” ou “Conta-me como foi”, encontrando-se este fim de semana a promover a sua novela gráfica “A Fórmula da Felicidade” no Festival Amadora BD 2010.

Tiago R. Santos

"70 Dias"

Sebastián Piñera, presidente do Chile, está fechado num gabinete com um Homem e a discussão decorre há horas. “Há que fazer alguma coisa”, diz o Homem que lê o jornal. “Já ninguém se lembra que chegámos aos oitavos no campeonato do Mundo. Se tivéssemos ganho ao Brasil, ainda hoje se falava disso”. O Presidente rói as unhas “Temos que colocar o Chile no mapa. Tirar a crise da cabeça das pessoas”.
Dois dias depois, 33 mineiros ficam soterrados a 700 metros de profundidade. Há quem descubra que o acidente foi, na verdade, provocado por um dos colegas. Os trabalhadores viram-se uns contra os outros. Até que um admite ser o culpado. “Ouçam. Sim, vamos ficar isolados durante duas semanas, é preciso drama nesta história. Mas depois temos comida e música do Elvis Presley, vemos futebol, há jogos de vídeo e MP3 e até livros. E, quando sairmos, somos heróis, vendemos entrevistas e fotografias com as nossas famílias.’ Os mineiros acalmaram e continuaram a ouvir. “E, aqui, somos quem nós quisermos. Tu, José, o que é que querias ser?’. ‘Padre’. ‘Então és Padre. E tu, Ávalos, qual é o teu sonho?’ ‘Ser Realizador de Cinema’. ‘Vou já pedir uma câmara’. ‘Quero ser escritor’, disse Victor, embalado pelo momento. ‘Vou dizer aos advogados para redigirem os contratos.”
Sessenta e nove dias depois, os mineiros são resgatados numa cerimónia transmitida em directo para todo o mundo. Nesse momento, não há um único chileno que esteja a pensar na crise. Jornais e revistas, editoras de livros e produtoras cinematográficas abrem os livros de cheques. 
No dia 70, Roberto Fernandez, 26 anos, é esmagado por uma pedra enquanto trabalhava a mil metros de profundidade. Não há luzes apontadas a esta história. “Pois, é preciso estar no sítio certo, na hora certa, para sermos heróis”, diz o Homem que lê o jornal.


Tiago R. Santos escreveu o argumento de grandes produções portuguesas como “Call Girl” ou o mais recente “A Bella e o Paparazzo”.

Luís Filipe Borges

"Dust to Dust"

STORYLINE: O mundo acompanha em suspense a odisseia de 33 homens há mais de dois meses presos no interior da terra. Todos querem vê-los salvos. Um quer continuar lá.

Género: thriller inspirado numa história verídica

Quando Cuautehmoc Isla ficou soterrado, reagiu como os 32 companheiros. Houve pânico e desespero. Quando um líder se afirmou entre o grupo não respirou de alívio, fez como os outros e resignou-se. Contentaram-se com a ideia de haver nobreza numa morte digna. A luz, por uma vez literalmente ao fundo do túnel, era uma esperança para quase todos vã. Mas habituaram-se a comer e beber racionadamente, a contar histórias à volta da fogueira como os homens primitivos do início dos tempos. Quando as comunicações foram reestabelecidas, exultou como todos, mas rapidamente se tornou o único a remar contra a maré, roído pelo remorso e pela culpa. O seu motivo permaneceu misterioso e originou discussões que levaram a vias de facto, em particular quando Cuautehmoc tenta corromper as coordenadas, de modo a deslocar a cápsula Fénix para outro lugar. Terá cometido um crime, como desconfia o líder? Será o responsável pela situação dramática em que se encontra o grupo, como pensa a esmagadora maioria dos colegas? Ou terá duas mulheres à espera quando a terra der finalmente à luz? 
Comediante e guionista, Luís Filipe Borges também é apresentador de televisão. “A Revolta dos Pastéis de Nata” e o “Cinco para a Meia-Noite” são, talvez, os seus trabalhos mais conhecidos.

 

Ivo M. Ferreira

"O Penúlltimo Homem"

Os três homens acabam de receber por uma mangueira uma série de comprimidos: “Carne...Vegetais... Peixe... Batata... Galinha...” Um deles atira os comprimidos para o chão e afasta-se, nervoso e choroso (Manolo). Outro, riposta: “Eu cá não como mais disso. Prefiro esperar por um bife de chouriço, acompanhado do sauvignon blanc da aldeia.” Paco, que mal vemos no escuro, apanha os comprimidos do chão. Um som de motor eléctrico chama a atenção dos homens. “Vem aí!” “Manolo, és o tu próximo!” 
Uma cápsula pintada de vermelho, branco e azul chega à galeria subterrânea. Manolo, antes de entrar na cápsula, vira-se para Paco: “Paco, queres que diga alguma coisa à família?” “Até já, Manolo!”A cápsula volta a descer e entra para lá o mineiro. Fica assim Paco e o Último.
A cápsula sobe. O Último aproxima-se de Paco. “Tenho medo. E tu?” “De quê? De ser o último” “Dou-te a minha vez.” A cápsula volta a descer. O Último entra. “Não tens medo, Paco?” “Até já.”
A cápsula sobe e Paco baixa-se a um canto. Debaixo de um cobertor, retira uma lata. Abre-a para guardar os comprimidos e vemos que dentro há dezenas de outros. Guarda a lata e vemos que há várias garrafas de plástico cheias de água. Um walkman de cassetes está em cima de um pedaço de cartão rasgado. Paco arrasta uns ferros para o pé da zona onde chega a cápsula. Carrega um outro ferro. A cápsula chega.
Paco, está no canto, coloca o seu walkman e carrega em play. Ouvimos alto “La Concentida” (Cueca Chilena).
Fora da mina, no exterior, todos aguardam a subida da última cápsula. Quando ligam a máquina, a torre que puxa a cápsula sede, rebenta, e causa o desabamento de terras e guindastes.


Ivo Ferreira é realizador português. Já realizou longas-metragens, curtas e documentários. “Vai com o Vento” é o seu último trabalho que está nos cinemas.

 

Via Ionline



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Quinta-feira, 21.10.10

Esta é a história de um procurador poeta, de uma juíza sem sentido de humor e de um início divertido de uma audiência de julgamento sumário, no passado dia 7, no 7º juízo cível, em Lisboa.

 

Conforme consta na acta, a audiência foi declarada aberta apenas às 9h20 dessa manhã, em vez de às 9h00 como estava marcado, já que só a essa hora compareceu no tribunal o “digno magistrado” do Ministério Público, José Vaz Correia. Caso não tivesse a juíza Catarina Pires sido informada da sua chegada ao tribunal às 9h18, o julgamento ter-se-ía iniciado mesmo sem a sua presença, informou-o a magistrada assim que ele entrou. Ao ser-lhe dada a palavra, o magistrado achou por bem explicar ao tribunal os motivos do seu atraso que provocara o adiamento do início da audiência. 

Fora um “lapso evidente e único com o seu despertador”, começou. Costuma sempre pô-lo a despertar “às 07h00 horas da manhã ou até antes”. Mas, naquele dia, “na maior das certezas e excepcionalmente, sem que alguma vez lhe ocorra ter acontecido, o relógio não despertou”. 

Vaz Correia acordou assim convencido de que eram 06h40 horas da manhã. “Pôs o rádio a trabalhar, como habitualmente, ouviu as notícias e dirigiu-se para o Serviço”, conta. “Foi confirmar por que o relógio (telemóvel) não despertou e verificou que estava na posição de desligado”. Isto só o referido procurador reparou “já vinha quase a chegar ao tribunal”. Aliás, esclarece ele, “estava no café a tomar o pequeno-almoço”, sucedendo, inclusivé, que “escreveu várias quadras dentro do metro, como aliás, o faz frequentemente.” 

Foi nesta altura do relato que a juíza declarou interrompida a audiência, “atendendo a que se mostrava momentaneamente indisposta”, como consta na acta. 

Enquanto isso, o procurador solicitou ao funcionário para lhe trazer o casaco do gabinete, para que pudesse tirar do bolso e ler algumas das quadras que escrevera e que quis que ficassem “expostas em verso”. E que passou a ler assim que a magistrada regressou à sala de audiências: 

Adoro levantar cedo

E ter a obrigação cumprida

dos falsos tenho medo

são o pior que há na vida

(...)

São sete e pouco da manhã 

Viajo de metro para o trabalho

Fi-lo ontem, falo-ei amanhã

Só sou aquilo que valho

Os comboios já vão cheios

Muitos se levantam cedo

Nas mulheres aprecio os seios 

Mas têm outro enredo

(...) 

Viajam brancos e pretos

Nacionais e estrangeiros 

Alguns vivem em “guetos”

Outros em lugares foleiros

(...)

Entram uns, saem outros

É o frenesim da manhã

Levam-se alguns encontrões

Levo eu, e mulher minha.

E com este verso anunciou o procurador ser tudo “quanto a quadras” . Mas prosseguiu as suas explicações acerca dos motivos do atraso. “Sucedeu que, às 09h15, telefonou-lhe o funcionário Luis dizendo-lhe que tinha uma diligência marcada. Vaz Correia, que estava no café a tomar o pequeno-almoço, respondeu-lhe que iria de imediato para o tribunal, como foi, salienta. Só que demorou “alguns minutos a ler o jornal, pois estava convencido que o julgamento era às 09h15. “É tudo” concluiu. 

E a juíza voltou a interromper a audiência por momentos.

Ao regressar, determinada, proferiu um despacho para que fosse extraída certidão daquela acta “para efeitos disciplinares” e para que fosse remetida ao Conselho Superior do Ministério Público. 

E é assim que o procurador Vaz Correia, de 59 anos e com veia de poeta, corre agora o risco de ser alvo de um processo disciplinar em consequência de o seu despertador não ter tocado e de ter feito questão de dar conhecimento ao tribunal da sua sensibilidade poética.

 

via Público



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Terça-feira, 19.10.10

Portinho da Arrábida sem condições

Abastecimento de água e luz na Arrábida à inteira mercê das condições climatéricas

A situação já era perigosa, mas está caótica desde há uma semana, após o primeiro vendaval do ano. No Portinho da Arrábida, as condutas de abastecimento de energia eléctrica e de água estão literalmente à vista, depois do mar ter levado o seu “enchimento”, parte da barreira da passagem pedonal.

Banhistas, moradores e comerciantes do Portinho da Arrábida estão com o “coração nas mãos”. O vendaval de há uma semana provocou o aluimento de parte da já de si fragilizada barreira, com cinco metros de altura, do corredor de emergência entre as praias do Portinho e do Creiro.

O cabo, de cor verde, que transporta a energia eléctrica desde o Creiro a toda a zona do Portinho e Alpertuche, bem como a canalização, de cor escura e de maior diâmetro, estão perigosamente à vista, depois do mar ter retirado a sustentabilidade desta barreira, de terra argilosa, que serve de caminho pedonal, leia-se corredor de emergência entre ambas as praias.

“É evidente que aquelas condutas estão por um fio, e caso estas tubagens se rompam, será uma catástrofe de inimagináveis consequências,” alerta Pedro Vieira, membro de um recém formado movimento, constituído por utentes, moradores e comerciantes da Arrábida e que, no passado dia 14 de Agosto promoveu uma mediática acção em pleno areal do Portinho, tendo sido içada uma bandeira negra de “Luto pela Arrábida”.

Aliás, essa manifestação visava precisamente alertar as diversas entidades com jurisdição naquela praia para uma série de identificados problemas. “Um deles era (é) o péssimo estado de manutenção deste caminho pedonal/corredor de emergência. Outro é o facto do areal ter dado lugar a uma praia de calhaus,” recordou a «O Setubalense» Pedro Vieira, para quem “outros problemas existem nesta praia que é de eleição, mas que continua desprezada pelas inúmeras entidades que se cruzam na sua jurisdição,” atirou este preocupado utente da praia.

A mediática acção pública de há dois meses na Arrábida, resultou numa listagem de um conjunto de 14 pontos a resolver, no entendimento daquele movimento cívico.

Tal listagem foi, ponto por ponto, justificada e pessoalmente transmitida por Pedro Vieira, em finais do mês passado, junto do Governador Civil de Setúbal e do presidente do Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB).

Em jeito de balanço, aquele membro do movimento cívico da Arrábida disse a «O Setubalense» que, “particularmente o ICNB mostrou-se sensibilizado e, até, mais elucidado, com o conjunto de provas documentais por nós transmitidas”, acreditando Pedro Vieira numa “tomada de medida”, a qual, a não ser tomada, “será o desprezo total e absoluto por esta praia de eleição.”

7 MARAVILHAS Diga-se a propósito que o Portinho saiu vencedor, na categoria de praias e falésias, no recém realizado concurso, por televoto, das 7 Maravilhas Naturais de Portugal. “Infelizmente, as imagens que foram mostradas ao país foram como que branqueadas, ou seja, passaram despercebidos os reais problemas do Portinho, que urgem solução,” disse Pedro Vieira, que deseja uma “rápida intervenção e entendimento” por parte das inúmeras entidades com jurisdição sobre aquela galardoada zona do Parque Natural da Arrábida.

Teodoro João

 

Via O Setúbalense

 

Setúbal, Outubro de 2010



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Quinta-feira, 14.10.10

Mineiros resgatados

 

Uma cápsula metálica com o formato de um míssil e a largura de uma roda de bicicleta, a Fénix, mergulhou mais de 40 vezes até ao interior da terra para trazer de volta à superfície os 33 mineiros soterrados na mina de ouro e cobre de San José durante dois meses. Sãos e salvos, barbeados, sorridentes, numa espantosa condição física e impressionante estado de espírito, tendo em conta o pesadelo que viveram.

O dia 5 de Agosto foi a última vez que viram a paisagem do deserto de Atacama, o impressionante cenário de uma saga absolutamente inédita que prendeu as atenções de todo o mundo. Nunca na história alguém resistiu tanto tempo em situação tão extrema. Os homens ficaram presos quando um muro de sustentação ruiu, atirando 700 toneladas de rocha para cima da galeria onde trabalhavam.

O regresso à superfície não estava isento de riscos: a ascensão das profundezas sombrias e escaldantes da mina implicava um esforço de descompressão e um reajustamento térmico que podia deixar qualquer um em choque.

À chegada, os homens foram submetidos a um exame médico preliminar num hospital de campanha. Nenhum deles exibiu sintomas preocupantes, informou o ministro da Saúde chileno, Jaime Manalich. Mas estão sob observação, internados no hospital da cidade de Copiapó por pelo menos 48 horas.

O pior, avisaram todos os especialistas, está para vir. Stress pós-traumático, pesadelos, alucinações, irritabilidade, depressão, os técnicos de saúde mental enumeraram uma série de maleitas que podem pairar no seu futuro. Inevitavelmente, alertavam, a euforia esmorecerá, e é possível que no seu lugar surja o desespero. A normalidade, diziam, é um conceito que estes homens não deverão voltar a conhecer. 

Pela televisão, o Chile e o resto do mundo puderam ver os homens escapar do seu involuntário cativeiro - pálidos, gratos e felizes. Florencio Avalos, o primeiro a escapar, fora o narrador dos vídeos que transformaram os mineiros numa sensação mundial. "Acabou. Acabou finalmente", balbuciou.

O sindicalista que veio em segundo, Mário Sepúlveda, foi o mais efusivo: saltou da Fénix carregado com uma saca de pedras, que imediatamente começou a distribuir pelas equipas envolvidas no resgate. "Estive com Deus e o diabo. Agarrei-me à melhor mão", contou.

Juan Ilanes Palma levantou os braços ao céu; Mário Gomez, o mais velho do grupo, ajoelhou-se a rezar - um gesto repetido por tantos outros companheiros, Alex Vega, Omar Reygadas, Esteban Rojas... As mulheres e filhos abraçavam-nos por segundos, sob o olhar emocionado dos dirigentes políticos e do pessoal técnico.

O sucesso e alegria do dia do salvamento esconderam temporariamente a realidade bem menos efusiva que os espera. Os mineiros soterrados juntaram-se numa acção judicial contra o Governo chileno, ao qual pedem responsabilidades pelas frágeis condições de segurança na mina, cuja laboração fora suspensa por duas vezes na sequência de outros acidentes.

"Não nos tratem como artistas, tratem-nos como mineiros", pediu Sepúlveda, que não esperou nem um minuto para exigir reformas na regulação e supervisão da indústria e nas condições de trabalho dos mineiros. "Estou contente por ter chegado este momento, mas este país deve entender que são precisas mudanças no mundo laboral", declarou.

Os seus colegas, que conseguiram escapar da mina no dia do desastre, enfrentam um futuro tão ou mais incerto do que o dele. Impedidos de trabalhar há mais de dois meses, estes mineiros não terão acesso às indemnizações que garantem a subsistência financeira dos 33 mineiros soterrados.

 

Via Público



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Terça-feira, 12.10.10

Sim, caro Pedro, José Sócrates está a fazer uma chantagem vergonhosa. Sim, a culpa não é sua: é o PS que está no poder há 15 anos. Porém, se não se abstiver na votação do OE 2011, V. Exa. pode ficar com essa culpa nos braços.

 

I. José Sócrates e o PS, caro Pedro Passos Coelho, estão a fazer uma chantagem vergonhosa sobre o PSD. Vergonhosa. Porque José Sócrates, para ameaçar o PSD, tem uma arma apontada a Portugal. No fundo, o primeiro-ministro está a dizer isto: "se não fazes o que eu quero, eu disparo e deixo o país no caos". É isto que José Sócrates está a fazer. Não se esperava outra coisa de José Sócrates. Mas, meu caro Pedro, há que conter a raiva que este comportamento de Sócrates provoca. V. Exa. tem de manter a calma, e fazer o que é melhor para Portugal. E isso, na minha opinião, passa pelo seguinte: o PSD deve abster-se na votação do Orçamento do Estado 2011. A sua abstenção é o melhor para as nossas finanças e para a nossa democracia. E, se me permite, passo a explicar porquê.

II. Se o PSD derrubar o Governo, o pior cenário financeiro e económico vai bater à porta. A ausência de liderança política vai criar uma espiral de desconfiança nos mercados que só poderá ser travada pelo FMI. Este cenário poderá não acontecer, mas a sua probabilidade é elevada. Demasiado elevada, e V. sabe disso, com certeza. Além da subida intolerável dos juros da dúvida pública, este cenário poderá levar ainda a um corte de crédito dos bancos à sociedade (ainda mais). Ou seja, a economia pode parar por completo. Quando comparada com este afundamento total da economia, a mini-recessão provocado pela subida do IVA é brincadeirinha, dr. Passos Coelho.

III. E o pior disto tudo é que V. corre o risco de ficar associado à austeridade do FMI, mesmo quando não tem culpas no cartório. E, assim, aconteceria algo pouco digno para a democracia: com o FMI em Portugal, José Sócrates desviaria para o FMI e para o PSD o ónus de 15 anos de governação socialista. Pior: V. corre o risco de recusar um orçamento que aumenta impostos para depois aprovar como primeiro-ministro um "orçamento FMI" que aumenta impostos. Porque, meu caro, se V. vencer as eleições antecipadas em maio, V. governará com o FMI, e o seu Governo não passará de um faxineiro da sujeira deixada pelo PS. Ou seja, o PSD fará o trabalho sujo que devia ser feito pelo PS. E, assim, mais uma vez, Portugal perderá a oportunidade de ter um Governo reformista, porque V. teve demasiada pressa para chegar ao poder, e porque não deixou que a democracia punisse convenientemente o adversário.

IV. Em suma, caro Pedro, se derrubar agora o Governo, o PSD estará a fazer o jogo do PS . Por outras palavras, o PSD arrisca-se a ficar com a culpa de 15 anos de governação do PS. O PS arruinou Portugal, mas o PSD arrisca-se a ser o mau da fita aos olhos do eleitorado. "Ah, mas foi o PS que arruinou o país". Pois foi, mas o eleitorado não olha para a razão. Olha para quem lhe bate. Isto não é táctica política. É a defesa da democracia, caro Pedro. Em democracia, quem governa 15 anos tem de ser julgado, e não pode ter a possibilidade de desviar as suas responsabilidades para x e y.

 

Via A Tempo e Desmodo



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Segunda-feira, 11.10.10

A revolta do autor

 

Via Henricartoon



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As caves do Vinho  do Porto

Está lá a Calém, a Ferreira ou a Sandeman, mas na zona ribeirinha de Gaia também estão alguns dos melhores restaurantes e bares da região

 

É o produto mais famoso do país além-fronteiras e a Região Demarcada mais antiga do mundo. Falamos, obviamente, do Vinho do Porto. Visitar as caves na margem esquerda do Douro, em Vila Nova de Gaia, é às vezes como entrar numa máquina do tempo. Os barris ali continuam perfeitamente alinhados, desenhados para o correcto envelhecimento do néctar, com as teias de aranha, como canta Rui Reininho na "Pronúncia do Norte", a vidrarem na janela. A modernidade também já chegou a estes espaços. Festas, almoços, jantares ou reuniões, são alguns dos eventos que as caves podem albergar, a par, claro está, da degustação de variados vinhos do Porto. Mas nem só de vinho vive a zona ribeirinha de Gaia. Por entre uma visita às caves (seja a Calém, a Ferreira, a Sandeman, a Taylor''s ou a Offley), há muito por onde se entreter. E comer.


Restaurante Moscovo Logo depois de passar o tabuleiro inferior da Ponte Luiz I e se começar a descer para a zona ribeirinha de Gaia, está o Restaurante Moscovo com uma decoração temática, a que se juntam vários apontamentos sobre a história dos czares e a antiga União Soviética. O Salmão à Vladivostok é uma das especialidades, numa casa onde não podia faltar, claro está, o vodka. Só fecha à segunda-feira. 

A Cozinha do D.Tonho Para muita gente este é um dos mais emblemáticos restaurantes do Porto. Para muitos outros é o restaurante do Rui Veloso. De facto, o músico portuense é um dos sócios desta casa. Aliás, se for ao site é recebido pela música "Porto Sentido". Mas o D. Tonho também cruzou o rio e instalou-se mesmo em cima do Douro, na margem esquerda. Todo envidraçado, permite uma vista deslumbrante sobre a cidade do Porto, mantendo o mesmo requinte no serviço. Depois de uma caminhada pelas caves, pode optar por umas Tripas à Moda do Porto ou um Bacalhau à Zé do Pipo para recuperar energia.

Corpus Christi Se boa parte da história do Vinho do Porto lhe pode ser contada pelas milhares de barricas das caves, outra parte da história da zona ribeirinha de Gaia é revelada pelo convento Corpus Christi. Após anos de abandono, a autarquia reabilitou o espaço e devolveu-o à cidade. Fundado em 1345, foi decaindo quase até à decrepitude. Agora, é possível ver as peças de arte sacra de grande valor ou o extraordinário coro-alto da capela. A título de curiosidade refira-se que está no Corpus Christi a arca tumular de Álvaro de Cernache, alferes da bandeira da Ala dos Namorados, na Batalha de Aljubarrota. 

Teleférico Pode parecer estranho que apareça neste roteiro uma obra que ainda não está finalizada. O teleférico de Gaia só começa a rolar em meados do próximo mês de Novembro, mas já é possível admirar a estação na zona ribeirinha, com as cabines que irão transportar os clientes todas alinhadas. É a primeira infra-estrutura do género em ambiente urbano e vai ligar o Jardim do Morro ao Cais de Gaia. Quando estiver a funcionar a sério, vai permitir uma vista única sobre o Porto e sobre as caves do Vinho do Porto.

Cais de Gaia No fim do seu périplo por barricas e cálices de Porto, pode terminar a sua visita no Cais de Gaia. O que tem lá à sua disposição? O Bogani Café, o Irish Pub, a República da Cerveja, o Real Thai, o Pedra Alta, uma pequena loja de vinhos do Porto, artesanato, enfim, o final ideal para a viagem que lhe propomos. Para todas as carteiras - pormenor importante em tempos de austeridade.

 

Via ionline



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